♪ EDITORIAL – Em 1995, quando Simone lançou 25 de dezembro, primeiro álbum de repertório natalino de discografia iniciada em 1973, a cantora alcançou patamar inédito de vendagem, mostrando que havia demanda no mercado fonográfico nacional por este gênero de disco tão comum nos Estados Unidos, mas comumente desprezado no Brasil. Batizado com a data de aniversário da cantora, nascida no dia em que se convencionou festejar a vinda de Jesus ao mundo cristão, 25 de dezembro ultrapassaria o milhão de cópias vendidas ao longo de 1996. Decorridos 20 anos, estima-se que 25 de dezembro tenha vendido mais de dois milhões de exemplares, contando com as cópias comercializadas após a reedição de 1998 que adicionou à faixa-bônus Ave Maria às 10 músicas do repertório original. Passadas duas décadas do lançamento, o disco resiste ao tempo e sempre volta às prateleiras na época do Natal. Paralelamente, o álbum tem sido motivo de piada na web, sendo execrado por milhões de detratores que provavelmente nunca pararam para ouvir as 10 gravações. Projeto idealizado por Simone com Marcos Maynard, executivo que comandava a gravadora então denominada PolyGram naquele ano de 1995, 25 de dezembro merece reavaliação. Está longe de ser um grande disco. As interpretações de Simone soam tecnicamente corretas, mas sem a sensibilidade, a emoção e o sentimento esperados no canto de repertório natalino. Há toda uma grandiloquência na produção orquestral - capitaneada pelo produtor musical Max Pierre com Moogie Canázio - que põe a emoção real em segundo plano. Contudo, 25 de dezembro também está longe de ser álbum execrável. Mesmo sem expor o espírito de natal no canto de Simone e nos arranjos, o disco - envolvido em grande estratégia de marketing para justificar a ida da artista para a PolyGram após 14 anos na gravadora CBS (Sony Music) - tem lá bons momentos. O maior deles é a lembrança de Pensamentos (1982), canção de Roberto Carlos e Erasmo Carlos que havia caído no esquecimento e cuja ideologia da letra tem tudo a ver com o espírito natalino. De Roberto e Erasmo, Simone também deu voz ao hino religioso Jesus Cristo (1970) com direto a coro gospel que se afina com o tom desse spiritual invariavelmente interpretado pelo Rei no encerramento dos shows do cantor. Há equívocos também no álbum. O maior deles é envolver a tristonha Boas festas (Assis Valente, 1933) em clima de samba com o baticum da Timbalada sem levar em conta o tom desesperançado dos versos da letra. 25 de dezembro é disco que peca por excessos e equívocos de produção. Feito de acordo com os padrões da indústria fonográfica da época, 25 de dezembro é disco que ostenta luxo e riqueza na ficha técnica quando algumas músicas pediam mais simplicidade e mais sentimento no arranjo e no canto para que a mensagem natalina ficasse em primeiro plano. Falta uma emoção real na maioria das 10 gravações. Contudo, decorridos 20 anos do lançamento, 25 de dezembro merece ser ouvido com mais boa vontade por cristãos de boa fé. Nem em que seja em nome do tão falado, mas tão pouco praticado, espírito de Natal. Não é um disco tão ruim.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Wesley Safadão é aquele artista que teve ano 100%
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Wesley Oliveira da Silva viveu ano áureo aos 27 anos de idade e 12 de carreira que deslanchou ao longo de 2015 a reboque do estouro de músicas como Camarote (Neto Barros e Jota Reis) - lançada em single que virou viral no YouTube - e Aquele 1%, composição de Vinicius Poeta e Benício Neto registrada pela dupla sertaneja Marcos & Belutti com a participação de Wesley em gravação lançada em junho que também se transformou num dos maiores hits do ano. Conectado com o universo das baladas, o cantor cearense de forró - conhecido pelo nome artístico de Wesley Safadão em alusão ao fato de ter começado a carreira musical na banda Garota Safada, formada pela família do artista e na qual ele ingressou em 2007 como vocalista - é um dos fenômenos musicais de um Brasil popular que ignora o hype ditado pela mídia e que elege os próprios ídolos. Com média de 25 shows mensais, feitos mediante cachês de valores estratosféricos que podem chegar a R$ 500 mil, Wesley acumula milhões de seguidores nas redes sociais e milhões de visualizações de clipes postados na web. É contratado da gravadora Som Livre, por onde já lançou quatro títulos de discografia iniciada em 2003 como integrante da banda Garota Safada, mas ainda distribui CDs de graça pelo Nordeste do Brasil como forma de alavancar os shows que tornaram Wesley Safadão uma das vozes mais populares e rentáveis de 2015. Assistindo à crise de camarote, Wesley Oliveira da Silva é aquele exemplo raro de artista para quem 2015 foi ano 100%.Anna Ratto lança regravação de estúdio de parceria com Lucas Vasconcellos
♪ A IMAGEM DO SOM - A foto foi extraída do clipe da música Desalento, lançado no YouTube em 21 de dezembro de 2015 pela cantora e compositora carioca Anna Ratto. Música feita por Ratto em parceria com Lucas Vasconcelos, Desalento foi apresentada pela artista no DVD Anna Ratto ao vivo (Coqueiro Verde Records, 2015). Mas a versão de Desalento ouvida no clipe é inédita gravação feita por Ratto em estúdio com produção de Rodrigo Vidal e banda formada pelos músicos Cesinha (bateria), Emerson Mardhine (baixo), Fernando Caneca (nos violões) e Rodrigo Tavares (teclados).
Samba-canção é trilha sonora de livro em que Castro historia a noite carioca
Título: A noite do meu bem - A história e as histórias do samba-canção
Autor: Ruy Castro
Editora: Companhia das Letras
Cotação: * * * *
♪ A história e as histórias das boates cariocas ao som do samba-canção seria um subtítulo mais adequado e fiel ao tom do livro A noite do meu bem, de Ruy Castro. Afinal, o jornalista mineiro não conta exatamente a história do samba-canção ao longo das 512 saborosas páginas de A noite do meu bem - tarefa a que o jornalista e pesquisador musical paulistano Zuza Homem de Mello se dedica no vindouro livro Copacabana, batizado com o nome do samba-canção dos compositores cariocas Braguinha (1907 - 2006) e Alberto Ribeiro (1902 - 1972) lançado em 1946 na voz do cantor carioca Dick Farney (1921 - 1987). Em A noite do meu bem, o samba-canção - gênero musical nascido em 1929 quando a cantora carioca Araci Cortes (1904 - 1985) revelou ao mundo a beleza de Linda flor (Henrique Vogeler e Luiz Peixoto) - é a trilha sonora das histórias coletadas e contadas por Castro sobre a noite carioca. Em especial, a noite do mítico bairro de Copacabana, QG das boates cujo intimismo favoreceram a propagação do samba-canção ao longo dos anos 1940 e 1950, décadas áureas do gênero. Foi lá, em Copcabana, mais precisamente na avenida Princesa Isabel, que nasceu em 1947 a Vogue, boate poderosa (em todos os sentidos) cuja trajetória é alocada por Castro como o epicentro dos casos (de amor) e causos narrados pelo autor em A noite do meu bem. No caso, as histórias acontecidas até 14 de agosto de 1955, data em que a Vogue foi consumida pelo fogo em incêndio que deixou vítimas fatais. No terceiro dos 18 capítulos do livro, O samba virou canção, o autor até discorre sobre a gênese do gênero. Mas em A noite do meu bem o samba-canção é o som que se ouve ao fundo de histórias de amor, sexo, ódio e poder que envolveram cantores, políticos, compositores, jornalistas (sobretudo os colunistas sociais), empresários e maitres (uns tão disputados pelas boates quanto os cantores em voga na época da narrativa). O texto sempre estiloso do autor - trunfo essencial em livro no que a forma como as histórias são contadas agrega valor a essas histórias - envolve o leitor em narrativa de tom romanceado. Em A noite do meu bem, Ruy Castro faz a crônica social de uma época em que ainda havia glamour na noite carioca. Trilha dos amores desfeitos e dos corações magoados, o samba-canção se impôs como o som ideal para adensar o que se fazia na noite carioca, no escurinho de boates por onde passaram cantores do primeiro time da música brasileira como Cauby Peixoto, Doris Monteiro, Elizeth Cardoso (1920 - 1990) e Maysa (1936 - 1977). E cabe ressaltar que - tal como nas boates - os músicos extrapolam no livro de Castro o papel de meros acompanhantes desses cantores. Na noite de Copacabana, músicos como o pianista Johnny Alf (1929 - 2010) foram muitas vezes as atrações que mobilizavam o público - e inclua-se entre esse público cantores de ouvidos mais atentos e apurados. Com narrativa que exalta o bem que a noite das décadas de 1940 e 1950 fez à música do Rio (e, por extensão, à do Brasil), Ruy Castro reproduz os movimentos das criaturas dessa noite que somente dormia após a saída do último cliente da boate e após o fim do último acorde de um samba-canção, gênero que, como a tristeza do célebre verso, nunca tem fim.
Nu com a música em CD, Reis (re)abre relicário de grandes canções de amor
Resenha de CD
Título: Voz * Violão No Recreio - Volume 1
Artista: Nando Reis
Gravadora: Relicário / Deck
Cotação: * * * *
Título: Voz * Violão No Recreio - Volume 1
Artista: Nando Reis
Gravadora: Relicário / Deck
Cotação: * * * *
♪ Nando Reis é cantor de pequenas multidões. Com melodiosas canções, o mais romântico dos ex-Titãs conquistou público fiel que tem lotado os shows do artista pelo Brasil. Primeiro volume de projeto intitulado No Recreio, o CD ao vivo Voz * Violão é registro da comunhão do cantor com a pequena multidão arrastada espontaneamente para o Citibank Hall da cidade de São Paulo (SP) na noite de 25 de abril deste ano de 2015 para assistir a um show em que Reis desfia o rosário de autorais canções amorosas a sós com o violão, único instrumento de registro pautado pela crueza - como o próprio artista caracteriza em fala reproduzida no CD, após cantar As coisas tão mais lindas (1999) e N (2006). A rigor, o álbum poderia inexistir na discografia de Nando, pois, das 14 músicas, 12 já foram (bem) gravadas pelo compositor - só que o cantor soa cada vez melhor, seguro de si. Uma das duas canções inéditas nessa voz cada vez mais autossuficiente é também a única feita por Nando com parceiro, Sutilmente, composta com Samuel Rosa, lançada pelo grupo mineiro Skank no álbum Estandarte (Sony Music, 1998) e ora gravada por Nando em registro que culmina com surpreendente citação de Besta é tu (Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972), sucesso do grupo Novos Baianos. A outra é Diariamente (1991), sucesso na voz de Marisa Monte revivido recentemente na última turnê da cantora e ora registrado por Nando com erro na letra assumido naturalmente em fala deste disco ao vivo produzido sem maquiagem pelo próprio Nando Reis. De todo modo, a rigor, Nando canta mais do mesmo, ainda que o formato desplugado dê ar de novidade ao projeto. Contudo, para as pequenas multidões que seguem o cantor por apresentações feitas pelo Brasil, o disco tem sentido todo especial porque o caráter recreativo do show redime o CD do baixo teor de novidade. Ao longo de 67 minutos, Nando rebobina algumas das mais expressivas canções de repertório autoral em formato acústico, tocadas e cantadas por um artista "despido do lado infernal, embora com ele contido internamente", como Nando ressalta na fala inicial que alude ao fato de o cantor estar no palco sem os músicos da banda Os Infernais. Nu com musica geralmente sedutora, Nando embute no toque do violão alguma eletricidade natural, perceptível em músicas como Os cegos do castelo (1997), única música do repertório do grupo Os Titãs presente no roteiro. Afinal, o passado roqueiro do artista jamais o condenou. Mas o fato é que Nando Reis desabrochou como compositor ao se libertar das amarras naturais de todo grupo de rock. E hoje desfruta do prestígio, da fama e da popularidade de ser o compositor de joias como All star (2000), Relicário (2000), Pra você guardei o amor (2009), Sei (2012) e a já mencionada N (2006) - para citar somente cinco grandes canções de amor presentes no disco. Composições inspiradas que não se envergonham de serem canções de amor - simples, diretas, tocantes. Nesse sentido, Nando Reis é quase um Roberto Carlos da geração pop brasileira dos anos 2000. Por isso - talvez - tenha pequenas multidões ao redor da voz e do violão que se afinam em álbum envolvente.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Luan continua no trono sertanejo com hit e biografia
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Popstar do universo sertanejo, Luan Santana se manteve firme no trono ao longo de 2015. O cantor e compositor sul mato-grossense de 24 anos deu voz a um dos grandes sucessos populares do ano, Escreve aí, parceria de Luan com Douglas Cezar, Bruno Caliman e Dudu Borges, produtor musical do show acústico gravado ao vivo pelo cantor em dezembro de 2014 e lançado pela gravadora Som Livre, em CD e DVD, em abril deste ano de 2015. Antes mesmo de Luan Santana acústico chegar ao mercado fonográfico, Escreve aí foi lançada como single digital em 13 de março e se tornou sucesso instantâneo no universo pop sertanejo. Um outro single digital, com a música Chuva de arroz (Luan Santana e Dudu Borges), já tinha sido lançado em outubro de 2014, preparando o público do artista para este projeto em que Luan evocou no cenário e no figurino o clima das décadas de 1950 e 1960. Mas o hit foi Escreve aí. Lançada um mês depois da edição em fevereiro do single com a música Cartório (Tierry Coringa e Magno Santana, 2014), gravada pelo cantor em dueto com Claudia Leitte para projeto da cantora, Escreve aí reiterou a sintonia entre Luan Santana e o público do universo pop sertanejo, escrevendo mais um capítulo de bem-sucedida história juvenil contada pelo jornalista mineiro Ricardo Marques em Luan Santana – A biografia, livro lançado em setembro pela editora Record com excelente repercussão comercial.
Sandra de Sá dá (nova) voz em 'Lado B' a músicas eclipsadas na discografia
♪ Sandra de Sá vai lançar em janeiro de 2016 o 18º título de discografia iniciada em 1980 com as edições do compacto e do LP que traziam Demônio colorido (Sandra de Sá, 1980), música que projetou a cantora e compositora carioca ao ser defendida pela artista no festival MPB-80, exibido pela TV Globo naquele ano. Intitulado Lado B, o 18º disco de Sandra é EP, projeto arquitetado desde 2013. Como o título do EP já explicita, a cantora dá voz em Lado B a músicas que passaram despercebidas em álbuns anteriores. Entre as sete músicas do disco, há Perdidamente apaixonada (Jorge Cardoso e Beto Correia, 1993) - samba lançado no álbum D'Sá (BMG, 1993) - e Quero ver você dançar, música de Ton Sagga, gravada originalmente pela cantora no segundo álbum, Sandra de Sá (RGE, 1982), disco de fase inicial em que o som da artista estava mais voltado para o funk e o soul. Outra música é Usa e abusa (1986), parceria de Sandra com Júnior Mendes eclipsada pelos diversos hits radiofônicos do álbum comercialmente mais bem-sucedido da carreira fonográfica da cantora, Sandra Sá (RCA, 1986). Produzido pela própria Sandra de Sá, o disco Lado B foi gravado com intervenções de Buchecha, Dennis DJ, DJ Detonna, Melanina Carioca, Revelação e Thiaguinho.
Com música viva, Pau Brasil leva 'Daqui' para (ricos) rincões de sons do país
Resenha de CD
Título: Daqui
Artista: Pau Brasil
Gravadora: Pau Brasil Music
Cotação: * * * * 1/2
♪ Sólido grupo de música instrumental nacional cujas origens remontam ao fim da década de 1970, o paulistano Pau Brasil continua fazendo música viva. Décimo primeiro álbum de discografia iniciada em 1983, Daqui parte, ao longo de dez músicas, para ricos rincões da música brasileira com a linguagem que consagrou o Pau Brasil e que consiste numa abordagem livre dos temas - com a liberdade do improviso, mas com a consciência de que é preciso evitar o desperdício de notas para dar sentido a essa liberdade. As músicas em Daqui estão postas a serviço da sonoridade e da recriação da criação, própria ou alheia. Tanto que pouco importa o baixo teor novidade do repertório do álbum produzido por Rodolfo Stroeter. Das dez músicas, entre composições próprias e alheias, somente três são inéditas. Lá vem a tribo (Rodolfo Stroeter e Paulo Bellinati, 1989), por exemplo, é a música que intitulou e abriu álbum lançado pelo grupo em 1989. Lá vem a tribo fecha Daqui em revival justificado pelo toque do clarone do músico inglês John Surman, único convidado do disco. O registro expõe músicos daqui e de lá em pleno exercício da liberdade musical. Daqui festeja a primeira década da atual formação do Pau Brasil, já que foi em 2005 que o baterista Ricardo Mosca se juntou aos veteranos virtuoses Nelson Ayres (piano), Rodolfo Stroeter (contrabaixo), Paulo Bellinatti (violões) e Teco Cardoso (saxofones e flautas). Trata-se de disco fiel à ideologia musical do grupo. A influência e o exercício do jazz apuram música enraizada nos tais rincões da música brasileira. Nesse sentido, a abertura do disco com Pai (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970) soa como carta de princípios de um grupo sintomaticamente intitulado Pau Brasil. Em Pai, há o samba que revolve a todo momento a raiz africana da música do Brasil e do mundo. Contudo, não há peso e xenofobia nessa remexida de raízes. Com a mesma naturalidade e leveza com que abre os contornos de Caixote (2015), composição de Nelson Ayres, o Pau Brasil expressa (quase) toda a beleza lírica e melancólica de Saudade do Brasil (Antonio Carlos Jobim, 1976) - e não Saudades do Brasil, como grafado na contracapa externa do disco. Neste tema que levantou voo no álbum Urubu (Warner Music, 1976), o soberano Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) derrubou o frágil muro erguido para separar a música popular da música clássica e reverenciou o igualmente supremo Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959), compositor e maestro carioca que celebrou o Brasil dentro do universo da música erudita. Não por acaso, o Pau Brasil toca a Bachianas brasileiras nº 1 (Heitor Villa-Lobos, 1930) em Daqui, explorando melodia entranhada em tempos seresteiros em que as modinhas ainda tinham sua vez. E tudo parece fazer sentido na rota brasileira-planetária de Daqui, já que a obra de Villa-Lobos também se embrenhou pelas veredas do grande sertão nacional evocado em Daqui por Agreste (2015) - composição inédita de Nelson Ayres - e pela abordagem serena de No rancho fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo, 1931), o samba-canção que acabou rumando pela estrada do sertão ao longo dos tempos, sem pegar o caminho de volta. E tudo faz sentido também porque o som do Pau Brasil rejeita o nacionalismo exacerbado, sendo livre para extrapolar fronteiras. Tanto que o trio de inéditas de Daqui inclui valsa, Sarapuindo (Teco Cardoso), que se revela faixa das mais jazzísticas do álbum. Tema composto por Paulo Bellinati e lançado há oito anos, como música-título de álbum editado no Brasil em 2007 pelo violonista com a também violonista Cristina Azuma, Pingue-pongue é maxixe criado com a técnica barroca do contraponto gerando cânone (quando duas ou mais vozes-instrumentos seguem a mesma melodia em tempos diferentes). Ao jogar Pingue-pongue em Daqui, o Pau Brasil confirma a capacidade de dar unidade - e som característico do grupo - a repertório de origens, formas e latitudes distintas. O toque de Agora eu sei (2005) - torta marcha-rancho do compositor e maestro pernambucano Moacir Santos (1926 - 2006) - reforça a pluralidade da rota seguida pelo Pau Brasil em Daqui. Rota que aparece andar em círculos por todos os ricos rincões da música brasileira, mas que extrapola esse círculo a toda hora pela liberdade que pauta o som madeira de lei do Pau Brasil.
Filmado em 360º, com adesão de Seu Jorge, o baile de Teló sai em CD e DVD
♪ Na madrugada de 3 de setembro deste ano de 2015, Michel Teló captou no paulistano Espaço das Américas, com câmeras de 360º, show hi-tech turbinado com efeitos especiais e com imagens exibidas em telões de última geração. De caráter interativo, a gravação ao vivo realizada em São Paulo (SP) pelo cantor sertanejo - de origem paraense, mas criado em Mato Grosso do Sul - já está eternizada no CD e DVD Baile do Teló, lançados neste mês de dezembro de 2015 de forma avulsa e em edição dupla que reúne os dois formatos em embalagem de DVD. O repertório do Baile do Teló é majoritariamente formado por músicas inéditas como Chocolate quente, Coração cansou, Essa mania, Levanta o copo, Não tem pra ninguém e Tá quente, eleita single do projeto. O cantor carioca Seu Jorge é convidado da inédita Diz aí, Teló. Trata-se do quarto registro de show de Teló.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – 'Soledade' mostra que o pulso de Cida ainda pulsa...
♪ RETROSPECTIVA 2015 – O ano marcou a volta aos estúdios de Cida Moreira, digníssima dama da canção brasileira. Em janeiro, a cantora anunciou a entrada no Art Brasil Studio de São Paulo (SP) para começar a gravar o primeiro álbum de estúdio após o consagrador A dama indigna (Joia Moderna, 2011). Finalizado ao longo do primeiro semestre do ano, o disco Soledade foi lançado em 31 de agosto pela gravadora Joia Moderna, precedido pelo single Forasteiro, precisa abordagem da angustiada balada de Thiago Pethit e Hélio Flanders, lançada em 2010 por Pethit. Entre músicas inteiras e composições alocadas no disco como vinhetas, Cida - em foto de Diego Ciarlariello - se mostrou dona de 16 canções lançadas entre 1928 e este ano de 2015. Soledade alçou altos voos artísticos quando a cantora ergueu no patamar sólidas paredes sonoras de Construção (Chico Buarque, 1971) com o demolidor arranjo de Arthur de Faria e quando Cida tomou O pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Frommer e Tony Bellotto, 1989) dos Titãs para realçar os versos do tema em arranjo nervoso e ruidoso, formatado com a eletrônica dos teclados de Ricardo Severo. Forasteiro e O pulso ganharam clipes que mantiveram elevado o status do ótimo disco, digno da grande dama.
Orquestra Ouro Preto enquadra obra dos Beatles em (bela) moldura sinfônica
♪ A abordagem não é inédita, mas o enquadramento da obra do grupo inglês The Beatles na majestosa moldura sinfônica da Orquestra Ouro Preto confirma a habilidade da big-band mineira para transitar entre a música pop(ular) e os sons do universo da música dita erudita, como já comprovara no projeto Valencianas, idealizado em 2010, tornado concerto em 2012 e perpetuado em CD e DVD em 2014 com o registro sinfônico do recital centrado na obra do cantor e compositor pernambucano Alceu Valença, unido em Valencianas ao maestro Rodrigo Toffolo, regente titular da orquestra surgida há 15 anos na histórica cidade mineira que lhe dá nome, Ouro Preto (MG). O projeto Orquestra Ouro Preto - The Beatles ganhou os palcos do Brasil em 2010, tendo chegado à cidade natal dos Fab Four, Liverpool (Inglaterra), em 2012. Decorridos cinco anos da estreia do projeto, o recital é eternizado no CD Orquestra Ouro Preto ao vivo - The Beatles, lançado no mercado fonográfico brasileiro em edição independente distribuída pela Tratore. O disco reproduz concerto gravado ao vivo em 7 de dezembro de 2014 no Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte (MG). No concerto, a Orquestra Ouro Preto dá tom sinfônico a 17 músicas dos Beatles com arranjos de Mateus Freire e com o devido respeito às melodias arquitetadas por John Lennon (1940 - 1980), Paul McCartney e George Harrison (1943 - 2001) - compositores, aliás, não creditados na ficha técnica do álbum. Entre abordagens sinfônicas de She loves you (John Lennon e Paul McCartney, 1953) e Penny Lanne (John Lennon e Paul McCartney, 1967), o maestro regente Rodrigo Toffolo sola Imagine - canção de autoria e da carreira solo de Lennon - ao violino. Já With a little help from my friends (John Lennon e Paul McCartney, 1967) embute evocação ao arranjo feito por Leon Russel para a (célebre) abordagem da música do grupo pelo cantor inglês Joe Cocker (1944 - 2014).
Chico integra o time de intérpretes que se ocupa da canção-protesto de Dani
♪ A IMAGEM DO SOM - Postada na página oficial de Dani Black no Facebook, a foto flagra o cantor e compositor paulistano com Chico Buarque em estúdio da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Em 19 de dezembro de 2015, nomes como Chico, Pedro Luís e Zélia Duncan gravaram participações na música inédita O trono do estudar, composta por Black em solidariedade aos estudantes da cidade de São Paulo (SP) que foram para as ruas protestar contra plano de reorganização escolar proposto pelo governo de Sampa. Chico, Pedro e Zélia se juntaram ao time de intérpretes que, em São Paulo (SP), foi formado por artistas como Arnaldo Antunes, Hélio Flanders, Lucas Silveira, Tiago Iorc e Tiê, entre outros. A gravação originou clipe veiculado pelo movimento intitulado Virada Ocupação.
Lulu se joga na pista do funk com single em que revigora o hit d'As Meninas
Resenha de single digital
Título: Xibom bombom
Artista: Lulu Santos
Gravadora: Los Santos Entretenimento
Cotação: * * * *
♪ Em 1999, o grupo baiano As Meninas do Forró - então com o nome já simplificado para As Meninas - incursionou pelo universo da axé music e lançou álbum batizado com o nome da música que seria o único grande hit do grupo, que surgiu em 1997 e se desfez em 2009. De autoria dos compositores Rogério Gaspar e Wesley Rangel, Xibom bombom foi uma das músicas mais tocadas no Brasil entre 1999 e 2000. Decorridos 16 anos do lançamento, Xibom bombom ganha frescor e vigor em single digital que reitera o faro de Lulu Santos para repaginar sucessos populares de lavra alheia. Na gravação de Lulu, Xibom bombom é jogada pista em irresistível mix de beats eletrônicos, batidas funkeadas - o refrão é turbinado com grito que remete ao famoso uh! tererê, brado dos bailes da pesada - e sons futuristas. Com Lulu Santos, o de baixo sobe, contrariando o refrão-chiclete do axé que fez leve crítica social - ainda atual no Brasil de 2015. O single é xibom demais!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Planeta psicodélico da galáxia gaúcha, Júpiter Maçã sai de cena aos 47 anos
♪ "Um ser humano sem filtros". "Um fio desencapado exposto aos ventos de sua inquietude". As duas definições de Júpiter Maçã - dadas no Facebook pelo cantor e compositor gaúcho Luís Nenung em post no qual lamentava a saída de cena do colega conterrâneo - são perfeitas traduções do espírito desassossegado de Flávio Basso (26 de janeiro de 1968 - 21 de dezembro de 2015). Transformado em lenda do rock gaúcho ao longo de 31 anos de atividade profissional, Basso - mais conhecido como Júpiter Maçã ou como Júpiter Apple - saiu hoje de cena na mesma cidade de Porto Alegre (RS) onde nasceu há 47 anos e onze meses (o artista iria completar 48 anos em janeiro de 2016). Se o Rio Grande do Sul é uma galáxia à parte no universo pop, Júpiter Maçã foi o planeta psicodélico que encheu de cores um mundo ainda longe demais das capitais do mainstream. Iniciada em 1984, quando Basso integrava o TNT (grupo gaúcho da geração pop da década de 1980 que misturava punk e rockabilly), a viagem foi feita ao som de sexo, álcool, drogas e rock'n'roll, curtidos em doses calculadas na medida do prazer. Pela eletricidade natural que vinha do fio desencapado da alma do artista, Basso logo mudou de banda em 1986, fundando e integrando Os Cascavelettes, outro lendário grupo do universo pop gaúcho. Mas foi em carreira solo - iniciada na década de 1990, já com o nome artístico de Júpiter Maçã (alterado posterior e eventualmente para Júpiter Apple) - que as estrelas do planeta psicodélico se alinharam com mais naturalidade. O primeiro álbum solo de Júpiter, A sétima efervescência (Antídoto, 1997), explicitou a influência exercida pelo som viajante do grupo inglês Pink Floyd na rota criativa do artista. Dois anos depois, Júpiter gravitou em outra frequência ao lançar um segundo álbum solo, Plastic soda (Trama, 1999), em que adicionou toque de bossa nova ao coquetel psicodélico do disco. A partir da década de 2000, Júpiter - em foto de Sidd Rodrigues colorizada artificialmente e postada pelo artista no Facebook - radicalizou ainda mais nas experiências em álbuns de repercussão mais restrita como Hisscivilization (Noland Man, 2002) e Uma tarde na fruteira (Elefaint Spain / Monstro Discos, 2007). Artista sem filtros e normas, Júpiter Maça tem a efervescência eternizada no DVD Six colours frenesi - Ao vivo no Opinião, gravado em show no Teatro Opinião, em Porto Alegre (RS), e lançado em 2014. Neste ano de 2015, Júpiter deu outra volta em torno do universo pop, lançando dois singles, They're all beatniks e Constantine's empire, de tom folk. E assim orbitou Júpiter Maçã, "fio desencapado exposto aos ventos de sua inquietude", até partir hoje para outra galáxia.
RETROSPECTIVA 2015 – Filho de Cássia, Chico faz shows e lança bom álbum
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Ao longo do ano, Francisco Ribeiro Eller começou a deixar de ser o Chicão - como o filho da cantora Cássia Eller (1962 - 2001) era chamado e conhecido em casa e no meio musical - para se tornar Chico Chico, nome artístico que escolheu para se lançar como cantor e compositor. Ainda é impossível dissociá-lo por completo da mãe, mas o rapaz de 22 anos tem feito a parte dele ao se decidir pela carreira musical. Nos shows que fez em 2015 no circuito alternativo da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde nasceu em agosto de 1993, Chico cantou essencialmente músicas autorais e evitou o repertório de Cássia, a quem já evoca naturalmente por conta do timbre e do jeito casual de se vestir e de se portar em cena. A busca por personalidade própria guiou o jovem artista na gravação do primeiro álbum, assinado pela 2 x 0 Vargem Alta, banda fluminense que integra e com a qual Chico Chico tem dado decisivos passos musicais para pavimentar caminho próprio na música e na vida. Produzido pelo violonista Rodrigo Garcia, o (bom) disco foi lançado em outubro pelo selo Porangareté, com a distribuição da Coqueiro Verde Records.
Formado por músicos do Farofa Carioca, Trio Djansa vai lançar EP em janeiro
♪ Integrantes da atual formação do grupo Farofa Carioca, Iury Lucarna, Sérgio Granha e Wellington Coelho se unem no Trio Djansa. O trio vai lançar EP nas plataformas digitais em janeiro de 2016 com quatro músicas de autoria de Iury Lucarna, vocalista e compositor do Djansa. O véio, Pra que lembrar?, Pode chegar e Por toda a Guanabara são as quatro músicas do disco, gravadas pelo Trio Djansa com o toque da percussão de Wellington Coelho e com os toques do baixo e da guitarra de Sérgio Granha. A ideia do trio é fazer um som que misture a batida da música carioca com a levada de ritmos latinos. Após a edição do EP, o Djansa - em foto de Marcos Hermes - vai tentar concretizar o lançamento do primeiro álbum do trio, previsto para sair em 2016, com 12 músicas.
Lucy Alves celebra o centenário de Rosil Cavalcanti em álbum com Clã Brasil
♪ Um dos maiores compositores da nação musical nordestina, Rosil Cavalcanti (20 de dezembro de 1915 - 10 de julho de 1968) tem origem pernambucana. Nasceu em Macaparana, cidade do interior de pernambuco. Mas muitos pensam que Rosil é paraibano - o que de certa forma também é verdade, pois foi na Paraíba, onde se radicou no início da década de 1940, que Rosil cresceu e apareceu como artista em carreira associada à trajetória do cantor e compositor paraibano Jackson do Pandeiro (1919 - 1982), um dos pilares da obra musical do Nordeste. E foi lá na Paraíba, mais precisamente em Campina Grande (PB), que Rosil - nome eclipsado pela luz irradiada pelo vivaz parceiro Jackson, com quem Rosil formou a dupla Café com Leite nos anos 1940 - saiu de cena cinco meses antes de completar 53 anos. A cantora, sanfoneira e atriz Lucy Alves é da Paraíba, assim como os músicos da família da artista, integrantes do grupo Clã Brasil. Por isso, Lucy Alves se sente em família e em casa ao celebrar o centenário de nascimento de Rosil Cavalcanti com a edição do álbum No forró do Seu Rosil, editado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de dezembro de 2015. Expondo os tons da aquarela nordestina do compositor, Lucy Alves & Clã Brasil revivem oito sucessos de autoria de Rosil - inclusive o maior sucesso do compositor, Sebastiana, coco lançado na voz de Jackson do Pandeiro em disco de 78 rotações editado em 1953 - e apresentam três músicas inéditas (Coco x baião, Gibão e Tambaú), feitas pelo patriarca do Clã Brasil, José Hilton Alves, o Badu, a partir de poesias de Rosil. As oito músicas conhecidas foram lançadas em vozes como as de Luiz Gonzaga (1912 - 1989), Marinês (1935-2007) e do próprio Jackson do Pandeiro nas décadas de 1950 e 1960. Eis - na disposição da edição em CD lançada pela gravadora Biscoito Fino - as onze músicas de Cavalcanti gravadas por Lucy Alves & Clã Brasil no álbum No forró do Seu Rosil:
1. Aquarela nordestina (Rosil Cavalcanti, 1958)
2. Tropeiros de Borborema (Rosil Cavalcanti, 1964)
3. Ô véio macho (Rosil Cavalcanti, 1962)
4. Forró na gafieira (Rosil Cavalcanti, 1959)
5. Sebastiana (Rosil Cavalcanti, 1953)
6. Coco do Norte (Rosil Cavalcanti, 1955)
7. A festa do milho (Rosil Cavalcanti, 1963)
8. Coco x baião (Rosil Cavalcanti e Badu, 2015) - música inédita
9. Gibão (Rosil Cavalcanti e Badu, 2015) - música inédita
10. Tambaú (Rosil Cavalcanti e Badu, 2015) - música inédita
11. Assunto novo (Rosil Cavalcanti, 1963)
Roteiro do registro ao vivo do Dobrando a carioca tem inédita de Moacyr Luz
♪ A IMAGEM DO SOM - As fotos acima flagram Jards Macalé, Moacyr Luz, Guinga e Zé Renato no palco do teatro do Sesc Ginástico, no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde o grupo Dobrando a Carioca - formado em 1999 pelos quatro cantores, compositores e músicos - fez o primeiro registro audiovisual de show na noite de 17 de dezembro de 2015. Pautado por temas de autoria dos integrantes do quarteto, o roteiro da gravação ao vivo incluiu inédita de Moacyr Luz, Sinhá, sinhô, composta por Luz em parceria com Carlos Di Jaguarão. Eis o roteiro seguido em 17 de dezembro de 2015 por Guinga, Luz, Macalé e Zé Renato no show de quatro vozes e de quatro violões, gravado ao vivo para dar origem, em 2016, ao primeiro DVD do grupo Dobrando a Carioca:
1. Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946, com letra de Nelson Angelo, 1994)
2. Favela (Padeirinho e Jorge Pessanha, 1966)
3. Cachaça, árvore e bandeira (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1998)
4. Nega dina (Zé Kétti, 1965)
5. Catavento e girassol (Guinga e Aldir Blanc, 1993)
6. Cidade lagoa (Sebastião Fonseca e Cícero Nunes, 1959)
7. Anjo da velha guarda (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1998)
8. Picotado (Guinga, 1996)
9. Vapor barato (Jards Macalé e Waly Salomão, 1971)
10. O mais que perfeito (Jards Macalé e Vinicius de Moraes, 1973)
11. Como tem Zé na Paraíba (Manezinho Araújo e Catulo de Paula, 1962)
12. Sinhá, sinhô (Moacyr Luz e Carlos Di Jaguarão, 2015) - música inédita
13. Você, você (Chico Buarque e Guinga, 1998)
14. A saudade mata a gente (João de Barro e Antonio Almeida, 1948)
15. Toada (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, 1978)
16. Saudades da Guanabara (Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro, 1989)
17. Acertei no milhar (Wilson Baptista e Geraldo Pereira, 1940)
18. Chá de panela (Guinga e Aldir Blanc, 1996)
Bis:
19. Com que roupa? (Noel Rosa, 1930)
domingo, 20 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Elba expande olhar musical com belo álbum e DVD
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Há um ano, em dezembro de 2014, Elba Ramalho lançou EP digital, Do meu olhar, que sinalizou o excelente ano musical vivido pela cantora paraibana em 2015. Focando andanças atrevidas da artista em três gravações de tom humanista, o EP Do meu olhar deu pista certeira do álbum que Elba lançou em março deste ano de 2015, Do meu olhar pra fora, com distribuição da gravadora Coqueiro Verde Records. No 33º álbum de discografia iniciada em 1979, Elba expandiu olhar musical ao apresentar 12 músicas gravadas com o toque pop contemporâneo da produção de Luã Mattar e Yuri Queiroga. Promovido com show que estreou em abril, em São Paulo (SP), o álbum se revelou um dos melhores e mais ambiciosos discos da trajetória da Leoa do Norte. Coroando ano feliz, de grande harmonia pessoal e profissional, a artista lançou em dezembro, também via Coqueiro Verde Records, kit de CD e DVD Cordas, Gonzaga e afins, com a gravação ao vivo do homônimo show de arquitetura teatral apresentado em 2014 por Elba com o grupo armorial SaGRAMA e o quarteto de cordas Encore, ambos de Pernambuco. A Leoa continua valente.
Chico Salem junta parcerias com Arnaldo, Jeneci e Baleiro no segundo disco
♪ Treze anos após o lançamento do primeiro álbum, o autoral 01 (Independente, 2002), o cantor, compositor e músico paulista Chico Salem se prepara para lançar o segundo álbum, Maior ou igual a dois, programado para ser editado em 2016. Guitarrista que integra a banda do ex-titã Arnaldo Antunes, de quem é parceiro e com quem trabalha desde 1999, Salem dá voz a 13 músicas autorais em Maior ou igual a dois. O repertório do disco inclui parcerias do artista com Arnaldo, Marcelo Jeneci e Zeca Baleiro, entre outros nomes da atual cena pop brasileira. O álbum já está gravado. Salem capta recursos para mixar e masterizar o disco - e para prensar as (duas mil) cópias iniciais.
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