Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 3 de maio de 2016

Olga, filha de Romulo Fróes e Alice Coutinho, inspira e gera música do casal

O fato de Romulo Fróes ter se transformado em pai em 26 de março deste ano de 2016 - data de nascimento de Olga, primeira filha do cantor e compositor paulistano com a também compositora Alice Coutinho - gerou canção. Romulo e Alice compuseram música para dar as boas-vindas a Olga. Ainda inédita em disco, a música foi batizada com o nome da filha do casal. Esta é a letra de Olga:

Olga (Romulo Fróes e Alice Coutinho)

Olha
É chegada a Olga
O outono vem trazer
A lua nos mostrar

Olga
É chegada a hora
Vem aqui nos ver
Vem nos encontrar

Menina vulcão
A sua estória
Vai começar

Um voo de céu azul
Um sol de festejar

Menina do sol
Nessa aurora
Que vai entrar

Um canto do seu pai
Um desenho do mar

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Romulo Fróes anuncia o primeiro álbum ao vivo, gravado em show no Arena

Dois meses após lançar álbum já garantido na lista de melhores discos deste ano de 2016, Rei vadio - As canções de Nelson Cavaquinho (Selo Sesc, 2016),  Romulo Fróes anuncia o primeiro título ao vivo de discografia iniciada em 2004. Em 17, 18 e 19 de dezembro de 2015, o cantor, compositor e músico paulistano fez três shows no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, na cidade de São Paulo (SP), para celebrar a edição em vinil do quinto álbum, Barulho feio (YB Music, 2014). Feitos com entrada franca, os shows foram gravados ao vivo pelo artista. O registro gerou o álbum Barulho feio ao vivo no Arena (foto), previsto para ser lançado neste segundo trimestre de 2016.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Romulo Fróes se eleva ao descer ao chão nobre de Cavaquinho sem o chão

Resenha de álbum
Título: Rei vadio - As canções de Nelson Cavaquinho
Artista: Romulo Fróes
Gravadora: Selo Sesc
Cotação: * * * * *

Quebrando o silêncio fúnebre de Luto (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Sebastião Nunes, 1960), a cuíca de Wellington Moreira Pimpa chora. O choro é acompanhado pelas lágrimas sentidas que também parecem brotar do toque da guitarra de Guilherme Held. A dor do samba de Nelson Cavaquinho (29 de outubro de 1911 - 18 de fevereiro de 1986) - o nobre bamba carioca que saiu de cena há exatos 30 anos - é respeitada (com paradoxal desrespeito) por Romulo Fróes na sétima das 14 faixas do primeiro disco de intérprete do compositor paulistano, Rei vadio - As canções de Nelson Cavaquinho, lançado neste mês de fevereiro de 2016 pelo Selo Sesc. Após seis álbuns autorais em discografia solo iniciada em 2004, Romulo Fróes se eleva ao descer ao inferno astral do compositor carioca em universo poético povoado pela sombra da morte que espreita o nobre vagabundo enquanto ele, o majestoso Cavaquinho, vive a sofrer dores, humilhações e abandonos. Romulo desce ao chão existencial de Cavaquinho, sem harmonia e o chão da cozinha do samba tradicional, em disco de alto nível artístico pela coragem de abordar obra já entronizada na galeria imortal do samba sem a reverência já devidamente prestada por grandes cantoras como Beth Carvalho e Leny Andrade, ambas com luminosos discos dedicados à obra de Cavaquinho. Rei vadio é disco escuro que poetiza a vida pela luz negra de destino cruel. Ao recontar a História de um valente (Nelson Cavaquinho e José Ribeiro, 1966), Romulo até arma a cadência bonita do samba, mas logo a desarma na polifonia dissonante do arranjo que inclui o bass synth de Marcelo Cabral, para restaurá-la em seguida. No chão, sem o chão. Rei vadio vagueia pelas trevas em passos falsos, mesmo quando evolui harmonioso no compasso do samba-choro de Caminhando (Nelson Cavaquinho e Nourival Bahia, 1963), tema originalmente instrumental que ganhou versos oníricos de Nuno Ramos e a voz de Ná Ozzetti. Na letra, Nuno perfila as contradições e a máscara do nobre vagabundo que invadia as ruas e os bares com o cavaquinho, o copo de bebida e o sentimento de abandono que provocava o choro solitário confessado em Rei vagabundo (Nelson Cavaquinho, José Ribeiro e Noel Silva, 1968), samba introduzido por ruídos até que o toque do violão do próprio Romulo clareia a atmosfera suja do ambiente, traduzida por arranjo intencionalmente vazio. Barulhos feios, aliás, são os primeiros sons ouvidos em Rei vadio na introdução de Pode sorrir (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973). O trombone de Allan Abbadia e a cuíca de Wellington Moreira Pimpa sinalizam já nesta primeira faixa o tom fúnebre que pauta o disco. O mesmo trombone de Abadia sopra a solidão espalhada em Cinzas (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Renato Gaetani, 1955). Mesmo que os toques do violão e do cavaquinho de Rodrigo Campos tentem iluminar Não me olhes assim (Aceito teu adeus) (Nelson Cavaquinho, Luis Rocha e Amado Régis, 1967) na cadência do samba, Rei vadio acaba por apagar a luz em respeito ao perene luto existencial do nobre vagabundo. Em Notícia (Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Nourival Bahia, 1955), fica claro que a guitarra - no caso, a de Guilherme Held - atravessa intencionalmente o samba. Essa guitarra se junta à de Kiko Dinucci para fazer brotar a mágoa que semeia Erva daninha (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1976), samba que até cai em certo suingue, à certa altura, mas logo recai no chão sem chão que sustenta Rei vadio. Pote até aqui de mágoas, o canto rústico do compositor ora celebrado sem cores é evocado por Dona Inah, dama do samba paulistano, solista quase solitária de Eu e as flores (Nelson Cavaquinho e Jair do Cavaquinho, 1968), tema em que a voz de Romulo é ouvida somente após o quarto minuto da faixa, como fugaz sopro de vida. Indício de que a tristeza se impõe até sobre a folia, Vou partir (Nelson Cavaquinho e Jair do Cavaquinho, 1965) cai no samba quase tradicional com a cozinha de Wellington Moreira Pimpa e o coro da velha guarda da escola paulistana Nenê de Vila Matilde. Bem marcada pela bateria de Curumin, a humilhação afetiva de Mulher sem alma (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973) é reiterada pelos metais orquestrados por Thiago França, traduções dos tropeços do nobre vagabundo nos passos erráticos da feminina personagem-título. A propósito, tal como a obra de Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974), o cancioneiro de Nelson Cavaquinho destila mágoas e culpas jogadas na conta da mulher amada. Contudo, no samba de Cavaquinho, há mais resignação do macho ferido, talvez pela consciência da finitude que se aproxima. A morte cai bem no chão do nobre vagabundo. Por isso, quando o disco vai chegando ao fim, o teatro fica cada vez mais sem cor. Revivida com a adesão da voz de Criolo, Luz negra (Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, 1961) tira todo o chão de Romulo em alucinado arranjo que caminha em passos cambaleantes. É nessa rota dissonante que é feito Juízo final (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973). A voz sempre bem colocada de Romulo é ouvida somente no segundo minuto do samba. Fez-se a treva. Mas eis que, após o (falso) fim apocalíptico, ouve-se o coro sujo de um bloco de rua, como a dizer que, sim, a luz há de chegar até mesmo aos corações humilhados como o deste rei vadio, reentronizado por Romulo Fróes, trinta anos após a morte do artista, em disco brilhante pelo desconforto que provoca ao respeitar - sempre desrespeitando - o luto do nobre Nelson Cavaquinho.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Trinta após a morte, Nelson Cavaquinho revive em 'Rei vadio', CD de Romulo

Faz 30 anos neste mês de fevereiro de 2016 que Nelson Cavaquinho (29 de outubro de 1911 - 18 de fevereiro de 1986) saiu de cena. Mas o cantor, compositor e músico carioca - cuja obra girava em torno do samba e abordava a morte com morbeza romântica - é reavivado por Romulo Fróes em Rei vadio - As canções de Nelson Cavaquinho, álbum editado pelo Selo Sesc e já à venda na livraria do Sesc (clique aqui se quiser comprar o CD). Com arte gráfica criada por Júlio Dui a partir de frames do curta-metragem sobre Cavaquinho filmado sob a direção do cineasta Leon Hirszman (1937 - 1987), o disco foi gravado pelo artista paulistano com os três músicos (Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos) que formam o quarteto Passo Torto com Romulo - e também com instrumentistas como o baterista Curumin, o guitarrista Guilherme Held e o saxofonista Thiago França. Há ainda intervenções vocais de Criolo, Dona Inah e Ná Ozzetti. No primeiro álbum como intérprete, o cantor e compositor dá voz a 14 músicas da lavra do autor de Luz negra (Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, 1961) e Rei vadio, parceria com Guilherme de Brito (1922 - 2006) que batiza o CD. O encarte reproduz ensaio sobre Cavaquinho escrito por Nuno Ramos há anos para a revista Serrote. Eis, na ordem, as 14 músicas de Rei vadio - As canções de Nelson Cavaquinho:

1. Pode sorrir (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973)
2. Não me olhes assim (Aceito teu adeus) (Nelson Cavaquinho, Luis Rocha e Amado Régis, 1967)
3. Notícia (Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Nourival Bahia, 1955)
4. Erva daninha (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1976)
5. Eu e as flores (Nelson Cavaquinho e Jair do Cavaquinho, 1968) - com Dona Inah
6. Cinzas (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Renato Gaetani, 1955)
7. Luto (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Sebastião Nunes, 1960)
8. Caminhando (Nelson Cavaquinho e Nourival Bahia, 1963) - com Ná Ozzetti
9. Vou partir (Nelson Cavaquinho e Jair do Cavaquinho, 1965)
10. Rei vagabundo (Nelson Cavaquinho, José Ribeiro e Noel Silva, 1968)
11. História de um valente (Nelson Cavaquinho e José Ribeiro, 1966)
12. Mulher sem alma (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973)
13. Luz negra (Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, 1961) - com Criolo
14. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Romulo Fróes reentroniza Nelson Cavaquinho em 'Rei vadio' com Criolo e Ná

Parceria de Nelson Cavaquinho (29 de outubro de 1911 - 18 de fevereiro de 1986) com Joaquim Vaz de Carvalho, gravada pela cantor, compositor e músico carioca no antológico álbum Nelson Cavaquinho (Odeon, 1973), Rei vadio dá nome ao álbum em que o cantor, compositor e músico paulistano Romulo Fróes reentroniza a obra cinzenta de Nelson Cavaquinho no mercado fonográfico brasileiro. Lançado somente em edição física pelo Selo Sesc, Rei vadio - As canções de Nelson Cavaquinho é o sétimo álbum da discografia solo de Romulo. Composição também lançada no célebre álbum de 1973, Pode sorrir (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973) é o samba que abre o disco gravado por Romulo com intervenções de Criolo e Ná Ozzetti. Romulo também ilumina a luz negra da obra de Cavaquinho com regravações de Aceito o teu adeus (Não me olhes assim) (Nelson Cavaquinho, Luis Rocha e Amado Régis, 1967), de Erva daninha (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1976), de Eu e as flores (Nelson Cavaquinho e Jair do Cavaquinho, 1968) - exemplo da morbeza romântica que pauta o cancioneiro de Cavaquinho que versa sobre a morte - e Notícia (Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Nourival Bahia, 1955), entre outros temas do autor.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cantoras guiam Romulo Fróes em 'Por elas sem elas', álbum de voz e violão

Sexto álbum da discografia solo do cantor e compositor paulistano Romulo Fróes, Por elas sem elas (YB Music) tem lançamento agendado para amanhã, 23 de outubro de 2015, em edição digital (a edição física em CD deve sair até o fim do ano). É disco de voz & violão gravado com inspiração em cantoras como Elza Soares, Juçara Marçal, Mariana Aydar e Nina Becker, entre várias outras. Testando os limites das canções, Romulo dá sua versão de autor para músicas de sua lavra lançadas nas vozes dessas cantoras. Sucessor do álbum Barulho feio (YB Music, 2014) na obra solo do artista, Por elas sem elas inclui no repertório autoral abordagens de Mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2015) - música-título de álbum recém-lançado por Elza, do qual o artista também regrava Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015) - de Queimando a língua (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2014) e Presente de casamento (Thiago França e Romulo Fróes), composições lançadas por Juçara no antológico álbum Encarnado (Independente, 2014). Em Por elas sem elas, Romulo também dá voz e violão a músicas como Nada disso é pra você (Romulo Fróes e Clima, 2009) e Flor vermelha (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2010), composições lançadas nas vozes de Mariana Aydar e Nina Becker, respectivamente. Aydar também foi a primeira voz de Porto (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2011) em gravação do álbum Cavaleiro selvagem aqui te sigo (Universal Music, 2011). Também de 2011, Uma outra qualquer por aí (Romulo Fróes e Clima) deu título ao álbum lançado pela cantora baiana Manuela Rodrigues naquele ano. Já Um amor de morrer (Romulo Fróes e Clima,2014) é música lançada por Natália Matos. Completa o repertório do álbum Cidade baixa (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2009),  música já gravada por Juliana Perdigão.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Música de Romulo Fróes e Alice Coutinho nomeia o álbum paulistano de Elza

Música composta por Romulo Fróes com Alice Coutinho, Mulher do fim do mundo foi escolhida para nomear o álbum gravado pela carioca Elza Soares - em foto de divulgação da TV Cultura - com músicos e compositores da cena paulistana. Produzido por Guilherme Kastrup, sob direção artística de Celso Sim (compositor da música Benedita, assinada por Sim com Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant) e do próprio Romulo Fróes, o disco A mulher do fim do mundo  tem lançamento programado para 3 de outubro de 2015.  O repertório do álbum é inteiramente inédito.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Elza dá voz a inéditas de Romulo e Rodrigo em álbum produzido por Kastrup

Elza Soares vai pôr voz, ao longo deste mês de maio de 2015, nas músicas selecionadas em abril para o disco em que a cantora carioca - em foto de Rodrigo Braga - interpreta somente obras de compositores da cena contemporânea de São Paulo (SP). Inteiramente inédito, o repertório inclui músicas de Celso Sim, Rodrigo Campos e Romulo Fróes, entre outros compositores. Celso e Romulo assinam a direção artística do álbum produzido por Guilherme Kastrup e já em fase de gravação. Está prevista participação do rapper paulistano Emicida. O CD vai sair no segundo semestre do ano.

terça-feira, 3 de março de 2015

Romulo se prepara para lançar, via Selo Sesc, disco com obra de Nelson

A IMAGEM DO SOM - Postada por Romulo Fróes em seu Facebook, a foto mostra o cantor e compositor paulistano em estúdio de São Paulo (SP), durante a gravação do álbum em que recria o cancioneiro do compositor carioca Nelson Cavaquinho (1911 - 1986). O álbum vai ser lançado - pelo Selo Sesc - neste ano de 2015.  A morbidez do samba de Nelson sempre influenciou Romulo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Romulo Fróes prepara disco sobre Cavaquinho e reedita 'Calado' em vinil

Enquanto se prepara para lançar em 2015 disco com abordagens de músicas do compositor carioca Nelson Cavaquinho (1911-1986), gravado desde novembro de 2014, o cantor e compositor paulistano Romulo Fróes - dono de obra que é uma das mais perfeitas traduções dos sons de Sampa no século XXI - reedita seu primeiro álbum, Calado, lançado em 2004 pelo selo Bizarre Music, no formato de vinil. Dez anos após seu lançamento, Calado chega ao vinil já com status de ter sido a pedra fundamental na construção de uma das discografias mais relevantes da cena musical contemporânea brasileira - como conceitua e contextualiza com precisão o jornalista e produtor musical Marcus Preto em texto escrito para a contracapa da reedição em vinil de Calado:

"Já não é mais possível falar na música popular produzida em São Paulo, em qualquer época, sem passar pela obra de Romulo Fróes. O artista lança álbuns há dez anos e, desde então, vem desenhando uma maneira bem particular de traduzir em música, letra e arranjos as idiossincrasias dessa cidade ao resto do mundo.

Paulista tem disso: não vê muito sentido em contemplação pura. As narrativas ganham mais valor quando vêm encobertas por espinhos, arestas e sujeira. Aprende-se esse caminho enviesado de pequeno, com a beleza e com a feiura da cidade. E também se entende logo que uma coisa e outra – beleza e feiura – trocam de lugar o tempo todo, se espelham, se misturam e se completam.

Romulo é hoje um dos artistas mais radicais dessa escola. Não seria à toa que seu álbum de dez anos de carreira se chama Barulho feio. Mas tal vocação estava toda prevista em Calado (2004), seu já clássico álbum de estreia – justamente esse que você tem agora nas mãos na edição em vinil. É, sem dúvida, uma das pedras fundamentais do que chamamos hoje de “nova música brasileira”.

Lançado originalmente pelo Bizarre Music, selo ligado à cena indie (essa palavra fazia sentido em 2004) da cidade, o disco era uma reação paulista à geração carioca que então revitalizava o samba, sobretudo na Lapa. E “reação” é a palavra exata, já que Romulo jogava pedregulhos pelo caminho do ouvinte, dificultando a dança, entortando de um lado da Dutra o que, do outro, era quase sempre macio e aconchegante como um travesseiro de plumas de ganso.

Segundo a visão que se tinha àquela altura, Romulo usava procedimentos “de rock” para fazer música popular brasileira em seu estado mais tradicional – ou, ao menos, partindo de seus cânones, como o samba, Nelson Cavaquinho, Batatinha etc. Em 2004, um paulistano “descolado”, urbano, branco e de classe média que tocasse samba era visto como um deslocado, um proscrito, um exilado do tempo e do espaço. O lugar pra esse tipo de personagem era o universo do rock – de preferência cantando em inglês – ou o da música eletrônica. Foi fundamental para a geração que atua hoje em São Paulo que Romulo tenha ajudado a embaralhar esses contextos.

Por todas essas, Calado é um disco tão importante. Ele abriu caminho também para o som ainda mais radical que, meia dúzia de anos depois, o próprio Romulo faria com seus pares Kiko Dinucci, Rodrigo Campos, Marcelo Cabral, Thiago França, Juçara Marçal e todos os outros entortadores paulistanos do samba. E a muitos outros entortadores, de todos os cantos do país, que estão por vir". Marcus Preto

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ferriani disponibiliza para download 'single' com samba de Romulo Fróes

Verônica Ferriani disponibilizou hoje, 14 de outubro de 2014, para download gratuito o primeiro dos dois singles que gravou no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP). Trata-se de registro do samba Varre e sai (Romulo Fróes, Clima e Nuno Ramos, 2011), gravado pela cantora e compositora paulista em 1º de outubro de 2014 sob a direção musical do baixista Marcelo Cabral. Com as guitarras de Guilherme Held e Rodrigo Campos, Ferriani preserva na gravação a pegada crua, industrial, de sua abordagem de Varre e sai no show autoral Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio (2013). Essa composição desde o início me chamou atenção por ser um samba bastante atípico em sua melodia e harmonia, além da temática amorosa coincidente com as reflexões que eu vinha tendo em minhas canções autorais. O disco acabou focado em meu trabalho autoral, mas logo Varre e sai entrou no roteiro do show em um arranjo que, em clima "samba punk", ou "samba industrial", sobrepõe momentos psicológicos da letra aos barulhos da cidade, simbolizados através do arranjo, conceitua a cantora. Mixada e masterizada por Fernando Sanches, a gravação de Varre e sai pode ser baixada no site oficial da artista e pode ser ouvida no canal de Ferriani no YouTube.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ferriani lança 'singles' com música inédita e regravação de Romulo Fróes

No roteiro do show inspirado em seu terceiro álbum, Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio (Independente, 2013), a cantora e compositora paulista Verônica Ferriani extrapolou o repertório do belo disco autoral, incluiu uma música inédita de sua própria lavra, Metamorfose, e parceria de Romulo Fróes com Nuno Ramos e Clima, Varre e sai, lançada por Romulo no álbum Um labirinto em cada pé (YB Music, 2011). Essas duas músicas foram gravadas por Ferriani - vista no estúdio na foto de Patrícia Ribeiro exposta na página da artista no Facebook - nesta primeira quinzena de outubro de 2014, para a edição de singles.

sábado, 27 de setembro de 2014

Terceiro álbum solo de Pipo emerge com Catto sob a direção de Romulo

Cantor, compositor e músico paulistano que iniciou sua carreira musical em 2005 como integrante do grupo Q'Saliva, Pipo Pegoraro lança seu terceiro álbum solo, Mergulhar mergulhei, com dez inéditas de sua lavra. Produzido pelo próprio Pipo sob a direção artística de Romulo Fróes, o disco emerge no mercado via YB Music, sucedendo os álbuns Intro (Independente, 2008) e Táxi imã (YB Music, 2011). Paralelamente ao trabalho com a banda Aláfia, integrada por Pipo desde 2012, o artista divulga Mergulhar mergulhei, disco que flerta com a MPB e com o jazz, tendo sido gravado com as vozes adicionais de cantores como Filipe Catto e Xênia França. Catto e Xênia - vocalista da banda Aláfia - são os convidados da faixa Indecifrável, parceria de Pipo com Romulo Fróes, que canta Pra continuar, outra parceria sua com o artista. Já Luz Marina solta a voz em O que só cabe em nós, música assinada por Pipo com o poeta arrudA, de cuja letra foi extraída o título do disco. Sob a regência de Marcelo Cabral (Metá Metá), o quarteto de cordas Alma Negra emoldura as faixas Aiye e Sabão de coco.

domingo, 31 de agosto de 2014

CD 'Barulho feio' é outro passo torto de Fróes em poética trilha experimental

Resenha de CD
Título: Barulho feio
Artista: Romulo Fróes
Gravadora: YB Music 
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do artista

 Quinto álbum solo de Romulo Fróes, Barulho feio é outro passo torto de Romulo Fróes em sua caminhada experimental. Trilha pavimentada à margem do mercado fonográfico desde 2001, ano do lançamento do primeiro disco do cantor, compositor e músico paulistano - um EP que abriu caminho para a edição, três anos mais tarde, do primeiro álbum de Fróes, Calado (Bizarre Music, 2004), apresentado já há uma década. De lá para cá, o artista solidificou sua parceria com os compositores e artistas plásticos paulistanos Eduardo Climachauska (o Clima) e Nuno Ramos, nomes recorrentes na ficha técnica de Barulho feio, hábeis na construção de letras embebidas em poesia contemporânea, cujos versos saltam aos ouvidos entre os ruídos sonoros e humanos que pautam Barulho feio, disco em que Fróes experimenta (des)caminhos para a canção popular brasileira. Não por acaso, a primeira das 15 músicas do disco - Não há, mas derruba (Romulo Fróes e Nuno Ramos) - é introduzida com o sopro torto do saxofone de Thiago França, músico fundamental na arquitetura de Barulho feio ao lado de Guilherme Held (na guitarra) e de Marcelo Cabral (no baixo acústico). O caminho seguido é o mais difícil. Firme nessa rota sem atalhos, Fróes impede o salto da veia de um samba-canção que circula embutida nessa faixa de abertura. O que salta aos ouvidos já de cara e sempre são os ruídos, as interferências, os barulhos feios inseridos nas músicas - como se o álbum quisesse captar a (des)organização urbana de uma metrópole. No caso, o caos e a poesia da cidade de São Paulo (SP), matérias-primas do bom disco. Os ruídos e a poesia estão por toda parte, aclimatando músicas como Na minha boca (Romulo Fróes e Alice Coutinho), Pra comer (Romulo Fróes e Clima) - visão poética do voo de um urubu à espreita aérea da carniça? - e a composição-título Barulho feio (Romulo Fróes e Nuno Ramos) em ambiente dissonante, distante do formato convencional da canção. Mas a canção está lá, ecoando citações e influências do samba e da bossa entranhada na levada básica que nortei a faixa O que era meu (Romulo Fróes e Alice Coutinho). "Dizem por aí que eu não sou nada / A pessoa mais errada / Que eu perdi a direção / Dizem que eu deixei no violão / O que em mim tinha de bom", rumina Fróes, a sós com seu violão, em versos de Como um raio (Romulo Fróes e Nuno Ramos) que evocam a morbeza romântica do cancioneiro do compositor carioca Nelson Cavaquinho (1911 - 1986) - cuja obra, a propósito, vai ser abordada por Fróes em disco previsto para ser lançado em 2015. Entoada a capella pelo cantautor de voz grave (e extremamente bem colocada neste disco produzido por Fróes com Cacá Lima), Poeira - parceria de Mariana Aydar com Nuno Ramos - espalha a poesia urbana que sobressai no disco entre melodias de moderado poder de sedução. Em Peixinho triste (Lanny Gordin, Guilherme Held e Nuno Ramos), a guitarra cria o clima dessa canção que anuncia o sol, já desaparecido na música seguinte, Cadê (Marcelo Cabral e Clima), cuja letra cita Assum preto (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950). Cadê explicita a importância paradoxal do silêncio neste disco ruidoso. Entre silêncios e atonalidades, Fróes faz dueto com a cantora paulistana Juçara Marçal em Espera (Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Alice Coutinho) e faz barulho ao amplificar a guitarra noise de Guilherme Held em Se você me quiser (Romulo Fróes e Clima) e em Noite morta (Romulo Fróes e Nuno Ramos). Já A luz dói (Clima e Nuno Ramos) clareia somente a voz de Fróes neste tema cantado a capella que encerra o disco na penumbra, mas já com a certeza de que a luz voltará. Possível metáfora para adiantar o próximo passo torto de Fróes, caminhante noturno de trilha experimental que espalha poesia no chão, sem chão. Até que o barulho não é tão feio assim.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Rennó põe temas de Caetano, Moreno e Romulo na roda do show I A R A

Senhora da cena na arena circular do Sesc Copacabana, palco da estreia nacional do excelente show I A R A na noite de 26 de novembro de 2013, a cantora e compositora paulista Iara Rennó pôs Moreno Veloso na roda. Produtor do homônimo disco I A R A, recém-lançado pela gravadora Joia Moderna, Moreno foi um dos convidados do show que atraiu antenada plateia do Rio de Janeiro (RJ). Com o baiano Moreno, Rennó protagonizou um dos grandes momentos do performático show dirigido por Ava Rocha. Foi quando Rennó caiu no samba de roda Um passo à frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro, 2005) - em abordagem que revitalizou a composição, superando o registro feito por Gal Costa no álbum Hoje (Trama, 2005) - após ter recebido Moreno para cantar o samba Nenhuma (Moreno Veloso, 2000), composição lançada pelo autor no CD Máquina de escrever música (Rock It!, 2000), assinado pelo trio Moreno + 2. Três números depois, o maranhense Negro Leo - nome artístico do cantor e compositor Leonardo Campelo Gonçalves, nome em ascensão na cena indie carioca - entrou na roda para cantar com Rennó suas músicas Tara (tema de alto teor erótico que batiza EP digital lançado por Leo em março de 2013) e Arte bruta (parceria de Leo com Ricardo Pitta lançada em 2012). Sozinha, com forte presença cênica, Rennó cantou as onze músicas do CD I A R A e investiu no repertório autoral de Caetano Veloso - dando voz e vida a Outro, música do álbum (Universal Music, 2006), munida de dois chocalhos - e na obra do grupo paulista Passo Torto, do qual abordou  com propriedade A não ser que me ame (Romulo Fróes e Rodrigo Campos), música lançada no segundo álbum do quarteto, Passo elétrico (YB Music, 2013). Eis o roteiro seguido por Iara Rennó - em foto de Rodrigo Amaral - na estreia nacional do teatral show I A R A, na arena do Sesc Copacabana - Rio de Janeiro (RJ), em 26 de novembro de 2013:

1. Já era (Iara Rennó, 2013)
2. Seu José (Iara Rennó, Thor Madsen e Anders Hentze, 2013)
3. Outros tantos (Iara Rennó, 2013)
4. Arroz sem feijão (Iara Rennó, 2013)
5. Amor imenso (Iara Rennó e Thalma de Freitas, 2013)
6. Ma voix  (Iara Rennó, 2013)
7. The love (Iara Rennó, Tony Gordyn e Thalma de Freitas, 2013)
8. Estribilho (Iara Rennó, 2013)
9. Outro (Caetano Veloso, 2006)
10. Nenhuma (Moreno Veloso, 2000) - com Moreno Veloso
11. Um passo à frente (Moreno Veloso e Quito Ribeiro, 2005) - com Moreno Veloso
12. A não ser que me ame (Romulo Fróes e Rodrigo Campos, 2013)
13. Miligramas (Iara Rennó, 2013)
14. Tara (Negro Leo, 2013) - com Negro Leo
15. Arte bruta (Negro Leo e Ricardo Pitta, 2012) - com Negro Leo
16. Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973)
17. Elegbara (Iara Rennó, 2013)
Bis:
18. Macunaíma (Iara Rennó a partir da obra de Mário de Andrade, 2008)
19. Já era (Iara Rennó, 2013)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Romulo Fróes grava seu quinto álbum solo em São Paulo, via YB Music

Na sequência do lançamento do segundo disco do quarteto Passo Torto, Passo elétrico (2013), o cantor e compositor paulista Romulo Fróes - em foto de Daryan Dornelles - começou a gravar seu quinto álbum solo no estúdio da gravadora YB Music, em São Paulo (SP). O sucessor de Um labirinto em cada pé (YB Music, 2011) vai se chamar Barulho feio. O repertório inclui parcerias inéditas de Fróes com Nuno Ramos, casos de Noite torta e de Não há, mas derruba.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Música de Romulo Froés acentua tom contemporâneo da tragédia Oréstia

Um dos compositores mais cultuados da atual geração indie paulista, Romulo Fróes debuta no teatro com a criação, em parceria com Cacá Machado, da trilha sonora original de Oréstia, rara trilogia da tragédia grega composta pelas peças Agamêmnon, Coéforas e Eurnêmides. Encenada em tom contemporâneo no Rio de Janeiro (RJ), sob direção e concepção geral da atriz Malu Galli, Oréstia apresenta - no palco do Teatro Laura Alvim - canções compostas, arranjadas e produzidas por Romulo e Cacá a partir da obra de Ésquilo (525 ou 524 A/C - 456 ou 455 A/C). A safra de canções inéditas inclui títulos como Ai, Ai de MimZeus Supremo, O Rei Voltou, Com a Própria Morte, Lar Infortunado, A Espada de Orestes e Dança das Fúrias.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Fróes pega pela palavra em CD em que letras se impõem sobre melodias

Resenha de CD
Título: Um Labirinto em Cada Pé
Artista: Romulo Fróes
Gravadora: YB Music
Cotação: * * * 1/2

"Só faço samba, só faço samba", avisa Romulo Fróes, com certa ironia, em verso de Muro, samba feito pelo compositor paulista com seu parceiro Clima. A ironia vem do fato de em seu disco anterior, o duplo No Chão, Sem o Chão (2011), Fróes ter precisado plugar as guitarras para criar ambiência roqueira que o dissociasse do rótulo de sambista normalmente posto no artista desde seus primeiros discos, Calado (2004) e Cão (2006). Com letra que cita Ladeira da Preguiça, samba de Gilberto Gil, Muro se impõe na coesa safra de inéditas apresentada por Fróes em seu quarto álbum, Um Labirinto em Cada Pé, já nas lojas em edição da YB Music. Fróes não é exatamente um sambista, mas é também um sambista - como prova a base percussiva (à moda do samba tradicional) que sustenta Rap em Latim, tema de Nuno Ramos, cantado por Fróes em dueto com Arnaldo Antunes. Outro sinal da presença do samba no disco é a voz veterana de Dona Inah, que abre o disco cantando a capella os versos de Olhos da Cara (Nuno Ramos) que expressam profunda solidão. Letras embebidas em poesia, aliás, se impõem sobre melodias neste denso Um Labirinto em Cada Pé. Tema sólido que dialoga com os trabalhos de Caetano Veloso com a BandaCê, Boneco de Piche (Romulo Fróes e Clima) alude no título (e apenas no título) a Boneca de Piche (Ary Barroso e Luiz Iglésias) - sucesso de Carmen Miranda (1909 - 1955) nos anos 30 - sem lançar mão do tom lúdico deste tema da primeira era de ouro da música brasileira. Se há algo lúdico no álbum são os jogos de palavras dos versos de Quero Quero (Romulo Fróes e Nuno Ramos) que aludem à cocaína e incluem palavrão pouco usual em letras de música (tomar no cu). Contudo, no todo, Um Labirinto em Cada Pé  quase nunca brinca em serviço, expondo letras contundentes que parecem não indicar saída. "A mão direita quer a esquerda, o pé que samba quer o tombo, dentro do grito tem silêncio", sentencia o artista, inquieto, na funkeada Ditado (Romulo Fróes e Nuno Ramos), faixa pontuada pela guitarra roqueira de Guilherme Held. Guitarra que se faz ouvir com mais força ainda em Jardineira, parceria de Held com a trinca de compositores que assina o repertório do disco (Fróes, Clima e Nuno Ramos). E o fato é que todas as letras do álbum são pura poesia que resistem até sem as melodias tortas dos compositores. O Filho de Deus (Nuno Ramos) - faixa que traz no coro a voz de Nina Becker, responsável também pelos backing vocals de temas como Máquina de Fumaça (Romulo Fróes e Clima) - narra história cinematográfica que remete aos enredos urbanos criados por Aldir Blanc para os sambas de João Bosco. Dentro ou fora de sua heterodoxa roda de samba, o CD Um Labirinto em Cada Pé pega o ouvinte pela palavra em época em que poucos têm o que dizer.