Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Poderosa mistura étnica e sonora não faz de 'SuperHeavy' um superdisco

Resenha de CD
Título: SuperHeavy
Artista: SuperHeavy
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *

É difícil rotular o ritmo de Warring People, uma das quatro faixas-bônus da Deluxe Edition do álbum de estreia do SuperHeavy. Warring People começa em clima de pop indiano, adquire na sequência pegada roqueira e - até o fim de seus cinco minutos e cinco segundos - incorpora elementos de ragga e o fraseado soul do canto de Joss Stone. A mistura étnica e sonora é inusitada como a formação do SuperHeavy, supergrupo formado, além de Joss, por Mick Jagger, Dave Stewart, Damian Marley e A.R. Rahman. Criado sigilosamente em 2009, a partir de ideia de Stewart (metade do desativado duo inglês Eurythmics), o SuperHeavy apresenta dois anos depois um álbum de estreia que, embora bom, não justifica tanta expectativa pela grandeza dos nomes envolvidos no grupo. SuperHeavy, o CD, não é um superdisco. Algo parece ter se perdido na soma de tantos talentos individuais. Para quem espera disco com a pegada roqueira dos Rolling Stones pela simples presença de Jagger no supergrupo, a decepção vai ser certa. O rock deixa sua marca em uma ou outra faixa, como I Can't Take It no More, mas a dose de reggae e de ragga (o reggae aditivado com rap) é mais alta no coquetel rítmico de SuperHeavy. E, por isso mesmo, Damian Marley - o mais talentoso dos filhos de Bob Marley (1945 - 1981) - tem presença mais destacada no álbum, conduzindo no estilo ragga duas das melhores faixas, Energy e Beautiful People. Tal como em Warring People, a mistura étnica e sonora soa homogênea em Rock me Gently, uma das músicas em que sobressai o canto enérgico de Joss Stone, facilmente identificável também em One Day One Night e em Miracle Worker, reggae eleito o primeiro single do álbum. A boa dose do pop de Bollywood posta no coquetel dão um sabor de world music a temas como Satyameva Jayathe - faixa cantada em sânscrito por um Jagger mais disposto a experimentar do que o visto nos últimos anos dos Stones - e Mahiya (outra faixa-bônus da Deluxe Edition). Sem abrir mão de baladas como I Don't Mind e Never Gonna Change, SuperHeavy não chega a contagiar. Há energia no disco - música que encerra a Deluxe EditionHey Captain é exemplo dessa energia ocasional que contagia e deve crescer no palco se o grupo sair em turnê - mas atravessa as 16 faixas a sensação de que o álbum de estreia do SuperHeavy poderia ser mais do que efetivamente é pelo envolvimento de tantos talentos. Não, não espere um superdisco...

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

É difícil rotular o ritmo de Warring People, uma das quatro faixas-bônus da Deluxe Edition do álbum de estreia do SuperHeavy. Warring People começa em clima de pop indiano, adquire na sequência pegada roqueira e - até o fim de seus cinco minutos e cinco segundos - incorpora elementos de ragga e o fraseado soul do canto de Joss Stone. A mistura étnica e sonora é inusitada como a formação do SuperHeavy, supergrupo formado, além de Joss, por Mick Jagger, Dave Stewart, Damian Marley e A.R. Rahman. Criado sigilosamente em 2009, a partir de ideia de Stewart (metade do desativado duo inglês Eurythmics), o SuperHeavy apresenta dois anos depois um álbum de estreia que, embora bom, não justifica tanta expectativa pela grandeza dos nomes envolvidos no grupo. SuperHeavy, o CD, não é um superdisco. Algo parece ter se perdido na soma de tantos talentos individuais. Para quem espera disco com a pegada roqueira dos Rolling Stones pela simples presença de Jagger no supergrupo, a decepção vai ser certa. O rock deixa sua marca em uma ou outra faixa, como I Can't Take It no More, mas a dose de reggae e de ragga (o reggae aditivado com rap) é mais alta no coquetel rítmico de SuperHeavy. E, por isso mesmo, Damian Marley - o mais talentoso dos filhos de Bob Marley (1945 - 1981) - tem presença mais destacada no álbum, conduzindo no estilo ragga duas das melhores faixas, Energy e Beautiful People. Tal como em Warring People, a mistura étnica e sonora soa homogênea em Rock me Gently, uma das músicas em que sobressai o canto enérgico de Joss Stone, facilmente identificável também em One Day One Night e em Miracle Worker, reggae eleito o primeiro single do álbum. A boa dose do pop de Bollywood posta no coquetel dão um sabor de world music a temas como Satyameva Jayathe - faixa cantada em sânscrito por um Jagger mais disposto a experimentar do que o visto nos últimos anos dos Stones - e Mahiya (outra faixa-bônus da Deluxe Edition). Sem abrir mão de baladas como I Don't Mind e Never Gonna Change, SuperHeavy não chega a contagiar. Há energia no disco - música que encerra a Deluxe Edition, Hey Captain é exemplo dessa energia ocasional que contagia e deve crescer no palco se o grupo sair em turnê - mas atravessa as 16 faixas a sensação de que o álbum de estreia do SuperHeavy poderia ser mais do que efetivamente é pelo envolvimento de tantos talentos. Não, não espere um superdisco...

aguiar_luc disse...

Mas Mauro, o cd é uma delícia de ser ouvido. Pra mim foi supresa, só fiquei sabendo da formação desse grupo um dia antes do lançamento. Adorei 5 estrelas!

Zerzil Jr disse...

Dessa vez eu tenho que discordar do Mauro.

Até agora, Superheacy foi a grande surpresa pra mim entre os discos internacionais de 2011.

Esperar encontrar o Mick Jagger dos Rolling Stones ou a Joss Stones do Neo Soul talvez não seja a melhor a maneira de saborear esse disco.

Esse "tribalistas" internacional mostrou a que veio e, mesmo trazendo uma forte mistura de influências étnicas, cria e defende seu próprio conceito sonoro.

Atitude rock + Alma soul + Energia pop

Para mim, SuperHeavy é sim um "SuperDisco"!