Mauro Ferreira no G1

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domingo, 16 de setembro de 2012

Com Donato e Moska, Martins celebra mistura criôla em 'Felizes Trópicos'

Resenha de CD
Título: Felizes Trópicos
Artista: Augusto Martins
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * 1/2

Se dissolvido o verniz intelectual do título do quinto álbum de Augusto Martins, Felizes Trópicos, alusão a um livro do antropólogo francês Lévi-Strauss (1908 - 2009), o que sobressai no disco mais conceitual desse cantor e compositor carioca é o suingue da Orquestra Criôla. Martins filtra repertório essencialmente inédito pelo balanço da big-band carioca comandada pelo saxofonista Humberto Araújo, produtor do álbum. Em tom ensolarado, o artista celebra a própria Mistura Crioula - ou Criôla, se for para seguir a grafia da orquestra cujos sopros conduzem a maior parte das 12 músicas do CD - que batiza o samba em que o compositor Moacyr Luz enfatiza a miscigenação racial e musical nascida no útero da Mãe África, cujo colo percussivo acalenta também Bantu-Tupi (Francis Hime e Celso Viáfora). Com seu canto opaco, Martins segue o balanço latino de João Donato na inédita Enquanto a Gente Namora - parceria do compositor acraeano com Thalma de Freitas, valorizada pelo toque personalíssimo do piano de Donato - e na regravação da recente No Fundo do Mar, colaboração de Donato com Joyce, lançada pelos compositores no CD Aquarius (2010). Entre o suingue de O Amor É um Som (Paulinho Atahyde, Sérgio Coelho e Augusto Martins), samba levado pelo sopros da Orquestra Criôla, e o lirismo levemente denso de Big-Bang (Júlio Dain), Felizes Trópicos engloba o canto desenvolto de Moska na sincopada Vai por Mim (Humberto Araújo e Augusto Martins), propõe um híbrido de samba e cordel em Sambordel - parceria de Martins com Fred Martins, autor também (com Marcelo Diniz) de Refém - e tenta firmar a assinatura de Martins como compositor. O autor assina metade das 12 músicas do disco, abrindo mão de parceiros em Baobá. Embora pautada pelo requinte harmônico, a mistura criôla deste afro-latino Felizes Trópicos não seduz de fato o ouvinte porque o conceito do disco é melhor do que o cantor...

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Se dissolvido o verniz intelectual do título do quinto álbum de Augusto Martins, Felizes Trópicos, alusão a um livro do antropólogo francês Lévi-Strauss (1908 - 2009), o que sobressai no disco mais conceitual desse cantor e compositor carioca é o suingue da Orquestra Criôla. Martins filtra repertório essencialmente inédito pelo balanço da big-band carioca comandada pelo saxofonista Humberto Araújo, produtor do álbum. Em tom ensolarado, o artista celebra a própria Mistura Crioula - ou Criôla, se for para seguir a grafia da orquestra cujos sopros conduzem a maior parte das 12 músicas do CD - que batiza o samba em que o compositor Moacyr Luz enfatiza a miscigenação racial e musical nascida no útero da Mãe África, cujo colo percussivo acalenta também Bantu-Tupi (Francis Hime e Celso Viáfora). Com seu canto opaco, Martins segue o balanço latino de João Donato na inédita Enquanto a Gente Namora - parceria do compositor acraeano com Thalma de Freitas, valorizada pelo toque personalíssimo do piano de Donato - e na regravação da recente No Fundo do Mar, colaboração de Donato com Joyce, lançada pelos compositores no CD Aquarius (2010). Entre o suingue de O Amor É um Som (Paulinho Atahyde, Sérgio Coelho e Augusto Martins), samba levado pelo sopros da Orquestra Criôla, e o lirismo levemente denso de Big-Bang (Júlio Dain), Felizes Trópicos engloba o canto desenvolto de Moska na sincopada Vai por Mim (Humberto Araújo e Augusto Martins), propõe um híbrido de samba e cordel em Sambordel - parceria de Martins com Fred Martins, autor também (com Marcelo Diniz) de Refém - e tenta firmar a assinatura de Martins como compositor. O autor assina metade das 12 músicas do disco, abrindo mão de parceiros em Baobá. Embora pautada pelo requinte harmônico, a mistura criôla deste afro-latino Felizes Trópicos não seduz de fato o ouvinte porque o conceito do disco é melhor do que o cantor...

Anônimo disse...

Nossa arrazou com o cara. Acho ele muito bom!

Rafael M. disse...

Eu gostei desse disco. Não é o melhor disco do ano, mas é bom.

Augusto Martins disse...

Caro Mauro!
Ainda bem que há outras opiniões, quanto ao meu cantar, respeitado e admirado por nomes como Ivan Lins (que inclusive já me deu uma inédita pra gravar), Leila Pinheiro, já gravou comigo, João Donato (é o terceiro Cd meu que ele participa). Isso sem falar em Seu Jorge, Yamandú Costa, Fátima Guedes, Hermínio Belo de Carvalho emuitos outros. Ainda minha querida Beth Carvalho registra: "Augusto Martins veio pra ficar e para suprir a falta de grandes intérpretes masculinos em nosso país. Ele está pronto. Tem timbre de voz muito bonita, bom gosto, sensibilidade à flor da pele, consciência do que está cantando e brasilidade. Plagiando nosso hino à Bandeira: Salve o símbolo Augusto Martins da paz!"
Abaixo outras visões sobre esse Felizes Trópicos.

Resumo das críticas
“A Orquestra Criôla, de Humberto Araújo, faz bom diálogo com o repertório tropical de inéditas.” – O Globo(Bom).

“O disco mostra a evolução clara na carreira de Augusto Martins, ostentando uma maturidade que não rima com acomodação.” – Estado de Minas.

“A voz de Augusto Martins se expõe mais firme, mais nítida e mais profissional a cada disco.” – Revista Música Brasileira.

“Augusto confirma sua devoção aos ritmos brasileiros. Um disco alegre e balançado, trazendo ares de um Rio sofisticado entre a bossa, o samba e o suingue.” – Ziriguidum.com.

Como dizia Nelson Rodrigues, "toda unamimidade é burra!", mas não poderia deixar de registrar que acho que você anda se deixando levar por sua preferÊncia por cantoras.
Um abraço de quem admira seu texto,
Augusto Martins

Mauro Ferreira disse...

Sim, Augusto, fico feliz realmente que haja diversidade de opiniões - ampliada pela internet. Uma crítica, em última instância, é somente uma opinião. E eu entendo que a minha opinião não vale mais nem menos do que a de outras pessoas. De fato, sou um crítico identificado primordialmente com as cantoras, mas nunca fechei os ouvidos para o time masculino (como fica claro nas minhas elogiosas resenhas dos discos de Filipe Catto e Thiago Pethit, por exemplo). Enfim, torço por seu sucesso e fico feliz que seu CD esteja sendo alvos de tantos elogios. Grato por se manifestar em alto nível. Abs, MauroF