Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sexta-feira, 18 de março de 2016

Machete reforça, no Rio, o tempero feminino do show de Manuela Rodrigues

♪ Disco uterino, inspirado pela chegada da maternidade na vida de Manuela Rodrigues, Se a canção mudasse tudo (Independente, 2016) gerou show de tom feminino cuja turnê nacional - patrocinada pelo projeto Natura musical - chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 17 de março de 2016, em apresentação no teatro do Solar de Botafogo. A presença da cantora carioca Silvia Machete - como convidada do primeiro show da cantora e compositora baiana no Rio - acentuou o tempero feminino da apresentação na qual Manuela ocupou o palco do Solar de Botafogo com a azeitada banda formada por Gustavo Di Dalva (percussão), Jelber Oliveira (teclados e acordeom), Júlio Caldas (guitarra e cavaquinho), Lalo Batera (bateria) e Son Melo (baixo). Além de bisar o dueto feito com Manuela no terceiro álbum da artista, Amor de carne e de osso (Manuela Rodrigues, 2016), Machete cantou com a colega baiana um sucesso de lavra própria, Simplesmente mulher (Silvia Machete, 2008). Eis o roteiro autoral seguido por Manuela Rodrigues - com Silvia Machete na foto de  Rodrigo Goffredo  -  na estreia carioca do show  Se a canção mudasse tudo:

1. Vai que eu desembeste (Romulo Fróes e Clima, 2016)
2. Lista (Manuela Rodrigues, 2016)
3. Rede social (Manuela Rodrigues, 2016)
4. Bagagem (Manuela Rodrigues, 2016)
5. Desejo e batuque (Manuela Rodrigues e Lara Belov, 2016)
6. Ventre (Manuela Rodrigues, 2016)
7. Qualquer porto (Manuela Rodrigues, 2016)
8. Profissional liberal (Manuela Rodrigues, 2011)
9. Ôxe, ôxe, ôxe! (Manuela Rodrigues e Álvaro Lemos, 2016)
10. Uma outra qualquer por aí (Romulo Fróes e Clima, 2011)
11. Amor de carne e osso (Manuela Rodrigues, 2016) - com Silvia Machete
12. Simplesmente mulher (Silvia Machete, 2008) - com Silvia Machete
13. Marcha do renascimento (Manuela Rodrigues, 2016)
14. Nenhum homem é uma ilha (Manuela Rodrigues e João Cavalcanti, 2016)
15. Barraqueira (Manuela Rodrigues, 2007)
16. Extra II (O rock do segurança) (Gilberto Gil, 1984)
Bis:
17. Bagagem (Manuela Rodrigues, 2016)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Musical 'Mondo Machete' segue a rota viajante de shows anteriores de Silvia

Resenha de musical
Título: Mondo Machete
Texto: Filipe Miguez
Direção: Cesar Augusto
Direção musical: Fabiano Krieger
Elenco: Silvia Machete (em foto de Cristina Granato), Fabiano Lacombe e Thadeu Matos
Cotação: * * 1/2
♪ Espetáculo em cartaz no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro (RJ), de quinta-feira a
  domingo, até 1º de novembro de 2015

♪ Musical estrelado pela cantora carioca Silvia Machete, em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) até 1º de novembro de 2015, Mondo Machete segue rota extravagante já percorrida pela artista em shows anteriores. Mas o texto de Filipe Miguez é original e conta a história viajante de uma estrela pop brasileira de fama internacional que acaba enredada em trama de espionagem que envolve a CIA. Exposto em cena de forma basicamente narrativa, na voz da própria Silvia Machete, o enredo é pretexto para cenas em países como Estados Unidos, México, Cuba e França. A propósito, o pic nic armado em Paris soa déjà vu para quem assistiu ao show anterior da cantora, Souvenir (2014). A sensação de déjà vu é amplificada pelo fato de o roteiro musical - seguido por Silvia na companhia da banda Carecas do Saber - ser quase uma colagem de composições já interpretadas pela (ótima) cantora em shows anteriores. Há uma ou outra novidade, como Agito e uso (Angela Ro Ro, 1979), endiabrada música que a personagem protagonista da trama interpreta quando está presa nos Estados Unidos. Mas não a ponto de tornar Mondo Machete uma experiência musicalmente inédita para quem acompanha a trajetória de Silvia nos palcos. A viagem teatralizada inclui escalas que possibilitam à artista mostrar suas habilidades circenses, refazendo as habituais cenas no bambolê e no trapézio, este utilizado no número final em que a cantora dá sua bela voz à música portuguesa intitulada Trapézio (Jorge de Palma, 2001). Dentro das sutis novidades do roteiro musical, a canção La paloma (1863) - tema do compositor espanhol Sebastián Yradier (1809 - 1865) que atravessa séculos sem sair do imaginário coletivo mundial - sobrevoa o enredo do musical, sendo ouvida até em versão em inglês (escrita por Don Robertson e Hal Blair) na voz do ator Fabiano Lacombe, intérprete também de Hound dog (Jerry Leiber e Mike Stoller, 1953). Aliás, algumas interações de Machete com os atores Fabiano Lacombe e Thadeu Matos - hábeis ao se desdobrarem em várias personagens ao longo da encenação do enredo - são interessantes porque Mondo Machete reproduz em algumas cenas o humor espirituoso de Silvia. A questão é que, como roteiro musical já é bastante conhecido na voz da artista por conta da inclusão de músicas como Toda bêbada canta (Silvia Machete, 2006) e Sucesso, aqui vou eu (Rita Lee e Arnaldo Baptista, 1970), Mondo Machete somente reproduz de forma mais teatralizada a estética dos shows da cantora. E, quando há oportunidade de mostrar todo seu talento vocal, ao cantar uma música como Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006), Machete vai menos fundo do que poderia, envolvida pela atmosfera de leveza do musical dirigido por Cesar Augusto. Enfim, Silvia Machete é uma excelente cantora. Mas já passa da hora de fazer um show sem humor e sem armar o circo para que a voz da cantora seja a protagonista de seu mundo musical, assumindo o lugar atualmente ocupado pela irreverência da artista. Silvia Machete tem voz. Falta é coragem para desbravar um novo mundo...

domingo, 30 de agosto de 2015

Manuela Rodrigues recria rock de Gil e canta com Machete no terceiro álbum

♪ Depois de retiro necessário para parir, amamentar e acalentar seu primeiro filho, a cantora e compositora baiana Manuela Rodrigues volta à cena e se prepara para lançar, em novembro de 2015, seu terceiro álbum, Se a canção mudasse tudo, sucessor de Uma outra qualquer por aí (Garimpo Música, 2011), um dos melhores discos brasileiros de 2011. Gravado com patrocínio obtido no projeto Natura musical, o disco Se a canção mudasse tudo tem repertório basicamente autoral, como a artista já havia sinalizado há dois anos ao lançar no iTunes, em agosto de 2013, Ôxe, ôxe, ôxe! (Manuela Rodrigues e Álvaro Lemos), a primeira música do disco formatado por um time de produtores que inclui André T, Gustavo Di Dalva, Luciano Salvador Bahia, João Milet Meirelles (autor da foto que ilustra este post) e Tadeu Mascarenhas. A cantora carioca Silvia Machete figura numa das onze músicas da lavra de Manuela, Amor de carne e de osso. Também convidado do disco, João Cavalcanti dá voz à parceria sua com a artista, Nenhum homem é uma ilha. Embora o repertório seja essencialmente autoral, a cantora regrava Extra II (O rock do segurança) - música de seu conterrâneo Gilberto Gil, lançada pelo cantor e compositor baiano no álbum Raça humana (Warner Music, 1984) - e apresenta parceria inédita dos compositores paulistanos Clima e Romulo Fróes, Vai que eu desembeste. Já Risos é de autoria de Ronei Jorge, mentor da banda baiana Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta. Manuela Rodrigues assina a direção artística do disco, mixado por André T no estúdio T, em Salvador (BA), e masterizado por Carlos Freitas no estúdio Magic Master, em São Paulo (SP). Eis, na ordem do CD independente, as 14 músicas e respectivos compositores, produtores e convidados do álbum Se a canção mudasse tudo:

1. Lista (Manuela Rodrigues) - Produção de Tadeu Mascarenhas
2. Bagagem (Manuela Rodrigues) - Produção de Gustavo di Dalva
3. Amor de carne e de osso (Manuela Rodrigues) - Produção de Gustavo Di Dalva

    - com Silvia Machete
4. Rede social (Manuela Rodrigues) - Produção de Luciano Salvador Bahia
5. Desejo batuque (Manuela Rodrigues e Lara Belov) - Produção de André T
6. Qualquer porto (Manuela Rodrigues) - Produção de Tadeu Mascarenhas
    - com Nicolas Krassik
7. Ventre (Manuela Rodrigues) - Produção de Tadeu Mascarenhas e João Milet Meirelles
8. Vai que eu desembeste (Romulo Fróes e Clima) - Produção de João Milet Meirelles
9. Extra II (O rock do segurança) (Gilberto Gil, 1984) - Produção de Tadeu Mascarenhas
10. Marcha do renascimento (Manuela Rodrigues) Produção de André T
11. Risos (Ronei Jorge) - Produção de André T
12. Ôxe, ôxe, ôxe! (Manuela Rodrigues e Álvaro Lemos) - Produção de Manuela Rodrigues e 
      Tadeu Mascarenhas
13. Nenhum homem é uma ilha (Manuela Rodrigues e João Cavalcanti) - Produção de Gustavo
      Di Dalva -com João Cavalcanti
14. Lista 2 (Manuela Rodrigues) - Produção de João Milet Meirelles

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

'Chocante' cruza, no Rio, o humor de Machete com a irreverência de Dussek

♪ A IMAGEM DO SOM - A foto de Rodrigo Goffredo flagra Silvia Machete forjando ares de diva ao lado de Eduardo Dussek no palco em forma de arena do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). O número faz parte de Chocante, show que promove o bem-humorado encontro dos irreverentes cantores e compositores cariocas. Após passagem pela cidade de São Paulo (SP), o projeto - que reedita números de shows anteriores da cantora entre duetos inéditos feitos com Dussek (com o repertório antigo do cantor) - chegou à cidade natal dos artistas na noite de 2 de dezembro de 2014. Parceria de Dussek com Luiz Carlos Góes (1944 - 2014), a música que batiza o show - Chocante, lançada por Dussek em seu primeiro álbum, Olhar brasileiro (Polydor, 1981) - foi veículo para histriônico e teatralizado número feito em dupla. Sozinha, Machete cantou no início Totalmente tcha tcha tcha, graciosa música inédita que ganhou de Dussek para seu álbum Souvenir (Coqueiro Verde Records, 2014). Em sua primeira entrada em cena, Dussek criou com Machete e a banda Carecas do Saber um clima de cabaré para apresentar Cantando no banheiro (Eduardo Dussek), música que deu nome em 1982 ao segundo álbum do cantor. Na sequência, a canção Cabelos negros (Eduardo Dussek e Luiz Antônio de Cássio) - do mesmo disco de 1982 - foi apresentada como "o lado romântico" de Dussek. Na sua segunda entrada em cena, o artista solou Rock da cachorra (Leo Jaime) - outro hit de seu emblemático segundo álbum - e cantou com Machete Aventura (Eduardo Dussek e Luiz Carlos Góes), balada pop romântica de seu quarto álbum, Dusek na sua (Polydor, 1986). No bis, Barrados no baile (Eduardo Dussek e Luiz Carlos Góes), outro sucesso do álbum de 1982, encerrou Chocante em alto astral, com o humor da dupla, pautado pela irreverência espirituosa em show com música e verve.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Show 'Souvenir' é uma viagem particular pela música espirituosa de Machete

Resenha de show
Título: Souvenir
Artista: Silvia Machete (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 27 de maio de 2014
Cotação: * * * 

♪ Souvenir - o show que Silvia Machete estreou ontem no Rio de Janeiro (RJ) com base no seu homônimo quinto CD, lançado esta semana via Coqueiro Verde Records - é uma viagem. É uma viagem pelo fato de o roteiro traçar rota que começa por Cuba - com o Mambo nº 5 (Pérez Prado, 1949) usado como trilha instrumental para a performática entrada em cena da cantora carioca - e que passa por Brasil, Estados Unidos, França e Portugal. Mas é uma viagem também porque o roteiro inclui diálogos e ações teatrais que esboçam narrativa nem sempre (totalmente) inteligível para o público - casos do piquenique armado na chegada em Paris e, sobretudo, do diálogo sobre música boa travado em Nova York (EUA) entre cidadão norte-americano (representado pela capa de álbum clássico do cantor Billy Paul, 360 degrees of Billy Paul, de 1972) e turista brasileira (representada por capa de um dos álbuns mais fracos da cantora Simone, Sedução, de 1988). Emoldurada por cenário formado por múltiplas imagens de envelopes, Machete usa sucessivos figurinos - todos adequados à estética burlesca do espetáculo - e elementos cênicos para armar o circo com humor mordaz. Musicalmente, Souvenir é show azeitado que expõe a beleza da voz cristalina da cantora, uma das melhores de sua geração, (ainda) não valorizada na medida do seu talento vocal talvez justamente por se recusar a fazer shows caretas. Nesse sentido, Totalmente tcha tcha tcha - inédita de Eduardo Dussek, cuja presença na plateia do Theatro Net Rio foi saudada por Machete - se ajusta perfeitamente ao tom abusado da cantora. Parceria também inédita de Jorge Mautner com Rubinho Jacobina, Ba be bi bo bu brinca com ditados e frases feitas com leveza e com graça que ecoa o universo carnavalesco das marchinhas de Lamartine Babo (1904 - 1963). Já o Tango da bronquite evolui sedutor em cena, mesmo sem a presença de sua compositora Ângela Ro Ro (convidada da regravação de sua música no recém-lançado disco Souvenir). O arranjo tenta reproduzir o clima de fanfarra da gravação de estúdio, mas, em vez dos metais, quem mais sobressai no arranjo do show é a guitarra de Fabiano Krieger, tocada dentro do espírito fanfarrão do número. Marco inicial da chegada em Nova York (EUA), a límpida interpretação da canção em inglês 2 hot 2 b romantic - composta por Machete e lançada pela autora no seu primeiro CD, Bomb of love (Independente 2006) - é a prova de que, se quisesse, Machete poderia assumir a personagem da cantora virtuosa e previsível como a performática abordagem de O baixo (Silvia Machete, 2010), herança do anterior show Extravaganza (2010), dispensável, posto que déjà vu. A surpresa reside na entrada em cena de um piano de cauda, usado por Murilo de Andrade na interpretação minimalista da canção História de um início (Arthur Dutra, 2014), veículo para a exposição do cristal fino que Machete embute na garganta privilegiada. Pérola pós-tropicalista do próximo álbum de Rubinho Jacobina (com lançamento já programado para o segundo semestre de 2014 pela gravadora Joia Moderna), Ringard é iguaria saborosa do piquenique feito em Paris e que culmina com a interpretação sem dramaticidade, mas progressivamente intensa, de Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michel Vaucaire, 1956), o hit-epitáfio da cantora francesa Edith Piaf (1915 - 1963). Marcando a passagem para Lisboa, cidade citada na letra, Sábado e domingo (Domenico Lancellotti e Alberto Continentino, 2010) reitera seu caráter sedutor momentos antes de o baterista João di Sabbato cantar trecho de fado. É a senha para a abordagem de Espetáculo (1979), tema do compositor português Sérgio Godinho que surte efeito bem reduzido no show. Trapézio (2001) - música de outro veterano compositor lusitano, Jorge de Palma - está mais (literalmente) dentro do espírito circense da obra de Silvia Machete, que se auto-perfila no bis ao dar voz à marcha-frevo Nada, composta pelo eterno novo baiano Moraes Moreira para esta artista carioca cheia de verve. O show Souvenir lembra o tempo todo que, por trás do circo armado em cada escala da viagem, há uma cantora com voz.  Musicalmente, a viagem é boa.

Machete põe hit-epitáfio de Piaf no roteiro da viagem de seu show 'Souvenir'

♪ Canção que virou espécie de epitáfio da vida e obra de Edith Piaf (1915 - 1963) ao ser gravada pela cantora francesa em 1960, três anos antes de sua saída de cena, Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michel Vaucaire, 1956) ganha a voz de Silvia Machete  no show Souvenir. O hit de Piaf está incluído pela cantora carioca no roteiro da viagem proposta em Souvenir, show que estreou ontem no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), com base no homônimo disco lançado esta semana pela artista via Coqueiro Verde Records. Non, je ne regrette rien é cantada - em tons leves que ganham intensidade ao fim do número - na passagem por Paris, escala de uma rota planetária que começa por Cuba, representada no roteiro por versão instrumental do Mambo nº 5 (Pérez Prado, 1949), e que passa por Brasil, Estados Unidos, França e Portugal. Eis o roteiro da viagem particular feita por Silvia Machete - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia nacional de seu show Souvenir, em 27 de maio de 2014, no Theatro Net Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ):

1. Mambo nº 5 (Pérez Prado, 1949) - número instrumental
2. Totalmente tcha tcha tcha (Eduardo Dussek, 2014)
3. Ba be bi bo bu (Jorge Mautner e Rubinho Jacobina, 2014)
4. Tango da bronquite (Ângela RoRo, 1980)
5. 2 hot 2 b romantic (Silvia Machete e Nick Jones, 2006)
6. O baixo (Silvia Machete, 2010)
7. História de um início (Arthur Dutra, 2014)
8. Ringard (Rubinho Jacobina, 2014)
9. 2 cachorros (Silvia Machete, 2014)
10. Non, je ne regrette rien (Charles Dumont e Michel Vaucaire, 1956)

11. Sábado e domingo (Domenico Lancellotti e Alberto Continentino, 2010)
12. Espetáculo (Serginho Godinho, 1979)
13. Trapézio (Jorge de Palma, 2001)
Bis:
14. Nada (Moraes Moreira, 2014)
15. Toda bêbada canta (Silvia Machete, 2006)

terça-feira, 27 de maio de 2014

Sem dar outro salto, Silvia Machete reitera sons e humores em 'Souvenir'

Resenha de CD
Título: Souvenir
Artista: Silvia Machete
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * *

Com o irretocável álbum Extravaganza (Coqueiro Verde Records, 2010), Silvia Machete deu salto ousado e, sem cair, subiu no conceito e na cotação do mercado fonográfico brasileiro. Extravaganza revelou que, por trás da armação do circo, havia uma boa cantora, de escolhas inteligentes. Sem arriscar outro salto, a artista carioca reitera sons, humores e intenções em seu terceiro álbum de estúdio, Souvenir, quinto título da discografia de Machete. Com dez músicas que totalizam 31 minutos, suficientes para confirmar a inteligência da cantora, Souvenir irmana regravações espirituosas e inéditas de compositores como Eduardo Dussek, Jorge Mautner, Moraes Moreira e Rubinho Jacobina. Compositor que deveria receber mais atenção de cantoras à procura de repertório, Dussek colabora com Totalmente tcha tcha tcha, música cheia de verve e autoestima, moldada para o canto de Machete. Moraes contribui com Nada, marcha-frevo que perfila a artista no tom carnavalizante que caracteriza parte do cancioneiro do compositor baiano. Mautner é parceiro de Rubinho Jacobina em Ba be bi bo bu, música animada pelo espírito lúdico que move a cantora em cena. Sozinho, Jacobina assina Ringard, delícia pós-tropicalista que cai bem na voz dessa intérprete poliglota que verte para o português do Brasil a letra de Espetáculo, música do cantor e compositor lusitano Sergio Godinho, escrita no português da Terrinha e lançada em 1979. Gravada em Souvenir com a banda Ultra Leve, Espetáculo deve crescer em cena. Leve e arejada, aliás, é a sonoridade do álbum, gravado com alguns dos melhores e mais requisitados músicos da cena contemporânea - casos do baixista Alberto Continentino, do também baixista Bruno Di Lullo, do percussionista Jam da Silva, do trombonista Marlon Sette, do guitarrista Pedro Sá e do baterista Pupillo, entre outro nomes. O latido sensual de 2 cachorros se faz ouvir sedutor por conta dessa sonoridade antenada. É a única música assinada por Machete, compositora bissexta em Souvenir. Dentre as regravações, quase todas sagazes, Tango da bronquite merece menção honrosa. O tango da cantora e compositora carioca Angela Ro Ro - lançado pela autora no álbum Só nos resta viver (Philips, 1980) - ganha clima de fanfarra no toque dos metais orquestrados por Thiago Osório. Ro Ro entra no clima, exercitando com Machete sua irreverência moleca, ponto de interseção nas obras fonográficas das artistas. Com arranjo indie que evoca a atmosfera circense por linhas e tons tortos, Trapézio põe no picadeiro música do compositor português Jorge de Palma, gravada pelo autor no álbum É proibido fumar (2001). Também fora da ordem convencional é a releitura de Tatuagem, canção composta por Chico Buarque e Ruy Guerra para a peça e disco Calabar (1973). Descolada por Machete dos registros habituais, no toque do piano do norte-americano Jason Lindner, Tatuagem vai imprimir somente em quem dissociar a música da sensualidade dramática de suas recorrentes gravações. O mesmo piano de Lindner embasa a menos envolvente História de um início, canção de Arthur Dutra também descolada do tom espirituoso de Souvenir, disco produzido pela própria Machete com Fabiano França. Enfim, mesmo sem dar outro salto qualitativo, como no álbum Extravaganza, Silvia Machete prova novamente como CD Souvenir que, mesmo quando desarma o circo, sabe se equilibrar como (boa) cantora na corda cada vez mais bamba do mercado fonográfico do Brasil.

terça-feira, 25 de março de 2014

Machete retoma gravação de CD já pronto para incluir dueto com Ro Ro

A cantora e compositora carioca Silvia Machete já tinha concluído as gravações de seu quinto álbum, Souvenir, mas voltou aos estúdios para registrar um dueto com Angela Ro Ro em Tango da bronquite. A música de Ro Ro foi lançada pela cantora e compositora carioca no seu álbum Só nos resta viver (1980), mas permanecia esquecida até ser revivida pelo cantor, compositor e guitarrista paulista Kiko Dinucci no CD Coitadinha bem feito (2013), tributo a Ro Ro produzido pelo DJ Zé Pedro para a gravadora Joia Moderna sob a direção artística de Marcus Preto. O Tango da bronquite já fazia parte do repertório original do disco Souvenir, mas até então sem a participação de Ro Ro. Souvenir será editado via Coqueiro Verde Records.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Machete conclui gravação de Souvenir com tema em francês de Rubinho

Silvia Machete concluiu esta semana no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro (RJ), a gravação de seu quinto CD, Souvenir, que tem lançamento previsto para abril de 2014 pela gravadora Coqueiro Verde Records. A última música gravada foi Ringard, inédita composição em francês de Rubinho Jacobina. A faixa foi gravada com os músicos Alberto Continentino, Marcelo Calado, Pedro Sá e Stéphane San Juan. Na foto, postada pela cantora e compositora carioca em sua página no Facebook, Machete aparece com colar no qual está escrito Ringard.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Machete dá voz a Dussek, Mautner, Moraes e Ro Ro no álbum 'Souvenir'

Parceria de Jorge Mautner com Rubinho Jacobina, Ba be bi bo bu é uma das músicas do quinto CD de Silvia Machete, Souvenir, cujo lançamento está programado para abril de 2014 pela gravadora Coqueiro Verde Records. Terceiro álbum gravado em estúdio pela ótima cantora e compositora carioca, Souvenir foi formatado entre Rio de Janeiro (RJ) e Nova York (EUA) com a adesão de músicos convidados como Alberto Continentino (no baixo), Pedro Sá (no violão), Moraes Moreira (no violão) e Davi Moraes (na guitarra). Moraes forneceu a inédita Nada para o repertório, que inclui regravação do Tango da bronquite (Ângela Ro Ro, 1980). Entre as inéditas, há Totalmente tcha tcha tcha (da lavra do cantor e compositor carioca Eduardo Dussek) e Dois cachorros (música de autoria da própria Silvia Machete). Já a versão subversiva de Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973) - apresentada em vídeo posto em rotação na internet neste mês de fevereiro - (ainda) não tem sua inclusão confirmada no disco.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Circense, Machete digere a comilança antropofágica de show multimídia

Resenha de show
Projeto: Palavras Cruzadas
Título: Brasil, é cozinhando que a gente se entende
Artistas: Silvia Machete, Carolina Bianchi e Opavivará! 
Local: Teatro do Oi Futuro Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 8 de setembro de 2013
Foto: Rodrigo Amaral
Cotação: * * *

Silvia Machete já mostrou que sabe armar o circo em cena. As atuações performáticas da cantora e compositora carioca por vezes até já embaçaram o brilho de sua voz, evidenciado de forma mais plena no álbum Extravaganza, um dos melhores discos de 2010. Por isso mesmo, Machete foi a intérprete ideal para comandar a farra gastronômica e antropofágica de Brasil, é cozinhando que a gente se entende, espetáculo que encerrou a temporada de 2013 de Palavras Cruzadas, projeto idealizado por Marcio Debellian para promover a interação entre as diversas formas de arte. Ao lado do coletivo carioca de arte Opavivará! e da atriz/diretora/ dramaturga Carolina Bianchi, Machete apresentou espetáculo que deglutiu influências do circo, do apresentador de TV Chacrinha (1917 - 1988) e do gênero do teatro carioca rotulado como besteirol em coquetel original. Com farta comida em cena, distribuída ao público ao longo do espetáculo, a trupe desenvolveu farsesco enredo calcado num plano do Governo do Brasil para empanturrar a população com o intuito de saturar o povo para diluir a força das manifestações de rua. Sete números musicais - ou oito, se contabilizada a citação incidental do Fado tropical (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973) numa das várias cenas teatrais - costuraram intervenções, monólogos (como o feito por Carolina Bianchi no papel da galinha-gorila) e inserções em vídeo no estilo TV Pirata. Ainda que o humor do texto tenha resultado por vezes pouco ou nada engraçado, o espetáculo cumpriu bem a função de entrelaçar música, teatro, vídeo e artes plásticas sem que a mistura desandasse ou perdesse o fio da meada (problema do espetáculo anterior feito por Thaís Gulin com textos desconexos do dramaturgo carioca Jô Bilac). Brasil, é cozinhando que a gente se entende foi, em essência, uma performance, uma grande farra tropicalista, uma extravaganza visual - a começar pela disposição de plantas e frutas por todo o teatro. Por mais que uma cantora estivesse no comando da ação, organizando o movimento, a música se integrou à cena sem sobrepujar as outras formas de arte. Mesmo assim, Brasil, é cozinhando que a gente se entende ofereceu a oportunidade de ver e ouvir Machete dar voz a músicas inéditas em sua bela voz como Kilário (Di Melo, 1975), Me chama que eu vou (Claudio Rabello e Torcuato Mariano, 1990) - a lambada gravada por Sidney Magal em 1990 para a abertura da novela Rainha da Sucata (TV Globo) que Machete ralentou em cena - e Portugal de navio (Arnaldo Baptista, Sergio Dias e Rita Lee, 1971), música (bem menos inspirada) do repertório anárquico do grupo paulista Os Mutantes que serviu bem ao desfecho do enredo. Caracterizados como  cozinheiros, os quatro músicos da banda - Arthur Dutra (vibrafone), Fabiano Krieger (guitarra), João de Sábato (bateria) e Thiago de Sábato (baixo) - acertaram o tempero musical da farra gastronômica por conhecer bem o som de Machete, a ponto de citarem Sábado e domingo (Domenico Lancellotti e Alberto Continentino, 2010), ótima música do último disco de estúdio da cantora, no meio da zorra tropicalista. "Viva a banda, da, da!!"

Machete deglute Magal e Mutantes na 'extravaganza' tropical de 'Palavras'

Música composta por Claudio Rabello e Torcuato Mariano para o cantor Sidney Magal surfar na onda da lambada, Me chama que eu vou (1990) ganhou a voz da cantora carioca Silvia Machete em andamento lento, sem a efervescência rítmica do registro de Magal - coincidentemente propagado novamente neste ano de 2013 por conta da reexibição da novela Rainha da sucata (TV Globo, 1990) pelo Canal Viva (a lambada era o tema de abertura da novela do escritor Silvio de Abreu). Me chama que eu vou foi uma das surpresas do roteiro do espetáculo multimídia da sexta edição do Palavras cruzadas, projeto idealizado por Marcio Debellian para entrelaçar em cena diversas formas de expressão artística. No performático espetáculo intitulado Brasil, é cozinhando que a gente se entende, apresentado no Rio de Janeiro (RJ) de 6 a 8 de setembro de 2013, Machete dividiu o palco do teatro do Oi Futuro Ipanema com o coletivo carioca de arte Opavivará! e com a atriz e dramaturga gaúcha - radicada em São Paulo (SP) - Carolina Bianchi. Além do hit de Magal, o roteiro da extravaganza tropical e gastronômica  incluiu Portugal de navio (Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee, 1971), música do quarto álbum do grupo paulista Os Mutantes, Jardim elétrico (1971), desfecho de enredo contado também através de outro tema dos tropicalistas Arnaldo Baptista e Rita Lee, Macarrão com linguiça e pimentão, música do primeiro álbum solo de Rita, Build up (1970). Eis o roteiro musical seguido pela trupe - reunida  para a performance cênica, como é praxe no projeto Palavras cruzadas - no espetáculo Brasil, é cozinhando que a gente se entende:

1. Kilário (Di Melo, 1975)
2. Macarrão com linguiça e pimentão (Rita Lee e Arnaldo Baptista, 1970)
3. Underneath the Mango Tree (Monty Norman, 1962)
4. Noite torta (Itamar Assumpção, 1993)

5. Manjar de reis (Jorge Mautner e Nelson Jacobina, 2002)
6. Me chama que eu vou (Claudio Rabello e Torcuato Mariano, 1990)
7. Fado tropical (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973) - citação
8. Portugal de navio (Arnaldo Baptista, Sergio Dias e Rita Lee, 1971)

Foto: Rodrigo Amaral

sábado, 3 de agosto de 2013

Machete aborta CD infantil e finaliza álbum em que grava tango de Ro Ro

Após abortar o projeto de disco infanto-juvenil por considera que o repertório inédito e autoral estava ficando com cara adulta, Silvia Machete partiu para a gravação de álbum de inéditas, Souvenir, o primeiro desde o irretocável Extravaganza (Coqueiro Verde Records, 2010). O repertório de Souvenir é basicamente inédito, mas inclui eventuais abordagens de temas alheios. A cantora e compositora carioca - em foto de Daryan Dornelles - dá voz ao Tango da bronquite, música de Ângela Ro Ro, lançada pela compositora no LP Só nos resta viver (1980).

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Com hit de Piaf no roteiro, Machete faz 'Extravaganza' novamente no Rio

Com direito à inclusão de sucesso de Edith Piaf (1915 - 1963) no roteiro poliglota, Non, Je Ne Regrette Rien (Charles Dumont e Michael Vaucaire, 1956), Silvia Machete fez Extravaganza mais uma vez no Rio de Janeiro (RJ). Reapresentado no teatro do Solar de Botafogo na noite de ontem, quarta-feira, 28 de novembro de 2012, o show serviu para promover o CD e o DVD Extravaganza ao Vivo, captados em maio de 2011 em São Paulo (SP) e recém-lançados pela Coqueiro Verde Records. Machete - vista em foto de Rodrigo Amaral - cantou músicas do álbum Extravaganza (2010) e intercalou os números do gracioso show com comentários nos quais exercitou seu fino e inteligente humor. A volta do show aos palcos cariocas, mais de dois anos após sua estreia em agosto de 2010, reiterou a sensação de que Extravaganza perdeu (parte de) seu poder de sedução na captação para o DVD, tendo mais graça ao vivo e a cores.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Machete realça performances no registro parcial do show 'Extravaganza'

Resenha de DVD
Título: Extravaganza ao Vivo
Artista: Silvia Machete
Gravadora: Coqueiro Verde
Cotação: * * * 

Quem for ao Solar de Botafogo na noite desta quarta-feira, 28 de novembro de 2012, assistir ao show de lançamento do segundo DVD de Silvia Machete, Extravaganza ao Vivo, vai ver uma apresentação maior do que a captada pela cantora e compositora carioca no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP), em 20 de maio de 2011. Machete optou por fazer registro parcial do show no DVD, enfatizando na seleção de 14 números o caráter performático de suas interpretações. Um dos melhores shows de 2010, Extravaganza perde parte de seu poder de sedução no vídeo, e não somente por não eternizar o show na íntegra. Mas seu pálido registro audiovisual expõe a grande evolução musical de Machete. A ótima cantora pode até armar seu circo em um ou outro número, mas a música permanece no centro da cena, soberana, sem truques. Meu Carnaval (Márcio Pombo e Silvia Machete, 2010) e Guzzy Muzzy (Jorge Mautner, 1974) evidenciam o espírito tropical(ista) da folia pop. Entre a sensualidade de O Baixo (Silvia Machete, 2010) e a lembrança de Volta por Cima (Paulo Vanzolini, 1963), Machete reanima Coração Valente, parceria com Hyldon, lançada no irretocável CD Extravaganza (2010). Trocas de figurinos e jogos de cena - feitos com espelhos no samba-canção Só Você (Mais Nada) (Paulo Soledade, 1961), boa sacada do roteiro - valorizam show de sonoridade incomum. Tanto que uma tuba (tocada pelo trombonista Thiago Osório) se impõe entre os instrumentos da banda arregimentada por Machete. A teatralidade da artista também foge dos habituais padrões cênicos. O gestual que simula o toque de uma guitarra em Curare (Bororó, 1940) - número herdado de show anterior - reitera a elegância da cena de Machete. Nos extras, o DVD exibe making of do espetáculo com triviais imagens de bastidores. Numa delas, um flagrante do setlist - com 20 músicas - sugere que Extravaganza cresce ao vivo. Em todos os sentidos...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Silvia Machete idealiza disco infanto-juvenil com músicas de sua autoria

Enquanto continua em cena com os shows que promovem seu segundo DVD, Extravaganza ao Vivo, Silvia Machete idealiza disco infanto-juvenil dirigido ao que chama de crianças maduras. Ainda um projeto sem data para sair da gaveta, o CD vai ter músicas de autoria da cantora e compositora carioca (em foto de Daryan Dornelles). Guerra de Comida, Seu Pai Disse que Eu Beijo Bem e Mamãe, Eu Vou Fazer Uma Tatuagem são títulos que já revelam o espírito do CD.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Machete lança CD e DVD com o registro ao vivo do show 'Extravaganza'

Um dos melhores discos de 2010, Extravaganza - segundo álbum de estúdio de Silvia Machete - gerou um registro ao vivo editado pela gravadora Coqueiro Verde nesta primeira quinzena de agosto de 2012. O CD e DVD Extravaganza ao Vivo perpetuam o show captado em maio de 2011 em apresentação da cantora e compositora carioca no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). O roteiro rebobina músicas como Sábado e Domingo (Domenico Lancellotti e Alberto Continentino), A Cigarra - versão de Machete para Como La Cigarra, tema de María Elena Walsh (1930 - 2011) propagado por Mercedes Sosa (1935 - 2009) - e Feminino Frágil, primeira parceria da artista com Erasmo Carlos. Fora do repertório do CD original, há Curare (Bororó).

domingo, 29 de julho de 2012

'Baião' aborda em tons contemporâneos o gênero que projetou Gonzaga

Resenha de CD
Título: 100 Anos de Gonzagão - Baião
Artistas: Vários
Gravadora: Lua Music
Cotação: * * * 

Terceiro CD do box 100 Anos de Gonzagão, tributo triplo produzido por Thiago Marques Luiz para celebrar o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga (1912 - 1989), Baião põe em evidência os timbres da guitarra e das programações de Rovilson Pascoal, diretor musical do projeto (em função dividida com o baixista André Bedurê). Mais do que as interpretações em si do elenco convidado, o que salta aos ouvidos são as tentativas de repaginar o baião - gênero que projetou e consagrou Gonzagão na virada dos anos 40 para os 50 - com arranjos de tom contemporâneo. Essa abordagem mais atual pauta os registros de Baião (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1949), Imbalança (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1952) e Paraíba (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950) - clássicos defendidos com correção por Wanderléa, Paulo Neto e Marcia Castro, respectivamente. Zeca Baleiro imprime sua personalidade musical no disco ao revitalizar Respeita Januário (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950) como balada de alma roqueira. Nem tudo é baião, a rigor, no repertório deste CD de conceito mais frouxo. Caracterizada como polca em sua gravação original de 1949, Lorota Boa (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) é o veículo ideal para a manifestação do espírito lúdico de Silvia Machete em ótima gravação valorizada pelo trompete de Sidmar Vieira e os efeitos de Tatá Aeroplano. Originalmente um coco, Siri Jogando Bola (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1956) faz China marcar golaço ao conectar (mais uma vez) Pernambuco com o mundo. Outro coco, Derramaro o Gai (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950) faz explodir a influência de Lenine no som do grupo 5 a Seco. Título mais recente e desconhecido do cancioneiro de Gonzaga, Deixa a Tanga Voar (Luiz Gonzaga e João Silva, 1985) é ambientado em gostoso clima nortista na gravação de Ela. Presença emblemática no elenco por ter sido rotulada como a Princesinha do Baião nos anos 50 pelo próprio Luiz Gonzaga, Claudette Soares põe dengo e bossa em Baião de Dois (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950) em gravação realçada pelo arranjo suingante do B3 Organ Trio, grupo que assina a faixa com Claudette. Silvia Maria reitera sua técnica primorosa em belo registro do xote Mangaratiba (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1956), dividido com DaLua. Escorado na pegada roqueira da Banda Monomotor, cujo som evoca a era do iê-iê-iê, Edy Star (se) diverte no pot-pourri que agrega Dezessete e Setecentos (Luiz Gonzaga e Miguel Lima, 1945), O Torrado (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950) e Calango da Lacraia (Luiz Gonzaga e Jeová Portella, 1946). Por fim, Nation Beat veste Madame Baião (Luiz Gonzaga e David Nasser, 1951) com roupa indie, deixando a sensação de que o maior mérito deste 100 Anos de Gonzagão é mostrar que a obra de Luiz Gonzaga é tão grande e tão universal - ainda que paradoxalmente enraizada no Nordeste do Brasil - que resiste bem a releituras mais ou menos inspiradas de intérpretes mais ou menos capacitados para encará-la. Gonzagão é pop!!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Jussara e Machete gravam no Rio participações em tributo a Gonzaga

As cantoras Jussara Silveira e Silvia Machete se encontraram na tarde desta sexta-feira, 13 de abril de 2012, no Estúdio Verde, no Rio de Janeiro (RJ), onde gravaram as suas respectivas participações no CD triplo produzido por Thiago Marques Luiz para a Lua Music para festejar o centenário de nascimento de Luiz Gonzaga (1912 - 1989). Jussara fez ressoar o canto de Sabiá (1951), baião da parceria de Gonzaga com Zé  Dantas (1921 - 1962). Já Machete recontou Lorota Boa (1949), uma bissexta polca da obra de Lua com Humberto Teixeira (1915 - 1979).

Veja outra foto de Jussara e Machete no estúdio na página de Notas Musicais no Facebook

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Machete grava seu show 'Extravaganza' em apresentação em São Paulo

Silvia Machete faz nesta sexta-feira, 20 de maio de 2011, o registro ao vivo de seu show Extravaganza. A gravação do DVD e do CD ao vivo vai ser feita em apresentação única do show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP), cidade onde o belo espetáculo estreou em 1º de agosto de 2010. Clique aqui para ler a resenha da estreia carioca do show Extravaganza.