Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Disco calcado no r & b eletrônico, 'Beyoncé' consolida a virada da artista

Resenha de CD
Título: Beyoncé
Artista: Beyoncé Knowles
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Para início de conversa, Beyoncé - o quinto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Beyoncé Knowles, lançado de surpresa no iTunes na madrugada de 13 de dezembro de 2013 - é inferior ao seu antecessor 4 (2011). Mas consolida a virada que Mrs. Carter ensaiou em 4, seu álbum mais coeso, criado com influências de Fela Kuti (1938 - 1997) e Jackson 5. Em Beyoncé,  álbum de tonalidade sensual e por vezes soturna, calcado no r & b eletrônico, a artista tenta se livrar das fórmulas da indústria fonográfica norte-americana, que vem fabricando cantoras em série padronizada. A triste ironia é que inexistem em Beyoncé singles matadores como Halo, If I were a boy e Single ladies, megahits do duplo e irregular I am... Sasha Fierce (2008). Para aplacar a sede insaciável do mercado, a romântica Xo e sobretudo a balada Heaven se insinuam como possíveis sucessos, mas Heaven chega quase ao fim do disco, encerrado com Blue, faixa na qual se ouve a voz de Blue Ivy, a filha de Beyoncé com o rapper Jay-Z. Contudo, Beyoncé - um visual album na concepção da artista, já que há um vídeo para cada música na edição dupla que junta CD (com 14 músicas) e DVD (com 17 clipes) - parece desprezar esse mercado mais imediatista. Ou, ao menos, finge desprezá-lo - a começar pelo fato de ter subvertido as regras do jogo fonográfico ao ser jogado no iTunes de surpresa, sem aviso prévio. O que gerou protestos e até boicoite de redes de lojas dos Estados Unidos contra a primazia digital. Musicalmente, vídeos à parte, salta aos ouvidos a pegada r & b menos industrializada de composições como Rocket e Pretty hurts (crítica ao culto à beleza perfeita que soa falsa). De todo modo, no caso de Beyoncé, os vídeos são parte fundamental do álbum. Os clipes reforçam a carga erótica de músicas Partition e Drunk in love. As doses de sensualidades são tão fartas quanto as de eletrônica, mote de Haunted, Ghost e de outras faixas de Beyoncé. A conexão com o rapper Frank Ocean em Superpower também merece menção. Outro rapper, Drake, aparece em Mine, reforçando a sensação de que, qualquer que seja o jogo, o universo do hip hop jamais pode ser descartado. Enfim, Beyoncé tem o mérito de sacudir a discografia de Beyoncé. Os animadores resultados comerciais iniciais - frutos tanto do impacto com que o álbum foi lançado quanto do interesse do público no visual album da artista - sinalizam que Beyoncé pode estar na direção certa. Mas que faltou o single, faltou...

11 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Para início de conversa, Beyoncé - o quinto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Beyoncé Knowles, lançado de surpresa no iTunes na madrugada de 13 de dezembro de 2013 - é inferior ao seu antecessor 4 (2011). Mas consolida a virada que Mrs. Carter ensaiou em 4, seu álbum mais coeso, criado com influências de Fela Kuti (1938 - 1997) e Jackson 5. Em Beyoncé, álbum de tonalidade sensual e por vezes soturna, calcado no r & b eletrônico, a artista tenta se livrar das fórmulas da indústria fonográfica norte-americana, que vem fabricando cantoras em série padronizada. A triste ironia é que inexistem em Beyoncé singles matadores como Halo, If I were a boy e Single ladies, megahits do duplo e irregular I am... Sasha Fierce (2008). Para aplacar a sede insaciável do mercado, a romântica Xo e sobretudo a balada Heaven se insinuam como possíveis sucessos, mas Heaven chega quase ao fim do disco, encerrado com Blue, faixa na qual se ouve a voz de Blue Ivy, a filha de Beyoncé com o rapper Jay-Z. Contudo, Beyoncé - um visual album na concepção da artista, já que há um vídeo para cada música na edição dupla que junta CD (com 14 músicas) e DVD (com 17 clipes) - parece desprezar esse mercado mais imediatista. Ou, ao menos, finge desprezá-lo - a começar pelo fato de ter subvertido as regras do jogo fonográfico ao ser jogado no iTunes de surpresa, sem aviso prévio. O que gerou protestos e até boicoite de redes de lojas dos Estados Unidos contra a primazia digital. Musicalmente, vídeos à parte, salta aos ouvidos a pegada r & b menos industrializada de composições como Rocket e Pretty hurts (crítica ao culto à beleza perfeita que soa falsa). De todo modo, no caso de Beyoncé, os vídeos são parte fundamental do álbum. Os clipes reforçam a carga erótica de músicas Partition e Drunk in love. As doses de sensualidades são tão fartas quanto as de eletrônica, mote de Haunted, Ghost e de outras faixas de Beyoncé. A conexão com o rapper Frank Ocean em Superpower também merece menção. Outro rapper, Drake, aparece em Mine, reforçando a sensação de que, qualquer que seja o jogo, o universo do hip hop jamais pode ser descartado. Enfim, Beyoncé tem o mérito de sacudir a discografia de Beyoncé. Os animadores resultados comerciais iniciais - frutos tanto do impacto com que o álbum foi lançado quanto do interesse do público no visual album da artista - sinalizam que Beyoncé pode estar na direção certa. Mas que faltou o single, faltou...

Fabio disse...

Concordo em gênero, número e grau!

aguiar_luc disse...

Mania de Single! O cd é bom e pronto!

mmmleos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mmmleos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mmmleos disse...

Concordo que o album "4" é muito melhor que este e que não~haja um single fácil, o que torna o projeto um tanto interessante também.
Mas so estou esperando um ótimo remix de "Blow" ou "Grown Woman" para ver as musicas bombearem nas radios e nas pistas de dança.
Ainda sim, gostei muito de album, e cada vez que ouço gosto mais :)

Anderson Lima disse...

Faltou single ou "bate cabelo"?? Pra mim é um cd extremamente coeso e com letras razoáveis até. Que ela continue nessa trilha... :)

Pedro Progresso disse...

melhor disco de Beyoncé e só leva 3,5? não entendo. é um disco cool, me lembrou Erotica da Madonna.
não se precisa de singles quando se tem Blow e Flawless e 17 videos muito bons. gosto do 4, mas ainda tem algum ranço de mostrar potência vocal que não me agrada.

resumindo: colocou Gaga, Mariah, Britney, Miley, Katy e todos os respectivos singles no bolso aos 45 do segundo tempo. entrou pra lista de melhores do ano apontando mais pro futuro (diferentemente do Daft Punk que ficou seguro no retrô).

Mauro Ferreira disse...

Pedro, não partilho do seu entusiasmo com o disco. Abs, Feliz 2014, MauroF

Ricardo E. disse...

Bom, achei a crítica bastante crua, como um esboço.
Creio que esse disco seja o melhor da carreira dela e também o mais audacioso.
O '4' é um disco bem rico, mas rançoso, e que peca pela falta de frescor.
Músicas como 'mine', 'superpower', 'blow', 'rocket', 'jealous' '***flawless' e 'haunted' merecem mais que algumas audições.
Concordo com você quando diz sobre 'pretty hurts' soar artificial, também acho que a Beyoncé não seja a pessoa mais apropriada para falar sobre padrões de beleza, uma vez que ela parece obcecada por uma imagem de mulher perfeita.
Enfim, respeito sua critica, mas se posso lhe sugerir algo, sugiro que ouça o álbum com mais atenção.

Daniel disse...

Concordo com a resenha, nao tem nenhuma musica com cara de hit, nada que te atraia, que empolgue. Não é pecado algum um album conseguir ser comercial e ter qualidade ao mesmo tempo. Como 21, Ceremonials etc.