Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 23 de abril de 2016

Músicas de Guinga e Hermeto jorram em 'Nascente', CD de Grossi com Félix

♪ Em 2001, quando estavam em turnê por Cuba, o gaitista brasiliense Gabriel Grossi e o violonista mineiro Félix Júnior - virtuoses da harmônica e do violão de sete cordas - compuseram Nossa valsa, primeira parceria dos músicos em jornada de convivência harmoniosa que, 15 anos depois, gera o disco Nascente - A música de Hermeto & Guinga. Álbum editado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de abril de 2016, em edição física em CD e em edição digital já disponível nas lojas e plataformas virtuais, Nascente jorra registros de oitos músicas selecionadas entre os repertórios autorais dos compositores Guinga e Hermeto Pascoal. Do carioca Guinga, mestre também no toque do violão, as escolhidas foram Baião de Lacan (Guinga e Aldir Blanca, 1993), Di menor (Guinga e Celso Viáfora, 1997), Exasperada (Guinga e Aldir Blanc, 1996) e Senhorinha (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1986). Do alagoano Hermeto, alquimista de mil e um instrumentos, Rossi e Félix fazem brotar novamente em Nascente - em abordagens tão pessoais quanto reverentes à musicalidade elétrica do Bruxo - Fátima (Hermeto Pascoal, 1979), O farol que nos guia (Hermeto Pascoal, 1992), Suíte Norte, Sul, Leste, Oeste (Hermeto Pascoal, 1979) e Balaio (Hermeto Pascoal, 1988), música creditada como Macia na maioria dos registros fonográficos. Nascente apresenta duas composições inéditas feitas por Grossi com Félix para celebrar os compositores homenageados no disco. Domingo Pascoal louva Hermeto. Já Selva de pedra reverencia a obra de Guinga. Entre o lirismo e a efervescência rítmica, Gabriel Grossi e Félix Junior honram os mestres no CD Nascente.

Inéditas 'Dupla chama' e 'Lampejo' iluminam as afinidades entre Samuel e Lô

♪ EDITORIAL - As músicas de Lô Borges e de Samuel Rosa são dois afluentes do mesmo rio mineiro que desaguou na música brasileira no início da década de 1970. Dois rios - a segunda música que os dois compuseram juntos (no caso, com a adesão de Nando Reis), desenvolvendo parceria iniciada com a criação de A última guerra (Samuel Rosa, Lô Borges e Rodrigo Leão, 2000) - explicitou em 2003, em gravação feita para álbum do Skank, a afinidade que aflora plena na gravação ao vivo do show que une os dois cantores, compositores e músicos mineiros. Perpetuado no CD e no DVD Ao vivo no Cine Theatro Brasil, recém-lançados pela Sony Music, o show - na estrada desde 1999 e captado em agosto de 2015 (clique aqui para ler a resenha da gravação ao vivo) - entrelaça no roteiro sucessos do repertório do Clube da Esquina com hits do Skank. Apresentadas como clipes nos extras do DVD e como faixas-bônus no CD, as duas músicas inéditas gravadas pelos artistas para o projeto fonográfico - Dupla chama (composta por Lô com Chico Amaral, parceiro fiel de Samuel desde os primórdios do Skank) e Lampejo (mais uma daquelas canções certeiras feitas por Samuel com Nando Reis) - ilumina e reforça a fina sintonia entre a obra autoral de Lô e o cancioneiro de Samuel. Tal afinidade é alimentada, claro, pelo fato de ambos serem crias e criadores egressos de Belo Horizonte (MG), capital das Geraes. Não por acaso, aliás, o DVD também exibe nos extras o documentário BH e a música de Samuel e Lô. A geografia da música parece importar, pois o som perene do Clube da Esquina - fundado em Belo Horizonte - influenciou a geração de Samuel. E é fato que, em menor grau, o som da geração pop de Samuel também acabou influenciando, duas décadas depois, a obra de Lô. A ponto de os dois terem virados parceiros e estarem na estrada com show que revende os sucessos do Skank e do Clube da Esquina com a bandeira da bela amizade que uniu Lô e Samuel.  Feita com "dois lados que deram as mãos", a feira de hits ainda é moderna.

Kid Abelha anuncia (oficialmente) o fim da banda mais pop do rock brasileiro

♪ O grupo Kid Abelha anunciou oficialmente o fim da banda que entrou em cena em 1982, tendo sido formada no fim de 1981 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Embora a cantora Paula Toller já falasse há um ano, em entrevistas, sobre a (definitiva) saída de cena do trio que integrava com o saxofonista George Israel e o guitarrista Bruno Fortunado (à direita na foto da Christian Gaul), o trio nunca havia se pronunciado oficialmente sobre o fim. Até que comunicado postado na noite de ontem (22 de abril de 2016) em página sobre o Kid Abelha no Facebook - assinado por Paula com George e Bruno - anuncia que o grupo acabou, embora na prática o Kid Abelha já estivesse em recesso desde 2013, após o fim da turnê nacional do show comemorativo dos 30 anos do grupo. Show que, gravado ao vivo, gerou há quatro anos o CD e o DVD Multishow ao vivo - Kid Abelha 30 anos (Microservice, 2012), último título de discografia iniciada em 1983 com a edição, via WEA, de compacto simples que continha as músicas Pintura íntima (Leoni e Paula Toller, 1983) e Por que não eu? (Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna, 1983). O Kid Abelha sai de cena, mas deixa como legado uma discografia coerente - subestimada pela crítica pelo irresistível molde e apelo pop do repertório do grupo - que totaliza 17 álbuns (incluindo disco com remixes e registros de shows). Eis, na íntegra, o texto do comunicado - intitulado Nota de agradecimento e assinado por Paula Toller com George Israel e Bruno Fortunato - que oficializa a (definitiva) saída de cena do trio Kid Abelha:

Nota de agradecimento

Querido fã:

Temos sido chamados para entrevistas sobre nossos projetos atuais e, claro, sempre há alguma pergunta sobre o Kid Abelha, nossa banda durante mais de 30 anos e que nos trouxe grandes alegrias na vida. Com gentileza, procuramos sempre contar a verdade, mas, surpreendidos por algumas publicações equivocadas, estamos fazendo este esclarecimento.

A vontade de experimentar outras formas de criar e o desgaste natural de tanto tempo juntos nos levaram a essa decisão. Optamos por um soft-ending, um final suave, evitando o sensacionalismo, com a convicção de que nossa trajetória vitoriosa sempre se deveu ao entusiasmo e à dedicação sempre renovados a cada disco, cada turnê.

Foram três décadas de sucesso, aventuras, amizade, e também de momentos difíceis, altos e baixos dessa carreira desafiadora que escolhemos. Pela nossa filosofia e pelo amor à música, nunca tivemos o dinheiro como norte, e sim como conseqüência (ou não) de um trabalho original e bem realizado, que se tornou paradigma de pop-rock brasileiro.

Mas faltou o mais importante: agradecer em negrito, com letras garrafais, a você!

Ao fã que nos acompanha há tanto tempo, viajando para nos assistir ao vivo, escrevendo cartas, mandando mensagens e comentando nas redes sociais, elogiando, criticando, se preocupando...a esse amigo, que convida seus amigos a nos ouvir, e cuja vida está marcada através das canções que nós fizemos, e cujo carinho e atenção também marcaram nossas vidas, MUITO OBRIGADO!

Saiba que, do fundo do coração, não nos esqueceremos nem dos aplausos, dos gritos e da voz em coro nos grandes eventos, nem de cada voz isolada num quarto, entoando uma melodia também criada num quarto, na solidão, na vontade de vencer o tédio e a tristeza através de uma canção bonita.

Com amor,

Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Nolasco dilui intenções de músicas de Nando, Rita, Justin e Sam em EP fraco

Resenha de EP
Título: Mariana Nolasco
Artista: Mariana Nolasco
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * 

♪ Somente a crise econômica que aniquila o mercado fonográfico brasileiro - afetando sobretudo as vendas de CDs e DVDs - explica o investimento da gravadora Biscoito Fino no descafeinado som acústico de Mariana Nolasco. Fenômeno adolescente da web, por conta dos milhões de visualizações dos clipes que vem postando no YouTube desde 2011, a cantora e compositora paulista de recém-completados 18 anos lança hoje, 22 de abril de 2016, o EP Mariana Nolasco com registros de quatro criações alheias. Munida da voz ainda imatura e do violão juvenil, Nolasco nada acrescenta à canção All-star (2000), na qual o compositor Nando Reis imprimiu todo o sentimento que nutria pela amiga Cássia Eller (1962 - 2001). Em Reza (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 2012), Nolasco dissolve na levada do ukelele toda a roqueira fúria santa do tema que batizou álbum lançado por Rita Lee há quatro anos. Já a abordagem insossa de Sorry (Justin Bieber, Sonny Moore, Michael Tucker, Julia Michaels e Justin Tranter, 2015) transmuta a canção-hit do repertório do cantor e compositor Justin Bieber da pista electro-house pop original para o universo acústico sem valorizar as intenções da letra. Por fim, ao dar voz anêmica a Stay with me (Sam Smith, Jeff Lynne, Will Fell, Tom Petty e James Napier, 2014), Nolasco dissolve toda a alma soul da canção de Sam Smith, gravada originalmente com coro gospel que valoriza o sentimento dos versos do artista britânico. Enfim, por mais que o pop folk de cantores como o britânico Ed Sheeran estejam em evidência, Mariana Nolasco não diz a que veio como intérprete, soando no EP como nuvem passageira dentre tantas que somem na web, após um tempo de culto, sem deixar vestígios. A edição do disco via Biscoito Fino destoa do nobre histórico de gravadora associada à melhor música produzida no Brasil.

'Bar do Leo' serve os hits de Wanderléa, Chico Rey & Paraná e Christian & Alf

♪ Música composta por Zezé Di Camargo com Fátima Leão e lançada em 1991 nas vozes da dupla Chico Rey & Paraná, Tranque a porta e me beija ganha gravação de Leonardo. A música é uma das 13 composições alinhadas em Bar do Leo, álbum que tem lançamento agendado para a próxima segunda-feira, 25 de abril de 2016, em edição da Sony Music. Em Bar do Leo, projeto que segue a linha do CD e DVD Cabaré (Sony Music, 2014), gravado pelo cantor goiano com o colega mineiro Eduardo Costa, Leonardo também dá voz a Ternura (Somehow it got to be tomorrow  today) (Estelle Levitt e Kenny Karnen em versão de Rossini Pinto, 1965), sucesso de Wanderléa na era da Jovem Guarda. Entre seis músicas inéditas, Bar do Leo requenta sucessos do universo sertanejo como Embriagado de amor (Elias Muniz, 2000), Prazer por prazer (Carlos Randall e Danimar, 1995) - música que deu título a um álbum lançado pela dupla Christian & Ralf há 21 anos - e  Linda, linda (José Fernandez, 1976), entre outros. Do bar pra igreja e O gelo são outras duas músicas do disco.

No quarto disco de estúdio, Ponto atinge equilíbrio pop no fio da fé no reggae

Resenha de álbum
Título: Essa é a nossa música
Artista: Ponto de Equilíbrio
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2

♪ "A embarcação de Jah já vai passar", avisa repetidas vezes o vocalista Helio Bentes através de versos de Chances (Lucas Kastrup), terceira das 14 músicas alinhadas no quarto álbum de estúdio do grupo carioca de reggae Ponto de Equilíbrio. Lançado pela gravadora Som Livre, Essa é a nossa música flagra o sexteto pop em pleno equilíbrio entre a pegada mais palatável do reggae mais pop - representado pela participação da cantora baiana Ivete Sangalo na canção romântica Estar com você (Marcio Sampaio e Helio Bentes), por exemplo - e as fortes tradições da ideologia rastafári, revolvidas no reggae Pra falar de Jah (Lucas Kastrup). Por atingir tal equilíbrio, o álbum Essa é a nossa música soa em em sutil sintonia com o som dos dias de hoje.  O reggae Fio da fé - boa composição assinada por Lucas Kastrup, baterista do grupo - tem batida moderna e guitarra levemente distorcida sem deixar de ecoar o ideário de igualdade e justiça social pregado pelos adeptos do rastafarianismo. Já Direitos iguais (Pedro Pedrada, Helio Bentes e Marcio Sampaio) tem leve dose de dub. Essa é a nossa música dá o recado político sem sair da luz positivista que ilumina os reggae men. E, para dar o recado, o Ponto de Equilíbrio recorre também ao discurso de rappers como o paulistano Emicida e o carioca Gabriel O Pensador, convidados do engajado reggae Seu jogo (Helio Bentes e Emicida) e de Nossa música (Marcelo Gêmeos Campos, Marcos Gêmeos Campos, Paulo Fraiz e Gabriel O Pensador), tema que exalta a deusa música que alimenta a fé do Ponto de Equilíbrio na filosofia humanista dos rastas. Enfim, longe da aura hype que envolve a cena indie da cidade do Rio de Janeiro, o sexteto do bairro carioca de Vila Isabel - formado por Helio Bentes (voz), Marcio Sampaio (guitarra),  Pedro Pedrada Caetano (baixo), Tiago Caetano (teclados), Lucas Kastrup (bateria) e Marcelo Campos (percussão) - segue com coerência na trilha que pavimenta já há 16 anos. A adesão do multi-instrumentista italiano Alborosie - nome conhecido no universo pop pela devoção ao reggae - em Dome o medo (Pedro Pedrada, Juliana Latini e Alborosie) atesta a credibilidade da banda na praia em que o Ponto de Equilíbrio mergulha com propriedade. Verso de A vida de um rastaman - música da qual Alexandre Carlo (voz da banda brasiliense Natiruts) é autor e intérprete convidado - avisa: "Não caia na tocaia, se ligue na missão". O Ponto de Equilíbrio nunca caiu da tocaia do mercado. Mesmo que trilhe por vezes o caminho do pop, o grupo nunca se desviou da rota e da proposta iniciais, como expõe positivamente o álbum Essa é a nossa música.

Single 'Não roba minha brisa' ostenta batida pop do primeiro álbum de Guimê

♪ Disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, 22 de abril de 2016, o single Não roba minha brisa dá a primeira pista oficial sobre o primeiro álbum de MC Guimê, Sou Filho da lua, programado para ser lançado neste primeiro semestre de 2016 em edição da gravadora Warner Music. MC Guimê é o cantor e compositor paulista Guilherme Aparecido Dantas, projetado em 2012 no universo do funk ostentação. Não roba minha brisa mantém Guimê no mundo da ostentação com batida nitidamente mais pop. Previsto de início para ter sido lançado em novembro de 2015, o álbum Sou filho da lua foi gravado com convidados como Claudia Leitte, Emicida, Lexa (na música Fogo, em duo já previamente lançado na web no ano passado), MC Lon, MC Rodolfinho e Negra Li.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Krassik e Mestrinho lançam disco em que tocam Jacob, Sivuca e Villa-Lobos

♪ Gravado em novembro de 2015, o álbum que junta o sanfoneiro sergipano Mestrinho (revelação no toque do acordeom) com Nicolas Krassik (exímio violonista francês radicado na cidade do Rio de Janeiro) está sendo lançado neste mês de abril de 2016 em edição da gravadora Biscoito Fino. Os músicos tocam 11 composições em bela seleção de repertório que inclui os choros Diabinho maluco (Jacob do Bandolim, 1956) e Nilopolitano (Dominguinhos, 1985), além das valsas Desvairada (Garoto, 1950) e João e Maria (Sivuca e Chico Buarque, 1977). O álbum Mestrinho / Nicolas Krassik traz também no repertório o samba Formosa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1965), o arretado baião Feira de mangaio (Sivuca e Gloria Gadelha, 1977) e a sublime Melodia sentimental (Heitor Villa-Lobos, 1958). Na esfera autoral, Mestrinho assina Em minha alma e Um sorriso de esperança. Já Krassik é o compositor de Cordestinos e Serelepe. Os músicos se conheceram quando tocavam com o cantor e compositor baiano Gilberto Gil no show inspirado no álbum Fé na festa (Geléia Geral / Universal Music, 2010). Gil, aliás, avaliza o álbum de Mestrinho com Krassik: "É um disco que junta a extraordinária fluência desses dois grandes instrumentistas com os imensos talentos e uma dedicação  comovente aos gêneros genuínos do amplo território musical  brasileiro".

Roberto Carlos planeja lançar um EP com gravações inéditas no fim de 2016

♪ Sem lançar álbum de músicas inéditas desde 2003, Roberto Carlos vai apostar novamente no EP, formato econômico pelo qual lançou há quatro anos a canção Esse cara sou eu (Roberto Carlos, 2012). Aos recém-completados 75 anos, o cantor e compositor capixaba - em foto de Maurício Contreiras - planeja lançar EP ao fim deste ano de 2016 com gravações inéditas. É provável que o disco apresente uma música realmente inédita entre fonogramas como a regravação de A cigana (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), finalizada recentemente pelo Rei para a trilha sonora da novela Velho Chico.  Se depender da intenção do cantor, parece que o EP vai (mesmo) ser lançado.

Show de Flávio Venturini com 14 Bis e Sá & Guarabyra ganha registro em BH

♪ O show que une Flávio Venturini com o grupo 14 Bis - do qual o cantor mineiro fez parte nas décadas de 1970 e 1980 - e com a dupla Sá & Guarabyra vai ganhar registro ao vivo audiovisual. A gravação ao vivo está programada para ser feita no próximo domingo, 24 de abril de 2016, em Belo Horizonte (MG) diante de plateia de convidados dos artistas - em foto de Jane Monteiro - e dos produtores do show, cujo roteiro está calcado nos sucessos do grupo, da dupla e da discografia solo de Venturini.  Espanhola (Flávio Venturini e Guarabyra,  1977) é presença certa no repertório.

Arlindo Cruz e Thiaguinho entram na festa de 'XV anos' da Turma do Pagode

♪ Em 19 de setembro de 2015, a Turma do Pagode subiu ao palco do Espaço das Américas, na cidade de São Paulo (SP), para fazer e gravar o show comemorativo dos 15 anos de vida do grupo paulistano formado por Rubinho (pandeiro e voz), Caramelo (banjo e voz), Leandro Filé (violão e voz), Marcelinho TDP (cavaco e voz), Thiagão (reco-reco), Neni (repique de mão), Fabiano Art (surdo) e Leiz (tantã e voz). Na ocasião, Arlindo Cruz, Aviões do Forró, Netinho de Paula, Péricles e Thiaguinho entraram na festa da Turma do Pagode, como convidados oficiais da gravação ao vivo produzida por Pezinho, intitulada XV anos - Ao vivo e lançada pela gravadora Sony Music nos formatos de CD e DVD. O CD concentra a farta parcela de músicas inéditas na voz do grupo - 15, ao todo. Entre elas, Aliança no dedo (Ademir Fogaça e Leandro Filé). Já o DVD exibe o show na íntegra. A banda cearense Aviões do Forró dá rasante no roteiro em Puxa, agarra e beija (Flavinho do Kadet, Rafinha RSQ e Tierry Koringa). Arlindo Cruz avaliza Ordem e progresso (Pezinho). Já Thiaguinho entra em cena em Beija aqui (Caramelo e Leiz). Péricles figura apenas no DVD no pot-pourri instrumental que abre o show. Da mesma forma, Netinho de Paula também é visto somente no registro audiovisual do show, no  medley  que encerra a festa dos 15 anos da Turma do Pagode.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Hamilton toca sambas e canções de Chico em CD que traz cantora espanhola

♪ O bandolinista Hamilton de Holanda vai além do samba de Chico Buarque no repertório de Samba de Chico, álbum que chega ao mercado fonográfico a partir de sexta-feira, 22 de abril de 2016, em edição da gravadora Biscoito Fino. Ao longo de 16 músicas alocadas em 15 faixas, Hamilton também toca belas canções de amor dilacerado como Trocando em miúdos (Francis Hime e Chico Buarque, 1977). A cantora espanhola Silvia Pérez Cruz, aliás, solta a voz na canção Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972) e no bolero O meu amor (Chico Buarque, 1977). Samba de Chico (veja capa à esquerda) traz o próprio Chico Buarque em outras duas faixas, os sambas Vai trabalhar vagabundo (Chico Buarque, 1976) e A volta do malandro (Chico Buarque, 1985). Além do inédito tema instrumental autoral que dá lhe dá título, Samba de Chico, o disco traz no repertório músicas como Morena de Angola (Chico Buarque, 1980), Piano na Mangueira (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1992), A Rita (Chico Buarque, 1966), Samba do grande amor (Chico Buarque, 1983), Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque, 1967), Roda viva (Chico Buarque, 1967), A banda (Chico Buarque, 1966), Samba e amor (Chico Buarque,1969) e medley que une duas músicas de 1971, Construção e Deus lhe pague.

Eis a arte integral da capa do CD 'Coleção', a primeira compilação de Marisa

♪ Esta é a arte integral da capa do CD Coleção, a primeira compilação de Marisa Monte, nas lojas a partir de 29 de abril de 2016, em edição do selo Phonomotor Records distribuída via Universal Music. Na íntegra, a arte da capa expõe tela de Francesco Clemente, pintor italiano radicado em Nova York (EUA). De propriedade da cantora carioca, a pintura foi feita em 2010. A embalagem da edição deluxe de Coleção valoriza a arte exposta na capa com luva de acetato e papel texturizado.

Caixa com quatro CDs flagra Zé Renato em fase de afirmação nos anos 1980

Resenha de caixa de CDs
Título: Zé Renato - Anos 80
Artista: Zé Renato
Gravadora: Discobertas
Cotação: * * *

♪ Zé Renato sempre foi bom cantor. Tanto que o artista capixaba começou a trilhar o caminho da música, na segunda metade da década de 1970, como integrante dos grupos vocais Cantares e Boca Livre (com o qual ganhou projeção nacional em 1979). Contudo, Zé Renato teve que enfrentar os anos 1980, difíceis para cantores que se recusaram a rezar pela cartilha tecnopop da época. A caixa Zé Renato - Anos 80 - lançada pelo selo Discobertas para celebrar os 60 anos de vida do artista, festejados no dia 1º deste mês de abril de 2016 - flagra o cantor neste período de afirmação da carreira solo. A veia pop que salta na produção musical e nos arranjos criados por Maurício Maestro para o segundo álbum solo de Zé - o até então raro Luz e mistério (PolyGram, 1984), relançado juntamente com o antecessor Fonte da vida (PolyGram, 1982) na caixa produzida pelo pesquisador Marcelo Fróes - sinaliza que, mesmo sem baixar o nível do repertório como fizeram tantos colegas associados à MPB da década de 1970, o cantor também teve que se enquadrar momentaneamente no formato pop em vigor nos anos 1980. Contudo, gravações como as da lírica canção Estrela (Maurício Maestro, 1984) e do samba Fica melhor assim (Zé Renato e Xico Chaves, 1984) mostram que o universo musical do cantor era mesmo o da música brasileira e que o som de Zé não chegou a se lambuzar com os imponentes teclados da época. Zé Renato gravaria álbuns mais expressivos a partir da década de 1990, beneficiado pela maturação do canto. Contudo, a edição da caixa é mais do que oportuna porque as duas inéditas coletâneas com 24 gravações avulsas da discografia do cantor fazem a festa dos colecionadores de discos (clique aqui para saber detalhes dos repertórios das duas compilações produzidas para a caixa). Para júbilo destes colecionadores, os quatro textos bem fundamentados escritos por Maurício Gouvêa para contextualizar os discos e os respectivos repertórios na trajetória de Zé valorizam as reedições, sobretudo a de Fonte da vida, álbum já reeditado em CD em 2002, com critério e capricho, pela gravadora Universal Music. De todo modo, nos quatro discos há a fonte que alimenta a vida musical de Zé Renato há quase coerentes 40 anos e que jorraria sons mais límpidos a partir dos anos 1990.

Paula grava ao vivo em SP com (quatro) inéditas e Sandy em música de 2011

♪ A IMAGEM DO SOM - Publicada no Instagram de Paula Fernandes, a foto mostra a cantora e compositora mineira com Sandy no palco do Citibank Hall, casa de shows da cidade de São Paulo (SP) onde Paula fez o terceiro registro ao vivo audiovisual de show em apresentações na sexta-feira e no sábado passados, 15 e 16 de abril de 2016. A participação de Sandy na gravação ao vivo - na música Sensações (Paula Fernandes, 2011), lançada originalmente no CD e DVD Paula Fernandes ao vivo (Universal Music, 2011) - aconteceu somente na apresentação do show do dia 15. Ao gravar o show da turnê Amanhecer, Paula Fernandes adicionou quatro músicas inéditas - Eu vim te ver, Olhos de céu, Palavra errada e Passarela do amor - ao roteiro original por conta da gravação.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Ligado à velhice artística, Roberto faz 75 anos escorado em passado glorioso

♪ EDITORIAL - Na noite de hoje, 19 de abril de 2016, Roberto Carlos celebra os 75 anos de vida no palco, fazendo show na cidade natal de Cachoeiro de Itapemirim (ES), onde o cantor e compositor capixaba nasceu em 19 de abril de 1941. Embora levantamento divulgado esta semana pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) aponte música recente do artista, Esse cara sou eu (Roberto Carlos), lançada em novembro de 2012, como a composição do Rei mais tocada nos últimos cinco anos, Roberto completa 75 anos com imagem associada à velhice artística, sem ter tido o público renovado - como aconteceu com colegas de geração como Caetano Veloso e Ney Matogrosso. O excesso de conservadorismo de Roberto na condução da carreira impede que ele seja celebrado como o artista genial que foi da segunda metade da década de 1960 ao início dos anos 1980. O Rei - em foto de Leo Aversa - se acomodou demais com a fidelidade dos súditos, em grande maioria atualmente tão idosos quanto o artista. Mas nada vai apagar o legado do cantor e compositor. Ao comandar as jovens tardes de domingo entre agosto de 1965 e janeiro de 1968, liderando o programa que propagou o primeiro movimento de música pop do Brasil, Roberto inscreveu o nome na história. Mas ele foi além. A partir de 1968, soube fazer de forma inteligente a transição para o universo adulto, reinando ao longo da década de 1970 como o cantor romântico mais popular do Brasil. O reinado continuou nos anos 1980, embora neste década a obra autoral de Roberto Carlos - quase sempre assinada com Erasmo Carlos - tenha sofrido visível processo de decadência que se revelou irreversível ao longo dos tempos. Contudo, ninguém pode tirar a coroa do Rei. O legado de Roberto Carlos - um repertório de grandes canções românticas, que deram lugar ao rock, ao funk e ao soul dos álbuns antológicos da fase 1967-1969 - é a maior virtude e o maior vício do artista. Roberto Carlos reina entre os súditos escorado neste passado de glória. O carisma inigualável e a obra - nunca explicados a contento pela crítica que geralmente minimiza o poder do cantor - credencia o Rei para entrar e permanecer definitivamente na galeria dos ídolos imortais e atemporais da música brasileira. Aos 75 anos, Roberto Carlos não insiste na juventude...

Cristina Braga toca (e canta) Baden, Donato, Edu e Jobim no álbum 'Whisper'

♪ Lançado na Alemanha neste mês de abril de 2016, através do selo Enja, o álbum Whisper - The Bossa Nova Brandengurg Concerto, da artista Cristina Braga, vai chegar ao mercado fonográfico brasileiro a partir de 19 de maio, em edição da gravadora Biscoito Fino. No disco, gravado ao vivo em concerto feito na Alemanha pela harpista, compositora e cantora carioca, Braga se junta a Brandengurger Symphoniker - a orquestra sinfônica de Brandendurgo, cidade onde o recital foi captado  para gerar o disco - e ao Quinteto Moderno de Samba para apresentar repertório formado por temas de compositores como Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Baden Powell (1937 - 2000), Edu Lobo, Francis Hime e João Donato. De Jobim e Newton Mendonça (1927 - 1960), Braga revive Meditação (1959) em dueto bilíngue - em francês e em inglês - com o guitarrista Dado Villa-Lobos, que entra em cena como cantor. Sozinha, a artista sola Canto triste (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1966) no toque da harpa. O repertório inclui Samba triste (Baden Powell e Billy Blanco, 1960), A rã (João Donato e Caetano Veloso, 1974), All mine (Francis Hime e Ruy Guerra, 1986) e Last words, versão em inglês - assinada por Braga com Maria Teresa Moreira - de Últimas palavras (Patrícia Mellodi, 2011). O álbum Whisper eterniza concerto regido pelo maestro brasileiro Tobias Volkmann na Grande Sala do Theatro de Brandenburgo. A mistura de jazz e samba deu bossa nova.

Sem se rebelar, Dori finca cânones da própria obra ao musicar texto de Lago

Resenha de álbum
Título: Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana
Artista: Dori Caymmi (a partir de texto de Mário Lago)
Gravadora: Acari Records
Cotação: * * * 1/2

♪ Na década de 1970, o ator, compositor e poeta carioca Mário Lago (1911 - 2002) ampliou o caráter multimídia da obra militante ao escrever o texto de espetáculo musical de caráter histórico sobre a Conjuração Baiana, movimento de 1798 pela independência do Brasil que culminou, em 8 de novembro de 1799, com o enforcamento dos quatro líderes negros da revolta (João de Deus Nascimento, Lucas Dantas Torres, Luiz Gonzaga das Virgens e Manuel Faustino dos Santos). Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana - disco lançado pela gravadora carioca Acari Records neste mês de abril de 2016 - apresenta as 14 músicas feitas por Dori Caymmi em 2014 a partir do texto inédito do acervo de Lago. O compositor carioca criou as músicas sem se rebelar contra o próprio estilo de música, já naturalmente entranhada nas trilhas mais profundas do Brasil interiorano de rios, matas e sertões. Embora sem apresentar repertório à altura das estupendas safras autorais dos últimos álbuns de Dori, centrados na parceria do artista com o compositor e poeta Paulo César Pinheiro, o CD Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana reitera e finca cânones da obra nacionalista de Dori nas 14 faixas que totalizam meros 27 minutos (a maioria dos temas dura um ou dois minutos). Após a abertura, feita com texto recitado em que o ator Milton Gonçalves comete erro (apontado no encarte do disco) ao situar a morte dos Tiradentes baianos em 1779, a música Cantadores remete de cara ao universo nordestino na rima dos versos entoados por Dori com Sérgio Santos (cantor mineiro identificado com os sons desse Brasil profundo). O disco, aliás, tem time estelar de solistas. Intérpretes de Bateram no boi, as cantoras Joyce Moreno e Mônica Salmaso são nomes recorrentes na ficha técnica do álbum, assim como Sérgio Santos e Renato Braz (grande cantor paulista cuja voz grave e densa se afina com o universo musical de Dori). Em Viver de pecar, Braz forma como Dori, Joyce e Salmaso um quarteto fantástico de intérpretes que entendem o que está sendo cantado. O sotaque lusitano da voz de Roberto Leão - ouvida em Governador, tema gravado somente com o violão de Dori - evoca o Portugal que mantinha o Brasil sobre jugo do qual os quatro bravos Tiradentes baianos tentaram em vão livrar o país a partir do movimento que mobilizou Salvador (BA) e o Recôncavo Baiano. Ouvintes atentos identificarão no arranjo de Como foi - música cantada por Renato Braz - sonoridade que remete à trilha sonora da novela Gabriela (TV Globo, 1975), da qual Dori participou como compositor e arranjador. Talvez pelo toque das flautas, a cargo de Teco Cardoso em Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana. Músico magistral, Teco consegue evocar pelo toque das flautas o clima de luta embutido em Vai isso vai. Por mais que os textos de músicas como A coroa balançou e Número um é o primeiro tenham sido escritos para a cena, as composições - na grande maioria - ganham vida própria no disco. Cantada por Dori com Sérgio Santos no fecho do disco, a sombria Escuro é exemplo de como a música nacionalista de Dori Caymmi deu peso ao texto (já originalmente poético, no caso de Escuro) de Mário Lago, levando Foru 4 Tiradente na Conjuração Baiana para rincões distantes de Brasil que ainda vive sob jugos de forças dominadoras, sinalizando que a revolta continua em cena.

Elétrico aos 81, Donato revitaliza sons dos anos 1970 em álbum instrumental

Resenha de álbum
Título: João Donato
Artista: Donato elétrico
Gravadora: Selo Sesc
Cotação: * * * *

♪ O título da primeira das dez músicas do álbum Donato elétrico, Here's JD (João Donato) é clara resposta jazzy à pergunta feita no título da segunda música, Where's J.D.? (Eumir Deodato e João Donato, 1973), do álbum Donato Deodato (Muse Records, 1973), disco de jazz funk fusion gravado pelo pianista e compositor acriano João Donato com o carioca (também pianista) Eumir Deodato. A referência ao tema de 1973 dá a pista dos caminhos seguidos por João em 2015 na gravação - feita com Donato pilotando piano elétrico Fender Rhodes, além de sintetizadores e teclados analógicos - deste álbum produzido por Ronaldo Evangelista. Disponível somente em edição física em CD à venda em poucas lojas, pela postura arcaica do Selo Sesc de ignorar o já dominante mercado digital de música, Donato elétrico revisita a sonoridade analógica de álbuns igualmente elétricos como A bad Donato (Blue Thumb Records, 1970) sem saudosismo. A novidade reside no toque de músicos da cena contemporânea da cidade de São Paulo (SP). Músicos do coletivo Bixiga 70 se juntaram no estúdio com Donato e com músicos atuais como Guilherme Kastrup - percussionista de temas como Espalhado (João Donato) e Resort (João Donato) - e Gustavo Ruiz, cujo toque da guitarra é ouvido em Soneca de marreco (João Donato). Há aura de jovialidade em torno dos dez temas autorais do álbum instrumental, todos compostos por Donato sem parceiros. Contudo, a jovialidade vem do próprio João Donato, cuja forte personalidade musical deixa Donato elétrico com a cara do músico octagenário. Figura fundamental para a contribuição brasileira ao universo do jazz latino, Donato gravou o disco entre janeiro e agosto de 2015, mês em que completou 81 anos. Donato elétrico é um disco de grooves, pautado pelo toque à moda antiga do Fender Rhodes e pelo balanço leve de sopros que contribuem para deixar o disco caindo sempre no suingue, que adquire tons cubanos em Combustão espontânea (João Donato) e que se desvia para a arretada trilha da música nordestina, via África, em Xaxado de Hércules (João Donato). As dez músicas foram compostas sem letras, mas vocalises de Donato são eventualmente ouvidos no disco, como no tema jazzístico G8 (João Donato) e como no murmúrio do título de Tartaruga (João Donato). Já Frequência de onda (João Donato) sobressai pela classudas cordas orquestradas pelo maestro Laércio de Freitas sem quebrar a unidade do disco, que ostenta cordas arranjadas por outros músicos (inclusive pelo próprio Donato) em outras faixas. Donato elétrico, enfim, é disco antigo, mas não velho. É o primeiro álbum de inéditas do compositor desde Managarroba (Deckdisc, 2002). O repertório autoral se revela sem cacife para acrescentar um clássico ao cancioneiro do artista, inclusive pela ausência de letras, mas isso nada importa porque Donato elétrico apresenta músicas compostas em função da natureza do disco. Ou seja, tudo foi feito a serviço do groove, da alquimia no estúdio entre 25 músicos de diferentes gerações, orquestrados sob a batuta de João Donato, talvez o mais jovem de todos eles.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Com dez músicas, primeiro álbum de Mahmundi sai em maio via StereoMono

♪ Mahmundi se prepara para lançar o primeiro álbum. O lançamento do disco intitulado Mahmundi está programado para 6 de maio de 2016 via StereoMono, selo associado à plataforma Skol Music. Com dez músicas (Azul, Calor do amor, Desaguar, Eterno verão, Hit, Leve, Meu amor, Quase sempre, Sentimento e Wild), o álbum da cantora e compositora Marcela Vale foi precedido em novembro de 2015 pela edição do single Eterno verão (Mahmundi, Felipe Veloso e Lux Ferreira), música que remete ao synth-pop da década de 1980 e que acaba de originar um remix, com ecos de disco music,  produzido por Boss in Drama.  Yugo assina a direção de arte do álbum  Mahmundi.