Mauro Ferreira no G1

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sábado, 24 de novembro de 2012

Bruna Caram cresce no tom 'bluesy' do CD 'Será bem vindo qualquer sorriso'

Resenha de CD
Título: Será bem vindo qualquer sorriso
Artista: Bruna Caram
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2

 Recriar com toque bluesy uma música de disco clássico de Jorge Ben Jor - Minha teimosia, uma arma pra te conquistar, faixa do álbum A tábua de esmeraldas (1974) - sem tentar reproduzir o suingue irreproduzível do Zé Pretinho é prova de personalidade. Bruna Caram já havia dado provas de sua personalidade musical nas regravações espertas que fez no segundo CD, Feriado pessoal (Dabliú Discos, 2009), trabalho já superior ao álbum de estreia da cantora paulista, Essa menina (Dabliú Discos, 2006), mas ainda assim irregular por conta da qualidade oscilante do repertório. No recém-lançado terceiro CD, Será bem vindo qualquer sorriso, Caram reitera essa personalidade, mostra crescimento artístico e começa a se destacar neste país de cantoras com seu disco mais redondo. Evidente na primeira metade de Será bem vindo qualquer sorriso, o recorte bluesy do repertório deu certa unidade ao disco produzido por Otávio de Moraes e se ajusta bem ao desenho de músicas como Não perca o final (Zé Rodrix) - luminoso lado B do segundo LP solo de Zé Rodrix (1947 - 2009), Quem sabe sabe, quem não sabe não precisa saber (Odeon, 1974) - e Flor do medo, canção lançada por Djavan no álbum Vaidade (Luanda Records, 2004) que desabrocha na ambiência bluesy do disco. Fora da seara das regravações, Caram dá bela voz a duas boas músicas de Paulo Novaes - o pseudo-blues Bem-vindo e a balada Esfera - e se insinua compositora em parceria com Pedro Luís, Pode se animar, tema de tom incisivo cujo frescor e atitude contrasta com o tempo delicado e mais ralentado de Amanhecendo (Caê Rolfsen, Leo Bianchini e Pedro Viáfora). Primeira música de Mallu Magalhães gravada por um intérprete, Especialmente criativa tem espírito clown que reitera o talento da compositora paulista. Ponto mais baixo do disco (assim como as falas deixadas intencionalmente ao fim de duas faixas), a abordagem modernosa de Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto, 1947) - feita em dueto com Marina de La Riva - dilui o drama conjugal esboçado neste sucesso de Dalva de Oliveira (1917 - 1972). Na sequência, o espevitado frevo Purinho (Bruna Caram) é acoplado em medley carnavalizante com Vou levando (Dosinho). No fim, Peito aberto - canção mais interiorizada do emergente e geralmente funkeado Dani Black -  assinala que Bruna Caram está pondo seu bloco na rua com (crescente) personalidade.

11 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Recriar com toque bluesy uma música de disco clássico de Jorge Ben Jor - Minha Teimosia, Uma Arma pra te Conquistar, faixa do álbum A Tábua de Esmeraldas (1974) - sem tentar reproduzir o suingue irreproduzível do Zé Pretinho é prova de personalidade. Bruna Caram já havia dado provas de sua personalidade musical nas regravações espertas que fez em seu segundo CD, Feriado Pessoal (2009), trabalho já superior ao álbum de estreia da cantora paulista, Essa Menina (2006), mas ainda assim irregular por conta da qualidade oscilante do repertório. Em seu recém-lançado terceiro CD, Será Bem Vindo Qualquer Sorriso, Caram reitera essa personalidade, mostra crescimento artístico e começa a se destacar neste país de cantoras com seu disco mais redondo. Evidente na primeira metade de Será Bem Vindo Qualquer Sorriso, o recorte bluesy do repertório deu certa unidade ao disco produzido por Otávio de Moraes e se ajusta bem ao desenho de músicas como Não Perca o Final (Zé Rodrix) - luminoso lado B do segundo LP solo de Zé Rodrix (1947 - 2009), Quem Sabe Sabe, Quem Não Sabe Não Precisa Saber (1974) - e Flor do Medo, canção lançada por Djavan no álbum Vaidade (2004) que desabrocha na ambiência bluesy do disco. Fora da seara das regravações, Caram dá (bela) voz a duas boas composições de Paulo Novaes - o pseudo-blues Bem-Vindo e a balada Esfera - e se insinua compositora em parceria com Pedro Luís, Pode se Animar, tema incisivo cujo frescor e atitude contrasta com o tempo delicado e mais ralentado de Amanhecendo (Caê Rolfsen, Leo Bianchini e Pedro Viáfora). Primeira música de Mallu Magalhães gravada por um intérprete, Especialmente Criativa tem espírito clown que reitera o talento da compositora paulista. Ponto mais baixo do disco (assim como as falas deixadas intencionalmente ao fim de duas faixas), a abordagem modernosa de Segredo (Herivelto Martins e Marino Pinto, 1947) - feita em dueto com Marina de la Riva - dilui o drama conjugal esboçado neste sucesso de Dalva de Oliveira (1917 - 1972). Na sequência, o espevitado frevo Purinho (Bruna Caram) é acoplado em medley carnavalizante com Vou Levando (Dosinho). No fim, Peito Aberto - canção mais interiorizada do emergente e geralmente funkeado Dani Black - assinala que Bruna Caram está pondo seu bloco na rua com (crescente) personalidade.

Maria disse...

Bruna Caram é bonitinha e simpática, mas falta personalidade no seu trabalho.

Tadeu disse...

Concordo com você em gênero, número e grau, Mauro. Desde o seu primeiro disco, Bruna vem crescendo e ganhando maturidade musical e pessoal. O que é perfeitamente normal: o primeiro disco gravou aos 19 anos. Acho que agora sei porque A Minha Teimosia é a minha preferida do disco. Ela mudou totalmente o arranjo de Jorge Ben (ainda não era Benjor) para um estilo jazzistico, bluesado mesmo, e imprimiu a sua marca na música. Ousou. O terceiro disco de Bruna mostra como Essa Menina cresceu e virou gente grande, para fazer acontecer no cenário musical brasileiro. Semana passada assisti ao show de lançamento do disco e, acredite, o show é ainda melhor, com muita presença de palco. Bem Vindo! Abraço

Tadeu disse...

Concordo com você em gênero, número e grau, Mauro. Desde o seu primeiro disco, Bruna vem crescendo e ganhando maturidade musical e pessoal. O que é perfeitamente normal: o primeiro disco gravou aos 19 anos. Acho que agora sei porque A Minha Teimosia é a minha preferida do disco. Ela mudou totalmente o arranjo de Jorge Ben (ainda não era Benjor) para um estilo jazzistico, bluesado mesmo, e imprimiu a sua marca na música. Ousou. O terceiro disco de Bruna mostra como Essa Menina cresceu e virou gente grande, para fazer acontecer no cenário musical brasileiro. Semana passada assisti ao show de lançamento do disco e, acredite, o show é ainda melhor, com muita presença de palco. Bem Vindo! Abraço

EDELWEISS1948 disse...

ACHO A BRUNA CARAM UMA DAS MELHORES CANTORAS SURGIDAS RECENTEMENTE, ALÉM DE GRANDE SIMPATIA.

Fabio disse...

Ai, Maria. Oq vc sabe de música? Raramente elogia, critica muito. Já ouviu esse último da Bruna? Aposto que não.

Pele Preta Produções Artísticas disse...

Simplesmente, amo o trabalho da karam. Acho-a competente no que pretende fazer e sempre munida de um time de músicos e parceiros que não a deixam morrer na praia.

Parabéns e vida longuíssima!

Rafael M. disse...

Para mim uma das melhores cantoras surgidas nos últimos anos. Talentosa e precisa no que faz. Personalidade em seu trabalho é o que ela tem de sobra, pois não sei se perceberam, ela não é compositora, mas sim intérprete. Adoro suas canções e intepretações para os clássicos brazucas.

Rafael M. disse...

Em relação ao meu comentário anterior, disse que Bruna Caram não é compositora, e sim intérprete. E realmente é intérprete. Apesar de ter composto 2 canções até hoje desde quando iniciou sua carreira, ela é essecialmente uma intérprete.

Anônimo disse...

Tem uma voz macia e áspera ao mesmo tempo. E tem um sorriso lindo!

KL disse...

Se EDELWEISS1948 aprovou, então deve ser coisa boa. ;-)