Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

EP 'Remixed' de Roberto Carlos está fora de sintonia com público do 'Rei'

Resenha de EP
Título: Remixed
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 

A vultosa tiragem inicial de 300 mil cópias de Remixed - o EP que reúne cinco remixes de sucessos de Roberto Carlos - deixa claro que a gravadora Sony Music alimenta esperanças de que o disco possa roçar ou mesmo repetir o fenomenal sucesso comercial do EP Esse cara sou eu (2012), campeão de vendas do mercado fonográfico brasileiro no ano passado. Vai ser difícil... Posto nas lojas no início deste mês de dezembro de 2013, o EP Remixed chega às lojas com ar de disco velho. O projeto teria mais sentido e peso em 2002 quando, aliás, Roberto inseriu dois remixes - um de Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) e outro de O Calhambeque (Road dog) (John Loudermilk e Gwen Loudermilk em versão de Erasmo Carlos, 1963) - no álbum que lançou naquele ano. Em 2002, tudo ainda poderia soar como novidade. Onze anos depois, Remixed soa como um disco produzido - pelo DJ Felipe Venâncio, sob a direção de Dody Sirena, empresário de Roberto - para cumprir contrato enquanto o cantor não lança (se é que ainda vai lançar...) o disco de inéditas que promete há sucessivos anos. Fora de sintonia com o espírito de um disco de atmosfera em tese jovial, a capa azul de Remixed traduz na embalagem tradicional o conservadorismo de Roberto. Um apego excessivo às tradições que vem fazendo com que sua obra soe embalsamada desde os anos 1990. E não serão estes cinco corretos remixes - com menção honrosa para a vibrante transposição de Se você pensa para as pistas pelo time formado pelos DJs Erick Morillo, Harry Romero & Jose Nunes - que vão alterar o status dessa obra. Aliás, Remixed corre o risco de ser rejeitado tanto pela plateia jovem que frequenta baladas - antenada com as últimas tendências da cena dance - quanto pelo público idoso que compra os discos de Roberto. Público, aliás, tão conservador quanto seu Rei. Texto enviado pela gravadora Sony Music com a edição promocional de Remixed alardeia que as versões para as pistas de hits do cantor vem fazendo sucesso nos cruzeiros capitaneados por Roberto. Sim, pode até ser que, ao vivo, numa festa pós-show, a execução desses remixes surta algum efeito. No CD-player da casa, tais remixes soam meramente curiosos. Se o DJ Felipe Venâncio cria sua versão house para O portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974), diluindo a melancolia embutida na canção, o DJ Memê usa toda sua experiência para jogar Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982) na pista na versão Club mix que já vem sendo ocasionalmente apresentada nos shows de Roberto desde 2012. Umas das referências do som techouse nativo, o DJ Mau Mau injeta suingue no rockabilly É proibido fumar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1964), hit seminal do cantor na fase pré-Jovem Guarda. Completa o EP o moderno remix de É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968)  feito por Dexterz, o trio paulista de música eletrônica formado por Julio Torres, Amon Lima e Junior Lima. Enfim, a embalagem déjà vu de Remixed é o maior indício de que o EP que joga o Rei na pista não é o que poderia ser. É o que permite ser esse cara chamado Roberto Carlos, atualmente dedicado a reciclar a obra genial que criou de 1963 a 1983. É um caso de apego excessivo às suas tradições que não, já não tem solução.

10 comentários:

Mauro Ferreira disse...

A vultosa tiragem inicial de 300 mil cópias de Remixed - o EP que reúne cinco remixes de sucessos de Roberto Carlos - deixa claro que a gravadora Sony Music alimenta esperanças de que o disco possa roçar ou mesmo repetir o fenomenal sucesso comercial do EP Esse cara sou eu (2012), campeão de vendas do mercado fonográfico brasileiro no ano passado. Vai ser difícil... Posto nas lojas no início deste mês de dezembro de 2013, o EP Remixed chega às lojas com ar de disco velho. O projeto teria mais sentido e peso em 2002 quando, aliás, Roberto inseriu dois remixes - um de Se você pensa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) e outro de O Calhambeque (Road dog) (John Loudermilk e Gwen Loudermilk em versão de Erasmo Carlos, 1963) - no álbum que lançou naquele ano. Em 2002, tudo ainda poderia soar como novidade. Onze anos depois, Remixed soa como um disco produzido - pelo DJ Felipe Venâncio, sob a direção de Dody Sirena, empresário de Roberto - para cumprir contrato enquanto o cantor não lança (se é que ainda vai lançar...) o disco de inéditas que promete há sucessivos anos. Fora de sintonia com o espírito de um disco de atmosfera em tese jovial, a capa azul de Remixed traduz na embalagem tradicional o conservadorismo de Roberto. Um apego excessivo às tradições que vem fazendo com que sua obra soe embalsamada desde os anos 1990. E não serão estes cinco corretos remixes - com menção honrosa para a vibrante transposição de Se você pensa para as pistas pelo time formado pelos DJs Erick Morillo, Harry Romero & Jose Nunes - que vão alterar o status dessa obra. Aliás, Remixed corre o risco de ser rejeitado tanto pela plateia jovem que frequenta baladas - antenada com as últimas tendências da cena dance - quanto pelo público idoso que compra os discos de Roberto. Público, aliás, tão conservador quanto seu Rei. Texto enviado pela gravadora Sony Music com a edição promocional de Remixed alardeia que as versões para as pistas de hits do cantor vem fazendo sucesso nos cruzeiros capitaneados por Roberto. Sim, pode até ser que, ao vivo, numa festa pós-show, a execução desses remixes surta algum efeito. No CD-player da casa, tais remixes soam meramente curiosos. Se o DJ Felipe Venâncio cria sua versão house para O portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974), diluindo a melancolia embutida na canção, o DJ Memê usa toda sua experiência para jogar Fera ferida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982) na pista na versão Club mix que já vem sendo ocasionalmente apresentada nos shows de Roberto desde 2012. Umas das referências do som techouse nativo, o DJ Mau Mau injeta suingue no rockabilly É proibido fumar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1964), hit seminal do cantor na fase pré-Jovem Guarda. Completa o EP o moderno remix de É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970) feito por Dexterz, o trio paulista de música eletrônica formado por Julio Torres, Amon Lima e Junior Lima. Enfim, a embalagem déjà vu de Remixed é o maior indício de que o EP que joga o Rei na pista não é o que poderia ser. É o que permite ser esse cara chamado Roberto Carlos, atualmente dedicado a reciclar a obra genial que criou de 1963 a 1983. É um caso de apego excessivo às suas tradições que não, já não tem solução.

Anônimo disse...

Quer conhecer um artista - ou sua atual fase?
Olhe para o seu público.

Cassius Burle disse...

Espetacular resenha de Mauro Ferreira sobre este novo produto de Roberto Carlos. Lembremos de um importante fato: O público que ouvia e idolatrava o Rei nos anos 60 e 70 já está se tornando um público idoso,muitos até já morreram. O que se houve neste enfadonho EP é a tentativa desesperada de se renovar o público já cansado de Roberto e também de se ter a cada fim de ano um ´produto´com seu nome.Que Roberto é o maior nome da história da MPB não se discute,sendo suas músicas totalmente atemporais,mas
o que entristece é ver o Rei, outrora tão cuidadoso com sua obra, se permitir uma bobagem como este disco. Mas nada deve ser pior do que ouvi-lo cantar em dueto com a horrenda Anitta em seu especial de fim de ano....

Eduardo Cáffaro disse...

Se pelo menos ele começasse o show com outra música né ? Mas ha 40 anos que abre o show com Emoções...nem minha vó quer assistir mais ...palavras dela : puxa, mas é sempre a mesma coisa !

Fabio disse...

Vergonha alheia!

paulo sergio disse...


Os produtores pensam que podem ditar o que é bom gosto.
Pobre música.Pobre teatro, Pobre cinema. Pobre arte em geral.
É como um homem pré histórico de roupa nova.
Sem fazer a barba.
Sem cortar o cabelo.

Marcelo disse...

Decadente...

Damião Costa disse...

Roberto não finalizou o cd de inéditas e por questões contratuais a Sony lançou esse ep.Em 1994 Roberto retirou Emoções da abertura do show as críticas choveram outra tentativa foi tirar Detalhes do show outra enxurrada de críticas. SE CORREE O BICHO PEGA SE FICAR O BICHO COME.

Damião Costa disse...

Roberto não finalizou o cd de inéditas e por questões contratuais a Sony lançou esse ep.Em 1994 Roberto retirou Emoções da abertura do show as críticas choveram outra tentativa foi tirar Detalhes do show outra enxurrada de críticas. SE CORREE O BICHO PEGA SE FICAR O BICHO COME.

mauricio dias disse...

Vamos combinar que este CD de inéditas não existe, né?!