Mauro Ferreira no G1

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sábado, 20 de agosto de 2011

Eminem volta no tempo ao rimar com Royce da 5'9'' em 'Hell:The Sequel'

Resenha de CD
Título: Hell: The Sequel
Artista: Bad Meets Evil
Gravadora: Shady Records / Universal Music
Cotação: * * * 1/2

O fato de Eminem ter refeito com seu ex-desafeto Royce da 5'9'' a dupla Bad Meets Evil - formada originalmente em 1997 - é prova da personalidade forte e independente do mais bem-sucedido rapper branco dos Estados Unidos. Teria sido mais cômodo para Marshall Mathers dar sequência ao som de Recovery (2010), o revigorante álbum que lhe devolveu a força comercial no mercado norte-americano sob a batuta do produtor Dr. Dre. Mas Eminem se reuniu com Royce - velho companheiro das batalhas de rap de Detroit (EUA), origem da dupla - e Bad Meets Evil volta à cena com Hell: The Sequel, interessante CD que se situa na tênue fronteira entre um EP e um álbum. São apenas nove faixas, suficientes para que os rappers rimem como nos velhos tempos. "Eu disse que a gente ia voltar", já exulta, triunfante, Royce em verso da faixa inicial, Wellcome 2 Hell. A batida poderosa - produzida por Havoc - dá o tom caloroso e agressivo do disco, promovido de início pelo demolidor single Fastlane. Tanto Bad (Royce) como Evil (Eminem) são íntimos dos subterrâneos da sociedade norte-americana e, por isso, destilam raiva na politizada Above the Law, faixa produzida por Mr. Porter. Mas cabe ressaltar que a política da dupla não faz a mínima questão de ser correta. Em I'm Everything on, Eminem e Royce rimam sem moralismos sobre a questão das drogas. Em The Reunion, tema pesado, Bad Meets Evil desanca as mulheres em versos irados que soam gratuitos, mas convém lembrar que tal assunto é recorrente na obra de Eminem, efeito da relação turbulenta e mal-resolvida com sua mãe. É é justamente por Hell: The Sequel ser disco tão verdadeiro e tão honesto com as convicções dos rappers que não dá para entender a entrada de Bruno Mars  - o hitmaker do momento - em Lighters. Essa faixa pop destoa da contundência do CD, que reverencia a velha escolha do rap e traz o grupo Slaughterhouse na faixa Loud Noises. Seja como for, Bad Meets Evil é dupla infernal que, uma vez reativada, tem tudo para tirar Royce da 5'9'' do underground ao qual ele estava confinado até essa (oportuna) reunião com Eminem.

2 comentários:

Mauro Ferreira disse...

O fato de Eminem ter refeito com seu ex-desafeto Royce da 5'9'' a dupla Bad Meets Evil - formada originalmente em 1997 - é prova da personalidade forte e independente do mais bem-sucedido rapper branco dos Estados Unidos. Teria sido mais cômodo para Marshall Mathers dar sequência ao som de Recovery (2010), o revigorante álbum que lhe devolveu a força comercial no mercado norte-americano sob a batuta do produtor Dr. Dre. Mas Eminem se reuniu com Royce - velho companheiro das batalhas de rap de Detroit (EUA), origem da dupla - e Bad Meets Evil volta à cena com Hell: The Sequel, interessante CD que se situa na tênue fronteira entre um EP e um álbum. São apenas nove faixas, suficientes para que os rappers rimem como nos velhos tempos. "Eu disse que a gente ia voltar", já exulta, triunfante, Royce em verso da faixa inicial, Wellcome 2 Hell. A batida poderosa - produzida por Havoc - dá o tom caloroso e agressivo do disco, promovido de início pelo demolidor single Fastlane. Tanto Bad (Royce) como Evil (Eminem) são íntimos dos subterrâneos da sociedade norte-americana e, por isso, destilam raiva na politizada Above the Law, faixa produzida por Mr. Porter. Mas cabe ressaltar que a política da dupla não faz a mínima questão de ser correta. Em I'm Everything on, Eminem e Royce rimam sem moralismos sobre a questão das drogas. Em The Reunion, tema pesado, Bad Meets Evil desanca as mulheres em versos irados que soam gratuitos, mas convém lembrar que tal assunto é recorrente na obra de Eminem, efeito da relação turbulenta e mal-resolvida com sua mãe. É é justamente por Hell: The Sequel ser disco tão verdadeiro e tão honesto com as convicções dos rappers que não dá para entender a entrada de Bruno Mars - o hitmaker do momento - em Lighters. Essa faixa pop destoa da contundência do CD, que reverencia a velha escolha do rap e traz o grupo Slaughterhouse na faixa Loud Noises. Seja como for, Bad Meets Evil é dupla infernal que, uma vez reativada, tem tudo para tirar Royce da 5'9'' do underground ao qual ele estava confinado até essa (oportuna) reunião com Eminem.

Luca disse...

Não tenho paciência para a falação do Eminem, não