Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 24 de maio de 2011

'Curriculum' mapeia o início fonográfico de Joyce em 20 gravações raras

Em 1964, aos 16 anos, Joyce ainda não pensava em seguir carreira musical quando aceitou o convite de Roberto Menescal para gravar faixa, Olhos Feiticeiros (Pacífico Mascarenhas), em álbum do grupo vocal Sambacana. Essa gravação seminal abre Curriculum, oportuna coletânea editada pelo selo Discobertas neste mês de maio de 2011 com 20 fonogramas que mapeiam o início da trajetória da cantora em disco. São gravações já obscuras extraídas de trilhas sonoras de novelas, LPs de festivais e compactos. Entre outras relíquias fonográficas, Curriculum rebobina três das quatro faixas de desconhecido compacto duplo gravado por Joyce em 1971. Trata-se do baião Adeus Maria Fulô (Humberto Teixeira e Sivuca), de Nada Será Como Antes (a parceria de Milton Nascimento com Ronaldo Bastos que ganharia projeção no álbum duplo Clube da Esquina) e de Caqui (saboroso, suingante e pouco ouvido tema de Danilo Caymmi). Detalhe: a capa de Curriculum reproduz a foto estampada na capa deste compacto raro de 1971. Dos discos de novelas, o destaque é Bachianas Brasileiras nº 5 (Heitor Villa-Lobos), gravada por Joyce em 1970 para a trilha sonora de Irmãos Coragem. Da lavra autoral da compositora, Copacabana Velha de Guerra (Joyce e Sérgio Flaskman) é fonograma produzido por Nelson Motta com arranjo do pianista Luiz Eça (1936 - 1992). A música faz parte do segundo álbum de Joyce, Encontro Marcado (1969), já editado em CD no Japão, mas ainda inédito em formato digital no Brasil. Já Sem Mais Luanda - parceria de Joyce com José Rodrigues - vem do LP IV Festival de Música Popular Brasileira (Volume 1), editado em 1968. Caprichado, o encarte traz texto de Maurício Gouvêa sobre as gravações e expõe fotos das capas dos LPs e compactos dos quais foram extraídos os fonogramas. Enfim, apesar da oscilante qualidade técnica de suas 20 faixas, Curriculum é coletânea que acrescenta muito à discografia de Joyce - a quem a indústria fonográfica brasileira ainda não deu o devido valor.

10 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Em 1964, aos 16 anos, Joyce ainda não pensava em seguir carreira musical quando aceitou o convite de Roberto Menescal para gravar faixa, Olhos Feiticeiros (Pacífico Mascarenhas), em álbum do grupo vocal Sambacana. Essa gravação seminal abre Curriculum, oportuna coletânea editada pelo selo Discobertas neste mês de maio de 2011 com 20 fonogramas que mapeiam o início da trajetória da cantora em disco. São gravações já obscuras extraídas de trilhas sonoras de novelas, LPs de festivais e compactos. Entre outras relíquias fonográficas, Curriculum rebobina três das quatro faixas de desconhecido compacto duplo gravado por Joyce em 1971. Trata-se do baião Adeus Maria Fulô (Humberto Teixeira e Sivuca), de Nada Será Como Antes (a parceria de Milton Nascimento com Ronaldo Bastos que ganharia projeção no álbum duplo Clube da Esquina) e de Caqui (saboroso, suingante e pouco ouvido tema de Danilo Caymmi). Detalhe: a capa de Curriculum reproduz a foto estampada na capa deste compacto raro de 1971. Dos discos de novelas, o destaque é Bachianas Brasileiras nº 5 (Heitor Villa-Lobos), gravada por Joyce em 1970 para a trilha sonora de Irmãos Coragem. Da lavra autoral da compositora, Copacabana Velha de Guerra (Joyce e Sérgio Flaskman) é fonograma produzido por Nelson Motta com arranjo do pianista Luiz Eça (1936 - 1992). A música faz parte do segundo álbum de Joyce, Encontro Marcado (1969), já editado em CD no Japão, mas ainda inédito em formato digital no Brasil. Já Sem Mais Luanda - parceria de Joyce com José Rodrigues - vem do LP IV Festival de Música Popular Brasileira (Volume 1), editado em 1968. Caprichado, o encarte traz texto de Maurício Gouvêa sobre as gravações e expõe fotos das capas dos LPs e compactos dos quais foram extraídos os fonogramas. Enfim, apesar da oscilante qualidade técnica de suas 20 faixas, Curriculum é coletânea que acrescenta muito à discografia de Joyce - a quem a indústria fonográfica brasileira ainda não deu o devido valor.

Pedro Progresso disse...

estou muito feliz com os novos selos Discobertas e Jóia Moderna. até mais que com a Biscoito Fino que se tornou uma major do independente.

as coisas estão começando a ficar boas nesse ramo de redescobrir acervos. e tem mercado pra isso, pq tanta demora?

que venha Joyce das raridades, das inéditas. que venham outros também. não é só o Japão que precisa desse som.

Rafael M. disse...

Pedro,

O selo Disocobertas, de propriedade de Marcelo Fróes não é novo, já existe há alguns anos.

Mauro, uma pergunta: você diz que a qualidade técnica oscila muito. Você estaria então se referindo a qualidade sonora do trabalho? Não é boa. Me interessaria muito comprar este disco, mas nem perderei meu tempo se a qualidade sonora não estiver à altura de tudo o que Joyce já fez. O áudio foi remasterizado direto da master desses discos ou eles apenas transferiram o som para CD, como muitas gravadoras infelizmente fazem? Me responda sobre isso, agora fiquei curioso para saber.

Tiago disse...

É isso aí Pedro!!

Seu Mistura disse...

Concordo com o Pedro também, não é só o Japão que precisa destes discos raros de cantores nacionais, o Brasil também precisa. É a velha história de darem só valor ao que vem de fora e as gravadoras deixarem os grandes e verdadeiros artistas brasileiros morrerem a míngua, tendo todo o seu legado na música enterrado. Ainda bem que existem pessoas como o DJ Zé Pedro e a sua Jóia Moderna para tentar resgatar um pouco do que já foi perdido ou esquecido por todos, senão por quase todos.

Claudio Almeida disse...

Notícia boa, Mauro.

Na minha opinião, a Joyce é uma de nossas compositoras mais importantes ao lado de Fátima Guedes e Sueli Costa.

Anônimo disse...

Cantora livre de mercados fazendo sua musica prosseguir sem rotulos e pressões, Joyce é um orgulho nacional. Apesar dessa coletânea apresentar qualidades de audio tiradas do vinil em algumas faixas (sem aviso prévio na capa), serve como documento para se entender a carreira dessa grande cantora e compositora.

antonio disse...

Que maravilha. Mais um ítem para minha coleção de cds! O que me chateia é que o Japão lança tudo em música brasileira e nós aqui ficamos sem nada. Há outros discos da Joyce que nunca foram editados em Cd no Brasil. Quanto que as gravadoras vão perceber este filão, será que não podem produzir por demanda ou algo parecido?

unodosonetwotrescuatro disse...

José Rodrigues = Zé Rodrix

unodosonetwotrescuatro disse...

José Rodrigues = Zé Rodrix