Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Fiuk tenta ser versão masculina de Anitta no sexista e artificial 'Vira-lata'

Resenha de CD
Título: Vira-lata
Artista: Fiuk
Gravadora: Warner Music
Cotação: * 

É preciso chegar à sexta das 13 faixas do segundo álbum solo de Fiuk - Tá na cara, balada insossa composta e cantada por Filipe Kartalian Ayrosa Galvão com Manu Gavassi, aposta juvenil do produtor Rick Bonadio - para sentir que o disco virou. Antes, da primeira à quinta música, o álbum Vira-lata soa monocórdio por conta de letras sexistas em que Fiuk alardeia ser o pegador fodão. Já na faixa que abre o CD, Agora você quer (Fiuk e Bruno Casagrande), o filho de Fábio Jr. apresenta espécie de versão masculina de Baba, hit da efêmera Kelly Key. Mas, na real, o que o jovem ator e cantor paulista - atualmente com 23 anos - tenta ser mesmo no disco é uma versão masculina de Anitta, a funkeira pop que se tornou uma das sensações do universo pop brasileiro neste ano de 2013 com suas músicas que hasteiam a autoestima feminina em letras que enquadram os pretendentes da popozuda. Basta ouvir Escuta essa (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Fiuk) para sacar que Fiuk - ídolo juvenil cuja popularidade não foi suficiente para fazer seu primeiro disco solo, Sou eu (2011), dar grandes lucros - quer mesmo pegar a onda de Anitta. O que não deve ser visto com surpresa. Afinal, a gravadora de Anitta e Fiuk - Warner Music - é a mesma. E os produtores dos discos de ambos - Mãozinha e Umberto Tavares - também são os mesmos. A propósito, basta ouvir a estéril batida eletrônica de Não fala nada (Fiuk) para perceber que as mãozinhas que formataram os discos são as mesmas. Em Vira-lata, Fiuk também tenta se impor como compositor, mas sua produção autoral - a exemplo do que mostra a balada Tempo (Fiuk e Titto Valle), uma das quatro faixas produzidas por Rick Bonadio - carece de um mínimo de identidade. Tudo soa trivial. E, como Vira-lata não nega a raça ao atirar para todos os lados, os alvos errados são muitos. Com o recorrente tom machista e sexista do disco, Toma toma (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Thiago Moraes) é flerte com o funk populista, feito com a adesão de MC Sapão. Sou do bem é incursão pelo universo do hip hop, feita ao lado do rapper paulista Rappin' Hood, parceiro e convidado de Fiuk no tema. Já Eu não sou normal (Thiaguinho e Rodriguinho) é pisada - em falso - no terreno do pagode pop de Thiaguinho, com quem Fiuk alardeia sua fama de pegador na faixa. Em disco em que tudo parece calculado, até o reencontro de Fiuk com seu pai Fábio Jr. em Caso sério (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Altair Lima) - faixa pontuada pelo balanço industrializado do disco e gravada com citação de Mas que nada (Jorge Ben Jor, 1963) - soa tão artificial quanto a música romântica do álbum, Fora de alcance (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Alexandre Lucas), faixa escolhida pela Warner Music para promover o disco, em indício de que a gravadora não confia tanto no taco de Fiuk como pegador. A propósito: versão em português de Best night out, Nocaute (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Edu Cruz) bate na tecla da pegada do amante latino. Já os versos da roqueira Foda-se (Fiuk e Bruno Casagrande) fazem voltar a impressão de que Vira-lata foi feito para pôr Fiuk no baile de Anitta. Só que, se uma mulher dando a decisão no eleitorado masculino ainda tem um certo charme (apesar de o repertório de Anitta ser quase tão ruim quanto o de Fiuk), um cara tentando se afirmar como pegador soa meramente bobo e chato.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

É preciso chegar à sexta das 13 faixas do segundo álbum solo de Fiuk - Tá na cara, balada insossa composta e cantada por Filipe Kartalian Ayrosa Galvão com Manu Gavassi, aposta juvenil do produtor Rick Bonadio - para sentir que o disco virou. Antes, da primeira à quinta música, o álbum Vira-lata soa monocórdio por conta de letras sexistas em que Fiuk alardeia ser o pegador fodão. Já na faixa que abre o CD, Agora você quer (Fiuk e Bruno Casagrande), o filho de Fábio Jr. apresenta espécie de versão masculina de Baba, hit da efêmera Kelly Key. Mas, na real, o que o jovem ator e cantor paulista - atualmente com 23 anos - tenta ser mesmo no disco é uma versão masculina de Anitta, a funkeira pop que se tornou uma das sensações do universo pop brasileiro neste ano de 2013 com suas músicas que hasteiam a autoestima feminina em letras que enquadram os pretendentes da popozuda. Basta ouvir Escuta essa (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Fiuk) para sacar que Fiuk - ídolo juvenil cuja popularidade não foi suficiente para fazer seu primeiro disco solo, Sou eu (2011), dar grandes lucros - quer mesmo pegar a onda de Anitta. O que não deve ser visto com surpresa. Afinal, a gravadora de Anitta e Fiuk - Warner Music - é a mesma. E os produtores dos discos de ambos - Mãozinha e Umberto Tavares - também são os mesmos. A propósito, basta ouvir a estéril batida eletrônica de Não fala nada (Fiuk) para perceber que as mãozinhas que formataram os discos são as mesmas. Em Vira-lata, Fiuk também tenta se impor como compositor, mas sua produção autoral - a exemplo do que mostra a balada Tempo (Fiuk e Titto Valle), uma das quatro faixas produzidas por Rick Bonadio - carece de um mínimo de identidade. Tudo soa trivial. E, como Vira-lata não nega a raça ao atirar para todos os lados, os alvos errados são muitos. Com o recorrente tom machista e sexista do disco, Toma toma (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Thiago Moraes) é flerte com o funk populista, feito com a adesão de MC Sapão. Sou do bem é incursão pelo universo do hip hop, feita ao lado do rapper paulista Rappin' Hood, parceiro e convidado de Fiuk no tema. Já Eu não sou normal (Thiaguinho e Rodriguinho) é pisada - em falso - no terreno do pagode pop de Thiaguinho, com quem Fiuk alardeia sua fama de pegador na faixa. Em disco em que tudo parece calculado, até o reencontro de Fiuk com seu pai Fábio Jr. em Caso sério (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Altair Lima) - faixa pontuada pelo balanço industrializado do disco e gravada com citação de Mas que nada (Jorge Ben Jor, 1963) - soa tão artificial quanto a música romântica do álbum, Fora de alcance (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Alexandre Lucas), faixa escolhida pela Warner Music para promover o disco, em indício de que a gravadora não confia tanto no taco de Fiuk como pegador. A propósito: versão em português de Best night out, Nocaute (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Edu Cruz) bate na tecla da pegada do amante latino. Já os versos da roqueira Foda-se (Fiuk e Bruno Casagrande) fazem voltar a impressão de que Vira-lata foi feito para pôr Fiuk no baile de Anitta. Só que, se uma mulher dando a decisão no eleitorado masculino ainda tem um certo charme (apesar de o repertório de Anitta ser quase tão ruim quanto o de Fiuk), um cara tentando se afirmar como pegador soa meramente bobo e chato.

Felipe dos Santos disse...

Olha, em sete anos lendo Notas Musicais, acho que só tinha visto um trabalho levar a cotação mínima: o "A casa amarela" de "Veveta" Sangalo e "Saulinho" Fernandes.

Mas dá pra concordar. Se nem "Sou eu", trabalho lançado quando Fiuk estava nas alturas, fez tanto sucesso assim, difícil acreditar que um álbum artificial como esse resolva isso.

Mais difícil ainda é acreditar que seja bom. Infelizmente. Porque, se é para termos cantores populares na linha do "pegador", Naldo (Benny) já faz isso muito bem - embora seja de qualidade discutibilíssima. Não carece, Filipe.

Felipe dos Santos Souza

Doug Carvalho disse...

Mauro, meu querido, nem sei pq você perde seu tempo escrevendo sobre isso.

O que Fiuk faz não é música a sério. Ele é só um cara lindozinho filho de um senhor que foi lindozinho a 30 anos atrás tentando assumir o cetro no coração das meninas bobinhas que gritam histericamente e sequer se importam com o que ele está cantando.

Se fosse feio (e/ou filho de ninguém) não iam deixar sequer passar pela porta de uma gravadora.

Estalactites hemorrágicas disse...

Pre-pa-ra:
Des-nes-ces-sá-rio.

Ricardo Sérgio

Rhenan Rodrigo disse...

Muitas pérolas nessa resenha! HHAHAAHHAHAHA!