Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Zezé Motta vai cantar Arlindo Cruz em disco de samba idealizado desde 2007

♪ Zezé Motta vai gravar neste ano de 2016 - enfim! - o álbum de samba que idealiza desde 2007. De contrato assinado com a Coqueiro Verde Records, gravadora que vai distribuir o disco O samba mandou me chamar no mercado fonográfico brasileiro, a atriz e cantora fluminense vai dar voz a uma música do compositor carioca Arlindo Cruz. O CD é o oitavo álbum solo da discografia de Zezé.

domingo, 10 de maio de 2015

Após oito anos, Zezé retoma o projeto de disco dedicado somente ao samba

♪ Quatro anos após ter voltado ao mercado fonográfico pela gravadora Joia Moderna com Negra melodia (2011), álbum dedicado aos cancioneiros dos compositores cariocas Jards Macalé e Luiz Melodia, Zezé Motta prepara seu retorno ao disco. A atriz e cantora fluminense - em foto postada em sua página no facebook - retoma neste ano de 2015 um projeto articulado em 2007 para o selo Quitanda, de Maria Bethânia, mas nunca efetivamente gravado. Trata-se do CD O samba mandou me chamar - álbum inteiramente voltado para o samba, como seu título já anuncia. O oitavo álbum solo da discografia de Zezé Motta vai ser distribuído pela gravadora Coqueiro Verde Records.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Primeiro álbum solo de Zezé, de 1978, é reeditado na série 'Discobertas'

Lançado originalmente em 1978, o primeiro álbum solo da cantora e atriz Zezé Motta está sendo reeditado pela Warner Music dentro da Série Discobertas, produzida por Marcelo Fróes. Com sucessos como Magrelinha (Luiz Melodia, 1973) e Rita Baiana (John Neschling e Geraldo Carneiro, tema egresso da trilha sonora do filme O Cortiço, lançado naquele ano de 1978), o disco Zezé Motta volta ao catálogo doze anos após ter sido relançado em CD pelo pesquisador Charles Gavin acoplado a Dengo (1980) no volume 12 da série Dois Momentos, editada pela Warner Music em 2000. Conciliando inéditas e regravações de músicas recentes de alguns dos maiores compositores da MPB, o repertório de Zezé Motta inclui Trocando em Miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977), Pecado Original (Caetano Veloso, 1978), Baba Alapalá (Gilberto Gil, 1977) e Dores de Amores (Luiz Melodia, 1978). A atual reedição em CD é remasterizada.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Zezé cresce ao cantar Macalé e Melodia quando faz atriz entrar em cena

Resenha de show
Título: Negra Melodia
Artista: Zezé Motta (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro Sesi (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 20 de setembro de 2011
Cotação: * * *

Zezé Motta é atriz e cantora. Quando alia esses dois talentos em cena, fazendo pulsar sua veia dramática ao interpretar uma música, seu canto cresce. No show Negra Melodia, apresentado pela artista no Teatro Sesi do Rio de Janeiro (RJ) na noite de 20 de setembro de 2011, os melhores momentos foram quando a cantora se valeu dos recursos da atriz. O choro que brotou em Soluços (Jards Macalé) reiterou o que CD Negra Melodia - lançado em fevereiro pela gravadora Joia Moderna - já havia exposto:  a abordagem dessa música é o ponto mais alto desse trabalho em que Zezé entrelaça as obras de Jards Macalé e Luiz Melodia. Macalé compareceu como convidado-surpresa da estreia carioca, valorizando a apresentação. Que cresceu a partir da entrada do compositor. Ainda assim, a insegurança da cantora com a letra de Movimento dos Barcos (Jards Macalé e José Carlos Capinam) fez o número naufragar. Faltou o rigor visto no dueto seguinte com Macalé, Sem Essa (Jards Macalé e Duda Machado). Em sua primeira metade, o show resultou mais irregular por conta dessas eventuais distrações da cantora com letras e com o timing do show (seus papos com a plateia são bobinhos). A cantora peca também por forçar em cena uma comunicação com o público que soou particularmente excessiva em Estácio, Holly Estácio (Luiz Melodia). Zezé começou a cantar bem o clássico de Melodia, pontuada por arranjo econômico, mas desceu para a plateia e entregou o microfone para que determinados espectadores cantassem alguns versos. Resultado: o número de plateia estragou a beleza da canção e se mostrou dispensável, pois Zezé não precisa desse approach para captar a atenção de seu público. Aos 67 anos, a cantora conserva a voz em boa forma, perceptível já quando a cantora entra no palco cantando a capella os versos de  Encanto (Jards Macalé, Lígia Anel, Xico Chaves e Christianne Dardenne) e abrindo o show como fecha o disco. Em Magrelinha (Luiz Melodia), a intérprete também mostrou que arrasa quando se concentra mais nos versos que canta. A atmosfera densa esboçada em The Archaich Lonely Blue Star (Jards Macalé e Duda Machado) foi outra prova de que Zezé, quando quer, ainda é Zezé. Assim como Vapor Barato (Jards Macalé e Waly Salomão), número que ofereceu um lampejo daquela artista mais libertária e ousada dos anos 70. Já no bis, dado com Pérola Negra (Luiz Melodia), o show readquiriu o tom frouxo de parte de sua primeira metade. Algumas falas da artista contribuem para diluir a coesão do show. Mesmo assim, o samba Pano pra Manga (Jards Macalé e Xico Chaves) ganhou todo o suingue da cor, se impondo sobre números como Divina Criatura (Luiz Melodia e Papa Kid), Começar pelo Recomeço (Luiz Melodia e Torquatro Neto) - tema prejudicado por arranjo insosso - e Fadas (Luiz Melodia), samba que ganhou gestual gracioso que não atenuou a sensação de que essa música já está definitivamente associada ao canto de Elza Soares, que tornou Fadas um tango. Enfim, o CD Negra Melodia deu sopro de vitalidade à discografia então já mofada de Zezé Motta. O show não é tão coeso quanto o disco. Mas tem lá seus bons momentos. Especialmente quando a cantora resolve entrar em cena juntamente com a atriz.

Macalé valoriza show em que Zezé entrelaça sua obra com a de Melodia

"Lindo, Zezé...", disse Jards Macalé para Zezé Motta quando os dois terminaram de cantar Sem Essa, parceria de Macalé com Duda Machado, lançada por Macalé em compacto duplo de 1970 e - dez anos depois - regravada por Zezé no álbum Dengo (1980. De fato, o dueto de Zezé e Macalé - vistos em foto de Rodrigo Amaral - em Sem Essa foi um dos momentos mais bonitos do show Negra Melodia, apresentado por Zezé no Teatro Sesi, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 20 de setembro de 2011. No show, Zezé canta somente músicas de Jards Macalé e Luiz Melodia, tal como no disco que inspirou o show, Negra Melodia, lançado em fevereiro pela gravadora Joia Moderna. Já apresentado em São Paulo (SP), o show chegou ao Rio de Janeiro com banda diferente da que gravou o CD produzido por Thiago Marques Luiz sob a direção musical de André Bedurê e Rovilson Pascoal. A participação de Jards Macalé foi a boa surpresa do show. Antes de reviver com Zezé Sem Essa, música que captou toda a tensão vivida pelo Brasil na ditadura em letra que permite tanto uma leitura romântica quanto uma interpretação mais politizada  da  situação do País no auge da repressão, o compositor carioca embarcou com seu violão num dueto em  Movimento dos Barcos (1971) que naufragou pela insegurança de Zezé com os versos de José Carlos Capinam. Mas a cantora se redimiu em Sem Essa (número que teve a adesão dos teclados de Hiroshi), valorizando a presença de seu ilustre convidado na primeira apresentação carioca do show Negra Melodia. Zezé estava à vontade...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

'Negra Melodia' dá frescor e vitalidade à discografia mofada de Zezé Motta

Resenha de CD
Título: Negra Melodia
Artista: Zezé Motta
Gravadora: Joia Moderna / Tratore
Cotação: * * * *

Negra Melodia quase chega a ser o grande disco que Zezé Motta pode (e ainda deve) fazer para se reconectar definitivamente com a arrojada cantora que movimentou a cena musical dos anos 70 sem se deixar enquadrar (de início) no rótulo de sambista. De todo modo, o CD representa sopro de vitalidade, frescor e jovialidade em discografia que já estava engessada e demasiadamente espaçada. Basta dizer que o último disco da cantora - hoje mais conhecida como atriz de novelas por quem não testemunhou seu promissor início de carreira fonográfica - saiu há 11 anos e flertou com o passado em tom senhoril. Divina Saudade (2000) era tributo a Elizeth Cardoso (1920 - 1990) prestado com interpretações e arranjos tão mofados quanto os de seu antecessor A Chave dos Segredos (1995). Em Negra Melodia, Zezé recusa o mofo ao entrelaçar sem obviedades os cancioneiros de Jards Macalé e Luiz Melodia - compositores injustamente jogados na vala dos malditos da MPB dos anos 70. O tom arejado do disco -  produzido por Thiago Marques Luiz, sob a direção musical de André Bedurê e Rovilson Pascoal - se revela já na opção por excluir do repertório as músicas mais batidas dos compositores. De cara, Zezé cai no samba com suingue em O Sangue Não Nega (Luiz Melodia e Ricardo Augusto, 1983), repetindo a dose quatro faixas depois com Pano pra Manga (Jards Macalé e Xico Chaves, 1994). A voz está em forma, como fica claro na introdução a capella de Decisão (Luiz Melodia e  Sérgio Mello, 1987). Por isso mesmo, Zezé podia ter se soltado e se arriscado mais como em Soluços (Jards Macalé, 1970), a melhor faixa do disco, o lampejo que indica que, no peito da afinada cantora de 66 anos, ainda bate o coração daquela artista que nos anos 70 se libertou inicialmente das amarras do mercado até se deixar enquadrar nos padrões pela necessidade de sobrevivência. A guitarra rascante de Rovilson Pascoal sublinha o  momento iluminado de Zezé. Mas há (alguma) luz também na suingante Onde o Sol e Bate se Firma (Luiz Melodia, 1970) e mesmo nas sombras da bluesy Começar pelo Recomeço (Luiz Melodia e Torquato Neto, 1997) e da resistente The Archaich Lonely Blue Star (Jards Macalé e Duda, 1970). "Sou forte feito cobra coral / ... / Um velho novo cartão postal", garante Zezé em versos de Vale Quanto Pesa (Luiz Melodia, 1973), boa faixa pontuada pelo trombone de Tiquinho. É fato que músicas como Anjo Exterminado (Jards Macalé, 1972) já ganharam interpretações tão marcantes que fica difícil imprimir nelas alguma nuance reveladora. Em contrapartida, temas pouco ouvidos como Divina Criatura (Luiz Melodia e Papa Kid, 1983) - situado por Zezé próximo do terreiro afro-baiano - soam como se fossem novos. Ao fim do disco, a interpretação a capella de Encanto (Jards Macalé, Lígia Anel, Xico Chaves e Christianne Dardenne, 1992) sedimenta a impressão de que Negra Melodia repõe nos trilhos o canto de Zezé Motta e dá a cantora oportunidade de se reapresentar com frescor para novas gerações, quem sabe até cantando "Muito prazer, eu sou Zezé..." como no seu disco de 1978.  

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Zezé entrelaça Melodia e Macalé em CD feito pela gravadora de Zé Pedro

Atriz que também despontou como cantora nos anos 70, com expressiva discografia que se diluiu a partir da década de 80, Zezé Motta volta ao mercado fonográfico em fevereiro de 2011 com o lançamento de Negra Melodia. Sétimo álbum solo de Zezé, Negra Melodia é um dos quatro títulos iniciais da gravadora Joia Moderna, aberta pelo DJ Zé Pedro e voltada para cantoras. Em Negra Melodia, a intérprete entrelaça as obras de Luiz Melodia - de quem gravou três músicas (Magrelinha, Dores de Amores e O Morro Não Engana) em seu primeiro álbum solo, Zezé Motta (1978) - e Jards Macalé. De Macalé, Zezé já havia registrado Sem Essa em seu terceiro álbum solo, Dengo (1980). Sem reviver essas músicas já gravadas, Zezé prioriza no disco Negra Melodia outros temas dos dois compositores, ambos jogados involuntariamente na vala dos malditos da MPB dos anos 70. Da obra de Macalé, por exemplo, Zezé revive Soluços, tema lançado pelo compositor em um compacto (hoje raríssimo) de 1970.