Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cidade Negra segue seu caminho pop na trilha positivista de 'Hei, Afro!'

Resenha de CD
Título: Hei, Afro!
Artista: Cidade Negra
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * 

Antes de Toni Garrido abandonar o barco que afundava por conta de divergências internas, o Cidade Negra andou pegando ondas erradas. A maior delas foi tentar surfar na praia de Armandinho no CD e DVD Direto ao Vivo (2006). Nono álbum de inéditas do grupo fluminense de reggae, o primeiro desde a volta do desertor Toni Garrido à banda no fim de 2011, Hei, Afro! pesa a mão no discurso positivista sem desviar o grupo - hoje reduzido a um trio formado por Garrido (voz), Bino Farias (baixo) e Lazão (bateria) - do habitual trilho pop, como mostram temas como Diamantes (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias). Irregular, Hei, Afro! se situa no mesmo patamar do anterior álbum de inéditas do Cidade Negra, Que Assim Seja (2010), lançado na fase em que Garrido estava fora do grupo. É sintomático que uma das melhores faixas do disco, Eu Fui, Voltei (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), seja releitura de tema, Downtown, extraído do repertório do álbum mais bem-sucedido da banda, Sobre Todas as Forças (1994). Hei, Afro! totaliza 13 faixas, sendo onze produzidas pelo próprio trio e as outras duas pilotadas por Liminha. Destas duas, Don't Wait - parceria do baiano Magary Lord com Fábio Alcântara e com Leonardo Reis - sinaliza o apego (no caso, exagerado) aos sons eletrônicos, mote de faixas como Paiol de Pólvora (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), tema sobre o caldeirão cotidiano do Rio de Janeiro (RJ) gravado em fogo brando, e Contato (Toni Garrido, Lazão, Bino Farias e Alexandre Carlo), lamuriante balada black sobre a dissolução de elo afetivo. E assim - como doses maiores ou menores de eletrônica e dub (farto em Mole de Amor, uma das várias inéditas da lavra autoral do trio) - caminha o Cidade Negra em aura crepuscular. A ideologia paz & amor da maioria das letras resulta repetitiva e reitera o fato de que o grupo poderia fazer conexões com letristas para adensar discurso que soa óbvio e ralo em Menino Rei (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), pop reggae sobre sonhos infantis. No mesmo tom pueril, Naturaleza (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias) prega a comunhão com a natureza. Musicalmente, Hei, Afro! também resulta repetitivo ao se banhar com poucas nuances na praia do pop reggae. A cuíca que introduz a ácida Só pra Detonar (Toni Garrido, Lazão, Bino Farias) não chora forte o suficiente para solidificar o flerte com o samba. A base que evoca a disco music no reggae Ignorius Man (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias) tampouco sustenta com força a lembrança dos embalos de sábado a noite. Enfim, o Cidade Negra segue seu caminho pop na trilha positivista de Hei, Afro! como pode e sabe, ainda que uma faixa como Ninguém Pode Duvidar de Jah - versão em português (assinada pelo trio) e em ritmo de reggae de When Love Comes Knockin' (At Your Door) (Neil Sedaka e Carole Bayer Sager), sucesso do grupo norte-americano The Monkees - sinalize que o trio ainda precisa se encontrar.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Antes de Toni Garrido abandonar o barco que afundava por conta de divergências internas, o Cidade Negra andou pegando ondas erradas. A maior delas foi tentar surfar na praia de Armandinho no CD e DVD Direto ao Vivo (2006). Nono álbum de inéditas do grupo fluminense de reggae, o primeiro desde a volta do desertor Toni Garrido à banda no fim de 2011, Hei, Afro! pesa a mão no discurso positivista sem desviar o grupo - hoje reduzido a um trio formado por Garrido (voz), Bino Farias (baixo) e Lazão (bateria) - do habitual trilho pop, como mostram temas como Diamantes (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias). Irregular, Hei, Afro! se situa no mesmo patamar do anterior álbum de inéditas do Cidade Negra, Que Assim Seja (2010), lançado na fase em que Garrido estava fora do grupo. É sintomático que uma das melhores faixas do disco, Eu Fui, Voltei (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), seja releitura de tema, Downtown, extraído do repertório do álbum mais bem-sucedido da banda, Sobre Todas as Forças (1994). Hei, Afro! totaliza 13 faixas, sendo onze produzidas pelo próprio trio e as outras duas pilotadas por Liminha. Destas duas, Don't Wait - parceria do baiano Magary Lord com Fábio Alcântara e com Leonardo Reis - sinaliza o apego (no caso, exagerado) aos sons eletrônicos, mote de faixas como Paiol de Pólvora (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), tema sobre o caldeirão cotidiano do Rio de Janeiro (RJ) gravado em fogo brando, e Contato (Toni Garrido, Lazão, Bino Farias e Alexandre Carlo), lamuriante balada black sobre a dissolução de elo afetivo. E assim - como doses maiores ou menores de eletrônica e dub (farto em Mole de Amor, uma das várias inéditas da lavra autoral do trio) - caminha o Cidade Negra em aura crepuscular. A ideologia paz & amor da maioria das letras resulta repetitiva e reitera o fato de que o grupo poderia fazer conexões com letristas para adensar discurso que soa óbvio e ralo em Menino Rei (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias), pop reggae sobre sonhos infantis. No mesmo tom pueril, Naturaleza (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias) prega a comunhão com a natureza. Musicalmente, Hei, Afro! também resulta repetitivo ao se banhar com poucas nuances na praia do pop reggae. A cuíca que introduz a ácida Só pra Detonar (Toni Garrido, Lazão, Bino Farias) não chora forte o suficiente para solidificar o flerte com o samba. A base que evoca a disco music no reggae Ignorius Man (Toni Garrido, Lazão e Bino Farias) tampouco sustenta com força a lembrança dos embalos de sábado a noite. Enfim, o Cidade Negra segue seu caminho pop na trilha positivista de Hei, Afro! como pode e sabe, ainda que uma faixa como Ninguém Pode Duvidar de Jah - versão em português (assinada pelo trio) e em ritmo de reggae de When Love Comes Knockin' (At Your Door) (Neil Sedaka e Carole Bayer Sager), sucesso do grupo norte-americano The Monkees - sinalize que o trio ainda precisa se encontrar.

Maria disse...

Eu até que gostava do Cidade Negra no começo era legal, e olha que não gosto de Reggae.

Anônimo disse...

Nossa mais uma capa para o hall das "capas mal feitas".

Rafael M. disse...

Já se foi há muito tempo que o Cidade Negra era uma banda boa. O Cidade Negra sempre teve influência e ritmo reggae em seus discos, Mauro. Os 3 primeiros CD's famosos deles são muito bons, mas depois a banda foi dando uma esfriada assustadora. E que capa horrorosa desse disco, hein? Muito mal feita. Não sei o que está acontecendo na cabeça dessas gravadoras para produzirem capas tão artificias, vazias e feias esteticamente.

KL disse...

JesusMariaJosé, que 'capa' é essa?