Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


Mostrando postagens com marcador Nação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Mundo Livre vence 'luta' com Nação no CD em que as bandas se visitam

Resenha de CD
Título: Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi
Artistas: Mundo Livre S.A. e Nação Zumbi
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

Sugere embate o título do álbum em que as bandas pernambucanas Mundo Livre S.A.e Nação Zumbi - ícones do Mangue Beat, o movimento dos anos 90 que revolveu a lama do maracatu com doses bem calculadas de eletrônica, psicodelia, samba e atitude roqueira - trocam de repertório. Contudo, bem mais do que um duelo, Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi expõe a comunhão entre dois grupos da mesma geração que, mesmo com sonoridade diversa, caminharam lado a lado. De todo modo, esse clima de real confraternização jamais dilui a impressão - recorrente ao longo da audição das 14 faixas do disco - de que a recriação do repertório da Nação pelo Mundo Livre resultou mais feliz, mais surpreendente, talvez até pelo fato de o cancioneiro inicial da Nação ser originalmente superior ao do Mundo Livre. Sem a base percussiva da Nação, músicas como A cidade (Chico Science, 1994), A Praieira (Chico Science, 1994) e Etnia (Chico Science e Lúcio Maia, 1996) ganham texturas mais leves e climas melancólicos que renovam as músicas e evidenciam seus contornos melódicos. Grupo em que um cavaquinho sempre se fez ouvir, o Mundo Livre gravita em torno de seu samba noise ao abordar o repertório da Nação e, por isso, se sente em casa ao tocar o Samba makossa (Chico Science, 1994). Ficou clara a intenção de priorizar o repertório composto pelo olindense Chico Science (13 de março de 1966 - 2 de fevereiro de 1997) na seleção de sete músicas. E uma delas resulta emblemática por ser parceria do mentor da Nação com Fred Zero Quatro, o líder do Mundo Livre. Trata-se de Rios, pontes e overdrives (1994), música que alterna andamentos de samba e punk hardcore na pegada do Mundo Livre. Já a Nação Zumbi - que atravessa fase de menor vigor criativo - não faz feio ao tocar músicas como Livre iniciativa (Fred Zero Quatro e Tony, 1994) e Girando em torno do sol (Fred Zero Quatro, 1996) com sua habitual mistura heavy e psicodélica de tambores e guitarras. Bolo de ameixa (Fred Zero Quatro, Xico Sá e Mundo Livre S/A, 1998) ganha peso. Musa da Ilha Grande (Fred Zero Quatro, 1994) se engrandece na Nação. Contudo, fica no ar a sensação de que a Nação podia ir mais fundo e soar menos burocrática. Se Mundo Livre S.A. vs Nação Zumbi propõe um duelo, como quer fazer crer o título do CD (o segundo de projeto estreado em 2012 com os grupos Raimundos e Ultraje a Rigor), a vitória é do Mundo Livre, bem mais criativo ao revolver a lama do mangue.