♪ Previsto para ser gravado ao longo da turnê nacional que vai ser feita por Gal Costa por sete cidades do Brasil, em registro que viabilizará a edição do CD ao vivo previsto no contrato assinado com o projeto Natural Musical, o show Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues teve divulgada esta semana parte da rota de sua turnê. Como visto no flyer acima, o show estreia em 25 de março de 2015 em Porto Alegre (RS) - cidade natal do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) - e segue para Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Sob a direção artística de J. Velloso (idealizador do show) e Marcus Preto, Gal vai cantar os sucessos de Lupicínio na companhia de elogiados músicos da cena contemporânea brasileira como o baixista Fabio Sameshima, o tecladista Lúcio Silva e o baterista Pupillo Oliveira.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
sábado, 14 de março de 2015
Eis as dez faixas do CD 'Músicas para churrasco II', o álbum de Seu Jorge
♪ Com lançamento programado para 31 de março de 2015, em edição da gravadora Sony Music, o álbum Músicas para churrasco II, de Seu Jorge, apresenta dez músicas inéditas assinadas pelo cantor e compositor carioca com seus parceiros. Ela é bipolar, Na verdade não tá, Faixa de contorno, Mina feia, Tá em tempo, Papo reto, Motoboy (faixa eleita o primeiro single e já em rotação na web), Felicidade, Babydoll e Everybody let's go são - pela ordem do disco - as dez músicas de Músicas para churrasco II, CD que chega ao mercado fonográfico no fim deste mês. A arte da capa de Vik Muniz evoca os anúncios de carne expostos em açougues e supermercados.
Apesar de Camelo, Nena segue viagem em 'Soyo' no bloco do eu sozinho
Resenha de CD
Título: Soyo
Artista: Dom La Nena
Gravadora: Six Degrees Records / Slap (Som Livre)
Cotação: * * * 1/2
Título: Soyo
Artista: Dom La Nena
Gravadora: Six Degrees Records / Slap (Som Livre)
Cotação: * * * 1/2
♪ Dominique Pinto - a cantora, compositora e violoncelista gaúcha conhecida no universo pop pelo nome artístico de Dom La Nena - nasceu em Porto Alegre (RS), viveu a infância em Paris (França) e migrou para Buenos Aires (Argentina) aos 13 anos. A rota intercontinental da vida da artista - atualmente radicada em Paris - explica o sotaque globalizado de seu segundo álbum, Soyo, lançado neste mês de março de 2015 pela independente gravadora norte-americana Six Degrees Records e já disponível no Brasil nas plataformas digitais de streaming através do selo Slap. Gravado entre México, Lisboa (Portugal) e Paris, mixado em São Paulo (SP) e masterizado em Miami (EUA), Soyo alinha 11 músicas cantadas em espanhol, português, inglês e francês. A produção de Marcelo Camelo faz sentido quando músicas como a contemplativa Lisboa e como Menino reverberam ecos da obra solo do hermano brasileiro. Mas o fato é que, apesar da boa companhia de Camelo, Nena segue viagem em Soyo no bloco do eu sozinho. Sem sair do tempo da delicadeza, o álbum soa quase como um suave diário de viagem em rota que começa pela apresentação quase formal da autobiográfica La Nena soy yo (música de refrão bem marcado), passa pela melancolia solitária de Llegaré, cai no samba cool de Carnaval (faixa cantada em inglês) e desemboca na introspecção de El silencio. No meio do caminho, há músicas que misturam sotaques como a sinalizar que Nena e Soyo são cidadãos de um mundo conectado por cliques. Vivo na Maré evoca as mornas do repertório da cantora cabo-verdiana Cesaria Évora (1941 - 2011). Juste une chanson começa em português até que surgem versos em francês quando a canção já contabiliza um minuto e meio. Sucessor de Ela (Six Degrees Records, 2013), disco acústico que projetou Nena em escala mundial, Soyo é produto das viagens feitas por Nena pelo mundo para divulgar seu primeiro álbum. O encontro com Camelo soa harmonioso pelas afinidades naturais entre os artistas, mas, no fundo, parece que Nena seguiu sozinha na estrada que a conduziu a Soyo, o que somente reforça a personalidade artística dessa globalizada gaúcha.
Ana, Chico e Gil participam de 'Canzoni', o álbum inédito (no Brasil) de Chiara
♪ Ainda inédito no mercado fonográfico brasileiro, o quinto álbum da cantora e compositora italiana Chiara Civello, Canzoni (Sony Music / Okeh, 2014), traz os nomes nacionais de Ana Carolina, Chico Buarque e Gilberto Gil na sua ficha técnica. Parceira de Chiara, a cantora e compositora mineira participa de E penso a te (Lucio Battisti e Mogol, 1970). O carioca Chico Buarque é o convidado de Io che amo solo te (Sergio Endrigo, 1962). Já o baiano Gilberto Gil canta com Chiara Io che non vivo senza te (Vito Pallavicini e Pino Donaggio, 1965). Os três cantam em italiano no disco de Chiara Civello.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Líder do mercado brasileiro, Sony Music vai trocar de presidente no país
♪ A gravadora Sony Music decidiu mexer no time que está ganhando a liderança do mercado fonográfico brasileiro já há alguns anos. Mesmo abocanhando atualmente a maior fatia do bolo fonográfico brasileiro (mais precisamente 34,29% de market share de acordo com o último balanço divulgado pela Associação Brasileira de Produtores de discos - ABPD), a filial brasileira da multinacional do disco vai trocar de presidente. Paulo Junqueiro vai assumir neste ano de 2015 o posto ocupado há anos por Alexandre Schiavo. A empresa não anunciou oficialmente a mudança.
Catto inclui primeira parceria com Moska no repertório do disco 'Tomada'
♪ Primeira parceria do cantor e compositor gaúcho Filipe Catto com o cantor e compositor carioca Moska, a canção Depois de amanhã integra o repertório do segundo álbum de estúdio de Catto, Tomada, ainda em fase de pré-produção. Ainda inédita em disco, Depois de amanhã foi lançada na web por Catto - em foto de Ricky Scaff - em gravação de tom folk feita para o projeto Studio 62 e lançada no YouTube em 22 de julho de 2014. Quarto título da discografia de Catto, o álbum Tomada tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2015 em edição da gravadora Universal Music. Alexandre Kassin vai assinar a produção do CD, patrocinado via Natura Musical.
Enquanto produz 'Carbono', Lenine põe gravação do show 'Chão' na web
♪ Em estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ) desde fevereiro para gravar o álbum de inéditas Carbono, como visto na foto de Flora Pimentel, Lenine ainda mantém os pés no Chão (Casa 9 / Universal Music, 2011), disco sensorial que gerou show de som surround apresentado de 2012 a 2014 em turnê nacional que contabilizou 130 shows feitos em 80 cidades do Brasil e do mundo ao longo de dois anos e nove meses. A partir de hoje, 13 de março de 2015, o cantor e compositor disponibiliza progressivamente no YouTube, em série, os 22 números captados ao vivo ao longo da turnê. Idealizado por Bruno Giorgi, coprodutor do disco e do show, o projeto Chão ao vivo foi viabilizado pela Casa 9 / Mameluco Produções através da instalação de quatro câmeras GoPro ao lado do artista, dos dois músicos em cena (Giorgi e JR Tostoi), e no corpo dos técnicos de som e dos roadies. A intenção foi captar cada detalhe visual de um show feito (também) de sons pré-gravados em MPCs com ruídos extraídos do cotidiano e erguido sob a direção de arte de Paulo Pederneiras. O material ao vivo foi editado por Flora Pimentel, codiretora do vídeo (em parceria com Bruno Giorgi). Clique aqui para (re)ler a resenha do show Chão postada em Notas Musicais.
Estrelinha do rock na pré-Jovem Guarda, Cleide Alves sai de cena aos 68
♪ Primeira cantora a ganhar e a gravar em 1963 uma música inédita de Roberto Carlos, Procurando um broto, a carioca Cleide Alves da Silva (5 de dezembro de 1946 - ? de março de 2015) foi uma das vozes pioneiras do pop nacional. Nos anos que precederam a criação e a explosão da Jovem Guarda, Cleide Alves foi lançada pela extinta gravadora Copacabana - mais precisamente em 1960 - para ser uma concorrente de Celly Campello (1942 - 2003), cantora paulista entronizada como rainha da juventude brasileira no fim dos anos 1950. Cleide jamais destronou Celly, mesmo quando esta abandonou a carreira no auge do sucesso. Mas Cleide deixou seu nome na Jovem Guarda. Literalmente. Cleide Alves está eternizada em versos ("Wanderléa ria / E Cleide desistia / De agarrar um doce / Que do prato não saía") da letra de Festa de arromba (1965), um dos maiores sucessos de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos no apogeu da Jovem Guarda. A dupla, aliás, forneceu repertório exclusivo para Cleide. Beijo quente, Brotinho transviado, Mamãe acha que é normal e Surpresa de domingo são quatro esquecidos títulos do cancioneiro de Roberto & Erasmo que foram lançados na voz da cantora no seu primeiro álbum solo, Twist, hully-gully & Cleide Alves (RGE, RGE). Mas o fato é que Cleide jamais aconteceu. A cantora - que saiu de cena, aos 68 anos, neste mês de março de 2015, vítima de parada cardíaca - ainda gravou um segundo álbum, Canção de nós dois (RCA-Victor, 1970), que já soou antiquado por ter sido lançado dois anos após o fim da Jovem Guarda. A estrelinha do rock brilhou pouco, mas deixou seu nome gravado nas festas de arromba das joviais tardes de domingo.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Arretado sanfoneiro paraibano, Severo do Acordeom sai de cena aos 64
♪ Como muitos sanfoneiros, José Severo da Silva (15 de junho de 1950 - 11 de março de 2015) herdou o ofício do pai, o músico Severino Severo da Silva, de quem usou o sobrenome como nome artístico. Paraibano natural da interiorana cidade de Sapé (PB), Severo do Acordeom foi um sanfoneiro arretado que se destacou também como compositor, assinando com o parceiro Jaguar o sucesso Do jeito que a gente gosta, música que deu título ao álbum lançado por Elba Ramalho em 1984. Severo saiu ontem de cena, a três meses de completar 65 anos, mas deixa seu nome em lugar de honra na história musical da nação nordestina. Último sanfoneiro da banda de seu conterrâneo Jackson do Pandeiro (1919 - 1982), com quem tocou de 1969 a 1982, Severo teve sua sanfona ouvida nos discos e / ou shows dos principais cantores nordestinos projetados nos anos 1970. Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner e Zé Ramalho foram alguns cantores que cruzaram seus caminhos musicais com o de Severo. O início da carreira foi nas feiras e praças da Paraíba e de Pernambuco. Radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) a partir do início dos anos 1960, Severo logo ascendeu como sanfoneiro. Como compositor, sua obra contabiliza cerca de 180 músicas, a maioria de alcance restrito ao Nordeste e ao Norte do Brasil. Como solista, gravou onze álbuns. Entre eles, Machucando gostosinho, lançado pela gravadora EMI-Odeon em 1987.
Ode ao primeiro disco dos Raimundos ganha peso ao tirar peso do grupo
Título: Raimundos - Eu quero é rock!
Artista: Vários artistas
Gravadora: Edição independente do site Urbanaque
Cotação: * * * 1/2
♪ Disco disponível para download gratuito no site Urbanaque
♪ Lançado em maio de 1994, o primeiro álbum da banda brasiliense Raimundos marcou época no universo do pop rock brasileiro com forrocore tocado com energia adolescente e formatado pelo produtor Carlos Eduardo Miranda. Apresentado neste mês de março de 2015 através do site Urbanaque, o tributo digital Raimundos - Eu quero é rock! celebra com um ano de atraso as duas décadas da edição desse antológico álbum intitulado Raimundos (Banguela Records / Warner Music, 1994). Um elenco indie tira o peso do repertório da banda, reapresentado no tributo na mesma ordem do álbum de 1994, mas é justamente quando se desvia do trilho mais óbvio que o disco ganha peso no sentido figurado e alcança relevância. A banda mato-grossense Vanguart, por exemplo, torna Nêga Jurema (Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred) uma balada de tom melancólico contrastante com a euforia de versos que fazem a festa com ato de fumar maconha. Apesar da falta da sintonia entre letra e canto, a faixa resulta bonita. Já o grupo carioca Do Amor leva Carro forte (tema de domínio público adaptado pelos Raimundos) em direção surpreendente em rota que leva seis minutos e 37 segundos para ser percorrida até o fim. Do início a capella, Do Amor conduz Carro forte para estrada psicodélica. Conterrâneo dos Raimundos, o grupo brasiliense Móveis Coloniais de Acaju caem em certo suingue no começo de Palhas do coqueiro, mas logo o registro - feito com a participação de Evandro Ribeiro, parceiro de Martin Luthero na música - atinge a velocidade do hardcore. Vocalista da banda acriana Los Porongas, Diogo Soares baixa a velocidade de Puteiro em João Pessoa (Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred) sem sair do trilho roqueiro em seu registro noise. Banda catarinense de hardcore, Euthanasia segue a cartilha do gênero no cover de MM's (Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred), feito com a adesão de Guilherme Zimmer, vocalista do quarteto (também catarinense) Ambervisions. A receita básica do hardcore também é seguida pelo grupo paulista Capim Maluco na abordagem de Minha cunhada (Rodolfo Abrantes, Digão, Fred, Canisso e Martin Luthero). Mais sedutora é a cadência imposta pela banda curitibana Lemoskine ao medley que junta Deixei de fumar (Durval Vieira e Graça Góes) e Cana Caiana (Tio Jovem e Zenilton). Outro medley - com Cajueiro (tema de domínio público adaptado por Martin Luthero com os Raimundos) e Rio das pedras (Durval Vieira e Zenilton) - é (bem) levado no toque tecnobrega da guitarra paraense de Felipe Cordeiro. Já o trio paulistano Rollbando repõe o tributo na rota do hardcore com sua gravação de Bê a bá (Rodolfo Abrantes, Fred, Digão e Canisso). Apesar da pista errada dada pelo piano na introdução de Bicharada (Rodolfo Abrantes, Fred, Digão e Canisso), o duo Floreosso também põe a pressão do rock na música, exemplo da bestialidade adolescente que pauta grande parte do repertório do álbum Raimundos. Já Marujo (Rodolfo Abrantes e Martin Luthero) navega com certo balanço na cadência do rock do trio paranaense Nevilton. Cantor e compositor cearense radicado em São Paulo (SP), Daniel Groove também acerta ao acentuar o tom desavergonhadamente brega de Selim (Cristiano Telles, Rodolfo Abrantes, Fred, Digão e Canisso), um dos maiores sucessos do disco de 1994, mostrando que o peso de Eu quero é rock! reside menos na reverência cega ao forrocore dos Raimundos e mais na capacidade de se distanciar da matriz do rock da banda.
'Brasil' de Lisa Ono e de Adnet ainda é o país do suingue dos anos 1960
Resenha de CD
Título: Brasil
Artista: Lisa Ono
Gravadora: Deck
Cotação: * * * *
Título: Brasil
Artista: Lisa Ono
Gravadora: Deck
Cotação: * * * *
♪ Para o Japão, o Brasil ainda é o país do suingue dos anos 1960 e da Bossa Nova da década de 1950. Por isso mesmo, Brasil - o álbum de Lisa Ono ora editado pela gravadora Deck no mercado fonográfico do país que dá nome ao disco - talvez faça bem mais sentido para ouvidos japoneses. Lá, no Japão, Brasil foi lançado em maio de 2014, celebrando os 25 anos de carreira da artista. Aqui, no Brasil, o CD saiu em injusto silêncio em fevereiro de 2015. Azar do Brasil, pois o disco - produzido por Ono com o violonista e arranjador Mario Adnet - é bonito, transcorrendo leve, coeso, com frescor, ainda que sem um real sopro de novidade. Cantora, compositora e violonista paulista criada no Japão desde os dez anos de idade, Ono é - como acentua Adnet no texto que escreveu para o encarte do CD - uma espécie de embaixatriz da música brasileira na terra do sol nascente. Melhor cantora do que compositora, Lisa está em cena desde 1989. Já gravou álbuns com músicas japonesas, com standards da canção norte-americana, com temas italianos e até com boleros hispânicos. Mas foi com os discos no qual deu voz à bossa brasileira que a cantora se fez mais ouvir tanto no Brasil como no Japão. Aos 53 anos, ela cai bem no suingue da música produzida no Brasil nos anos 1960. Embora o repertório inclua até um samba de 1945, Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida), o mote do disco é o balanço da década de 1960, um dos períodos mais férteis da música brasileira. Sem inventar moda, Adnet cria arranjos que preservam o suingue original de músicas como Upa neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, 1967), Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1968) e Roda (Gilberto Gil e João Augusto, 1966). Os ares de novidade são sutis, como o toque serelepe do piano de Marcos Nimritcher em Reza (Edu Lobo e Ruy Guerra, 1965) e em Sá Marina (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1968). Mas não havia mesmo o que inventar. A fluidez do canto de Lisa Ono valoriza o repertório, sobretudo O cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta, 1966). Em seleção de standards, as únicas surpresas para ouvidos nacionais são Tim dom dom (João Mello e Clodoaldo Brito, o Codó) - tema sincopado de 1963, há anos esquecido no Brasil, mas imortalizado no Japão e nos Estados Unidos por conta da gravação feita por Sergio Mendes em 1966 - e Bossa na praia (Peri Ribeiro e Geraldo Cunha,1963), música que sintetiza o clima arejado deste disco que tem faixas cantadas por Ono com Mario Adnet e com Chico Adnet. Brasil exala uma (leve) saudade do Brasil.
Alaídenegão lança seu primeiro álbum, 'Senoide sensual', após três EPs
♪ Banda amazonense formada em 2008 em Manaus (AM), Alaídenegão lança seu primeiro álbum, Senoide sensual, neste mês de março de 2015 via Deck. Com 14 faixas voltadas para ritmos regionais do Norte como carimbó, guitarrada e zouk, Senoide sensual rebobina com alguma dose de psicodelia composições lançadas pela banda em seus três EPs independentes - Alaídenegao (2009), Uns todo mundo, outros tudo bem (2010) e Tecendo o som (2012) - entre músicas inéditas como Caia em si, Pira-Tapuya e o tema que dá nome ao álbum, Senoide sensual. Batom na cueca é outra música incluída no disco gravado no estúdio Costella, em São Paulo (SP), com produção de Rafael Ramos e colaboração de Chuck Hipolitho. Alaídenegão é um quinteto formado por Agenor Vasconcelos (baixo e voz), Rafael Angelo (guitarra), Davi Escobar (guitarra e voz), AJ (bateria) e Markito Rock (trompete). Senoide sensual chega ao mercado fonográfico em 17 de março, em edição digital, por ora. Já a edição física em CD está programada para abril pela Deck.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Álbum de Jonas Sá, 'BLAM! BLAM!' chega ao mercado pela Coqueiro Verde
♪ Com capa que expõe arte criada por Júlia Rocha a partir de foto de Jorge Bispo, o álbum do cantor e compositor carioca Jonas Sá , BLAM! BLAM!, chega ao mercado fonográfico neste mês de março em edição da Coqueiro Verde Records. Ao longo de 2014, Sá adiantou algumas músicas do disco - Ah, Monalisa, Asesino, Fundo de olhar, Gigolô, Não vai rolar, Sexy savanah (Cizeta Moroder) - em seu canal no portal SoundCloud. Sá assina uma das 16 músicas do disco de inéditas que Gal Costa lançará em abril de 2015. Ele é parceiro de Alberto Continentino em Casca, música lançada pelo grupo carioca Tono em 2010 como faixa-bônus de seu primeiro álbum, em gravação sem muita repercussão.
Musical de trama folhetinesca ralenta canções de Odair na batida do rock
Título: Eu vou tirar você deste lugar - As canções de Odair José
Texto e direção: Sérgio Maggio
Elenco: Watusi, Jones de Abreu, Camila Guerra, Luiz Felipe Ferreira, Gabriela Correa,
Rodrigo Mármore, Tainá Baldez e Renato Milan
Foto: Divulgação / Alexandre Magno
Cotação: * *
♪ Musical em cartaz de quarta-feira a domingo, até 5 de abril de 2015, no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro (RJ) com ingresso a R$ 10 (inteira) e 5
♪ Musical em cartaz de quarta-feira a domingo, até 5 de abril de 2015, no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro (RJ) com ingresso a R$ 10 (inteira) e 5
♪ Criado, produzido e estreado em Brasília (DF), sob a direção de seu idealizador Sérgio Maggio, o musical inspirado pelo cancioneiro do compositor goiano Odair José chegou ao Rio de Janeiro (RJ) neste mês de março de 2015 em temporada que se estende até 5 de abril no teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil. A novidade dessa temporada carioca é a substituição da cantora Maria Alcina por Watusi, nome artístico da cantora Maria Alice Conceição, vedete fluminense catapultada à fama nos anos 1970 por ter sido estrela do cabaré parisiense Moulin Rouge. Afastada há anos dos palcos, Watusi volta à cena como a cafetina Madame China na trama folhetinesca de Eu vou tirar você deste lugar, musical que se desvia da rota biográfica seguida pela maioria dos espetáculos do gênero. Sem o objetivo de contar a vida e obra de Odair José, Maggio pôs em cena um enredo inverossímil que gravita em torno do universo do cancioneiro popular do cantor e compositor goiano, alvo de preconceito das elites musicais dos anos 1970. A trama se situa em 1973, ano de repressão. De certa forma, Matias - personagem do ator Luiz Felipe Ferreira - personifica em cena a ideologia de Odair sem chegar a ser um alter-ego do artista. Matias é um jovem que se rebelou contra o sistema - personificado por seu pai, Odilon (Jones de Abreu) - e abraçou a música para veicular seus ideais. No caminho, Matias se depara com drogas, com censura e com a paixão por uma prostituta. Ou seja, estão em cena os arquétipos que compõem o universo das canções de Odair. Mas todas as questões abordadas pela trama são postas em cena de forma rasa. Os conflitos sócio-políticos insinuados pelo texto jamais são aprofundados. Fica a impressão de que o desenvolvimento (superficial) da trama é mero pretexto para a linear exposição das canções de Odair, compositor hábil na comunicação imediata com as classes mais marginalizadas pela sociedade através de músicas que falavam de amor, sexo, solidão e religião com a língua do povo. Desfilam pelo musical sucessos populares como Assim sou eu (Odair José e David Lima, 1972), Esta noite você vai ter que ser minha (José Pereira Jr. e Pisca), Cadê você? (Odair José, 1973), Revista proibida (Odair José, 1973), Eu, você e a praça (Odair José, 1973), Vida que não para (Odair José e Silva Santos, 1972) - exemplo de como o rock também fazia a cabeça de Odair José - e Deixe essa vergonha de lado (Odair José e Andreia Teixeira, 1973), Em elenco sem vozes imponentes, Watusi acaba sobressaindo pela interpretação mais pessoal. No todo, o musical ralenta o cancioneiro de Odair na batida do pop rock, executado em cena pelo quarteto de baixo, guitarra, violão e bateria que divide com o elenco o pequeno palco do teatro I do CCBB da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Com algumas interpretações que beiram a caricatura, o elenco pouco faz por um texto em si pouco sedutor. Além do mais, as canções nem sempre se ajustam ao enredo. É nítida, por exemplo, a artificialidade do entrecho criado ao fim somente para possibilitar a inclusão de Uma vida só (Pare de tomar a pílula) (Odair José, 1973), o maior sucesso da obra do cantor e compositor de Morrinhos (GO). Tampouco o arremate com A noite mais linda do mundo (Donizette e Marcelo, 1974) soa natural. Enfim, falta em cena o componente de verdade e naturalidade que moldou o cancioneiro de Odair José, superior ao musical genérico que inspirou.
Lulu canta e toca Lulu em CD e DVD que perpetuam show gravado no Rio
♪ Nas madrugadas de 4 e 5 de outubro de 2014, Lulu Santos - em foto de Rodrigo Goffredo - fez shows na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ), ambos gravados ao vivo. O CD e o DVD com o registro do show da turnê Toca Lulu chegarão ao mercado fonográfico em abril de 2015 em edição da Sony Music. Embora o cantor e compositor carioca tenha lançado naquele mês de outubro de 2014 um álbum de inéditas, Luiz Maurício (Sony Music), o roteiro de hits apresentou somente duas músicas do disco, Sócio do amor (Lulu Santos, 2014) e a música-título Luiz Maurício (Lulu Santos, 2014). Contudo, o DVD trará embutidos nos extras os clipes das faixas SVD (Segue de volta?) (2014) - primeira parceria de Lulu com Dadi Carvalho - e Fogo amigo (Lulu Santos, 2014). Eis - na ordem do DVD - as 21 músicas perpetuadas na gravação ao vivo do show:
2. Um certo alguém (Lulu Santos e Ronaldo Bastos, 1983)
3. O último romântico (Lulu Santos, Sérgio Souza e Antônio Cícero, 1984)
4. Condição (Lulu Santos, 1986)
5. Tudo azul (Lulu Santos e Nelson Motta, 1984)
6. A cura (Lulu Santos, 1988)
7. Apenas mais uma de amor (Lulu Santos, 1992)
8. Sócio do amor (Lulu Santos, 2014)
9. Um pro outro (Lulu Santos, 1986)
10. Sábado à noite (Lulu Santos, 1998)
11. Já é! (Lulu Santos, 2003)
12. Aviso aos navegantes (Lulu Santos, 1996)
13. Assim caminha a humanidade (Lulu Santos, 1994)
14. Sereia (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)
15. De repente Califórnia (Lulu Santos e Nelson Motta, 1982)
16. Como uma onda (Zen Surfismo) (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)
17. Luiz Maurício (Lulu Santos, 2014)
18. Certas coisas (Lulu Santos e Nelson Motta, 1984)
19. Tão bem (Lulu Santos, 1984)
20. Casa (Lulu Santos, 1986)
21. Tempos modernos (Lulu Santos, 1982)
'Fala meu nome aí' põe Mumuzinho na roda desencanada de sua geração
Resenha de CD
Título: Fala meu nome aí
Artista: Mumuzinho
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 1/2
Título: Fala meu nome aí
Artista: Mumuzinho
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 1/2
♪ Aos 31 anos, o cantor e compositor carioca Márcio da Costa Batista, o Mumuzinho, é a personificação do samba jovem aos olhos do mercado fonográfico brasileiro. Popularizado em escala nacional por integrar o elenco do programa da TV Globo Esquenta, comandado pela apresentadora Regina Casé nas tardes de domingo, o artista se conecta com sua geração em seu terceiro álbum de estúdio, Fala meu nome aí, lançado ontem, 10 de março de 2015, via Universal Music. O título Fala meu nome aí reproduz pedido feito por compositores nas rodas de samba armadas nos nobres quintais cariocas. Para dar aval ao artista, Zeca Pagodinho comparece no samba que dá nome ao disco, Fala meu nome aí (André Renato, Gilson Bernini e Mumuzinho). Mas a roda de Mumuzinho é a do pagode romântico. O artista toma partido de um samba de menor altitude artística - e o fato de a produção do CD ter sido confiada a Bruno Cardoso e a Lelê, integrantes do grupo Sorriso Maroto que se tornaram empresários, já diz muito sobre o quarto título da discografia de Mumuzinho, iniciada de forma independente com o álbum Transpirando amor (2011). Em sintonia com o tempo do artista, o romantismo pagodeiro de Mumuzinho é revestido de alegria jovial, como já sinalizara em janeiro o single Design (Claudemir, Mario Cleide e Rosana Silva). Os termos tecnológicos usados na construção das letras de Teste de conhecimento (Claudemir e Diney) e Configurações do amor (Claudemir, Mumuzinho e Diney) reforçam o link do cantor com uma geração conectada por redes sociais. A questão é que o pagode cantado por Mumuzinho reverbera também a trivialidade que pauta o atual cancioneiro popular do Brasil. Sambas como Fulminante (Suel e Alan Lima) e Frases do amor (Délcio Luz e Pezinho) jamais têm o sabor poético e melódico dos frutos mais selecionados dos quintais da geração anos 1980 do Cacique de Ramos. Não por acaso, as duas melhores composições do disco são justamente as regravações de dois sambas oriundos dos anos 1990. Sucesso na voz da cantora paulista Eliana de Lima em 1991, Desejo de amar (Gabú e Marinheiro) é inspirado pagode romântico desvalorizado no registro de Mumuzinho pelo convite marqueteiro à atriz Carolina Dieckmann para cantar o samba com o artista. A tecnologia de estúdio faz com que Dieckmann soe afinadinha, mas a interpretação em si é pálida. De resultado mais feliz, a outra regravação é Identidade, samba de 1992 em que seu compositor Jorge Aragão exalou orgulho negro para dar seu recado politizado contra o preconceito racial. A propósito, Crianças do Brasil (Carica e Prateado) também dá toque social em letra que destoa de repertório de tom mais desencanado. Quando fala de amor, como no pagode Latente (Claudemir, Mario Cleide, Rosana Silva e Ferrugem), Mumuzinho geralmente se desvia do tom lamurioso de antigos sambas do gênero. Até aí o sambista fala a língua de sua geração, mais descompromissa nas coisas do amor. Enfim, Mumuzinho está longe dos quintais da geração de ouro de Zeca Pagodinho, mas parece à vontade (na sua própria) roda.
Seresteiro faz 'Cordiais saudações' à moda antiga em disco com regional
♪ A música mais recente dentre as 15 gravadas por Roberto Seresteiro - nome artístico do cantor paulista Roberto Saglietti Mahn - no CD Cordiais saudações (Pôr do Som, 2014) é de 1965. Trata-se do samba Alô, João, lançado há 50 anos na voz do cantor carioca Cyro Monteiro (1913 - 1973), parceiro de Baden Powell (1937 - 2000). Em sintonia com seu sobrenome artístico, Seresteiro dá voz a um repertório antigo neste seu primeiro álbum, arranjado à moda também antiga pelo violonista João Camarero. Integrado por músicos como o cavaquinista Lucas Arantes, o violonista Junior Pita e o próprio Camarero (no violão de sete cordas), o Regional Imperial acompanha o tradicionalista cantor em músicas como a canção seresteira Suburbana (Silvio Caldas e Orestes Barbosa, 1938), o samba-canção Madrugada (Herivelto Martins e Evaldo Ruy, 1948), o samba-choro Seu Libório (João de Barro e Alberto Ribeiro,1941), a valsa Cigana (Romualdo Peixoto e Paulo Roberto, 1937), a marcha-rancho Andorinha (Silvio Caldas, 1940) e o samba que dá nome ao disco, Cordiais saudações, composto em 1931 por Noel Rosa (1910-1937), entre outros temas.
terça-feira, 10 de março de 2015
Aline confirma em cena apuro de disco solo e gera 'grãozinho' que ficará
Resenha de show
Título: Batucada canção
Artista: Aline Paes (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro do Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 7 de março de 2015
Cotação: * * * *
Título: Batucada canção
Artista: Aline Paes (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro do Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 7 de março de 2015
Cotação: * * * *
♪ Convidado especial do show em que Aline Paes lançou seu primeiro álbum solo, Batucada canção, o flautista Carlos Malta cometeu ato falho ao elogiar em cena a cantora carioca. Malta se disse feliz por saber que a música brasileira já tinha uma bela voz "no século XX". De fato, o repertório dessa excelente cantora - voltado para o Brasil barroco de festejos, batuques e fés - faz mesmo supor que Aline Paes é uma voz do século passado. Ao menos para ouvidos urbanos já habituados aos sons e às maravilhas contemporâneas do universo pop do século XXI. Tanto no disco quanto no show, apresentado em 7 de março de 2015 no teatro do Solar de Botafogo para uma plateia lotada por amigos, Aline faz a festa dos ancestrais, seja cantando um afro-samba de Baden Powell (1937 - 2000) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980), Canto de Xangô (1966), seja mostrando as músicas de acento quase folclórico de seu personalíssimo primeiro álbum, lançado pela gravadora Biscoito Fino neste primeiro trimestre de 2015. Festa dos ancestrais, aliás, é o nome da inédita música do compositor mineiro Luiz Nascimento, novidade do roteiro aberto com Roda de dança (Manuela Trindade e Lúcio Sanfilippo, 2015), de cuja letra foi extraído o título Batucada canção. Em cena, Aline Paes confirmou as qualidades perenes de seu surpreendente disco solo. É cantora de técnica firme e de personalidade artística forte, qualidades às quais alia segurança e desenvoltura na cena. Basta dizer que sua abordagem de Zera a reza (2000) - samba em que o compositor baiano Caetano Veloso dá engenhosa visão lírica desse Brasil barroco de amor, festa e devoção aos deuses - expôs no palco e no disco a beleza da composição, meio embaçada no registro original do próprio Caetano. Fora do universo pop, Aline dá voz a um Brasil já quase riscado do mapa urbano. Mas há um frescor no seu canto e no toque de seus músicos - perceptível no solo do violão de André Siqueira, luz de Quando o lampião apaga (Pedro Ivo e Diogo Brandão, 2015) - que faz com que a música da cantora soe mais tradicional do que antiga. Mas o Brasil de Aline Paes é o Brasil romantizado de Jobins, sabiás e confins, como poetiza Paulo César Feital nos versos de Destoada (2004), sua parceria com Guinga revivida em cena por Aline com o sopro do flautista Carlos Malta, apresentado ao público como "escultor do vento". Ao tocar sua flauta de bambu, Malta de fato arejou Destoada, soprando o vento que, já sem Malta, também bafejou a canção praieira Quem vem pra beira do mar (Dorival Caymmi, 1954), lindamente entoada por Aline somente com o toque virtuoso da gaita de Gabriel Grossi, outro convidado especial da apresentação. Os vocalises da cantora valorizaram o número. Ainda que o show tenha forte base percussiva para sustentar músicas como Festejo e fé (Marcelo Fedrá e Frederico Demarca, 2015), tema também levado na batida do baião, Batucada canção abarca números de instrumental mais minimalista. De ponta a ponta tudo é praia palma (2013) - música de Thiago Amud que há dois anos deu título ao segundo álbum desse talentoso compositor carioca - se bastou somente com a voz de Aline e o violão de André Siqueira. Em clima de samba-repente, Malunguinho (Guitinho da Xambá, 2013) fez sobressair o toque do pandeiro de Bernardo Aguiar, parceiro de Aline na produção do disco e arquiteto da sonoridade nacionalista de Batucada canção. Fora das fronteiras brasileiras, Petit Pays (Fernando da Cruz, 1999) louvou Cabo Verde, país africano que a cantora Cesaria Évora (1941 - 2011) pôs no mapa-múndi musical. No bis, Aline Paes ampliou o leque estético de seu repertório, indo além do disco que inspirou o show. No medley que juntou o choro Teco teco (Pereira Costa e Milton Vilela, 1950) com o samba sincopado O que vier eu traço (Alvaiade e Zé Maria, 1945), sucessos na voz ágil da cantora potiguar Ademilde Fonseca (1921 - 2012), Aline mostrou insuspeita destreza no canto de músicas que não são para uma qualquer. Ali foram somente ela e o pandeiro sagaz de Bernardo Aguiar. E o senso rítmico da cantora se mostrou impecável. No fim, com a banda e com os convidados de volta à cena, a cantora ainda acertou o passo do Frevo de Itamaracá (1970), tema menos ouvido do cancioneiro magistral do compositor carioca Edu Lobo. Tais escolhas de repertório, a propósito, reiteraram a segurança de Aline Paes na arte de cantar. Emocionada nos agradecimentos, a artista disse que, com o disco e show Batucada canção, tivera a intenção de criar um "primeiro grãozinho" que ficasse na Terra. Pelo visto e ouvido no palco do teatro do Solar de Botafogo, na noite de 7 de março de 2015, esse grãozinho tem tudo para germinar e torná-la uma cantora de renome nacional.
Aline Paes cai no choro (e no samba) em show que teve sopro de Malta
♪ Aline Paes caiu duplamente no choro ao longo do show de lançamento de seu primeiro álbum, Batucada canção (Biscoito Fino, 2015), apresentado na noite de sábado, 7 de março de 2015, no teatro do Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal dessa cantora de técnica exemplar. A artista caiu no choro ao se emocionar durante os agradecimentos e também ao voltar para o bis, quando reviveu - a sós com o pandeiro de Bernardo Aguiar - o choro Teco teco (Pereira Costa e Milton Vilela, 1950) e o samba sincopado O que vier eu traço (Alvaiade e Zé Maria, 1945) em medley que atestou seu apurado senso rítmico e agilidade vocal. Além desses dois sucessos da cantora potiguar Ademilde Fonseca (1921 - 2012), Aline Paes caiu no afro-samba Canto de Xangô (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966) e acertou o passo do Frevo de Itamaracá (Edu Lobo, 1970) já na companhia da banda e dos músicos convidados como o gaitista Gabriel Grossi e o flautista Carlos Malta (visto com Aline na foto de Mauro Ferreira). Malta, aliás, foi liricamente caracterizado como o "escultor do vento" ao ser convidado pela cantora para entrar em cena. Contudo, apesar da diversidade do repertório do bis, o show teve roteiro centrado no repertório brasileiríssimo de Batucada canção, álbum (produzido por Aline e Bernardo Aguiar) em que a cantora dá voz a um Brasil barroco de festejos e fés. Eis o roteiro seguido em 7 de março de 2105 por Aline Paes na estreia do show Batucada canção, no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro (RJ):
2. Eu cheguei agora (tema de domínio público) /
3. Congo vadio (Bernardo Aguiar, 2015)
4. Zera a reza (Caetano Veloso, 2000)
5. Festejo e fé (Marcelo Fedrá e Frederico Demarca, 2015)
6. Quando o lampião apaga (Pedro Ivo e Diogo Brandão, 2015)
7. Ribeirinho (Pedro Ivo e Marcelo Fedrá)
8. Destoada (Guinga e Paulo César Feital, 2004) - com Carlos Malta
9. De ponta a ponta tudo é praia-palma (Thiago Amud, 2013)
10. Flor voadeira (Marcelo Fedrá, Renato Frazão e Lucas Dain, 2015)
11. As mãos de Yemanjá (Pedro Ivo e Diogo Brandão, 2015)
12. Quem vai pra beira do mar (Dorival Caymmi, 1954) - com Gabriel Grossi
13. Malunguinho (Guitinho da Xambá, 2013)
14. Festa dos ancestrais (Luiz Nascimento) - música inédita em disco
15. Petit Pays (Fernando da Cruz, 1999)
Bis:
16. Teco teco (Pereira Costa e Milton Vilela, 1950) /
17. O que vier eu traço (Alvaiade e Zé Maria, 1945)
18. Canto de Xangô (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966)
19. Frevo de Itamaracá (Edu Lobo, 1970)
Coletânea festeja 15 anos de música de Xico Bizerra em vozes como a de Elba
♪ Braço fonográfico da Passa Disco, cultuada loja de CDs do Recife (PE), o selo Passa Disco lança o segundo título da série de coletâneas Pernambuco forrozando para o mundo. Se o primeiro volume celebrou em 2012 as cinco décadas de carreira do cantor e compositor pernambucano Dominguinhos (1941 - 2013), o segundo festeja os 15 anos de carreira de Xico Bizerra, compositor cearense radicado no Recife (PE). A obra do compositor é ouvida em 20 gravações feitas por nomes como Amelinha, Elba Ramalho, Flávio José, Maciel Melo, Marinês (1935 - 2007) e Trio Nordestino. Eis, na ordem das faixas no CD, as 20 músicas da compilação Pernambuco forrozando para o mundo 2 - Viva Xico Bizerra!!!:
2. Musa (Xico Bizerra e Gennaro) - Dominguinhos
3. Chico das águas (Xico Bizerra e Toinho Alves) - Quinteto Violado
4. Oração do sanfoneiro (Xico Bizerra) - Chambinho, Cezzinha, Targino Gondim, Waldony e
Adelson Viana
5. Pé-de-saudade (Xico Bizerra e Beto do Bandolim) - Marinês
6. Jarrim de fulô (Xico Bizerra eCicinho) - Santanna, O Cantador
7. Forró do bole bole (Xico Bizerra e Diego Reis) - Trio Nordestino
8. Hoje tem forró (Xico Bizerra e Fábio Passadisco)- Silvério Pessoa
9. Baião vagamundo (Xico Bizerra) - Flávio José
10. Céu de baião (Xico Bizerra e Luciano Nunes) - Amelinha
11. Esconderijo do amor (Xico Bizerra e Gennaro) - Trio Sabiá
12. Oferendar (Xico Bizerra e Flávio Leandro) - Flávio Leandro
13. Aroma de alegria (Xico Bizerra) - Josildo Sá
14. Pelos cantos da casa (Xico Bizerra e Maciel Melo) - Maciel Melo
15. Vou deixar não (Xico Bizerra) -Irah Caldeira
16. Bom de prosa (Xico Bizerra e Maria Dapaz) - Petrúcio Amorim
17. Você não quis (Xico Bizerra e Luciano Nunes) - Adelmário Coelho
18. Oceano do querer (Xico Bizerra e Maria Dapaz) - Jorge de Altinho
19. Tangendo a dor (Xico Bizerra) - Nádia Maia
20. Se tu quiser (Xico Bizerra) - Projeto Sal
Matanza reforça 'Sua assinatura' no sétimo álbum, 'Pior cenário possível'
♪ Três anos após editar CD em que regravou músicas apresentadas em demos dos anos 1990, Thunder dope (Deck, 2012), o grupo carioca de hardcore Matanza se prepara para lançar seu sétimo álbum, via Deck, ainda neste primeiro semestre de 2015. Intitulado Pior cenário possível, o disco foi gravado no estúdio Tambor, no Rio de Janeiro (RJ), com produção de Rafael Ramos. A primeira música divulgada do CD, a inédita A sua assinatura, já tem clipe em rotação no YouTube.
'Songbook' vai fazer a alegria dos dedos de quem toca a música de Arismar
♪ Em 2012, o músico paulista Arismar do Espírito Santo lançou seu nono álbum, Alegria nos dedos, no qual apresentou 15 músicas de sua autoria, gravadas com vários instrumentos tocados pelo próprio Arismar. Entre tais instrumentos, havia piano, baixo, guitarra e violão de sete cordas. Dois anos depois, a edição do Song book Arismar (2014) - primeiro título do catálogo da editora Passarim - fez e ainda faz a alegria dos dedos de quem toca a música de Arismar. O livro de 80 páginas reproduz as partituras das 15 músicas do álbum Alegria nos dedos, transcritas por Luiz Cláudio Souza com fidelidade às instruções de Arismar, que adaptou para o livro temas como o maracatu Água da serra, a valsa Turmalina, o bolero Marjoriana, a Valsa curitibana e o Samba pra ti. As músicas estão registrada no songbook com a visão do músico na época em que foram transcritas para o livro. Com Peter Dietrich ressalta no texto que introduz o livro, a música de Arismar está em constante mutação. Cada partitura vem acompanhada de um comentário de um músico que se afina com a obra de Arismar, cujo último álbum, Roupa na corda, saiu em 2013 via Maritaca. Comentam músicas no livro, entre outros, Toninho Horta, Heraldo do Monte, Gabriel Grossi, Jean Garfunkel, Amilson Godoy e Bebe Kramer. Luxo!
segunda-feira, 9 de março de 2015
Padre Fábio regrava Milton e Lenine em disco no qual canta com Elba e Nana
♪ Padre Fábio de Melo canta duas músicas compostas por Milton Nascimento com Fernando Brant nos anos 1980 - Para eu parar de me doer (1984) e O vendedor de sonhos (1987), lançadas nas vozes de Maria Bethânia e do próprio Milton, respectivamente - no álbum Deus no esconderijo do verso, nas lojas neste mês de março de 2015. Outras regravações são Paciência (1999) - balada de autoria de Lenine e Dudu Falcão - e Estrela luminosa (1996), de Altay Veloso. Em que pesem as quatro regravações, o disco Deus no esconderijo do verso tem repertório majoritariamente autoral. Padre Fábio de Melo assina dez das 14 músicas em estilo próximo da MPB. Nas lojas em edição da gravadora Sony Music, o CD tem as participações de cantoras como Alcione, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Nana Caymmi e Ninah Jo. Todas cantam músicas da lavra do padre cantor e compositor. Nana - com Elba e com o padre na foto tirada em estúdio e postada por Fábio no Twitter - figura na música-título Deus no esconderijo do verso. Elba dá voz a Oculto e revelado. Intérprete original de Estrela luminosa, Alcione canta Sobre ganhar e perder. Já Fafá de Belém é a convidada de O tempo não espera ninguém enquanto Ninah Jo é ouvida na música Nós num mundo só. Fagner e Zeca Pagodinho completam o estelar time de convidados do disco produzido por José Milton. Fagner participa de Perfeita contradição. Já Zeca Pagodinho se faz ouvir em Amigo onde Deus é. As músicas são inéditas.
'Coração selvagem' bate a partir de hoje nas rádios - e na web - com Ana
♪ Grande destaque do roteiro do show #AC (2014), de Ana Carolina, a música Coração selvagem - sucesso de Belchior lançado em 1977 na voz do próprio cantor e compositor cearense - é o primeiro single promocional do CD e DVD #AC ao vivo. A gravação da cantora mineira chega hoje, 9 de março de 2015, às rádios em lançamento sincronizado com o vídeo captado em São Paulo (SP) na apresentação de 25 de outubro de 2014 filmada para dar origem ao DVD. Dirigido por Ray Kay, o clipe também entrou hoje em rotação na web, mais precisamente no canal da artista no portal Vevo. O CD #AC ao vivo chega ao mercado fonográfico neste mês de março em edição do selo Armazém distribuída pela gravadora Sony Music. Tanto a edição simples como a edição dupla do CD incluem, como bônus, a música Coisas (versão em português da canção italiana Cose, feita pela própria Ana e gravada pela cantora em 2012 para a edição nacional de álbum do cantor italiano Sal da Vinci), a gravação de Sangrando (Gonzaguinha, 1980) e Esperta (Ana Carolina, Chiara Civello e Edu Krieger, 2013), faixa do álbum #AC (Armazém / Sony Music, 2013) rebobinada no CD #AC ao vivo por ter sido incluída na trilha sonora da novela Babilônia, que estreia na TV Globo em 16 de março de 2015. Na sequência do CD, o DVD #AC ao vivo vai chegar às lojas com os 22 números do show - no qual Ana dá voz a Fire (1977), música de autoria do cantor e compositor norte-americano Bruce Springsteen - e com os clipes de Poledance (Ana Carolina e Edu Krieger, 2013), Libido (Ana Carolina e Edu Krieger, 2013), Resposta da Rita (Ana Carolina e Edu Krieger, 2013), Combustível (Ana Carolina e Edu Krieger, 2013), Leveza de valsa (Ana Carolina e Guinga, 2010) e Un sueño bajo el agua (Ana Carolina e Chiara Civello, 2013). Aviso aos consumidores: Coisas, Sangrando e Esperta (registro de estúdio) são faixas exclusivas do CD.
Musical sobre Charlie Brown estreia com discórdia na família de Chorão
♪ Com estreia programada em São Paulo (SP) para a próxima sexta-feira,13 de março de 2015, o musical sobre o grupo paulista Charlie Brown Jr. (1992 - 2013), Dias de luta, dias de glória - Charlie Brown Jr. - O musical, já provoca discórdia entre familiares do mentor do grupo - Alexandre Magno Abrão (1970 - 2013), o Chorão - antes mesmo de entrar em cena. Filho de Chorão, Alexandre Abrão deu aval para o espetáculo escrito por Well Rianc e dirigido por Bruno Sorrentino e Luiz Sorrentino. Um vídeo contra o musical e contra o envolvimento de Alexandre no espetáculo - postado por Ricardo Abrão, irmão de Chorão, com o apoio da mãe do artista, Nilda Abrão - expôs em cena as desavenças entre os herdeiros de Chorão, que vai ser vivido no palco do Teatro Gamaro pelo ator Julio Cesar Hasse, o rapper paulistano conhecido pelo nome artístico de DZ6. A polêmica realimenta a aura controversa de um grupo que atingiu dimensões trágicas em 2013 com as mortes de Chorão e do músico paulista Luiz Carlos Leão Duarte Junior (1978 - 2013), o baixista conhecido como Champignon. A trama de Dias de luta, dias de glória vai ser contada sob a ótica de Chorão. Nada menos do que 25 atores e 10 músicos vão ocupar um palco que vai reproduzir uma pista de skate para evocar o universo da banda de Santos (SP) que tocou rap, rock e reggae com a linguagem e os códigos do hardcore, falando a língua da juventude sem voz de sua época. O espetáculo foi batizado com o nome da música de caráter biográfico lançada pelo Charlie Brown Jr. no álbum Imunidade musical (EMI Music, 2005). O musical fica em cartaz até 12 de julho, em temporada que vai esquentar (ainda mais) os ânimos dos herdeiros de Chorão.Cantora que deu voz às coisas do (seu) Brasil, Inezita sai de cena aos 90
♪ Ignez Magdalena Aranha de Lima (4 de março de 1925 - 8 de março de 2015) tinha tudo para viver dentro da redoma urbana na qual foi criada por sua rica família, pertencente à tradicional sociedade da cidade de São Paulo. Mas Ignez escapou dessa redoma e virou Inezita Barroso, a cantora que deu voz às coisas de seu Brasil, como já deixou claro o título do álbum lançado pela artista em 1956 na gravadora RCA-Victor. Brasil que deixou na noite de ontem ao sair de cena, aos recém-completados 90 anos, em hospital de São Paulo (SP). Referência dos ritmos regionais de um Brasil interiorano, Inezita construiu carreira - iniciada no rádio nos anos 1940 - que a associou à música caipira levada na viola que deu nome ao programa que apresentou na TV Cultura nos seus últimos 35 anos de vida. Mas o fato é que a discografia da cantora - iniciada em 1951 com a edição de disco de 78 rotações por minuto que trazia as músicas Funeral dum Rei Nagô (Hekel Tavares e Murilo Araújo) e Curupira (tema popular recolhido e adaptado por Waldemar Henrique) - extrapola o universo da genuína música sertaneja. Inezita - em foto de Jair Magri - gravou temas do folclore gaúcho, sambas cariocas, canções do folclore mineiro, ritmos nordestinos e modinhas. Mas foi com as modas de viola que alcançou maior projeção. Um de seus grandes sucessos, a Moda da pinga (Laureano), surgiu logo no começo da carreira, em 1953. Inezita - cujo último álbum, Sonho de caboclo, foi lançado por vias independentes em 2009 - foi mais Brasil e foi mais do que uma cantora, atuando também como instrumentista, arranjadora e folclorista. Sem nunca abandonar as coisas de seu Brasil orgulhosamente caipira, da qual foi voz imune às maravilhas contemporâneas.
domingo, 8 de março de 2015
Ivan dá voz a canções perdidas em disco produzido com pianista Marco Brito
♪ Congado composto por Ivan Lins com Vitor Martins e lançado por Simone no álbum Desejos (CBS, 1984), Do Oiapoque ao Chuí ganha - pela primeira vez - a voz de seu criador. Do Oiapoque ao Chuí é uma das 14 músicas alocadas nas 13 faixas de América, Brasil, álbum que Ivan lança via Sony Music neste mês de março de 2015. No disco, produzido e arranjado por Ivan em parceria com o pianista Marco Brito, o cantor, compositor e pianista carioca dá voz ao que chama de canções perdidas de sua musicografia. São músicas como Cantor da noite (Ivan Lins e Vitor Martins) - lançada por Leny Andrade no mesmo ano de 1984 em que Simone gravou Do Oiapoque ao Chuí - e Cantoria (Ivan Lins e Vitor Martins), música que abre América, Brasil da mesma forma que abriu o sétimo álbum de Ivan, Nos dias de hoje (EMI-Odeon, 1978). Em América, Brasil, o cantor também rebobina Joana dos Barcos (Ivan Lins e Vitor Martins, 1975), E aí? - canção lançada por Selma Reis em álbum de 1991 - e Água doce (Ivan Lins e Vitor Martins, 1993), além de gravar pela primeira vez o samba Enquanto a gente batuca, parceria bissexta de Ivan e Vitor Martins com o compositor carioca Nei Lopes, feita para o álbum Traço de união (RCA-Victor, 1982), no qual Beth Carvalho promoveu encontros inéditos entre compositores de universos distintos. O gaitista suíço Gregoire Maret participa do medley que encerra o disco com a junção de Vitoriosa (Ivan Lins e Vitor Martins, 1985) e De nosso amor tão sincero (Ivan Lins e Vitor Martins, 1988). Já o guitarrista uruguaio Leo Amuedo toca em Que quer de mim (Ivan Lins e Vitor Martins), música lançada por Ivan Lins no álbum Awa Yiô (Velas, 1993). O repertório inclui samba inédito em disco, Luxo do lixo, feito com Vitor Martins em 1981 para bloco carioca, mas nunca gravado.
'Músicas para churrasco II', de Seu Jorge, chega às lajes a partir do dia 31
Amud, Alexandre Caldi e JR Tostoi deixam marca no 'Carbono' de Lenine
♪ A IMAGEM DO SOM - Desde fevereiro, Lenine grava seu álbum de inéditas Carbono em estúdio do Rio de Janeiro (RJ). Com lançamento previsto para maio deste ano de 2015, o disco tem produção orquestrada por JR Tostoi, que postou a foto acima em seu facebook. Na foto, Tostoi (à esquerda) aparece com Lenine e os músicos Alexandre Caldi (de camisa verde) e Thiago Amud. Ambos deixaram suas marcas em Carbono, álbum que, na discografia oficial de Lenine, sucede Triz (2013), CD de menor visibilidade em que o compositor registrou a trilha sonora que fez para o homônimo espetáculo do Grupo Corpo. Carbono apresentará repertório inédito e autoral.Voz lírica de Mauricio Luz ilumina África nas Américas em 'Ritos e ritmos'
♪ Cantor lírico que ganhou projeção no universo da ópera e da música clássica ao longo dos anos 1990, o carioca Mauricio Luz abarca um universo musical ilimitado em seu álbum Ritos e ritmos, lançado neste mês de março de 2015 em edição da gravadora Kalimba. Como o didático subtítulo do disco (A influência da cultura africana na música das Américas) já explicita, Luz dá sua voz lírica a temas que expõem a influência da música da mãe África em todas as ramificações do continental americano. Como explica o compositor Nei Lopes (estudioso da cultura negra) no texto que escreveu para o encarte do disco, produzido por Marcelo França sob a direção artística do próprio Mauricio Luiz, o repertório parte dos spirituals norte-americanos - ritmo usado nos Estados Unidos para cristianizar os negros escravos que reforçou o elo com os sons da África - para chegar ao Brasil através de temas de compositores como o folcloristra alagoano Hekel Tavares (1896-1969), o erudito paulista Francisco Mignone (1897-1986) - de quem Maurício Luz ilumina Quizomba - e o paraense Waldemar Henrique (1905 - 1985), de cuja obra o cantor regrava Hei de seguir teus passos e Boi bumbá com sua voz de negro, como caracteriza Nei Lopes com orgulho.
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