Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Primeiro DVD do Mundo Livre eterniza grupo em cena com imagens quentes

Resenha de DVD + CD
Título: Mangue bit ao vivo
Artista: Mundo Livre S/A
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * *

Formato cada vez mais desgastado no diluído mercado fonográfico, já que os canais do YouTube se tornaram a principal plataforma audiovisual de lançamento e veiculação de música, o DVD ainda sobrevive na indústria brasileira com eventual relevância. A edição de Mangue bit ao vivo tem o mérito de apresentar o primeiro registro audiovisual (oficial) de show do Mundo Livre S/A. Embora ofuscado pela supremacia da conterrânea Nação Zumbi na mídia, o bom grupo pernambucano - capitaneado pelo vocalista, guitarrista e compositor Fred Zero Quatro - foi um dos pilares do movimento recifense da década de 1990 rotulado como Mangue Beat. Felizmente, o primeiro DVD do grupo - gravado ao vivo em shows feitos pelo Mundo Livre S/A em 10 e 11 de abril de 2015, no Sesc Belenzinho, na cidade de São Paulo (SP) - foi filmado a tempo de eternizar o grupo com o baixista Walter Areia, músico que saiu da banda na última sexta-feira, 29 de abril de 2016, para morar em Lisboa, Portugal. A filmagem, aliás, é quente. A direção de João Solda conseguiu captar o calor das duas apresentações da banda no Sesc Belenzinho em palco adornado com cenário criado por Gigi Barreto com inspiração na arquitetura caótica das palafitas que povoam os manguezais urbanos do Recife (PE) com a lama revolvida pelos grupos do movimento musical dos anos 1990. Editado pela Coqueiro Verde Records em kit duplo que traz também o CD ao vivo resultante da gravação, o DVD faz jus ao histórico honroso do grupo. Já o roteiro peca por dar pouca ênfase ao repertório do antológico primeiro álbum do Mundo Livre S/A, Samba esquema noise (Banguela Records, 1994), gravado quando Otto ainda era o percussionista do grupo. Do álbum mais relevante da discografia do Mundo Livre S/A, Mangue bit ao vivo rebobina somente as músicas Livre iniciativa (Fred Zero Quatro e Tony Rodrigues Montenegro, 1994) e Manguebit (Fred Zero Quatro, 1994). Em contrapartida, o roteiro apresenta a inédita Loló Luiza (Fred Zero Quatro), samba noise de tom leve e lúdico acentuado pela gagueira esboçada por Fred Zero Quatro na interpretação da canção. O som feito pelo Mundo Livre S/A é quente como as imagens do DVD. O público - que faz coro em músicas como Computadores fazem arte (Fred Zero Quatro), clássico do Mangue Beat lançado no primeiro álbum da Nação Zumbi -  também contribui para manter alta a temperatura do show (bem) gravado ao vivo para ser exibido neste oportuno primeiro DVD do Mundo Livre S/A.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Grupo Mundo Livre lança a primeira gravação ao vivo de show da discografia

Mangue Bit ao vivo é o título da primeira gravação de show do grupo pernambucano Mundo Livre S.A. - um dos pilares do movimento musical surgido no Recife (PE) na primeira metade da década de 1990 e rotulado como Mangue Beat. O registro de show - captado em 11 de abril de 2015 em apresentação da banda na cidade de São Paulo (SP) - vai chegar às plataformas digitais na próxima sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016. A edição física em kit de CD e DVD será posta nas lojas pela gravadora Coqueiro Verde Records a partir de março.  Mangue Bit ao vivo  resume obra da banda.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Primeiro álbum do Mundo Livre S/A faz 20 anos e ganha reedição em vinil

Pedra tão fundamental para a construção do movimento pernambucano Mangue Beat quanto o álbum de estreia da Nação Zumbi, Da lama ao caos (Chaos / Sony Music, 1994), o primeiro álbum do Mundo Livre S/A - grupo então formado por Fred Zeroquatro (guitarra, cavaquinho e vocais), Fábio Goró (baixo), Bactéria (teclados), Xef Tony (bateria) e Otto (percussão) - está ganhando edição em vinil. A edição celebra os 20 anos de vida do álbum lançado originalmente pelo selo Banguela Records em 1994. Samba esquema noise - cujo título é trocadilho que alude ao primeiro revolucionário álbum de Jorge Ben Jor, Samba esquema novo (Philips, 1963) - está sendo relançado em vinil de 180 gramas pelo selo pernambucano Assustado Discos, dirigido no Recife (PE) por Rafael Cortes. A tiragem da edição em LP é de mil cópias, sendo 700 em vinil preto as outras 300 em vinil amarelo. Por conta da edição em vinil, Samba esquema noise foi remasterizado por Iuri Freiberger sob a supervisão de Fred Zeroquatro. Eis a disposição das faixas no LP que rebobina 10 das 13 músicas do álbum Samba esquema noise:

Lado A:
1. Manguebit (Fred Zeroquatro)
2. A bola do jogo (Fred Zeroquatro)
3. Livre iniciativa (Fred Zeroquatro e Chef Tony)
4. Saldo de Aratú (Fred Zeroquatro, Fabio Goró, Chef Tony, Otto e Bactéria)
5. Homero, o junkie (Fred Zeroquatro, Fabio Goró e Chef Tony)


Lado B:
1. Musa da Ilha Grande (Fred Zeroquatro)
2. Cidade estuário (Fred Zeroquatro)
3. Rios, pontes & overdrives (Fred Zeroquatro)
4. O rapaz do bonezinho preto (Fred Zeroquatro, Fabio Goró, Chef Tony, Otto e Bactéria)
5. Terra escura (Fred Zeroquatro)

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mundo Livre vence 'luta' com Nação no CD em que as bandas se visitam

Resenha de CD
Título: Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi
Artistas: Mundo Livre S.A. e Nação Zumbi
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

Sugere embate o título do álbum em que as bandas pernambucanas Mundo Livre S.A.e Nação Zumbi - ícones do Mangue Beat, o movimento dos anos 90 que revolveu a lama do maracatu com doses bem calculadas de eletrônica, psicodelia, samba e atitude roqueira - trocam de repertório. Contudo, bem mais do que um duelo, Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi expõe a comunhão entre dois grupos da mesma geração que, mesmo com sonoridade diversa, caminharam lado a lado. De todo modo, esse clima de real confraternização jamais dilui a impressão - recorrente ao longo da audição das 14 faixas do disco - de que a recriação do repertório da Nação pelo Mundo Livre resultou mais feliz, mais surpreendente, talvez até pelo fato de o cancioneiro inicial da Nação ser originalmente superior ao do Mundo Livre. Sem a base percussiva da Nação, músicas como A cidade (Chico Science, 1994), A Praieira (Chico Science, 1994) e Etnia (Chico Science e Lúcio Maia, 1996) ganham texturas mais leves e climas melancólicos que renovam as músicas e evidenciam seus contornos melódicos. Grupo em que um cavaquinho sempre se fez ouvir, o Mundo Livre gravita em torno de seu samba noise ao abordar o repertório da Nação e, por isso, se sente em casa ao tocar o Samba makossa (Chico Science, 1994). Ficou clara a intenção de priorizar o repertório composto pelo olindense Chico Science (13 de março de 1966 - 2 de fevereiro de 1997) na seleção de sete músicas. E uma delas resulta emblemática por ser parceria do mentor da Nação com Fred Zero Quatro, o líder do Mundo Livre. Trata-se de Rios, pontes e overdrives (1994), música que alterna andamentos de samba e punk hardcore na pegada do Mundo Livre. Já a Nação Zumbi - que atravessa fase de menor vigor criativo - não faz feio ao tocar músicas como Livre iniciativa (Fred Zero Quatro e Tony, 1994) e Girando em torno do sol (Fred Zero Quatro, 1996) com sua habitual mistura heavy e psicodélica de tambores e guitarras. Bolo de ameixa (Fred Zero Quatro, Xico Sá e Mundo Livre S/A, 1998) ganha peso. Musa da Ilha Grande (Fred Zero Quatro, 1994) se engrandece na Nação. Contudo, fica no ar a sensação de que a Nação podia ir mais fundo e soar menos burocrática. Se Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi propõe um duelo, como quer fazer crer o título do CD (o segundo de projeto estreado em 2012 com os grupos Raimundos e Ultraje a Rigor), a vitória é do Mundo Livre, bem mais criativo ao revolver a lama do mangue.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Eis a capa do CD em que o Mundo Livre troca de repertório com a Nação

Esta é a capa de Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi, CD inédito no qual as duas bandas de Pernambuco - ícones do movimento rotulado como Mangue Beat - trocam de repertório. Uma banda apresenta sua leitura de sete músicas da outra em projeto similar ao que uniu em disco os grupos Raimundos e Ultraje a Rigor. Nas lojas em agosto de 2013, em edição da Deck, o CD  Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi vai entrar em pré-venda no iTunes a partir de 30 de julho. O repertório inclui sucessos como Meu maracatu pesa uma tonelada e A praieira (da Nação Zumbi) e Musa da Ilha Grande e Bolo de ameixa (do Mundo Livre S.A.). A parte da Nação Zumbi foi produzida pela própria banda e gravada no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP), com as vozes colocadas no estúdio Fine Tunning, também em São Paulo (SP). Já as faixas do Mundo Livre S.A. foram produzidas, gravadas e mixadas pelo tecladista do grupo, Leo D, no estúdio Mr. Mouse, no Recife (PE). A edição do álbum torna menos incerto o futuro da Nação.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Leve, Mundo Livre persegue Ben em Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa

Resenha de CD
Título: Novas Lendas da Etnida Toshi Babba
Artista: Mundo Livre S/A
Gravadora: Coqueiro Verde Records
Cotação: * * * 1/2

Grupo emergido em escala nacional em meio a lama do Mangue Beat que sacudiu a cena musical brasileira a partir de 1994, o Mundo Livre S/A chega ao sexto álbum, Novas Lendas da Etnia Babaa, produzido de forma independente e distribuído pela Coqueiro Verde Records. No disco, a banda de Pernambuco se permite o exercício da alegria, do bom humor e da leveza - ainda que as distorções sombrias do Soneto do Envelhecido Sem Pretexto levem Fred 04 e Cia. momentamente para a direção contrária. Com azeitada combinação de sons eletrônicos e orgânicos, Novas Lendas da Etnia Babaa explicita mostra que o grupo ainda pede bençãos a Jorge Ben Jor em temas como Ela É Indie (samba de humor sarcástico), A Fumaça do Pajé Miti Subitxxiii e Constelação Carinhoca 7324, faixas que perseguem descaradamente o suingue seminal do Zé Pretinho. De cadência mais própria, Eduarda Fissura do Átomo é exemplo da leveza que pontua a maior parte da safra de 11 inéditas da lavra dos músicos da banda. Com verve, O Mundo Livre S/A põe seu bloco na rua na carnavalizante O Velho James Browse Já Dizia. "Carnaval é fantasia", concluem Fred 04 e Silvia Machete no verso final de O Varão e a Fadinha, faixa na qual figura a voz suave de Machete. Já perto do fim do álbum, em Nenhum Cristão na Via Láctea, o Mundo Livre exercita a arte de ser romântico sem muita sedução. Apesar de a influência de Jorge Ben Jor passar da conta, Novas Lendas da Etnia Babaa é álbum que gravita em torno do universo particular do Mundo Livre.