♪ A voz de Gal Costa em 1973 reverbera em 99,9% (XL Recordings, 2016), primeiro álbum de estúdio de Kaytranada - nome artístico de Louis Kevin Celestin, DJ e produtor musical nascido no Haiti e criado no Canadá, em ascensão hype no universo pop desde 2012 com mix de house, rap, trap e R&B. Na 13ª das 16 faixas de 99,9%, álbum lançado em escala mundial neste mês de maio de 2016 e já disponível nas plataformas digitais desde o dia 6, Kaytranada usa sample da gravação da música Pontos de luz (Jards Macalé e Waly Salomão, 1973), lançada pela cantora baiana no álbum Índia (Philips, 1973). Na faixa Lite spots, Kaytrana rebobina trechos da gravação de Pontos de luz em que Gal deu a singular voz cristalina a versos como "Me sinto feliz / Me sinto contente / Me sinto muito contente / Me sinto completamente contente". 99,9% chega ao mercado fonográfico no formato de vinil duplo (que inclui CD) e em edição digital na qual o nome da cantora baiana não é creditado. Mas Kaytranada certamente sabe que o nome dela é Gal e que ela é a tal!!
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
domingo, 8 de maio de 2016
Eis a capa 'glitter' do segundo álbum de Julia Bosco, Dance com seu inimigo'
♪ Com capa glitter que expõe foto do tecladista Donatinho, produtor do disco, o segundo álbum de Julia Bosco, Dance com seu inimigo, está pronto para ser lançado no mercado fonográfico, em junho de 2016, com distribuição da Coqueiro Verde Records. No sucessor do álbum Tempo (MCK / Tratore, 2012), a cantora e compositora carioca dá voz a músicas inéditas como Cartas marcadas (Dona Onete), Pra gozar (Julia Bosco e Emerson Leal), Quase nada de novo (César Lacerda e Fernando Temporão), Quem me passa o coração? (Julia Bosco, Juliana Sinimbú e Marcela Bellas) - faixa gravada com a voz de Tulipa Ruiz - e Volume (Ana Clara Horta, Gabriel Pondé, João Bernardo e Miguel Jorge). A música-título Dance com seu inimigo é de Julia, Gustavo Macacko e Donatinho.
sábado, 7 de maio de 2016
Eis a capa de 'Tigresa', disco em que Patricia Marx regrava o sucesso de Gal
♪ Esta é a capa de Tigresa, single em que a cantora paulistana Patricia Marx regrava a homônima música de Caetano Veloso que fez sucesso na voz de Gal Costa em 1977, ano em que a composição também ganhou registros fonográficos de Maria Bethânia, Ney Matogrosso, A Cor do Som (em gravação instrumental) e do próprio Caetano Veloso. O single de Marx vai ser lançado nas plataformas digitais em 27 de maio de 2016, em edição do selo Lab 344. O single dá prévia do próximo projeto fonográfico da artista. Em 2015, Marx buscou financiamento coletivo para EP em que, além de Tigresa, daria voz a uma outra música de autoria de Caetano Veloso - Tapete mágico, curiosamente também lançada por Gal em 1981 - e a Miragem viagem (1986), versão em português do letrista e poeta Ronaldo Bastos para Black orchid (Stevie Wonder e Yvonne Writght, 1979) já gravada pela própria Patricia Marx há 30 anos em solo feito para o álbum infantil Xou da Xuxa (Som Livre, 1986), primeiro blockbuster fonográfico da apresentadora de TV Xuxa Meneghel.
Criolo ajusta foco de 'Ainda há tempo' e revigora álbum lançado há dez anos
Resenha de álbum
Título: Ainda há tempo (versão 2016)
Artista: Criolo
Gravadora: Oloko Records
Cotação: * * * *
♪ Disco disponível para download gratuito no site oficial do artista
Título: Ainda há tempo (versão 2016)
Artista: Criolo
Gravadora: Oloko Records
Cotação: * * * *
♪ Disco disponível para download gratuito no site oficial do artista
♪ Criolo era lúcido mesmo quando adotava o nome artístico de Criolo Doido. Foi como Criolo Doido que o rapper paulistano lançou há dez anos o primeiro álbum, Ainda há tempo (SkyBlue Music, 2006), com distribuição (de minguadas 500 cópias) e repercussão restritas ao universo do hip hop. Mais comentado do que propriamente ouvido, o disco está sendo relançado pelo artista neste mês de maio de 2016. Mas não se trata de reedição. O álbum disponibilizado ontem - 6 de maio de 2016 - nas plataformas digitais é uma nova versão do disco, sintonizada com o som adotado por Criolo desde que o rapper se uniu aos produtores Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral para moldar o álbum, Nó na orelha (Oloko Records, 2011), que lhe deu projeção nacional e o tirou do gueto do hip hop. Criolo foi além do rap desde então e chegou a lançar álbum gravado com uma das maiores estrelas da axé music, Ivete Sangalo, com abordagens do repertório do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998). Sucessora de Convoque seu Buda (Oloko Records, 2014) na discografia solo de Criolo, a versão 2016 de Ainda há tempo ajusta o foco do álbum ao reapresentar somente oito das 22 músicas do repertório original. Feita por Daniel Ganjaman e por Marcelo Cabral, a inebriante repaginação da música-título Ainda há tempo (Criolo, 2006) já foi apresentada como o primeiro single do álbum em 8 de abril de 2016. A faixa deu a pista certeira de como Criolo revigorou o som deste disco de 2006, mais voltado para o rap. Só que, mesmo sob a direção musical de Ganjaman, Criolo convocou outros produtores para dar forma às outras sete músicas da versão redux de Ainda há tempo. A releitura resultou excelente porque os produtores beatmakers lapidaram e encorparam o som sem diluir a essência do rap de Criolo. A lucidez do Criolo que se autodenominava Doido reverbera já na primeira música da versão 2016 de Ainda há tempo, É o teste (Criolo, 2006), repaginada por Nave. Na letra, Criolo versa sobre os perigos das quebradas e prega a perseverança no caminho do bem. "É o teste, é a febre, é a glória / Não se corromper, pra nós, já é vitória", sentencia o rapper no refrão insistente. Música revitalizada por Sala 70, Chuva ácida (Criolo, 2006) recai forte por ter tido a atualidade da pregação ecológica acentuada pela inserção, na abertura da faixa, de fala de trecho de reportagem sobre o desastre ambiental que devastou e enlameou a cidade mineira de Mariana (MG) em novembro de 2015, acabando com o Rio Doce. Música reciclada pela produção de Grou e gravada com a adesão do rapper Rael, Tô pra ver (Criolo, 2006) prega o rap como arma na luta cotidiana pela sobrevivência digna nas quebradas da vida. Bréaco (Criolo, 2016) cai levemente no suingue - com a produção de Deryck Cabrera - sem diluir a secura do rap. Música repaginada por Sem Grana, Até me emocionei (Criolo, 2006) exalta o rap como veículo salvador - "No hip hop não tem rei / Eu não fiz o rap / Foi o rap que me fez" - e escancara a sensibilidade do rapper diante da realidade. Com produção de Papatinho e discurso autoconfiante ("Ninguém vai me frear / Ninguém vai me dizer o que eu devo fazer nessa porra"), Demorô (Criolo, 2006) é um dos melhores exemplos de como Criolo soube revigorar a pegada e a batida dos raps de Ainda há tempo. Faixa recriada pela dupla Tropkilazz, Vasilhame (Criolo, 2006) derrama crítica ao alcoolismo autodestrutivo sem o verso impoliticamente correto que aludia aos travestis de forma esnobe, machista. Enfim, Criolo sempre foi lúcido. Mas agora tem mais munição para veicular a lucidez do discurso positivista de obra que já dizia a que veio no álbum quase ignorado de 2006. "As pessoas não estão más / Elas só estão perdidas", argumenta, crente, em versão da música-título. Ainda há tempo para ouvir o primeiro álbum de Criolo e comprovar que a explosão de 2011 foi meritória, ainda que até tardia para quem já estava há anos nas duras batalhas da vida das rimas.
Sandy se afina com Iorc no tempo delicado (e poético) da canção 'Me espera'
Título: Me espera
Artista: Sandy (com participação de Tiago Iorc)
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *
♪ Ao ser lançada em single nas plataformas digitais em 6 de maio de 2016, a canção Me espera já tinha virado viral por conta do clipe dirigido por Rafael Kent com base na gravação de estúdio da música composta por Sandy em parceria com Lucas Lima e com Tiago Iorc. Também captada ao vivo para o segundo registro de show da carreira da cantora e compositora paulista (Meu canto, previsto para ser lançado em junho nos formatos de CD e DVD em edição da gravadora Universal Music), Me espera é a canção mais bonita da discografia de Sandy e também sobressai no irregular repertório autoral de Iorc. O dueto com Iorc - convidado tanto da gravação ao vivo quanto do registro de estúdio - resulta harmonioso. O estilo pop folk do artista de origem brasiliense se afinou com o tom suave da obra solo de Sandy. Tanto que fica difícil identificar quem fez o que na composição de Me espera. A gravação está em sintonia com o espírito melancólico da letra que versa poeticamente sobre um casal perdido em meio a um caos existencial que o levou a um afastamento temporário. Com Me espera, Sandy se abre para nova parceria, fazendo conexão que renova sutilmente a música da artista sem fazer uma revolução estética que, no caso de Sandy, poderia até soar artificial por causa da natureza da artista. De qualquer forma, o que conta, no fim das contas, é a beleza melódica e poética desta canção singela que dá o recado no tempo da delicadeza, retratando desajuste em era bruta em que casais parecem irreconhecíveis no temporal.
Funkeiro MC Queer edita single beneficente 'Fiscal' para atacar a homofobia
♪ Funkeiro paulistano, MC Queer entra no mercado fonográfico para combater a homofobia no rastro da projeção obtida na cena indie por artistas assumidamente gays como Rico Dalasam (nome artístico do rapper paulistano Jefferson Ricardo Silva) e Liniker (cantor paulista de soul batizado como Liniker de Barros Ferreira Campos que vem lotando shows no eixo Rio-São Paulo com a banda Os Caramelos). Defensor das causas da população LGBT, MC Queer - nome artístico do cantor e compositor Felipe Cagnacci - promove o single Fiscal, funk ativista, desbocado, que dá a decisão nos playboys que discriminam, humilham e até espancam gays, travestis e transexuais. Nas plataformas digitais desde 2 de maio de 2016, o single beneficente Fiscal tem produção assinada por Maestro Billy, ex-DJ do Caldeirão do Huck, programa exibido nas tardes de sábado pela TV Globo. A renda obtida com a venda e execução do single digital Fiscal - assim como a do EP (capa exposta acima) programado para ser lançado ainda neste primeiro semestre de 2016 - vai ser integralmente destinada pelo artista a vários projetos sociais associados à causa queer, como a construção de um lar para abrigar LGBTs expulsos de casa na periferia da cidade de São Paulo (SP).
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Caixa reúne reedições de quatro álbuns lançados por Sater entre 1990 e 2007
♪ Cantor, compositor e violeiro de Mato Grosso do Sul, Almir Sater tem reedições de quatro álbuns embalados em caixa que chega ao mercado fonográfico na segunda quinzena deste mês de maio de 2016. Todos gravados com repertório essencialmente autoral, os quatro discos foram lançados originalmente entre 1990 e 2007. A caixa Almir Sater reúne reedições dos álbuns Instrumental dois (Eldorado, 1990), Terra de sonhos (Velas, 1994), Caminhos me levem (Som Livre, 1997) - disco lançado no rastro da projeção alcançada pelo artista por conta da participação na novela O rei do gado (TV Globo, 1996 / 1997) - e 7 sinais (Velas, 2007). As reedições reproduzem a arte gráfica dos álbuns originais. A caixa Almir Sater chega às lojas numa edição da gravadora Galeão.
'Afrofuturista' reafirma força da raça de Oléria ao reciclar negritude ancestral
Título: Afrofuturista
Artista: Ellen Oléria
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * * 1/2
♪ Não, Ellen Oléria não foi nuvem passageira. Projetada em escala nacional ao sair vitoriosa da primeira temporada do programa The voice Brasil, exibida em 2012 pela TV Globo, a cantora e compositora de Brasília (DF) - recém-radicada na cidade de São Paulo (SP) - retoma o fluxo autoral da discografia solo aos 33 anos com a edição de Afrofuturista. Terceiro álbum solo dessa artista que já tem discos gravados com as bandas Pretu.utu e Soatá, Afrofuturista investe na reciclagem de ritmos da música preta brasileira com as programações e beats eletrônicos do tecladista Felipe Viegas, piloto do disco na produção formatada em Brasília (DF) e assinada com Oléria. O toque dos atabaques e agogôs do percussionista baiano Gabi Guedes - integrante da exuberante Orkestra Rumpilezz - revolve a raiz negra do som, revitalizada na mixagem com as batidas contemporâneas. Mendes é músico fundamental na arquitetura de faixas como a regravação do Afoxé do Mangue (Elielson Coelho, 2015), precedida no CD por introdução composta pelo arranjador da faixa, Felipe Martins, e gravada com mix de vozes, violões, teclados e efeitos percussivos. Sem reinventar a roda, Afrofuturista transita nessa ponte entre o ancestral e o contemporâneo sem se escorar em sucessos da música brasileira, pilar que sustentou o antecessor Ellen Oléria (Universal Music, 2012), álbum que tirou a artista do gueto black e com o qual Oléria driblou interferências e ruídos da gravadora, fazendo valer, no fim das contas, a personalidade indomada que a jogou novamente às margens do selvagem mercado fonográfico. Sem músicas de gigantes da música brasileira, como Jorge Ben Jor e Milton Nascimento, Afrofuturista apresenta repertório autoral de menor estatura, mas cresce com a força da mistura e (re)afirma a força da raça de Oléria. "Ofereço o que eu posso ofertar / Minha voz no ar", avisa de cara a cantora, compositora e multi-instrumentista na música-síntese do conceito do disco, Afrofuturo (Ellen Oléria). Alocada na abertura do álbum, Afrofuturo reaparece no fecho, em remix azeitado feito pelo produtor e DJ curitibano Nave Beatz. Entre uma versão e outra da música, Oléria evoca traços da arquitetura concreta da Brasília (DF) natal em A nave (Ellen Oléria) e baixa a voltagem rítmica do ritmo em duas canções, Slow motion (Ellen Oléria) e Luz do amor (Ellen Oléria), de natureza romântica. A propósito, a esposa, empresária e musa da artista, Poliana Martins, tem o caloroso e sensual poema Eu posso ser mais recitado por Oléria no disco ao som dos teclados de Felipe Viegas, Contudo, é quando cai no suingue do Forró da Olinta (Ellen Oléria) - tema que está mais para Ile Aiyê do que para Luiz Gonzaga (1912 - 1989) - e do Samba da Zefa (Ellen Oléria) que a cantora e compositora mais brilha em Afrofuturista. O fogo da mistura aquece e eleva o disco em que Oléria também se conecta com a cantora e compositora cubana Yusa, parceira e convidada de Areia, fluida balada bilíngue (em português e em espanhol) valorizada pelos belos vocais (em tons similares ao do grupo Boca Livre) do arranjo assinado por Oléria com Juninho de Souza e com Pedro Martins. Já Mandala (Ellen Oléria) remexe em poeira ruralista espalhada pelo vento espacial-futurista que carrega o álbum para uma galáxia musical até então nunca habitada por Oléria. À vontade nesse espaço sideral e ancestral, sem (re)negar a força da raça, Ellen Oléria continua se recusando a sumir como nuvem passageira na poeira da estrada...
'Bar do Leo' bebe da fonte de 'Cabaré' e dilui a sofrência com doses de álcool
Resenha de álbum
Título: Bar do Leo
Artista: Leonardo
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *
Título: Bar do Leo
Artista: Leonardo
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *
♪ Leonardo saiu do cabaré e foi afogar as mágoas de amor na mesa de um bar. Sucessor do CD e DVD Cabaré (Sony Music, 2014), projeto fonográfico gravado pelo cantor goiano com o colega mineiro Eduardo Costa, Bar do Leo - disco produzido por Romário Rodrigues e Leandro Porto - é praticamente um álbum conceitual sobre amor e álcool. A maioria das 13 músicas do repertório - hábil na mistura de composições inéditas com regravações de sucessos do universo sertanejo como Embriagado de amor (Elias Muniz, 2000) - versa sobre a sofrência curtida entre altas doses de bebida. Só que Leonardo bebe todas sem deixar de destilar certa dose de ironia. "Quando me falaram de você / Sabe o que foi que eu disse? / O gelo que ela me deu / Tô tomando com whisky", dispara Leonardo no embriagante refrão de O gelo (Everton Matos, Diego Ferreira e André Vox, 2014), música lançada na voz do cantor-xará Léo Magalhães. Naturalmente choroso, o canto de Leonardo soa menos lacrimejante neste disco em que os arranjos - criados em maioria por Romário Rodrigues com acordeons e metais - ignoram a moda pop do sertanejo universitário e soam enraizados nas tradições caipiras dos interiores do Brasil em sintonia com o espírito popular de músicas como as inéditas Pergunte ao dono do bar (Carlinhos Maia, Manoel Mello e Marquinhos Paz) e Do bar pra igreja (Maracaí, João Gustavo e Éder Brandão), tema levemente embebido no universo da música country norte-americana. Faixa previamente enviada às rádios sertanejas em novembro de 2015, Dona do meu destino (Zé Henrique, 2005) - música lançada nas vozes da dupla goiana Zé Henrique & Gabriel - mostrou que, a rigor, Bar do Leo - o 19º álbum da discografia solo de Leonardo - bebe muito da fonte de Cabaré. É fato que é dose ouvir Leonardo reviver Só um grande amor (Clive Davis e Graham Russell, 1980, em versão em português de Roberto Merli, 2009) - que vem a ser a versão brasileira de All out of love, balada da dupla Air Suply já revivida na mesma versão caipira pela dupla Rene e Ronaldo - no habitual tom lacrimejante. Tom acentuado na também destoante lembrança de Ternura (Somehow it got to be tomorrow today) (Estelle Levitt e Kenny Karnen em versão de Rossini Pinto, 1965), sucesso de Wanderléa na era da Jovem Guarda regravado por Leonardo com citação de Nossa canção (Luiz Ayrão, 1966), hit do Rei da juventude Roberto Carlos nas jovens tardes dominicais que paravam o Brasil há 50 anos. Mas nada provoca mais ressaca no Bar do Leo do que Bora tomar uma (Ray e Eduardo), faixa que vai na cola do sertanejo moldado para as fugazes baladas dos dias de hoje. Em contrapartida, as entradas de Prazer por prazer (Carlos Randall e Danimar, 1995) - música que deu título a um álbum lançado pela dupla Christian & Ralf há 21 anos - e Linda, linda (José Fernandez, 1976) no cardápio do Bar do Leo tornam o disco indicado para quem adora curtir canções e dores na mesa de um botequim.
Martinho inaugura parceria com Geraldo Carneiro ao musicar letra do artista
♪ Martinho da Vila é o mais novo parceiro de Geraldo Carneiro, poeta e letrista mineiro que já fez músicas com nomes como Egberto Gismonti e Francis Hime. O cantor e compositor fluminense musicou letra que lhe tinha sido enviada por Carneiro. Escuta, cavaquinho é o nome do novíssimo samba que inaugura a parceria de Martinho - em foto de Marcelo Correa - com Geraldo Carneiro.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Com o violão de Arthur, Lívia Nestrovski vai de Ary a Tatit em 'Pós você e eu'
♪ A cantora Lívia Nestrovski volta ao mercado fonográfico brasileiro neste mês de maio de 2016, menos de dois anos após lançar De nada mais a algo além (Atração Fonográfica, 2014), cultuado álbum dividido pela artista de origem norte-americana com Arrigo Barnabé e Luiz Tatit. O terceiro álbum de Lívia, Pós você e eu, é disco de voz e violão assinado pela cantora com o pai, o violonista e compositor brasileiro (de origem gaúcha) Arthur Nestrovski. Produzido por Cacá Machado, o álbum Pós você e eu chega ao mercado fonográfico pelo selo Circus a partir da próxima segunda-feira, 9 de maio de 2016, em CD e edição digital. O disco sai na sequência do show feito por pai e filha entre Brasil e Portugal. Pós você e eu foi batizado com o nome de música inédita feita por Arthur Nestrovski em parceria com o compositor paulistano Luiz Tatit. Aliás, o repertório do álbum reúne três parcerias de Tatit com Arthur Nestrovski clássicos da música brasileira pré-Bossa Nova, versões de temas do universo da música erudita e standards da canção norte-americana. Eis - na disposição das 11 faixas do CD - as 13 músicas que compõem o repertório do álbum Pós você e eu:
2. Serenata [Ständchen] (Franz Schubert e Ludwig Rellstab, 1828, em versão em português
de Arthur Nestrovski, 2005)
3. Londrina (Arrigo Barnabé, 1981)
3. Londrina (Arrigo Barnabé, 1981)
4. Canção de não dormir (Arthur Nestrovski e Eucanaã Ferraz, 2006)
5. Folha morta (Ary Barroso, 1953)
6. I’m through with love / Adeus, amor (Fud Livingston, Matty Malneck e Gus Kahn, 1931, em
5. Folha morta (Ary Barroso, 1953)
6. I’m through with love / Adeus, amor (Fud Livingston, Matty Malneck e Gus Kahn, 1931, em
versão em português de Arthur Nestrovski, 2006)
7. Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957) /
7. Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957) /
Body and soul (Johnny Green, Edward Heyman, Robert Sour e Frank Eyton,1930) /
Molambo (Jaime Florence e Augusto Mesquita, 1953)
8. Pra que chorar [Ich grolle nicht] (Robert Schumann e Heinrich Heine, 1841, em versão em
Molambo (Jaime Florence e Augusto Mesquita, 1953)
8. Pra que chorar [Ich grolle nicht] (Robert Schumann e Heinrich Heine, 1841, em versão em
português de Arthur Nestrovski, 2008)
9. Um milhão (Arthur Nestrovski e Luiz Tatit, 2013)
10. Matusalém (Arthur Nestrovski e Luiz Tatit, 2015)
11. Vejo você (I only have eyes for you) (Harry Warren e Al Dubin, 1934, em versão em
9. Um milhão (Arthur Nestrovski e Luiz Tatit, 2013)
10. Matusalém (Arthur Nestrovski e Luiz Tatit, 2015)
11. Vejo você (I only have eyes for you) (Harry Warren e Al Dubin, 1934, em versão em
português de Arthur Nestrovski, 2005) - faixa-bônus
Primeiro DVD do Mundo Livre eterniza grupo em cena com imagens quentes
Resenha de DVD + CD
Título: Mangue bit ao vivo
Artista: Mundo Livre S/A
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * *
Título: Mangue bit ao vivo
Artista: Mundo Livre S/A
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * *
♪ Formato cada vez mais desgastado no diluído mercado fonográfico, já que os canais do YouTube se tornaram a principal plataforma audiovisual de lançamento e veiculação de música, o DVD ainda sobrevive na indústria brasileira com eventual relevância. A edição de Mangue bit ao vivo tem o mérito de apresentar o primeiro registro audiovisual (oficial) de show do Mundo Livre S/A. Embora ofuscado pela supremacia da conterrânea Nação Zumbi na mídia, o bom grupo pernambucano - capitaneado pelo vocalista, guitarrista e compositor Fred Zero Quatro - foi um dos pilares do movimento recifense da década de 1990 rotulado como Mangue Beat. Felizmente, o primeiro DVD do grupo - gravado ao vivo em shows feitos pelo Mundo Livre S/A em 10 e 11 de abril de 2015, no Sesc Belenzinho, na cidade de São Paulo (SP) - foi filmado a tempo de eternizar o grupo com o baixista Walter Areia, músico que saiu da banda na última sexta-feira, 29 de abril de 2016, para morar em Lisboa, Portugal. A filmagem, aliás, é quente. A direção de João Solda conseguiu captar o calor das duas apresentações da banda no Sesc Belenzinho em palco adornado com cenário criado por Gigi Barreto com inspiração na arquitetura caótica das palafitas que povoam os
manguezais urbanos do Recife (PE) com a lama revolvida pelos grupos do movimento musical dos anos 1990. Editado pela Coqueiro Verde Records em kit duplo que traz também o CD ao vivo resultante da gravação, o DVD faz jus ao histórico honroso do grupo. Já o roteiro peca por dar pouca ênfase ao repertório do antológico primeiro álbum do Mundo Livre S/A, Samba esquema noise (Banguela Records, 1994), gravado quando Otto ainda era o percussionista do grupo. Do álbum mais relevante da discografia do Mundo Livre S/A, Mangue bit ao vivo rebobina somente as músicas Livre iniciativa (Fred Zero Quatro e Tony Rodrigues Montenegro, 1994) e Manguebit (Fred Zero Quatro, 1994). Em contrapartida, o roteiro apresenta a inédita Loló Luiza (Fred Zero Quatro), samba noise de tom leve e lúdico acentuado pela gagueira esboçada por Fred Zero Quatro na interpretação da canção. O som feito pelo Mundo Livre S/A é quente como as imagens do DVD. O público - que faz coro em músicas como Computadores fazem arte (Fred Zero Quatro), clássico do Mangue Beat lançado no primeiro álbum da Nação Zumbi - também contribui para manter alta a temperatura do show (bem) gravado ao vivo para ser exibido neste oportuno primeiro DVD do Mundo Livre S/A.
DVD 'Meu canto', de Sandy, inclui gravação (de estúdio) da parceria com Iorc
♪ Música composta por Sandy em parceria com Lucas Lima e Tiago Iorc, a boa canção Me espera pode se tornar o maior sucesso da carreira solo da cantora e compositora paulista. A composição foi captada ao vivo pela artista, em dueto com Iorc, na gravação do show que vai dar origem ao CD e DVD Meu canto. Contudo, uma gravação de estúdio de Me espera - propagada através de clipe dirigido por Rafael Kent que já totaliza mais de 1 milhão e 500 mil visualizações desde que foi lançado no YouTube no dia 1º deste mês de maio de 2016 - vai figurar como bônus no CD ao vivo e DVD que Sandy lançará no início do mês de junho de 2016, em edição da gravadora Universal Music.
Alvinho Lancellotti vai lançar terceiro álbum solo com (dez) músicas autorais
♪ Quatro anos após confirmar os dotes de compositor no segundo álbum solo, O tempo faz a gente ter esses encantos (Independente, 2012), Alvinho Lancellotti se preparar para lançar, neste ano de 2016, o terceiro álbum solo. Irmão de Alvinho, o baterista Domenico Lancellotti toca no disco ao lado de músicos como o guitarrista Davi Moraes. No álbum, Alvinho - em foto de Hernani Barroca - dá voz a dez músicas inéditas de lavra própria. Uma delas, Centro da cidade, foi gravada com a participação da cantora sergipana Sandyale. As bases do disco foram gravadas em Petrópolis (RJ).
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Comportamento geral do país dá sentido à edição em CD de álbum de Bravo
Resenha de álbum - Segunda visão
Título: Comportamento geral - Canções da resistência
Artista: Marya Bravo
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * * 1/2
Título: Comportamento geral - Canções da resistência
Artista: Marya Bravo
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * * 1/2
♪ "...Olhe o dia de ontem chegando", alerta Marya Bravo através de verso de Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972), a primeira das 13 canções da resistência a que a cantora carioca dá voz no álbum Comportamento geral, lançado originalmente em formato digital, em 2014, para lembrar os 50 anos do golpe de 1964 através das músicas que resistiram à ditadura que amordaçou, mas não calou, o Brasil daquele ano de 1964 a 1985. As músicas de compositores politizados como Chico Buarque, Ivan Lins e Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991) falaram por quem não podia falar, sobretudo na década de 1970. Em 2014, Comportamento geral lembrou o que jamais deve ser esquecido. Mas os gritos do disco ficaram parados no ar, à espera de necessária edição em CD que chega, enfim, ao mercado fonográfico neste mês de maio de 2016 pela gravadora Joia Moderna. E eis que uma edição em CD que poderia soar tardia resulta mais do que oportuna no momento em que a palavra "golpe" voltou a ser pronunciada no Brasil. Com (inédita) capa que expõe fotos de mortos e desaparecidos por obra do regime militar iniciado em 1964 e endurecido a partir de 1968, Comportamento geral jamais toma partido de nomes ou siglas políticas. Mas o álbum faz a defesa da democracia e da liberdade de expressão ao reavivar canções de compositores que resistiram. Dois anos após a edição digital (clique aqui para ler a resenha publicada por Notas Musicais em 19 de setembro de 2014), Comportamento geral chega ao formato de CD com sentido ampliado pelos fatos recentes da turbulenta história política do Brasil. "Como tenho me encontrado / Como tenho descoberto / A sombra leve da morte / Passando sempre por perto / E o sentimento mais breve / Rola no ar e descreve / A eterna cicatriz / Mais uma vez / Mais de uma vez...", adverte Bravo em Meio-termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978), uma das melhores lembranças do repertório pesquisado por Rodrigo Faour para o show de 2014 que deu origem ao disco gravado em estúdio por iniciativa do DJ Zé Pedro. E o fato é que Comportamento geral nunca soou tão relevante e preciso. Marya Bravo é grande cantora que encarou sem medo as 13 grandes canções imortalizadas por imensuráveis cantoras como Elis Regina (1945 - 1982) e Maria Bethânia. Ou por compositores de vozes próprias como Milton Nascimento e Chico Buarque. Sábia, Bravo seguiu trilha própria, enquadrando na moldura do rock o que era samba ou canção de MPB, e assim evitou comparações que lhe poderiam ser desfavoráveis no confronto com os registros de nomes já entronizados como mitos da música brasileira. E ainda há pérolas pescadas no baú, como a corajosa Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri), creditada a 1974 na contracapa do CD, mas efetivamente lançada em disco em 1973, na voz de Marlene (1922 - 2014), no LP com a trilha sonora da peça Botequim, encenada naquele ano de 1973. Musicalmente, o álbum continua novo porque o hard rock dá o devido peso a essas canções da resistência. E aí o mérito é sobretudo dos produtores Pedro Garcia e Bruno Pederneiras, cujo toque sempre cortante da guitarra afia os arranjos de músicas como Demoníaca (Sueli Costa e Vitor Martins, 1974) e Apesar de você (Chico Buarque, 1970). Comportamento geral é disco sustentado pelo tripé básico do rock - a guitarra de Pederneiras, a bateria de Garcia e o baixo de Daniel Martins - que se eleva sem deixar de evidenciar o canto bravo de Marya. Afinal, o que está em pauta é o recado de letras como as de Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Cartomante (Ivan Lins e Vitor Martins, 1977) e Roda viva (Chico Buarque, 1967). O som se ajusta ao clima pesado das letras (infelizmente não reproduzidas no magro encarte). Gás neon (1974) - outro petardo certeiro de Gonzaguinha - soa asfixiante, por exemplo. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1968) abre espaço para o minimalismo noise da guitarra de Pederneiras, músico fundamental na arquitetura do álbum. Comportamento geral é disco pesado no sentido musical e poético. Os dias eram assim. Mas olhe o dia de ontem chegando! O comportamento geral do Brasil nos dias de hoje amplia o sentido do álbum de Bravo, cuja edição em CD neste 2016 é involuntário golpe de mestre.
Eis a capa e as (13) músicas de '7', o álbum do Casuarina que inclui Maria Rita
♪ Com capa que expõe arte de Diogo Montes, o sétimo álbum do grupo carioca Casuarina, 7, chega ao mercado fonográfico na segunda quinzena deste mês de maio de 2016, em edição digital, com 13 músicas e a participação da cantora paulistana Maria Rita no samba Eu já posso me chamar saudade, primeira parceria de João Cavalcanti - um dos vocalistas e compositores do quinteto - com Moacyr Luz. A edição física em CD de 7 vai para as lojas em junho de 2016 e já está em pré-venda no site da distribuidora Discole. Produzido pelos próprios integrantes do Casuarina, 7 foi gravado em quatro dias de fevereiro deste ano de 2016 na Gargolândia, estúdio de Rafael Garga Alterio situado em fazenda do interior do estado de São Paulo. A única faixa gravada fora desta imersão de quatro dias no estúdio paulista é Queira ou não queira (João Cavalcanti e Alaan Monteiro), samba captado no estúdio carioca Tenda da Raposa e já previamente lançado como single em dezembro de 2015. O repertório de 7 é inteiramente autoral. Cada música é assinada por pelo menos um integrante do Casuarina, a sós ou com parceiros como Aluísio Machado, Sérgio Fonseca, João Martins, Alaan Monteiro e o já mencionado Moacyr Luz. O repertório é inédito, com exceções de Queira ou não queira e de Chicala, música de João Cavalcanti lançada pela cantora paulistana Fabiana Cozza no álbum Partir (Agô Produções, 2015). Eis, na ordem do disco, as 13 músicas e os respectivos compositores de 7, álbum cuja edição em CD e digital foi viabilizada através de parceria do grupo carioca Casuarina com a empresa Superlativa:
1. Ambidestra (Daniel Montes e João Cavalcanti, 2016)
2. Firme e forte (Daniel Montes, Gabriel Azevedo e Sérgio Fonseca, 2016)
3. Quiproquó (João Cavalcanti, 2016)
4. Sumidouro (João Cavalcanti e João Martins, 2016)
5. Casa minha (João Fernando, 2016)
6. Quando você deixar (João Cavalcanti, 2016)
7. Eu já posso me chamar saudade (João Cavalcanti e Moacyr Luz, 2016) - com Maria Rita
8. Rasteira (Gabriel Azevedo, 2016)
9. Deixa sangrar (Daniel Montes, Gabriel Azevedo e Sérgio Fonseca, 2016)
10. A matemática do amor (Gabriel Azevedo e Aluísio Machado, 2016)
11. Chicala (João Cavalcanti, 2015)
12. Pé de vento (Daniel Montes, Rafael Freire e Sérgio Fonseca, 2016)
13. Queira ou não queira (João Cavalcanti e Alaan Monteiro, 2015)
'Tropix' é editado em vinil com 10 das 12 músicas do álbum original de Céu
♪ O cultuado quarto álbum de estúdio de Céu ganha edição em vinil de 140 gramas, fabricado pela Polysom sob licença do selo Slap, da Som Livre, gravadora que distribui o álbum lançado em março de 2016. À venda a partir este mês de maio de 2016, a edição em vinil de Tropix traz 10 das 12 músicas do álbum original produzido pelo baterista pernambucano Pupillo com o tecladista francês Hervé Salters. Por falta de espaço no vinil para caber todas as 12 faixas, a cantora e compositora paulistana limou do LP as músicas A menina e o monstro (Céu, 2016) e Sangria (Céu e José Paes Lira, 1026). Eis, na disposição do LP, as 10 músicas da edição em vinil do inebriante álbum Tropix:
1. Perfume do invisível (Céu, 2016)
2. Arrastar-te-ei (Céu, 2016)
3. Amor pixelado (Céu, 2016)
4. Minhas bics (Céu, 2016)
5. Etílica (Céu, 2016) / Interlúdio (Céu e Hervé Salters, 2016)
Lado B
1. Varanda suspensa (Céu e Hervé Salters, 2016)2. Chico Buarque song (Ricardo Salvagni, Carlos Adão Volpato, Jair Marcos Vieira e Thomas
Kurt Georg Pappon, 1990)
3. Camadas (Céu e Fernando Almeida, 2016)
4. A nave vai (Jorge Du Peixe, 2016)
5. Rapsódia brasilis (Céu, 2016)
3. Camadas (Céu e Fernando Almeida, 2016)
4. A nave vai (Jorge Du Peixe, 2016)
5. Rapsódia brasilis (Céu, 2016)
Compilação 'A divina Elizeth', de 1990, é reposta em catálogo pela Som Livre
♪ Em 1990, no rastro da saudade provocada pela saída de cena de Elizeth Cardoso (1920 - 1990), a gravadora Som Livre editou compilação da cantora carioca, no formato de LP, com reunião de fonogramas dos três álbuns que a Divina gravara na companhia. Intitulada A divina Elizeth, a coletânea lançada há 26 anos está sendo reposta em catálogo pela Som Livre nas plataformas digitais e em edição física em CD. A divina Elizeth rebobina gravações dos álbuns O inverno do meu tempo (Som Livre, 1979), Elizethíssima (Som Livre, 1981) - registro ao vivo de show captado no Teatro João Caetano, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - e Outra vez Elizeth (Som Livre, 1982). Deste três álbuns, somente o ao vivo Elizethíssima já ganhou edição em CD, em 2000, na série Gala. Os dois relevantes álbuns de estúdio de 1979 e 1982 permanecem inéditos no formato de CD e, por isso mesmo, deveriam estar sendo relançados no lugar dessa trivial coletânea de 1990.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Feminina voz de Fênix renasce entre impressões do presente e do passado
Resenha de álbum
Título: De volta ao começo
Artista: João Fênix
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *
Título: De volta ao começo
Artista: João Fênix
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *
♪ A feminina voz do cantor pernambucano João Fênix renasce no quinto álbum do artista, De volta ao começo, lançado pela gravadora Biscoito Fino no mês de abril de 2016, com capa diferente da inicialmente idealizada pelo artista após a conclusão da gravação do disco, no primeiro semestre de 2015. "É mais fácil mimeografar o passado / Que imprimir o futuro", admite Fênix em versos de Minha casa (2000), canção da safra de líricas do compositor maranhense Zeca Baleiro que abre o álbum produzido por Jaime Alem com JR Tostoi. Fênix tentou imprimir o futuro ao buscar afirmação como compositor no irregular autoral A foto onde eu quero estar (Sala de Som Records, 2011). Em De volta ao começo, o cantor faz a voz de contratenor renascer como fênix em álbum de intérprete que oscila entre impressões do passado e do presente. A própria reunião de dois produtores de universos musicais distintos - Jaime Alem, identificado com as nobres tradições da MPB e do violão, e JR Tostoi, cujo toque noise da guitarra sintoniza o presente da música pop brasileira - colabora para que o disco transcorra harmonioso entre o passado e o presente sem que um se sobreponha ao outro. Não raro, passado e presente até se dão as mãos. Parafraseando verso da música-título De volta ao começo (Gonzaguinha, 1980), Fênix entra de novo na roda para cantar antigas cantigas. Mas já aí, na canção do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945 - 1991), a guitarra cortante de Tostoi rasga a incisão memorialista, embaralhando passado e presente. Como um menino com o brilho do sol, Fênix atiça reminiscências da vivência nordestina ao voltar a falar a lúdica e tropicalista Língua do P criada por Gilberto Gil em 1970, ao mergulhar contemporâneo no Riacho do navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1955) e ao rearrumar com a rabeca de Nicolas Krassik a Arrumação feita por Elomar em 1979. Contudo, o título revelador De volta ao começo pode simbolizar tão somente o retorno do cantor de voz feminina às origens de intérprete, projetado no palco há 20 anos pela marcante atuação na montagem original do musical carioca Quatro carreirinhas (1996). Um intérprete polivalente capaz de armar uma seresta ao som de Último desejo (Noel Rosa, 1937) e de pisar no terreirão ancestral do samba para saudar Yaô (Pixinguinha e Gastão Vianna, 1938), revolvendo toda uma raiz negra evocada também no coro masculino que abrilhanta Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973) no fecho deste disco que adensa o inventário emocional ao reviver as dores e os dons uterinos de Motriz (Caetano Veloso, 1983) e de A feminina voz do cantor (Milton Nascimento e Fernando Brant, 2002). E é tragando a dor amarga de um Brasil ainda sem futuro que Fênix imprime o presente na faixa mais impactante do álbum, Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), desafiando tanta mentira e tanta força bruta ao inserir fala politizada do deputado federal Jean Willys ("Eu sou homossexual assumido, sim!") no meio dos toques dos violões incisivos. No fim da gravação amarga, o coro dos estudantes da Escola Estadual Antônio Viana de Souza, de São Paulo (SP), clama pela hora em que o país vai devolver ao povo brasileiro o dom de ser feliz. Atordoado entre o passado construído na memória e o presente surreal, João Fênix permanece atento e forte.
Disco de Ben na Som Livre, 'A banda do Zé Pretinho' volta para animar festas
♪ Em 1977, Jorge Ben Jor migrou da gravadora Philips para a Som Livre e dissolveu o grupo Admiral Jorge V, criando a Banda do Zé Pretinho. A banda que passou a acompanhar o cantor, compositor e músico carioca em cena batizou música e o 16º álbum de estúdio do artista. A música foi o maior sucesso do álbum A banda do Zé Pretinho, lançado pela gravadora Som Livre em 1978. Disco que marcou a estreia de Ben na companhia fonográfica associada à TV Globo, A banda do Zé Pretinho ganha uma segunda (re)edição em CD, posta no mercado fonográfico neste segundo trimestre de 2016, 22 anos a primeira, lançada em 1994 na série Cast. Produzido por Paulinho Tapajós (1945 - 2013), A banda do Zé Pretinho dá continuidade à fase elétrica do som de Ben, iniciada com o antológico álbum África Brasil (Philips, 1976). É um disco mais pop e mais acessível que, ao longo das 11 músicas compostas por Ben sem parceiros, versa sobre temas habituais no cancioneiro do artista, como o futebol (Cadê o penalty?), as mulheres (Berenice e Denize Rei são as musas inspiradoras da vez) e a religião (Menino Jesus de Praga e Viva São Pedro). Contudo, além da música-título A banda do Zé Pretinho, o disco emplacou Amante amado nas rádios e na trilha da novela Dancin' Days (TV Globo, 1978). A banda do Zé Pretinho retorna ao catálogo da Som Livre - em (re)edição física em CD e em edição digital - na companhia do álbum seguinte do cantor na gravadora, Salve simpatia, lançado em 1979. Remasterizadas, as atuais edições em CD dos dois álbuns são (bem) mais caprichadas do que as lançadas na desleixada série Cast na década de 1990.
Jota Quest adiciona rap de Projota ao segundo single do álbum 'Pancadélico'
♪ Uma das músicas mais solares do festivo e inebriante oitavo disco de músicas inéditas do Jota Quest, Pancadélico (Sony Music, 2015), o pop reggae Um dia pra não se esquecer (Sunrise) (Chris Leon, Katie Tucker, Jerry Barnes, PJ e Rogério Flausino, 2015) está sendo lançado como o segundo single do álbum. Mas a música lançada nas rádios e nas plataformas digitais difere da gravação do álbum por ter ganhado a adição do rap positivista do cantor e compositor paulista Projota. A ótima faixa do álbum foi produzida pelo norte-americano Jerry
Barnes em parceria com o alemão Chris Leon. Clique aqui para ouvir Um dia pra não se esquecer no YouTube com a adição do rap de Projota.
Olga, filha de Romulo Fróes e Alice Coutinho, inspira e gera música do casal
♪ O fato de Romulo Fróes ter se transformado em pai em 26 de março deste ano de 2016 - data de nascimento de Olga, primeira filha do cantor e compositor paulistano com a também compositora Alice Coutinho - gerou canção. Romulo e Alice compuseram música para dar as boas-vindas a Olga. Ainda inédita em disco, a música foi batizada com o nome da filha do casal. Esta é a letra de Olga:
Olha
É chegada a Olga
O outono vem trazer
A lua nos mostrar
Olga
É chegada a hora
Vem aqui nos ver
Vem nos encontrar
Menina vulcão
A sua estória
Vai começar
Um voo de céu azul
Um sol de festejar
Menina do sol
Nessa aurora
Que vai entrar
Um canto do seu pai
Um desenho do mar
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Carol Saboya dá voz a Bosco, Djavan, Edu, Jobim e Sting no álbum 'Carolina'
♪ Quatro anos após entrelaçar as obras dos compositores cariocas Ivan Lins e Milton Nascimento no jazzístico álbum Belezas (AAM, 2012), Carol Saboya volta ao mercado fonográfico com a edição pelo selo AAM do 12º título de discografia iniciada em 1997. A cantora carioca lança nos Estados Unidos hoje - 2 de maio de 2016 - o álbum Carolina, previsto para ser editado no Brasil em julho. O título reproduz o nome de batismo de Carolina Job Saboya, filha do pianista Antonio Adolfo, produtor e arranjador do disco. Ao piano, Adolfo integra a banda que toca com Saboya nas dez músicas de Carolina e que também inclui André Siqueira (percussão), Jorge Helder (baixo), Leo Amuedo (guitarra), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Rafael Barata (bateria e percussão). Cláudio Spiewak mixou o disco e tocou violão em Faltando um pedaço (1981), uma das duas músicas de Djavan gravadas por Saboya em Carolina (a outra é o samba Avião, de 1989). Sem inéditas, o repertório de Carolina inclui três títulos do soberano cancioneiro de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) - A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), Olha, Maria (Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes, 1970) e Passarim (1985) - e a única parceria de João Bosco com Belchior, Senhoras do Amazonas (1984). Em Carolina, Saboya também dá voz a Zanzibar (Edu Lobo, 1970) e ao choro Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946) com a letra escrita e lançada por Nelson Ângelo em 1993. Fora da inesgotável seara brasileira, a cantora interpreta Fragile (Sting, 1987) e Hello, goodybye (John Lennon e Paul McCartney, 1967).
Folk já pop e solar do Vanguart ganha sombras, intimidade e poesia em DVD
Resenha de DVD
Título: Muito mais que o amor ao vivo
Artista: Vanguart
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2
Título: Muito mais que o amor ao vivo
Artista: Vanguart
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2
♪ "Nada mudou... e tudo mudou. Foda-se". O verso de Cuyabá, poesia recitada por Cida Moreira ao som do piano da artista, encerra o segundo DVD do Vanguart e faz sentido. Nada mudou, a rigor, no Vanguart. Mas, ao mesmo tempo, tudo mudou. Em 2015, o vocalista e compositor Hélio Flanders lançou um primeiro álbum solo, Um temporada fora de mim (Deck), tão dilacerante e estupendo que supera tudo o que o Vanguart fez em discografia que totaliza três álbuns de estúdio e dois registros ao vivo de show. Em janeiro deste ano de 2016, foi anunciado o recesso por tempo indeterminado do tecladista do grupo mato-grossense, Luiz Lazzaroto - aliás, um dos membros-fundadores do Vanguart. Posto nas lojas em abril deste ano de 2016, em edição da gravadora Deck, o DVD Muito mais que o amor ao vivo joga sombras no folk cada vez mais pop e solar da banda de Cuiabá (MT). A sombra vem do clima de intimidade construído pelo diretor Ricardo Spencer na captação das imagens do show feito pelo grupo em 19 de julho de 2015 no Centro Cultural São Paulo, na cidade de São Paulo (SP). E também das poesias recitadas por nomes como Thiago Pethit e Danilo Grangheia ao longo do DVD. Os clipes poéticos são inseridos entre algumas das 19 músicas do roteiro centrado no repertório do terceiro e por ora último álbum de estúdio do Vanguart, Muito mais que o amor (Deck, 2013). Há músicas dos dois álbuns anteriores da banda, Boa parte de mim vai embora (Vigilante / Deck, 2011) e Vanguart (Independente, 2007), disco quase todo cantado em inglês, do qual o grupo rebobina Semáforo (Hélio Flanders, 2007) e Cachaça (Hélio Flanders, 2007). Mas a base do repertório vem de Muito mais que o amor, o álbum em que o folk do Vanguart ficou mais pop e solar. O que até justifica o coro do público que rodeia a banda - alocada no centro do palco - em músicas como Demorou pra ser (Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln, 2013). Só que a vivacidade de boa parte do repertório contrasta com o clima íntimo da filmagem e com as poesias que se afinam com a densidade de várias letras, abafada pela pegada pop do som. São poesias que versam sobre solidão e abismos existenciais em tom nublado diluído pela abordagem vivaz do roteiro musical gravado ao vivo em produção assinada por Rafael Ramos com a banda. O DVD sinaliza que nada mudou, mas, ao mesmo tempo, tudo mudou no Vanguart...
Banda paulistana Republica faz quarto álbum com produtor do Faith no More
♪ Banda paulistana de rock pesado, Republica grava o quarto álbum de estúdio neste mês de maio de 2016, nos Estados Unidos, com produção de Matt Wallace, considerado uma espécie de sexto integrante do Faith No More por já ter dado forma a vários álbuns do grupo norte-americano. Composto a partir de meados de 2015, o repertório do sucessor de Point of no return (Wikimetal Music, 2013) totaliza 15 músicas inéditas, por ora. A gravação do álbum vai ser feita por Leo Belling (vocal), Jorge Marinhas (guitarra), Luiz Fernando Vieira (guitarra), Marco Vieira (baixo) e Mike Maeda (bateria) - em foto de Rodrigo Pirim - no Studio Delux e no Steakhouse Studios, ambos situados no Sound City Center em Los Angeles (EUA). Disco sai no segundo semestre do ano.
Pop, álbum 'Maior ou igual a dois' engrandece Chico Salem como compositor
Resenha de álbum
Título: Maior ou igual a dois
Artista: Chico Salem
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2
Título: Maior ou igual a dois
Artista: Chico Salem
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2
♪ O nome do guitarrista paulista Chico Salem vem aparecendo como compositor nos últimos anos, geralmente associado à obra do parceiro Arnaldo Antunes, com quem o artista trabalha desde 1999. Em Maior ou igual a dois, segundo álbum de Salem, o nome do artista cresce sobretudo como compositor. Quatorze anos após um primeiro álbum solitário e metafórico que passou despercebido, O1 (Independente, 2002), Salem reaparece na hora certa com um disco autoral produzido por Guilherme Kastrup com o próprio Salem. Maior ou igual a dois é um disco de parcerias, nas composições e no canto das 14 músicas autorais, a maioria de luminosa cepa pop. Mudar de ideia - canção composta e gravada por Salem com a parceira Lu Lopes - ostenta simplicidade que evoca os sucessos da Jovem Guarda e, sintomaticamente, tem teclados tocados por Marcelo Jeneci, súdito do rei Roberto Carlos. O arranjo - de início leve, em clima de luau, conduzido pelo toque da guitalele de Salem - ganha corpo quando sobressaem a guitarra de Gustavo Ruiz e o MPC pilotado por Kastrup. Contudo, Maior ou igual a dois é disco pautado pela leveza contemporânea. Parafraseando a letra de Obsessão (Como uma canção), parceria de Salem com Zeca Baleiro que abre o disco com a voz de Luê, Maior ou igual a dois deixa na cabeça melodias e versos de alguns bons refrões. A safra autoral da primeira metade do álbum é especialmente encantadora, mas o pique é mantido na segunda. Fala mal (Chico Salem), Um pouco ou demais (Chico Salem e Arnaldo Antunes), Num dia (Chico Salem e Arnaldo Antunes, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves) - faixa gravada com a adição da voz lusitana de Manuela Azevedo - e Eu bem sei (Caetano Malta e Chico Salem) são canções que reiteram (para quem quiser ouvi-las sem pré-conceitos) a força da produção musical contemporânea brasileira. Maior ou igual a dois é disco gregário no qual Salem busca se firmar como cantor (eficiente, diga-se) de obra autoral que, justiça seja feita, soa mais inspirada do que a safra autoral reunida por Arnaldo Antunes no último disco solo do ex-Titã. Basta ouvir uma canção como Pra receber (Chico Salem e Lu Lopes) - gravada por Salem com a voz de Marcelo Jeneci - para atestar o vigor dessa produção musical. "De repente, uma cortina de fumaça / E você deixa de ver o que se passa / Quando vê, não saiu para dançar / Quando viu, foi ficando pra trás", alerta De repente (Henrique Alves e Chico Salem), música que demole certezas em uma das melhores letras de disco que versa sobre (des)amor. Tema encorpado pelo toque das guitarras de Estevan Sinkovitz, Eu indivisível (Danilo Moraes e Chico Salem) reafirma a relatividade e mutação dos fatos e sentimentos. Em clima lo-fi, pautado pelo lapsteel de Salem, Juntos e sozinhos (Chico Salem) se afina com a confessional Só eu sozinho (Chico Salem, Arnaldo Antunes e Betão Aguiar) por falar de solidão em disco que nasceu de encontros. Karina Burh reforça o espírito gregário de Maior ou igual a dois ao desencapar com a voz a roqueira Um fio, parceria de Salem com Arnaldo Antunes. Duas parcerias de Salem com Edu Mantovani - Menina benzina e Real demais - fecham bem a tampa de disco que eleva o nome de Salem no universo pop brasileiro. Maior ou igual a dois engrandece Chico Salem como compositor.
domingo, 1 de maio de 2016
João Senise celebra Sinatra ao vivo com coragem e arranjos de Peranzzetta
Resenha de álbum
Título: Celebrando Sinatra ao vivo
Artista: João Senise
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * *
Título: Celebrando Sinatra ao vivo
Artista: João Senise
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * *
♪ João Senise é cantor de coragem. Em dezembro de 2015, quando o universo pop festejava o centenário de nascimento de Frank Sinatra (12 de dezembro de 1905 - 14 de maio de 1998), o cantor carioca apresentou show na Sala Cecília Meirelles, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em que encarava o repertório da voz que se tornou padrão e referência de canto masculino no século XX. Gravado ao vivo, o show gera o terceiro álbum de Senise, Celebrando Sinatra ao vivo, produzido pelo próprio João Senise sob a direção musical do pianista Gilson Peranzzetta, criador de todos os arranjos inéditos que dialogam com o universo musical em que está entranhada a obra fonográfica do cantor norte-americano. Disco lançado pela gravadora carioca Fina Flor, Celebrando Sinatra ao vivo remete ao primeiro álbum de Senise, Just in time (Independente, 2013), cujo repertório foi centrado em standards da canção norte-americana. A celebração de Sinatra é corajosa porque evidentemente João Senise sequer roça o brilho das interpretações do referencial cantor norte-americano quando dá voz a temas como For once in my life (Ron Miller e Orlando Murden, 1966) e Come fly with me (Jimmy Van Heusen e Sammy Cahn, 1957). Contudo, o disco prima pelo requinte das orquestrações de Peranzzetta. O quarteto fantástico de músicos que compõem a banda-base do show - Leo Amuedo na guitarra, Ricardo Costa na bateria e Zeca Assumpção no baixo, além do próprio Peranzzetta no piano que soa jazzy em determinada passagem de I've got you under my skin (Cole Porter, 1936) - mantém aura de sofisticação ao longo das 14 músicas do disco. A voz afinada de João Senise se integra aos arranjos em tons geralmente suaves. A propósito, o melhor momento do cantor no álbum é a interpretação de Strangers in the night (Bert Kaempfert, Charles Singleton e Eddie Snyder, 1966), um dos clássicos entre os clássicos gravados por Sinatra. A atmosfera de intimismo construída pelo arranjo - pautado pelo toque do flugelhorn de José Arimatea - desvia Senise do célebre caminho trilhado por Sinatra. Essa mesma atmosfera é reeditada em outro bom momento do álbum, My one and only love (Guy Wood e Robert Mellin, 1953), balada pontuada no registro de João pelo saxofone de Mauro Senise, pai do cantor, cujo sax é ouvido também em Just friends (John Klenner e Sam M. Lewis, 1931), música que ganhou o arranjo mais jazzístico do álbum. Já I won't dance (Jerome Kern, Oscar Hammerstein II, Dorothy Fields, Otto Harbach e Jimmy McHugh, 1934 / 1935), The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart, 1937) e Fly me to the moon (Bart Howard, 1954) são músicas envoltas no suingue dos metais do quinteto Brass de Pina. Os arranjos são sempre classudos. Contudo, falta ao canto de Senise nessas faixas uma dose maior de suingue. De forma geral, o cantor sobressai mais nas baladas de tonalidades mais aconchegantes. Disco em inglês, Celebrando Sinatra ao vivo tem faixa cantada em bom português. Trata-se do medley que une dois títulos do soberano cancioneiro do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), com quem Sinatra dividiu antológico álbum em 1967, quando o cantor norte-americano já iniciava fase crepuscular da discografia, ainda que ainda emplacasse eventuais sucessos em escala mundial. O medley com Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959) e Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) destaca a voz de Áurea Martins, grande cantora que fez nome na noite carioca e somente nos últimos anos passou a gravar discos com certa regularidade. Enfim, aos 27 anos, João Senise ratifica em Celebrando Sinatra ao vivo o apego às canções de formato mais clássico um ano após abordar o cancioneiro de Ivan Lins em Abre alas (Fina Flor, 2015), disco que seguiu os cânones da obra do genial compositor carioca. Ao celebrar Sinatra, o jovem cantor se mantém no porto seguro dos standards e dos arranjos de Gilson Peranzzetta. Encarar o repertório de Sinatra é ato de coragem, pois tudo já foi gravado de forma luminosa, mas mais corajoso seria João Senise arriscar o garimpo de canções inéditas e se aproximar de músicos da própria geração para ser ele o lançador de músicas e não o crooner correto que dá voz ao que já foi lançado de forma estupenda.
Segundo álbum solo de Francis, 'Passaredo' ganha terceira reedição em CD
♪ Segundo álbum solo do cantor, compositor, pianista e maestro Francis Hime, Passaredo ganha neste segundo trimestre de 2016 a terceira reedição em CD pela gravadora Som Livre. Lançado originalmente em 1977 no formato de LP, o álbum já tinha sido relançado em CD em 1995 (em desleixada edição da Série Cast) e em 2006 (em caprichada edição produzida por Charles Gavin para a série Som Livre Masters). A atual edição em CD tem nova masterização feita por Julio Carneiro e traz na contracapa interna um texto (não assinado) que contextualiza (de forma breve) Passaredo na discografia de Hime. Em contrapartida, a edição de 2016 abre mão da reprodução no encarte das letras das 13 músicas do disco. Produzido por Guto Graça Mello, com arranjos e regências de Hime, Passaredo flagra o compositor no auge da parceria com Chico Buarque, coautor de cinco músicas do repertório inteiramente autoral. Duas - Trocando em miúdos e a faixa-título Passaredo (1975) - viraram clássicos da MPB produzida naquela década de 1970. Outras duas, Luisa e Maravilha, foram gravadas com a participação do próprio Chico. Em Passaredo, Francis também dá voz a músicas compostas com Olivia Hime, Paulo César Pinheiro e Ruy Guerra.
'Coleção' fecha contrato de Marisa Monte com o selo EMI, da Universal Music
♪ A edição de compilação Coleção - lançada nas plataformas digitais e nas lojas (com tiragem inicial de 40 mil cópias) na última sexta-feira, 29 de abril de 2016 - encerra o contrato de Marisa Monte com o selo EMI, desde 2013 vinculado à gravadora Universal Music. A artista carioca - em foto de Leo Aversa - assinou em 2000 um contrato com a então gravadora EMI Music que previa quatro álbuns e que, estendido, acabou totalizando sete discos. O último seria o best of que, por iniciativa de Marisa, se transformou em Coleção, disco que reúne 13 gravações até então dispersas na discografia da cantora e compositora. Dona do selo Phonomotor e da própria obra (desde o tal contrato assinado em 2000), a artista encerra com Coleção o vínculo com a indústria multinacional do disco, estando livre a partir deste mês de maio para ir para outra companhia fonográfica ou para lançar álbuns ou singles avulsos - ideia, aliás, cogitada pela cantora - de forma independente.
Nei Lisboa une 18 títulos do cancioneiro autoral em ao vivo com três inéditas
♪ Nei Lisboa é cantor, compositor e músico gaúcho de Caxias do Sul (RS) que - mesmo longe demais das capitais, para recorrer ao clichê derivado de título de álbum do grupo conterrâneo Engenheiros do Hawaii - sempre sobreviveu no universo pop por conta da força da obra autoral, de maior visibilidade no Sul do país, mas com ecos eventuais em todo o Brasil como provam as regravações da canção Pra te lembrar (Nei Lisboa, 2003). Viabilizado com recursos financeiros obtidos no projeto Natura musical, o 11º álbum do artista, Nei Lisboa ao vivo - Telas, tramas & trapaças do novo mundo (Independente, 2015), enfileira 18 títulos do cancioneiro verborrágico do compositor sem a preocupação de apresentar um best of do autor. Tanto que seis das 18 músicas do roteiro da gravação ao vivo do show Telas, tramas & trapaças do novo mundo - captado em 13 de junho de 2015 em apresentação de Lisboa no Salão de Atos da UFRGS, na cidade de Porto Alegre (RS) - são originárias do repertório do último álbum de estúdio do artista, A vida inteira (Independente, 2013). Sem contar com as três inéditas, A lei (cuja letra versa com virulência sobre as injustiças da Justiça brasileira), Para um e Pôquer no escuro. Com som que mixa elementos de rock, MPB, pop e até blues (em Publique-se o cartão, na jazzy A verdade não me ilude e em Bar de mulheres, músicas de 2013, 2006 e 2003), Lisboa dá novamente o corrosivo recado político da música E a revolução - lembrança do álbum Cena beatnik (Antídoto, 2001) - e revive a composição que deu nome ao álbum Relógios de sol (Antídoto, 2003), no qual foi apresentado a canção Pra te lembrar, (sintomaticamente) ausente do roteiro. Nei Lisboa segue o curso artístico sem trapaças...
Assinar:
Postagens (Atom)






























