Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sábado, 2 de maio de 2015

Pai e filho, Moraes e Davi se irmanam com bossa no álbum 'Nossa parceria'

Resenha de CD
Título: Nossa parceria
Artista: Davi Moraes e Moraes Moreira
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

Álbum que junta Davi Moraes com Moraes Moreira, Nossa parceria é mais do que um encontro de pai e filho que se irmanam em ponte musical que liga a Bahia ao Rio de Janeiro com escalas em Pernambuco. O disco documenta um encontro de compositores e músicos de gerações e estilos distintos, mas que se afinam como herdeiros do suingue da música do Brasil. A origem do CD remonta a 2013, quando Davi começou a gravar disco autoral cujo repertório incluía parcerias com Moraes. O projeto virou um álbum da dupla por sugestão de Davi. As parcerias pré-existentes, claro, figuram entre as 10 músicas de Nossa parceria. Além da música-título Nossa parceria, faixa de groove funkeado à moda carioca, pai e filho assinam o instrumental Chorinho pra Noé - formatado através de diálogo do violão de Moraes com o bandolim de Davi em evocação do som do grupo Novos Baianos - e Quando acaba o Carnaval. Por mais que haja choros instrumentais como Seu Chico (Davi Moraes e Chico Barbosa) e que haja um Frevo capoeira (Moraes Moreira), o samba é o mote e o norte do disco. No caso, um samba filtrado pelas conquistas harmônicas da Bossa Nova que jamais renega a produção anterior ao gênero. Nesse sentido, é emblemático que o disco abra com Bossa capoeira, tema em que o compositor baiano Oscar da Penha (1924 - 1997), o Batatinha, tentou traduzir no berimbau o balanço da bossa. Moraes saúda Batatinha na faixa com a declamação de texto escrito em louvor ao compositor. É igualmente significativo que o disco insira entre as seis inéditas de seu repertório um samba antigo que louva a Bahia e que foi sugerido por ninguém menos do que João Gilberto, Bahia oi Bahia (Vicente Paiva e Augusto Mesquita, 1940). De alma musical baiana, Moraes Moreira é compositor fundamental na criação da trilha sonora do Carnaval do Brasil. De alma musical mais carioca, Davi Moraes amalgama no toque de sua guitarra elementos de funk, rock, samba e choro. Como compositor, Davi marca bela presença em Nossa parceria com a coautoria de Centro da saudade (Davi Moraes, Carlinhos Brown e Pedro Baby, 2010) e de Coração a batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti, 2011), dois exemplos de sambas de arquiteturas contemporâneas que herdaram a leveza da bossa sempre nova sem cair na intenção de reproduzir o balanço da turma de 1958. É desse rico universo musical - que parte do samba, mas não se limita a ele - que se alimenta Nossa parceria, álbum que evidencia que, como cantor, Moraes Moreira já sente os efeitos do tempo sobre a voz cada vez mais pálida. Em contrapartida, como compositor, o eterno novo baiano continua em forma, como mostra Só ama quem leva tombo, trunfo de disco em que pai e filho parecem irmãos de uma mesma (nobre) família musical.

sábado, 11 de abril de 2015

Davi registra sua parceria com Moraes em disco de inéditas editado via Deck

Samba lançado há quatro anos na voz da cantora Maria Rita no disco Elo (Warner Music, 2011), Coração a batucar (Alvinho Lancellotti e Davi Moraes, 2011) é uma das dez músicas de Nossa parceria, álbum que junta Davi Moraes com Moraes Moreira. No disco, que ganha edição física em CD prevista para chegar às lojas via Deck neste mês de abril de 2015, pai e filho registram oito músicas de suas lavras com parceiros eventuais como Carlinhos Brown. Seis são inéditas. O samba domina o repertório formado pelas músicas Bossa e capoeira (samba de Batatinha em que Moraes saúda o compositor baiano em fala inserida na faixa), Bahia oi Bahia (samba obscuro de 1940, de autoria de Vicente Paiva e Augusto Mesquita), Centro da saudade (samba de Davi com Carlinhos Brown e Pedro Baby, lançado por Brown em 2010), Seu Chico (tema instrumental de Davi com Chico Barbosa), Só quem ama leva tombo (de Moraes), Chorinho pra Noé (outro tema instrumental, este assinado por pai e filho), Frevo capoeira (de Moraes), Quando acaba o Carnaval (de Davi com Moraes) e a composição-título Nossa parceria (outra de Davi com Moraes). Pai e filho se alternam nos vocais. Já disponível para audição no YouTube, o álbum foi produzido por Davi e Moraes com Chico Neves e com a coprodução de Berna Ceppas e de Daniel Carvalho.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Davi e Moraes masterizam no Rio CD que registra a parceria de pai e filho

O cantor, compositor e guitarrista carioca Davi Moraes vai lançar em 2015 disco feito com o cantor, compositor e músico baiano Moraes Moreira. Em fase de masterização no Rio de Janeiro (RJ), o CD Nossa parceria vai registrar a afinidade musical entre pai e filho, que encerraram no fim de 2014 a turnê nacional do show que celebrou os 40 anos do álbum Acabou chorare (Som Livre, 1972), título emblemático da discografia dos Novos Baianos, grupo do qual Moraes Moreira - com Davi na foto de Marcos Hermes - foi o principal compositor (em parceria com Luiz Galvão).

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Zé Renato abre parceria com Moraes Moreira através de tema com Pedro

Zé Renato e Moraes Moreira são os mais novos parceiros da música brasileira. O que motivou a abertura da parceria foi um comentário do cantor e compositor capixaba - visto à esquerda em foto de Daniela Dacorso - a respeito de música ainda inédita feita por Zé com o colega carioca Pedro Luís. Intitulada Do céu, essa parceria de Zé Renato e Pedro Luís tem melodia com "ares moraesmoreirianos" na visão de Zé. Ciente do comentário, o cantor e compositor baiano - à direita em foto de Lívio Campos - encontrou Zé em aeroporto e enviou letra ao colega, prontamente musicada. Vamos curtir o amor é o nome da primeira parceria de Moraes Moreira com Zé Renato.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dan convida Ney em show no Rio em que canta Dylan e Moraes Moreira

Desde que gravou Um pouco de calor (Dan Nakagawa, 2005) em seu álbum Inclassificáveis (EMI Music, 2008), o cantor Ney Matogrosso tem chamado atenção para o talento do compositor paulistano Dan Nakagawa, que lançou um dos melhores álbuns autorais de 2011, O oposto de dizer adeus (YB Music). Além de ter dado voz a outras músicas de autoria do artista em discos e shows posteriores, caso de Todo mundo o tempo todo (Dan Nakagawa, 2011), Ney tem participado de vários shows de Dan - inclusive do que está registrado no CD e DVD Dan Nakagawa convida Ney Matogrosso (Canal Brasil, 2013). Por isso, o convite para dividir o palco com o compositor foi refeito a Ney para o show apresentado por Nakagawa no teatro do Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), em 28 de maio de 2014. Além de cantar com Dan Um pouco de calor e Todo mundo o tempo todo, Ney solou Na neblina do samba (Dan Nakagawa, 2005) - com o anfitrião no ukelele - e fez subir Sangue latino (João Ricardo e Paulinho Mendonça, 1973), sucesso do trio Secos & Molhados. Antes de Ney entrar em cena, Dan cantou dez músicas, apresentando parceria inédita com a atriz e cineasta Helena Ignez (Vlad Rimbaud) e fazendo Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 1979) sair fora de seu habitual trilho carnavalizante. Do compositor baiano Moraes Moreira, aliás, Dan também cantou Dê um rolê (1971), da parceria de Moraes com Luiz Galvão. Já com Ney em cena, como espectador, Dan fez eletrizante abordagem de Negro amor (1977), versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti para It's All Over Now, Baby Blue (Bob Dylan, 1965) lançada na voz cristalina de Gal Costa. Eis o roteiro seguido em 28 de maio de 2014 por Dan Nakagawa - visto com Ney Matogrosso na foto de Rodrigo Goffredo - no (bom) show que evidenciou seu talento como compositor no palco do Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Vlad Rimbaud (Dan Nakagawa e Helena Ignez, 2014)
2. Coração coragem (Dan Nakagawa, 2011)
3. Furobá (Dan Nakagawa, 2005)
4. Assim assim (Dan Nakagawa e Celso Sim, 2011)
5. O sol da meia noite (Dan Nakagawa, 2011)
6. Infinito instante (Dan Nakagawa, 2011)
    Texto: Reza para Ganesha (Dan Nakagawa)

7. O oposto de dizer adeus (Dan Nakagawa, 2011)
8. Bloco do prazer (Moraes Moreira e Fausto Nilo, 2009)
9. Eu sofro por amor (Dan Nakagawa, 2011)
10. Dê um rolê (Luiz Galvão e Moraes Moreira, 2011)
11. Sangue latino (João Ricardo e Paulinho Mendonça, 1973) - com Ney Matogrosso
12. Um pouco de calor (Dan Nakagawa, 2005) - com Ney Matogrosso
13. Negro amor (It's all over now, baby blue) 

      (Bob Dylan, 1965, em versão em português de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti, 1977)
14. Na neblina do samba (Dan Nakagawa, 2005) - com Ney Matogrosso
Bis:
15: Ser e não ser (Dan Nakagawa)
16. Todo mundo o tempo todo (Dan Nakagawa, 2011) - com Ney Matogrosso

sábado, 15 de março de 2014

Caixa embala reedições de álbuns da fase em que Moraes subiu a ladeira

Resenha de caixa de CDs
Título: Moraes Moreira Anos 70
Artista: Moraes Moreira
Gravadora: Discobertas
Cotação da caixa: * * * 1/2
Cotação do álbum Moraes Moreira (Som Livre, 1975): * * * 1/2
Cotação do álbum Cara e coração (Som Livre, 1977): * * * 1/2
Cotação do álbum Alto falante (Som Livre, 1978): * * * * 
Cotação do álbum Lá vem o Brasil descendo a ladeira (Som Livre, 1979): * * * * *

Chegou a hora dessa gente bronzeada que cultua o som dos Novos Baianos dar o devido valor à discografia solo de Moraes Moreira, principal compositor da fase inicial do grupo. Produzida pelo selo carioca Discobertas, a edição da caixa Moraes Moreira Anos 70 é oportuna por repor em catálogo no Brasil os quatro primeiros álbuns pós-Novos Baianos lançados pelo cantor e compositor, pela gravadora Som Livre, entre 1975 e 1979. Embora as reedições se limitem a reproduzir a arte gráfica das capas e encartes dos LPs originais, sem acréscimo de faixas-bônus e sem textos que contextualizem os álbuns na discografia de Moraes e na MPB, a caixa tem valor documental e musical. Até porque revitaliza uma obra que plantou as sementes do elétrico som pop baiano que iria germinar nos anos 1980, gerando a carnavalesca música rotulada como axé music, gênero cuja pré-história passa pela discografia deste baiano de Ituaçu batizado Antonio Carlos Moreira Pires. Moraes Moreira (1975), Cara e coração (1977), Alto falante (1978) e Lá vem o Brasil descendo a ladeira (1979) são álbuns de tons distintos, mas que dialogam entre si. Até pelo fato de os três primeiros terem sido gravados com os músicos - Armandinho Macedo (bandolim, guitarra e guitarra baiana), Dadi Carvalho (baixo), Mu Carvalho (piano) e Gustavo Schroeter (bateria) - que formariam A Cor do Som, grupo nascido do espírito comunitário dos Novos Baianos. O primeiro, Moraes Moreira (1975), já tinha sido editado em CD no Japão, mas era inédito no Brasil no formato. É um disco de clima roqueiro, novo baiano, cujo repertório - não tão inspirado quanto o cancioneiro posterior do compositor - inclui sobras da parceria de Moraes com Galvão (Chinelo do meu avô e Anda, Nega). Alinhada com o espírito do disco, a regravação do rock Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) sobressai em repertório que destacou a música Guitarra baiana (Moraes Moreira), propagada na trilha sonora da novela Gabriela (TV Globo, 1975) em registro diferente. Outra novela global, Sem lenço, sem documento (1977), traria o primeiro grande hit de Moraes em sua carreira solo, Pombo correio, versão com letra (escrita por Moraes) do tema instrumental Double morse, da pioneira dupla baiana Dodô e Osmar. Moraes Moreira começava a eletrificar o som dos trios. Pombo correio figura no repertório do segundo álbum da caixa, Cara e coração (1977), disco mais voltado para o samba, sem pegada roqueira, que já havia merecido paupérrima edição em CD pela Som Livre nos anos 1990. Um desses sambas, Às 3 da manhã, é da lavra do compositor fluminense Herivelto Martins (1912 - 1992). Detalhe: outro samba, O que é... o que é..., composto por Moraes, abre o disco com título similar ao samba que seria lançado em 1982 com sucesso pelo compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991), o Gonzaguinha. Na sequência, o ótimo álbum Alto falante (1978) reverberou a nascente parceria de Moraes com o poeta cearense Fausto Nilo, parceiro do baiano em seis das 12 músicas do disco. Até então inédito no formato de CD, Alto falante é o álbum que também apresenta a parceria de Moraes com outro poeta compositor, o fluminense Abel Silva, coautor de Espírito esportivo. Com Fausto Nilo e Abel Silva, Moraes iria compor grandes hits ao longo dos anos de 1980, década de maturação já evidenciada no quarto e melhor título da caixa, Lá vem o Brasil descendo a ladeira (1979), disco carnavalesco que destacou o samba que lhe dá título - composto por Moraes com Pepeu - e Chão da praça, parceria com Fausto Nilo. Com repertório primoroso, que inclui joias como Pelas Capitais (parceria de Moraes com Jorge Mautner), Lá vem o Brasil descendo a ladeira - título já disponibilizado em CD em reedição remasterizada produzida com apuro por Charles Gavin em 2006 - amplificou o elétrico som solo de Moraes Moreira, cantor e compositor que soube subir a ladeira, abrindo habilmente caminho para a folia fonográfica da década de 1980.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Machete dá voz a Dussek, Mautner, Moraes e Ro Ro no álbum 'Souvenir'

Parceria de Jorge Mautner com Rubinho Jacobina, Ba be bi bo bu é uma das músicas do quinto CD de Silvia Machete, Souvenir, cujo lançamento está programado para abril de 2014 pela gravadora Coqueiro Verde Records. Terceiro álbum gravado em estúdio pela ótima cantora e compositora carioca, Souvenir foi formatado entre Rio de Janeiro (RJ) e Nova York (EUA) com a adesão de músicos convidados como Alberto Continentino (no baixo), Pedro Sá (no violão), Moraes Moreira (no violão) e Davi Moraes (na guitarra). Moraes forneceu a inédita Nada para o repertório, que inclui regravação do Tango da bronquite (Ângela Ro Ro, 1980). Entre as inéditas, há Totalmente tcha tcha tcha (da lavra do cantor e compositor carioca Eduardo Dussek) e Dois cachorros (música de autoria da própria Silvia Machete). Já a versão subversiva de Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973) - apresentada em vídeo posto em rotação na internet neste mês de fevereiro - (ainda) não tem sua inclusão confirmada no disco.

sábado, 21 de setembro de 2013

Roberta dá rolê pelo 'Rock in Rio' para evocar Baby com Moraes e Pepeu

Resenha de show - Rock in Rio 2013
Título: Moraes Moreira + Pepeu Gomes + Roberta Sá
Artistas: Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Roberta Sá
Local: Palco Sunset - Cidade do Rock (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 21 de setembro de 2013
Foto: Divulgação Rock in Rio 2013 / Estácio Jonathan Bramussi
Cotação: * * *  

Em 2006, Roberta Sá se juntou com Pedro Luís e a Parede para gravar Dê um rolê (Moraes Moreira e Galvão, 1971) para a trilha sonora do filme Zuzu Angel (Brasil, 2006) em registro endurecido, sem o frescor que caracteriza o canto da artista potiguar . Sete anos depois, a cantora - cada vez mais desenvolta no palco - mostrou sua evolução ao cantar a mesma Dê um rolê no Palco Sunset do Rock in Rio 2013. O contexto foi bem especial. Roberta foi a convidada do show em que Moraes Moreira e Pepeu Gomes se reuniram para reviver sua produção autoral, sobretudo músicas do repertório do grupo Novos Baianos. A camisa vestida por Roberta - estampada com o rosto de Baby do Brasil - foi o recado sutil de que Novos Baianos sem Baby não é Novos Baianos, por mais que o suingue sangue bom do grupo pop tropicalista soe sempre irresistível. A participação de Roberta começou muito bem. Com jovialidade, a cantora fez dois solos vocais - em Dê um rolê e em Tinindo trincando (Moraes Moreira e Galvão, 1972), música associada a Baby e cantada por Roberta com especial vivacidade - que justificaram a expectativa em torno de sua participação no show. Feitos os dois solos, contudo, Roberta virou quase uma backing vocal de luxo de Moraes e Pepeu - cujas vozes, aliás, já se mostram desgastadas pelos efeitos do tempo. Tanto que, após uma Preta pretinha (Moraes Moreira e Galvão, 1972) levada muito mais pelo público do que pelos três cantores, Roberta esteve bastante dispersa em Eu também quero beijar (Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Fausto Nilo, 1981), sucesso da carreira solo de Pepeu. Aliás, a lembrança de outra música da discografia individual de Pepeu, Um raio laser (Baby do Brasil e Pepeu Gomes, 1982), resultou morna e dispensável, pois o show esquentou mesmo foi com os sucessos dos Novos Baianos, caso de A menina dança (Moraes Moreira e Galvão, 1972), outro número turbinado com o coro popular. Por mais que as vozes de Moraes e Pepeu já tenham perdido o viço, a parte musical do show se mostrou azeitada - o que justificou o revival do tema instrumental Um bilhete para Didi (Jorginho Gomes, 1972) e, em menor grau, o tributo a Jorge Mautner e a Nelson Jacobina (1954 - 2012) com o toque instrumental, sob o comando da afiada guitarra de Davi Moraes, de Maracatu atômico (1973), o maior sucesso da parceria de Mautner com Jacobina. Os solos hendrixianos da guitarra de Pepeu continuam incendiários. No fim, com Roberta Sá já de volta ao Palco Sunset, o samba Brasil pandeiro (Assis Valente, 1940) - rejeitado por Carmen Miranda (1909 - 1955), lançado com sucesso pelo grupo Anjos do Inferno e, 42 anos depois, novamente popularizado pelos Novos Baianos com o sagaz registro que abre o clássico álbum Acabou chorare (1972) - encerrou o show que exaltou o legado de uma gente bronzeada, pop e tropicalista que mostrou todo o seu (inestimável) valor em 1972.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

24º Prêmio da Música atesta duplamente vigor de Bosco, Moraes e Zélia

João Bosco (foto), Moraes Moreira e Zélia Duncan foram alguns dos principais vencedores da 24ª edição do Prêmio da Música Brasileira em noite de gala que lotou o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ), em 12 de junho de 2013. Bosco, Moraes e Zélia ganharam dois troféus na cerimônia apresentada pela cantora com Adriana Calcanhotto. Bosco concentrou os prêmios da categoria MPB por conta de seu retrospectivo CD/DVD 40 anos depois. Moraes teve reconhecido o vigor da safra de inéditas autorais de seu álbum A revolta dos ritmos, destaque da categoria Regional. Já Zélia Duncan foi eleita a melhor cantora da abrangente categoria Pop/rock/reggae/hip hop/funk por conta do CD Tudo esclarecido - Zélia Duncan canta Itamar Assumpção, eleito o melhor álbum do segmento. Aos 82 anos, Cauby Peixoto também se destacou na premiação, levando dois troféus, os de Melhor Cantor e Melhor Álbum (Minha serenata), na categoria Canção Popular. Único indicado nas categorias Arranjador e Projeto Especial por conta de três discos distintos, Mario Adnet foi obvia e inevitavelmente também um duplo vencedor, contemplado em ambas as categorias por conta do disco Vinicius & os maestros. Em premiação pontuada pela homenagem a Tom Jobim, mote do evento orquestrado pelo empresário José Maurício Machline (criador do Prêmio da Música Brasileira), a única vitória questionável foi a de Rodrigo Campos, contemplado como Revelação por seu segundo disco, Bahia fantástica. Afinal, o cantor e compositor paulista já tinha sido revelado há quatro anos com seu primeiro incensado álbum, São Mateus não é um lugar assim tão longe (2009). Eis (todos) os vencedores do 24º Prêmio da Música Brasileira:

Categoria MPB
Álbum: 40 anos depois - João Bosco
Cantor: João Bosco, pelo CD/DVD 40 anos depois
Cantora: Maria Bethânia, pelo CD Oásis de Bethânia
Grupo: Orquestra Imperial, pelo CD Fazendo as pazes com o swing

Categoria Pop / rock / reggae / hip hop / funk
Álbum: Tudo esclarecido - Zélia Duncan canta Itamar Assumpção
Cantor: Caetano Veloso, pelo disco Abraçaço
Cantora: Zélia Duncan, por Tudo esclarecido
Grupo: Titãs, pelo CD/DVD Cabeça dinossauro ao vivo 2012

Categoria Samba
Álbum: O samba da mais alta patente - Nelson Sargento
Cantor: Monarco, pelo CD A soberania do samba
Cantora: Alcione, pelo CD/DVD Duas faces - Ao vivo na Mangueira
Grupo: Quinteto em Branco e Preto, pelo CD Quinteto

Categoria Regional
Álbum: A revolta dos ritmos - Moraes Moreira
Cantor: Moraes Moreira, pelo CD A revolta dos ritmos
Cantora: Elba Ramalho, pelo álbum Vambora lá dançar
Dupla: Kleuton e Karen, pelo CD A viola permanece
Grupo: Orquestra Popular da Bomba do Hermetério, pelo CD Cabeça no mundo

Categoria Canção Popular
Álbum: Minha serenata - Cauby Peixoto
Cantor: Cauby Peixoto, pelo CD Minha serenata
Cantora: Ivete Sangalo, pelo CD Real fantasia
Dupla: Victor & Leo, pelo CD/DVD Ao vivo em Floripa
Grupo: Banda Eva, pelo álbum duplo Conexão nagô / Rede tambor

Categoria Instrumental:
Álbum: Villa-Lobos superstar - Pau Brasil
Solista: Raul de Souza, pelo CD O universo musical de Raul de Souza
Grupo: Pau Brasil, pelo álbum Villa-Lobos superstar

Álbum projeto especial: Vinicius & os maestros - Mario Adnet

Álbum infantil: Par ou ímpar ao vivo - Kleiton & Kledir + Grupo Throll

Álbum eletrônico: Peregrino - Projeto CCOMA

Álbum erudito: Villa-Lobos & Friends - Nelson Freire

Álbum em língua estrangeira: Blubell & Black Tie - Blubell & Black Tie

Melhor canção: Carta de amor (Paulo César Pinheiro e Maria Bethânia)

Revelação: Rodrigo Campos, pelo CD Bahia fantástica

DVD: Alma lírica brasileira - Mônica Salmaso

Arranjador: Mario Adnet, por Vinicius & os maestros

Projeto visual: Fernando Young e Quinta-Feira, pela direção de arte do CD Abraçaço

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Paulo Neto sintoniza canção popular romântica de Moraes em CD-single

Em 1986, Moraes Moreira flertou (com inspiração) com a canção popular romântica ao compor Sintonia em parceria com Zeca Barreto e Fred Goés. Sucesso radiofônico de Mestiço É Isso, álbum lançado pelo cantor e compositor baiano naquele ano de 1986, Sintonia ganha registro cool e estiloso de Paulo Neto. Produzida por Thiago Marques Luiz, a gravação integra o single Dois Animais na Selva Suja da Rua, lançado somente em edição promocional pelo cantor pernambucano como extensão do álbum homônimo que Neto pôs no mercado indie no primeiro semestre deste ano de 2012. Além de Sintonia, o single toca o frevo São João do Carneirinho, da lavra da compositora pernambucana Isabela Moraes. Feitas com as guitarras de Joan Barros, o baixo de Ricardinho Paraíso e a bateria de Davi Gomes, as duas gravações adicionais são inéditas e não figuram no repertório do segundo (independente) álbum de Neto. 

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Moraes revela existência de inéditos registros ao vivo do Novos Baianos

Em entrevista à edição 673 da revista Isto É Gente, o cantor e compositor Moraes Moreira - visto em foto de Márcio Almeida - revela a existência de inéditos registros ao vivo de shows do grupo Novos Baianos. De boa qualidade técnica, os áudios são de shows feitos pelo grupo na época dos lançamentos de seus dois primeiros álbuns, Ferro na Boneca (1970) e Acabou Chorare (1972). Contudo, somente um acordo entre todos os integrantes da formação clássica dos Novos Baianos poderia viabilizar a eventual edição destas importantes gravações em disco. 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Moreira sobe ladeira com vigor da safra diversa d'A Revolta dos Ritmos'

Resenha de CD
Título: A Revolta dos Ritmos
Artista: Moreira Moreira
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * * 1/2

Enquanto a industrializada axé music desce ladeira, Moraes Moreira - cuja obra solo é uma das bases da carnavalizante música da Bahia - eleva sua cotação no mercado fonográfico com a inspirada safra autoral de A Revolta dos Ritmos. O primeiro álbum de inéditas do compositor baiano desde De Repente (2005) é pautado pela diversidade rítmica - conceito sinalizado já na arte gráfica do CD ora posto nas lojas pela gravadora Biscoito Fino - com ligeira ênfase na cadência bonita do samba, condutora de faixas como a música-título A Revolta dos Ritmos (Moraes Moreira) e de Feito Jorge Ser Amado (Moraes Moreira e Fred Góes). Este bom samba enreda na letra personagens do autor de Gabriela Cravo e Canela para festejar o centenário de nascimento do escritor Jorge Amado (1912 - 2011), cuja obra está impregnada da mesma baianidade contida na brasilidade do repertório de Moraes. Sustentado pelos tambores percutidos por Jonga Cunha, Malvado e Walface, o galope Raças e Religiões (Moraes Moreira e Fred Góes) tem a vivacidade vibrante que já escasseia no axé atual enquanto Que Nem Mandacaru (Moraes Moreira) evolui no compasso do caboclinho, ritmo de Pernambuco, Estado carnavalizante que já dividiu forças com a Bahia na Nação nordestina exaltada no xote Nós Somos Sim Paraíba (Moraes Moreira). Mesmo sentenciando que o Nordeste é a alma do Brasil, Moreira se banha nas águas plácidas da carioca Bossa Nova em Brasileira Academia (Moraes Moreira) - tema gravado com cordas orquestradas pelo maestro Vittor Santos - e se deixa levar pelas quebradas igualmente cariocas dos breques do samba Cuidado Moreira (Moraes Moreira). Faixa que abre o disco, Cuidado Moreira é aditivado com um rap / repente que, de certa forma, dialoga com o canto falado da primeira parte de A Dor e o Poeta (Moraes Moreira), valsa em que o compositor romantiza o ato da criação. Quase déjà vu, a abolerada canção No iPod do Meu Coração (Moraes Moreira) traça o itinerário sentimental seguido eventualmente pelo cantor e compositor, cuja voz - já sem o viço de Carnavais passados - soa bem tratada em estúdio. Sem sair do (seu) tom, Moreira exalta a vida nas rimas bem urdidas de Meu Coração Tá Bombando (Moraes Moreira) - faixa temperada com dengo nordestino de sabor pop - e expõe com acidez sua indignação com os rumos do Brasil na cantoria interiorana de O Brasil Não Tá Pronto (Moraes Moreira). A viola chora no ritmo sertanejo pela consciência de que ainda falta maturidade ao País. Mas, na sequência, o frevo arrasta-povo A Praça, O Povo e o Poeta devolve a alegria a este disco escorado nas cordas - no caso do frevo, turbinado com as guitarras de Davi Moraes - e arremata com maestria A Revolta dos Ritmos. Com este revigorante CD que sintetiza sua obra carnavalizante, Moraes Moreira sobe (de novo) a ladeira.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

'Ensaios' de Melodia, Milton com Tiso e Moraes & Pepeu chegam ao DVD

A Warner Music começa a investir na edição de DVDs que registram edições do programa Ensaio, comandado por Fernando Faro na TV Cultura. De início, a gravadora está pondo nas lojas três títulos da série, editados em DVD sob a produção de Luiz Pereira. Gravado em 1993, o Ensaio de Luiz Melodia flagra o cantor e compositor carioca ainda em evidência por conta do sucesso de sua gravação de Codinome Beija-Flor (Cazuza, Reinaldo Arias e Ezequiel Neves), propagada na trilha sonora da novela O Dono do Mundo (TV Globo, 1991). O Poeta do Estácio recorda a primeira música que cantou na televisão - Rosita (Francisco Lara e Jovenil Santos), gravada por Roberto Carlos no LP Roberto Carlos Canta para a Juventude (1965) - e revive os sucessos que emplacou nos anos 70 entre reminiscências da infância e saudação a Gal Costa, a quem chama de Madrinha pelo fato de a cantora ter projetado a obra de Melodia ao cantar Pérola Negra no show Fa-Tal Gal a Todo Vapor (1971). Já o Ensaio de Milton Nascimento & Wagner Tiso exibe programa de 1995, ano que Milton lançou Amigo, disco ao vivo editado pela Warner Music. Dividindo a cena com o maestro que encorpou seu cancioneiro, sobretudo na década de 70, Milton revê seus passos iniciais na música, conta causos e ressalta a influência de Tom Jobim (1927 - 1994) em sua vida e obra, cantando Eu Sei que Vou te Amar (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Por Causa de Você (Tom Jobim e Dolores Duran). Histórias também é o que não falta no Ensaio gravado por Moraes Moreira com Pepeu Gomes em 1990. Os compositores baianos haviam se aproximado na época para gravar o disco Moraes & Pepeu, editado naquele ano de 1990 pela Warner Music.  Mas o que predomina no bate-papo e no roteiro musical são histórias e temas do repertório do grupo Novos Baianos, integrado por Moraes e Pepeu de 1969 até meados dos anos 70. A dupla aborda o samba-exaltação Aquarela do Brasil (Ary Barroso) e o rock Se Você Pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) no programa.

domingo, 29 de janeiro de 2012

'Feito Jorge Ser Amado' anuncia 'A Revolta dos Ritmos', disco de Moraes

Parceria de Moraes Moreira com Fred Góes, o samba Feito Jorge Ser Amado - composto em homenagem ao centenário de nascimento do escritor baiano Jorge Amado (1912 - 2001) - já pode ser ouvido na internet, pelo portal SoundCloud, em gravação de Moraes. O samba faz parte do álbum de inéditas A Revolta dos Ritmos, a ser lançado pelo artista neste ano de 2012 com distribuição da gravadora Biscoito Fino. Inspirado nos ritmos e sabores da Bahia, terra natal de Moraes, o disco vai apresentar 13 músicas inéditas do compositor, revelado em 1969.