Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

'Duos III' fecha com requinte a trilogia iniciada por Luciana Souza em 2002

Resenha de CD
Título: Duos III
Artista: Luciana Souza
Gravadora: Sunnyside / Universal Music
Cotação: * * * * 1/2

Em 2002, quando já tinha feito nome no circuito jazzístico dos Estados Unidos, a cantora paulistana Luciana Souza lançou Brazilian Duos, álbum no qual dava voz a clássicos da música brasileira na companhia de violões. Três anos depois, Duos II (2005) bisou o êxito e a indicação ao Grammy do primeiro volume. Lançado no Brasil neste mês de novembro pela Universal Music, Duos IIfecha com brilho a trilogia iniciada há uma década. Revezando-se no toque dos violões, há os virtuosos Marco Pereira, Romero Lubambo e Toninho Horta (em sua estreia na trilogia). Com eles, Souza aborda 12 temas brasileiros, quase todos conhecidos e extraídos da memória afetiva da cantora, filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza, associados à Bossa Nova. É sintomático, aliás, que Duos IIabra com Tim Tim por Tim Tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques) e Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida), dois sambas do repertório de João Gilberto (um terceiro, Eu Vim da Bahia, da lavra de Gilberto Gil, também figura no disco). Luciana Souza canta samba com apurado senso rítmico, mas, no caso de Tim Tim por Tim Tim, sem explorar a malícia dos versos do tema - o que em nada empana o brilho do disco, gravado de fevereiro a março de 2012, entre São Paulo (SP) e Los Angeles (EUA), sob a produção de Larry Klein. Fora da seara do samba, Duos IIapresenta classuda gravação de As Rosas Não Falam (Cartola) - feita em estilo mais convencional com a voz de Luciana em fina sintonia com o violão de Romero Lubambo - e tira do baú Mágoas de Caboclo (Leonel Azevedo e J. Cascata), canção de poética temática caipira lançada em 1942 por Orlando Silva (1915 - 1978) e popularizada em 1979 ao ser propagada em escala nacional como tema de abertura da novela Cabocla (TV Globo) na gravação de Nelson Gonçalves (1919 - 1998). Dentro desse rosário de pérolas, o registro de seis minutos de Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) paira soberano no disco pela divisão inusitada e pelas notas alongadas que revelam nuances do clássico de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), de quem Luciana Souza também canta Chora Coração e Inútil Paisagem (outra parceria do soberano Tom com Aloysio de Oliveira). Lamento Sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil) também ressurge repaginada, em andamento mais acelerado que se ajusta ao tom forrozeiro do medley que linka o tema com Maçã do Rosto, lado B que figura no lado A do primeiro álbum de Djavan, de 1976. Por falar em temas menos conhecidos, Luciana Souza revive em Duos IIa pouco ouvida Pedra da Lua, parceria de Toninho Horta com Cacaso (1944 - 1987), lançada como tema instrumental por Paulo Moura (1932 - 2010) em disco de 1976 e gravada com os versos do poeta por Sueli Costa no ano seguinte. De Horta, a cantora também dá voz a Beijo Partido, canção que encerra álbum pautado pela interação da voz límpida da intérprete com o toque requintado dos violões de Marco Pereira (autor de Dona Lu, tema levado por Souza nos vocalises), Romero Lubambo e Toninho Horta). Enfim, Duos IIé grande disco que merece ser ouvido fora do circuito do jazz.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Em 2002, quando já tinha feito nome no circuito jazzístico dos Estados Unidos, a cantora paulistana Luciana Souza lançou Brazilian Duos, álbum no qual dava voz a clássicos da música brasileira na companhia de violões. Três anos depois, Duos II (2005) bisou o êxito e a indicação ao Grammy do primeiro volume. Lançado no Brasil neste mês de novembro pela Universal Music, Duos III fecha com brilho a trilogia iniciada há uma década. Revezando-se no toque dos violões, há os virtuosos Marco Pereira, Romero Lubambo e Toninho Horta (em sua estreia na trilogia). Com eles, Souza aborda 12 temas brasileiros, quase todos conhecidos e extraídos da memória afetiva da cantora, filha dos compositores Walter Santos e Tereza Souza, associados à Bossa Nova. É sintomático, aliás, que Duos III abra com Tim Tim por Tim Tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques) e Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida), dois sambas do repertório de João Gilberto (um terceiro, Eu Vim da Bahia, da lavra de Gilberto Gil, também figura no disco). Luciana Souza canta samba com apurado senso rítmico, mas, no caso de Tim Tim por Tim Tim, sem explorar a malícia dos versos do tema - o que em nada empana o brilho do disco, gravado de fevereiro a março de 2012, entre São Paulo (SP) e Los Angeles (EUA), sob a produção de Larry Klein. Fora da seara do samba, Duos III apresenta classuda gravação de As Rosas Não Falam (Cartola) - feita em estilo mais convencional com a voz de Luciana em fina sintonia com o violão de Romero Lubambo - e tira do baú Mágoas de Caboclo (Leonel Azevedo e J. Cascata), canção de poética temática caipira lançada em 1942 por Orlando Silva (1915 - 1978) e popularizada em 1979 ao ser propagada em escala nacional como tema de abertura da novela Cabocla (TV Globo) na gravação de Nelson Gonçalves (1919 - 1998). Dentro desse rosário de pérolas, o registro de seis minutos de Dindi (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira) paira soberano no disco pela divisão inusitada e pelas notas alongadas que revelam nuances do clássico de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), de quem Luciana Souza também canta Chora Coração e Inútil Paisagem (outra parceria do soberano Tom com Aloysio de Oliveira). Lamento Sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil) também ressurge repaginada, em andamento mais acelerado que se ajusta ao tom forrozeiro do medley que linka o tema com Maçã do Rosto, lado B que figura no lado A do primeiro álbum de Djavan, de 1976. Por falar em temas menos conhecidos, Luciana Souza revive em Duos III a pouco ouvida Pedra da Lua, parceria de Toninho Horta com Cacaso (1944 - 1987), lançada como tema instrumental por Paulo Moura (1932 - 2010) em disco de 1976 e gravada com os versos do poeta por Sueli Costa no ano seguinte. De Horta, a cantora também dá voz a Beijo Partido, canção que encerra álbum pautado pela interação da voz límpida da intérprete com o toque requintado dos violões de Marco Pereira (autor de Dona Lu, tema levado por Souza nos vocalises), Romero Lubambo e Toninho Horta). Enfim, Duos III é grande disco que merece ser ouvido fora do circuito do jazz.

lurian disse...

Esses discos podem ser tecnicamente bons, mas chegam ao Brasil com sabor de dejá-vu. Todas as músicas são superconhecidas. Pra inglês ver e ouvir...

Rafael M. disse...

Já ouvi o disco, é ótimo. Mesmo que sejam canções já conhecidas, Luciana dá uma identidade especial a cada uma das canções, onde acaba fazenod novos arranjos das canções. Tantos cantores da MPB regravam essas canções aos milhares e mesmo assim ninguém reclama. O grande problema mesmo é que estes discos da Luciana são lançados com um atraso de 2 anos ou mais no Brasil. Isto, quando saem, o que é triste quando isso acontece.

Rafael M. disse...

Já ouvi o disco, é ótimo. Mesmo que sejam canções já conhecidas, Luciana dá uma identidade especial a cada uma das canções, onde acaba fazendo novos arranjos das canções. Tantos cantores da MPB regravam essas canções aos milhares e mesmo assim ninguém reclama. O grande problema mesmo é que estes discos da Luciana são lançados com um atraso de 2 anos ou mais no Brasil. Isto, quando saem, o que é triste quando isso acontece.

Pedro Progresso disse...

estou ouvindo agora e logo de cara é melhor que o Duos II. o primeiro no entanto é um excelente disco.

eu conheci Luciana no disco North and South e sinto falta de um disco dela mais voltado pro piano como foi esse que é meu preferido.