Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Zezé cresce ao cantar Macalé e Melodia quando faz atriz entrar em cena

Resenha de show
Título: Negra Melodia
Artista: Zezé Motta (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro Sesi (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 20 de setembro de 2011
Cotação: * * *

Zezé Motta é atriz e cantora. Quando alia esses dois talentos em cena, fazendo pulsar sua veia dramática ao interpretar uma música, seu canto cresce. No show Negra Melodia, apresentado pela artista no Teatro Sesi do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 20 de setembro de 2011, os melhores momentos foram quando a cantora se valeu dos recursos da atriz. O choro que brotou em Soluços (Jards Macalé) reiterou o que CD Negra Melodia - lançado em fevereiro pela gravadora Joia Moderna - já havia exposto:  a abordagem dessa música é o ponto mais alto desse trabalho em que Zezé entrelaça as obras de Jards Macalé e Luiz Melodia. Macalé compareceu como convidado-surpresa da estreia carioca, valorizando a apresentação. Que cresceu a partir da entrada do compositor. Ainda assim, a insegurança da cantora com a letra de Movimento dos Barcos (Jards Macalé e José Carlos Capinam) fez o número naufragar. Faltou o rigor visto no dueto seguinte com Macalé, Sem Essa (Jards Macalé e Duda Machado). Em sua primeira metade, o show resultou mais irregular por conta dessas eventuais distrações da cantora com letras e com o timing do show (seus papos com a plateia são bobinhos). A cantora peca também por forçar em cena uma comunicação com o público que soou particularmente excessiva em Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia). Zezé começou a cantar bem o clássico de Melodia, pontuada por arranjo econômico, mas desceu para a plateia e entregou o microfone para que determinados espectadores cantassem alguns versos. Resultado: o número de plateia estragou a beleza da canção e se mostrou dispensável, pois Zezé não precisa desse approach para captar a atenção de seu público. Aos 67 anos, a cantora conserva a voz em boa forma, perceptível já quando a cantora entra no palco cantando a capella os versos de  Encanto (Jards Macalé, Lígia Anel, Xico Chaves e Christianne Dardenne) e abrindo o show como fecha o disco. Em Magrelinha (Luiz Melodia), a intérprete também mostrou que arrasa quando se concentra mais nos versos que canta. A atmosfera densa esboçada em The Archaich Lonely Blue Star (Jards Macalé e Duda Machado) foi outra prova de que Zezé, quando quer, ainda é Zezé. Assim como Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão), número que ofereceu um lampejo daquela artista mais libertária e ousada dos anos 70. Já no bis, dado com Pérola Negra (Luiz Melodia), o show readquiriu o tom frouxo de parte de sua primeira metade. Algumas falas da artista contribuem para diluir a coesão do show. Mesmo assim, o samba Pano pra Manga (Jards Macalé e Xico Chaves) ganhou todo o suingue da cor, se impondo sobre números como Divina Criatura (Luiz Melodia e Papa Kid), Começar pelo Recomeço (Luiz Melodia e Torquatro Neto) - tema prejudicado por arranjo insosso - e Fadas (Luiz Melodia), samba que ganhou gestual gracioso que não atenuou a sensação de que essa música já está definitivamente associada ao canto de Elza Soares, que tornou Fadas um tango. Enfim, o CD Negra Melodia deu sopro de vitalidade à discografia então já mofada de Zezé Motta. O show não é tão coeso quanto o disco. Mas tem lá seus bons momentos. Especialmente quando a cantora resolve entrar em cena juntamente com a atriz.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Zezé Motta é atriz e cantora. Quando alia esses dois talentos em cena, fazendo pulsar sua veia dramática ao interpretar uma música, seu canto cresce. No show Negra Melodia, apresentado pela artista no Teatro Sesi do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 20 de setembro de 2011, os melhores momentos foram quando a cantora se valeu dos recursos da atriz. O choro que brotou em Soluços (Jards Macalé) reiterou o que CD Negra Melodia - lançado em fevereiro pela gravadora Joia Moderna - já havia exposto: a abordagem dessa música é o ponto mais alto desse trabalho em que Zezé entrelaça as obras de Jards Macalé e Luiz Melodia. Macalé compareceu como convidado-surpresa da estreia carioca, valorizando a apresentação. Que cresceu a partir da entrada do compositor. Ainda assim, a insegurança da cantora com a letra de Movimento dos Barcos (Jards Macalé e José Carlos Capinam) fez o número naufragar. Faltou o rigor visto no dueto seguinte com Macalé, Sem Essa (Jards Macalé e Duda Machado). Em sua primeira metade, o show resultou mais irregular por conta dessas eventuais distrações da cantora com letras e com o timing do show (seus papos com a plateia são bobinhos). A cantora peca também por forçar em cena uma comunicação com o público que soou particularmente excessiva em Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia). Zezé começou a cantar bem o clássico de Melodia, pontuada por arranjo econômico, mas desceu para a plateia e entregou o microfone para que determinados espectadores cantassem alguns versos. Resultado: o número de plateia estragou a beleza da canção e se mostrou dispensável, pois Zezé não precisa desse approach para captar a atenção de seu público. Aos 67 anos, a cantora conserva a voz em boa forma, perceptível já quando a cantora entra no palco cantando a capella os versos de Encanto (Jards Macalé, Lígia Anel, Xico Chaves e Christianne Dardenne) e abrindo o show como fecha o disco. Em Magrelinha (Luiz Melodia), a intérprete também mostrou que arrasa quando se concentra mais nos versos que canta. A atmosfera densa esboçada em The Archaich Lonely Blue Star (Jards Macalé e Duda Machado) foi outra prova de que Zezé, quando quer, ainda é Zezé. Assim como Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão), número que ofereceu um lampejo daquela artista mais libertária e ousada dos anos 70. Já no bis, dado com Pérola Negra (Luiz Melodia), o show readquiriu o tom frouxo de parte de sua primeira metade. Algumas falas da artista contribuem para diluir a coesão do show. Mesmo assim, o samba Pano pra Manga (Jards Macalé e Xico Chaves) ganhou todo o suingue da cor, se impondo sobre números como Divina Criatura (Luiz Melodia e Papa Kid), Começar pelo Recomeço (Luiz Melodia e Torquatro Neto) - tema prejudicado por arranjo insosso - e Fadas (Luiz Melodia), samba que ganhou gestual gracioso que não atenuou a sensação de que essa música já está definitivamente associada ao canto de Elza Soares, que tornou Fadas um tango. Enfim, o CD Negra Melodia deu sopro de vitalidade à discografia então já mofada de Zezé Motta. O show não é tão coeso quanto o disco. Mas tem lá seus bons momentos. Especialmente quando a cantora resolve entrar em cena juntamente com a atriz.

Luca disse...

ela fez esse show aqui em sp, não fui, mas soube que o Macalé e o Melodia foram e cantaram com ela. Bom saber que Zezé taí gravando, fazendo shows,

José Junior disse...

Um disco que Zezé devia a nós seus ouvintes e talvez a si mesma. Melodia e Macalé foram duas pedras de rumo em sua carreira e compuseram canções que,na maioria das vezes, não foram compostas para ela, mas que nesse disco e show se encaixaram perfeitamente em suas intenções como cantora e atriz. Salve a negra melodia de Zezé Motta !

Santana Filho disse...

Quando Zezé resolve 'soltar os bichos' em suas interpretações é realmente arrepiante. Pena q tenha optado por um canto mais protocolar (quando investe na carreira de cantora).

Mesmo este último CD acho aquém de sua verve. Zezé tem carisma e um belo timbre. E gosto sempre de saber que ela está por aí.

EDELWEISS1948 disse...

ZEZE MOTTA. SEMPRE BEM VINDA.