Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Solo, Callado transita (com ironias) entre a euforia pop e a introspecção 'cool'

Resenha de CD
Título: Meu trabalho Han Sollo vol. II
Artista: Marcelo Callado
Gravadora: RockIt! / Embolacha
Cotação: * * * *

Há uma longa distância entre a introspecção cool da viajante Minha cama (Marcelo Callado) e a euforia pop de Brejal (Marcelo Callado), o rock otimista e embriagante que anunciou, em março deste ano de 2015, o lançamento do primeiro álbum solo de Marcelo Callado, cantor, compositor e músico carioca mais conhecido na cena indie brasileira por ser o baterista da BandaCê, de Caetano Veloso. Só que Callado percorre todas as distâncias estilísticas de Meu trabalho Han Sollo vol. II com desenvoltura e com certas ironias. A começar pelo título do disco lançado neste mês de julho. Callado acrescenta um s ao nome da personagem vivida pelo ator norte-americano Harrison Ford na série de filmes Star wars. O vol. II do título não deixa de ser também uma piada, já que o volume I foi um cassete caseiro de circulação restrita aos amigos do artista. Ou seja, é com Meu trabalho Han Sollo vol. II que o artista se apresenta de forma efetiva, no mercado fonográfico, com seu trabalho autoral. E a boa surpresa é que Callado se confirma bom compositor, como já mostrara em Gambito Budapeste (YB Music / Bolacha, 2012), o disco gravado e assinado com sua ex-mulher Nina Becker em tom que oscilou entre a doçura e o experimentalismo. Nina continua parceira na música, assinando com Callado e Gustavo Benjão Papai santo - música que tira onda com as entidades afro-brasileiras - e dando voz à etérea Oceanos (Marcelo Callado), música de poesia concreta que eleva à máxima potência o grau de psicodelia indie pop do disco. Mas Brejal não foi pista totalmente incerta, dada para confundir o público e os apoiadores do disco. Há leveza pop nas duas músicas que abrem o álbum, Todos nós (Marcelo Callado) e Pau de galinheiro (Marcelo Callado e Gustavo Benjão), ambas com versos pautados por um discurso direto e informal. "Cada um sabe o cu que tem", lembra Callado já no segundo verso de Todos nós. Pode soar grosseiro, fora de contexto, mas o disco tem humor. "O moderno já é chato há anos / Não aguento mais todas essas cores / Tanto colorido / Quero meu dinheiro de volta / Quero viver John Travolta / ... / Quem viver volta", ironiza Callado na primeira estrofe de Por dentro todo mundo é rabujento (Marcelo Callado), justamente uma música cuja melodia se arrasta, testando a paciência dos anti-mudernos. Mas o fato é que, no tom cool de Trampolim (Marcelo Callado e Gustavo Benjão), de Música triste (Marcelo Callado) - tema que ironiza os dramas das canções sentimentais - e de Âncora (Marcelo Callado), o álbum se sustenta, mesmo que não haja paralelo entre tais músicas e um reggae como Olé (Marcelo Callado e Gustavo Benjão). No fim, a marcha Carambolou arriou (Marcelo Callado e Gustavo Benjão) - gravada com coro estelar que inclui Alice Caymmi, Jonas Sá e Silvia Machete, cujas vozes são regidas pelo maestro Rubinho Jacobina - ressalta que Marcelo Callado sabe brincar seu Carnaval em disco solo gracioso que faz piada quando quer ser pop e até quando quer ser cool.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Há uma longa distância entre a introspecção cool da viajante Minha cama (Marcelo Callado) e a euforia pop de Brejal (Marcelo Callado), o rock otimista e embriagante que anunciou, em março deste ano de 2015, o lançamento do primeiro álbum solo de Marcelo Callado, cantor, compositor e músico carioca mais conhecido na cena indie brasileira por ser o baterista da BandaCê, de Caetano Veloso. Só que Callado percorre todas as distâncias estilísticas de Meu trabalho Han Sollo vol. II com desenvoltura e com certas ironias. A começar pelo título do disco lançado neste mês de julho. Callado acrescenta um s ao nome da personagem vivida pelo ator norte-americano Harrison Ford na série de filmes Star wars. O vol. II do título não deixa de ser também uma piada, já que o volume I foi um cassete caseiro de circulação restrita aos amigos do artista. Ou seja, é com Meu trabalho Han Sollo vol. II que o artista se apresenta de forma efetiva, no mercado fonográfico, com seu trabalho autoral. E a boa surpresa é que Callado se confirma bom compositor, como já mostrara em Gambito Budapeste (YB Music / Bolacha, 2012), o disco gravado e assinado com sua ex-mulher Nina Becker em tom que oscilou entre a doçura e o experimentalismo. Nina continua parceira na música, assinando com Callado e Gustavo Benjão Papai santo - música que tira onda com as entidades afro-brasileiras - e dando voz à etérea Oceanos (Marcelo Callado), música de poesia concreta que eleva à máxima potência o grau de psicodelia indie pop do disco. Mas Brejal não foi pista totalmente incerta, dada para confundir o público e os apoiadores do disco. Há leveza pop nas duas músicas que abrem o álbum, Todos nós (Marcelo Callado) e Pau de galinheiro (Marcelo Callado e Gustavo Benjão), ambas com versos pautados por um discurso direto e informal. "Cada um sabe o cu que tem", lembra Callado já no segundo verso de Todos nós. Pode soar grosseiro, fora de contexto, mas o disco tem humor. "O moderno já é chato há anos / Não aguento mais todas essas cores / Tanto colorido / Quero meu dinheiro de volta / Quero viver John Travolta / ... / Quem viver volta", ironiza Callado na primeira estrofe de Por dentro todo mundo é rabujento (Marcelo Callado), justamente uma música cuja melodia se arrasta, testando a paciência dos anti-mudernos. Mas o fato é que, no tom cool de Trampolim (Marcelo Callado e Gustavo Benjão), de Música triste (Marcelo Callado) - tema que ironiza os dramas das canções sentimentais - e de Âncora (Marcelo Callado), o álbum se sustenta, mesmo que não haja paralelo entre tais músicas e um reggae como Olé (Marcelo Callado e Gustavo Benjão). No fim, a marcha Carambolou arriou (Marcelo Callado e Gustavo Benjão) - gravada com coro estelar que inclui Alice Caymmi, Jonas Sá e Silvia Machete, cujas vozes são regidas pelo maestro Rubinho Jacobina - ressalta que Marcelo Callado sabe brincar seu Carnaval em disco solo gracioso que faz piada quando quer ser pop e até quando quer ser cool.

Rafael M. disse...

Não consigo acreditar que esse disco seja tão bom... Para ser sincero, nem ouvi o mesmo e nem estou animado para ouví-lo... Prefiro Marcelo calado como cantor, e ativo como músico talentoso que ele é!!!

Raffa disse...

O disco é legal sim. Vale a pena ouvir pra ter certeza ou não - como diria Caê.

Rafael M. disse...

Marcelo Callado

Álbum: "Meu Trabalho Han Sollo Vol. II" (2015)

Gravadora: Rock It!

1. Todos Nós (Marcelo Callado)
2. Pau de Galinheiro (Marcelo Callado/Gustavo Benjão)
3. Por Dentro Todo Mundo É Rabugento (Marcelo Callado)
4. Música Triste (Marcelo Callado)
5. Brejal (Marcelo Callado)
6. Trampolim (Marcelo Callado/Gustavo Benjão)
7. Âncora (Marcelo Callado)
8. Olé (Marcelo Callado/Gustavo Benjão)
9. Papai Santo (Nina Becker/Marcelo Callado/Gustavo Benjão)
10. Oceanos (Marcelo Callado)
11. Minha Cama (Marcelo Callado)
12. Carambolou Arriou (Marcelo Callado/Gustavo Benjão)