Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Maíra expande fluxo espontâneo e leve de sua criação em 'Piano e batucada'

Resenha de CD
Título: Piano e batucada
Artista: Maíra Freitas
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

♪ Em seu inusitado primeiro álbum, Maíra Freitas (Biscoito Fino, 2012), a artista carioca se revelou excelente pianista, boa cantora e promissora compositora. Pois a filha de Martinho da Vila cumpre a promessa e supera expectativas como compositora no sedutor segundo álbum, Piano e batucada, orquestrado com patrocínio obtido no projeto Natura musical e lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de outubro de 2015. Tal evolução por si só garante o êxito do disco, já que Maíra se expõe muito mais como compositora, assinando dez das 13 músicas de Piano e batucada. A música autoral de Maíra parece surgir de um fluxo espontâneo de criação, sem regras, amarras ou métricas pré-estabelecidas (nesse sentido, e somente nesse, há um paralelo entre sua obra e o cancioneiro igualmente livre de Vanessa da Mata). Em Piano e batucada, o piano é o da própria Maíra, instrumentista formada em escola erudita, cujos ensinamentos lhe permitem tocar e compor um tema mais camerístico como Não sei, sei lá (Maíra Freitas), alocado no fecho do disco. A batucada são os vários instrumentos percutidos por Bernardo Aguiar. Já os sintetizadores - fundamentais na arquitetura eletroacústica das faixas, mas não expostos no título - são pilotados por Sacha Amback, hábil produtor deste álbum em que Maíra canta samba com leveza, feminilidade e balanço envolvente. Da ótima safra autoral, a obra-prima é Êta (Maíra Freitas e Edu Krieger), samba de requebrado porreta em que melodia, ritmo e letra se afinam em total sintonia. Com letra baseada em versos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935), Lembrar de que? (Maíra Freitas) segue a trilha sincopada de Piano e batucada com uma tecla no jazz e outra na África. Cativante, o samba Gargalhada (Maíra Freitas e Felipe Cordeiro) jorra como riso espontâneo com o toque nortista da guitarra de Felipe Cordeiro e a leveza do canto de Mart'nália, meia-irmã de Maíra. Cuidado, moça (Maíra Freitas e Daniel Má) mostra que o samba da artista balança, mas não cai em clichês melódicos e poéticos. Pousa (Maíra Freitas, João Sabiá e Osvaldo Pereira) abre tempo mais lento de delicadeza no disco com a voz de João Sabiá e um piano que, na introdução, parece emular sons de uma caixinha de música. Volta (Maíra Freitas) indica que, se há uma raiz no samba de Maíra, esta vem do sambalanço que brotou na década de 1960, na era pós-Bossa Nova. Aliás, Desavisado (Maíra Freitas, Mart'nália, Beto Landau e Gabriel Moura) ostenta a bossa própria da artista enquanto Nua (Maíra Freitas) sobressai no repertório autoral ao expor sem pudor a face fresca, livre, leve e solta da criação de Maíra, compositora capaz de embarcar na viagem onírica de Danilo dormindo (Maíra Freitas). Piano e batucada expande o fluxo espontâneo dessa criação, mostrando a evolução da artista em relação ao álbum de estreia Maíra Freitas, mas quase desafina na parte das releituras de obras alheias. Das três, a que alcança melhor resultado é a abordagem, no compasso ternário da valsa, do samba Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973). Música associada à cantora norte-americana Nina Simone (1933 - 2003), Feeling good (Anthony Newley e Leslie Bricusse, 1964) é embasada pelos tambores do grupo afro-baiano Ylê Aiyê. Na teoria, a ideia é boa porque o Ylê é um esteio da negritude tão bem defendida por Nina Simone em músicas e entrevistas. Na prática, os tambores soam sem a força habitual do Ylê (talvez o problema tenha sido na captação dos sons do grupo, feita em Salvador, na Bahia), esmaecendo a negritude da faixa. Mas o que de fato não funciona em Piano e batucada é a tentativa vã de transformar a balada Estranha loucura (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1987) num ska. O ritmo veloz da gravação dilui a dramaticidade da música, lançada com sucesso e com propriedade por Alcione, e desperdiça a força de intérprete do gaúcho Filipe Catto, ótimo cantor talhado para temas teatrais (de todo modo, a letra Estranha loucura não sugere um dueto, sendo feita para um solo vocal). Estranhezas e loucuras à parte, Maíra Freitas dá largo passo à frente com  Piano e batucada, tirando nota alta na perigosa (e temida) prova do segundo disco.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Eis capa e as músicas de 'Piano e batucada', segundo álbum de Maíra Freitas

♪ Esta é a capa de Piano e batucada, o segundo álbum da cantora, compositora e pianista carioca Maíra Freitas. Com lançamento programado pela gravadora Biscoito Fino para a próxima sexta-feira, 16 de outubro de 2015, o disco tem repertório predominantemente autoral. Com parceiros como Edu Krieger, Felipe Cordeiro, Gabriel Moura e a meia-irmã Martn'ália, Maíra assina 10 das 13 músicas formatadas pelo produtor Sacha Amback. Eis, na ordem do álbum, as 13 faixas de Piano e batucada, o sucessor do CD  Maíra Freitas (Biscoito Fino, 2011) na discografia da versátil artista:

1. Êta (Maíra Freitas e Edu Krieger)
2. Lembrar de que (Maíra Freitas com base em versos de Fernando Pessoa)
3. Gargalhada (Maíra Freitas e Felipe Cordeiro) - com Mart'nália e Felipe Cordeiro
4. Cuidado, moça (Maíra Freitas e Daniel Mã)
5. Pousa (Maíra Freitas, João Sabiá e Oswaldo Pereira) - com João Sabiá
6. Volta (Maíra Freitas)
7. Estranha loucura (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1987) - com Filipe Catto
8. Desavisado (Maíra Freitas, Mart'nália, Beto Landau e Gabriel Moura)
9. Danilo dormindo (Maíra Freitas)
10. Feeling good (Anthony Newley e Leslie Bricusse, 1964) - com Ilê Aiyê
11. Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973)
12. Nua (Maíra Freitas)
13. Não sei, sei lá (Maíra Freitas)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Maíra regrava com Catto balada de Sullivan & Massadas lançada por Alcione

♪ A IMAGEM DO SOM - Foto de Fabricio Menicucci exibe a cantora, compositora e pianista carioca Maíra Freitas em estúdio com Filipe Catto. O cantor e compositor gaúcho gravou participação no segundo álbum de Maíra, Piano e batucada, produzido por Sacha Amback e previsto para ser lançado pela gravadora Biscoito Fino entre o fim deste mês de setembro e o início de outubro de 2015. Catto faz dueto com Maíra em Estranha loucura, balada de Michael Sullivan & Paulo Massadas lançada na voz da cantora maranhense Alcione no álbum Nosso nome: resistência (BMG-Ariola, 1987). Clique aqui para saber (outros) detalhes sobre Piano e batucada, o álbum de Maíra Freitas.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Além de Ilê Aiyê e João Sabiá, segundo álbum de Maíra tem Catto e Cordeiro

♪ Previsto para ser lançado em setembro de 2015, em edição da gravadora Biscoito Fino, o segundo álbum da cantora, compositora e pianista carioca Maíra Freitas, Piano e batucada, foi gravado com participações do cantor gaúcho Filipe Catto e do cantor e guitarrista paraense Felipe Cordeiro. Outros convidados são o grupo baiano Ilê Aiyê - a foto postada pela artista em sua página oficial no Facebook mostra Maíra em Salvador (BA), ao lado de alguns integrantes do bloco - e o cantor e compositor carioca João Sabiá. Com o Ilê, Maíra gravou releitura de Feeling good (Anthony Newley e Leslie Bricusse), canção composta para o musical The roar of the greasepaint - The smell of the crowd (1964), famosa em 1965 na gravação feita pela cantora norte-americana Nina Simone (1933 - 2003) para seu álbum I put a spell on you (Philips, 1965). Produzido pelo tecladista Sacha Amback, o CD  Piano e batucada  vai expor na capa foto feita pelo fotógrafo pernambucano Cafi.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Maíra Freitas finaliza CD de piano e percussão que traz João Sabiá e Ilê Aiyê

♪ A IMAGEM DO SOM - Compartilhada por Maíra Freitas em sua página oficial no Facebook, a foto de Fabricio Menicucci mostra a cantora, compositora e pianista carioca com o cantor e compositor carioca João Sabiá no Estúdio Pedra da Gávea. Sabiá gravou participação no segundo álbum de Maíra, Piano e batucada. A cantora já está na reta final das gravações, que vai ter uma etapa importante em Salvador (BA). No próximo domingo, 2 de agosto de 2015, Maíra grava na capital da Bahia a participação do grupo baiano Ilê Aiyê na sua releitura de Feeling good (Anthony Newley e Leslie Bricusse), canção composta para o musical The roar of the greasepaint - The smell of the crowd (1964) que ficou famosa a partir de 1965 na gravação feita pela cantora norte-americana Nina Simone (1933 - 2003) para seu histórico álbum I put a spell on you (Philips, 1965).

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Maíra se aproxima da cena contemporânea carioca no seu segundo disco

♪ Filha de Martinho da Vila, a cantora, compositora e pianista carioca Maíra Freitas se aproxima de nomes da cena carioca contemporânea em seu segundo álbum. A intenção da artista é gravar no disco - sucessor do CD Maíra Freitas (Biscoito Fino, 2011) - músicas de BNegão, Jonas Sá, Nina Becker, Pedro Luís e Rubinho Jacobina, entre outros nomes da cena carioca. Programado para ser gravado e lançado em 2015, com patrocínio do projeto Natura Musical, o álbum se origina de um projeto inicialmente intitulado Piano e batucada, no qual Maíra se juntou ao baterista Cassius Theperson e ao percussionista André Siqueira. Sacha Amback vai produzir o CD de Maíra Freitas.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Maíra Freitas 'entorta' pérolas negras ao piano em bom show no 'Back2Black'

Resenha de show
Evento: Festival Back2Black
Título: Maíra Freitas
Artista: Maíra Freitas (em foto de Cristina Granato)
Local: Palco Estrombo - Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 17 de novembro de 2013
Cotação: * * * 

♪ "Já que estou no Back2Black, vou fazer uma homenagem ao Michael Jackson", justificou Maíra Freitas para o público que assistia ao primeiro show do último dia do festival no Palco Estrombo, armado no Pilotis da Cidade das Artes, sede da quinta edição do Back2Black. Atração de 17 de novembro de 2103, a cantora, compositora, pianista - de formação clássica - e arranjadora carioca começou então a cantar Beat it (Michael Jackson, 1982) em versão tão demolidora que tornou difícil o reconhecimento imediato desta música extraída do repertório blockbuster do álbum Thriller (1982). Freitas desconstruiu o andamento, a pulsação e a vibe da gravação original de Michael Jackson (1958 - 2009), trazendo Beat it para seu universo particular. E foi nessa vibe que a filha de Martinho da Vila - lançada como cantora em 2010 em disco em que seu pai celebrava a obra do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) e no qual Maíra cantava Último desejo (1937), música, aliás, incluída no show do Back2Black - entortou pérolas negras na voz e no toque de seu piano, com suingue todo próprio, na tênue fronteira entre a música erudita e a pop(ular), e com leve toque de jazz. A abertura do show - feita por Maíra com Maracatu, nação do amor (2001), a versão letrada (por Nei Lopes) de April child, tema do compositor e maestro pernambucano Moacir Santos (1926 - 2006), gravada pela artista em seu primeiro álbum, Maíra Freitas (Biscoito Fino, 2011) - já sinalizou que o repertório da artista estava em sintonia com a nobre negritude que pauta a programação do Back2Black. Sem se enquadrar em rótulos, Maíra Freitas inseriu Dream a little dream of me (Fabian Andre, Wilbur Schwandt e Gus Khan, 1931) - sucesso mundial na voz de Mama Cass Elliot (1941 - 1974) em gravação de 1968 - em universo que remeteu ao samba-jazz dos anos 60. Na sequência, abordou a obra do pai, cantando Disritmia (Martinho da Vila, 1974), e transitou pelo repertório de Gilberto Gil nos anos 70, dando voz a Tenho sede (Dominguinhos e Anastácia, 1975). A capacidade de Maíra de dar nova cara a velhas músicas foi reiterada no show quando a artista se apropriou de Não me balança mais (Mart'nália e Viviane Mosé, 1997), samba gravado por Mart'nália em seu álbum Minha cara (ZFM Records, 1997). Raro número de forma mais convencional, Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet Almeida, 1945) precedeu Feeling good (Anthony Newley e Leslie Bricusse, 1964), música que Maíra cantou em reverência à politizada cantora norte-americana Nina Simone (1933 - 2003) - cuja gravação de 1965 é das mais famosas do tema - mas que o público do Back2Black talvez tenha identificado mais com o grupo inglês Muse (embora Maíra tenha feito menção a Nina Simone antes do bom número). No fim, O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988) preparou o clima festivo para o bis, no qual a cantora e pianista caiu no samba de Dorival Caymmi (1914 - 2008) com Rosa Morena (1942). Entre pérolas negras, Maíra Freitas exibiu um colorido próprio no seu show no Back2Black.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Jeito moleque de Mart'nália e arranjos de Maíra animam a 'Carnavalança'

Resenha de CD
Título: Carnavalança
Artista: Mart'nália (com Chico Buarque, Evandro Mesquita, Luiz Melodia, Maíra Freitas,
            Maria Rita, Martinho da Vila, Moyseis Marques e Paula Lima
Gravadora: Biscoitinho (Biscoito Fino)
Cotação: * * * *

Em tese, Carnavalança é um CD infantil. Mas tem cacife para animar a folia de crianças dos oito aos 80 anos. Quem comanda o baile é Mart'nália. Escorados nos arranjos criativos da pianista e cantora Maíra Freitas, irmã da anfitriã, Mart'nália e seus solistas convidados reapresentam 34 sucessos carnavalescos, distribuídos em 17 faixas. São marchas e (alguns) sambas dos velhos Carnavais que soam renovados em Carnavalança pelo que Maíra Freitas caracteriza de intervenções nos arranjos. Que se fazem notar especialmente no medley que junta a Marcha da cueca (Carlos Mendes, Livardo Alves e Sardinho) - cantada em ritmo de rap pelo coro masculino da faixa - com Maria sapatão (João Roberto Kelly) e Cabeleira do Zezé (João Roberto Kelly e Roberto Faisal), marcha que ganha citação de fraseado bossa-novista no verso Será que ele é bossa nova?. Espirituosa, Maíra ainda insere citação de I will survive - sucesso de Glória Gaynor tornado hino gay - entre essas duas marchas que abordam a homossexualidade (com incentivo ao bullying no caso da politicamente incorreta Cabeleira do Zezé). O disco foi idealizado para ser a trilha sonora do livro Carnavalança, criado pela ilustradora carioca Mirna Brasil Portella para recontar a história da folia para as crianças. Encartado no livro, o CD também está sendo lançado de forma avulsa pelo selo Biscoitinho, da gravadora Biscoito Fino. Feita em família, a Carnavalança foi arquitetada sob a direção artística de Mart'nália e Martinho Filho. O patriarca do clã, Martinho da Vila, também está presente, como intérprete da marcha Cidade maravilhosa (André Filho). A participação de crianças no coro faz com que a Carnavalança soe lúdica e quase sempre graciosa em marchas como Touradas em Madrid (Alberto Ribeiro e Braguinha), faixa na qual Mart'nália recebe Luiz Melodia, destaque em time de convidados no qual também brilha Chico Buarque, sóbrio no registro de As pastorinhas, bissexta parceria de Noel Rosa (1910 - 1937) com João de Barro (1907 - 2006), o célebre Braguinha. Maria Rita dá voz a duas (belas) marchas melancólicas popularizadas na voz dramática de Dalva de Oliveira (1917 - 1972). Bandeira branca (Laércio Alves e Max  Nunes) não é hasteada à altura da interpretação de Dalva. Já em Máscara negra (Zé Kétti e Hildebrando Matos) - um dos trunfos do disco - Maria Rita entra no clima e brinca em cima dos andamentos alternados do (inspirado) arranjo de Maíra Freitas. Já Moyseis Marques parece folião cansado em Balancê (Alberto Ribeiro e João de Barro) sem chegar a comprometer a animação da Carnavalança. Além de brilhar como arranjadora, Maíra Freita se sai bem como cantora em Até quarta-feira (Geraldo Pereira e Jorge de Castro), samba propagado em 1943 na voz sincopada do cantor carioca Cyro Monteiro (1913 - 1973). Mas é Mart'nália, com seu jeito moleque, quem mais entra no clima da Carnavalança, interpretando várias marchinhas com espirituosidade. Ao fim de Turma do funil (Milton de Oliveira, Mirabeau e Urgel de Castro), por exemplo, Mart'nália simula estar bêbada. É brincadeira que tem graça! Já alteração proposital dos versos de Jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto) - marcha cantada por Mart'nália com Paula Lima - soa sem graça, sem efeito. Contudo, nenhum folião continuará sentado ao ouvir Carnavalança. O baile vai animar foliões mirins - e adultos. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cantora inusitada, Maíra Freitas põe traje de gala e toque de piano no samba

Resenha de CD
Título: Maíra Freitas
Artista: Maíra Freitas
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2

♪ É sintomático que as teclas do piano estejam na capa e em toda a arte gráfica do primeiro CD de Maíra Freitas. Pianista de formação erudita, Maíra debuta em disco sob produção de sua meia-irmã Mart'nália. É o piano que conduz a filha de Martinho da Vila pelas 13 faixas de um álbum em que o samba é ritmo predominante. Um samba vestido em traje de gala pela cantora debutante que se revela inusitada ao dividir de forma bem heterodoxa O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988) sob instrumentação de tom bluesy. Ou ainda ao sustentar os vocalises de Se joga, tema instrumental assinado por Maíra. Sim, além da cantora, a pianista se revela compositora. Não chega a impressionar em Alô?. Já o samba Corselet - sobre peça do vestuário feminino - cai bem com versos que evocam a espontaneidade das letras de Vanessa da Mata. Como pianista de mão cheia, Maíra dá toque de câmera ao samba-canção Se queres saber (Peter Pan, 1947) e chega às alturas ao solar o choro instrumental O voo da mosca (Jacob do Bandolim, 1962). Contudo, Maíra Freitas - o disco - descarta a solenidade camerística, soando leve, descontraído e até festivo, como exemplificam as oportunas regravações de Mambembe (Chico Buarque, 1972) e de Maracatu Nação do Amor (Moacir Santos e Nei Lopes, 2001). Tal leveza é provável efeito da atuação de Mart'nália na produção. Mesmo a leve tensão percebida nos acordes do piano que introduzem Disritmia (1974) é logo diluída pelo molho do samba de Martinho da Vila, revivido pelo compositor em dueto com sua filha, sem alteração significativa da estrutura rítmica original. Além de Martinho, Maíra recebe Joyce - para descontraída abordagem do samba naturalista Monsieur Binot - e Quinho, convidado e co-autor da música As voltas. Completando o repertório de Maíra Freitas há samba de Gonzaguinha (1945 - 1991), Recado (1978), e joia da lavra refinada de Paulinho da Viola, Só o tempo (1982), que se ajusta ao tom sofisticado do CD. No todo, Maíra Freitas deixa impressão positiva neste primeiro disco lançado pela gravadora Biscoito Fino. A pianista é excelente, a cantora é boa e a compositora pode vir a crescer em álbuns futuros.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Filha de Martinho, Maíra Freitas vai de Jacob a Chico em seu primeiro CD

É com orgulhoso texto de apresentação de seu pai, Martinho da Vila, que Maíra Freitas - pianista de formação clássica com trânsito pela música popular - lança neste mês de março de 2011 CD em que se mostra como cantora e compositora (autora das faixas Corselet, Alô? e Se Joga). Editado pela gravadora Biscoito Fino, o álbum Maíra Freitas aglutina no repertório músicas de Jacob do Bandolim (O Voo da Mosca), Gonzaguinha (Recado), Paulinho da Viola (Só o Tempo), Peter Pan (Se Queres Saber) e Chico Buarque (Mambembe), entre outros (ótimos) compositores. Em seu primeiro CD, Maíra canta com Joyce Moreno - na faixa Monsieur Binot, tema de Joyce - e com seu pai, fazendo dueto com Martinho em Disritmia, o samba de 1974.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Filha de Martinho, Maíra vai debutar em disco pela Biscoito Fino em 2011

Filha pianista de Martinho da Vila que se revelou (boa) cantora, Maíra Freitas vai debutar em disco produzido por sua irmã Mart'nália. Programado pela gravadora Biscoito Fino para ser lançado no começo de 2011, o disco já está finalizado. Pianista de formação clássica, Maíra - vista com seu pai em foto extraída da página da artista no portal MySpace - fez seu primeiro registro fonográfico como cantora ao reviver Último Desejo no álbum Poeta da Cidade - Martinho Canta Noel, lançado por Martinho da Vila na mesma Biscoito Fino em maio de 2010.