Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 7 de março de 2015

Rita Benneditto dribla problema técnico e se faz ouvir no show 'Encanto'

Resenha de show
Título: Encanto
Artista: Rita Benneditto (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de março de 2015
Cotação: * * * 
♪ Show volta à cena em 27 de março de 2015, na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP)

♪ Encanto é o show visualmente mais caprichado de Rita Benneditto. Há toda uma beleza plástica - resultante da harmonia entre a iluminação de Daniela Sanchez, os figurinos de Victor Dzenk e as projeções sensoriais que compõem o cenário da artista plástica Jeane Terra  - que evidencia o fino acabamento do espetáculo. Contudo, para se igualar aos comunicativos shows anteriores da artista, Encanto ainda vai precisar de ajustes ao longo da turnê nacional que estreou no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 6 de março de 2015, e que vai ter continuidade em São Paulo (SP) no fim do mês. A inadequação da casa Vivo Rio para ambientar o show ficou visível já no início, marcado pela frieza. Encanto pede espaços com pista, para o que o público possa evoluir com a cantora em show repleto de números com coreografias que evocam danças e ritos das religiões afro-brasileiras. A outra questão diz respeito à equalização do som. Na estreia carioca, a voz de Rita estava baixa demais, abafada pela compacta massa sonora orquestrada pelo diretor musical Felipe Pinaud, autor dos arranjos de batida pop, às vezes funkeada, às vezes com pegada roqueira, como em Fé (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978). Destaque do disco Encanto (Biscoito Fino, 2014), no qual a cantora expande o conceito de fé sem sair da zona de conforto do vitorioso projeto Tecnomacumba (2003), a canção católica do repertório de Roberto Carlos foi prejudicada no show pelo volume baixo do microfone de Rita. Embora minimamente resolvido ao longo do show, o problema técnico prejudicou a absorção de um repertório que alterna músicas novas de menor empatia popular - caso de Guerreiro do mar (Márcio Local e Felipe Pinaud, 2014) - com sucessos da música brasileira. Guerreira, Rita Benneditto foi ganhando o público a cada número. Em É d'Oxum (Gerônimo e Vevé Calasans, 1985), número turbinado com citação de Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975), o show começou a irradiar magia. Grande sacada do repertório do disco, o samba Banho de manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979) - sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora fundamental na propagação de repertório de temática afro-brasileira - também se impôs em cena, em número no qual se ouviu a voz do babalorixá Oboromin T’ogunjá incorporado do Pai Benedito das Almas de Angola, tal como no disco que norteia o show. O show Encanto, a propósito, é extremamente fiel ao repertório e ao conceito do disco Encanto. Ao regravar uma música já conhecida, Rita Benneditto foge do óbvio, do cover puro e simples. É no compasso 6/8 do tambor de mina ritmo do seu Maranhão natal, por exemplo, que a cantora joga luz sobre Santa Clara clareou (Jorge Ben Jor, 1981), alterando o ritmo geralmente irresistível das músicas do Zé Pretinho. O carioca Jorge Ben Jor, aliás, é nome recorrente no roteiro. Dele, Rita também dá voz a Domingo 23 (Jorge Ben Jor, 1972) - em número que inclui récita da letra de Jorge de Capadócia (Jorge Ben Jor, 1975) - e a Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973), número herdado do belo (mas efêmero) show Influências (2014). A lembrança de Bat macumba (Gilberto Gil, 1968) - sucesso tropicalista acoplado como vinheta à antiga Estrela é lua nova (Heitor Villa-Lobos, 1929) - surte bom efeito em cena, animando o público pela facilidade da música. Enfim, Rita Benneditto é cantora hábil o suficiente para fazer o santo baixar no palco. À voz afinada, cuja limpidez do timbre salta especialmente aos ouvidos em Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979), Rita alia uma energia e uma capacidade de cantar com todo o corpo que contribui para que o show atinja seus momentos de encantamento. Enfim, ela comanda a força dos elementos com carisma. A banda - que inclui o tecladista Ricardo Dias Gomes, da cultuada BandaCê - também faz sua parte e mantém o show na pressão. Mas, (quase) no fim, quem dita o ritmo é o pandeiro do percussionista Ronaldo Silva, partner da cantora no samba O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Moreira, 2014), instante caloroso de show que reitera as virtudes de Rita Benneditto. Driblando o problema técnico que empanou o brilho de Encanto na estreia nacional do show, a cantora se fez ouvir. Mas seu santo ainda pode baixar com mais força.

Rita bisa no show 'Encanto' o (belo) figurino que veste na capa do álbum

♪ A IMAGEM DO SOM - (Bem) vestida por Victor Dzenk no show Encanto, Rita Bennedito usa dois figurinos ao longo do espetáculo que teve sua estreia nacional na noite de ontem, 6 de março de 2015, em apresentação na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ).  O segundo figurino entra em cena somente no bis e - como visto na foto de Rodrigo Goffredo - é o mesmo vestido usado pela cantora maranhense na foto da capa de Encanto (Biscoito Fino, 2014), o disco que norteia o show.

Rita comanda a força dos elementos no roteiro de show que tem 'Zumbi'

♪ Música já cantada por Rita Benneditto no show Influências (2014), projeto efêmero que precedeu o lançamento do álbum Encanto (Biscoito Fino, 2014), Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973) está baixando novamente no terreiro da cantora maranhense. A composição do Zé Pretinho figura no roteiro do show Encanto, idealizado pela artista sob a direção musical de Felipe Pinaud. Do mesmo show Influências, Rita rebobina em Encanto o tema afro-brasileiro Sete Marias, composição de sua autoria, assinada com Pinaud e ainda inédita em disco. A estreia nacional do show Encanto aconteceu na noite de ontem, 6 de março de 2015, em apresentação na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Zumbi e Sete Marias são dois raros momentos do show em que a cantora extrapola o repertório de Encanto, disco que desenvolve o conceito afro-brasileiro do projeto Tecnomacumba (2003). Outra novidade, na voz de Rita, é Canto de luz, música do compositor maranhense José Pereira Godão. Eis o roteiro seguido por Rita Benneditto - em foto de Rodrigo Goffredo - em 6 de março de 2015 na casa Vivo Rio, na estreia nacional de Encanto, show que chega em São Paulo em 27 de março de 2015, em apresentação na casa HSBC Brasil:

1. Centro da mata (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud)
2. Fé (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978)
3. Guerreiro do mar (Márcio Local e Felipe Pinaud, 2014)
    - com citações de Cavaleiro de fibra (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud) e Canto para 
     Yemanjá (Casa Fanti Ashanti - Candomblé do Maranhão)
4. Santa Clara clareou (Jorge Ben Jor, 1981)
   - com citações de Iansã guerreira (Rita Benneditto) e Princípio e fim (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e
    Felipe Pinaud)
5. Água (Djavan, 1978)
    - com citação de Eu e água (Caetano Veloso, 1988)
6. Canto de luz (José Pereira Godão, 2005) /
7. É d'Oxum (Gerônimo e Vevé Calazans, 1985)
    - com citação de Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975)
8. Banho de manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979)
    - com citação de Preto Calungá (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud)
9. Domingo 23 (Jorge Ben Jor, 1972)
    - com récita da letra de Jorge de Capadócia (Jorge Ben Jor, 1975)
10. Babalu (Margarita Lecuona, 1939)
    - com citação de Canto de Obaluaê (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud)
11. Filha de Tupinambá (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud) /
12. Estrela é lua nova (Heitor Villa-Lobos, 1929) /
13. Bat macumba (Gilberto Gil, 1968)
14. Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973)
15. De mina (Josias Sobrinho, 2014)
16. Extra (Gilberto Gil, 1983)
Bis:
17. Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979)
18. O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Rogê, 2014)
19. Sete Marias (Rita Benneditto e Felipe Pinaud) - música inédita em disco

Obra-prima recente de Chico e Bosco ganha voz de Cida no álbum 'Soledade'

♪ Obra-prima recente do cancioneiro de Chico Buarque, Sinhá (2011) - a segunda parceria do compositor carioca com o mineiro João Bosco - ganha seu segundo registro fonográfico fora do círculo de seus autores. Três anos após a cantora paraense Leila Pinheiro ter cantado Sinhá no show da turnê inspirada pela 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira, em número perpetuado em CD e DVD editados em 2012, a cantora paulistana Cida Moreira aborda Sinhá em gravação feita para seu próximo álbum, Soledade, já em fase de finalização em São Paulo (SP). No disco de Cida, Sinhá se junta a um repertório que inclui Outra cena (Taiguara, 1976), A última voz do Brasil (Tico Terpins, Zé Rodrix, Armando Ferrante Jr. e Próspero Albanese, 1985) e Oitava cor (Luis Felipe Gama e Tiago Torres da Silva,  2015). O álbum Soledade vai ser editado neste ano de 2015 - em princípio por via independente.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Filha de Baby, Zabelê volta à cena com CD solo produzido por Domenico

♪ Uma das filhas de Baby do Brasil, projetada no universo pop brasileiro como integrante do trio SNZ (1997 - 2009), Zabelê Gomes inicia sua discografia solo neste mês de março de 2015 com a edição de seu primeiro álbum, Zabelê. No disco, produzido por Domenico Lancellotti, a cantora e compositora dá voz a dez músicas inéditas, todas assinadas por nomes da cena contemporânea brasileira. Prática (André Carvalho), Céu (Zabelê, Pedro Sá e Domenico Lancellotti), Enquanto desaba o mundo (Kassin), Atenção (Marcelo Callado e Quito Ribeiro), Colado (Alberto Continentino e Domenico Lancellotti), Na Paz (Luísa Maita), Nossas noites (Alberto Continentino e Domenico Lancellotti), Cara de cão (Gustavo Benjão e Domenico Lancellotti), Livre (Domenico Lancellotti) e Sabadá (Rubinho Jacobina) são as dez músicas do disco, cuja capa exibe (bela) arte assinada por Domenico Lancellotti. O álbum Zabelê chega ao mercado fonográfico em boa edição da Pommelo.

Pitty documenta gravação de seu álbum 'Sete vidas' no DVD 'Pela fresta'

♪ Pitty vai mais uma vez mostrar ao público o processo de criação de um disco de estúdio. A artista lança neste mês de março de 2015, via Deck, o DVD Pela fresta. Trata-se de documentário sobre a gravação de seu quarto álbum solo de inéditas, Sete vidas (Deck, 2014). Da mesma forma que exibiu no DVD Chiaroscope (Deck, 2009) a formatação de seu terceiro álbum de estúdio, Chiaroscuro (Deck, 2009), Pitty apresenta no DVD Pela fresta um filme que inclui a execução de nove das dez músicas de Sete vidas durante a gravação do disco no estúdio Madeira, em São Paulo (SP). A maior parte da filmagem foi feita pela própria Pitty, sob a direção de Otávio Souza, editor das imagens. A novidade é que as projeções criadas para o show Sete vidas - em turnê pelo Brasil desde 2014 - são usadas no estúdio durante a execução das músicas. Além das músicas captadas ao vivo no estúdio, o filme traz entrevistas com a cantora, com os músicos da banda e com o produtor do CD, Rafael Ramos. Há ainda o inédito clipe de Um leão (Pitty, 2014).

Gulin reabre 'Livros' em show em que cantou com Ana Carolina e Macalé

♪ A IMAGEM DO SOM - As fotos de Rodrigo Goffredo flagram a cantora e compositora curitibana Thaís Gulin no palco do Theatro Net Rio, em 3 de março de 2015, na sua volta aos palcos cariocas em show que teve intervenções de Ana Carolina e Jards Macalé. Com Ana, a anfitriã cantou Quem de nós dois (La mia storia tra le dita) (Gianluca Grignani e Massimo Luca, 1994, em versão em português de Ana Carolina e Dudu Falcão, 2001) e Quantas bocas (2009), única parceria de Gulin com Ana. Com Macalé, a cantora reviveu 78 rotações (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1972) - música que Gulin regravou em seu primeiro álbum, Thaís Gulin (Rob Digital, 2006) - e Hotel das estrelas (Jards Macalé e Duda, 1971). No roteiro, Gulin também reabriu Livros (Caetano Veloso, 1997) e deu voz a Walk on the wild side (1972), um dos clássicos do poético cancioneiro underground do cantor e compositor norte-americano Lou Reed (1942 - 2013).

'Terra', tema de Caetano Veloso, passa a girar também em registro de Moska

♪ Menos de um ano após ter gravado Enrosca (Guilherme Lamounier, 1977) para a trilha sonora da novela Império (TV Globo, 2014 / 2015), Moska faz outra gravação exclusiva para trilha sonora de novela produzida pela TV Globo. O cantor e compositor carioca dá voz a Terra, música de Caetano Veloso, lançada pelo cantor e compositor baiano no álbum Muito (Dentro da estrela azulada) (Philips, 1978). A gravação vai entrar em rotação na trilha sonora da nova novela das 18h, Sete vidas, que tem estreia programada para 9 de março de 2015. Enquanto isso, Moska se prepara para lançar via Sony Music - ainda em 2015 -  o álbum que gravou em dupla com o cantor e compositor argentino Fito Paez.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Com Bernardes, Andreia Dias viaja ao fundo de tempos nublados de Rita

Resenha de CD
Título: Prisioneira do amor
Artista: Andreia Dias
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * *

♪ A discografia de Rita Lee fora do grupo Mutantes começou a alcançar relevância a partir do encontro da cantora e compositora paulistana - então uma ovelha desgarrada de seu rebanho tropicalista - com os músicos do grupo Tutti Frutti, em 1974. O álbum de 1975, Fruto proibido (Som Livre, 1975), projetou definitivamente a artista com a pegada desse tal de rock'n'roll. Mas o fato é que existe uma pré-história na trajetória musical da cantora. Entre 1970 e 1973, Rita lançou dois álbuns via Polydor - Build up (1970) e Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida (1972), este um disco feito à moda dos Mutantes, mas não creditado ao trio - e formou a dupla Cilibrinas do Éden com a guitarrista paulistana Lúcia Turnbull após sua saída (expulsão?) do grupo. É nesse repertório - ora kitsch, ora psicodélico - que está centrado o quarto álbum de Andreia Dias, Prisioneira do amor, lançado neste mês de março de 2015 pela gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. Guiada por seu diretor musical Tim Bernardes, líder do superestimado grupo paulistano O Terno, a cantora paulistana viaja com segurança em Prisioneira do amor ao fundo desses tempos nublados da obra de Rita. O valor do disco nem reside nas dez músicas lançadas entre 1968 e 1978 - várias renegadas pela própria Rita, com razão - mas no belo tratamento dado a esse repertório por Bernardes neste disco gravado em maio de 2014 sob a direção artística de Marcus Preto, de forma literalmente caseira, já que as dez faixas de Prisioneira do amor foram arranjadas e formatadas no quarto de Bernardes. Das dez músicas, somente uma, Ovelha negra (Rita Lee, 1975), alcançou o status de hit. Só que sua presença nem soa destoante nesse monte de lados B. A novidade é a melancolia entranhada no canto de Ovelha negra para explicitar o significado de versos que, afinal, relatam o desajuste familiar e existencial da juvenil personagem da composição. Da época da dupla Cilibrinas do Éden, Bad trip (Rita Lee, 1973) também faria certo sucesso na versão reformulada, reescrita e intitulada Shangrilá (Rita Lee, 1980), quando Rita já vivia sua lua de mel pop com o parceiro de vida e de música Roberto de Carvalho, creditado como coautor dessa versão de 1980. Mas a música ouvida em Prisioneira do amor é a Bad trip original, oficialmente inédita em disco, já que até então circulou somente no bootleg lançado com as gravações do que seria o primeiro álbum das Cilibrinas do Éden. Bad trip é o grande momento de Tim Bernardes como formatador do disco. O arranjo de Bernardes sugere clima paranoico condizente com o bode relatado na letra. Contudo, Prisioneira do amor também sabe se desviar dos grilos da época quando preciso. Ouvida com os versos censurados na gravação original de 1972 ("Beije-me a boca / Com tua boca vermelha / Para que eu sinta a saliva / E o gosto de cuspe / Escorrendo entre os dentes meus"), Beija-me, amor (Arnaldo Baptista e Élcio Decário) sensualiza e marcha no passo carnavalizante que (também) dá o tom do pop rock de Rita. Levada em clima folk, Tempo nublado (Rita Lee e Élcio Decário, 1970) é canção de Build up, o álbum que abriu a carreira solo de Rita em 1970 e que apresentou Viagem ao fundo de mim (Rita Lee, 1970) - música que abre o disco de Andreia em tom etéreo, espacial, dando a pista da trilha psicodélica seguida por Bernardes - e a delirante Precisamos de irmãos (Élcio Decário, 1970), música harmonizada em Prisioneira de amor com os vocais melódicos dos manos Beto Nardo e Rubens Nardo. A própria música-título Prisioneira do amor (Élcio Decário, 1970) vem de Build up. Nesta música, Rita exercitou seu espírito mutante, brincando de ser cafona ao dar voz a uma paródia das canções sentimentais que, anos depois, seriam rotuladas como bregas. No fim, Prisioneira do amor liberta do esquecimento uma raridade da discografia dos Mutantes - Glória aos reis dos confins do além (Paulo César de Castro, 1968), composição lançada pelo grupo somente no LP II Festival estudantil da música popular brasileira (Philips, 1968) - e escancara a psicodelia embutida nos versos imaginativos de Superfície do planeta (Arnaldo Baptista, 1972) antes de tirar um som de viola na trilha caipira de Modinha (Rita Lee, 1978), música do álbum Babilônia (Som Livre, 1978), o último de Rita com o Tutti Frutti. Enfim, a viagem ao fundo dos tempos nublados da música de Rita Lee chega sem sobressaltos ao destino final por conta da habilidade da tripulação.

Mesmo 'no controle', Kelly Key soa artificial e sem rumo no sexto álbum

Resenha de CD
Título: No controle
Artista: Kelly Key
Gravadora: Deck
Cotação: * * 

♪ Em 2002, Kelly Key parecia estar no controle. Lançada em seu primeiro álbum, Kelly Key (Warner Music, 2001), a música Baba - parceria da artista carioca com o compositor Andinho - dominava as paradas do Brasil e fazia da então adolescente Key uma cantora de massa, como Anitta em 2013 e 2014, por exemplo. Mas o sucesso massivo costuma mudar rapidamente de dono. Key ainda emplacou alguns sucessos de menor proporção até ir sumindo progressivamente das paradas e da cobiça dos tios. No controle - o álbum que chega às lojas em edição física em CD neste mês de março de 2015, via Deck, um mês após o lançamento digital - é uma tentativa de Key de se recolocar no mercado fonográfico. É o sexto álbum de estúdio da artista, o primeiro desde Kelly Key (Som Livre, 2008) - e o hiato de sete anos não foi intencional. Key já vem arquitetando este seu sexto álbum desde 2010. O título No controle pode ser referência à música Controle, lançada como single em outubro de 2014. Flerte estéril com o ritmo angolano kizomba, um dos motes do disco, a faixa faz a conexão de Key com a cantora e compositora angolana Celma Ribas, parceira também em Quem é e em Meu anjo. De toda forma, o título No controle também alude ao fato de Key, em tese, ter assumido as rédeas do disco e da carreira. Só que, mesmo no controle, Kelly Key ainda faz um pop artificial, quase sempre trivial, soando sem rumo neste álbum que carece de unidade. O começo do disco - com duas baladinhas de amor e saudade, a pegajosa A nossa música e Quarto 313, ambas de autoria do cantor e compositor carioca Paulo Mac - está fora de sintonia com o fim, mais voltado para o electropop. Nessa parte final do disco, Key se joga na pista de Wanessa com as faixas em inglês Craving for the summer (William Razzy), Let it glow (Fabianno Almeida, Felipe Zero e Dalto Max) e Shaking (Fabianno Almeida), todas formatadas pelo produtor Mr. Jam. Somada ao fato de Key ser cantora de parcos recursos vocais, a indecisão que paira sobre No controle - disco editado em CD sem uma ficha técnica - indica que a artista não fez bom uso de sua autonomia artística. Ninguém babará por Key.

Roberta Sá abre e grava parceria com Xande de Pilares em seu sexto álbum

♪ A IMAGEM DO SOM - Compartilhada por Roberta Sá em sua página no Facebook, a foto mostra a cantora no MiniStereo Estúdio, no Rio de Janeiro (RJ), com Xande de Pilares (à esquerda) e o produtor Rodrigo Campello. A cantora potiguar finaliza seu sexto álbum, no qual grava sua primeira parceria com esse compositor carioca projetado como vocalista do Grupo Revelação. A música se chama Boca em boca. Campello produz o disco, que sai neste primeiro semestre de 2015 através do selo MP,B Discos.

Salmaso grava canção de Alceu, de 1980, para trilha de novela da Globo

♪ Uma das mais pungentes e dramáticas músicas do cancioneiro habitualmente festivo de Alceu Valença, Na primeira manhã ganha a voz de Mônica Salmaso neste ano de 2015. A cantora paulistana gravou a música - lançada pelo artista pernambucano em seu álbum Coração bobo (Ariola, 1980) e regravada por Maria Bethânia no disco A beira e o mar (Philips, 1984) - para a trilha sonora nacional da próxima novela das 18h da Rede Globo, Sete vidas, que tem estreia programada para a próxima segunda-feira, 9 de março. A gravadora Biscoito Fino vai lançar o single (capa acima) nas plataformas digitais e promovê-lo com lyric video a ser posto no YouTube.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Voz ativa do Brasil orgulhosamente caipira, Inezita Barroso chega aos 90

♪ EDITORIAL - Inezita Barroso tem voz ativa no universo sertanejo tradicional. Nascida em 4 de março de 1925 na cidade de São Paulo (SP), Ignez Madalena Aranha de Lima completa hoje 90 anos. Ignorada pela mídia cultura impressa, a data é motivo de festa no Brasil que ainda cultiva orgulhosamente suas raízes caipiras. A cantora paulistana, afinal, é uma rara e legítima representante musical desse Brasil caboclo que ecoa na discografia recente de Maria Bethânia, para citar somente um exemplo da importância capital de Inezita na cena musical nativa. Iniciada em 1951, a discografia da cantora alcança os anos 2000, embora obviamente sem a regularidade das áureas décadas de 1950 e 1960. Nascida em abastada família, Inezita não se contentou com o piano que estudou ainda adolescente e logo passou para o violão e para a viola à qual é associada na música e no seu programa de TV. A artista é a voz resistente de um Brasil interiorano que tem tido suas raízes musicais tragadas pelo som massivo propagado pelas emissoras urbanas de rádio e TV. Inezita jamais se curvou a esses sons industriais e aos padrões. Radicalmente contra os caminhos seguidos pela música sertaneja, Inezita Barroso - vista em foto de Jair Magri - é hoje uma cantora do tempo do onça. Mas é esse seu apego aos valores antigos que a tornam relevante nas veredas do grande sertão brasileiro. Embora identificada com a genuína música sertaneja, a cantora registrou repertório que extrapola o universo das modas de viola, das toadas e das canções caipiras. Sem bairrismos ou fronteiras geográficas, Inezita deu voz a temas do folclore nacional e a músicas identificadas com culturas regionais específicas. Por tudo isso, dá para dizer hoje, no dia de seus 90 anos, que Inezita Barroso é uma das (grandes)  vozes do Brasil.

Ratto veste a 'velha roupa colorida' no EP que dá prévia de seu primeiro DVD

Resenha de EP digital
Título: Anna Ratto ao vivo
Artista: Anna Ratto
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

♪ À venda no iTunes a partir da próxima terça-feira, 10 de março de 2015, o EP Anna Ratto ao vivo adianta três faixas da primeira gravação ao vivo da discografia da cantora carioca Anna Ratto. O registro audiovisual do show - filmado em 12 de fevereiro de 2014 no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ) - vai ser editado em DVD previsto para chegar ao mercado fonográfico a partir de abril de 2015 com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records, mas com exibição já agendada pelo Canal Brasil para 21 de março. Com três faixas, duas captadas ao vivo no show e uma gravada em estúdio, o EP é bom aperitivo deste projeto revisionista em que a artista passa a limpo a primeira década de sua discografia oficial, já que, embora tenha gravado um CD temático de covers em 2003, a cantora considera que o marco inicial de sua obra é o álbum sintomaticamente intitulado Do zero, gravado em 2005 e lançado em 2006 de forma independente. Anna Ratto ao vivo é um projeto corajoso porque aproxima Ratto de sua amiga Roberta Sá, convidada para orquestrar a cena do show feito sob a direção musical de Rodrigo Vidal. Confiar a direção do show a Roberta é ato de coragem porque, a rigor, Ratto jamais se livrou totalmente da associação com Roberta - semelhança evidenciada, mais uma vez, na interpretação de Bailarina do mar (Anna Ratto), música cheia de brasilidade lançada por Ratto em seu melhor álbum, Girando (Universal Music, 2008). A propósito, tal faixa é mais indicada para ser vista do que ouvida, já que, em determinado momento, Ratto rege seu público na cadência do afoxé, pedindo palmas e coros que somente farão total sentido no registro audiovisual do número. A presença de Roberta Sá é forte no disco, já que a melhor faixa do EP, Nem sequer dormi - destaque do irregular repertório autoral do quarto álbum da artista, Anna Ratto (Bolacha Discos, 2012) - é ouvida em elegante gravação de estúdio feita por Ratto em dueto com Roberta (clique aqui para saber detalhes do clipe da gravação, já posto em rotação na web). Completa o EP a abordagem ao vivo de Velha roupa colorida (Belchior, 1976), música ótima em si, mas já datada, pois faz parte do cancioneiro em que o compositor cearense Belchior inventariou as perdas e ganhos da idealista geração sonhadora dos anos 1960. E por falar em inventários, Anna Ratto ao vivo funciona em última instância como o fecho de um ciclo na carreira de Anna Ratto. Consumado o lançamento do DVD, vai ser hora de a artista abrir outras frentes de trabalho - criando parcerias, experimentando outros produtores, dando voz a compositores inéditos em sua voz e se integrando mais com a cena contemporânea brasileira - para renovar seu canto leve e corriqueiro. Já é hora de trocar a velha roupa colorida e seguir em frente!

Eis a capa da edição especial de 'Coração a batucar' que inclui faixas ao vivo

♪ Com lançamento programado pela gravadora Universal Music para 17 de março de 2015, em edição digital no iTunes, a edição especial do sexto álbum de Maria Rita, Coração a batucar (Universal Music, 2014), alinha nove músicas gravadas ao vivo em 6 de outubro de 2014, em show feito pela cantora paulistana no estúdio Na Cena, em São Paulo (SP). Simultaneamente com essa edição especial, a Universal Music põe no mercado fonográfico a edição deluxe de Coração a batucar em formato físico que junta CD com DVD. O DVD exibe as imagens do show, captadas sob a direção de Hugo Prata. Eis - na disposição do vídeo - as nove músicas-bônus da edição especial do álbum Coração a batucar:

1. Meu samba, sim, senhor (Fred Camacho, Marcelinho Moreira e Leandro Fab, 2014)
2. Rumo ao infinito (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2014)
3. Abismo (Thiago Silva, Lele e Davi dos Santos, 2014)
4. Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011)
5. Mainha me ensinou (Arlindo Cruz, Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
6. Fogo no paiol (Rodrigo Maranhão, 2010)
7. Saco cheio (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981)
8. Bola pra frente (Xande de Pilares e Gilson Bernini, 2014)
9. É corpo, é alma, é religião (Arlindo Cruz, Rogê e Arlindo Neto, 2014)

Show feito por Zeca Baleiro com Zélia Duncan vai ser eternizado em DVD

♪ Zeca Baleiro e Zélia Duncan - em foto de Dudu Leal - decidiram fazer o registro audiovisual do show que fazem em dupla e que continua em turnê nacional ao longo deste ano de 2015. Ainda não há data e local para a gravação ao vivo, mas o fato é que o show Zélia Duncan & Zeca Baleiro - sucesso em todo o Brasil desde a estreia nacional em Salvador (BA), em janeiro de 2014 - vai ser perpetuado em DVD. Clique aqui para reler a resenha do show em Notas musicais.

terça-feira, 3 de março de 2015

Primeiro baterista dos Paralamas, Vital Dias - o da moto... - sai de cena

♪ No imaginário do universo pop brasileiro, João Barone é e sempre foi o único baterista do trio carioca Paralamas do Sucesso. Essa informação, de certa forma, é correta, pois Barone assumiu as baquetas desde que o grupo se profissionalizou entre 1982 e 1983. Só que, antes de Barone, na pré-história dos Paralamas, houve por pouco tempo um outro baterista, o carioca Vital José de Assis Dias (5 de março 1960 - 3 de março de 2015), que saiu hoje de cena, a dois dias de fazer 55 anos, vítima de câncer. Imortalizado nos versos de Vital e sua moto (Herbert Vianna), música lançada pelo grupo em seu primeiro álbum, Cinema mudo (EMI-Odeon, 1983), o músico - em foto de Maurício Valladares - chegou a fazer parte dos Paralamas quando seu caminho se cruzou na sala de aula do colégio Bahiense, no Rio de Janeiro (RJ), com os caminhos do vocalista e guitarrista Herbert Vianna e do baixista Bi Ribeiro. Esse cruzamento aconteceu no fim dos anos 1970. Mas foi entre 1980 e 1981 que Vital começou efetivamente a tocar com os Paralamas em ensaios e shows em faculdades e outros espaços juvenis. Mas o bolo que Vital deu no grupo numa importante apresentação em festival de universidade fluminense preparou o caminho para a (de início, improvisada) entrada de João Barone no grupo. E o resto é uma história feliz da qual Vital Dias - que chegou a tocar na banda de heavy metal Sadom antes de deixar a música nos anos 1990 - acabou participando somente como coadjuvante nos obscuros capítulos iniciais. R.I.P., Vital.

José Rico - 'garganta de ouro' que fez história no sertanejo - sai de cena

♪ A trajetória artística do cantor e compositor pernambucano José Alves dos Santos (29 de junho de 1946 - 3 de março de 2015), o José Rico, é indissociável da trilha seguida pelo cantor mineiro Romeu Januário de Matos, o Milionário. Juntos, eles formaram em 1970, na cidade de São Paulo (SP), a dupla sertaneja Milionário & José Rico, desfeita hoje com a saída de cena de José Rico, aos 68 anos, vítima de infarto. Uma das duplas mais populares do universo sertanejo, Milionário & José Rico seguiram nos anos 1970 o caminho pavimentado por Léo Canhoto & Robertinho, dupla que inseriu guitarra elétrica na música sertaneja. Milionário & José Rico logo entraram na onda e também foram um dos pioneiros na eletrificação do som sertanejo. Além de cantar com estilo todo particular, tendo sido agraciado com o epíteto A garganta de ouro do Brasil (também dirigido a Milionário), José Rico se destacou como compositor. É de autoria dele a canção Estrada da vida, lançada em 1977 no quinto álbum da dupla. Em atividade desde os anos 1970 (em que pese curta separação de 1991 a 1994), a dupla Milionário & José Rico gravou 28 álbuns. Lançado em 1982, Tribunal do amor foi um dos mais bem-sucedidos por conta do estouro da faixa-título no universo sertanejo - hoje de luto pelo fim da estrada da vida de José Alves dos Santos, o (querido) José Rico.

Trupe edifica 'Presente' entre experimentações e referências paulistanas

Resenha de CD
Título: Presente
Artista: Trupe Chá de Boldo
Gravadora: Pommelo
Cotação: * * * 
♪ Disco disponível para download gratuito no site oficial do grupo

♪ "Diacho / Pra que tanto Dior? / Pra que / Tanto Armani no armário?". Feitas através do jogo de palavras armado nos versos de Diacho (Gustavo Galo), uma das melhores músicas do terceiro álbum da Trupe Chá de Boldo, Presente, as perguntas destilam finas ironias que explicitam a influência da obra do compositor paulistano Itamar Assumpção (1949 - 2003) no cancioneiro de Gustavo Galo, principal fornecedor de repertório para a discografia do coletivo paulistano. A propósito, o fato de existir um estupendo primeiro álbum solo de Galo, Asa (Independente, 2014), entre Presente e o último álbum da Trupe, Nave manha (Independente, 2012), interfere forçosamente na avaliação do disco atual do grupo. Efeito de Galo ter jogado grande parte de sua inspiração no álbum individual, a maior elasticidade no arco do time de compositores nem sempre resulta benéfica para o coletivo, como sinalizam músicas como Smex smov (Tomás Bastos, Danilo Sena e André Mourão com a Trupe Chá de Boldo) e Aos meus amigos (Tomás Bastos). Produzido por Gustavo Ruiz, tal como seu antecessor Nave manha, Presente oscila entre o minimalismo cool da metalinguística O fim é o só começo (Coração) (Gustavo Galo e Ciça Góes), os ecos de Itamar - reverberados em Moremáximo (Gustavo Galo e Paloma Mecozzi), para citar outro exemplo dessa boa influência - e o experimentalismo de temas como Jovem-tirano-príncipe-besta, interessante música de Negro Leo, compositor maranhense radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), mas identificado com a estética da cena paulistana. Música cantada por sua coautora Julia Valiengo, Cine espacial - parceria de Valiengo com Tatá Aeroplano - também sobressai no disco ao projetar romance em cenário apocalíptico tragado pela cidade submersa pela água da chuva e avistada de cima por nave que segue (seguro) voo de rota pop. Mesmo marcada atualmente pela escassez de água, São Paulo (SP) é essa cidade que pauta o repertório da Trupe, ainda majoritariamente assinado por Gustavo Galo, compositor (a sós ou em parceria) de oito das 13 músicas do disco. Dentro do painel de referências paulistanas exposto em Presente, a influência da poética do compositor Adoniran Barbosa (1910 - 2012) é escancarada nos versos de Amores vão (Gustavo Galo). "A dor é menor / Quando termina em samba", sentencia Galo nos versos finais da música encerrada em clima experimental. Há samba em Lampejo (Iara Rennó e Gustavo Cabelo), mas o som indie da Trupe extrapola rótulos em Presente. Há samba, há pop, há rock e há também a disposição de não seguir a cartilha básica de nenhum ritmo. "Mudo / Enquanto / Muda / A / Canção", avisa Ciça Góes através dos versos da segunda versão de O fim é só o começo (Gustavo Galo e Ciça Góes). Sim, a Trupe parece estar em constante mutação. No fim, Uma banda (Gustavo Galo, Guto Nogueira e Rafinha Werblowsky) manda o recado: "Uma banda grande é demais / E cabe só onde tem tesão / Uma banda grande é demais". Movida pelo tesão, a Trupe Chá de Boldo volta à cena com um disco que, em que pese seus bons momentos, às vezes dá rasantes no inevitável confronto com o elevado voo solo do compositor Gustavo Galo.

Eis a capa de "#AC ao vivo", CD em que Ana Carolina canta Gonzaguinha

♪ Esta é a capa de #AC ao vivo, CD duplo de Ana Carolina que a gravadora Sony Music vai lançar neste mês de março de 2015 com o registro integral do show #AC (2014). Feita em apresentação do show em São Paulo (SP), em 25 de outubro de 2014, a gravação ao vivo também vai ser editada nos formatos de DVD e CD simples. Entre os bônus do CD, há gravação de Sangrando (1980), música do compositor carioca Gonzaguinha (1945 - 1991) revivida pela intérprete mineira no remake do programa Globo de ouro, exibido pelo Canal Viva. E por falar em Ana (vista em foto de Leo Aversa na capa de #AC ao vivo), a cantora gravou Valsa de um cidade (Ismael Neto e Antonio Maria, 1954) para emissora carioca de rádio em homenagem aos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Embora de uso exclusivo da emissora, a gravação já está em rotação na web.

Romulo se prepara para lançar, via Selo Sesc, disco com obra de Nelson

♪ A IMAGEM DO SOM - Postada por Romulo Fróes em seu Facebook, a foto mostra o cantor e compositor paulistano em estúdio de São Paulo (SP), durante a gravação do álbum em que recria o cancioneiro do compositor carioca Nelson Cavaquinho (1911 - 1986). O álbum vai ser lançado - pelo Selo Sesc - neste ano de 2015.  A morbidez do samba de Nelson sempre influenciou Romulo.

Saulo explicita 'baianidade nagô' ao gravar seu segundo álbum solo, 'Baiuno'

♪ Projetado na cena de axé music como vocalista da Banda Eva, posto que deixou após o Carnaval de 2013, Saulo Fernandes explicita sua baianidade em seu segundo álbum solo, já em fase de gravação em Salvador (BA). Sucessor de Saulo ao vivo (Universal Music, 2013), o primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor baiano vai se chamar Baiuno. O artista batizou o disco com a expressão usada de forma pejorativa nos anos 1970 por jornalistas do semanário carioca O pasquim para se referir a cantores baianos como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Curiosamente, o cantor e compositor cearense Belchior lançou há 22 anos um álbum chamado Baihuno (Movie Play, 1993). O Baiuno de Saulo Fernandes está sendo produzido por Munnir Hossn e Marcelus Leone. A ideia é ressaltar a baianidade do artista. "As canções estão indo por esse caminho. A Bahia é uma fonte que jorra o tempo todo e que não se esgota", ressalta Saulo. O repertório pode incluir a canção Sertanejo, parceria do artista com o pianista e compositor congolês Ray Lema. Lançada na web em novembro de 2014, em ação voltada para o Dia da Consciência Negra, a música inclui a expressão baiuno na letra. Baiuno será lançado em meados deste ano de 2015. Estão previstos vários convidados neste disco solo de Saul Fernandes.

'Radiola' toca em questões musicais pela ótica potiguar de Damião Nobre

♪ Longe demais das capitais, o médico potiguar Damião Nobre de Medeiros - nascido em Upanema (RN) e atualmente radicado em Natal (RN) - é apaixonado pela música brasileira. A ponto de ter escrito artigos sobre o tema em jornais e revistas do Rio Grande do Norte. O livro Radiola - Conversa de música (Sarau das Letras, 2014) reúne crônicas escritas por Nobre sobre questões relativas à música brasileira, publicadas - sobretudo - na revista Papangu, entre 2005 e 2011, na coluna intitulada Radiola. A paixão do escritor pelo assunto dilui por vezes seu senso crítico na abordagem dos temas. Em suma, Radiola é relicário afetivo que inclui exaltações a Dorival Caymmi (1914 - 2008), Elis Regina (1945 - 1982) e Roberto Carlos, entre outros ícones da música produzida no Brasil ao longo do século XX. Radiola toca também em questões como a dicotomia brega x chique, as versões de músicas estrangeiras e o conceito de plágio. O tamanho reduzido das crônicas  impede o aprofundamento dos temas abordados apaixonadamente no livro.

'Show' do grupo Tio Samba é eternizado em DVD com CD que traz Diogo

♪ Primeiro registro audiovisual da discografia do Tio Samba, Show - nas lojas desde 2014, com distribuição da gravadora Fina Flor, em edição dupla que junta CD e DVD em embalagem de DVD - eterniza apresentação feita pelo grupo carioca em 31 de julho de 2013 no Teatro Sesi, no Rio de Janeiro (RJ). Convidado da gravação ao vivo, o cantor carioca Diogo Nogueira faz dueto com a vocalista da orquestra de samba, Luciana Lazulli, em Bela cigana, samba composto por seu pai, João Nogueira (1941 - 2000), em parceria com Ivor Lancellotti e lançado por João no álbum Vida boêmia (EMI-Odeon, 1978) em gravação feita em dueto com a cantora Clara Nunes (1942 - 1983). Também convidado de Show, André Rio se uniu ao vocalista Carlos Mauro para reviver o samba É preciso discutir (Noel Rosa, 1932). Entre temas autorais, o Tio Samba mastiga Chiclete com banana (Gordurinha e Almira Castilho, 1959) e arremessa No tabuleiro da baiana (Ary Barroso, 1936). Nos extras, o DVD exibe o clipe de A sonhadora e o jacaré (Carlos Mauro, Maria Luiza Ocampo e Sergio Barros), filmado sob a direção de Luiz Guimarães de Castro. Já o CD traz como faixa-bônus a gravação - captada em estúdio - de Gás de pimenta (Carlos Mauro e Sergio Barros).

segunda-feira, 2 de março de 2015

Álbum de Jussara com canções de Caymmi ganha reedição pela Dubas

♪ Segundo álbum de Jussara Silveira, lançado originalmente pela gravadora Dubas Música em 1998, com distribuição da Warner Music, Canções de Caymmi vai ganhar (oportuna) reedição neste ano de 2015 pela mesma Dubas. Como o título já explicita, o disco da cantora mineira - de criação baiana  -  é dedicado ao cancioneiro do compositor baiano Dorival Caymmi  (1914 - 2008).

Single 'Talismã sem par' anuncia 'Extra-físico', projeto multimídia de Vercillo

♪ Já disponível para compra nas plataformas digitais, o single Talismã sem par, de Jorge Vercillo, inicia Extra-físico, projeto multimídia arquitetado pelo cantor e compositor carioca. A ideia é lançar na web um ou mais singles a cada mês. Além da edição digital das músicas, que serão apresentadas de forma avulsa, o projeto prevê o acompanhamento pelo público da criação do próximo álbum de Vercillo através de making of das gravações, de clipes das canções do disco e de documentário - produzido pelo Canal Brasil -  sobre os 20 anos de carreira fonográfica do artista,  completados (a rigor) em 2014.

Eis as 16 músicas do álbum de inéditas que Gal vai lançar em abril pela Sony

♪ O 36º álbum de Gal Costa já está no forno da gravadora Sony Music. Programado para ser lançado no mercado fonográfico brasileiro em abril deste ano de 2015, o disco de inéditas alinha 16 músicas produzidas por Moreno Veloso e Kassin. Eis, fora da ordem do disco, os nomes das 16 músicas que ganharam a voz cristalina da estratosférica cantora baiana (vista no post em foto de André Schiliró):

1. Estratosférica (Céu, Pupillo e Junio Barreto)
2. Amor, se acalme (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Cezar Mendes)
3. Anuviar (Moreno Veloso e Domenico Lancellotti)
4. Átimo de som (Arnaldo Antunes e Zé Miguel Wisnik)
5. Casca (Jonas Sá e Alberto Continentino, 2010) - Música lançada pelo grupo carioca Tono
6. Dez anjos (Milton Nascimento e Criolo)
7. Ecstasy (João Donato e Thalma de Freitas)
8. Espelho d'água (Marcelo Camelo e Thiago Camelo)
9. Jabitacá (Junio Barreto, José Paes Lira e Bactéria)
10. Muita sorte (Lincoln Olivetti e Rogê)
11. Por baixo (Tom Zé)
12. Quando você olha para ela (Mallu Magalhães)
13. Sem medo nem esperança (Arthur Nogueira e Antonio Cícero)
14. Você me deu (Caetano Veloso e Zeca Veloso)
15. Vou buscar você para mim (Guilherme Arantes)
16. Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961) - faixa-bônus

♪ A faixa Ilusão à toa - música do compositor carioca Johnny Alf (1929 - 2010) - faz parte da trilha sonora da novela Babilônia,  programada pela TV Globo para estrear  no dia 16 de março de 2015.

Eis a capa do disco com a trilha sonora de 'Animal', que inclui Ná e Zizi

♪ Esta é a capa do disco que traz a trilha sonora de Animal, série de 2014 transformada em telefilme a ser exibido pela TV Globo neste ano de 2015. O disco chega ao mercado fonográfico pela gravadora Som Livre com gravações inéditas de Ná Ozzetti (Romance, música de Nei Lisboa), Zeca Baleiro (Armadilha, composição de Nelson Coelho de Castro e Dedé Ribeiro) e Zizi Possi (De manhã, uma parceria de Silvio Marques e Paulo Nascimento), entre outros cantores. Formada por músicas de compositores do Sul, a inédita trilha sonora de Animal é assinada pelo compositor e arranjador gaúcho Silvio Marques, fundador do já desativado Grupo Musical Saracura.

domingo, 1 de março de 2015

'#AC ao vivo' chega às lojas em formato de DVD, CD duplo e CD simples

♪ Ana Carolina lança neste mês de março de 2015 o registro ao vivo de seu show #AC, dirigido por Monique Gardenberg e baseado no homônimo e dançante álbum de inéditas lançado pela cantora e compositora mineira em 2013. Músicas inéditas foram inseridas no disco, que traz a gravação feita em 25 de outubro de 2014 em apresentação do show em São Paulo (SP). #AC ao vivo chega ao mercado fonográfico nos formatos de DVD, CD duplo - com o registro integral do show - e CD simples  (com 14 faixas)  em edição do selo Armazém posta nas lojas pela gravadora Sony Music.

Nação Zumbi regrava seis músicas de seu repertório em 'Rdio sessions'

♪ A banda pernambucana Nação Zumbi regravou seis músicas de seu repertório para o projeto Rdio sessions Brasil. Disponíveis para mais de 60 países, através da plataforma norte-americana de streaming, as Rdio sessions da Nação Zumbi veiculam inéditos registros acústicos das músicas Cicatriz (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014), Um sonho (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014), Defeito perfeito (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014) , Novas auroras (Jorge Du Peixe, Lúcio Maia, Dengue e Pupillo, 2014), Manguetown (Chico Science, Lúcio Maia e Dengue, 1996) e Quando a maré encher (Fábio Trummer, Roger Man e Bernardo Chopinho, 2000).  Clique aqui para ouvir as seis Rdio sessions da Nação Zumbi.

Jair Naves arde na fogueira das paixões que consome 'Trovões a me atingir'

Resenha de CD
Título: Trovões a me atingir
Artista: Jair Naves
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * *
♪ Disco disponível para download gratuito no site oficial do artista


♪ Não, Jair Naves não está mais sozinho, mas a rigor continua só. O cantor e compositor brasiliense - radicado na cidade de São Paulo (SP) - buscou a companhia dos músicos de sua banda - Felipe Faraco (teclados e sintetizadores), Rafael Findans (baixo), Renato Ribeiro (violão e guitarra) e Thiago Babalu (bateria) - para formatar e eventualmente até criar o cancioneiro autoral de seu segundo álbum, Trovões a me atingir, disco que ganha edição física em CD neste mês de março de 2015, um mês após ter sido lançado em edição digital. Embora formatado na contramão do caminho solitário seguido pelo artista na produção de seu elogiado primeiro álbum, E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas (Travolta Discos / Popfuzz Records, 2012), Trovões a me atingir também versa sobre solidão e uma alma em ebulição. Com voz grave que ecoa cantos do britânico Ian Curtis (1956 - 1980) e do cearense Belchior, cujo timbre é evocado em especial na interpretação da boa balada Prece atendida (Jair Naves), apresentada em janeiro para anunciar o álbum gravado de agosto a outubro de 2014, Naves continua passando longe da via cool que pavimenta a cena indie brasileira. Ao contrário: o artista novamente arde na fogueira das paixões. As nove músicas de Trovões a me atingir mostram que o espírito de Naves continua desassossegado, como explicitam versos inflamados como os de Resvala (Jair Naves), rock que abre o disco disponibilizado na web para download gratuito em 3 de fevereiro de 2015. Aflições, Agonias, angústias, impaciências e tensões pautam a composição de letras que reiteram que o coração inquieto do artista é um fardo a ser carregado, como apontam os versos de Um trem descarrilhado (Jair Naves), balada que fecha o bom álbum. Todas as letras são da lavra solitária de Naves. Os músicos colaboraram eventualmente na composição das melodias. Embora o repertório de seu antecessor seja mais sedutor, no todo, Trovões a me atingir confirma o talento deste artista visceral que iniciou sua trajetória musical na década de 1990 como baixista da banda punk paulistana Okotô e que começou a ser notado ao fundar nos anos 2000 o grupo Ludovic. Aliás, o passado punk de Nave reverbera entre os ruídos de Em concreto (Jair Naves) e a ambiência noise de No meu encalço (Jair Naves, Felipe Faraco, Rafael Findans, Renato Ribeiro e Thiago Babalu). Entre referências do rock e da MPB, Trovões a me atingir também embute canção de arquitetura mais pop como Deixe / force (Jair Naves), cujos versos são como raio de sol em tempo geralmente nublado. Faixa cantada mais por Barbara Eugênia do que por Naves, B (Jair Naves, Felipe Faraco, Rafael Findans, Renato Ribeiro e Thiago Babalu) se engrandece no confronto final entre o trompete de Guizado e a percussão de Caio Bologna e Igor Bologna. Mas são as letras confessionais que sobressaem no disco. Incêndios (O claro de bombas a explodir) (Jair Naves e Renato Ribeiro) vai direto ao ponto: Jair Naves até vê a luz no fim do (seu) túnel, mas continua imerso na escuridão existencial, consumido pela fogueira das paixões que ilumina o CD.

João Bosco & Vinícius trilham o caminho caipira no álbum 'Estrada de chão'

♪ A dupla sul mato-grossense João Bosco & Vinícius - em foto de Danilo Marques - trilha caminhos antigos da música sertaneja no CD Estrada de chão. Previsto para ser lançado entre março e abril deste ano de 2015, em edição da Universal Music, o álbum alinha sucessos do repertório sertanejo. O time de convidados inclui os cantores Sérgio Reis e Roberta Miranda e as duplas Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano, entre outros nomes do mundo sertanejo dos anos 1980 e 1990. Estrada de chão segue a toada de revitalização do som sertanejo destas décadas. Tanto que a dupla mineira César Menotti & Fabiano faz sucesso com seu disco duplo Memórias anos 80 & 90 (Som Livre, 2014).