Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Álbum 'pessoal' de Spears, 'Britney Jean' afunda na artificialidade do som

Resenha de CD
Título: Britney Jean
Artista: Britney Spears
Gravadora: RCA Records / Sony Music
Cotação: * *

Em essência, o oitavo álbum de estúdio de Britney Spears foi concebido para soar como o mais pessoal da da discografia irregular dessa cantora e compositora norte-americana. O título Britney Jean - reminiscência de apelido familiar recebido na infância - teria sido escolhido para reforçar esse tom confessional. Mas o fato é que Britney Jean sucumbe à artificialidade das batidas formatadas por seu time de produtores e resulta chato. Até porque, no quesito produção, o álbum anterior da artista, Femme fatale (2011), era bem mais interessante. Bom disco que versou sobre o brilho efervescente do universo dance, Femme fatale teve singles arrasadores como Hold it against me e Till the world ends. Britney Jean parece ficar no meio do caminho. Quando Britney se joga na pista com will.i.am, em It shoud be easy, parece que ambos já fizeram isso com mais energia e inspiração. Quanto Britney esboça alguma emoção real, admitindo vulnerabilidades nos versos de Alien (fluente faixa pilotada por William Orbit  & HyGrade), parece que o álbum faz jus a uma artista que já contabiliza 32 anos de vida, alguns marcados por forte turbulência emocional. Contudo, Britney Jean não investe a fundo nesse inventário pessoal, afundando na artificialidade de seu som. De qualquer modo, músicas como PassengerPerfumeTik tik - faixa na qual o rapper norte-americano T.I. figura como convidado - e Til it's gone soam pouco sedutoras, ficando abaixo da média (já baixa) do repetório de Spears. Britney Jean é álbum assustadoramente fraco, em que pese ter sido formatado por grifes da indústria do disco como Diplo. Fica difícil identificar a pegada pop do DJ francês David Guetta na batida eurodance de Boby ache, por exemplo. Entre tanta música ruim, a já conhecida Work bitch - a faixa formatada por nomes como Sebastian Ingrosso e Otto Knows que iniciou em setembro os trabalhos promocionais de Britney Jean - até se impõe como destaque de repertório que inclui Chillin' with you, r & b sem alma que junta Britney com sua afinada irmã Jamie Lynn. Don't cry finaliza o álbum com delicadeza que parece também calculada. Para Britney Spears fazer um álbum realmente pessoal, ela precisa primeiramente se livrar das já desgastadas fórmulas de sucesso das paradas norte-americanas.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Em essência, o oitavo álbum de estúdio de Britney Spears foi concebido para soar como o mais pessoal da da discografia irregular dessa cantora e compositora norte-americana. O título Britney Jean - reminiscência de apelido familiar recebido na infância - teria sido escolhido para reforçar esse tom confessional. Mas o fato é que Britney Jean sucumbe à artificialidade das batidas formatadas por seu time de produtores e resulta chato. Até porque, no quesito produção, o álbum anterior da artista, Femme fatale (2011), era bem mais interessante. Bom disco que versou sobre o brilho efervescente do universo dance, Femme fatale teve singles arrasadores como Hold it against me e Till the world ends. Britney Jean parece ficar no meio do caminho. Quando Britney se joga na pista com will.i.am, em It shoud be easy, parece que ambos já fizeram isso com mais energia e inspiração. Quanto Britney esboça alguma emoção real, admitindo vulnerabilidades nos versos de Alien (fluente faixa pilotada por William Orbit & HyGrade), parece que o álbum faz jus a uma artista que já contabiliza 32 anos de vida, alguns marcados por forte turbulência emocional. Contudo, Britney Jean não investe a fundo nesse inventário pessoal, afundando na artificialidade de seu som. De qualquer modo, músicas como Passenger, Perfume, Tik tik - faixa na qual o rapper norte-americano T.I. figura como convidado - e Til it's gone soam pouco sedutoras, ficando abaixo da média (já baixa) do repetório de Spears. Britney Jean é álbum assustadoramente fraco, em que pese ter sido formatado por grifes da indústria do disco como Diplo. Fica difícil identificar a pegada pop do DJ francês David Guetta na batida eurodance de Boby ache, por exemplo. Entre tanta música ruim, a já conhecida Work bitch - a faixa formatada por nomes como Sebastian Ingrosso e Otto Knows que iniciou em setembro os trabalhos promocionais de Britney Jean - até se impõe como destaque de repertório que inclui Chillin' with you, r & b sem alma que junta Britney com sua afinada irmã Jamie Lynn. Don't cry finaliza o álbum com delicadeza que parece também calculada. Para Britney Spears fazer um álbum realmente pessoal, ela precisa primeiramente se livrar das já desgastadas fórmulas de sucesso das paradas norte-americanas.

Daniel disse...

Embora eu tenha achado o album confuso e aquem das expectativas, nao achei tao fraco. Embora a sonoridade EDM predominante passe a falsa impressão de que o album nao é pessoal, mesmo nas musicas com batidas aceleradas as composicoes - todas assinadas por ela - tem letras em tom confessional. A propria Britney ja explicou em uma entrevista faixa por faixa. Contudo, embora há faixas otimas e com potencial pra hit - mas que provavelmente nao serao devido ao descaso da cantora com a divulgaçao do material - como Passenger e Till its Gone e ate a otima bonus track Now That I Found You, o album ficou muito sem coesao. Parece que ela estava com muitas ideias e ficou com medo de ir a fundo em alguma e nao fez nem uma coisa nem outra. Tik tik boom e chillin with you mostram uma pegada mais urban que ela tinha anunciado que ja seguiria, mas há tambem um monte de faixas EDM, que embora nao sejam ruins, nao trazem nada de novo como Body Ache, Work Bitch. E há ainda os sons mais organicos e puramente pop, tendendo até pro rock-indie - Dont Cry por exemplo foi produzida pelo Foster The People - como Passenger, Alien e Perfume, que caso moldassem a sonoridade de todo o album acredito que fosse algo mais interessante e inovador. Acredito que grande parte da contribuiçao pela confusao da sonoridade se deve a pouca eficiencia do will i am na produção executiva do album. Contudo, ficam como pontos positivos os vocais dela, que foram muito bem explorados, com pouco autotune e dá pra ver a técnica dela em vibratos, falsetes, notas longas etc. Os graves de Perfume por exemplo e a pegada roqueira do refrao de Passenger ficaram muito interessantes. Prefiro o Femme Fatale, contudo nao acho que esse album seja de todo descartavel. Foi bom pra mostrar um momento de transiçao dela como artista, que deve se concretizar no proximo album, onde ela seguira mais pro lado EDM, urban ou indie pop. Tomara que fuja do já desgastado EDM.

aguiar_luc disse...

Poxa Mauro 2 estrelas, quanta bondade! Não merece nem o trabalho que você teve de escrever! Dessa vez nada a ajudou nem o auto-tune!

Alexandre Tex disse...

Lixo total. Já passou da hora de Britney Spears cair na real e se aposentar de vez.

Alexandre Tex disse...

Lixo total. Já está mais do que na hora de Britney Spears cair na real e se aposentar de vez.