Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Luiza alcança ponto de harmonia e coesão com CD 'Sobre o amor e o tempo'

Resenha de CD
Título: Sobre o amor e o tempo
Artista: Luiza Possi
Gravadora: Radar Records
Cotação: * * * *

 Bons ventos sempre chegam. Sétimo álbum de Luiza Possi, o quinto gravado em estúdio, Sobre o amor e o tempo conduz a irregular discografia da cantora carioca a um ponto inédito de coesão e harmonia. A unidade é resultante não somente do fato de as 14 músicas versarem sobre o amor e o tempo - o que evitou na última hora que o disco recebesse o inexpressivo título de Sétimo - mas, sobretudo, da suave tonalidade pop formatada pelo produtor Dadi Carvalho. O rock enfatizado pela artista nas entrevistas promocionais do disco se impõe mais na segunda metade de Sobre o amor e o tempo, em especial nas autorais D.C. (Luiza Possi) e Velho do restelo (Luiza Possi e Nelsinho Botega), tema cantado na velocidade de uma embolada. Contudo, no geral, a vibe roqueira que eventualmente se insinua em faixas como Passageiro (André Carvalho) e Coisas pequenas (Zé Rodrix e Tavito) - regravação da obscura balada bluesy Coisas pequenas, lançada pelo cantor e compositor carioca Zé Rodrix (1947 - 2009) em álbum de 1973 - é filtrada pela estética pop e limpa da produção de Dadi, cujos violões e guitarra são recorrentes nos arranjos. Em essência, Sobre o amor e o tempo é disco melódico, herdeiro das delicadezas do anterior álbum de estúdio de Luiza, Bons ventos sempre chegam (LGK Music, 2009), até então o melhor CD da cantora. Grande sacada, Coisas pequenas é bissexta regravação em repertório predominantemente inédito. Em sintonia com a suavidade pop do álbum, Tao da lua abre Sobre o amor e o tempo, expondo de cara a evolução de Luiza como compositora com canção que se alinha com outras músicas do disco assinadas por artistas consagrados. Inédita parceria de Marisa Monte com Adriana Calcanhotto e Dadi Carvalho, Devo lhe dizer deixa logo reconhecível o d.n.a. melódico das canções simples e sedutoras de Marisa. Da mesma forma, Tempo em movimento traz a assinatura pessoal e intransferível de Lulu Santos, o rei do pop nativo, parceiro de Nelson Motta nesta canção gravada com a guitarra slide e a voz do próprio Lulu (em harmonioso uníssono com a de Luiza). Já O mundo era nós dois é balada ao estilo pop passional de Ana Carolina, parceira de Chiara Civello e Antonio Villeroy (e cabe um parêntesis para realçar a generosidade de Ana como compositora, pois a artista mineira volta e meia cede para outros cantores músicas que poderiam ser hits em sua voz ardente). As melódicas canções Pode vir (Juca Chuquer), Venha - parceria de Luiza com Barbara Rodrix - e Logo eu (Sonekka e Zé Edu Camargo) contribuem para a coesão do disco por estarem afinadas com o tom suave de Sobre o amor e o tempo. Já a releitura em tom bluesy de Solidão - música da cantora e compositora carioca Dolores Duran (1930 - 1959), lançada em 1958 na voz da autora - destoa do espírito do disco porque, nesta faixa, Luiza experimenta intensidade inadequada para seu canto (além do mais, paira a comparação com a releitura - ainda - contemporânea de Solidão feita por Marina Lima em 1979, no seu primeiro álbum). Na seara das regravações, Luiza é mais feliz ao pescar pérola na discografia de Erasmo Carlos, Dois em um,  tema da lavra solitária do Tremendão, que entra com seu vocal rapeado nesta gravação que soa mais aliciante do que o registro original da canção, feito pelo cantor e compositor carioca em seu irregular álbum Santa música (Indie Records, 2004). Por sua vez, na abordagem de Luiza, Dois perdidos - linda canção composta por Dadi Carvalho com Arnaldo Antunes, lançada por Dadi em 2007 e regravada com mais repercussão em 2011 pela voz precisa do cantor gaúcho Filipe Catto - ganha em leveza pop o que perde na exposição da melancolia entranhada na letra. Mas é essa leveza pop que sustenta, unifica e justifica Sobre o amor e o tempo, (ótimo) álbum à altura da voz bonita e afinada de Luiza Possi.

11 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Bons ventos sempre chegam. Sétimo CD de Luiza Possi, o quinto gravado em estúdio, Sobre o amor e o tempo conduz a irregular discografia da cantora carioca a um ponto inédito de coesão e harmonia. A unidade é resultante não somente do fato de as 14 músicas versarem sobre o amor e o tempo - o que evitou na última hora que o disco recebesse o inexpressivo título de Sétimo - mas, sobretudo, da suave tonalidade pop formatada pelo produtor Dadi Carvalho. O rock enfatizado pela artista nas entrevistas promocionais do disco se impõe mais na segunda metade de Sobre o amor e o tempo, em especial nas autorais D.C. (Luiza Possi) e Velho do restelo (Luiza Possi e Nelsinho Botega), tema cantado na velocidade de uma embolada. Contudo, no geral, a vibe roqueira que eventualmente se insinua em faixas como Passageiro (André Negrão de Lima) e Coisas pequenas (Zé Rodrix e Tavito) - regravação da balada bluesy Coisas pequenas, lançada pelo cantor e compositor carioca Zé Rodrix (1947 - 2009) em álbum de 1973 - é filtrada pela estética pop e limpa da produção de Dadi, cujos violões e guitarra são recorrentes nos arranjos. Em essência, Sobre o amor e o tempo é disco melódico, herdeiro das delicadezas do anterior álbum de estúdio de Luiza, Bons ventos sempre chegam (LGK Music, 2009), até então o melhor CD da cantora. Grande sacada, Coisas pequenas é bissexta regravação em repertório predominantemente inédito. Em sintonia com a suavidade pop do álbum, Tao da lua abre Sobre o amor e o tempo, expondo de cara a evolução de Luiza como compositora com canção que se alinha com outras músicas do disco assinadas por artistas consagrados. Inédita parceria de Marisa Monte com Adriana Calcanhotto e Dadi Carvalho, Devo lhe dizer deixa logo reconhecível o d.n.a. melódico das canções simples e sedutoras de Marisa. Da mesma forma, Tempo em movimento traz a assinatura pessoal e intransferível de Lulu Santos, o rei do pop nativo, parceiro de Nelson Motta nesta canção gravada com a guitarra slide e a voz do próprio Lulu (em harmonioso uníssono com a de Luiza). Já O mundo era nós dois é balada ao estilo pop passional de Ana Carolina, parceira de Chiara Civello e Antonio Villeroy (e cabe um parêntesis para realçar a generosidade de Ana como compositora, pois a artista mineira volta e meia cede para outros cantores músicas que poderiam ser hits em sua voz ardente). As melódicas canções Pode vir (Juca Chuquer), Venha - parceria de Luiza com Barbara Rodrix - e Logo eu (Sonekka e Zé Edu Camargo) contribuem para a coesão do disco por estarem afinadas com o tom suave de Sobre o amor e o tempo. Já a releitura em tom bluesy de Solidão - música da cantora e compositora carioca Dolores Duran (1930 - 1959), lançada em 1958 na voz da autora - destoa do espírito do disco porque, nesta faixa, Luiza experimenta intensidade inadequada para seu canto (além do mais, paira a comparação com a releitura - ainda - contemporânea de Solidão feita por Marina Lima em 1979, no seu primeiro álbum). Na seara das regravações, Luiza é mais feliz ao pescar pérola na discografia de Erasmo Carlos, Dois em um, tema da lavra solitária do Tremendão, que entra com seu vocal rapeado nesta gravação que soa mais aliciante do que o registro original da canção, feito pelo cantor e compositor carioca em seu irregular álbum Santa música (Indie Records, 2004). Por sua vez, na abordagem de Luiza, Dois perdidos - linda canção composta por Dadi Carvalho com Arnaldo Antunes, lançada por Dadi em 2007 e regravada com mais repercussão em 2011 pela voz precisa do cantor gaúcho Filipe Catto - ganha em leveza pop o que perde na exposição da melancolia entranhada na letra. Mas é essa leveza pop que sustenta e unifica Sobre o amor e o tempo, ótimo disco à altura da voz bonita e afinada de Luiza Possi.

Raphael Vidigal disse...

Algo me diz que a intérprete e a capa encantam mais do que a música ;)

Bruno Cavalcanti disse...

Gosto da Luiza - e ainda acho o "Bons Ventos sempre Chegam" o seu melhor disco -, mas esse novo trabalho achei bastante igual a tudo o que já se ouve por aí. Acho ainda o "A Vida é Mesmo Agora" seu disco de maior coragem. Mas talvez eu precise reouvir estas canções, mas, por hora, outro Luiza, que esse aí não deu.

O Ponto da música disse...

Com certeza esse novo trabalho é um marco na carreira da Luiza. Um ponto de coesão, de equilíbrio. Além de ser um dos melhores lançamentos de 2013 - minha opinião. Enfim, o disco é de uma sutileza que deixa o marco da Luiza como cantora - e compositora.

PS: Por incrível que pareça, "Tao da Lua" é a primeira composição da Luiza; E achei a releitura de "Solidão" de um bom gosto... O tom, a voz que vai crescendo ao decorrer da canção, a melodia... Um dos pontos altos do CD.

Pedro Henrique Cavalcante disse...

Luiza já está ficando conhecida em pegar canções gravadas anteriormente por artistas não consagrados e gravar para apresentar ao grande público.

Dessa vez, regravou LOGO EU, gravada incialmente pela alagoana MILLANE HORA.

Vale a pena ouvir a versão e comparar, Luíza deve muuuuuuito nos vocais.

Maria disse...

Luiza é muito fraquinha como cantora dessa vez veio acompanhada de ótimos amigos mas mesmo assim passo!

Daniel disse...

Acho a Luiza linda, adoro ela como personalidade mas falta algo que nao consigo explicar nas musicas dela pra mim. Algumas letras bonitas, melodias tb, o timbre é legal mas não sei se falta uma pegada na voz, algumas melodias mais grudentas sei la. O album é bom mas nenhuma faixa conseguiu grudar na minha cabeça. De qualquer forma, ela ficou mais atraente nas faixas mais roqueiras, aceleradas. Acho que é o timbre dela que eu acho meio sonolento.

Rhenan Rodrigo disse...

A qualidade da Luiza como cantora é inquestionável. Ela é ótima!

Adorei o disco! Acho que mais para o final tem umas músicas que destoam um pouco da atmosfera, como "Coisas Pequenas", mas nada que interfira na excelente qualidade do disco.

Eu sou suspeitíssimo para falar da Ana, né?, mas "O mundo era nós dois" é a melhor canção desse álbum!

Ansioso pra ouvir ao vivo. Se em disco Luiza seduz, no palco ela tem uma feitiçaria irresistível - quase atroz! :)

Rhenan Rodrigo disse...

Não consigo parar de escutar o álbum! "Devo lhe dizer", "O mundo era nós dois" e "Dois perdidos" são extremamente viciantes!!!

leila C disse...

Luiza Possi tem um dos timbres mais bonitos de sua geração, ela é sem duvida uma das artistas que da geração 2000 para cá daquelas adolecentes "fase teen", a que mais evoluiu como artista cantora e compositora. Ela se movimenta entre os elos artísticos se expande nas parcerias, não fica fadada a um único universo particular, Luiza se permite descobrir novas parcerias que somam ao seu trabalho e não é fissurada em cantar um álbum inteiro só com musicas próprias pois compreende que apesar de compor boas musicas talvez não tenha inspiração para segurar um album inteiro, esse bom senso tem faltado em muitas cantoras por aí, Luiza é madura o suficiente para compreender que a musica é uma totalidade de influencias, mas é claro tem que ter afinidade no entanto é por essa noção e pelo seu crescimento artistico que admiro seu bom senso ao mostrar um trabalho lindo, melodico e amadurecido!!!

leila C disse...

A Luiza Possi é sem dúvida uma das melhores vozes daquela geração 2000, da fase "teen" das cantoras, Luiza é a que mais amadureceu como artista, cantora e compositora, ela se permite descobrir novas influencias, novas parcerias, não fica as voltas por seu ambiente particular, luiza se arrisca já acertou muito mas tbm já errou e voltou a acertar dessa vez, isso que faz dela uma cantora de personalidade madura, e realmente ela acertou nesse trabalho por que esta lindo demais, Luiza compreende que apesar de compor boas musicas não pode sustentar um album inteiro com elas porque pode comprometer a coesão do trabalho, ela mescla as canções ela pôe a musica em primeiro lugar e não seu ego como vemos em cantoras por aí, enfim admiro Luiza por se permitir as experiencias e influencias de outros artistas que somam a seu trabalho, e esse album esta muito bem construido nas letras e melodias, parabens a Luiza e seu bom senso musical.