Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Maria Rita segura rojão ao cair no samba de Gonzaguinha no 'Rock in Rio'

Resenha de show - Rock in Rio 2013
Título: Maria Rita 
Artista: Maria Rita (com participação de Selah Sue)
Local: Palco Sunset - Cidade do Rock (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 13 de setembro de 2013
Foto: Divulgação Rock in Rio 2013 / Mattina - I Hate Flash
Cotação: * * * 

"Pode chegar que a festa vai é começar agora". O verso inicial do samba O homem falou - lançado por Gonzaguinha (1945 - 1991) em disco de 1985 e revivido por Maria Rita 22 anos depois no seu CD Samba meu (2007) - fez todo o sentido na voz da cantora paulista quando foi entoado no fim do show de Maria Rita no Palco Sunset, no primeiro dos sete dias do Rock in Rio 2013. A festa da música começou na tarde desta sexta-feira, 13 de setembro de 2013, e a cantora já garantiu a animação ao cair no samba politizado de Gonzaguinha, cantor e compositor carioca que construiu obra relevante ao longo dos anos 70 e 80. Até a cantora belga Selah Sue caiu no samba de Gonzaguinha, cantando o refrão de O homem falou em português até convincente. Sue dividiu o bom show do Palco Sunset com a colega brasileira, abrindo os trabalhos sozinha. Na sequência, Maria Rita entrou no palco e fez duetos com Sue em Fade away (música do repertório da belga) e On and on (tema do repertório da cantora e compositor norte-americana  Erykah Badu) e, mesmo lendo as letras, se ambientou bem no universo soul jazzy do set de Sue. Contudo, a festa começou mesmo a ficar animada quando, já à sós no palco, Maria Rita enfileirou cinco sambas de Gonzaguinha em tributo ao compositor que criou obras-primas como Redescobrir (1980). Maria Rita tornou seu o samba de Gonzaguinha. Tanto que se desviou intencionalmente do tom efusivo de O que é o que é (Gonzaguinha, 1982), samba que teve seu suingue realçado mais pelo toque da guitarra de Davi Moraes do que pela batida quente das percussões. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980) - empolgante samba que deu título ao álbum lançado por Alcione em 1980 - teria sido o primeiro grande momento do show se um problema no microfone não tivesse atrapalhado o número. Pois Maria Rita seguiu em frente - pondo fé na moçada que assistia ao show e que levou o samba adiante - e segurou o rojão até a questão técnica ser solucionada. Na sequência, Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972) - samba tenso, raivoso, cheio de ironias, dos tempos iniciais em que Gonzaguinha era conhecido como o cantor-rancor - se opôs ao clima de festa, retomado com É (Gonzaguinha, 1987) e com O homem falou (Gonzaguinha, 1985), que seria o último número se a rapaziada não tivesse ido à luta e pedido Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) com tanta vontade que Rita voltou ao palco e improvisou um bis, segurando novamente o rojão com o samba que lançou há dez anos em seu álbum Maria Rita (2003). A cantora foi no bloco da mocidade e construiu o fim de tarde desejado para o começo da festa.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

"Pode chegar que a festa vai é começar agora". O verso inicial do samba O homem falou - lançado por Gonzaguinha (1945 - 1991) em disco de 1985 e revivido por Maria Rita 22 anos depois no seu CD Samba meu (2007) - fez todo o sentido na voz da cantora paulista quando foi entoado no fim do show de Maria Rita no Palco Sunset, no primeiro dos sete dias do Rock in Rio 2013. A festa da música começou na tarde desta sexta-feira, 13 de setembro de 2013, e a cantora já garantiu a animação ao cair no samba politizado de Gonzaguinha, cantor e compositor carioca que construiu obra relevante ao longo dos anos 70 e 80. Até a cantora belga Selah Sue caiu no samba de Gonzaguinha, cantando o refrão de O homem falou em português até convincente. Sue dividiu o bom show do Palco Sunset com a colega brasileira, abrindo os trabalhos sozinha. Na sequência, Maria Rita entrou no palco e fez duetos com Sue em Fade away (música do repertório da belga) e On and on (tema do repertório da cantora e compositor norte-americana Erykah Badu) e, mesmo lendo as letras, se ambientou bem no universo soul jazzy do set de Sue. Contudo, a festa começou mesmo a ficar animada quando, já à sós no palco, Maria Rita enfileirou cinco sambas de Gonzaguinha em tributo ao compositor que criou obras-primas como Redescobrir (1980). Maria Rita tornou seu o samba de Gonzaguinha. Tanto que se desviou intencionalmente do tom efusivo de O que é o que é (Gonzaguinha, 1982), samba que teve seu suingue realçado mais pelo toque da guitarra de Davi Moraes do que pela batida quente das percussões. E vamos à luta (Gonzaguinha, 1980) - empolgante samba que deu título ao álbum lançado por Alcione em 1980 - teria sido o primeiro grande momento do show se um problema no microfone não tivesse atrapalhado o número. Pois Maria Rita seguiu em frente - pondo fé na moçada que assistia ao show e que levou o samba adiante - e segurou o rojão até a questão técnica ser solucionada. Na sequência, Comportamento geral (Gonzaguinha, 1973) - samba tenso, raivoso, cheio de ironias, dos tempos iniciais em que Gonzaguinha era conhecido como o cantor-rancor - se opôs ao clima de festa, retomado com É (Gonzaguinha, 1987) e com O homem falou (Gonzaguinha, 1985), que seria o último número se a rapaziada não tivesse ido à luta e pedido Cara valente (Marcelo Camelo, 2003) com tanta vontade que Rita voltou ao palco e improvisou um bis, segurando novamente o rojão com o samba que lançou há dez anos em seu álbum Maria Rita (2003). A cantora foi no bloco da mocidade e construiu o fim de tarde desejado para o começo da festa.

Alberto Andrade disse...

Só três estrelas? Não entendi a razão pela qual não cinco...

Tiago Amaral disse...

No Brasil ter poucas estrelas (***) é um excelente sinal. Por aqui o mais é menos!