Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Em afinado solo, Claudia Netto reitera que é talentosa mulher de musical

Resenha de show
Título: Mulheres de Musical
Artista: Claudia Netto (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 19 de setembro de 2012
Cotação: * * * 1/2
Em cartaz às quartas e quintas-feiras, no Rio de Janeiro (RJ), até 11 de outubro de 2012

Mulheres de Musical é o primeiro espetáculo solo de Claudia Netto, atriz e cantora conhecida no meio teatral do eixo Rio-São Paulo por conta de suas atuações em encenações brasileiras de musicais como Avenida Q e O Rei e Eu. Não é um show propriamente dito e tampouco é um musical com trama original. Mulheres de Musical é, em essência, um espetáculo teatralizado em que - sob a direção de Paulo Afonso de Lima - a artista fluminense revisita músicas e momentos importantes de sua trajetória nos palcos nacionais, recorrendo a textos (pincelados com humor nem sempre eficaz) e a caracterizações de algumas personagens já encarnadas por Netto nessas montagens brasileiras. A Japaneusa de Avenida Q, por exemplo, entra em cena quando a atriz  interpreta The More You Ruv Someone (Robert Lopez e Jeff Marx, 2003), um dos temas mais conhecidos desse musical politicamente incorreto. Jogos de cena à parte, o que fica explícito ao longo dos 19 números desse bem-vindo solo de Netto é o amor da artista pelo teatro musical e pela música composta para o gênero. Terreno difícil em que a atriz-cantora pisa com firmeza e intimidade pelo natural talento vocal. A voz potente, afinada, de emissão clara e precisão rítmica, credencia Netto para a interpretação de temas de musicais como Homework (Irving Berlin), pérola do libreto de Miss Liberty (1949), pescada pela cantora para seu solo na versão em português de Claudio Botelho. Cabe lembrar que, na montagem brasileira do musical Company, a abordagem de Netto para Getting Married Today - difícil tema do espetáculo que exige técnica e senso rítmico extraordinário de suas intérpretes pela alta velocidade com que os versos precisam ser cantados em cena - foi aclamada pelo autor do tema, o compositor norte-americano Stephen Sondheim,  um dos papas do teatro musical (ainda em atividade, aos 82 anos). Claro que Getting Married Today figura no roteiro de Mulheres de Musical em número que requisita os dotes vocais do tecladista Marcelo Farias. O músico integra o afinado quarteto que divide com Netto o palco do Theatro Net Rio. Aliado ao baixo de Omar Cavalheiro e ao toque preciso da bateria de Marcio Romano, o canto da atriz expõe o suingue de I Got Rhythm (George Gershwin e Ira Gershwin, 1930) com a naturalidade com que, dois números antes, a artista esboça clima mais íntimo quando, sentada, entoa Someone To Watch Over me (George Gershwin e Ira Gerswhin, 1926), tema do musical Oh, Kay!, encenado na Broadway em 1926. Dominado por canções projetadas em musicais e / ou filmes produzidos nos Estados Unidos dos anos 20 aos 70, o roteiro de Mulheres de Musical abre espaço para algumas músicas de lavra nacional. No bloco inicial em que se caracteriza com algumas das personagens que já viveu em cena, a atriz lança mão de sotaque nordestino para cantar Não Sonho Mais (1979), música do mesmo Chico Buarque de Olhos nos Olhos (1976), lembrança da atuação da artista no gracioso espetáculo Na Bagunça do Teu Coração. Já o fato de Netto ter interpretado a cantora paulista Dircinha Batista (1922 - 1999) no dramático musical Somos Irmãs é pretexto para que a artista cante os sambas-canção Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952) - em número de voz e baixo (o de Omar Cavalheiro) - e Bom Dia (Herivelto Martins e Aldo Cabral, 1942). Mas Claudia Netto é, sobretudo, uma cantora destinada a expor o brilho de  joias da canção norte-americana. Dedicada ao repertório de Judy Garland (1922 - 1969), atriz e cantora norte-americana encarnada pela artista brasileira no musical Judy - O Fim do Arco-Íris, a parte final do espetáculo reitera que Claudia Netto domina a linguagem teatral de standards como Just in Time (Jule Styne, Betty Comden e Adolph Green, 1956) e Get Happy (Harold Arlen e Ted Koheler, 1930). É uma mulher - e ótima cantora - de musical! E não há demérito na sentença.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Mulheres de Musical é o primeiro espetáculo solo de Claudia Netto, atriz e cantora conhecida no meio teatral do eixo Rio-São Paulo por conta de suas atuações em encenações brasileiras de musicais como Avenida Q e O Rei e Eu. Não é um show propriamente dito e tampouco é um musical com trama original. Mulheres de Musical é, em essência, um espetáculo teatralizado em que - sob a direção de Paulo Afonso de Lima - a artista fluminense revisita músicas e momentos importantes de sua trajetória nos palcos nacionais, recorrendo a textos (pincelados com humor nem sempre eficaz) e a caracterizações de algumas personagens já encarnadas por Netto nessas montagens brasileiras. A Japaneusa de Avenida Q, por exemplo, entra em cena quando a atriz interpreta The More You Ruv Someone (Robert Lopez e Jeff Marx, 2003), um dos temas mais conhecidos desse musical politicamente incorreto. Jogos de cena à parte, o que fica explícito ao longo dos 19 números desse bem-vindo solo de Netto é o amor da artista pelo teatro musical e pela música composta para o gênero. Terreno difícil em que a atriz-cantora pisa com firmeza e intimidade pelo natural talento vocal. A voz potente, afinada, de emissão clara e precisão rítmica, credencia Netto para a interpretação de temas de musicais como Homework (Irving Berlin), pérola do libreto de Miss Liberty (1949), pescada pela cantora para seu solo na versão em português de Claudio Botelho. Cabe lembrar que, na montagem brasileira do musical Company, a abordagem de Netto para Getting Married Today - difícil tema do espetáculo que exige técnica e senso rítmico extraordinário de suas intérpretes pela alta velocidade com que os versos precisam ser cantados em cena - foi aclamada pelo autor do tema, o compositor norte-americano Stephen Sondheim, um dos papas do teatro musical (ainda em atividade, aos 82 anos). Claro que Getting Married Today figura no roteiro de Mulheres de Musical em número que requisita os dotes vocais do tecladista Marcelo Farias. O músico integra o afinado quarteto que divide com Netto o palco do Theatro Net Rio. Aliado ao baixo de Omar Cavalheiro e ao toque preciso da bateria de Marcio Romano, o canto da atriz expõe o suingue de I Got Rhythm (George Gershwin e Ira Gershwin, 1930) com a naturalidade com que, dois números antes, a artista esboça clima mais íntimo quando, sentada, entoa Someone To Watch Over me (George Gershwin e Ira Gerswhin, 1926), tema do musical Oh, Kay!, encenado na Broadway em 1926. Dominado por canções projetadas em musicais e / ou filmes produzidos nos Estados Unidos dos anos 20 aos 70, o roteiro de Mulheres de Musical abre espaço para algumas músicas de lavra nacional. No bloco inicial em que se caracteriza com algumas das personagens que já viveu em cena, a atriz lança mão de sotaque nordestino para cantar Não Sonho Mais (1979), música do mesmo Chico Buarque de Olhos nos Olhos (1976), lembrança da atuação da artista no gracioso espetáculo Na Bagunça do Teu Coração. Já o fato de Netto ter interpretado a cantora paulista Dircinha Batista (1922 - 1999) no dramático musical Somos Irmãs é pretexto para que a artista cante os sambas-canção Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952) - em número de voz e baixo (o de Omar Cavalheiro) - e Bom Dia (Herivelto Martins e Aldo Cabral, 1942). Mas Claudia Netto é, sobretudo, uma cantora destinada a expor o brilho de joias da canção norte-americana. Dedicada ao repertório de Judy Garland (1922 - 1969), atriz e cantora norte-americana encarnada pela artista brasileira no musical Judy - O Fim do Arco-Íris, a parte final do espetáculo reitera que Claudia Netto domina a linguagem teatral de standards como Just in Time (Jule Styne, Betty Comden e Adolph Green, 1956) e Get Happy (Harold Arlen e Ted Koheler, 1930). É uma mulher - e ótima cantora - de musical! E não há demérito na sentença.

Rafael disse...

Grande atriz e cantora. Em 2004 ela lançou um excelente disco pela Niterói Discos chamado "Basta Um Dia". Bem que alguma gravadora como a Joia Moderna ou Lua Music poderia lançar um novo CD dela no mercado com as canções desse espetáculo. Não seria má idéia.

Rafael disse...

Por falar em Joia Moderna, não será lançado mais nenhum disco esse ano da gravadora? Há tempos que não ouço falar mais nada da gravadora.

Hugo Casarini disse...

cláudia é uma talentosa artista, uma amiga querida e, ainda, grande méritdo seu, sabe que pedestal é para o microfone, não para a cantora. sobe somente em sua técnica e carisma para nos entregar, nós que estamos ali na plateia para receber, o seu máximo de empenho. aplaudo de pé sempre.