Mauro Ferreira no G1

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domingo, 19 de julho de 2015

Livro 'Bem sertanejo' expõe os caminhos do gênero em conversas informais

Resenha de livro
Título: Bem sertanejo
Autores: Michel Teló e André Piunti
Editora: Planeta
Cotação: * * *

Longe de ser compêndio sobre música sertaneja e tampouco obra de referência do gênero que mobiliza milhões de pessoas e de reais Brasil afora, o livro Bem sertanejo expõe os caminhos seguidos pelos sons caipiras desde os anos 1930, com ênfase na explosão da música sertaneja em centros urbanos a partir da década de 1970. O livro é mais um produto derivado da série exibida no programa Fantástico, veiculado pela TV Globo nas noites de domingo, com apresentação de Michel Teló, cantor e compositor de origem paranaense - criado em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul - que ganhou projeção (inter)nacional em 2011 com sua gravação da música Ai, se eu te pego (Antonio Dyggs e Sharon Acioly, 2008). Teló assina o livro com André Piunti, jornalista especializado em música sertaneja, contratado para roteirizar a parte histórica do programa Bem sertanejo. Através da reprodução de conversas informais de Teló com duplas e cantores sertanejos, o livro dá pistas de como a música caipira foi virando a música sertaneja consumida em larga escala pelo público brasileiro, alheio aos preconceitos da mídia do eixo Rio-São Paulo. As conversas são bate-papos informais nos quais brotam fatos e sentimentos que ajudam o leitor a traçar um breve painel da evolução da música sertaneja. Se Chitãozinho & Xororó revelam que quase pensaram em desistir antes de emplacar o primeiro grande sucesso, 60 dias apaixonado (Darci Rossi e Constantino Mendes), música que deu título ao álbum lançado pela dupla paraense em 1979, Roberta Miranda conta como lutou para se impor como compositora - e, sobretudo, como cantora - no universo ainda predominantemente masculino da música sertaneja (não por acaso, sua entrevista é linkada com a de Paula Fernandes, espécie de sucessora de Roberta no terreno). Ainda que exponha informações sem rigor enciclopédico (em que pesem as breves fichas biográficas dos artistas, alocadas ao fim de cada entrevista), Bem sertanejo ganha pontos ao inserir pequenos textos sobre nomes de um passado mais remoto da música sertaneja (como Cascatinha & Inhana, dupla em evidência nos anos 1950) entre os papos com artistas que movimentam cifras astronômicas no atual mercado sertanejo, casos das duplas Fernando & Sorocas e Victor & Leo. Enfim, o livro Bem sertanejo está longe de ser referência no gênero, como obras anteriores do porte do livro Música caipira - Da roça ao rodeio (Editora 34, 1999), escrito pela jornalista Rosa Nepomuceno. Mas é interessante e cumpre seu papel ao servir de isca para fisgar um público leitor em potencial que talvez jamais tenha lido um livro  sobre a música que ouve e consome com ardor.

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Longe de ser compêndio sobre música sertaneja e tampouco obra de referência do gênero que mobiliza milhões de pessoas e de reais Brasil afora, o livro Bem sertanejo expõe os caminhos seguidos pelos sons caipiras desde os anos 1930, com ênfase na explosão da música sertaneja em centros urbanos a partir da década de 1970. O livro é mais um produto derivado da série exibida no programa Fantástico, veiculado pela TV Globo nas noites de domingo, com apresentação de Michel Teló, cantor e compositor de origem paranaense - criado em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul - que ganhou projeção (inter)nacional em 2011 com sua gravação da música Ai, se eu te pego (Antonio Dyggs e Sharon Acioly, 2008). Teló assina o livro com André Piunti, jornalista especializado em música sertaneja, contratado para roteirizar a parte histórica do programa Bem sertanejo. Através da reprodução de conversas informais de Teló com duplas e cantores sertanejos, o livro dá pistas de como a música caipira foi virando a música sertaneja consumida em larga escala pelo público brasileiro, alheio aos preconceitos da mídia do eixo Rio-São Paulo. As conversas são bate-papos informais nos quais brotam fatos e sentimentos que ajudam o leitor a traçar um breve painel da evolução da música sertaneja. Se Chitãozinho & Xororó revelam que quase pensaram em desistir antes de emplacar o primeiro grande sucesso, 60 dias apaixonado (Darci Rossi e Constantino Mendes), música que deu título ao álbum lançado pela dupla paraense em 1979, Roberta Miranda conta como lutou para se impor como compositora - e, sobretudo, como cantora - no universo ainda predominantemente masculino da música sertaneja (não por acaso, sua entrevista é linkada com a de Paula Fernandes, espécie de sucessora de Roberta no terreno). Ainda que exponha informações sem rigor enciclopédico (em que pesem as breves fichas biográficas dos artistas, alocadas ao fim de cada entrevista), Bem sertanejo ganha pontos ao inserir pequenos textos sobre nomes de um passado mais remoto da música sertaneja (como Cascatinha & Inhana, dupla em evidência nos anos 1950) entre os papos com artistas que movimentam cifras astronômicas no atual mercado sertanejo, casos das duplas Fernando & Sorocas e Victor & Leo. Enfim, o livro Bem sertanejo está longe de ser referência no gênero, como obras anteriores do porte do livro Música caipira - Da roça ao rodeio (Editora 34, 1999), escrito pela jornalista Rosa Nepomuceno. Mas é interessante e cumpre seu papel ao servir de isca para fisgar um público leitor em potencial que talvez jamais tenha lido um livro sobre a música que ouve e consome com ardor.

ADEMAR AMANCIO disse...

Constantino Mendes,era da minha cidade.Me parece que o público de música sertaneja não curte livros.

Rafael M. disse...

Quem quer isso???

Marcelo disse...

Rafael....já já vão dizer q c é preconceituoso!!! Se prepara!!! ;)

ADEMAR AMANCIO disse...

Tem gente sendo processada por criticar a (sub)cultura sertaneja.E olhe que nem crítica era.

Douglas Carvalho disse...

O que acho graça é que sempre que se faz críticas ao neo "sertanejo", o povo que só escuta isso (pq são uns bitolados e não ouvem outra coisa) começa a dizer que se trata de preconceito.

Mas não é preconceito. Como há bom pop, há mau pop, bom samba e mau samba, bom forró e mau forró, bom R&B e mau R&B, bom rock e mau rock, obviamente há bom sertanejo (o feito por Inezita, Ely Caramgo, Pena Branca & Xavantinho, Almir Sater, Renato Teixeira) e mau sertanejo, que é o gente como Luan Santana, Paula Fernandes, Gustavo Lima, Michel Teló e o falecido que não se deve dizer o nome fazia.

Simples e fácil de entender.