Título: Brasil
Artista: Lisa Ono
Gravadora: Deck
Cotação: * * * *
♪ Para o Japão, o Brasil ainda é o país do suingue dos anos 1960 e da Bossa Nova da década de 1950. Por isso mesmo, Brasil - o álbum de Lisa Ono ora editado pela gravadora Deck no mercado fonográfico do país que dá nome ao disco - talvez faça bem mais sentido para ouvidos japoneses. Lá, no Japão, Brasil foi lançado em maio de 2014, celebrando os 25 anos de carreira da artista. Aqui, no Brasil, o CD saiu em injusto silêncio em fevereiro de 2015. Azar do Brasil, pois o disco - produzido por Ono com o violonista e arranjador Mario Adnet - é bonito, transcorrendo leve, coeso, com frescor, ainda que sem um real sopro de novidade. Cantora, compositora e violonista paulista criada no Japão desde os dez anos de idade, Ono é - como acentua Adnet no texto que escreveu para o encarte do CD - uma espécie de embaixatriz da música brasileira na terra do sol nascente. Melhor cantora do que compositora, Lisa está em cena desde 1989. Já gravou álbuns com músicas japonesas, com standards da canção norte-americana, com temas italianos e até com boleros hispânicos. Mas foi com os discos no qual deu voz à bossa brasileira que a cantora se fez mais ouvir tanto no Brasil como no Japão. Aos 53 anos, ela cai bem no suingue da música produzida no Brasil nos anos 1960. Embora o repertório inclua até um samba de 1945, Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida), o mote do disco é o balanço da década de 1960, um dos períodos mais férteis da música brasileira. Sem inventar moda, Adnet cria arranjos que preservam o suingue original de músicas como Upa neguinho (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, 1967), Lapinha (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1968) e Roda (Gilberto Gil e João Augusto, 1966). Os ares de novidade são sutis, como o toque serelepe do piano de Marcos Nimritcher em Reza (Edu Lobo e Ruy Guerra, 1965) e em Sá Marina (Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1968). Mas não havia mesmo o que inventar. A fluidez do canto de Lisa Ono valoriza o repertório, sobretudo O cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta, 1966). Em seleção de standards, as únicas surpresas para ouvidos nacionais são Tim dom dom (João Mello e Clodoaldo Brito, o Codó) - tema sincopado de 1963, há anos esquecido no Brasil, mas imortalizado no Japão e nos Estados Unidos por conta da gravação feita por Sergio Mendes em 1966 - e Bossa na praia (Peri Ribeiro e Geraldo Cunha,1963), música que sintetiza o clima arejado deste disco que tem faixas cantadas por Ono com Mario Adnet e com Chico Adnet. Brasil exala uma (leve) saudade do Brasil.

