Mauro Ferreira no G1

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domingo, 23 de setembro de 2012

'Identificação forte' faz Gaby 'baixar' com êxito no terreiro de Clementina

Resenha de programa de TV
Série: Cantoras do Brasil
Título: Gaby Amarantos Canta Clementina de Jesus
Idealização: Mariana Rolim, Mercedes Tristão e Simone Esmanhotto
Direção: Simone Elias
Emissora: Canal Brasil
Cotação: * * * 1/2
Exibição programada pelo Canal Brasil para as 18h45m de 27 de setembro de 2012


Foi via Clara Nunes (1942 - 1983) que Gaby Amarantos chegou a Clementina de Jesus (1901 - 1987). A própria cantora explica a conexão no quarto dos 13 episódios da série Cantoras do Brasil em depoimento no qual ressalta sua "identificação forte" com a negritude e com a brasilidade de Quelé. Nada mais natural então que uma das músicas abordadas pela artista do Pará no programa Gaby Amarantos Canta Clementina de Jesus seja Na Linha do Mar, o samba de Paulinho da Viola que Clementina lançou no álbum Marinheiro Só (1973) e que Clara regravou seis anos depois em seu LP Esperança (1979). Sob a batuta do guitarrista Maurício Tagliari, diretor musical da série exibida às quintas-feiras pelo Canal Brasil em episódios curtos em que uma cantora do presente expõe sua visão de uma voz de tempos idos, Gaby faz registro correto do samba em arranjo calcado em violões e percussão cool. Mas é no primeiro dos dois números do programa - Fui Pedir às Almas Benditas, canto religioso que Clementina arranjou e adaptou para gravar no mesmo álbum de 1973 em que lançou o samba Na Linha do Mar - que Gaby baixa com mais êxito no terreiro de Quelé, cujo canto ancestral foi o elo entre Brasil e a mãe África. Elo que abarca também a genealogia de Gaby, que lembra no programa sua ascendência negra e a semelhança física de sua bisavó com Clementina. Sua releitura de Fui Pedir às Almas Santas transforma o canto religioso em afro-samba - com toques sutis do brega paraense no arranjo calcado na interação da percussão de Beto Gibbs com o baixo de Alex Dias e as guitarras de Tagliari e Pipo Pegoraro - e mostram que, se tiver coragem de se desviar de rota populista em futuras investidas no miscigenado terreiro nativo, Gaby Amarantos tem tudo para se firmar na cena pop brasileira, extrapolando o brega nortista.

7 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Foi via Clara Nunes (1942 - 1983) que Gaby Amarantos chegou a Clementina de Jesus (1901 - 1987). A própria cantora explica a conexão no quarto dos 13 episódios da série Cantoras do Brasil em depoimento no qual ressalta sua "identificação forte" com a negritude e com a brasilidade de Quelé. Nada mais natural então que uma das músicas abordadas pela artista do Pará no programa Gaby Amarantos Canta Clementina de Jesus seja Na Linha do Mar, o samba de Paulinho da Viola que Clementina lançou no álbum Marinheiro Só (1973) e que Clara regravou seis anos depois em seu LP Esperança (1979). Sob a batuta do guitarrista Maurício Tagliari, diretor musical da série exibida às quintas-feiras pelo Canal Brasil em episódios curtos em que uma cantora do presente expõe sua visão de uma voz de tempos idos, Gaby faz registro correto do samba em arranjo calcado em violões e percussão cool. Mas é no primeiro dos dois números do programa - Fui Pedir às Almas Benditas, canto religioso que Clementina arranjou e adaptou para gravar no mesmo álbum de 1973 em que lançou o samba Na Linha do Mar - que Gaby baixa com mais êxito no terreiro de Quelé, cujo canto ancestral foi o elo entre Brasil e a mãe África. Elo que abarca também a genealogia de Gaby, que lembra no programa sua ascendência negra e a semelhança física de sua bisavó com Clementina. Sua releitura de Fui Pedir às Almas Santas transforma o canto religioso em afro-samba - com toques sutis do brega paraense no arranjo calcado na interação da percussão de Beto Gibbs com o baixo de Alex Dias e as guitarras de Tagliari e Pipo Pegoraro - e mostram que, se tiver coragem de se desviar de rota populista em suas investidas no miscigenado terreiro nativo, Gaby Amarantos tem tudo para se firmar na cena pop brasileira, extrapolando o brega nortista.

aguiar_luc disse...

Tá cedo ainda!! Deixa a menina, rapá!!! Ela tem tempo de se embrenhar muito ainda em diversos gêneros de nossa rica música.

lurian disse...

Clementina foi realmente o elo, nesses aspecto, única e inigualável.

Luca disse...

Clementina tem obra que merece ser mais gravada, por que ninguém conhece de verdade

Luiz Leite disse...

Acho que agora vou conseguir ouvir essa moça cantar.

Rafael M. disse...

Não deixem de ver o curta "Como Destruir O Repertório de Clementina de Jesus Em 5 Minutos".

Luiz Leite disse...

Aproveito o tema paraense pra registrar, com tristeza, o falecimento do Mestre Cupijó hoje.