Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Daniela é o canto da diversidade em CD com grupo Cabeça de Nós Todos

Resenha de CD
Título: Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos
Artista: Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos
Gravadora: Eldorado
Cotação: * * * 

Negra demais no repertório e no coração apaixonado, Daniela Mercury celebra o canto da diversidade afetiva e musical em álbum de estúdio gravado em 2012 com o grupo baiano Cabeça de Nós Todos e lançado neste último trimestre de 2013, um ano após sua gênese e feitura. "Qualquer maneira de amor vale o canto", determina a cantora através de verso de Paula e Bebeto (Caetano Veloso e Milton Nascimento, 1975), regravação que adquire sentido especial no disco dedicado pela assumida Daniela à sua companheira Malu Verçosa. Com capa que exibe ilustração do artista plástico Herbert Loureiro, o CD Daniela Mercury & Cabeça de Nós Todos traz a cantora de volta à reativada gravadora Eldorado, companhia por onde debutou na carreira solo, em 1991, com disco que mostrou a cor negra do swing e do canto caloroso da menina baiana, hoje senhora de carreira que vem sendo pavimentada em trilhos já independentes. O samba dita o ritmo do repertório essencialmente inédito, mas o iê iê iê pop romântico Sei lá (Aila Menezes, Leonardo Reis, Emerson Taquari, Mikael Mutti e Sérgio Rocha) - alocado já na abertura do disco - sinaliza que o canto de Daniela já pode ser de qualquer tempo ou lugar. Chato flash nostálgico de amor de juventude, Carteira de estudante (Leonardo Reis, Magary Lord e Peu Meurray) reabre a cortina do passado afetivo com suingue cool, reiterando o romantismo embutido em parte do desigual repertório com a harmoniosa combinação das vozes dos integrantes do Cabeça de Nós Todos. Sinto (Deco Simões, Emerson Taquari e Sérgio Rocha) joga cantora e grupo na praia do pop reggae. Mas é na cadência bonita do samba que o balé mulato ganha cor e movimento. Com ginga, Tira onda (Leonardo Reis, Emerson Taquari e Peu Meurray) cai no suingue da malandragem carioca. De olho na Copa do Mundo de 2014, a ser disputada no Brasil, Neguinho maravilha (Mikael Mutti) traça no compasso do samba o perfil de garoto que vai do morro aos campos de futebol, com ritmo que acelera no pique de um passe veloz. Nesse mesmo campo, Cheia de graça (Daniela Mercury e Gabriel Póvoas) exalta a bola que corre nos gramados com suingue derivado e diluído da obra-matriz de Jorge Ben Jor. "Sou o canto da cidade", lembra Daniela em verso de Alma feminina (Aila Menezes e Mikael Mutti), música lançada pela cantora em novembro de  2012. Introduzida por berimbau, Alma feminina é samba-reggae sustentado pelo baticum do gênero que pauta a azeitada regravação de Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969), saudação que integra os cantos das cidades de Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) ao embutir na batida do samba-reggae toques da batucada carioca, do samba-rock e do samba-funk. Já Vai ser como o rei mandar (Aila Menezes e Mikael Mutti) abre a roda para celebrar o samba da Bahia com direito à citação de Todo menino é um rei (Zé Luiz e Nelson Rufino, 1978), sucesso do cantor fluminense Roberto Ribeiro (1940 - 1996). Única faixa captada ao vivo, Couchê (Adson Tapajós, Zeca Brasileiro e Sérgio Rocha) desencava mais a raiz africana, festejando o semba herdado de Angola. Instante de menor cor e pulsação rítmica, Seda azul (Deco Simões e Karina Faria) é entoada em dueto, no tempo da delicadeza, mas culmina com o canto a capella de Daniela Mercury, artista negra demais no coração e consciente de que qualquer maneira de amor vale o canto da diversidade.

15 comentários:

Mauro Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo disse...

A voz da Daniela está completamente desgastada. Passo!!!

Bruno Cavalcanti disse...

Nossa, discordo completamente com a afirmação do Marcelo. Acho que a voz da Daniela não só continua com o viço de outrora como continua sendo a voz mais forte, bonita e expressiva das cantoras da sua geração (e do mundo do axé).
Achei esse disco ótimo apesar de algumas canções fraquíssimas (Carteira de Estudante é uma delas, chaaaata), mas "Neguinho Maravilha" e as regravações de "Aquele Abraço" e "Paula e Bebeto" achei incríveis.

Sam disse...

Você como sempre sensato e conhecedor Mauro, parabéns, eu curti muito esse novo trabalho da Daniela, mostra o quanto ela é uma cantora versátil e ousada, pra mim ela ainda continua sendo uma das rainhas da nossa música,

Abraço.

Qualquer Coisa disse...

Canibalismo Cultural.
Essa capa lembra a do primeiro disco do Secos e Molhados, cujo banquete antropofágico, por sua vez, remetia à Tropicália, que se inspirou na semana de 22, e assim por diante...

Geilson Lopes disse...

...huuuum, o CD poderia ter encarte...e também Andarilho encantado e Princesa do agreste...no mais, é essa Daniela que gosto!

Sedjedo disse...

Fórmula batida e músicas pouco inspiradas. Passo!

Maria disse...

Digo e repito: a irmã Vânia Abreu é melhor cantora que ela pena que não teve a mesma sorte.

aguiar_luc disse...

O Cd é ótimo, Daniela continua subindo a ladeira desde o Balé Mulato e discordo de todos em relação a Carteira de Estudante, é uma canção tão saudosa, achei linda! Neguinho é perfeita e Seda Azul amoooo!
Maria!! Vania Abreu é ótima sim, porém deveria arricar-se mais e se lançar no mundo independente, pois no alternativo ela já encontra-se a um bom tempo; tenho todos os cds da Vânia e espero pelo DVD gravado a mil e quinhentos anos luz! Beijos e viva a negritude!

Maria disse...

Aguiar_luc nunca fui fã de Daniela Mercury, mas reconheço que ela já teve uma fase audível diga-se de passagem com o Feijão com Arroz que ela lançou em 1996, a capa do disco é bem expressiva e bonita.
A sua irmã como eu citei me agrada mais tanto como cantora quanto pelo repertório é apenas minha opnião Abraços.

Eduardo Cáffaro disse...

Não acho esse Cd pra comprar, na saraiva estava em pre venda, agora ja consta disponivel, mas nas lojas fisicas não tem.

Fernando Lima disse...

Daniela optou, nesse disco, por cantar em tons altos, na maioria das músicas, e perdeu o equilíbrio. Pena... preferiu ofuscar seu belo canto de outrora para mostrar que tem voz potente. É muito grito e escândalo para um disco só...

Icaro disse...

Que saudades da antiga Daniela :/
Canibália foi o último trabalho que eu gostei (e não muito...)

Rubens disse...

Eu fico impressionado em como as pessoas se apegam a uma época e não se soltam nunca dela. O mesmo fazem com cantores e o saudosimo que insistem em manter a um determinado período da carreira. É inaceitável um artista ficar estagnado a uma época porque tudo muda, tudo se modifica, como ela mesma já cantou. Daniela tem uma trajetória brilhante na música brasileira. Ela nunca se estagnou e sempre buscou diferentes sonoridades e musicalidades brasileiras sem nunca descaracterizar suas raízes bahianas. Ela foi a mediadora entre a cultura regional e a música popular brasileira mais expressiva que tivemos desde quando ela apareceu no cenário, além de conseguir juntar tudo isso em uma linguagem popular incrível. Tudo isso porque ela tem uma visão artística muito sólida daquilo que quer, algo que sentimos carência nos artistas atuais, que estão preocupados em gravar hits, e não músicas, como ela faz. Óbvio que Daniela também não escapa de períodos menos expressivos, como em Sou de Qualquer Lugar (2001), um trabalho bastante equivocado e comercialmente direcionado. Há também trabalhos que alguns gostam mais e outros menos. Isso é bastante natural, e não se discute, assim como também não se discute a qualidade e a densidade dos seus trabalhos. Daniela é cantora, intérprete, produtora e compositora, banhada e inspirada por todas as outras expressões artísticas... Definitivamente uma artista completa. Ela é aquilo que muitos deixam de ser. É muita coisa pra uma pessoa só, e isso deve ser respeitado.

Unknown disse...

Gostei do album..talvez nao seja o melhor,mas e um bom disco e chega a ser superior que "sou de qualquer lugar".