Mauro Ferreira no G1

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sábado, 21 de setembro de 2013

Roberta dá rolê pelo 'Rock in Rio' para evocar Baby com Moraes e Pepeu

Resenha de show - Rock in Rio 2013
Título: Moraes Moreira + Pepeu Gomes + Roberta Sá
Artistas: Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Roberta Sá
Local: Palco Sunset - Cidade do Rock (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 21 de setembro de 2013
Foto: Divulgação Rock in Rio 2013 / Estácio Jonathan Bramussi
Cotação: * * *  

Em 2006, Roberta Sá se juntou com Pedro Luís e a Parede para gravar Dê um rolê (Moraes Moreira e Galvão, 1971) para a trilha sonora do filme Zuzu Angel (Brasil, 2006) em registro endurecido, sem o frescor que caracteriza o canto da artista potiguar . Sete anos depois, a cantora - cada vez mais desenvolta no palco - mostrou sua evolução ao cantar a mesma Dê um rolê no Palco Sunset do Rock in Rio 2013. O contexto foi bem especial. Roberta foi a convidada do show em que Moraes Moreira e Pepeu Gomes se reuniram para reviver sua produção autoral, sobretudo músicas do repertório do grupo Novos Baianos. A camisa vestida por Roberta - estampada com o rosto de Baby do Brasil - foi o recado sutil de que Novos Baianos sem Baby não é Novos Baianos, por mais que o suingue sangue bom do grupo pop tropicalista soe sempre irresistível. A participação de Roberta começou muito bem. Com jovialidade, a cantora fez dois solos vocais - em Dê um rolê e em Tinindo trincando (Moraes Moreira e Galvão, 1972), música associada a Baby e cantada por Roberta com especial vivacidade - que justificaram a expectativa em torno de sua participação no show. Feitos os dois solos, contudo, Roberta virou quase uma backing vocal de luxo de Moraes e Pepeu - cujas vozes, aliás, já se mostram desgastadas pelos efeitos do tempo. Tanto que, após uma Preta pretinha (Moraes Moreira e Galvão, 1972) levada muito mais pelo público do que pelos três cantores, Roberta esteve bastante dispersa em Eu também quero beijar (Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Fausto Nilo, 1981), sucesso da carreira solo de Pepeu. Aliás, a lembrança de outra música da discografia individual de Pepeu, Um raio laser (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1982), resultou morna e dispensável, pois o show esquentou mesmo foi com os sucessos dos Novos Baianos, caso de A menina dança (Moraes Moreira e Galvão, 1972), outro número turbinado com o coro popular. Por mais que as vozes de Moraes e Pepeu já tenham perdido o viço, a parte musical do show se mostrou azeitada - o que justificou o revival do tema instrumental Um bilhete para Didi (Jorginho Gomes, 1972) e, em menor grau, o tributo a Jorge Mautner e a Nelson Jacobina (1954 - 2012) com o toque instrumental, sob o comando da afiada guitarra de Davi Moraes, de Maracatu atômico (1973), o maior sucesso da parceria de Mautner com Jacobina. Os solos hendrixianos da guitarra de Pepeu continuam incendiários. No fim, com Roberta Sá já de volta ao Palco Sunset, o samba Brasil pandeiro (Assis Valente, 1940) - rejeitado por Carmen Miranda (1909 - 1955), lançado com sucesso pelo grupo Anjos do Inferno e, 42 anos depois, novamente popularizado pelos Novos Baianos com o sagaz registro que abre o clássico álbum Acabou chorare (1972) - encerrou o show que exaltou o legado de uma gente bronzeada, pop e tropicalista que mostrou todo o seu (inestimável) valor em 1972.

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Em 2006, Roberta Sá se juntou com Pedro Luís e a Parede para gravar Dê um rolê (Moraes Moreira e Galvão, 1971) para a trilha sonora do filme Zuzu Angel (Brasil, 2006) em registro endurecido, sem o frescor que caracteriza o canto da artista potiguar . Sete anos depois, a cantora - cada vez mais desenvolta no palco - mostrou sua evolução ao cantar a mesma Dê um rolê no Palco Sunset do Rock in Rio 2013. O contexto foi bem especial. Roberta foi a convidada do show em que Moraes Moreira e Pepeu Gomes se reuniram para reviver sua produção autoral, sobretudo músicas do repertório do grupo Novos Baianos. A camisa vestida por Roberta - estampada com o rosto de Baby do Brasil - foi o recado sutil de que Novos Baianos sem Baby não é Novos Baianos, por mais que o suingue sangue bom do grupo pop tropicalista soe sempre irresistível. A participação de Roberta começou muito bem. Com jovialidade, a cantora fez dois solos vocais - em Dê um rolê e em Tinindo trincando (Moraes Moreira e Galvão, 1972), música associada a Baby e cantada por Roberta com especial vivacidade - que justificaram a expectativa em torno de sua participação no show. Feitos os dois solos, contudo, Roberta virou quase uma backing vocal de luxo de Moraes e Pepeu - cujas vozes, aliás, já se mostram desgastadas pelos efeitos do tempo. Tanto que, após uma Preta pretinha (Moraes Moreira e Galvão, 1972) levada muito mais pelo público do que pelos três cantores, Roberta esteve bastante dispersa em Eu também quero beijar (Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Fausto Nilo, 1981), sucesso da carreira solo de Pepeu. Aliás, a lembrança de outra música da discografia individual de Pepeu, Um raio laser (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1982), resultou morna e dispensável, pois o show esquentou mesmo foi com os sucessos dos Novos Baianos, caso de A menina dança (Moraes Moreira e Galvão, 1972), outro número turbinado com o coro popular. Por mais que as vozes de Moraes e Pepeu já tenham perdido o viço, a parte musical do show se mostrou azeitada - o que justificou o revival do tema instrumental Um bilhete para Didi (Jorginho Gomes, 1972) e, em menor grau, o tributo a Jorge Mautner e a Nelson Jacobina (1954 - 2012) com o toque instrumental, sob o comando da afiada guitarra de Davi Moraes, de Maracatu atômico (1973), o maior sucesso da parceria de Mautner com Jacobina. Os solos hendrixianos da guitarra de Pepeu continuam incendiários. No fim, com Roberta Sá já de volta ao Palco Sunset, o samba Brasil pandeiro (Assis Valente, 1940) - rejeitado por Carmen Miranda (1909 - 1955), lançado com sucesso pelo grupo Anjos do Inferno e, 42 anos depois, novamente popularizado pelos Novos Baianos com o sagaz registro que abre o clássico álbum Acabou chorare (1972) - encerrou o show que exaltou o legado de uma gente bronzeada, pop e tropicalista que mostrou todo o seu (inestimável) valor em 1972.

Fabio disse...

Foi mto bom o show, vibrante!

Maria disse...

Adorei! Sempre bom rever e ouvir os Novos Baianos.
Ahhh, o Novos Baianos Futebol Clube é tão bom quanto o álbum clássico Acabou Chorare.

Raffa disse...

Maria, concordo contigo! Parece uma continuação do Acabou Chorare, uma sobra; mas, pra mim, ainda é melhor que o anterior. Tipo o "Solta o Pavão" em relação ao "Tábua de Esmeraldas", do Jorge Ben.

Fábio disse...

Achei o show um pouco decepcionante. O revival Novos Baianos foi exagerado, faltaram mais sucessos individuais de Pepeu e Moraes, e eles têm muitos. A Roberta Sá é uma cantora mais legal de se ouvir, no palco tem muito pouco carisma, fora que me passa muito a impressão de "quero ser Marisa Monte".

Anônimo disse...

Eita nós!
Acabou Chorare, Novos Baianos Futebol Clube, Tábua de Esmeraldas e Solta o Pavão.
Quatro petardos atemporais!

PS: O bom da música boa(arte em si) é que ela é a única coisa na face da terra que pode tirar onda com o tempo. :-)

KL disse...

Quem deveria estar no palco é o impecável espetáculo "Baby Sucessos", com Baby do Brasil, o show do ano, quiçá da década. Impecável, emocionante, com Baby esbanjando jovialidade, carisma e vibração.
Com todo o respeito a Pepeu e Moraes, esse daí foi - como diria Carmen Miranda - totalmente borocoxô.

Rhenan Rodrigo disse...

"Por demais forte simbolicamente"! Ainda que nada tivesse dado certo, teria sido incrível!

Bruno Veloso disse...

Concorcando com o Rhenan. Ao que prometia, se cumpriu em muito, ainda mais para mim, que não pude viver os anos de glórias dos Novos Baianos. Foi emocionante assistir. Faltou sucessos? Claro, senti falta de muitos. Mas valeu a boa apresentação, a graciosidade da Roberta e a emoção de estar com os caras foi contagiante.