Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Comportamento geral do país dá sentido à edição em CD de álbum de Bravo

Resenha de álbum - Segunda visão
Título: Comportamento geral - Canções da resistência
Artista: Marya Bravo
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * * 1/2

"...Olhe o dia de ontem chegando", alerta Marya Bravo através de verso de Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972), a primeira das 13 canções da resistência a que a cantora carioca dá voz no álbum Comportamento geral, lançado originalmente em formato digital, em 2014, para lembrar os 50 anos do golpe de 1964 através das músicas que resistiram à ditadura que amordaçou, mas não calou, o Brasil daquele ano de 1964 a 1985. As músicas de compositores politizados como Chico Buarque, Ivan Lins e Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991) falaram por quem não podia falar, sobretudo na década de 1970. Em 2014, Comportamento geral lembrou o que jamais deve ser esquecido. Mas os gritos do disco ficaram parados no ar, à espera de necessária edição em CD que chega, enfim, ao mercado fonográfico neste mês de maio de 2016 pela gravadora Joia Moderna. E eis que uma edição em CD que poderia soar tardia resulta mais do que oportuna no momento em que a palavra "golpe" voltou a ser pronunciada no Brasil. Com (inédita) capa que expõe fotos de mortos e desaparecidos por obra do regime militar iniciado em 1964 e endurecido a partir de 1968, Comportamento geral jamais toma partido de nomes ou siglas políticas. Mas o álbum faz a defesa da democracia e da liberdade de expressão ao reavivar canções de compositores que resistiram. Dois anos após a edição digital (clique aqui para ler a resenha publicada por Notas Musicais em 19 de setembro de 2014), Comportamento geral chega ao formato de CD com sentido ampliado pelos fatos recentes da turbulenta história política do Brasil. "Como tenho me encontrado / Como tenho descoberto / A sombra leve da morte / Passando sempre por perto / E o sentimento mais breve / Rola no ar e descreve / A eterna cicatriz / Mais uma vez / Mais de uma vez...", adverte Bravo em Meio-termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978), uma das melhores lembranças do repertório pesquisado por Rodrigo Faour para o show de 2014 que deu origem ao disco gravado em estúdio por iniciativa do DJ Zé Pedro. E o fato é que Comportamento geral nunca soou tão relevante e preciso. Marya Bravo é grande cantora que encarou sem medo as 13 grandes canções imortalizadas por imensuráveis cantoras como Elis Regina (1945 - 1982) e Maria Bethânia. Ou por compositores de vozes próprias como Milton Nascimento e Chico Buarque. Sábia, Bravo seguiu trilha própria, enquadrando na moldura do rock o que era samba ou canção de MPB, e assim evitou comparações que lhe poderiam ser desfavoráveis no confronto com os registros de nomes já entronizados como mitos da música brasileira. E ainda há pérolas pescadas no baú, como a corajosa Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri), creditada a 1974 na contracapa do CD, mas efetivamente lançada em disco em 1973, na voz de Marlene (1922 - 2014), no LP com a trilha sonora da peça Botequim, encenada naquele ano de 1973. Musicalmente, o álbum continua novo porque o hard rock dá o devido peso a essas canções da resistência. E aí o mérito é sobretudo dos produtores Pedro Garcia e Bruno Pederneiras, cujo toque sempre cortante da guitarra afia os arranjos de músicas como Demoníaca (Sueli Costa e Vitor Martins, 1974) e Apesar de você (Chico Buarque, 1970). Comportamento geral é disco sustentado pelo tripé básico do rock - a guitarra de Pederneiras, a bateria de Garcia e o baixo de Daniel Martins - que se eleva sem deixar de evidenciar o canto bravo de Marya. Afinal, o que está em pauta é o recado de letras como as de Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Cartomante (Ivan Lins e Vitor Martins, 1977) e Roda viva (Chico Buarque, 1967). O som se ajusta ao clima pesado das letras (infelizmente não reproduzidas no magro encarte). Gás neon (1974) - outro petardo certeiro de Gonzaguinha - soa asfixiante, por exemplo. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1968) abre espaço para o minimalismo noise da guitarra de Pederneiras, músico fundamental na arquitetura do álbum. Comportamento geral é disco pesado no sentido musical e poético. Os dias eram assim. Mas olhe o dia de ontem chegando! O comportamento geral do Brasil nos dias de hoje amplia o sentido do álbum de Bravo, cuja edição em CD neste 2016 é involuntário golpe de mestre.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Marya Bravo expõe heróis da resistência na edição em CD de álbum político

 Com arte criada por Eduardo Kurt, a edição em CD do álbum Comportamento geral - Canções da resistência (Joia Moderna, 2014) - prevista para chegar ao mercado fonográfico em abril deste ano de 2016 via Joia Moderna, com distribuição da Tratore - expõe, na (inédita) capa do CD, fotos de 84 mortos e desaparecidos por conta da perseguição dos algozes do ditatorial regime militar instaurado no Brasil em 1964. É a esses heróis da resistência que saíram de cena na luta pela liberdade que o disco é dedicado. As fotos foram cedidas pelo Centro de documentação e memória da Unesp. A capa da edição física em CD é diferente da edição digital lançada em setembro de 2014, mas o (excelente) conteúdo musical do disco é rigorosamente o mesmo. Bravo dá voz a 13 músicas lançadas entre 1968 e 1978, criadas por compositores que usaram a canção como arma para denunciar (ainda que de forma metafórica) a censura e os abusos do golpe militar. Clique aqui para ler a resenha do álbum Comportamento geral - Canções da resistência, cujo repertório reaviva ferida sangrenta - ainda aberta na cena política do Brasil... - provocada pelo golpe de 1964.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Marya Bravo desengasga gritos com fúria 'noise' do rock em disco resistente

Resenha de álbum
Título: Comportamento geral - Canções da resistência
Artista: Marya Bravo
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * * * 1/2

 As 13 músicas gravadas por Marya Bravo no politizado álbum Comportamento geral - Canções da resistência foram lançadas entre 1968 e 1978. Década que, no Brasil, compreendeu período de trevas, gritos engasgados, cortes e cicatrizes que ainda permanecem abertas nos corpos e mentes do que se engajaram na luta contra a ditadura instaurada no país com o golpe militar de 1º de abril de 1964. No disco, a ser lançado no fim deste mês pela gravadora Joia Moderna, a cantora carioca põe a voz potente - diplomada na escola dos musicais de teatro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - a serviço dessas músicas criadas por compositores que não lavaram as mãos e, por isso mesmo, saíram limpos daqueles rebeldes anos de chumbo. Com a fúria do rock, Bravo desengasga gritos que pararam em gargantas privilegiadas como as de Elis Regina (1945 - 1982), Maria Bethânia e Milton Nascimento. A MPB dessa época ganha tom roqueiro, noise, neste disco gravado sob a direção musical e a produção do guitarrista Bruno Pederneiras. Pela própria natureza roqueira do projeto, Pederneiras é integrante proeminente do trio que acompanha a cantora neste disco denso, pesado, que traz o registro (feito em estúdio) de 13 das 17 músicas do show Apesar de você, apresentado pela cantora no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), em julho deste ano de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena. O disco perpetua o supra-sumo do show e seduz porque, além do vigor das interpretações de Bravo, a irretocável seleção de repertório evidencia a grandeza melódica e poética desse cancioneiro politizado, fruto de época em que os compositores precisavam dar o recado por meio de metáforas para tentar escapar da tesoura cega e irracional da censura do regime. Todas as 13 músicas de Comportamento geral - Canções da resistência já ganharam registros que podem ser considerados definitivos. Mas todas são reavivadas à flor da pele, em carne viva, por cantora hábil na exposição das vísceras entranhadas nessas músicas. Em composições como Roda viva (Chico Buarque, 1968), Bravo consegue dar ao álbum apropriado tom asfixiante, condizente com o clima da época. Essa tensão sufocante paira já na abertura do disco - entre a guitarra distorcida e o canto determinado de Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972) - e se intensifica logo na sequência do álbum com a interpretação de Gás neon (Gonzaguinha, 1974). Em Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), o toque bem marcado da bateria de Pedro Garcia reforça o tom imperativo deste disco que lembra - 50 anos após o golpe - o autoritarismo dos algozes que tentavam calar vozes como a de Chico Buarque, compositor que disparou petardos certeiros como Apesar de você (1970), samba de cadência diluída na pegada do rock que impera nas 13 faixas desse disco que rouba a calma quando Marya Bravo revolve a energia pesada de Demoníaca (Sueli Costa e Vítor Martins, 1974), quando acaba com o Carnaval no tom irônico de Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972) - outro samba que vira rock no toque do trio que inclui também o baixista Daniel Veiga Martins - e quando a intérprete transmite no canto a automação humana vislumbrada por Paulinho da Viola no cotidiano urbano da antenada Sinal fechado (1969), faixa de voz e baixo distorcido. Pra não dizer que a cantora falou somente das palavras ousadas de músicas logo eternizadas como clássicos da MPB, Bravo também dá voz a músicas que quase sumiram na poeira das ruas - Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973), Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978) e Corpos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1975) - mas que ressurgem em Comportamento geral com toda a força e tensão. Parafraseando versos de Sentinela (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1968), memória não morrerá, pois Marya Bravo grita com força, sem engasgar, e revê nessa hora - 50 anos após o triste 1964 - parte expressiva de tudo que ocorreu na música brasileira para denunciar a tirania dos algozes do Brasil. Em Comportamento geral, as emblemáticas canções da resistência estão expostas em carne viva.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Eis a capa do álbum em que Marya Bravo dá voz a 13 canções da resistência

Esta é a expressiva capa de Comportamento geral - Canções da resistência, álbum em que a cantora carioca Marya Bravo revive 13 músicas de compositores - como Chico Buarque, Ivan Lins e Gonzaguinha (1945 - 1991) - que levantaram a voz contra o golpe de 1964 que aniquilou a democracia no Brasil até 1985. Com capa assinada por Eduardo Kurt, o disco é o registro de estúdio do show Apesar de você, apresentado por Bravo no Rio de Janeiro (RJ) em julho de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena. A convite do DJ Zé Pedro, Bravo gravou  em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) 13 das 17 músicas do roteiro do show para disco a ser editado pela gravadora Joia Moderna ainda neste mês de setembro de 2014. O lançamento digital do álbum Comportamento geral - Canções da resistência está programado para 19 de setembro. Na sequência, em outubro, está previsto o lançamento no mercado fonográfico da edição física em CD. Eis, na ordem do CD, as 13 faixas do álbum Comportamento geral - Canções da resistência:

1. Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972)
2. Gás neon (Gonzaguinha, 1974)
3. Cartomante (Ivan Lins e Vítor Martins, 1977)
4. Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973)
5. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973)
6. Sentinela (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1968)
7. Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978)
8. Corpos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1975)
9. Roda viva (Chico Buarque, 1968)
10. Demoníaca (Sueli Costa e Vítor Martins, 1974)
11. Apesar de você (Chico Buarque, 1970)
12. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972)
13. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1969)

terça-feira, 29 de julho de 2014

Marya Bravo grava em estúdio show roteirizado com canções contra ditadura

Primeira cantora a fazer um segundo disco pela gravadora Joia Moderna, Marya Bravo acertou com o DJ Zé Pedro o registro - em estúdio - do show Apesar de você. O CD vai perpetuar 12 ou 13 números do show apresentado no Rio de Janeiro (RJ) em 24 e 25 de julho de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena, idealizado para lembrar os 50 anos do golpe militar de 1964. Sob a direção musical do guitarrista Bruno Pederneiras, Bravo - em foto de Rodrigo Goffredo - interpreta, com pegada roqueira, músicas politizadas de compositores que levantaram a voz contra a ditadura instaurada há exatas cinco décadas no Brasil e somente dissolvida em 1985. Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972), a esquecida Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973), Cartomante (Ivan Lins e Vítor Martins, 1977) e Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978) figuram no repertório. Um dos títulos cogitados para o disco é 50 - As canções do golpe. O álbum - que sucede De pai para filha - Marya Bravo canta Zé Rodrix (Joia Moderna, 2011) na discografia da atriz e cantora carioca - sai neste segundo semestre de 2014. As gravações vão começar em agosto e o lançamento do álbum está previsto para setembro.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Em show no Rio, Bravo adensa a raiva dos que levantaram a voz contra 1964

Resenha de show
Evento: Arte e autoritarismo em cena
Título: Apesar de você
Artista: Marya Bravo (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Arena do Sesc Copacabana (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 24 de julho de 2014
Cotação: * * * *
 Show em cartaz até dia 25 de julho de 2014 no Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ)

♪ Marcada por gritos contidos e sambas no escuro, a trilha sonora do Brasil dos anos rebeldes tem sua raiva adensada por Marya Bravo - em pegada hard roqueira - no show Apesar de você, apresentado esta semana na arena do Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena, idealizado para lembrar os 50 anos do golpe militar que asfixiou o país em 1964. Samba cujo sucesso popular não conseguiu ser cortado pela tesoura cega dos censores da época de chumbo, Apesar de você (Chico Buarque, 1970) batiza e exemplifica o tom do show feito pela cantora carioca - conhecida do público frequentador de musicais de teatro - sob a direção de Cesar Augusto e a direção musical de Bruno Pederneiras, guitarrista fundamental para a construção da ambiência noise que envolve a maior parte dos 17 números musicais do show. Sem surpresas, o roteiro de Rodrigo Faour chega a ser óbvio ao alinhar músicas como Opinião (Zé Kétti, 1964) - samba cantado a capella por Bravo, na coxia, na abertura do show - e Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973). Mas é na forma inusitada com que Bravo aborda o previsível repertório que reside a força desse show seco, curto e grosso na medida em que não abre espaço para falas protocolares da cantora e tampouco oferece a oportunidade de um bis, (bem) substituído pela exposição, em off, da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Geralmente metafórico, por conta das circunstâncias limitadoras da época, o recado está nas letras dos compositores, arremessadas na cena em tons altos pela cantora, deixando na garganta um gosto amargo de fel, indignação e medo. Com voz potente lapidada nos palcos, Bravo desata os nós da garganta e liberta os gritos contidos em versos de músicas como Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972) e a Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973). Este tema da peça Botequim - estrelada pela cantora paulista Marlene (1922 - 2014) há 41 anos - é o título mais surpreendente do roteiro extraído do acervo da MPB produzida entre 1964 e 1978. Por ser também atriz, Bravo entende perfeitamente o texto das canções e geralmente tira o máximo proveito deles. O registro seco de Roda viva (Chico Buarque, 1968), o tom endiabrado de Demoníaca (Sueli Costa e Vítor Martins, 1974) - música imersa em atmosfera bluesy - e o ar pesado exalado por Gás neon (Gonzaguinha, 1974) sinalizam a força e a fúria da intérprete na abordagem de músicas igualmente fortes, já bem gravadas por cantoras densas como Maria Bethânia - de cujo repertório Bravo também rebobina Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971) em outros tons e divisões sem causar impacto com a abordagem - e Elis Regina (1945 - 1982), de cujo show Transversal do tempo (1978) é revivida a dobradinha formada por Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978) e Corpos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1975).  Interpretações à parte, quando Marya Bravo canta Cartomante (Ivan Lins e Vitor Martins, 1977) -  música lançada por Elis - paira a certeza da inspiração dos compositores que levantaram suas vozes contra a ditadura. As melodias eram tão fortes quanto as letras. Diante desse repertório magistral, Bravo jamais se intimida. O único número dispensável do show é Divino maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968) pelo fato de a música soar em contexto roqueiro parecido com o da emblemática gravação de Gal Costa. No mais, ao sair de cena após dar todo o peso possível ao hino Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972), Marya Bravo jamais deixa gritos parados no ar. Porque hoje já é outro dia...

Bravo reaviva em show os golpes de Chico, Gil, Ivan e Vítor contra a ditadura

Nascida sob o signo da ditadura instaurada no Brasil em 1964, a MPB logo levantou a voz contra o golpe militar. Foram perfeitos golpes musicais e poéticos de compositores que se recusaram a lavar as mãos e a ficar calados. Conhecida pelo público que assiste a musicais do teatro carioca, a ótima cantora carioca Marya Bravo dá voz a alguns clássicos dos anos rebeldes no show Apesar de você, apresentado em 24 e 25 de julho de 2014 dentro do ciclo multimídia Arte e autoritarismo em cena, promovido pelo Sesc Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), para lembrar os 50 anos do golpe. Montado pelo pesquisador musical Rodrigo Faour, o roteiro alinha 17 músicas lançadas entre 1964 e 1978, época em que a censura cerceava a produção da MPB na medida em que os compositores exerciam a criatividade e, por meio de letras geralmente metafóricas, escapavam desse cerco. A maioria dessas 17 músicas ganha pegada hard roqueira no toque da guitarra de Bruno Pederneiras, pedra fundamental na construção da ambiência noise e único instrumento ouvido na abordagem de Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1969). Eis o coerente roteiro seguido por Marya Bravo - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia do show Apesar de você no ciclo Arte e autoritarismo em cena:

1. Opinião (Zé Kétti, 1964)
2. Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1972)
3. Divino maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968)
4. Roda viva (Chico Buarque, 1968)
5. Canção do medo (Toquinho e Gianfrancesco Guarnieri, 1973)
6. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973)
7. Demoníaca (Sueli Costa e Vítor Martins, 1974)
8. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1969)
9. Rosa dos ventos (Chico Buarque, 1971)
10. Gás neon (Gonzaguinha, 1974)
11. Sentinela (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1968)
12. Meio termo (Lourenço Baeta e Cacaso, 1978)
13. Corpos (Ivan Lins e Vítor Martins, 1975)
14. Cartomante (Ivan Lins e Vítor Martins, 1977)
15. Apesar de você (Chico Buarque, 1970)
16. Pra não dizer que não falei de flores (Caminhando) (Geraldo Vandré, 1968)
17. Comportamento geral (Gonzaguinha, 1972)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Emotiva, Marya Bravo reabre inventário hippie ao cantar Rodrix em show

Resenha de show
Título: De Pai para Filha - Marya Bravo Canta Zé Rodrix
Artista: Marya Bravo (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Solar do Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de outubro de 2011
Cotação: * * * *

Na primeira metade dos anos 70, o mundo amargou a ressaca da festa dos 60. Alguns compositores refletiram sobre o fim do sonho e dos ideais humanitários pregados pela contracultura. Belchior foi um deles. Zé Rodrix (1947 - 2009) foi outro. É por isso que - ciente de que hoje ainda pode ser dia do rock daqueles tempos reflexivos - Marya Bravo de certa forma reabre o inventário da era hippie ao cantar a obra de Zé Rodrix no show De Pai para Filha, que voltou à cena no Rio de Janeiro em apresentação que movimentou o Solar de Botafogo na noite de 10 de outubro de 2011. Emocionada, Bravo fez  apresentação pulsante como o disco editado pela gravadora Joia Moderna com o registro de estúdio do show. Houve falhas em algumas projeções. Contudo, o show transcorreu coeso. Já no primeiro dos 19 números - Morse (Wagner Tiso, Tavito e Zé Rodrix, 1970), tema entoa pela cantora ainda atrás da cortina que servia de cenário - ficou evidente o domínio cênico da artista, qualidade natural em uma cantora que sempre soltou a voz potente em musicais de teatros. Entre rocks como Casca de Caracol, (Zé Rodrix, 1973) e baladas como a Primeira Canção da Estrada (Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix, 1972), salta aos ouvidos a pegada firme da Eletro Banda, companheira de Bravo no CD e no show que extrapola o repertório do disco por incluir no roteiro temas como Desenhos no Jornal (Luiz Carlos Sá, Guarabyra e Zé Rodrix, 1973), música obscura do repertório do trio Sá, Rodrix & Guarabyra, expoente do gênero conhecido como rock rural. Na apresentação do Solar de Botafogo, que foi ficando mais vibrante à medida em que avançavam os 17 números, o primeiro grande momento veio com Quando Você Ficar Velho (Zé Rodrix, 1973), balada arranjada com toques minimalistas de guitarra e teclado. Na sequência, Eu Vou Comprar Esse Disco (Zé Rodrix e Lamis, 1976) manteve o nivel alto em interpretação que foi ganhando intensidade crescente Se Receita de Bolo (Zé Rodrix e Tavito, 1973) mostrou que o groove da Eletro Banda nunca desanda, Soy Latino Americano (Zé Rodrix e Livi, 1976) foi a pitada de latinidade em show de rock, reafirmado em Hey Man (Zé Rodrix e Tavito, 1970) - música que fica maior no show do que no disco - e em Mestre Jonas (Zé Rodrix, 1973). Única música que não é da lavra de Rodrix, mas gravada por ele enquanto integrante do grupo Som Imaginário, Feira Moderna (Beto Guedes, Fernando Brant e Lô Borges, 1970) está em sintonia com o tom humanitário de cancioneiro que apontou caminhos e, quando tudo parecia perdido, propôs reflexões - umas datadas, outras ainda atuais como o som de Bravo e da Eletro Banda.

Marya Bravo expõe a moderna 'feira hippie' de Zé Rodrix em show no Rio

Parceria de Beto Guedes com Fernando Brant e Lô Borges, Feira Moderna é música associada ao repertório de Guedes, mas foi lançada pelo Som Imaginário - grupo que, em sua formação original, incluía Zé Rodrix (1947 - 2009) - em álbum de 1970. Por isso, Feira Moderna figura no repertório do show De Pai para Filha, em que a cantora carioca Marya Bravo canta as músicas de Zé Rodrix. Bravo - vista em foto de Rodrigo Amaral - reapresentou De Pai para Filha no Rio de Janeiro (RJ) em apresentação que movimentou o teatro Solar de Botafogo na noite de 10 de outubro de 2011. A intenção foi promover o disco editado pela gravadora Joia Moderna com o registro de estúdio do show. Colorido com vários tons da obra de Rodrix, o roteiro incluiu as 12 músicas do CD e temas preteridos na gravação, casos de Morse (Wagner Tiso, Tavito e Zé Rodrix) e Make Believe Waltz (Mike Renzi e Zé Rodrix) - ambos lançados no mesmo álbum Som Imaginário (Odeon, 1970) que apresentou Feira Moderna - e de Desenhos no Jornal (Luiz Carlos Sá, Guarabyra e Zé Rodrix) e de Receita de Bolo (Zé Rodrix e Tavito). Eis o roteiro seguido por Bravo na reapresentação de De Pai para Filha no Solar de Botafogo:

1. Morse (Wagner Tiso, Tavito e Zé Rodrix, 1970)
2. Roupa Prateada (Zé Rodrix, 1974)
3. Ama teu Vizinho (Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix, 1972)
4. Make Believe Waltz (Mike Renzi e Zé Rodrix, 1970)
5. Primeira Canção da Estrada (Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix, 1972)
6. Casca de Caracol (Zé Rodrix, 1973)
7. Desenhos no Jornal (Luiz Carlos Sá, Guarabyra e Zé Rodrix, 1973)
8. Quando Você Ficar Velho (Zé Rodrix, 1973)
9. Eu Vou Comprar Esse Disco (Zé Rodrix e Lamis, 1976)
10. Receita de Bolo (Zé Rodrix e Tavito, 1973)
11. Hoje Ainda É Dia de Rock (Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix, 1972)
12. Eu Preciso de Você pra me Ligar (Zé Rodrix, 1973)
13. Soy Latino Americano (Zé Rodrix e Livi, 1976)
14. Hey Man (Zé Rodrix e Tavito, 1970)
15. Feira Moderna (Beto Guedes, Fernando Brant e Lô Borges, 1970)
16. Casa no Campo (Zé Rodrix e Tavito, 1972)
17. Mestre Jonas (Zé Rodrix, 1973)
Bis:
18. Roupa Prateada (Zé Rodrix, 1974)
19. Hey Man (Zé Rodrix e Tavito, 1970)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Marya Bravo canta Zé Rodrix em CD que registra show 'De Pai para Filha'

Dois anos após dar início à sua discografia com bom CD de peso roqueiro, Água Demais por Ti (Sesc Rio Som, 2009), a atriz e cantora Marya Bravo se prepara para lançar em junho de 2011 pela gravadora Joia Moderna o álbum De Pai para Filha - As Canções de Zé Rodrix. Trata-se do registro de estúdio do show em que Bravo canta somente músicas de seu pai, o cantor e compositor Zé Rodrix (1947 - 2009). O repertório abrange sucessos como Casa no Campo, Mestre Jonas e Soy Latino Americano entre temas pouco conhecidos - caso de Quando Você Ficar Velho.  Na foto, Marya posa rodeada pelos músicos Pedro Garcia (bateria), Bruno Pederneiras (guitarra e violão), Daniel Martins (baixo) e Pedro Augusto (piano e órgão), que formam a Eletrobanda e tocam no show e no CD a ser editado pela gravadora do DJ Zé Pedro.