Mauro Ferreira no G1

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sábado, 28 de maio de 2011

Sururu grava tributo a Nelson Cavaquinho com dinheiro adiantado por fãs

O grupo carioca Sururu na Roda vai gravar no Rio de Janeiro (RJ) um disco em tributo ao centenário de nascimento do compositor Nelson Cavaquinho (1911 - 1986). A notícia fica ainda mais interessante quando se sabe que Nilze Carvalho (cavaquinho, bandolim e voz), Juliana Zanardi (voz e violão), Silvio Carvalho (voz, cavaquinho e percussão) e Fabiano Salek (voz e percussão) - vistos na foto de Ana Quintella com a nova formação do grupo, na qual Juliana substitui Camila Costa -  vão entrar em estúdio com recursos financeiros doados por fãs e admiradores do grupo. Primeiro disco no Brasil a ser gravado com o incentivo monetário do público, como já vem acontecendo com shows de artistas internacionais, Nelson Cavaquinho por Sururu na Roda - Com os Olhos Rasos d'Água teve toda sua gravação viabilizada ao ser inscrito no movere.me, portal baseado no modelo internacional de crowfunding que entrou no ar em março de 2011. A meta do grupo era conseguir R$ 34 mil, mas as contribuições de 237 fãs totalizaram R$ 35.165. As recompensas a serem obtidas pelos fãs vão desde um mero agradecimento nominal (para quem doou R$ 5) até um show exclusivo do Sururu para 50 pessoas (para quem colaborou com R$ 5 mil). A maioria dos fãs optou por contribuir com R$ 35 para receber em sua casa o CD autografado. O grupo tem 120 dias para concluir o projeto.

15 comentários:

Mauro Ferreira disse...

O grupo carioca Sururu na Roda vai gravar no Rio de Janeiro (RJ) um disco em tributo ao centenário de nascimento do compositor Nelson Cavaquinho (1911 - 1986). A notícia fica ainda mais interessante quando se sabe que Nilze Carvalho (cavaquinho, bandolim e voz), Juliana Zanardi (voz e violão), Silvio Carvalho (voz, cavaquinho e percussão) e Fabiano Salek (voz e percussão) - vistos na foto de Ana Quintella com a nova formação do grupo, na qual Juliana substitui Camila Costa - vão entrar em estúdio com recursos financeiros doados por fãs e admiradores do grupo. Primeiro disco no Brasil a ser gravado com o incentivo monetário do público, como já vem acontecendo com shows de artistas internacionais, Nelson Cavaquinho Por Sururu na Roda - Com os Olhos Rasos d'Água teve toda sua gravação viabilizada ao ser inscrito no movere.me, portal baseado no modelo internacional de crowfunding que entrou no ar em março de 2011. A meta do grupo era conseguir R$ 34 mil, mas as contribuições de 237 fãs totalizaram R$ 35.165. As recompensas a serem obtidas pelos fãs vão desde um mero agradecimento nominal (para quem doou R$ 5) até um show exclusivo do Sururu para 50 pessoas (para quem colaborou com R$ 5 mil). A maioria dos fãs optou por contribuir com R$ 35 para receber em sua casa o CD autografado. O grupo tem 120 dias para concluir o projeto.

Luca disse...

Proponho que a gente entre nesse site e contribua para que Jorge Vercilo e Maria Gadú NÃO gravem mais discos. Que tal?

lurian disse...

Não vejo essa iniciativa como algo interessante Mauro. A princípio, nada contra gravar a excelência de Nelson do Cavaquinho, mas minha questão se refere aos rumos capitalistas que a arte vem tomando. Cada vez mais os artistas vem se rendendo a gravar o que interessa ao público. É o mercado de consumo que passa a ditar conforme os interesses, o que a arte deve produzir, a arte ai se torna mero produto. Isso insere uma questão fundamental do papel da arte enquanto experiência humana que ao longo de sua HIstória se mostrou fundamentalmente transgressora e produtora de novas concepções.
Politicamente lamento os destinos de artistas que caem em tal cilada.

Anônimo disse...

Ótima idéia, tomara que coloquem as menos óbvias/conhecidas do Nelson. Porque se for pra gravar as manjadas não faz sentido, já estamos bem servidos delas.

PS: Acrescento a lista do Luca a Ana Carolina. Pago em euro por esses três. rsrsrrss

André Luís disse...

Ótima notícia essa volta do Sururu, e com músicas do Nelson! E maravilhosa essa idéia do público patrocinar a gravação do disco do artista! A relação artista/público acaba de mudar consideravelmente.

* Ah, Luca, não venha com essa má intenção de detonar carreiras de artistas (ainda) interessantes como Vercillo e Gadú. Existem vários outros artistas que, aí sim, mereciam nunca ter gravado nem o primeiro CD...

Luca disse...

Lurian, agora falando sério, não vejo essa iniciativa como o artista se submetendo ao público. O Sururu, pelo que li na nota do Mauro, inscreveu um cd que já estava pronto na cabeça do grupo, faltava apenas o dinheiro para que a idéia pudesse ser posta em prática. Isso me parece muito legal, porque tira cada vez mais os artistas do jugo das gravadoras.

Anônimo disse...

Lurian, concordo com sua análise.
Mas, há artistas e artistas.
O Sururu, até aonde eu sei, é uma banda mais de intérpretes.
Não vejo problemas.
Agora, vc pagar pra um cara como, sei lá, Arnaldo Antunes gravar Noel Rosa fica realmente triste.

Vitor disse...

Adorei a idéia. Ja vinha acontecendo em shows e graças a ela pude ir em um show do mayer hawthorne

lurian disse...

Luca, em nenhum momento o Mauro deixa claro que a idéia já existia e faltava o financiamento... e de qualquer forma isso não exime o artista, pois que mantém-se a idéia de cantar o que se quer ouvir.
Minha crítica não é especifica ao Sururu na roda, mas ao problema que ai se levanta. Tanto que não me refiro diretamente ao grupo, e sim ao tipo idéia de subjaz ao projeto (que vem se tornando uma constante), situando a música numa lógica que se torna objeto a ser consumido. Exagerarei pra se ver o grotesco disso: então se um milhão de fãs pagarem terão Madonna cantando "Atirei o pau no gato"?...
Enfim, como pessoa politizada (ou pretensamente, pelo menos) não consigo ver nessa tendência mundial algo interessante. Pra mim se torna algo assim: pagou = levou. Embora saibamos que nesse mercado muitos já cederam e continuarão a ceder porque todos querem vender.
Enfim, continuarei a admirar e a acreditar naqueles que fazem arte de uma outra forma.
Ps: Inclusive Mauro, tratar as doações como "recompensas" me pareceu de péssimo TOM.

Vitor disse...

lurian, acho que vc nao entendeu bem a proposta. A questão é justamente realizar projetos pessoais que nao teriam apoio de uma gravadora por desacreditarem que exista público pra esse produto, sim é um produto, caso contrário eles ficariam em casa tocando pra eles mesmos. Eu só tenho visto bons exemplos nesse caso, como eu disse anteriormente, fui num show de um grande artista que nao aconteceria pq os empresários acham que não tem publico e nao querem arriscar. Claro que podem surgir coisas toscas como o madonna canta atirei o pau no gato, mas acredito na inteligencia do publico que tem feito escolhas mais interessantes do que as grandes gravadoras

lurian disse...

Vitor,
A princípio parece bonitinha a idéia,não é mesmo? Ora, o público ajuda a realizar o sonho de um grupo... mas ai que está a ingenuidade. Acho que a parte final do texto do Mauro é bem reveladora, não tem ajuda nenhuma, tem RECOMPENSA! quem paga mais goza mais (lacanianamente falando).
Assim, não há qualquer desentendimento, muito menos ingenuidade nas minhas palavras. (Mesmo porque acho que o grupo tem qualidades sim). Minha questão é bem outra...
Música é produto há muito tempo e obviamente sei disso pq essa discussão tampouco é nova. O público pode ter grandes idéias, não discordo de você. Mas o artista deve ser sujeito de sua arte. Quando ele abre mão disso, passa a ser guiado por essa massa amorfa que é o público, e outra o público não estudou música como os arranjadores e produtores (já li/ouvi demandas absurdas a artistas), não há outro campo pra 'julgar' isso senão por algumas balizas éticas. Meu medo não é de um projeto pontual como esse, é dessa generalização que vem ocorrendo que tanto o Mauro quanto alguns de vocês estão apontando, e ai não deixa de me vir aquela letra emblemática "alguma coisa está fora da ordem...".
Não se pode pensar em música apenas atendendo a empresários, gravadoras e ao público porque isso castra qualquer possibilidade de criação. Outro dia a "Banda mais feliz da cidade" ou algo assim, mostrou isso via youtube, sem disco mas falando uma linguagem que toca as pessoas eles chamaram atenção das redes sociais, mas foi puro processo criativo e mérito deles. Falo isso td pq normalmente a arte de vanguarda sequer é compreendida em seu tempo, ela está além (seja na música, no teatro, na literatura...). Então se nós entrarmos numa roda do consumo esta estará decretada à morte.
Outro ponto: basta que se faça uma pesquisa com os grandes artistas, todos serão unânimes em apontar que a arte, ao contrário do que possa sugerir sua mercantilização, são tem preço!
Por fim desejo que esse seja apenas um projeto pontual do Sururu na roda e que em outros momentos o grupo possa pensar seu processo de trabalho de uma outra forma.

Mauro Ferreira disse...

Olá, leitores! Não costumo entrar nas discussões geradas pelo blog por pura falta de tempo. Mas cabem aqui algumas palavras esclarecedoras sobre o post.

1) A palavra 'recompensa' usada por mim veio do release sobre o projeto. O termo é usado pelo site.

2) Lurian, o Luca tem razão. O artista increve um projeto já pronto. Não há interferência do público na criação do disco. O público apenas antecipa o dinheiro que pagaria pelo CD para que o artista - no caso, o Sururu na Roda - tenha recursos financeiros para viabilizar a gravação. De acordo com a quantia investida, o fã recebe determinada recompensa.

Abs, gratos a todos pela participação, MauroF

lurian disse...

Mauro,
Agradeço seu esclarecimento. O fato de que o projeto já estava pronto faltando apenas o recurso não estava claro no post. Mas penso que a discussão é válida, por isso estive evitando usar o Sururu como mero exemplo. Todos os dias vemos artistas fazendo pesquisa para saber que músicas gostariam que estivessem presentes nos discos... então associar uma coisa à outra não é difícil!

Jeferson Garcia disse...

A idéia já foi usada pelo cantor e compositor Zé Modesto. O lançamento de seu 2º cd "Xiló" foi feito através de "mecenato pós-modernoso", título dado pelo prórpio Zé. A "recompensa" nada mais era do que adquirir antecipadamente cotas de 3, 5 ou mais CDs que vieram luxuosamente embalados em caixinhas de madeira. Apoio e gostaria que outros artistas que as vezes não conseguim viabilizar suas obras que façam adesão desse tipo para que possamos desfrutar de suas pérolas.

Jordão disse...

E Maria Bethania ganha,(sem precisar)um milhão,de leis de incentivo,p\ recitar poesia em seu blog.Isto é o Brasil!!