Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 22 de maio de 2016

Aos 78 anos, Martinho da Vila prepara álbum de inéditas 'De bem com a vida'

Aos 78 anos, Martinho da Vila insiste na juventude. O cantor e compositor fluminense se prepara para lançar álbum de músicas inéditas intitulado De bem com a vida. André Midani capitaneia a produção do primeiro disco de inéditas do artista desde Do Brasil e do mundo (MZA Music, 2007). O álbum tem participações de João Donato e Jorge Mautner. O lançamento está previsto para o segundo semestre deste ano de 2016 em edição da gravadora Sony Music. No CD, Martinho registra a primeira parceria com o mineiro Geraldo Carneiro, autor da letra do samba  Escuta, cavaquinho.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Martinho inaugura parceria com Geraldo Carneiro ao musicar letra do artista

Martinho da Vila é o mais novo parceiro de Geraldo Carneiro, poeta e letrista mineiro que já fez músicas com nomes como Egberto Gismonti e Francis Hime. O cantor e compositor fluminense musicou letra que lhe tinha sido enviada por Carneiro. Escuta, cavaquinho é o nome do novíssimo samba que inaugura a parceria de Martinho - em foto de Marcelo Correa - com Geraldo Carneiro.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Dois anos após pôr 'Enredo' na rua, Martinho prepara volta ao disco via Sony

Martinho da Vila vai voltar ao mercado fonográfico neste ano de 2016. Dois anos após lançar pela gravadora Biscoito Fino o álbum Enredo (2014), projeto que abarcou também DVD e livro, o cantor e compositor fluminense - em foto de Marcelo Correa - negocia com a Sony Music a edição do próximo título de discografia solo iniciada em 1969 com (ótimo) álbum lançado pela gravadora RCA.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ana Costa caminha pela obra de Martinho e canta com ele nos extras de DVD

Ana Costa lança neste mês de novembro de 2015 por seu selo Zambo Discos, com distribuição da gravadora Biscoito Fino, CD e DVD com a gravação ao vivo do show Pelos caminhos do som - Uma homenagem a Martinho da Vila. Como o subtítulo do projeto já explicita, trata-se de um tributo ao cantor e compositor fluminense, prestado pela cantora carioca com ênfase no caráter lusófono da obra autoral de Martinho. A gravação ao vivo foi feita em 12 de março deste ano de 2015 em apresentação na casa Imperator do Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ), sob a direção geral de Bianca Calcagni. Filha de Martinho, Analimar Ventapane assina a direção do show, captado em vídeo pelas câmeras orquestradas por Darcy Burger, do Canal Brasil, parceiro na viabilização do projeto. Presente na plateia do show, Martinho canta com Ana Costa duas músicas - À volta da fogueira (Rui Mingas, Manoel Rui e Martinho da Vila, 1983) e Brasil mulato (Martinho da Vila, 1969) - alocadas somente nos extras do DVD, ambas ausentes da seleção de repertório do CD, que tem 16 dos 22 números do DVD. Nos extras, Martinho também comenta o show com Ana Costa (clique aqui para ler a resenha da gravação). Eis, na ordem do DVD Pelos caminhos do som, o roteiro percorrido pela cantora e compositora carioca na rota lusófona da obra de Martinho da Vila:

*   Salve a mulata brasileira (Martinho da Vila, 1975) - vinheta
1. Semba dos ancestrais (Martinho da Vila e Rosinha de Valença, 1985)
2. Fazendo as malas (Martinho da Vila e Rildo Hora, 2000)
3. Pelos caminhos do som (Martinho da Vila e Alceu Maia, 1989)
    - com Alceu Maia no cavaquinho
4. Filosofia de vida (Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2008)
    - com Marcelinho Moreira
5. Quer amar mamãe (Martinho da Vila, 1996)
6. Odilê, Odilá (Martinho da Vila e João Bosco, 1986)
7. Disritmia (Martinho da Vila, 1974)
8. Meu laiaraiá (Martinho da Vila, 1970)
9. Ex-amor (Martinho da Vila, 1981)
10. Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974) - com Zélia Duncan
11. Dar e receber (Martinho da Vila, 2005)
12. Calumba (Kalumba) (Elias Dias Kimuezo em versão em português de Martinho da Vila, 2007) 
      - com a flauta de Dirceu Leite /
      Dança ma mi criola (Toy Vieira em versão em português de Martinho da Vila, 2000)
      - com Mart'nália
13. Beija, me beija, me beija (Martinho da Vila e Zé Katimba, 1989)
14. Ô morena, como é bom viajar (Martinho da Vila e Roque Ferreira, 2000) /
      O pai da alegria (Martinho da Vila e Agrião, 1989) - com Agrião
15. Madalena do Jucú (Tema do folclore em adaptação de Martinho da Vila, 1989)
16. Reversos da vida (Martinho da Vila, 1982) /
      Assim não, Zambi (Martinho da Vila, 1979) - com Meninas da Serrinha
17. Nego, vem cantar (Martinho da Vila, 1974)
18. Yayá do Cais Dourado (Martinho da Vila e Rodolpho de Souza, 1969)
19. Traço de união (Martinho da Vila e João Bosco, 1982)
20. Lusofonia (Martinho da Vila e Elton Medeiros, 2000)
Extras:
1. À volta da fogueira (Rui Mingas, Manoel Rui e Martinho da Vila, 1983) - com Martinho da Vila
2. Brasil mulato (Martinho da Vila, 1969) - com Martinho da Vila

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Roberta canta inédita de Martinho com compositor em CD que sai em agosto

Previsto para ser lançado em agosto de 2015, em edição do selo MP,B Discos que vai chegar às lojas com distribuição da gravadora Som Livre, o sexto álbum de Roberta Sá inclui música inédita do compositor fluminense Martinho da Vila. A cantora potiguar pediu música a Martinho para o disco - gravado no Rio de Janeiro (RJ) com produção de Rodrigo Campello - e ganhou Amanhã é sábado. Martinho participou da gravação da faixa. Outras músicas do CD são Covardia (Ataulfo Alves e Mário Lago) - samba de 1938 que Roberta transformou em fado, em gravação feita em Lisboa em dueto com o cantor português António Zambujo - e Boca em boca, primeira parceria de Roberta com o compositor carioca Xande de Pilares, projetado como vocalista do Grupo Revelação.

domingo, 10 de maio de 2015

'Samba de cabôco' reúne Martinho com Mart'nália no DVD solo de Pedro Luís

Com lançamento agendado para o fim deste mês de maio de 2015, em CD e DVD que chegarão ao mercado fonográfico em edição do selo MP,B Discos que vai ser distribuída pela gravadora Som Livre, o primeiro registro ao vivo de show solo de Pedro Luís, Aposto, tem adesões de Martinho da Vila e Mart'nália. Pai e filha se uniram com o cantor e compositor carioca em estúdio do Rio de Janeiro (RJ), em 22 de setembro de 2014, para gravar Samba de cabôco, parceria de Pedro com o compositor baiano Roque Ferreira. A gravação do trio de bambas está alocada nos extras do DVD. Nesses extras, Pedro também dá voz a Indivídua, parceria sua com o compositor carioca João Cavalcanti, em registro feito com a participação de Cavalcanti e a adicional intervenção performática de Cabelo. Há também Véu de filó, outra música gravada (com a adesão da cantora Bruna Caram) fora do show captado no Rio de Janeiro (RJ) em 31 de agosto de 2014 em apresentação íntima para 20 convidados feita no ateliê-estúdio do artista plástico carioca Sérgio Marimba. A música inédita que batiza o CD e DVD  Aposto é parceria de Pedro com Lucky Luciano.

domingo, 22 de março de 2015

Ana Costa pega a rota lusófona na viagem pelos belos caminhos de Martinho

Resenha de show - Gravação de DVD
Título: Pelos caminhos do som - Ana Costa canta Martinho da Vila
Artista: Ana Costa (com Mart'nália na foto de Cristina Granato)
Local: Imperator - Centro Cultural João Nogueira (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de março de 2015
Cotação: * * * 1/2

A viagem de Ana Costa pelos caminhos lusófonos do som do compositor fluminense Martinho da Vila teve muitas paradas. Excessivas repetições de números - por questões técnicas - testaram a paciência do espectador que testemunhou no Imperator, no Rio de Janeiro (RJ), a gravação ao vivo de Pelos caminhos do som - Ana Costa canta Martinho da Vila, show que estreou de forma embrionária em outubro de 2013, ganhou corpo em 2014 e foi registrado para edição de CD e DVD em 12 de março de 2015 em apresentação na casa do Centro Cultural João Nogueira, situada no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Sem falar nas intervenções constrangedoras de um casal de apresentadores sem noção do ridículo. No entanto, o produto resultante da gravação ao vivo - feita sob a direção de Bianca Calcagni numa parceria das empresas Zambo e MDM que teve coprodução do Canal Brasil - tem tudo para contentar os admiradores de Ana Costa, cantora e compositora carioca que iniciou sua caminhada musical em 1989 e que caiu no samba ao longo dos anos 1990. Inclusive pela beleza do cenário de Iza Valente. Por sua intimidade com a obra de Martinho, abordada por Ana desde que integrava o grupo Coeur Sambá na primeira metade da década de 1990, a cantora soube pegar rotas menos óbvias na viagem pelos caminhos seguidos por compositor que parte do samba para chegar a outros ritmos enraizados nas culturas brasileira e africana. O norte do roteiro do show - dirigido por Analimar Ventapane - foi o repertório de um álbum pouco ouvido de Martinho, Lusofonia (Sony Music, 2000), disco em que o compositor ressaltou afinidades entre os sons de países que falam a língua portuguesa numa rota que inclui locais africanos como Cabo Verde. Daí a abertura do show ter sido feita com o Semba dos ancestrais (Martinho da Vila e Rosinha de Valença, 1985), após sagaz citação vocal de Salve a mulata brasileira (Martinho da Vila, 1975) pelas backings Jussara Lourenço e Verônica Bonfim. Cabo Verde foi evocado em Dança ma mi criola (Toy Vieira em versão em português de Martinho da Vila, 2000), número agraciado com o charme pop de Mart'nália. Já a escala em Portugal foi feita com o fado Dar e receber (Martinho da Vila, 2005) em número minimalista em que a voz da cantora se afinou com o toque do violão eletroacústico do guitarrista Maurício Massunaga. A propósito: aos 46 anos, Ana Costa está no auge da forma vocal. Sua segurança na interpretação de músicas como Pelos caminhos do som (1989) - feita com a adesão do cavaquinho luminoso de Alceu Maia, parceiro de Martinho na composição - e Odilê, Odilá (Martinho da Vila e João Bosco, 1986)  foi show à parte. Um dos pontos altos do show, a lembrança da marota Quer amar mamãe (Martinho da Vila, 1996) - joia da obra de Martinho lançada no único CD do grupo Coeur Sambá e revivida por Ana no seu álbum mais arejado, Novos alvos (Zambo Discos, 2009) - atestou a maturação da cantora entre a trama dos tambores do percussionista Daniel Félix. Mesmo quando pegou atalhos mais óbvios para chegar ao público refratário a músicas obscuras, Ana Costa surpreendeu. Seja cantando Disritmia (Martinho da Vila, 1974) somente com a pulsação do baixo de Júlio Florindo, diretor musical do show, seja alternando a cadência de Madalena do Jucú (tema do folclore capixaba em adaptação de Martinho da Vila, 1989), cantada em tons mais suaves, em sintonia com a sutileza da percussão de Daniel Félix. Até a já desgastada Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974) teve seu interesse renovado por ter sido o samba escolhido por Ana para cantar com sua parceira Zélia Duncan. De todo modo, o baú de Martinho da Vila guarda muitas pérolas - e Ana Costa soube remexer nesse baú. Foi difícil resistir à cadência bonita do samba-enredo Yayá do Cais Dourado, composto para o desfile da escola de samba Unidos de Vila Isabel no Carnaval de 1969. Outro acerto foi a escolha dos convidados. Sem se preocupar em convidar estrelas populares para a gravação, Ana recebeu nomes afins com o cancioneiro de Martinho. Gente como o cantor, compositor e percussionista Marcelinho Moreira, que entrou em cena com seu reco-reco para fazer duo com a cantora em Filosofia de vida (Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2008), samba que Ana já registrara em seu terceiro e por ora último disco de estúdio, Hoje é o melhor lugar (Zambo Discos / Biscoito Fino, 2012). Já Agrião temperou a interpretação de O pai da alegria, samba que compôs com Martinho e que deu título ao álbum lançado por seu parceiro em 1989. Quatro números antes, as Meninas da Serrinha - trio de jongo que resiste nas terras imperiais - reforçou toda a carga de ancestralidade que há em Assim não, Zambi (Martinho da Vila, 1979), momento de toque sócio-político em que Ana Costa recitou o texto (impressionantemente atual) ouvido na voz ascendente de Clementina de Jesus (1901 - 1987) na antológica gravação feita há 36 anos com a participação do próprio Martinho. Enfim, Ana Costa soube transitar com firmeza pelos caminhos do som lusófono de Martinho da Vila em um show (em si) ótimo.

Ana canta Martinho com sua gente em gravação que incluiu dueto com Zélia

Parceira de Zélia Duncan em músicas como Não sei o que dá (2006 - composta com a adesão de Mart'nália), Antiga (2010) e Hoje é o melhor lugar (2012), a cantora e compositora carioca Ana Costa firmou nova conexão musical com a parceira na gravação ao vivo de seu primeiro DVD, realizada na casa Imperator do Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 2015. Desta vez, Zélia entrou em cena como cantora, convidada do samba Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974). Ao registrar o show Pelos caminhos do som - Ana Costa canta Martinho da Vila para edição de CD e DVD que serão lançados no fim deste ano de 2015 pela gravadora Biscoito Fino, parceira do Canal Brasil no projeto, Ana cantou Martinho com sua gente em roteiro que destacou o acento lusófono do cancioneiro do sambista. Gente que também tem intimidade com a obra do cantor e compositor fluminense. A começar pelas filhas de Martinho. Analimar Ventapane assumiu o comando do show, cuja direção musical foi confiada a Júlio Florindo. Mart'nália, a filha mais famosa do clã originário do bairro de Vila Isabel, fez dueto com Ana em música pouco ouvida, Dança ma mi criola (2000), versão em português, feita por Martinho, de música do africano Toy Vieira, compositor de Cabo Verde. Outros nomes - como Agrião e Marcelinho Moreira, gente da família musical de Ana e Martinho - também entraram em cena no show norteado pelo repertório do álbum Lusofonia (Sony Music, 2000), lançado por Martinho há 15 anos. Eis o roteiro seguido em 12 de março de 2015 por Ana Costa - com Zélia Duncan na foto de Cristina Granato - na gravação ao vivo do ótimo show Pelos caminhos do som, feita sob a direção de Bianca Calcagni, com captação de imagens orquestrada por Darcy Burger:

*   Salve a mulata brasileira (Martinho da Vila, 1975) - citação vocal na abertura
1. Semba dos ancestrais (Martinho da Vila e Rosinha de Valença, 1985)
2. Fazendo as malas (Martinho da Vila e Rildo Hora, 2000)
3. Pelos caminhos do som (Martinho da Vila e Alceu Maia, 1989)
    - com Alceu Maia no cavaquinho
4. Filosofia de vida (Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2008)
    - com Marcelinho Moreira
5. Quer amar mamãe (Martinho da Vila, 1996)
6. Odilê, Odilá (Martinho da Vila e João Bosco, 1986)
7. Disritmia (Martinho da Vila, 1974)
8. Meu laiaraiá (Martinho da Vila, 1970)
9. Ex-amor (Martinho da Vila, 1981)
10. Yayá do Cais Dourado (Martinho da Vila e Rodolpho de Moraes, 1969)
11. Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974)
12. Dar e receber (Martinho da Vila, 2005)
13. Calumba (Kalumba) (Elias Dias Kimuezo em versão em português de Martinho da Vila, 2007)
      - com a flauta de Dirceu Leite
14. Dança ma mi criola (Toy Vieira em versão em português de Martinho da Vila, 2000)
       - com Mart'nália
15. Beija, me beija, me beija (Martinho da Vila e Zé Katimba, 1989)
16. Madalena do Jucú (Tema do folclore em adaptação de Martinho da Vila, 1989)
17. Reversos da vida (Martinho da Vila, 1982)
18. Assim não, Zambi (Martinho da Vila, 1979) - com Meninas da Serrinha
19. Nego, vem cantar (Martinho da Vila, 1974)
20. Traço de união (Martinho da Vila e João Bosco, 1982)
21. Ô morena, como é bom viajar (Martinho da Vila e Roque Ferreira, 2000)
22. O pai da alegria (Martinho da Vila e Agrião, 1989) - com Agrião
23. Lusofonia (Martinho da Vila e Elton Medeiros, 2000)
Bis:
24. Bem feliz (Cláudio Jorge e Délcio Carvalho, 1994)
25. Kizomba, festa da raça (Luiz Carlos da Vila, Jonas e Rodolpho, 1988)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Ana segue o caminho do som de Martinho na primeira gravação ao vivo

Show que Ana Costa vem apresentando desde 2013, Pelos caminhos do som - Martinho da Vila, do Brasil, do mundo vai ganhar um registro audiovisual neste ano de 2015. A cantora, compositora e violonista carioca - em foto de Caterine Vilardo - vai fazer sua primeira gravação ao vivo em apresentação desse show agendada para 12 de março, na casa Imperator, no Rio de Janeiro (RJ). A gravação vai dar origem ao primeiro DVD da artista, que já lançou três álbuns - Meu Carnaval (Zambo Discos, 2006), Novos alvos (Zambo Discos, 2009) e Hoje é o melhor lugar (Biscoito Fino, 2012) - em carreira solo iniciada após 11 anos no grupo Roda de Saia. O passeio de Ana pelos caminhos do som de Martinho da Vila é feito com conhecimento de causa. O cantor e compositor fluminense é o padrinho artístico da cantora, que deu seus primeiros passos no mundo do samba como integrante do grupo Couer Sambá, integreado por alguns filhos de Martinho. No show Pelos caminhos do som, batizado com nome de parceria de Martinho com Alceu Maia lançada em 1989 na voz do cantor, Ana repõe na roda músicas como Fazendo as malas (Martinho da Vila e Rildo Hora, 2000), Filosofia de vida (Martinho da Vila, Marcelinho Moreira e Fred Camacho, 2008) e o Semba dos ancestrais (Martinho da Vila e Rosinha da Valença, 1985).

terça-feira, 18 de novembro de 2014

'Enredo' de Martinho tem os bastidores exibidos em DVD com animações

Em fevereiro deste ano, Martinho da Vila refez seu Carnaval em CD, Enredo (Biscoito Fino, 2014), que mostrou a evolução da obra foliona do compositor fluminense ao reunir 24 sambas criados pelo artista para as escolas Aprendizes da Boca do Mato e Unidos de Vila Isabel entre 1957 e 2013. Recém-posto nas lojas pela gravadora Biscoito Fino, o DVD Enredo documenta a criação do álbum homônimo, revelando - pelas lentes comandadas pelos diretores Sandro Arieta e Tiago Marreiro - os bastidores das gravações de cada faixa do projeto, concretizado com as adesões de cantoras como Alcione, Beth Carvalho e Mart'nália. As animações de Rodrigo Moura - feitas com ilustrações de Matheus Maat (diretor de arte do DVD), Gustavo Bartolomeu e Maria Martina - são o diferencial do DVD, cujo conteúdo pode ser considerado um (grande) making of do álbum Enredo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Martinho e Mart'nália gravam número para (os extras de) DVD solo de Pedro

♪ A foto acima mostra Martinho da Vila e Mart'nália na gravação dos extras do primeiro DVD solo do cantor Pedro Luís. A gravação do trio aconteceu hoje, 22 de setembro de 2014, em estúdio do Rio de Janeiro (RJ), cidade onde Pedro já registrou a primeira etapa do DVD em 31 de agosto de 2014.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Martinho e Mart'nália gravam no Rio número para extras do DVD de Pedro

 Martinho da Vila e Mart'nália gravaram hoje, 22 de setembro de 2014, no Rio de Janeiro (RJ) sua participação nos extras do primeiro DVD do cantor carioca Pedro Luís. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mart'nália canta inéditas de Martinho e Moska em gravação ao vivo no Rio

Sob a direção de seu pai Martinho da Vila, Mart'nália vai gravar esta semana o show que marca sua volta ao samba. O show Mart'nália em samba! vai ser captado ao vivo - para edição de CD e DVD - em apresentação programada para 30 de maio de 2014 na casa Imperator, no Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ). Na gravação ao vivo, a cantora e compositora carioca - em foto de Eny Miranda - vai registrar inéditas de Martinho (Gratidão musical) e Moska (Sinto-lhe dizer) em roteiro que prevê a intervenção do rapper paulistano Emicida em Quero ver quarta-feira, samba-rap de Emicida que Mart'nália já gravou com o compositor em single posto na web em 2011. Além dos clássicos do samba, mote do show, o roteiro inclui Carol ou Clarisse (Rodrigo Lampreia e Beto Landau, 2012), samba gravado pelo duo Benditos. Clique aqui para ler a resenha do ensaio aberto do show Mart'nália em Samba!.

sábado, 24 de maio de 2014

Otto 'baixa' forte no terreiro de Martinho em show que faz a gente cantar

Resenha de show
Título: Otto canta Martinho
Artista: Otto (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Circo Voador (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de maio de 2014
Cotação: * * * *

Há pontos de contato entre a obra de Otto - cantor e compositor pernambucano projetado na cena do Mangue Beat nos anos 1990 como percussionista do grupo Mundo Livre S/A - e o repertório inspirado gravado há 40 anos pelo cantor e compositor fluminense Martinho da Vila em um de seus melhores álbuns, Canta canta, minha gente (RCA, 1974), um dos títulos recordistas da discografia deste sambista que arejou o partido alto e o samba-enredo na segunda metade dos anos 1960. O mais óbvio desses links que conectam Otto ao Martinho de 1974 talvez seja a rítmica afro-brasileira dos pontos de macumba que encerram o álbum, adaptados pelo próprio Martinho para a faixa intitulada Festa de umbanda. Afinal, o repertório da discografia solo de Otto embute devoções aos orixás. O que fez com que o santo baixasse naturalmente forte no palco do Circo Voador quando o cantor reanimou a Festa de umbanda quase ao fim da estreia carioca do show em que Otto dá voz às músicas de Canta canta, minha gente, álbum de grande impacto na sua infância e formação musical, como o artista reiterou diversas e repetidas vezes para o público que assistiu à apresentação iniciada já na primeira hora deste sábado, 24 de maio de 2014. "Se não fosse esse cara em 1974, eu não seria cantor. Eu não seria eu", sentenciou Otto, fazendo a sua filosofia do samba. A louvação a Martinho soou verdadeira, ouvida na voz de um cantor cujo primeiro álbum solo, lançado em 1998, se chamou Samba pra burro. E o fato é que, desde o primeiro número do show, Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974), Otto baixou forte no terreiro de Martinho, sustentado pelas percussões de Malê e de Marcos Axé, presenças igualmente fortes na banda arregimentada pelo baterista Pupillo Oliveira (diretor musical do show Otto canta Martinho) - sobretudo em números como o samba-enredo Tribo dos Carajás (Martinho da Vila, 1974). Regis Damasceno (baixo e violão), Rodrigo Campos (cavaco e violão) e Thiago França (sax e flauta) completam a banda. Complementada eventualmente por Otto, em números como o ruralista Calango vascaíno (Martinho da Vila, 1974), a percussão garantiu batuque firme na azeitada cozinha. Contudo, os violões e as flautas foram fundamentais para criar o clima seresteiro que ambienta Malandrinha, modinha de 1926 da lavra do compositor fluminense Freire Júnior (1881 - 1956). Sucesso na voz do cantor carioca Francisco Alves (1898 - 1952), que lançou Malandrinha em gravação de 1927, a canção - revivida por Martinho em Canta canta, minha gente - teve seu tom lamentoso adequadamente realçado por Otto. Ao reabrir a cortina do passado seminal da música brasileira neste álbum de 1974, o sambista também foi na fonte e gravou Patrão, prenda seu gado, parceria dos pioneiros Donga (1890 - 1974), João da Baiana (1887 - 1974) e Pixinguinha (1897 - 1973) - santíssima trindade do samba que saiu de cena há 40 anos, quando Martinho preparava o álbum que o alçaria a um elevado patamar de vendas na indústria fonográfica brasileira da época. Patrão, prenda seu gado é um samba com toques de maxixe que Martinho levou para o universo do Brasil rural, em sintonia com o título. Performático, Otto dança e rebola ao longo desse número que reitera sua intimidade com o repertório do álbum de Martinho. Não é fácil cantar Martinho da Vila, aliás. Seus sambas têm cadência toda própria e jamais obedecem a uma fórmula ou estrutura pré-definida. Mas Otto, cheio de energia na voz e na mente, dá conta de todos esses sambas, entrando no emaranhando sensual de Disritmia (Martinho da Vila, 1974) - uma das obras-primas do disco e de todo cancioneiro autoral de Martinho - e na batida do samba de terreiro Dente por dente (Martinho da Vila, 1974). Exemplo da capacidade do compositor de versar sobre o próprio universo do samba sem cair na exaltação simplória do gênero, Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974) abriu alas no show por conta da vibração do elétrico Otto. Samba engajado que encoraja negros a lutar por uma vida de igualdade racial, Nego, vem cantar (Martinho da Vila, 1974) teve a força de seu refrão ressaltada por Otto. Que bem poderia ter contido seu ímpeto de cantar trecho de sucesso do cantor mineiro Wando (1945 - 2012) - Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985) - para não tirar Martinho do foco do show (a lembrança posterior de Emoriô, parceria de João Donato e Gilberto Gil lançada em 1975, também soou desnecessária, embora menos deslocada pela evocação do universo da mãe África). Reapresentada nos anos 2000 pela cantora paulista Céu, saudada por Otto por estar presente na plateia, Visgo de jaca (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1974) teve reiterada sua modernidade enquanto Viajando (Martinho da Vila, 1984) provou que o samba de Martinho da Vila desconhece fronteiras harmônicas em sua rota particular. A ponto de ser deglutido por Otto, 40 anos após a edição do LP Canta canta, minha gente, em show pulsante que faz a gente cantar enquanto vê Otto baixar com força no terreiro multifacetado de Martinho da Vila.

Otto canta Donato ao recriar álbum clássico de Martinho em show no Rio

"João Donato é grande amigo de Martinho da Vila. Se Martinho , ele também está". Com esse sucinto argumento, exposto para o público que foi ao Circo Voador vê-lo dar voz às músicas de álbum antológico lançado há 40 anos por Martinho da Vila, o cantor pernambucano Otto se sentiu à vontade para incluir Emoriô - parceria de João Donato com Gilberto Gil, lançada por Donato no álbum Lugar comum (Philips, 1975) - no fecho do show em que abordou o repertório do álbum Canta canta, minha gente (RCA Victor, 1974). Um dos títulos mais bem-sucedidos da discografia do cantor e compositor fluminense, Canta canta, minha gente teve seu repertório recriado na íntegra - e na ordem do disco - no show Otto canta Martinho, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação iniciada no Circo Voador já na primeira hora deste sábado, 24 de maio de 2014. Antes de inserir a parceria de Donato e Gil no roteiro, Otto já improvisara trecho de Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985), sucesso do cantor mineiro Wando (1945 - 2012). "Sabe o que me deu vontade cantar? Wando!", gracejou Otto, em momento do fogoso show que apaixonou mesmo o público quando Otto cantou o repertório de Martinho José Ferreira sob a direção musical do baterista Pupillo Oliveira, integrante de banda formada com os músicos Malê (percussão), Marcos Axé (percussão), Regis Damasceno (baixo e violão), Rodrigo Campos (cavaco e violão) e Thiago França (sax e flauta). Eis o roteiro seguido por Otto - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca de Otto canta Martinho, show que festeja os 40 anos (e o legado) do sexto álbum de Martinho da Vila:

1. Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974)
2. Disritmia (Martinho da Vila, 1974)
3. Dente por dente (Martinho da Vila, 1974)
4. Tribo dos Carajás (Martinho da Vila, 1974)
5. Malandrinha (Freire Júnior, 1927)
6. Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974)
7. Patrão, prenda seu gado (Donga, Pixinguinha e João da Baiana, 1931)
8. Nego, vem cantar (Martinho da Vila, 1974)
*  Fogo e paixão (Wando e Rose, 1985) - trecho
9. Calango vascaíno (Martinho da Vila, 1974)
10.Visgo de jaca (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1974)
11. Viajando (Martinho da Vila, 1974)
12. Festa de umbanda (adaptação por Martinho da Vila de pontos de umbanda)
13. Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975)
Bis:
14. Patrão, prenda seu gado (Donga, Pixinguinha e João da Baiana, 1931)
15. Disritmia (Martinho da Vila, 1974)
16. Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Show em tributo ao samba inclui Ataulfo e Martinho em gravação ao vivo

Nome fundamental na história do samba, Martinho da Vila foi omitido no roteiro musical da cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira, estruturada para celebrar o gênero quase centenário. Contudo, no caloroso show derivado da 25ª edição da premiação, o cantor e compositor fluminense é lembrado com seu samba Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974) no bis do espetáculo, em numero coletivo que reiterou o poder agregador do samba. Roteirizado por Zélia Duncan sob a direção do empresário José Maurício Machline, criador do Prêmio da Música Brasileira, o show originado da 25ª edição está em turnê por sete cidades do Brasil. Iniciada no Rio de Janeiro (RJ), cidade em que o show foi gravado ao vivo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 15 e 16 de maio de 2014 para edição de CD, DVD e blu-ray, a turnê traz no elenco quatro nomes fixos  - Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Dudu Nobre e Mariene de Castro - que se juntam a convidados locais. Nas duas apresentações cariocas, os convidados foram Beatriz Rabello, Péricles e Xande de Pilares (vistos com os anfitriões na foto de Rodrigo Goffredo), além da cantora africana Angélique Kidjo, cujo número com Péricles foi o ponto alto da gravação ao vivo. Além de Martinho, o roteiro abarca outros compositores omitidos na cerimônia do prêmio, casos do mineiro Ataulfo Alves (1909 - 1969) e do carioca Zé Kétti (1921 - 1999), representados por seus respectivos sambas Mulata assanhada (1956) e A voz do morro (1956).  Eis o roteiro seguido na apresentação carioca de 15 de maio de 2014 pelo elenco que se alterna entre solos, duetos, trios e números coletivos no empolgante show, costurado por textos de Zélia Duncan (lidos pela apresentadora Cris Vianna):

Arlindo Cruz:
1. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marque e Zeca Pagodinho, 1986)
2. A pureza da flor (Arlindo Cruz, Jr. Dom e Babi, 2006)
3. O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988)

Dudu Nobre:
4. Vou botar teu nome na macumba (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 1995) /
5. Quem é ela? (Dudu Nobre e Zeca Pagodinho, 2005)
6. Mulata assanhada (Ataulfo Alves, 1956)
7. Não deixe o samba morrer (Edson Conceição e Aluísio, 1975)

Mariene de Castro:
8. ...E o mundo não se acabou (Assis Valente, 1938)
9. Menino Deus (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1974)
10. Tirilê (Dunga e Roque Ferreira, 2014)

Xande de Pilares:
11. Pedi ao céu (Almir Guineto e Luverci Ernesto, 1979)
12. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952)
13. Do jeito que a vida quer (Benito Di Paula, 1976)

Beatriz Rabello:
14. Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996) /
15. Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981) /
16. Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973)

Angélique Kidjo e Péricles:
17. Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991) /
18. O canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)

Péricles:
19. O mar serenou (Candeia, 1975)
20. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa, 1955)
Dudu Nobre e Xande de Pilares:
21. Do fundo do nosso quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza, 1987)

Arlindo Cruz e Péricles:
22. A voz do morro (Zé Kétti, 1956)

Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Péricles e Xande de Pilares:
23. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983)

Beth Carvalho:
24. Preciso me encontrar (Candeia, 1976) /
25. O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964) /
26. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973)
27. Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
28. Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978)
29. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)

Beth Carvalho, Mariene de Castro e Beatriz Rabello:
30. A fonte secou (Monsueto Menezes e Mário Barbato, 1954)
31. Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos, 1979)

Arlindo, Beatriz Rabello, Beth, Dudu Nobre, Mariene de Castro, Péricles e Xande:
32. Canta, canta minha gente (Martinho da Vila, 1974)
33. Samba de arerê (Xande de Pilares, Arlindo Cruz e Mauro Jr., 1999)

terça-feira, 4 de março de 2014

'Enredo' traça boa evolução do samba de Martinho ao longo de 56 Carnavais

Resenha de CD
Título: Enredo
Artista: Martinho da Vila
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

 Na segunda metade dos anos 1960, Martinho da Vila foi compositor fundamental na renovação do samba de enredo. Ao compor para a escola de samba Unidos de Vila Isabel, situada no bairro carioca cujo primeiro nome foi incorporado pelo bamba Martinho José Ferreira ao seu sobrenome artístico, o artista - fluminense de Duas Barras (RJ) - criou melodias e letras menos caudalosas e rebuscadas, dando tom mais coloquial ao samba-enredo sem desrespeitar as tradições do gênero. Dessa robusta safra inicial composta para a Vila Isabel, Carnaval de ilusões (1967), Quatro séculos de modas e costumes (1968), Yayá do Cais Dourado (1969), Glórias gaúchas (1970) e Onde o Brasil aprendeu a liberdade (1972) são sambas inspirados, ora revividos pelo cantor e compositor no 46º título de sua discografia, Enredo, CD valorizado pela expressiva capa do artista plástico Elifas Andreato, criador de capas antológicas de álbuns gravados por Martinho nos anos 1970. Ao reunir em 14 faixas 24 sambas compostos por Martinho da Vila para as escolas Aprendizes da Boca do Mato e Unidos de Vila Isabel, entre 1957 e 2013, Enredo traça a evolução do samba-enredo de Martinho e do próprio gênero ao longo de 56 anos. Para perceber a evolução, ou involução como alegam detratores dos atuais sambas-enredos, basta comparar o estilo ainda pomposo dos versos do primeiro samba da safra solitária de Martinho - Carlos Gomes, escolhido pela Aprendizes da Boca do Mato para o Carnaval de 1957 -  com o tom ágil do último, A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo, grande samba que ajudou a Vila Isabel a conquistar a vitória no Carnaval carioca de 2013. E que já flagra Martinho - no caso, com seus parceiros André Diniz, Arlindo Cruz, Leonel e Tunico da Vila - adaptados aos códigos e formatos dos sambas atuais. Pela primeira vez registrado em disco, Carlos Gomes abre Enredo enquanto A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo fecha o CD. Mas Martinho abriu mão da ordem cronológica ao dispor no disco os 24 sambas, muitos confiados às vozes de seus filhos Analimar, Juju Ferreirah, Maíra Freitas, Mart'nália, Martinho Tonho e Tunico da Vila. Analimar, Mart'´nália e Martinho Tonho remontam o trio Trinca Própria, criado pelo patriarca do clã nos anos 1980,  para repor na avenida sambas como Ai, que saudades que eu tenho (Martinho da Vila, 1977) e Gbala - Viagem ao templo da criação (Martinho da Vila, 1993). Já Maíra Freitas defende Raízes (Martinho da Vila, Ovídio Bessa e Azo, 1987), o samba sem rimas que cita na letra o nome da cantora, compositora e pianista. Entre os 24 sambas, há obras-primas como Sonho de um sonho (Martinho da Vila, Rodolpho e Tião Graúna, 1980) - samba revivido por Martinho com Beth Carvalho em medley que inclui o já citado Onde o Brasil aprendeu a liberdade (1972) - Pra tudo se acabar na quarta-feira (Martinho da Vila, 1984). Mas há também sambas menos inspirados que amargaram merecidas derrotas nas disputas internas da Vila Isabel. São os casos de Vila Isabel anos 30 e Por ti América (2006), dois sambas feitos por Martinho em parceria com o compositor carioca Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008), ambos bem abaixo do potencial dos autores. Em contrapartida, emerge em Enredo - com a adesão de Alcione - um dos mais belos e menos ouvidos sambas-enredos da lavra solitária de Martinho, Iemanjá, desperta!, feito para o Carnaval de 1978 da Unidos de Vila Isabel. No todo, Enredo reafirma a força do samba de Martinho. Que poderia soar ainda mais forte no disco se o mix de cordas, percussão e sopros dos arranjos - divididos entre Ivan Paulo, Leonardo Bruno, Maíra Freitas, Rildo Hora e Wanderson Martins - enfatizasse mais o baticum. Os sambas-hits já tiveram registros mais empolgantes. Mesmo assim, Enredo é bom disco cujo prazo de validade não vai acabar na quarta-feira de cinzas.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Alcione, Diogo, Martinho e Roberta exaltam em show o poder do samba

Com 28 sambas em 27 números, fora o bis que adiciona Canta canta minha gente (Martinho da Vila, 1974) e repete O que é o que é (Gonzaguinha, 1982), o roteiro do show Nívea viva o samba pinta - nos tons das vozes dos cantores Alcione, Diogo Nogueira, Martinho da Vila e Roberta Sá - a aquarela brasileira do samba. Aliás, o samba-enredo Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira, 1964) também figura no roteiro do show que teve uma pré-estreia para convidados na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), em 18 de fevereiro de 2014, antes de partir em março em turnê nacional que prevê seis apresentações abertas e gratuitas em seis capitais do Brasil. Sob a direção de Monique Gardenberg e a direção musical de Alceu Maia, Alcione, Diogo, Martinho e Roberta - vistos em foto de Rodrigo Amaral - exaltam no show o poder da criação do ritmo que dá o tom da música brasileira há quase 100 anos. Eis o roteiro seguido pelos quatro cantores na estreia do show Nívea viva o samba no Rio de Janeiro (RJ):

1. A voz do morro (Zé Kétti, 1956) 
    - Alcione, Diogo Nogueira, Martinho da Vila e Roberta Sá
2. Eu sambo mesmo (Janet de Almeida, 1946)
    - Roberta Sá
3. Casa de bamba (Martinho da Vila, 1969)
    - Martinho da Vila
4. O poder da criação (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1980)
    - Diogo Nogueira
5. Não deixe o samba morrer (Efson e Aloísio, 1975)
    - Alcione
6. ...E o mundo não se acabou (Assis Valente, 1938)
    - Roberta Sá
7. Com que roupa? (Noel Rosa, 1930) /
     - Roberta Sá
    Vestido de bolero (Dorival Caymmi, 1944)
     - Diogo Nogueira
8. Meu ébano (Nenéo e Paulinho Resende, 2005)
    - Alcione
9. Mulheres (Toninho Geraes, 1995)
    - Martinho da Vila
10. Sou eu (Ivan Lins e Chico Buarque, 2009)
      - Diogo Nogueira com Martinho da Vila
11. O mundo é um moinho (Cartola, 1980)
      - Alcione
12. De pai pra filha (Martinho da Vila, 1982)
      - Martinho da Vila
13. Além do espelho (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1992)
      - Diogo Nogueira
14. Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974)
      - Alcione e Roberta Sá
15. O que é o que é (Gonzaguinha, 1982)
      - Roberta Sá
16. Feitiço da Vila (Vadico e Noel Rosa, 1934)
      - Alcione e Martinho da Vila
17. Rio antigo (Chico Anysio e Nonato Buzar, 1979)
      - Alcione
18. Meu lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz, 2006)
      - Diogo Nogueira
19. Vazio (Está faltando uma coisa em mim) (Nelson Rufino, 1979)
      - Diogo Nogueira
20. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
      - Roberta Sá
21. Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957)
      - Alcione
22. A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, 1957)
       - Alcione e Diogo Nogueira
23. Os meninos da Mangueira (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1976)
       - Alcione com Diogo Nogueira, Martinho da Vila e Roberta Sá
24. Renascer das cinzas (Martinho da Vila, 1974)
       - Martinho da Vila com Alcione, Diogo Nogueira e Roberta Sá
25. Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970)
      - Diogo Nogueira com Alcione, Martinho da Vila  e Roberta Sá
26. Aquarela Brasileira (Silas de Oliveira, 1964)
      - Roberta Sá com Alcione, Diogo Nogueira e Martinho da Vila
27. Isto aqui, o que é? (Sandália de prata) (Ary Barroso, 1942)
      - Alcione, Diogo Nogueira, Martinho da Vila e Roberta Sá
Bis:
28. Canta canta, minha gente (Martinho da Vila, 1974)
      - Martinho da Vila
29. O que é o que é (Gonzaguinha, 1982)
      - Alcione, Diogo Nogueira, Martinho da Vila e Roberta Sá

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Show em tributo ao samba une no Rio Alcione, Diogo, Martinho e Roberta

Nívea viva o samba - o espetáculo dirigido por Monique Gardenberg que estreou no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 18 de fevereiro de 2014, em apresentação restrita a convidados - juntou Alcione, Diogo Nogueira, Martinho da Vila e Roberta Sá no palco da casa Vivo Rio. Os quatro abriram e fecharam juntos o show, que vai partir em turnê por seis capitais do Brasil a partir de março. Mas se revezaram no palco. Entre os solos, houve também duetos - como mostram as fotos de Rodrigo Amaral. Alcione e Roberta Sá se juntaram para cantar Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974), o samba que alavancou a carreira fonográfica da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983) ao ser gravado no álbum Alvorecer (Odeon, 1974). A mesma Alcione fez dueto com Martinho da Vila em Feitiço da Vila (Noel Rosa, 1934). Já Diogo Nogueira cantou o samba Sou eu (Chico Buarque e Ivan Lins, 2009) - lançado pelo próprio Diogo no CD de estúdio Tô fazendo a minha parte (EMI Music, 2009) - diante de Martinho, o que realçou o significado dos versos de Chico. O roteiro de Hugo Sukman agregou 28 sambas em 27 números feitos no show sob direção musical de Alceu Maia.  

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Martinho reúne no CD 'Enredo' sambas que fez para Vila e Boca do Mato

Com capa assinada pelo artista plástico Elifas Andreato, o 46º álbum de Martinho da Vila, Enredo, vai ser lançado neste mês de fevereiro de 2014 pela gravadora Biscoito Fino. Em 14 faixas, o disco agrega 16 sambas de enredo criados pelo compositor fluminense para as escolas de samba cariocas Aprendizes da Boca do Mato e Unidos de Vila Isabel. Grande samba enredo defendido pela Vila Isabel no Carnaval de 1972, Onde o Brasil aprendeu a liberdade é a faixa escolhida para promover o CD, que deu origem a DVD. Martinho explica o conceito de Enredo em texto postado no site oficial da gravadora Biscoito Fino. Com a palavra, Martinho da Vila:

"Muitas músicas por mim criadas, e não gravadas, se perderam. Lembro-me apenas de trechos. Exercitando a memória, me veio à mente algumas por inteiro e resolvi armazená-las em uma pasta, no computador. Comecei pelos sambas de terreiro que fiz para os ensaios da extinta escola de samba Aprendizes da Boca do Mato – Mate quente, Endereço, Sou esquisito, Samba do larará, Cartão de visita, Planalto Central, Diacuí, Vida na roça...

Dos 7 sambas de enredo meus de desfiles da Boca do Mato, só consigo cantar 4 e, da Vila Isabel, também já não me recordava totalmente de 2 que não desfilaram - No doce embalo de um sonho e De alegria pulei, de alegria cantei.
Tive a ideia de fazer um CD autoral, com todos os sambas citados, mas decidi deixar os “de terreiro” só no arquivo e gravar os “de enredo” que fiz. Constam do projeto 24 composições, todas de minha autoria, algumas com parceiros. 

Carlos Gomes, que abre o disco, foi o meu primeiro samba enredo, na Aprendizes da Boca do Mato, e A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo, campeão de 2013, o meu último pela Unidos de Vila Isabel. Em princípio, ia fazer um registro simples, só com violão, cavaquinho e percussão, mas, graças aos arranjadores Rildo Hora, Leonardo Bruno, Ivan Paulo, Wanderson Martins e a filha Maíra Freitas, o projeto evoluiu. Uma plêiade de músicos de primeira linha foi arregimentada e Analimar coordenou o coro formado pelos vocalistas Patrícia Horta, Juçara Lourenço, Ari Bispo e Ronaldo Barcellos, acrescidos dos netos Raoni e Dandara. A gravação no estúdio Fibra, chefiada pelo competente Luiz Carlos T. Reis, resultou em uma festa e o Celso Luiz foi o meu braço direito na produção.

Convoquei a minha prole profissional, da música, para cantar pra mim. Mart´nália, Analimar e Martinho Tonho não cantam juntos há muito tempo. Formados como um trio que eu batizei de Trinca Própria, não chegaram ao disco, mas se apresentaram no Festival dos Festivais da TV Globo, defenderam sambas meus em disputas na Vila (Raízes e Gbala) e os puxaram na avenida dos desfiles. Estão presentes em 2 faixas duplas. Juju Ferreirah interpretou uma faixa com três clássicos e Tunico da Vila colocou voz em uma com dois sambas, um inédito e outro desconhecido. A filha pianista, além dos arranjos, cantou, em Raízes, o samba sem rimas que leva o seu nome – Maíra. Duelei com ela, soltei o gogó na metade do disco e tive a honra de poder cantar com Alcione e Beth Carvalho.

Para completar minha alegria, o compadre Elifas Andreato, meu artista plástico preferido, criou os invólucros. A Kati Braga da Biscoito Fino é parceira. Primeiro lança o CD, em fevereiro, e depois do carnaval o DVD, este um trabalho diferenciado que está sendo preparado pelos competentes Sandro Arieta e Tiago Marreiro, com Ilustrações criada pelo Matheus Dias". Martinho da Vila