Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 25 de maio de 2016

João Fênix acalenta projeto de álbum com regravações do repertório de Gal

Mal lançou o quinto álbum, De volta ao começo (Biscoito Fino, 2016), o cantor pernambucano João Fênix já começa a articular a feitura de um sexto disco. O artista planeja concretizar a ideia - sugerida a Fênix por Luiz Fernando Coutinho - de gravar e lançar, ao longo de 2017, um álbum com músicas do repertório de Gal Costa. Se o projeto for mesmo concretizado em 2017, o disco de Fênix - em foto de Leo Vianna - vai ser lançado 50 anos após a edição do primeiro álbum da cantora baiana,  Domingo (Philips, 1967), feito e assinado com o então emergente Caetano Veloso.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Feminina voz de Fênix renasce entre impressões do presente e do passado

Resenha de álbum
Título: De volta ao começo
Artista: João Fênix
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

A feminina voz do cantor pernambucano João Fênix renasce no quinto álbum do artista, De volta ao começo, lançado pela gravadora Biscoito Fino no mês de abril de 2016, com capa diferente da inicialmente idealizada pelo artista após a conclusão da gravação do disco, no primeiro semestre de 2015. "É mais fácil mimeografar o passado / Que imprimir o futuro", admite Fênix em versos de Minha casa (2000), canção da safra de líricas do compositor maranhense Zeca Baleiro que abre o álbum produzido por Jaime Alem com JR Tostoi. Fênix tentou imprimir o futuro ao buscar afirmação como compositor no irregular autoral A foto onde eu quero estar (Sala de Som Records, 2011). Em De volta ao começo, o cantor faz a voz de contratenor renascer como fênix em álbum de intérprete que oscila entre impressões do passado e do presente. A própria reunião de dois produtores de universos musicais distintos - Jaime Alem, identificado com as nobres tradições da MPB e do violão, e JR Tostoi, cujo toque noise da guitarra sintoniza o presente da música pop brasileira - colabora para que o disco transcorra harmonioso entre o passado e o presente sem que um se sobreponha ao outro. Não raro, passado e presente até se dão as mãos. Parafraseando verso da música-título De volta ao começo (Gonzaguinha, 1980), Fênix entra de novo na roda para cantar antigas cantigas. Mas já aí, na canção do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945 - 1991), a guitarra cortante de Tostoi rasga a incisão memorialista, embaralhando passado e presente. Como um menino com o brilho do sol, Fênix atiça reminiscências da vivência nordestina ao voltar a falar a lúdica e tropicalista Língua do P criada por Gilberto Gil em 1970, ao mergulhar contemporâneo no Riacho do navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1955) e ao rearrumar com a rabeca de Nicolas Krassik a Arrumação feita por Elomar em 1979. Contudo, o título revelador De volta ao começo pode simbolizar tão somente o retorno do cantor de voz feminina às origens de intérprete, projetado no palco há 20 anos pela marcante atuação na montagem original do musical carioca Quatro carreirinhas (1996). Um intérprete polivalente capaz de armar uma seresta ao som de Último desejo (Noel Rosa, 1937) e de pisar no terreirão ancestral do samba para saudar Yaô (Pixinguinha e Gastão Vianna, 1938), revolvendo toda uma raiz negra evocada também no coro masculino que abrilhanta Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973) no fecho deste disco que adensa o inventário emocional ao reviver as dores e os dons uterinos de Motriz (Caetano Veloso, 1983) e de A feminina voz do cantor (Milton Nascimento e Fernando Brant, 2002). E é tragando a dor amarga de um Brasil ainda sem futuro que Fênix imprime o presente na faixa mais impactante do álbum, Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), desafiando tanta mentira e tanta força bruta ao inserir fala politizada do deputado federal Jean Willys ("Eu sou homossexual assumido, sim!") no meio dos toques dos violões incisivos. No fim da gravação amarga, o coro dos estudantes da Escola Estadual Antônio Viana de Souza, de São Paulo (SP), clama pela hora em que o país vai devolver ao povo brasileiro o dom de ser feliz. Atordoado entre o passado construído na memória e o presente surreal, João Fênix permanece atento e forte.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Biscoito Fino distribui em 25 de março álbum em que Fênix volta ao começo

Quinto álbum do cantor e compositor pernambucano João Fênix, De volta ao começo vai ser distribuído no mercado fonográfico pela gravadora Biscoito Fino. O lançamento está programado para 25 de março de 2016. Neste disco, batizado com música de autoria do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945-1991), Fênix - visto na imagem de cima numas das fotos feitas esta semana por Leo Vianna para a contracapa e o encarte do disco - volta a ser somente intérprete. Jaime Alem e JR Tostoi assinam a produção do álbum, concluído no primeiro semestre de 2015. Eis - na ordem do disco - as 11 músicas cantadas por João Fênix em De volta ao começo:

1. Minha casa (Zeca Baleiro, 2000)
2. Arrumação (Elomar, 1979)
3. Língua do P (Gilberto Gil, 1970)
4. Motriz (Caetano Veloso, 1983)
5. Riacho do navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1955)
6. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973)
7. De volta ao começo (Gonzaguinha, 1980)
8. A feminina voz do cantor (Milton Nascimento e Fernando Brant, 2002)
9. Yaô (Pixinguinha e Gastão Vianna, 1938)
10. Último desejo (Noel Rosa, 1937)
11. Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Eis a capa em sépia do quinto CD do cantor João Fênix, 'De volta ao começo'

Esta é a capa em sépia do CD De volta ao começo com João Fênix, quinto álbum do cantor pernambucano revelado no Rio de Janeiro (RJ), nos anos 1990, com o nome artístico de Fênix. A música-título De volta ao começo é de autoria do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945-1991),  tendo batizado o álbum lançado por Gonzaguinha em 1980 através da EMI-Odeon.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Fênix volta ao começo de intérprete em álbum que tem Baleiro, Gil e Nelson

A IMAGEM DO SOM - Após alguns discos de repertório autoral, Fênix retorna às origens de intérprete. Na foto acima, o cantor pernambucano é visto no estúdio RockIt!, no Rio de Janeiro (RJ), pondo a voz nas músicas que selecionou para seu quinto álbum. Com produção dividida entre Jaime Alem e JR Tostoi, o disco se intitula sintomaticamente De volta ao começo. A música-título é a canção de Gonzaguinha (1945 - 1991), lançada pelo cantor e compositor carioca no álbum também intitulado De volta ao começo (EMI-Odeon, 1980). O repertório inclui duas músicas de Gilberto Gil. Uma Cálice (1973) é a emblemática parceria do compositor baiano com o carioca Chico Buarque. A outra é Lingua do P, música lançada pela cantora baiana Gal Costa em 1970. Do seminal Pixinguinha (1897 - 1973), Fênix dá voz a Yaô (1938), parceria do compositor e maestro carioca com o compositor também carioca Gastão Viana (1900 - 1959). Outra música certa no repertório é Minha casa (2000), canção de Zeca Baleiro. Fênix também canta Motriz (Caetano Veloso, 1983) - música lançada na voz de Maria Bethânia - e o samba Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973), entre outros temas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Voz de Fênix se abre para o intérprete em disco produzido por Alem e Tostoi

 Fênix se reuniu esta semana com Jaime Alem (ao centro) e JR Tostoi (à direita) para começar a alinhavar a produção de seu quinto álbum, o quarto de estúdio. Alem e Tostoi vão se revezar na produção. Intitulado Minha voz se abre ao mundo, o CD teve seu nome inspirado na ária Mon cœur s'ouvre à ta voix, da ópera Sansão e Dalila (1877), escrita pelo compositor francês Charles-Camille Saint-Saëns (1835 – 1921). Neste álbum, que sucede o disco autoral A foto onde eu quero estar (2011), o cantor e compositor pernambucano dá voz primordial ao intérprete. A ideia de Fênix é gravar músicas como Arrumação (Elomar, 1979), Vendedor de caranguejo (Gordurinha, 1958), Wild is the wind (Dimitri Tiomkin e Ned Washington, 1957) e Yaô (Pixinguinha e Gastão Viana, 1938), montando repertório de tom globalizado, universal, cujo fio condutor é sua rara voz.

domingo, 22 de janeiro de 2012

'A foto onde eu quero estar' fica com mais foco quando Fênix prioriza o canto

Resenha de álbum
Título: A foto onde eu quero estar
Artista: João Fênix
Gravadora: Sala de Som Records
Cotação: * * 1/2

♪ Cantor pernambucano de timbre andrógino e bom alcance vocal, o pernambucano João Fênix - hoje vivendo entre o Rio de Janeiro (RJ) e os Estados Unidos - chega ao quarto disco, A foto onde eu quero estar. O CD tem a curiosidade de ter sido formatado por Fênix ao lado de Jr. Tostoi e Jaime Alem, produtores que, embora habitem universos musicais díspares, conseguem certa interação no trabalho (um toca em alguma faixa produzida pelo outro). Mais conhecido como guitarrista, Tostoi pilota as programações do álbum, expondo já na introdução da faixa de abertura, Entrar na dança (João Fênix e Claudio Lins), a bem calculada dose de eletrônica que tempera a maior parte das dez músicas do disco. As faixas produzidas por Alem tendem para a tonalidade acústica e para os sons orgânicos, a exemplo da poética Delírios (Paulo César Pinheiro e Pedro Amorim) - a faixa de voz e piano (o de André Mehmari) que encerra o disco em clima camerístico - e da suntuosa abordagem de Hallelujah (Leonard Cohen, 1984), imersa em camadas de cordas que harmonizam com requinte viola caipira, bandolim, violões, violinos e violoncelo. Todos os arranjos soam refinados, aliás. O principal problema de A foto onde eu quero estar é a falta de foco do repertório. Fênix é melhor cantor do que compositor, mas sete das dez músicas levam a assinatura do artista (a conta inclui O equilibrista e os animais, versão em português, feita por Fênix, de tema do compositor alemão Markus Acher). Ainda assim, é justo reconhecer que há certa inspiração em Um segundo (João Fênix) - balada que cita Olhos nos olhos (Chico Buarque, 1976) e no estilizado tango O beijo, parceria de Fênix com Edu Krieger. Se o cantor reitera a segurança vocal ao regravar o mediano samba Meu Rio (Caetano Veloso, 2000) com programações eletrônicas (e o paradoxal tom seresteiro do violão de sete cordas tocado por Rodrigo Campello), o compositor gasta munição e espaço do disco com temas como O som do amor pra sempre, faixa que inclui Sempterno, poema de Luis Capucho. De todo modo, Fênix é artista que merece mais atenção da mídia, do público e da indústria fonográfica (mais voltada para Filipe Catto). Quando acerta o foco, é cantor dos bons. Para ajustar o foco,  basta que o artista priorize o canto...