Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Mart'nália tem parceria de Geraldo e Capinam para o álbum que grava em 2016

Prestes a estrear em janeiro de 2016 inédito show intitulado Misturado, Mart'nália somente vai começar a gravar o 11º álbum da discografia no segundo semestre de 2016. Mas já tem na manga uma música composta por Geraldo Azevedo em parceria com o poeta baiano José Carlos Capinam. Contudo, o repertório do disco ainda está sendo alinhavado pela cantora e compositora carioca - o que significa que a composição de Azevedo e Capinam pode até ficar fora do 11º álbum de Mart'nália...

quinta-feira, 18 de junho de 2015

EP 'Extra' agrega as seis músicas (até então) exclusivas do DVD de Mart'nália

A gravadora Biscoito Fino está lançando esta semana, somente em edição digital, o EP Extra, de Mart'nália. Disponível nas plataformas digitais desde anteontem, 16 de junho de 2015, o EP Extra apresenta os áudios dos seis fonogramas - Cabide (Ana Carolina, 2005), Ela é a minha cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008), Sem compromisso (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, 1954), Deixe a menina (Chico Buarque, 1980), Pé do meu samba (Caetano Veloso, 2002) e Boto meu povo na rua (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho, 2005) - que tinha ficado fora do CD Mart'nália em samba! ao vivo (Biscoito Fino,  2014) e até então eram registros exclusivos do DVD homônimo.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

CD com primeira trilha de 'Babilônia' apresenta faixa-título de disco de Celso

Celso Fonseca está prestes a lançar um álbum de inéditas, do qual já vem apresentando o single O que vai sobrar. A música que dá título a esse disco, Like nice, faz parte de Babilônia vol. 1, CD que chega às lojas na segunda quinzena deste mês de maio de 2015. A seleção de 16 fonogramas mistura gravações brasileiras e internacionais. A ala nacional inclui gravações exclusivas de Maria Bethânia - Eu te desejo amor, inédita versão em português escrita por Nelson Motta com base na letra em inglês (I wish you love) de Que reste-t-il de nos amours? (Charles Trenet e Léo Chauliac, 1942) - e Gal Costa, que fez novo registro de Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961) especialmente para a trilha com arranjo de Felipe Pinaud e produção de Moreno Veloso e Kassin. Mart'nália também gravou o samba Pra que chorar? (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964) para a abertura da novela. Ainda dentro das gravações exclusivas, o CD Babilônia vol. 1 apresenta A presença - tema instrumental de Roger Henri, compositor que assina a trilha incidental da trama - entre gravações atuais do cantor Mosquito (o seu samba Ô sorte) e da banda Melanina Carioca (Deixa se envolver). 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mart'nália canta samba de Baden & Vinicius em trilha de novela da Globo

Mart'nália figura na trilha sonora da próxima novela das 21h da TV Globo, Babilônia. A artista carioca vai dar voz ao tema de abertura da novela. Trata-se do samba Pra que chorar? (1964), parceria de Baden Powell (1937 - 2000) com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) que a cantora já havia incluído no roteiro do show perpetuado no DVD Mart'nália em samba! (Biscoito Fino, 2014).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Mart'nália se abriga no conforto de sua casa de bamba na volta ao samba

Resenha de CD e DVD
Título: Mart'nália em samba! Ao vivo
Artista: Mart'nalia
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * *

Mart'nália fica em casa quando canta samba. Mesmo que seja uma sambista de approach pop, a filha de Martinho da Vila se ambienta em qualquer quintal que dê os frutos saborosos do samba mais tradicional. O que faz com que Mart'nália em samba! Ao vivo seja um título de menor expressão e ambição artística na discografia da cantora e compositora carioca não é a volta ao samba em si, mas a escolha por um caminho mais óbvio. Fica a impressão de que Mart'nália se abrigou em sua casa de bamba - é sintomático o bloco final feito com sucessos de Martinho da Vila e com a participação do compositor, diretor do show - para reconquistar a parte do público afugentada pelo djavaneado último álbum da artista, Não tente compreender (Biscoito Fino, 2012), disco de tonalidade pop que afastou a cantora da cadência bonita do samba. O roteiro do show - captado ao vivo em 30 de maio deste ano de 2014 no Imperator, no Rio de Janeiro (RJ) - se desenvolve em tons de aquarela brasileira. Como se Mart'nália fosse Emílio Santiago (1946 - 2013) - cantor carioca, aliás, celebrado no repertório com as lembranças de Saigon (Cláudio Cartier, Carlão e Paulo César Feital, 1985) e Um dia desses (João Donato e Carlinhos Brown, 2007). O teor de novidade de Mart'nália em samba! é muito baixo, quase se resumindo à participação do rapper paulistano Emicida na gravação ao vivo e às duas faixas-bônus do CD, gravadas em estúdio. Uma é Sinto-lhe dizer, inédito samba-canção de Moska que reitera a contínua inspiração do compositor carioca (no DVD, a música é vista e ouvida em clipe que entrelaça takes de estúdio com trechos da apresentação ao vivo do tema). A outra faixa-bônus, Tem juízo, mas não usa, é samba de Pedro Luís com Lula Queiroga. Esse samba não é inédito, já tendo dado título ao álbum lançado por Queiroga em 2009, mas ganha suingue e vitalidade no registro de Mart'nália, feito com a voz e o violão de Pedro Luís. À vontade na casa da bamba Mart'nália, Emicida põe rap no samba Chiclete com banana (Gordurinha e Almira Castilho, 1959) e dá seu toque social quando faz seu rap Quero ver quarta-feira (2011), lançado há três anos em single gravado com a própria Mart'nália, pesando momentaneamente o clima descontraído. A leveza do canto pop de Mart'nália sempre foi o grande trunfo dessa cantora que nunca primou pela técnica, mas que esbanja charme, personalidade e identidade vocal. Não é diferente neste Mart'nália em samba! porque o canto de Mart'nália contagia já no primeiro número, Peço a Deus (Dida e Dedé da Portela, 1985), iniciado ainda nos bastidores, como se vê na abertura do DVD. Quando a cantora faz caras, bocas e poses para traduzir no gestual o dilema sexual do samba Casa um da vila (Monsueto Menezes e Flora Mattos, 1973), por exemplo, ganha a plateia de cara. Mart'nália parece realmente em casa quando canta samba. Essa espontaneidade natural, moleca, a redime de transitar pelos temas mais batidos de compositores como Noel Rosa (1910 - 1937), de quem Mart'nália faz Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico, 1934) e Ivone Lara, lembrada com medley óbvio que une Mas quem disse que eu te esqueço? (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho, 1981), Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) e Sorriso negro (Adilson Barbado, Jair Carvalho e Jorge Portella, 1981). A banda é afiada, cabendo destacar a largura do baixo de Rodrigo Villa no toque de Avião (1989), samba de Djavan que já fazia parte do roteiro do show Não tente compreender (2012). Enfim, a gravação ao vivo resulta azeitada. Mas Mart'nália pode mais. Quando se afasta do trilho mais previsível, apresentando ao seu público um samba como Carol ou Clarisse (Rodrigo Lampreia e Beto Landau, 2012), pescado no repertório do duo carioca Benditos, Mart'nália faz jus à fama da cantora mais ambiciosa artisticamente que conquistou o Brasil com grandes álbuns como Pé do meu samba (Natasha Records, 2002), Menino do Rio (Biscoito Fino, 2005), Madrugada (Biscoito Fino, 2008) e o próprio Não tente compreender. Resta torcer para que a artista saia dessa sua confortável casa de bamba ao gravar o próximo disco de estúdio.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Hit de Mestre Marçal é 'single' de álbum em que Mart'nália volta ao samba

Samba gravado com sucesso por Mestre Marçal (1930 - 1994) em seu álbum Recompensa (Barclay, 1985), Peço a Deus (Dedé da Portela e Dida) é o primeiro single do CD e DVD Mart'nália em samba! - Ao vivo. Lançado esta semana nas plataformas digitais, o single promove a gravação ao vivo do show captado em 30 de maio de 2014 na casa Imperator, no Rio de Janeiro (RJ), sob a direção de Martinho da Vila. Neste projeto ao vivo, centrado em regravações de sucessos do samba, a cantora e compositora carioca dribla o caráter meio revisionista do repertório ao registrar músicas inéditas de Moska (Sinto-lhe dizer) e do próprio Martinho da Vila (Gratidão musical). O repertório inclui Carol ou Clarisse (Rodrigo Lampreia e Beto Landau, 2012), samba gravado pelo duo Benditos. O CD e o DVD Mart'nália em samba! - Ao vivo vai chegar ao mercado fonográfico em novembro de 2014 pela gravadora Biscoito Fino.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Martinho e Mart'nália gravam número para (os extras de) DVD solo de Pedro

♪ A foto acima mostra Martinho da Vila e Mart'nália na gravação dos extras do primeiro DVD solo do cantor Pedro Luís. A gravação do trio aconteceu hoje, 22 de setembro de 2014, em estúdio do Rio de Janeiro (RJ), cidade onde Pedro já registrou a primeira etapa do DVD em 31 de agosto de 2014.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Martinho e Mart'nália gravam no Rio número para extras do DVD de Pedro

 Martinho da Vila e Mart'nália gravaram hoje, 22 de setembro de 2014, no Rio de Janeiro (RJ) sua participação nos extras do primeiro DVD do cantor carioca Pedro Luís. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mart'nália canta inéditas de Martinho e Moska em gravação ao vivo no Rio

Sob a direção de seu pai Martinho da Vila, Mart'nália vai gravar esta semana o show que marca sua volta ao samba. O show Mart'nália em samba! vai ser captado ao vivo - para edição de CD e DVD - em apresentação programada para 30 de maio de 2014 na casa Imperator, no Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ). Na gravação ao vivo, a cantora e compositora carioca - em foto de Eny Miranda - vai registrar inéditas de Martinho (Gratidão musical) e Moska (Sinto-lhe dizer) em roteiro que prevê a intervenção do rapper paulistano Emicida em Quero ver quarta-feira, samba-rap de Emicida que Mart'nália já gravou com o compositor em single posto na web em 2011. Além dos clássicos do samba, mote do show, o roteiro inclui Carol ou Clarisse (Rodrigo Lampreia e Beto Landau, 2012), samba gravado pelo duo Benditos. Clique aqui para ler a resenha do ensaio aberto do show Mart'nália em Samba!.

sábado, 15 de março de 2014

De volta ao samba, Mart'nália atinge seu público com tons de 'aquarela'

Resenha de show
Título: Samba! (Ensaio aberto)
Artista: Mart'nália (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 14 de março de 2014
Cotação: * * * 

Em 2012, guiada por Djavan, Mart'nália foi para o pop - sem cuíca, pandeiro ou tamborim - e gravou excelente álbum produzido pelo artista alagoano, com o sintomático título Não tente compreender. O público conquistado pela artista carioca com sambas como Cabide (Ana Carolina, 2006) e Ela é a minha cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008) nem tentou compreender e ignorou o disco. Mas eis que Mart'nália volta a pôr o pé no seu samba e no alheio, com pandeiro e tamborim, em show idealizado com seu pai Martinho da Vila. Apresentado esta semana no Rio de Janeiro (RJ), em ensaios abertos feitos no popular Teatro Rival, Samba! - show que vai dar origem ao próximo CD e DVD de Mart'nália - cumpre o objetivo de sintonizar novamente a cantora e compositora carioca com os anseios de seu público. Calcado em sucessos do samba, o roteiro evidencia a menor ambição artística do projeto. Só que Mart'nália dribla a previsibilidade do repertório e dos arranjos com seu carisma e sua espontaneidade. "Atingiu?", perguntou diversas vezes a cantora ao público que encheu o Teatro Rival na noite de 14 de março de 2014 para assistir ao seu ensaio aberto. Sim, atingiu. O ensaio resultou azeitado, como se fosse um show pronto para cair na estrada. Até porque as hesitações e falas espontâneas de Mart'nália sempre fizeram parte do show de uma cantora que nunca faz gênero ou tipo em cena. Por isso, a insegurança da cantora com a letra (lida) de Samba a dois (Marcelo Camelo, 2003) - música do repertório do ora desativado grupo carioca Los Hermanos - pareceu tão natural. Mesmo que o roteiro seja uma espécie de aquarela brasileira, quase nos moldes do projeto que elevou a cotação do cantor carioca Emílio Santiago (1946 - 2013) no mercado fonográfico a partir de 1988, Mart'nália imprime seus próprios tons ao dar voz desencanada a sambas de bambas como Adoniran Barbosa (1910 - 2012), Chico Buarque, Dedé da Portela (1939 - 2003), Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra (1944 - 1998), Martinho da Vila, Noel Rosa (1910 - 1937) e Paulo Vanzolini (1924 - 2013), entre outros compositores. A malícia moleca que habita a interpretação de Casa um da vila (Monsueto Menezes e Flora Mattos, 1973) exemplifica a personalidade artística de Mart'nália em roteiro que, volta e meia, soa como sedutora celebração da mulher. Fora do universo dos clássicos, o roteiro surpreende com Carol ou Clarisse (Rodrigo Lampreia e Beto Landau, 2012), samba gravado pelo duo Benditos, formado pelos compositores do tema mais recente do roteiro. Antes de cair na obviedade com a lembrança de Saigon (Cláudio Cartier, Carlão e Paulo César Feital, 1985), a sintomática homenagem a Emílio Santiago também foi surpreendente por repor em cena uma deliciosa parceria do baiano Carlinhos Brown com o acreano João Donato, Um dia desses (2007), samba banhado na baianidade de Brown e na latinidade que caracteriza a obra suingante de Donato. Enfim, Mart'nália está de volta ao samba. Apure o tamborim, pois, mesmo que temporariamente abra mão de sua salutar inquietude artística, Mart'nália é bamba e, cantando samba, está literalmente em casa. Por isso, sim, o ensaio aberto atingiu.

Mart'nália vai de Adoniran a Vanzolini no ensaio aberto de seu show 'Samba!'

 Com direito à bela homenagem ao cantor carioca Emílio Santiago (1946 - 2013), lembrado pela conterrânea Mart'nália com Um dia desses, parceria de Carlinhos Brown e João Donato lançada por Emílio no álbum De um jeito diferente (Indie Records, 2007), a filha de Martinho da Vila fez no Rio de Janeiro (RJ) o ensaio aberto de seu show Samba! em apresentações agendadas no Teatro Rival para 14 e 15 de março de 2014. Neste show, cuja estreia oficial está prevista para maio, Mart'nália volta ao samba após belo disco, Não tente compreender (Biscoito Fino, 2012), marcado pelo balanço de seu produtor Djavan. Sob a direção do pai Martinho da Vila, compositor recorrente no roteiro deste show que vai dar origem a CD e DVD, Mart'nália dá voz a um repertório que inclui sambas de Adoniran Barbosa (1910 - 1982), Chico Buarque, Dedé da Portela (1939 - 2003), Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra (1944 - 1998) e Paulo Vanzolini (1924 - 2013), entre vários outros compositores associados ao gênero. Eis o roteiro seguido por Mart'nália - em foto de Rodrigo Goffredo - em 14 de março de 2014 no (azeitado) ensaio aberto do show  Samba! no Teatro Rival:

1. Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974)
2. Pra Mart’nália (Fred Camacho e Jorge Agrião, 2006)
3. Pé do meu samba (Caetano Veloso, 2002)
4. Ela é a minha cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008)
5. Cabide (Ana Carolina, 2006)
6. Boto meu povo na rua (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho, 2006)
7. Mas quem disse que eu te esqueço? (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho, 1981) /
8. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) /

9. Sorriso negro (Adilson Barbado, Jair Carvalho e Jorge Portella, 1981)
10. Coração em desalinho (Monarco e Ratinho, 1986)
11. Casa um da vila (Monsueto Menezes e Flora Mattos, 1973)
12. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962)
13. Trem das onze (Adoniran Barbosa, 1964)
14. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa, 1955)
15. Pra que chorar? (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964)
16. Chiclete com banana (Gordurinha e Almira Castilho, 1959)
17. Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico, 1934)
18. Sem compromisso (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, 1944)
19. Deixa a menina (Chico Buarque, 1980)
20. Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque, 1966)
21. Carol ou Clarisse (Rodrigo Lampreia e Beto Landau, 2012)
22. Um dia desses (Carlinhos Brown e João Donato, 2007)
23. Saigon (Cláudio Cartier, Carlão e Paulo César Feital, 1985)
24. Itinerário (Max Viana, 2011)
25. Fato consumado (Djavan, 1975)
26. Beija, me beija, me beija (Martinho da Vila e Zé Catimba, 1989)
27. Samba a dois (Marcelo Camelo, 2003)
28. Casa de bamba (Martinho da Vila, 1969)
29. Segure tudo (Martinho da Vila, 1971)
30. Ciranda de roda (Martinho da Vila, 1984)
31. Madalena do Jucú (Martinho da Vila a partir de temas do folclore do Espírito Santo, 1989)
Bis:
32. Entretanto (Mart’nália e Mombaça, 1997)
33. Chega (Mart’nália e Mombaça, 2002)
34. Águas de cachoeira (Jovelina Pérola Negra, Carlito Cavalcanti e Labre, 1993)
35. Peço a Deus (Dedé da Portela e Dida, 1985)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Roberta Sá, Maria Rita e Mart'nália voltam ao samba em próximos discos

Acenda o refletor e apure o tamborim: três cantoras residentes no Rio de Janeiro (RJ) vão voltar ao samba nos discos que lançam ao longo deste ano de 2014. O de Maria Rita já está pronto e tem lançamento previsto para março ou abril, via Universal Music. Em seu quinto álbum de estúdio, o primeiro após controvertido tributo à mãe Elis Regina (1945 - 1982) em show eternizado no CD/DVD Redescobrir (2012), a cantora paulista volta ao gênero que rejuvenesceu seu público a partir da edição de seu terceiro CD, Samba meu (2007). Arlindo Cruz - compositor recorrente no disco lançado há sete anos - figura como autor no repertório que reúne sambas inéditos, sinalizando que Rita não vai se distanciar da linha do bem-sucedido Samba meu. Já Roberta Sá - potiguar de criação carioca - decidiu voltar ao samba em seu quinto álbum de estúdio, mas no quintal pop. A cantora colhe sambas inéditos de compositores associados ao pop brasileiro, como Adriana Calcanhotto e Marina Lima, para o CD que vai ser editado pelo selo MP,B Discos com distribuição da mesma Universal Music que vai pôr o disco de Maria Rita nas lojas. Esse retorno de Roberta Sá ao samba poderá ser encarado como decisão estratégica da artista, já que seu último ótimo disco, Segunda pele (2011), a distanciou do samba e obteve menor adesão popular. Mart'nália também vem de primoroso álbum de menor aderência, Não tente compreender (2012), embebido do suingue de seu produtor Djavan. Coincidência ou não, a carioquíssima filha de Martinho da Vila vai voltar a pisar no terreiro em disco de samba de molde mais tradicional. Será que o samba mandou chamar as três cantoras?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Com 'porongondon', Mart'nália ajeita improvisado tributo a Vinicius no Rio

Resenha de show
Evento: Festival Back2Black
Artista: Mart'nália (em foto de Cristina Granato)
Local: Grande Sala - Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 17 de novembro de 2013
Cotação: * * 1/2

"Tamo ajeitado? Tamo ajeitado, né?", perguntou Mart'nália para um dos músicos que dividiram com ela o palco da Grande Sala, na Cidade das Artes, no show em homenagem ao centenário de nascimento do compositor e poeta carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980). A pergunta foi feita após o sétimo número da atribulada apresentação da cantora carioca no terceiro e último dia do festival Back2Black. Tinha tudo para ser antológico o tributo a Vinicius prestado por uma cantora que soube dar alma pop ao samba com sua voz e seu estilo peculiar. Contudo, problemas de som - provocados pela transferência do show do cantor norte-americano Bobby Womack do Palco Rio para a Grande Sala - empanaram o brilho do show de Mart'nália. O início do show transcorreu como se fosse uma passagem de som, com a luz da plateia ainda acesa e com os técnicos ajustando os instrumentos da banda. O que não impediu que o microfone de Mart'nália soasse demasiadamente baixo quando a cantora soltou sua voz rouca na canção Sabe você (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961) - apresentada em atmosfera de samba-canção - e nos sambas Regra três (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971) e Sei lá... A vida tem sempre razão (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971). O som foi regulado somente a partir do número que reuniu Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962), Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963), Minha namorada (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1962) e Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) em medley que celebrou a beleza feminina e o amor ao jeito maroto de Mart'nália. Ainda em clima de improviso, a cantora repetiu Sabe você e Sei lá... A vida tem sempre razão - já com o som do microfone ajustado - para retomar o roteiro com Samba de benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), primeiro grande momento do show. Munida de percussão, Mart'nália sambou no palco, caiu no suingue e deitou e rolou na cadência do Samba da benção em arranjo que incorporou levadas baianas. "Com Vinicius tem que ser tudo no improviso mesmo. Não dá para ser muito certinho, certo?", ponderou a cantora, entrando no clima do show, ao cantar Pra que chorar? (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964). Foi no improviso que, no bis, após cantar A tonga da mironga do kabuletê (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971), Mart'nália puxou Tarde em Itapoã (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971). Enfim, ao seu jeito desencanado, Mart'nália acabou ajeitando seu tributo a Vinicius. Botou um copo de uísque ao centro do palco, em cima de um copo de gelo, e saudou o poeta a cada gole com um "Saravá!". Botou também no palco a sobrinha Dandara, que evoluiu em cena à moda das mulatas globelezas, em Garota porongondon (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1965), uma das músicas menos conhecidas do roteiro ao lado de Mulata do sapateado, bissexta parceria de Vinicius com o compositor mineiro Ary Barroso (1903 - 1964), gravada em 1960 por Ângela Maria - citada por Mart'nália no show - e revivida pela filha de Martinho da Vila no álbum Pé do meu samba (2002). Enfim, Mart'nália tem muito porongondon. E foi com esse porongondon que salvou show prejudicado pela súbita alteração na logística da última noite da quinta edição do Back2Black. No improviso, sem stress, a artista ajeitou o tributo a Vinicius.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Mart'nália produz o terceiro álbum de inéditas de seu parceiro Mombaça

Mart'nália assina a produção do terceiro disco de inéditas de Mombaça, seu parceiro em sambas como Chega e Pretinhosidade. O cantor e compositor carioca já começou a dar forma, no Rio de Janeiro (RJ), ao sucessor de Mombaça (1999) e Afro memória (2002 - disco já reeditado em 2005 e em 2010 com faixas adicionais). O repertório é essencialmente autoral.

domingo, 28 de julho de 2013

Mart'nália levanta até defunto em Garanhuns com música de 'Pé na cova'

Garanhuns (PE) - Atração do Palco Guadalajara na última noite da 23ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns, Mart'nália levantou o público com Pé na cova (F.U.I.), tema de abertura de Pé na cova (TV Globo), seriado no qual a sambista pop se aventura como atriz, interpretando a personagem Tamanco. Gravada por Mart'nália para a abertura do programa, a música é da lavra da cantora e compositora carioca em parceria com Beto Landau e com o rapper Flávio Renegado. O tema de Pé na cova foi um dos destaques da apresentação de Mart'nália, que fez um show de sucessos, cantando hits de Wilson Simonal (1938 - 2000) - Mamãe passou açúcar em mim (Carlos Imperial, 1966), música gravada pela artista no Baile do Simonal - e Zeca Pagodinho (Coração em desalinho, Mauro Diniz e Ratinho, 1986), entre outros cantores. Não faltaram, claro, sucessos do pai Martinho da Vila, lembrado com sambas como Disritmia (Martinho da Vila, 1974), Ex-amor (Martinho da Vila, 1981) e Mulheres (Toninho Geraes, 1985). E não faltou também a homenagem a Dominguinhos (1941 - 2013) na terra natal do cantor, compositor e sanfoneiro pernambucano. Mart'nália - em foto de Eric Gomes, da Fundarpe - cantou o xote Eu só quero um xodó (Domiguinhos e Anastácia, 1973).

O blog Notas Musicais cobre o Festival de Inverno de Garanhuns a convite da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco

Mart'nália recebe Junior Almeida em Garanhuns para dueto em 'Os sinais'

Garanhuns (PE) - Já era madrugada deste domingo, 28 de julho de 2013, quando Mart'nália subiu ao Palco Guadalajara - que concentrou as principais atrações da 23ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns - para apresentar uma versão mais popular de seu show Não tente compreender. Uma das músicas do disco homônimo, lançado em abril de 2012, contou com a presença do convidado Junior Almeida (visto com a cantora carioca na foto de Eric Gomes / Fundarpe). O dueto foi em Os sinais, música de autoria do (inspirado) compositor alagoano. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Jeito moleque de Mart'nália e arranjos de Maíra animam a 'Carnavalança'

Resenha de CD
Título: Carnavalança
Artista: Mart'nália (com Chico Buarque, Evandro Mesquita, Luiz Melodia, Maíra Freitas,
            Maria Rita, Martinho da Vila, Moyseis Marques e Paula Lima
Gravadora: Biscoitinho (Biscoito Fino)
Cotação: * * * *

Em tese, Carnavalança é um CD infantil. Mas tem cacife para animar a folia de crianças dos oito aos 80 anos. Quem comanda o baile é Mart'nália. Escorados nos arranjos criativos da pianista e cantora Maíra Freitas, irmã da anfitriã, Mart'nália e seus solistas convidados reapresentam 34 sucessos carnavalescos, distribuídos em 17 faixas. São marchas e (alguns) sambas dos velhos Carnavais que soam renovados em Carnavalança pelo que Maíra Freitas caracteriza de intervenções nos arranjos. Que se fazem notar especialmente no medley que junta a Marcha da cueca (Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho) - cantada em ritmo de rap pelo coro masculino da faixa - com Maria sapatão (João Roberto Kelly) e Cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly e Roberto Faisal), marcha que ganha citação de fraseado bossa-novista no verso Será que ele é bossa nova?. Espirituosa, Maíra ainda insere citação de I will survive - sucesso de Glória Gaynor tornado hino gay - entre essas duas marchas que abordam a homossexualidade (com incentivo ao bullying no caso da politicamente incorreta Cabeleira do Zezé). O disco foi idealizado para ser a trilha sonora do livro Carnavalança, criado pela ilustradora carioca Mirna Brasil Portella para recontar a história da folia para as crianças. Encartado no livro, o CD também está sendo lançado de forma avulsa pelo selo Biscoitinho, da gravadora Biscoito Fino. Feita em família, a Carnavalança foi arquitetada sob a direção artística de Mart'nália e Martinho Filho. O patriarca do clã, Martinho da Vila, também está presente, como intérprete da marcha Cidade maravilhosa (André Filho). A participação de crianças no coro faz com que a Carnavalançsoe lúdica e quase sempre graciosa em marchas como Touradas em Madrid (Alberto Ribeiro e Braguinha), faixa na qual Mart'nália recebe Luiz Melodia, destaque em time de convidados no qual também brilha Chico Buarque, sóbrio no registro de As pastorinhas, bissexta parceria de Noel Rosa (1910 - 1937) com João de Barro (1907 - 2006), o célebre Braguinha. Maria Rita dá voz a duas (belas) marchas melancólicas popularizadas na voz dramática de Dalva de Oliveira (1917 - 1972). Bandeira branca (Laércio Alves e Max  Nunes) não é hasteada à altura da interpretação de Dalva. Já em Máscara negra (Zé Kétti e Hildebrando Matos) - um dos trunfos do disco - Maria Rita entra no clima e brinca em cima dos andamentos alternados do (inspirado) arranjo de Maíra Freitas. Já Moyseis Marques parece folião cansado em Balancê (Alberto Ribeiro e João de Barro) sem chegar a comprometer a animação da Carnavalança. Além de brilhar como arranjadora, Maíra Freita se sai bem como cantora em Até quarta-feira (Geraldo Pereira e Jorge de Castro), samba propagado em 1943 na voz sincopada do cantor carioca Cyro Monteiro (1913 - 1973). Mas é Mart'nália, com seu jeito moleque, quem mais entra no clima da Carnavalança, interpretando várias marchinhas com espirituosidade. Ao fim de Turma do funil (Milton de Oliveira, Mirabeau e Urgel de Castro), por exemplo, Mart'nália simula estar bêbada. É brincadeira que tem graça! Já alteração proposital dos versos de Jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto) - marcha cantada por Mart'nália com Paula Lima - soa sem graça, sem efeito. Contudo, nenhum folião continuará sentado ao ouvir Carnavalança. O baile vai animar foliões mirins - e adultos. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mart'nália faz baile infantil no CD Carnavalança com Maria Rita e Martinho

Mart'nália - em foto de Joaquim Nabuco - comanda o baile infantil de Carnavalança, CD que vai ser lançado pelo selo infantil Biscoitinho, da gravadora Biscoito Fino, a tempo de animar a folia de 2013. No CD, inspirado no livro homônimo da ilustradora carioca Mirna Brasil Portella, 34 marchinhas de Carnaval - alocadas em 17 faixas - são adaptadas para a linguagem musical das crianças com  arranjos da pianista e cantora Maíra Freitas, irmã de Mart'nália, intérprete da maioria das marchas. Gravado em novembro de 2012, o CD tem adesões de Chico Buarque (As pastorinhas, parceria de Noel Rosa com Braguinha), Luiz Melodia (Touradas em Madrid, de Braguinha e Alberto Ribeiro), Maria Rita - nas marchas Máscara negra (Zé Kétti e Hildebrando Matos) e Bandeira branca (Laércio Alves e Max Nunes), sucessos na voz de Dalva de Oliveira (1917 -1972) - e Martinho da Vila (em Cidade maravilhosa, marcha lançada pelo compositor André Filho em 1934). Carnavalança vai ser editado em CD avulso e ainda encartado no livro.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Primeiro álbum de Mart'nália, de 1987, é reeditado na 'Série Discobertas'

Lançado em 1987 pela extinta gravadora 3M, com reduzida repercussão comercial e artística, o primeiro álbum de Mart'nália ganha a primeira reedição em CD 25 anos após seu lançamento. Mart'nália volta ao catálogo, com distribuição da Warner Music, em reedição produzida pelo pesquisador musical Marcelo Fróes na Série Discobertas. Neste disco seminal, produzido por Ruy Quaresma com repertório voltado para o samba, a artista carioca - que se revelou cantora ainda imatura, experimentando tons altos e formais de interpretação, sem a descontração que iria lhe dar progressiva fama a partir dos anos 2000 - debutou como compositora na faixa Na Mão de Deus, gravou com Nei Lopes Luxuosos Transatlânticos (Claudio Jorge e Nei Lopes), tirou do baú título obscuro do cancioneiro de seu pai Martinho da Vila (Cordas e Correntes, lançado por Maria Creuza em 1975), deu voz à música do baixista Arthur Maia (Nova Era, faixa de tom tecnopop) e regravou temas de Paulinho da Viola (Para Um Amor no Recife, 1971) e Sidney Miller (1945 - 1980) (Nós os Foliões, aliás gravado pelo antenado Paulinho da Viola em 1982), entre outros compositores. Ruy Quaresma e Rildo Hora assinaram os arranjos do álbum.

domingo, 13 de maio de 2012

Feliz, Mart'nália inventa a vida ao mostrar em show sua cara 'black' e pop

Resenha de show
Título: Não Tente Compreender
Artista: Mart'nália (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de maio de 2012
Cotação: * * * *
Show em cartaz na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP), em 17 de maio de 2012

"Posso cantar um rock'n'roll?", perguntou Mart'nália, cheia de charme e ginga, para o público que encheu a casa carioca Vivo Rio, na noite de 12 de maio de 2012, para ver a estreia nacional de seu show Não Tente Compreender. O rock'n'roll a que a artista se referia era um rock da cepa pop de Nando Reis, Zero Muito, fornecido a Mart'nália pelo compositor para inclusão no recém-lançado sexto álbum de estúdio de Mart'nália, Não Tente Compreender. A cantora nem esperou pelo consentimento da plateia, pegou uma guitarra e mandou ver no rock de Nando, encerrando show que, embora menos radical do que o homônimo disco produzido por Djavan, expõe a multifacetada cara pop e black de Mart'nália. Sob a direção de Guilherme Leme e Marcia Alvarez, coautores do roteiro assinado também pela cantora, Mart'nália cai no samba, canta soul, entoa baladas de acento pop e, sim, canta o rock de Nando Reis, irmanando com seu jeito de moleca repertório heterogêneo e assumido que, em última instância, passa uma boa cantada na mulher cobiçada. Sem buscar o aval de público e crítica, atitude já sinalizada pelo fato de ter batizado disco e show com o nome da canção tribalista Não Tente Compreender (Marisa Monte e Dadi, 2008), Mart'nália apresenta trabalho coerente com o som adotado no CD Minha Cara (ZFM Records, 1995), gravado sete anos antes de sua projeção na mídia. Nesse disco, lançado sem repercussão, já pulsava a veia black que salta novamente em Não Tente Compreender na balada soul Namora Comigo (Moska, 2012), no samba Surpresa (Mart'nália, Arthur Maia e Ronaldo Barcellos, 2012) e na lembrança de Lábios de Mel (Cleonice Aparecida Cazalonga e Edson Trindade), lado B de álbum pouco ouvido de Tim Maia (1942 - 1998), Reencontro (Odeon, 1979). Números de alma black ressaltada pelo afinado e afiado quarteto de backing-vocals. Contudo, o show Não Tente Compreender extrapola rótulos. Com personalidade, Mart'nália já entra sedutora em cena, lembrando duas músicas de Antonio Carlos & Jocafi, dupla baiana em evidência nas paradas dos anos 70. Opus 2 (1977) - cantada por Mart'nália ainda nos bastidores, sem dar as caras - é charmosamente entrelaçada com Você Abusou (1971). Na sequência, com seu inglês praticado no bairro-berço carioca de Vila Isabel, Mart'nália traz para o seu samba um sucesso pop de Stevie Wonder, You Are the Sunshine of My Life (1973). "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?", perguntaria provocante, alguns números depois, burilando seu arsenal percussivo e recorrendo a verso do sucesso do quarteto carioca Los Hermanos, Samba a Dois (Marcelo Camelo, 2003). É recado bem dado para quem anda reclamando da assinatura forte de Djavan no disco. No show, tal assinatura se faz presente de forma menos marcante porque a direção musical é do baixista Ivan Machado. Mart'nália muda de poesia e vai pro pop, mas leva tamborim e pandeiro para a cena esplendidamente iluminada por Ney Matogrosso. Contudo, o suingue de Dja - como Mart'nália chama o produtor e diretor musical de seu corajoso CD - está lá, perfeitamente detectado em Os Sinais (Junior Almeida, 2012) e no samba Avião (Djavan, 1989), da  lavra do compositor-matriz. Aliás, é em Avião que o baixo largo de Ivan Machado voa mais alto, reiterando a fina sintonia entre disco e show. Mesmo assim, tal sintonia não impediu que Serei Eu? (Mart'nália, Ivan Lins e Zélia Duncan, 2012), baladona de grande requinte harmônico no disco, soasse menos classuda na abordagem do palco. Da mesma forma, Daquele Jeito (André Carvalho, 2010) e o jongo Reverso da Vida (Martinho da Vila, 1982) perdessem parte do encanto em cena. Sem jamais renegar a herança recebida de Martinho da Vila, Mart'nália reitera o d.n.a. musical quando rebobina seu medley que junta samba do pai, Parei na Sua (1969), com uma pérola de Candeia (1935 - 1978), A Flor e o Samba, gravado por Martinho em 1971. Do pagode em que aclimata Coração em Desalinho (Mauro Diniz e Ratinho, 1986), Mart'nália migra na sequência para ambiente cool que acomoda Vai Saber (2006) - o samba que Adriana Calcanhotto fez para ela, mas que foi parar em disco de Marisa Monte - e Demorou, o samba bossa-novista fornecido por Caetano Veloso, padrinho musical da sambista pop. É cheia de bossa e charme que Mart'nália canta Alegre Menina (Dori Caymmi e Jorge Amado) - realçando pelo gestual cada imagem da letra propagada na voz de Djavan em 1975 e regravada por Mart'nália em seu anterior álbum de estúdio, Madrugada (2008) - e que cai leve em samba feito com o fiel parceiro Mombaça, Entretanto (1995). "Invento a vida quando canto", resume Mart'nália, feliz, já no bis, através de verso de Deixa Eu Cantar (Dudu Falcão, 1988), música lançada por Nana Caymmi. Embebido na felicidade da cantora, transparente desde o primeiro número do show, o bis é o veículo ideal para o encadeamento dos dois sambas noveleiros que são os maiores hits de Mart'nália, Cabide (Ana Carolina, 2005) e Ela É a Minha Cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008). Mas o arremate vem com Mamãe Passou Açúcar em Mim (Carlos Imperial, 1966), sucesso de Wilson Simonal (1938 - 2000) que cai bem no canto sedutor de Mart'nália, intérprete de pouca voz e muita personalidade que pode, sim, cantar rock'n'roll, samba, soul, bossa, balada pop e o que mais bem entender. Compreendido?