Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Claudette dá voz a Caymmi em clima de bossa em disco produzido por Nana

♪ Em novembro de 2013, a cantora carioca Claudette Soares entrou em estúdio da cidade de São Paulo (SP) para gravar álbum com músicas de Dorival Caymmi (1914 - 2008) que tinha lançamento previsto para 2014, em edição da gravadora Pôr do Som. O disco sairia a tempo de fazer parte das comemorações pelo centenário de nascimento do cantor e compositor baiano. Mas o fato é que o CD Claudette Soares e a bossa de Caymmi acabou efetivamente lançado neste último trimestre de 2015 - já desvinculado dos festejos do centenário de Caymmi - em edição da gravadora Nova Estação distribuída discretamente via Eldorado. Gravado em tom quase sempre íntimo, o 22º álbum de Claudette Soares ostenta o nome de Nana Caymmi na produção. Nana atuou basicamente na seleção do repertório, pautado por sambas-canção como Não tem solução (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1950), Nem eu (Dorival Caymmi, 1952), Nesta rua tão deserta (Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima, 2003), Nunca mais (Dorival Caymmi, 1949), Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1951) e Só louco (Dorival Caymmi, 1955). São títulos mais intimistas do cancioneiro de Caymmi que propiciam o clima de bossa proposto pelo título do disco gravado sob a direção musical do pianista Giba Estebez. Nana assina a produção do álbum, mas quem capitaneou de fato a produção na parte executiva foi Thiago Marques Luiz, dono da gravadora Nova Estação. Aos 78 anos, Claudette evoca no disco a bossa que pautou a discografia da cantora a partir da década de 1960, após a intérprete ter se livrado do rótulo de A princesinha do baião lhe imposto pela indústria da música nos anos 1950. Mas é na abordagem sincopada do samba Maricotinha (Dorival Caymmi, 1994) - repleta de quebras que dão vivacidade ao disco - que Claudette mostra o suingue que lhe rendeu o epíteto mais justo de A dona da bossa. Em tom íntimo ou balançado, Claudette canta Dorival Caymmi com aval dos três filhos do compositor. Nana elegeu o repertório. Dori Caymmi escreveu o texto (de tom superficial) reproduzido na contracapa do encarte do CD. Já Danilo pôs voz no mencionado samba-canção  Sábado em Copacabana  no clima íntimo da gravação.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Bethânia faz da festa dos 50 anos o enredo de 2015

♪ RETROSPECTIVA 2015 – Maria Bethânia fez da festa dos 50 anos de carreira o enredo de seu samba em 2015. Ao longo do ano, a cantora baiana celebrou as cinco décadas de carreira - contadas a partir da estreia apoteótica no espetáculo Opinião, em 13 de fevereiro de 1965 - com show, exposição, tributo na 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, gravação de DVD do show, edição de (outro) DVD com registro de recital de poesia estreado em 2009 e lançamento do CD com a gravação ao vivo do show em tributo à obra da cantora apresentado na cerimônia de entrega do prêmio. Longa, a festa ainda se estenderá por 2016 no Carnaval da cidade do Rio de Janeiro (RJ) com o desfile da escola de samba Mangueira, que vai passar na avenida com o enredo Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá, escolhido para reverenciar a teatral intérprete pelos já devidamente comemorados 50 anos de carreira e pelos 70 anos de vida, a serem completados em junho de 2016. A festa dos 50 anos de carreira começou já em janeiro com a estreia de Abraçar e agredecer, show comemorativo da efeméride que ritualizou o que há de eterno e sagrado no canto da intérprete (em foto de Rodrigo Goffredo). A turnê rodou o Brasil ao longo do ano, terminando neste mês de dezembro na mesma cidade do Rio de Janeiro (RJ) em que o espetáculo chegou à cena. No meio da rota nacional, uma das temporadas da turnê na cidade de São Paulo (SP) serviu, em agosto, para a gravação ao vivo do show, ainda inédita no mercado fonográfico. Antes, em junho, Bethânia foi reverenciada na cerimônia de entrega do 26º Prêmio da Música Brasileira com show coletivo cujo registro ganhou edição em CD posto no mercado fonográfico neste mês de dezembro pela gravadora Biscoito Fino (o DVD está previsto para chegas às lojas em janeiro de 2016). Em julho, a exposição Maria de todos nós abriu as portas, no Rio de Janeiro (RJ), para apresentar signos e símbolos do universo artístico da cantora. Em outubro, Bethânia foi ao estúdio pôr voz na gravação do samba-enredo escolhido pela Mangueira para celebrar a artista no Carnaval de 2016. O disco com os sambas foi lançado em novembro. Em dezembro, a edição de Caderno de poesias (Quitanda / UFMG) - livro que traz encartado o DVD com o registro audiovisual do recital Bethânia e as palavras (2009) - coroou ano em que Maria Bethânia pareceu celebrar a si própria.

Caixa com os álbuns feitos por Ney nos anos 1970 inclui tema raro de novela

♪ Em 1976, Ney Matogrosso gravou duas vezes o samba Pra não morrer de tristeza (João Silva e K-Boclinho, 1965). Uma gravação entrou no segundo álbum solo do cantor, Bandido, editado pela extinta gravadora Continental em 1976. O outro registro foi produzido para a trilha sonora da novela Saramandaia, exibida pela TV Globo naquele mesmo ano de 1976. Mais raro, embora tenha sido incluído na coletânea criada para a caixa Metamorfoses (Universal Music, 2011), o fonograma da trilha sonora da novela é uma das faixas-bônus incluídas pelo pesquisador musical Rodrigo Faour nas atuais reedições em CD dos seis álbuns gravados pelo cantor mato-grossense entre 1975 e 1980. As reedições dos álbuns Água do céu pássaro (Continental, 1975), Bandido (Continental, 1976), Pecado (Continental, 1977), Feitiço (WEA, 1978), Seu tipo (WEA, 1979) e Sujeito estranho (WEA, 1980) estão embaladas na caixa Ney Matogrosso - Anos 70, lançada pela Warner Music neste mês de dezembro de 2015. De acordo com informação exposta na contracapa externa da caixa, os seis álbuns foram remasterizados a partir das masters originais, o que qualificaria ganho em relação ao som das reedições de Água do céu pássaro, Bandido e Pecado produzidas para a caixa Camaleão (Universal Music, 2008) a partir de cópias em vinil, já que, na época, as masters dos três álbuns solos gravados por Ney na Continental - na sequência da saída do cantor do grupo Secos & Molhados - estavam perdidas (ou deterioradas, como informaram as fichas técnicas das três reedições de 2008). De todo modo, não há informação nas fichas técnicas das reedições de 2015 sobre onde e por quem foi feita a remasterização. Como as reedições da caixa Camaleão, as atuais reedições reproduzem capas, contracapas e encartes dos álbuns originais. Com eventuais atualizações, os textos sobre os discos são os mesmos escritos por Faour para as reedições de 2008.

Disco 'Na veia' compila 12 encontros promovidos por Arlindo e Rogê no rádio

♪ Disco de Arlindo Cruz e Rogê recém-lançado pela gravadora Warner Music, Na veia é compilação que rebobina - em 15 músicas alocadas em 14 faixas - alguns encontros promovidos pelos cantores, compositores e músicos cariocas no programa de rádio Música na veia, transmitido por emissora carioca no primeiro semestre deste ano de 2015. São encontros que reuniram Arlindo e/ou Rogê com nomes como Bebeto, Jorge Aragão, Luiz Melodia, Marcelo D2, Maria Rita, Seu Jorge, Xande de Pilares e Wilson das Neves. Apenas duas músicas - Cruel (Sérgio Sampaio, 1997) e O Brasil é isso aí (Arlindo Cruz, Jr. Dom e Marcelo D2, 2011) - são cantadas por Arlindo e Rogê sem convidados. Extraídas dentre os 45 registros originados do programa de rádio comandado pela dupla em clima de roda de samba, as gravações são inéditas em disco, tendo sido produzidas no estúdio carioca Cia. dos Técnicos entre fevereiro e abril deste ano de 2015. Os próprios Arlindo e Rogê produziram o disco. Eis, na disposição das 14 faixas do CD, as músicas, compositores e intérpretes de Na veia:

1. Maneiras (Sylvio da Silva, 1987) - Arlindo Cruz e Rogê com Marcelo D2 e Zeca Pagodinho
2. O Brasil é isso aí (Arlindo Cruz, Jr. Dom e Arlindo Neto, 2011) - Arlindo Cruz e Rogê
3. Na veia (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Rogê, 2012) - Rogê com Marcelo D2
4. Menina Carolina (Bedeu e Leleco Telles, 1981) - Arlindo Cruz com Bebeto
5. Maltratar não é direito (Arlindo Cruz e Franco, 2007) /
    Coração em desalinho (Monarco e Ratinho, 1986) - Arlindo Cruz e Rogê com Maria Rita
6. Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia, 1972) - Arlindo Cruz com Luiz Melodia
7. Neguinho poeta (Bebeto, Serginho Meriti e Carlinhos PQD, 1980) - Rogê com Bebeto
8. Não dá (Arlindo Cruz e Wilson das Neves, 2009) - Arlindo Cruz com Wilson das Neves
9. Presença forte (Rogê, Seu Jorge, Marcelinho Moreira, 2012) - Rogê com Seu Jorge
10. Congênito (Luiz Melodia, 1975) - Rogê com Luiz Melodia
11. Alma de guerreiro (Seu Jorge, Gabriel Moura, Pretinho da Serrinha, Leandro Fab, 2012)
      - Arlindo Cruz com Seu Jorge
12. Enredo do meu samba (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1984) - Rogê com Jorge Aragão
13. Moro na roça (Tema tradicional adaptado por Xangô da Mangueira e Jorge Zagaia, 1972)
      - Arlindo Cruz com Xande de Pilares
14. Cruel (Sérgio Sampaio, 1997) - Arlindo Cruz e Rogê

Mart'nália tem parceria de Geraldo e Capinam para o álbum que grava em 2016

♪ Prestes a estrear em janeiro de 2016 inédito show intitulado Misturado, Mart'nália somente vai começar a gravar o 11º álbum da discografia no segundo semestre de 2016. Mas já tem na manga uma música composta por Geraldo Azevedo em parceria com o poeta baiano José Carlos Capinam. Contudo, o repertório do disco ainda está sendo alinhavado pela cantora e compositora carioca - o que significa que a composição de Azevedo e Capinam pode até ficar fora do 11º álbum de Mart'nália...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Desunião de Joelma e Chimbinha dissolve Calypso

♪ RETROSPECTIVA 2015 – Em atividade desde que surgiu em Belém (PA) em 1999, a Banda Calypso chegou ao fim em 2015. Para efeitos legais, a banda - comandada pela dupla formada pela cantora paraense Joelma da Silva Mendes com o guitarrista também paraense Cledivan de Almeida Farias, o Chimbinha - permanece em cena com a formação original até 31 de dezembro de 2015. Mas, na prática, a Calypso implodiu em 19 de agosto de 2015, data em que foi anunciada a ruidosa separação do casal Joelma e Chimbinha. A desunião afetiva dos artistas resultou na dissolução da parceria musical que atingiu o ápice em 2005 com a repercussão do oitavo álbum da Banda Calypso. A partir de 1º de janeiro de 2016, a cantora segue carreira solo com o nome artístico de Joelma Calypso. Já Chimbinha passa a se chamar Ximbinha e a comanda a banda X Calypso ao lado da cantora potiguar Thábata Mendes, recrutada em outubro para ocupar o posto de Joelma. É o fim!!

Disco em que Danilo canta Dorival com Lullo e Domenico sai em CD em 2016

♪ Álbum somente disponível até então nas plataformas virtuais, em edição digital do selo Maravilha 8 lançada na web em 28 de agosto de 2015, Don Don vai ganhar edição física em CD no primeiro semestre de 2016 através da gravadora Discobertas, do pesquisador musical Marcelo Fróes. Como o título do disco já explicita, Danilo canta o cancioneiro do pai, Dorival Caymmi (1914 - 2008), com o toque dos músicos Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti. Clique aqui para ler a resenha do álbum em que Danilo, Di Lullo e Domenico dão frescor ao cancioneiro de Dorival com respeito à bela obra.

'Caderno de poesias' eterniza palavras ditas por Bethânia em recital de 2009

♪ Foi em Minas Gerais, em 2009, que nasceu Bethânia e as palavras, recital de poesia e música feito originalmente pela cantora baiana Maria Bethânia dentro da programação de Sentimentos do mundo, ciclo de conferências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi também em Minas Gerais - mais precisamente em Diamantina (MG), durante apresentação do recital no 2º Festival de História em 22 de outubro de 2013 - que Bethânia e as palavras teve imagem e áudio captados para edição de DVD encartado no Caderno de poesias lançado neste mês de dezembro de 2015 pelo selo da cantora, Quitanda, em parceria com a UFMG. Na apresentação eternizada em registro audiovisual, Bethânia divide o palco com os músicos Carlos César (percussão) e Paulo Dafilin (violão e viola). O Caderno de poesias chega ao mercado literário-fonográfico em dois formatos. Na edição mais luxuosa, editada e vendida pela UFMG, o DVD é encartado em livro no qual estão os poemas, as músicas e os textos alinhados pela intérprete no roteiro do recital filmado sob direção de Gringo Cardia. Na edição mais convencional, a que foi para as lojas com distribuição da gravadora Biscoito Fino, há somente o DVD propriamente dito e magro folheto com o roteiro do espetáculo. Mas a capa - ilustrada com imagens do Álbum das baleias (1973), do pintor e ilustrador baiano Calasans Neto (1932-2006) - é a mesma. Clique aqui para ler a resenha do recital Bethânia e as palavras, ora guardado para posteridade dentro do Caderno de poesias.

O livro sobre o disco 'As quatro estações' é mais informativo do que analítico

Resenha de livro
Título: O livro do disco - As quatro estações (Legião Urbana)
Autor: Mariano Marovatto
Editora: Cobogó
Cotação: * * 

♪ De todos os quatro títulos nacionais produzidos pela editora Cobogó para a série O livro do disco, o assinado pelo escritor, pesquisador, cantor e compositor carioca Mariano Marovatto é o de tom mais superficial. O autor mais reproduz informações críveis sobre o disco em questão - As quatro estações (EMI-Odeon, 1989), uma das obras-primas da banda brasiliense Legião Urbana - do que disseca as músicas do álbum mais espiritualista do grupo de Renato Russo (1960 - 1996), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá. Mesmo tendo acesso a valioso material de arquivo sobre a gravação (14 fitas dentre as 86 cedidas por Dado que reproduzem todos os takes das 11 músicas do álbum e inclusive diálogos travados entre os músicos no estúdio), Marovatto jamais elabora um raciocínio próprio e aprofundado sobre o disco. Ao longo das 88 páginas do livro, há mais reproduções de entrevistas - uma foi feita com Dado especialmente para o livro - e informações da vida pessoal do autor do que uma análise propriamente dita do álbum. Há, claro, detalhes interessantes sobre a construção das músicas, sobretudo no que diz respeito às letras por vezes enigmáticas de Russo. Mas são detalhes dispersos em narrativa que flui somente porque o texto de Marovatto é bom. Mas é uma narrativa que, se dissecada com rigor, pouco acrescenta ao que um admirador atento da obra da Legião Urbana provavelmente já sabe. Em vez de tomar as rédeas do discurso e refletir sobre o álbum frente ao que apurou e ouviu, como fizeram outros autores de livros da série, Marovatto dá geralmente a palavra para Russo, reproduzindo falas de entrevistas do trovador que criava solitariamente, mesmo quando imerso no cotidiano elétrico de um estúdio de gravação. Para quem desconhece a discografia da Legião Urbana, o livro contextualiza bem a gestação de As quatro estações na história da banda e dá pistas valiosas sobre o método usado por Russo para criar letras como as de Há tempos (Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá), Monte Castelo (Renato Russo) e Pais e filhos (Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá). Aliás, a rigor, descontadas as informações da vida pessoal do autor e as excessivas citações de obras alheias, Marovatto produziu alentada reportagem sobre o angustiado álbum, mas não um livro de caráter realmente analítico sobre a luz jogada por  As quatro estações  no universo pop brasileiro.

domingo, 27 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Estrelas da música mudam de lugar e saem de cena

♪ RETROSPECTIVA 2015 – Salvo alguma fatalidade reservada para os cinco dias que faltam para enterrar 2015, o suicídio do compositor sul mato-grossense Geraldo Roca - parceiro de Paulo Simões na música Trem do Pantanal (1975) - na noite de 25 de dezembro fechou o arco de partidas de ano marcado por perdas substanciais no universo pop brasileiro. Diversas estrelas da música - 26! - mudaram de lugar, saindo de cena ao longo do ano. Por ordem de saída, a música do Brasil perdeu este ano Lincoln Olivetti (1954 - 2015), Vanja Orico (1929 - 2015), Odete Lara  (1929 - 2015), Renato Rocha (1961 - 2015), José Rico (1946 - 2015), Vital Dias (1960 - 2015), Inezita Barroso (1925 - 2015), Severo do Acordeom (1950 - 2015), Cleide Alves (1946 - 2015), Percy Weiss (1955 - 2015), Mangabinha (1942 - 2015), Selma do Coco (1935 - 2015), Vó Maria (1911 - 2015), José Messias (1928 - 2015), Fernando Brant (1946 - 2015), Ivinho (1953 - 2015), Cristiano Araújo (1986 - 2015), Renato Ladeira (1958 - 2015), Luizito da Mangueira (1954 - 2015), Cláudia Barroso (1932 - 2015), Luiz Carlos Miele (1938 - 2015), Waldir 59 (1928 - 2015), Marília Pera (1943 - 2015), Selma Reis (1960 - 2015), Júpiter Maçã (1968 - 2015) e Geraldo Roca (1958 - 2015). Ficou a Arte!!

Show em tributo a Bethânia no 26º Prêmio da MPB é eternizado em CD e DVD

♪ Nos últimos anos, a cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira tem se desdobrado em show que percorre algumas cidades do Brasil e ganha registro ao vivo editado em CD e DVD. Neste ano de 2015, contudo, a gravação ao vivo lançada em CD (já no mercado fonográfico) e em DVD (previsto para chegar às lojas em janeiro de 2016) pela gravadora Biscoito Fino é a do próprio show coletivo em tributo a Maria Bethânia realizado em 10 de junho de 2015, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ), na entrega da 26ª edição do prêmio idealizado e dirigido pelo empresário José Maurício Machline (clique aqui para ler/reler a resenha da cerimônia). Eis, na disposição do CD 26º Prêmio da Música Brasileira - Homenagem a Maria Bethânia, as 28 músicas (e os respectivos compositores e intérpretes) alocadas nas 14 faixas desse disco, centrado no repertório de Bethânia:

1. Missa agrária (Carlos Lyra e Gianfrancesco Guarnieri, 1965) /
    Carcará (João do Vale e José Cândido, 1965) - Maria Bethânia
2. O quereres (Caetano Veloso, 1984) - Maria Bethânia
3. Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982) - Maria Bethânia
4. Último pau-de-arara (Venâncio, Corumbá e José Guimarães, 1956) /
    Pau-de-arara (Guio de Moraes e Luiz Gonzaga, 1952) - Lenine
5. Âmbar (Adriana Calcanhotto, 1996) - Adriana Calcanhotto /
    Lua vermelha (Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, 1996) - Arnaldo Antunes /
    Estado de poesia (Chico César, 2013) - Chico César
6. Imbelezô eu (Roque Ferreira, 2014) /
    Coroa do mar (Roque Ferreira, 2009) /
    Santo Amaro (Roque Ferreira e Délcio Carvalho, 2006) - Roque Ferreira e Fabiana Cozza
7. Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971) - Zélia Duncan
8. Negue (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos, 1960) - Alcione /
    Quando o amor vacila (2002) - Texto recitado por Letícia Sabatella com fundo de samba  
9.  Lama (Paulo Marques e Alyce Chaves, 1952) - Johnny Hooker
10. Pra dizer adeus (Edu Lobo e Torquato Neto, 1966) - Dori Caymmi e Nana Caymmi
11. Queda d'água (Caetano Veloso, 1979) /
      De manhã (Caetano Veloso, 1965)
12. Sussuarana (Heckel Tavares e Luiz Peixoto, 1928) /
      Cigarro de paia (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, 1952) /
      Padroeiro do Brasil (Ary Monteiro e Irani de Oliveira, 1953) /
      O canto do pajé (Heitor Villa-Lobos, 1933, com letra de Paula Barros)
      - Mônica Salmaso e Jackson Antunes
13. Paiol de ouro (Alexandre Mattos e Olival Mattos, 1989) /
      Cabocla Jurema (tema de domínio público em adaptação de Rosinha Valença) /
      Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1972) /
      As Yabás (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)  Alcione
14. Explode coração (Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., 1978) /
      Vento de lá (Roque Ferreira, 2014) /
      Imbelezô eu (Roque Ferreira, 2014) - Maria Bethânia

Registro do show de Caetano com Gil captura (toda) a irmandade dos artistas

Resenha de CD e DVD
Título: Dois amigos, um século de música / Multishow ao vivo
Artistas: Caetano Veloso e Gilberto Gil
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * *

♪ Feita na cidade de São Paulo (SP), a gravação ao vivo do show que reuniu Caetano Veloso e Gilberto Gil - em turnê internacional iniciada em junho deste ano de 2015 que vai se estender por 2016 - captura com precisão a irmandade que tem regido o reencontro no palco dos cantores, compositores e músicos baianos (clique aqui para ler ou reler a resenha detalhada do show ora perpetuado em CD ao vivo e DVD). O show Dois amigos, um século de música é luxo só! Nem a desatenção da gravadora Sony Music na edição do CD duplo e do DVD ao creditar erroneamente no encarte o samba É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) - trocando o nome de Ary Barroso (1903 - 1964) pelo da cantora Inezita Barroso (1925 - 2015) - tira do produto o caráter antológico e até mesmo histórico. Estão ali, juntos, dois dos compositores mais relevantes da música brasileira pós-Bossa Nova. Nada importa que o toque do violão de Gil contenha mais ritmo e musicalidade do que o violão meramente eficaz de Caetano. Também nada importa que a voz rouca de Gil soe mais desgastada pelos efeitos do tempo rei do que a voz de Caetano (ainda que a voz de Gil mantenha todo o poder de expressão). No palco, os amigos de fé - irmãos na camaradagem que vigora desde a primeira metade da década de 1960 - estão em pé de igualdade, harmonizados pelas grandezas das obras que construíram ao longo de 50 e poucos anos. Unidos por amizade sincera que nunca os separou de fato, ainda que ambos tenham seguido trajetórias distintas e paralelas nos cursos da vida e da música, com eventuais reencontros como o que gerou o álbum Tropicália 2 (Philips, 1993). Dois amigos, um século de música se engrandece na soma destes dois gigantes da MPB que, aos 73 anos, mostram vitalidade jovial quando estão em cena. A movimentação ágil do público brasileiro para adquirir ingresso para os shows da turnê - que aportou no Brasil em agosto, no exato momento em que o inédito samba As camélias do quilombo do Leblon entrou no roteiro - sinalizou que o país esteve atento ao simbolismo do reencontro. Primeira parceria de Caetano e Gil desde 1993, As camélias do quilombo do Leblon figura evidentemente entre as 29 músicas registradas no CD e DVD Dois amigos, um século de música / Multishow ao vivo. Mesmo que o samba inédito seja eclipsado no roteiro por músicas antigas de inspiração sublime, a presença dele no repertório simboliza pulsão de vida de dois artistas que, afinal, nunca pararam de criar. Caetano explicita o jorro contínuo da criação na conexão com músicos jovens. Contudo, ao se debruçar recentemente sobre o repertório de João Gilberto, mestre de ambos, Gil mostrou que o pulso musical ainda pulsa com força. Enfim, tudo já foi dito sobre Dois amigos, um século de música. Com o registro do show para posteridade, caberá ao tempo rei dimensionar a importância musical e histórica do reencontro perpetuado em CD e em DVD que - lapso de edição à parte! - são luxo só.

Terceiro livro de Lobão cresce ao expor afetos do artista na criação de álbum

Resenha de livro
Título: Em busca do rigor e da misericórdia - Reflexões de um ermitão urbano
Autor: Lobão
Editora: Record
Cotação: * * * 1/2

♪ Autor de dois recentes best-sellers do minguado mercado literário brasileiro, 50 anos a mil (Nova Fronteira, 2010) e Manifesto do nada na terra do nunca (Nova Fronteira, 2013), Lobão lança um terceiro livro que se debate entre dar continuidade à manifestação das opiniões do artista - no caso, destilando ódio e argumentos contra os líderes do partido político PT - e dissecar a criação solitária do álbum de inéditas, O rigor e a misericórdia, que o cantor, compositor e músico carioca vai lançar em 2016. É uma "estranha mistura", como o próprio Lobão caracteriza na introdução do livro que marca a estreia do escritor na editora Record. Manifestações políticas à parte, o supra-sumo do livro - a parte que de fato justifica a edição de Em busca do rigor e da misericórdia - são as reflexões do roqueiro ermitão advindas do processo de composição das 14 músicas do disco no estúdio que montou na casa em que vive no Sumaré, bairro da cidade de São Paulo (SP). Ao relatar detalhadamente como chegou a cada uma das 14 músicas do primeiro álbum de inéditas desde Canções dentro da noite escura (Independente / Tratore, 2005), João Luiz Woerdenbag Filho expõe a alma, revelando sensibilidades e delicadezas comumente abafadas pela persona artística que construiu e que domina as aparições do cantor, compositor, músico e escritor carioca na mídia. É quando fala das músicas ainda inéditas - e sobretudo das motivações que o levaram a compor essas músicas - que Lobão esconde as garras afiadas (às vezes, necessárias em tempos politicamente corretos além da conta) e mostra a alma amorosa oculta nas investidas públicas como cidadão político em pleno exercício da democracia. Descrito logo no início do livro, o processo de reconciliação póstuma com o pai - concretizada entre lágrimas ao fim da composição da música intitulada Ação fantasmagórica à distância - exemplifica a veia afetiva que salta ao longo do livro entre denúncias de perseguição pelas manifestações públicas de opiniões contra o PT e contra outros desafetos do artista. É fato que, por vezes, o relato da criação de uma composição - caso, por exemplo, de Profunda e deslumbrante como o sol, nascida em junho de 2014 de inspiração pinkfloydiana - soa excessivamente técnico, diluindo o poder de sedução da narrativa político-musical. Em contrapartida, Lobão soa até comovente quando relata como o câncer que acabaria matando uma das cunhadas (Mônica, irmã mais velha da mulher e fiel escudeira do artista, Regina Lopes) o afetou e o levou a compor A esperança é a praia de um outro mar, única música gravada com o toque de outro músico - no caso, o filho de Mônica, João Puig, responsável pelo solo da guitarra da faixa do álbum em que Lobão toca todos os instrumentos e assina todas as 14 músicas sem parceiros. "Tenho clareza sobre meu novo disco. É um solitário manifesto musical que retrata um tempo triste, época ignorada pelos covardes ou preguiçosos ou míopes artistas do país, o que faz ainda mais relevante meu trabalho", conceitua e dimensiona Lobão no capítulo em que discorre sobre Dilacerar, música composta em 6 de fevereiro deste ano de 2015. Dilacerar é uma das últimas músicas feitas para álbum que reverbera influências do rock clássico da década de 1970 - sobretudo o hard rock do grupo inglês Led Zeppelin - em temas como Os vulneráveis. Disco que inclui Alguma coisa qualquer, música de 1997 feita para Cássia Eller (1962 - 2001), a pedido da cantora carioca, mas que seria deixada de lado e esquecida quando a gravadora PolyGram decidiu que Cássia iria gravar naquele ano disco inteiramente dedicado ao repertório de Cazuza (1958 - 1990). Enfim, ao longo da gestação do álbum O rigor e a misericórdia, Lobão vivenciou emoções reais entre dias turbulentos por conta de falar o que pensa, com ou sem razão. São essas emoções reais que ampliam o sentido das reflexões do ermitão urbano em livro que cresce quando expõe a alma e os afetos do politizado artista.  Sim, é quando esconde as garras que Lobão fica mais forte.

sábado, 26 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Elza Soares transcende com o disco e show do ano

♪ RETROSPECTIVA 2015 – Elza Soares transcendeu 2015 com o disco e o show do ano, A mulher do fim do mundo. Aos 85 anos, a valente cantora carioca lançou um dos melhores álbuns de carreira fonográfica iniciada em dezembro de 1959. Conectada com ótimos músicos e compositores da cena contemporânea de São Paulo (SP), a menina mulher da pele preta caiu no samba em esquema noise, dando a voz a um repertório inteiramente inédito composto para Elza por compositores como Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Romulo Fróes. Fênix, a cantora dura na queda se elevou mais uma vez, erguida por samba roqueiro nascido da dor que impulsiona a vida punk de Elza. Lançado em outubro em edição da Circus, simultaneamente com o impactante show que entronizou Elza no posto de cantora mais relevante de 2015, o álbum A mulher do fim do mundo começou a ganhar forma em abril, produzido por Guilherme Kastrup sob a direção artística de Celso Sim e Romulo Fróes. Elza pôs a voz em maio nas 11 músicas. Antecedido em agosto pelo single Maria da Vila Matilde (Porque se a da Penha é brava, imagine a da Vila Matilde!), samba de Douglas Germano em que Elza ataca com bravura a violência doméstica sofrida pelas mulheres, o álbum arrebatou crítica e público e foi transposto para o palco com a mesma força, mostrando que a vida da artista é cheia de som e fúria.  Elza Soares reinou,  pairando soberana acima de tudo e de todos em 2015.

Peso da vida desaba com suavidade em 'Est', álbum de Scandurra com Tape

Resenha de CD
Título: Est
Artista: Edgard Scandurra e Silvia Tape
Gravadora: 180 selo fonográfico
Cotação: * * * *

♪ Projeto que junta dois guitarristas da cena roqueira paulistana, Edgard Scancurra e Silvia Tape, Est é um disco existencialmente pesado cujo repertório - inteiramente inédito e autoral - ganhou forma quando Tape pôs letras em músicas compostas por Scandurra em 2009 com o aplicativo GarageBand para o que seria álbum instrumental. Asas irreais narra - com poesia inspirada em versos do mineiro Alphonsus de Guimarães (1870-1921) e com o toque exato da bateria de Curumim - o suicídio de mulher que se atirou ao mar diante da impossibilidade de concretizar desejos reais. A sua intuição expõe chamado urgente para mulher ansiosa, dispersa e solitária olhar para dentro de si. Contudo, o peso do disco se resume às letras de Tape. Musicalmente, para citar versos de Meu lamento (música ouvida também na forma de vinheta instrumental), Est faz com que o peso da vida e do céu desabe sobre o ouvinte no tom lo-fi do disco gravado no Wah Wah Studio, em São Paulo (SP) com produção capitaneada por Scandurra com Tape. E é desse contraste que Est extrai beleza no caos existencial. A beleza reside tanto no clima cool quanto nas músicas em si. Aliás, A sua intuição abre o CD e logo se impõe como das mais bonitas melodias da safra autoral de Est  ao lado de Eu acho que posso esperar, única das nove composições que tem melodia e letra assinadas por Scandurra. A guitarra sempre precisa de Scandurra está lá, ao longo de dez faixas que incluem o tema instrumental Rio rastro. As programações eletrônicas também estão entranhadas no disco. Mas nada abala a atmosfera tranquila do disco. Nem o tom roqueiro de Num instante qualquer - resquício do passado punk de Scandurra, um dos cérebros do grupo Ira! que também atuou no grupo Mercenárias, do qual Tape é guitarrista desde 2005 - altera a serenidade neofolk com que Scandurra e Tape apresentam os nove títulos de parceria que se revela afinada em músicas como o torto samba-canção Hoje o tempo. Dentro da atmosfera de Est, o canto pacato de Tape se ajusta com precisão ao tom do disco, quase sempre em intencional divergência com o desassossego dos versos. Por mais que Bolhas de sabão apresente espírito lúdico, Est alinha músicas que falam sério sobre desajustes emocionais sem levantar a voz. Criada com mix sutil de sons acústicos e eletrônicos, a atmosfera suave do álbum amplifica a poesia e beleza contida nestes lamentos em forma de canções. "Ontem foi difícil adormecer / E já era hora de acordar", relatam versos de Hoje o tempo. O clima lo-fi de Est embute urgências existenciais. E é do sereno atrito entre o que é dito e a forma sonora das canções que aparece o encanto inesperado do sedutor Est.

Latino dilui Dorival Caymmi na xaropada pop caribenha do álbum 'Soy latino'

♪ Soy latino - o 14º álbum de Roberto Souza Rocha, o cantor e compositor carioca conhecido pelo nome artístico de Latino - investe em ritmos latino-americanos como bachata, reggaeton e zouk. Preparado ao som dos modismos da indústria do disco, o coquetel pop caribenho do álbum - já disponível no mercado fonográfico brasileiro em edição da gravadora Sony Music - dilui até música do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008) em solução aguada. O lê lê lê de Retirantes (1976) - tema afro composto por Caymmi para a trilha sonora da novela Escrava Isaura (TV Globo, 1976) - é ouvido em Slave 4 you (Latino, Fabinho e Ian Duarte), faixa formatada por Latino com a adesão do produtor Mister Jam. Com repertório que inclui músicas compostas solitariamente pelo próprio Latino, como Panelinha de pressão e Sala vip, o CD Soy latino também apresenta parcerias do artista como o cantor e compositor Well (Thais) e os compositores-hitmakers do funk pop Umberto Tavares e Jefferson Junior (coautores de Felina). Músicas como Uivando que nem cachorro (Latino, Alex Ferrari e Darlan Vieira de Souza) - mix pop de bolero, zouk e sertanejo - sinalizam que a sofrência  soa sofrível, mesmo se levado em conta o nível da discografia de Latino.

'Caos & beleza' de João Biano abarca Lenine, Tom Zé, Pedro Luís e a Parede

♪ Cantor, compositor e percussionista paulista, nascido em Bauru (SP), João Biano decidiu se radicar na cidade do Rio de Janeiro (RJ) quando recebeu de Pedro Luís o convite para ser vocalista de alguns shows do carioca Monobloco. Foi no Rio que Biano cantou em outro bloco, Quizomba, e foi também no Rio 40º - "cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos", como caracterizam Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Carlos Laufer no refrão da música de 1992 - que o artista se inspirou para gestar e gravar o primeiro álbum da carreira, Caos & beleza, lançado em outubro deste ano de 2015 em edição independente distribuída pela Tratore. Renovando o aval a Biano, Pedro Luís figura em Nem (João Biano e André Fonseca), uma das dez músicas autorais de repertório que inclui regravações de lados B das obras de Lenine e Tom Zé, Ninguém faz ideia (Lenine e Ivan Santos, 2004) e Happy end (Tom Zé e Antonio Pádua, 1972). Biano criou Caos & beleza a partir de conceito do psicanalista, teólogo e escritor mineiro Rubem Alves (1933 - 2014), para quem “...a ordem morava no meio do caos e ela (minha alma) estava disposta a suportar o horrendo do caos pela beleza inaudível que existia no meio dele”. Biano partiu da ideia de Alves para compor músicas como O mal e o bem (João Biano), composição que abre o CD e que abre também alas para temas como Pão e circo (João Biano e Léo Zé), música gravada com o reforço percussivo da Parede. Leve alma (João Biano) e Escambo (João Biano) são outras composições da lavra do artista que compõem o mosaico essencialmente autoral e pessoal do álbum Caos & beleza.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Alaíde lança dois CDs, grava DVD e festeja 80 anos

♪ RETROSPECTIVA 2015 – Aos 80 anos de vida, completados em 8 de dezembro deste ano de 2015 e devidamente festejados com shows nas cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo(SP), a cantora e compositora carioca Alaíde Costa continuou em plena atividade artística ao longo de 2015. Em julho, a cantora gravou álbum com o cantor pernambucano Gonzaga Leal, Porcelana, lançado em novembro por vias independentes. Em agosto, com produção de Thiago Marques Luiz, Alaíde gravou o primeiro DVD da carreira no estúdio 185, em São Paulo (SP), dando voz a músicas que nunca havia cantado - caso de Preciso chamar sua atenção (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) - em registro audiovisual previsto para ser lançado em 2016 através do Canal Brasil. Em setembro, a cantora lançou Alegria é guardada em cofres, catedrais (Minas Records), álbum gravado em 2012 com produção de Geraldo Rocha - autor da foto que ilustra o post - e com a reunião de Alaíde com o violonista e compositor mineiro Toninho Horta. Em novembro e dezembro, os dois shows comemorativos dos 80 anos da intérprete coroaram ano de grande produtividade para Alaíde Costa.

Dez anos após o primeiro disco, Leo Maia compila momentos de dois álbuns

♪ Filho do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998), Leo Maia debutou na carreira fonográfica há dez anos com a edição do bom álbum Cavalo de Jorge (Indie Records, 2015). Momentos - coletânea lançada pelo cantor carioca neste mês de dezembro de 2015 em edição da LGK Music distribuída pela Radar Records - compila 14 fonogramas da primeira década discográfica de Leo. Mas ignora os repertórios do CD Cavalo de Jorge e do último dos quatro álbuns do artista, Diz que tem saudade, lançado em 2012. Momentos, a rigor, apresenta reunião de fonogramas de apenas dois álbuns do cantor, Cidadão do bem (LGK Music / EMI , 2007) e Sopro do dragão (LGK Music / Som Livre, 2009). De Cidadão do bem, a compilação Momentos rebobina os fonogramas de Mandou bem (Gigi e Fábio O'Brian), Doeu (Leo Maia, Zezão e Cássio Calazans), Eu amo você (Cassiano e Silvio Rochael, 1970), O amor é estranho demais (Leo Maia), Impaciência (Leo Maia), Baile black (Leo Maia) e da música-título Cidadão do bem (Leo Maia e Alexandre Processo). De Sopro do dragão, a coletânea reproduz Homem do espaço (Jorge Ben Jor, 1989), Funk na laje (Leo Maia), Revanche (Hyldon e Jorge Ailton), Eu gosto mesmo é de namorar (Leo Maia), Kilario (Di Mello, 1975), Sorriso falso (Lincoln Olivetti e Ronaldo Barcellos,  1977) e Seda chinesa (Leo Maia).  Momentos está na web e nas lojas.

Caetano regrava 'Tropicália' para abertura de 'Velho Chico', novela da Globo

♪ Caetano Veloso regravou uma das mais emblemáticas músicas que compôs na década de 1960 - Tropicália, lançada originalmente pelo cantor e compositor baiano no álbum Caetano Veloso (Philips, 1967) - para a trilha sonora de Velho Chico, novela que a TV Globo vai exibir a partir de 11 de março de 2016 no horário das 21h. Feita para a abertura da novela a pedido do diretor da história, Luiz Fernando Carvalho, a gravação de Tropicália surpreende pela escolha da composição, já que o cancioneiro de Caetano inclui música, O ciúme (1987), cuja letra versa poeticamente sobre o rio São Francisco - chamado inclusive de Velho Chico na composição - e a rivalidade entre as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), se afinando com a trama criada pelo escritor Benedito Ruy Barbosa. Até porque Caetano - em foto de Fernando Young - nunca fez outro registro de O ciúme (nem ao vivo), além da gravação original. O ciúme - vale ressaltar - também integra a trilha sonora da novela, mas o fato é que, para a abertura de Velho Chico, Caetano regravou Tropicália.