Mauro Ferreira no G1

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domingo, 22 de setembro de 2013

Obreiro Bruce demole muro entre astro e plateia em grande show no Rio

Resenha de show - Rock in Rio 2013
Título: Wrecking ball tour
Artista: Bruce Springsteen
Local: Palco Mundo - Cidade do Rock (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 22 de setembro de 2013
Foto: Divulgação Rock in Rio 2013 / Estácio - Marcus Vini
Cotação: * * * * *

Já passava das 2:30h da madrugada deste domingo, 22 de setembro de 2013, quando Bruce Springsteen, empapado de suor e (aparentemente) já exaurido, arremessou sua guitarra no fundo do Palco Mundo do Rock in Rio 2013 após cantar Born to run (1975), música que batizou seu terceiro álbum, marco inicial da conquista das massas por esse cantor, compositor e guitarrista norte-americano. Parecia que seu histórico show na quinta edição carioca do festival chegara ao fim. Mas era rebate falso. Bruce permaneceu firme no Palco Mundo e arremessou Tenth avenue freeze-out (1975), outra música do antológico álbum Born to run (1975). Na sequência, o Boss saiu de sua seara autoral e engatou Twist and shout (Phil Medley e Bert Russell, 1961), com direito à citação de La bamba (Ritchie Vallens, 1958, sobre tema do folclore mexicano). Disparados pela produção do festival, os fogos de artifício sinalizaram que, agora sim, a apresentação do Chefe chegava ao fim. Contudo, incansável, Bruce se rendeu aos chamados do público - que gritava em uníssono "Olê olê olê olê olê Brucê Brucê" - e ainda voltou para bis de tom acústico, dado com This hard land (1982). Canção composta nas sessões de gravação de Born in the U.S.A. (o álbum de 1984 que o cantor e sua E-Street Band reproduziram na íntegra no Palco Mundo, surpreendendo o público) e descartada na seleção final do disco, tendo sido efetivamente gravada pelo compositor em 1995, This hard land foi o fecho de show antológico, vibrante, enérgico - um show feito com tesão que vai ser lembrado quando se falar do Rock in Rio 2013. Um dia antes de completar 64 anos, Bruce mostrou vigor jovial. Ali estava um obreiro incansável, um operário da música que demoliu ao longo de duas horas e 40 minutos o muro imaginário que separa astros inalcançáveis - e Bruce é um deles por sua estatura e importância na música norte-americana - de simples mortais, trabalhadores que suaram para pagar um ingresso para ver seu ídolo. Com obra que serve de porta-voz para a classe trabalhadora dos Estados Unidos (e de certa forma para o proletariado de todo o mundo, pois a opressiva relação patrão-empregado pouco varia na órbita planetária), Bruce se deixou tocar literalmente por seu público ao se aproximar dos fãs espremidos nas primeiras filas, pôs alguns representantes desse público em cima do palco - em Dancing in the dark, uma das 12 músicas do álbum Born in the U.S.A. enfileiradas no improvisado roteiro do show - e quebrou barreiras, se comunicando em bom português e desconstruindo a imagem do mito. "Vocês estão sentindo o astral?", perguntou várias vezes ao cantar Spirit in the night (1973), música que se destacou no repertório de seu primeiro álbum, Greetings from Asbury Park, N.J., lançado nos Estados Unidos há 40 anos. Sim, todo mundo sentia o alto astral. A abertura do show com Sociedade alternativa (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - cantada em português carregado, mas sempre fluente - já sinalizou a intenção de se aproximar afetiva e musicalmente do público carioca. Foi um gesto simpático que contribuiu para engrandecer o primeiro show feito por Bruce Springsteen em palcos do Rio de Janeiro (RJ). Ideologias à parte, o rock do Boss continua competente e atravessa gerações sem perder seu poder de sedução. Tanto que um dos números mais bonitos do show foi Death to my hometown (2012), música de tom épico que traz elementos celtas para o universo roqueiro do Chefe e que integra o álbum mais recente de Bruce, Wrecking ball (2012), ponto de partida para a turnê. Mesmo quando dava a impressão de estar no limite de suas forças, Bruce Springsteen tirava mais coelhos e vigor da cartola, reanimando show que vai ficar na história do festival e do Rio.

2 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Já passava das 2:30h da madrugada deste domingo, 22 de setembro de 2013, quando Bruce Springsteen, empapado de suor e (aparentemente) exaurido, arremessou sua guitarra ao fundo do Palco Mundo do Rock in Rio 2013 após cantar Born to run (1975), música que batizou seu terceiro álbum, marco inicial da conquista das massas por esse cantor, compositor e guitarrista norte-americano. Parecia que seu histórico show na quarta edição carioca do festival chegara ao fim. Mas era rebate falso. Bruce permaneceu firme no Palco Mundo e arremessou Tenth avenue freeze-out (1975), outra música do antológico álbum Born to run (1975). Na sequência, o Boss saiu de sua seara autoral e engatou Twist and shout (Phil Medley e Bert Russell, 1961), com direito à citação de La bamba (Ritchie Vallens, 1958, sobre tema do folclore mexicano). Disparados pela produção do festival, os fogos de artifício sinalizaram que, agora sim, a apresentação do Chefe chegava ao fim. Contudo, incansável, Bruce se rendeu aos chamados do público - que gritava em uníssono "Olê olê olê olê olê Brucê Brucê" - e ainda voltou para bis de tom acústico, dado com This hard land (1982). Canção composta nas sessões de gravação de Born in the U.S.A. (o álbum de 1984 que o cantor e sua E-Street Band reproduziram na íntegra no Palco Mundo, surpreendendo o público) e descartada na seleção final do disco, tendo sido efetivamente gravada pelo compositor em 1995, This hard land foi o fecho de show antológico, vibrante, enérgico - um show feito com tesão que vai ser lembrado quando se falar do Rock in Rio 2013. Um dia antes de completar 64 anos, Bruce mostrou vigor jovial. Ali estava um obreiro incansável, um operário da música que demoliu ao longo de duas horas e 40 minutos o muro imaginário que separa astros inalcançáveis - e Bruce é um deles por sua estatura e importância na música norte-americana -de simples mortais, trabalhadores que suaram para pagar um ingresso para ver seu ídolo. Com obra que serve de porta-voz para a classe trabalhadora dos Estados Unidos (e de certa forma para os proletariado de todo o mundo, pois a opressiva relação patrão-empregado pouco varia na órbita planetária), Bruce se deixou tocar literalmente por seu público ao se aproximar dos fãs espremidos nas primeiras filas, pôs alguns representantes desse público em cima do palco - em Dancing in the dark, uma das 12 músicas do álbum Born in the U.S.A. enfileiradas no improvisado roteiro do show) - e quebrou barreiras, se comunicando em português e desconstruindo a imagem do mito. A abertura do show com Sociedade alternativa (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - cantada em português carregado, mas fluente - já sinalizou a intenção de se aproximar afetiva e musicalmente do público carioca. Foi um gesto simpático que contribuiu para engrandecer o primeiro show feito por Bruce Springsteen em palcos do Rio de Janeiro (RJ). Ideologias à parte, o rock do Boss continua competente e atravessa gerações sem perder seu poder de sedução. Tanto que um dos números mais bonitos do show foi Death to my hometown (2012), música de tom épico que traz elementos celtas para o universo roqueiro do Chefe e que integra o álbum mais recente de Bruce, Wrecking ball (2012), ponto de partida para a turnê. Mesmo quando dava a impressão de estar no limite de suas forças, Bruce Springsteen tirava mais coelhos e vigor da cartola, reanimando show que vai ficar na história do festival e do Rio.

Douglas Carvalho disse...

Bruce mostrou para umas e outras (e seus fãs) que acham que um show é feito de roupas, coreografias e efeitos de telão O QUE É UM GRANDE SHOW.

DISPARADO O MELHOR CONCERTO DESSE ROCK IN RIO.