Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 27 de dezembro de 2015

Registro do show de Caetano com Gil captura (toda) a irmandade dos artistas

Resenha de CD e DVD
Título: Dois amigos, um século de música / Multishow ao vivo
Artistas: Caetano Veloso e Gilberto Gil
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * *

 Feita na cidade de São Paulo (SP), a gravação ao vivo do show que reuniu Caetano Veloso e Gilberto Gil - em turnê internacional iniciada em junho deste ano de 2015 que vai se estender por 2016 - captura com precisão a irmandade que tem regido o reencontro no palco dos cantores, compositores e músicos baianos (clique aqui para ler ou reler a resenha detalhada do show ora perpetuado em CD ao vivo e DVD). O show Dois amigos, um século de música é luxo só! Nem a desatenção da gravadora Sony Music na edição do CD duplo e do DVD ao creditar erroneamente no encarte o samba É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) - trocando o nome de Ary Barroso (1903 - 1964) pelo da cantora Inezita Barroso (1925 - 2015) - tira do produto o caráter antológico e até mesmo histórico. Estão ali, juntos, dois dos compositores mais relevantes da música brasileira pós-Bossa Nova. Nada importa que o toque do violão de Gil contenha mais ritmo e musicalidade do que o violão meramente eficaz de Caetano. Também nada importa que a voz rouca de Gil soe mais desgastada pelos efeitos do tempo rei do que a voz de Caetano (ainda que a voz de Gil mantenha todo o poder de expressão). No palco, os amigos de fé - irmãos na camaradagem que vigora desde a primeira metade da década de 1960 - estão em pé de igualdade, harmonizados pelas grandezas das obras que construíram ao longo de 50 e poucos anos. Unidos por amizade sincera que nunca os separou de fato, ainda que ambos tenham seguido trajetórias distintas e paralelas nos cursos da vida e da música, com eventuais reencontros como o que gerou o álbum Tropicália 2 (Philips, 1993). Dois amigos, um século de música se engrandece na soma destes dois gigantes da MPB que, aos 73 anos, mostram vitalidade jovial quando estão em cena. A movimentação ágil do público brasileiro para adquirir ingresso para os shows da turnê - que aportou no Brasil em agosto, no exato momento em que o inédito samba As camélias do quilombo do Leblon entrou no roteiro - sinalizou que o país esteve atento ao simbolismo do reencontro. Primeira parceria de Caetano e Gil desde 1993, As camélias do quilombo do Leblon figura evidentemente entre as 29 músicas registradas no CD e DVD Dois amigos, um século de música / Multishow ao vivo. Mesmo que o samba inédito seja eclipsado no roteiro por músicas antigas de inspiração sublime, a presença dele no repertório simboliza pulsão de vida de dois artistas que, afinal, nunca pararam de criar. Caetano explicita o jorro contínuo da criação na conexão com músicos jovens. Contudo, ao se debruçar recentemente sobre o repertório de João Gilberto, mestre de ambos, Gil mostrou que o pulso musical ainda pulsa com força. Enfim, tudo já foi dito sobre Dois amigos, um século de música. Com o registro do show para posteridade, caberá ao tempo rei dimensionar a importância musical e histórica do reencontro perpetuado em CD e em DVD que - lapso de edição à parte! - são luxo só.

sábado, 12 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Caetano e Gil reabrem parceria em turnê fenomenal

RETROSPECTIVA 2015 – A rigor, se somadas, as trajetórias profissionais de Caetano Veloso e Gilberto Gil já totalizam mais de um século de música, já que ambos os artistas deram os primeiros passos na carreira antes de 1965. Mas o fato é, ao fechar a conta de 2015, poucos artistas saem deste ano com tanto sucesso artístico e comercial como os cantores, compositores e músicos baianos. Caetano e Gil - em foto de Fernando Young - se reuniram em show, Dois amigos, um século de música, que se tornou concorrido desde a estreia mundial da turnê, em 25 de junho, em Amsterdam, nos Países Baixos. Ao chegar ao Brasil, em rota nacional iniciada pela cidade de São Paulo (SP) em 20 de agosto, o êxito da turnê adquiriu caráter fenomenal, com ingressos esgotados em horas. Para a estreia nacional do show em São Paulo, aliás, Caetano e Gil retomaram a parceria e apresentaram o samba As camélias do quilombo do Leblon, primeira música que compuseram juntos desde 1993. Foi em São Paulo que o show foi gravado ao vivo para edição de DVD e CD duplos lançados em dezembro pela gravadora Sony Music. Em sinal de mudança de relação entre artistas e gravadoras diante da decomposição do mercado fonográfico nativo, Dois amigos, um século de música - Multishow ao vivo foi o primeiro produto fonográfico lançado por Caetano sem vínculo contratual com a companhia fonográfica atualmente denominada Universal Music (ele já havia lançado eventualmente discos por outros selos, mas até então sob licença da gravadora na qual entrou em 1967). Clique aqui para (re)ler a resenha de apresentação carioca de Dois amigos, um século de música - show fenomenal no sentido artístico e também no comercial. Foi luxo só!...

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Bianco assina a capa do CD e DVD com a gravação do show de Caetano e Gil

Giovanni Bianco assina a capa do CD e DVD (foto) Dois amigos, um século de música. Editados dentro da série Multishow ao vivo e distribuídos pela gravadora Sony Music, o CD e o DVD trazem o registro ao vivo do show que reuniu, em turnê internacional, os cantores, compositores e músicos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil - show que ainda está cartaz pelo Brasil e que vai seguir em turnê em 2016. Feita na passagem da turnê pela cidade de São Paulo (SP), a gravação ao vivo do show vai ser lançada nos formatos de CD, DVD e em kit que junta CD duplo e DVD em embalagem especial.  Eis, na ordem do DVD, as 29 músicas da gravação que sairá em 27 de novembro de 2015:

1. Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972)
2. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)
3. Tropicália (Caetano Veloso, 1967)
4. Marginália II (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1967)
5. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
6. De manhã (Caetano Veloso, 1965)
7. As camélias do quilombo do Leblon (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 2015) - música inédita
8. Sampa (Caetano Veloso, 1978)
9. Terra (Caetano Veloso, 1978)
10. Nine out of ten (Caetano Veloso, 1972)
11. Odeio (Caetano Veloso, 2006)
12. Tonada de luna Ilena (Simón Díaz, 1973)
13. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965)
14. Super homem, a canção (Gilberto Gil, 1979)
15. Come Prima (Alessandro Taccani, Vincenzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957)
16. Esotérico (Gilberto Gil, 1976)
17. Tres Palabras (Osvaldo Farrés, 1946)
18. Drão (Gilberto Gil, 1982)
19. Não tenho medo da morte (Gilberto Gil, 2008)
20. Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972)
21. Toda menina baiana (Gilberto Gil, 1979)
22. Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1980)
23. São João Xangô menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)
24. Nossa gente (Avisa lá) (Roque Carvalho, 1992)
25. Andar com fé (Gilberto Gil, 1982)
26. Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973)
27. Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993)
28. Domingo no parque (Gilberto Gil, 1967)
29. A luz de Tieta (Caetano Veloso, 1996)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Show de Caetano e Gil sai em CD duplo e DVD via Sony em 27 de novembro

Pela primeira vez, desde 1967, Caetano Veloso vai lançar um produto fonográfico no Brasil sem ter contrato com a gravadora atualmente denominada Universal Music. Caberá a Sony Music lançar, em 27 de novembro de 2015, a gravação ao vivo do show Dois amigos, um século de música feito por Caetano com Gilberto Gil desde 25 de junho deste ano de 2015. Gravado na passagem da turnê internacional por São Paulo (SP), em agosto, o show de vozes & violões dos dois músicos, cantores e compositores baianos - em foto de Rodrigo Goffredo - vai ser perpetuado em dois CDs e em DVD, vendidos separadamente e também comercializados juntos em kit que inclui o CD duplo e o DVD. O CD e o DVD Dois amigos, um século de música alinham 29 números do show, incluindo a música inédita As camélias do quilombo do Leblon, a primeira parceria de Caetano com Gil desde 1993. Eis, na ordem do DVD, as 29 músicas eternizadas no registro oficial do lindo show dos dois artistas:

1. Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972)
2. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)
3. Tropicália (Caetano Veloso, 1967)
4. Marginália II (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1967)
5. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
6. De manhã (Caetano Veloso, 1965)
7. As camélias do quilombo do Leblon (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 2015) - música inédita
8. Sampa (Caetano Veloso, 1978)
9. Terra (Caetano Veloso, 1978)
10. Nine out of ten (Caetano Veloso, 1972)
11. Odeio (Caetano Veloso, 2006)
12. Tonada de luna Ilena (Simón Díaz, 1973)
13. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965)
14. Super homem, a canção (Gilberto Gil, 1979)
15. Come Prima (Alessandro Taccani, Vincenzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957)
16. Esotérico (Gilberto Gil, 1976)
17. Tres Palabras (Osvaldo Farrés, 1946)
18. Drão (Gilberto Gil, 1982)
19. Não tenho medo da morte (Gilberto Gil, 2008)
20. Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972)
21. Toda menina baiana (Gilberto Gil, 1979)
22. Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1980)

23. São João Xangô menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)
24. Nossa gente (Avisa lá) (Roque Carvalho, 1992)
25. Andar com fé (Gilberto Gil, 1982)
26. Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973)
27. Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993)
28. Domingo no parque (Gilberto Gil, 1967)
29. A luz de Tieta (Caetano Veloso, 1996)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Caetano e Gil se irmanam ao expor um século de música brasileira em show

Resenha de show
Título: Dois amigos, um século de música
Artistas: Caetano Veloso e Gilberto Gil (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Metropolitan (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 18 de outubro de 2015
Cotação: * * * * *

 O título do show Dois amigos, um século de música alude ao fato de Caetano Veloso e Gilberto Gil estarem completando e festejando juntos, neste ano de 2015, cinco décadas de suas respectivas carreiras. Duas carreiras afins, irmãs, que correm paralelas desde que os artistas extrapolaram as fronteiras da Bahia natal e ganharam exposição nacional a partir de 1965 com a gravação e edição de compactos pela gravadora RCA. A soma dos 50 anos de carreira de Caetano com os 50 de Gil daria "um século de música". Mas o título faz mais sentido quando a visão do show - cuja turnê de rota internacional, iniciada em 25 de junho em Amsterdam, chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) no último fim de semana - mostra que, juntos no palco, a sós com seus respectivos violões e com o justo status de gênios da MPB, Caetano e Gil se irmanam na exposição fraterna de um século de música brasileira. Sim, embora a composição mais antiga do repertório seja o bolero cubano Tres palabras (Osvaldo Farrés), lançado em 1946 e ouvido no show na voz rouca de Gil, os cantores e compositores sintetizam um século de música brasileira nas vozes, nos violões e nas 30 músicas do roteiro. Desde que o samba é oficialmente samba, a partir de  novembro de 1916, a música brasileira se expandiu em ramificações que, de uma certa forma, estão representadas no roteiro de Dois amigos, um século de música, show de sucesso massivo que tem lotado grandes casas das cidades por onde tem passado. Situado musicalmente entre Rio e Bahia, evocada já na abertura do show, quando em uníssono Caetano e Gil relembram em Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972) o inventário existencial do exílio londrino, feito por Gil na volta ao Brasil, o roteiro abarca diversos afluentes da música brasileira. Se Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967) - que começa a bater com a habitual suavidade na voz de Gil para somente depois ser ouvido com seu compositor - é o eco ainda vívido do poder transformador da Bossa Nova, É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) representa o requebrado brasileiro de antes da bossa do fundamental João Gilberto. E aí, nesse momento, Gil brilha provisoriamente mais do que Caetano em um "cai para lá, cai para cá" de sua voz e de seu violão que reiteram a espantosa musicalidade do preto que Caetano gostava antes mesmo de ser alguém na música. Antes da bossa de João, houve também o baião de Luiz Gonzaga (1912 - 1989), ídolo dos dois amigos, rei da musical nação nordestina, evocado com reverência na fogueira armada em São João Xangô menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976). Depois da bossa de João, houve a Tropicália, o movimento pop de 1967 orquestrado por Caetano e Gil para derrubar os muros da música brasileira, redefinindo os conceitos de bom e mau gosto. O solo vocal de Caetano em Tropicália (Caetano Veloso, 1967) e o de Gil em Marginália II (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1967) saúdam os poetas que desfolharam a bandeira entre pânicos e glórias. Única novidade do repertório, incorporada ao roteiro a partir da estreia do show em palcos brasileiros, As camélias do quilombo do Leblon - samba que se revela mais engenhoso e mais sedutor a cada audição, desfazendo a impressão inicial de ser composição meramente mediana - remete a tempos remotos de lutas pelo fim da escravidão. No fim do samba, quando percute o violão e emula a voz de um preto velho, Gil sintetiza toda a carga ancestral da negritude africana que pauta a música brasileira, sêmem que gerou tanto o samba-reggae - ritmo que sustenta o Olodum, grupo lembrado no show com seu hit Nossa gente (Avisa lá ) (Roque Carvalho, 1992) em número festivo em que os cantores alternam tons e timbres - quanto o rap não evidente no show, mas presente na obra dos dois amigos desde a parceria na composição de Haiti (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1993), ausência sentida do roteiro pautado por sucessos como Sampa (Caetano Veloso, 1978), tema cantado por Caetano e adornado por leves toques de percussão tirados por Gil de seu violão. A obviedade da inclusão de alguns hits cantados com avidez por um público mais conservador é redimida pela musicalidade dos amigos. O arranjo de Terra (Caetano Veloso, 1978) exemplifica a habilidade de dar frescor ao que parece girar na rota da previsibilidade. Quando fala das sacadas dos sobrados da velha São Salvador, os sons percussivos do violão de Caetano simulam os tambores dos tempos do imperador, instrumento-símbolo da negritude resistente em priscas eras. Mas, quando segundos depois o cantor lembra na mesma estrofe que "a Bahia tem um jeito", seu violão já é pura manemolência, tirada das cordas. A naturalidade com que Caetano e Gil encadeiam no roteiro obras pautadas pela pluralidade faz com que o público assimile tanto uma música em inglês que cita na letra o então nascente reggae, Nine out of ten (Caetano Veloso, 1972), quanto um rock desossado pela estética acústica do show, Odeio (Caetano Veloso, 2006), dono de melodia que resiste bem ao violão (também o de Gil) que preserva o andamento nervoso desse hit da recente fase Cê da antropofágica discografia de Caetano. Entre lembranças sutis da penetração da música hispânica em terras brasileiras, ecoada em Tonada de luna llena (Simón Diáz) - solo em que Caetano recorre ao seu falsete - e no já mencionado bolero Tres palabras, os dois amigos revivem com doçura Esotérico (Gilberto Gil, 1976), reminiscência de encontro bárbaro. Até a força da canção italiana é lembrada - com Come Prima (Alessandro Taccani, Vincenzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957), música cantada tanto por Caetano como Gil - no roteiro do show de turnê de rota planetária que parece extrapolar os limites do planeta Terra quando Gil filosofa sobre a finitude em Não tenho medo da morte (Gilberto Gil, 2008) com voz de tom cavernoso que parece vir de outra dimensão existencial. Mesmo com a rouquidão, a voz de Gil - a propósito - continua plena de sentidos e significados. Seu solo em Drão (Gilberto Gil, 1972) atesta o vigor que desafia seus 73 anos. Senhor da música, Gil faz com que todo mundo embarque mais uma vez no Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972) e se deixe seduzir pela pegada funkeada de Toda menina baiana (Gilberto Gil, 1979). E, por mais que estejam evocando todo o Brasil através do roteiro e que tenham mandado Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969) com toda carioquice no segundo bis da apresentação carioca de 18 de outubro de 2015, Caetano Veloso e Gilberto Gil fazem da Bahia o epicentro de Dois amigos, um século de música. "Ê Santo Amaro!", gritou Gil ao pôr Andar com fé (Gilberto Gil, 1982) na roda, samba cantado em uníssono pelo cantores com direito a joviais requebros de Caetano. E é sintomático que tudo acabe (antes do bis) no compasso do ijexá Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973). Caetano Veloso e Gilberto Gil rodam o mundo com essa síntese de seus 50 anos de carreira (o que justifica o roteiro centrado em sucessos), mas terminam sempre na Bahia, o quintal-celeiro, ponto de referência do qual partiram há 50 anos em travessia que os tornou universais, como prova este primoroso show que condensa um século de música brasileira no tom fraterno dos dois amigos.

Caetano e Gil mandam 'Aquele abraço' no bis carioca do show 'Dois amigos'

  Caetano Veloso e Gilberto Gil mandaram Aquele abraço para o público do Rio de Janeiro (RJ) que assistiu à terceira apresentação carioca do show Dois amigos, um século de música, na casa Metropolitan, na noite de domingo, 18 de outubro de 2015. Samba lançado por Gil em 1969 para se despedir do Rio (e do Brasil) ao partir para o exílio forçado, em Londres, Aquele abraço não estava oficialmente previsto no roteiro da turnê em sua passagem pelo Rio. Mas entrou no segundo bis, encerrando a apresentação, para alegria do público do Rio. Bis à parte, os cantores, compositores e músicos baianos seguiram basicamente o roteiro original do show, cuja turnê internacional estreou em 25 de junho de 2015, na cidade de Amsterdam, nos Países Baixos. Além da adição do inédito samba As camélias do quilombo do Leblon (primeira música composta por Caetano e Gil em parceria desde 1993, incorporada ao roteiro do show desde a estreia da turnê no Brasil, no Citibank Hall de São Paulo, em 20 de agosto), a única mudança - já prevista - em relação ao repertório original foi a troca de Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1980) por Eu não tenho medo da morte (Gilberto Gil, 2008), temas espiritualistas. Eis o roteiro de 30 músicas seguido em 18 de outubro de 2015 por Caetano Veloso e Gilberto Gil - vistos na foto de Rodrigo Goffredo à frente do cenário criado por Hélio Eichbauer para a estreia da turnê no Brasil - na apresentação do show fraterno Dois amigos,  um século de música que lotou a casa Metropolitan, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972)
2. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)
3. Tropicália (Caetano Veloso, 1967)
4. Marginália II (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1967)
5. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
6. De manhã (Caetano Veloso, 1965)
7. As camélias do quilombo do Leblon (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 2015) - música inédita
8. Sampa (Caetano Veloso, 1978)
9. Terra (Caetano Veloso, 1978)
10. Nine out of ten (Caetano Veloso, 1972)
11. Odeio (Caetano Veloso, 2006)
12. Tonada de luna Ilena (Simón Díaz, 1973)
13. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965)
14. Super homem, a canção (Gilberto Gil, 1979)
15. Come Prima (Alessandro Taccani, Vincenzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957)
16. Esotérico (Gilberto Gil, 1976)
17. Tres Palabras (Osvaldo Farrés, 1946)
18. Drão (Gilberto Gil, 1982)
19. Não tenho medo da morte (Gilberto Gil, 2008)
20. Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972)
21. Toda menina baiana (Gilberto Gil, 1979)
22. São João Xangô menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)
23. Nossa gente (Avisa lá) (Roque Carvalho, 1992)
24. Andar com fé (Gilberto Gil, 1982)
25. Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973)
Bis
26. Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993)
27. Domingo no parque (Gilberto Gil, 1967)
28. A luz de Tieta (Caetano Veloso, 1996)
Bis 2:
29. O leãozinho (Caetano Veloso, 1977)
30. Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Caetano e Gil lançam parceria inédita na estreia no Brasil de show em dupla

Sem compor em parceria desde 1993, ano em que lançaram no CD Tropicália 2 (Philips, 1993) músicas que fizeram juntos, como Haiti e Cinema novo, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançaram uma música inédita na estreia no Brasil da turnê do show Dois amigos, um século de música. O público que foi ao Citibank Hall de São Paulo (SP) na noite de ontem, 20 de agosto de 2015, ouviu em primeira mão As camélias do quilombo do Leblon, samba que os artistas baianos compuseram na madrugada anterior à estreia nacional do show em que Caetano e Gil - em foto de Raphael Castello, da Ag. News - revivem sucessos de seus repertórios à frente de cenário formado por  bandeira abstrata alocada ao fundo do palco e por várias bandeiras de Estados do Brasil. Assinado por Hélio Eichbauer, o cenário foi outra novidade do show em sua chegada à cena nacional. Eis a letra de  As camélias do quilombo do Leblon,  a primeira parceria de Caetano com Gil em 22 anos:

As camélias do quilombo do Leblon

(Caetano Veloso/Gilberto Gil)

As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias

As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
As camélias do quilombo do Leblon
Nas lapelas

Vimos as tristes colinas do sul de Hebron
Rimos com as doces meninas sem sair do tom
O que fazer chegando aqui
As camélias do quilombo do Leblon brandir

Somos a guarda negra da redentora
Somos a guarda negra da redentora

Somos a guarda negra da redentora

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias

As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
As camélias da segunda abolição
Cadê elas?

Somos assim, capoeiras das ruas do rio
Será sem fim o sofrer do povo do Brasil?
Nele, em mim, vive o refrão
As camélias da segunda abolição virão

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Eis o roteiro da turnê de Caetano e Gil que, provavelmente, vai originar DVD

Caetano Veloso e Gilberto Gil estrearam na noite de ontem, 25 de junho de 2015, o show Dois amigos - Um século de música, calcado em suas vozes, obras e violões. A rota internacional da turnê - que chega ao Brasil a partir de agosto - foi iniciada em Amsterdam, nos Países Baixos. Embora nada tenha se falado (ainda) sobre o registro audiovisual da turnê, é provável que o show seja gravado ao vivo para dar origem a CD e DVD em 2016 ou mesmo ainda no fim deste ano de 2015. Caso o registro se concretize, o público que admira os dois cantores e compositores baianos - vistos no palco da sala Concertgebouw em foto postada na página de Caetano no Facebook - terá a oportunidade de ver e ouvir em casa um show centrado em sucessos da lavra dos artistas. Mas o roteiro também abre espaço para uma canção italiana  - Come Prima (Alessandro Taccani, Enzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957) - e um bolero de autoria do compositor cubano Osvaldo Farrés (1902 - 1985), Tres palabras, já presente no repertório de Gil. Sem falar no tema venezuelano Tonada de luna llena (Simón Díaz, 1973), gravado por Caetano no álbum em que abordou o cancioneiro latino-americano, Fina estampa (PolyGram, 1994). Eis o roteiro seguido por Caetano Veloso e Gilberto em 25 de junho de 2015, na cidade de Amsterdam, na estreia mundial da turnê do show Dois amigos, um século de música, com o qual eles celebram cinco décadas de carreira e amizade:

1. Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972)
2. Coração vagabundo (Caetano Veloso, 1967)
3. Tropicália (Caetano Veloso, 1967)
4. Marginália II (Gilberto Gil e Torquato Neto, 1967)
5. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
6. De manhã (Caetano Veloso, 1965)
7. Sampa (Caetano Veloso, 1978)
8. Terra (Caetano Veloso, 1978)
9. Nine out of ten (Caetano Veloso, 1972)
10. Odeio (Caetano Veloso, 2006)
11. Tonada de luna Ilena (Simón Díaz, 1973)
12. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965)
13. Super homem, a canção (Gilberto Gil, 1979)
14. Come Prima (Alessandro Taccani, Enzo Di Paola e Mario Panzeri, 1957)
15. Esotérico (Gilberto Gil, 1976)
16. Tres Palabras (Osvaldo Farrés, 1946)
17. Drão (Gilberto Gil, 1982)
18. Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil, 1980)
19. Expresso 2222 (Gilberto Gil, 1972)
20. Toda menina baiana (Gilberto Gil, 1979)
21. São João Xangô Menino (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1976)
22. Nossa gente (Avisa lá) (Roque Carvalho, 1992)
23. Andar com fé (Gilberto Gil, 1982)
24. Filhos de Gandhi (Gilberto Gil, 1973)
Bis
25. Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993)
Bis 2:
26. O leãozinho (Caetano Veloso, 1977)
27. Domingo no parque (Gilberto Gil, 1967)