Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 13 de dezembro de 2015

Trato dado à obra de Fátima redime baixo teor de novidade de 'Transparente'

Resenha de CD
Título: Transparente
Artista: Fátima Guedes
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * * * 1/2

Primeiro álbum autoral de Fátima Guedes desde Muito intensa (Velas, 1999), Transparente provoca misto de encantamento e decepção, mas o arrebatamento dilui a frustração. O encantamento vem do tratamento sofisticado dado ao cancioneiro desta compositora carioca que já surgiu pronta em 1979, ano marcado por explosão do canto feminino na MPB. Capitaneada pela própria artista ao lado de Bororó, a luxuosa produção de Transparente enquadra a singular obra autoral de Fátima em moldura invariavelmente refinada. Nesse sentido, o 14º título da discografia da artista se impõe de imediato como um dos melhores álbuns de Fátima. Já a decepção é provocada pelo baixo teor de novidade do repertório de Transparente. Das 14 músicas do álbum, apenas quatro são de fato  inéditas em disco. Mesmo que algumas músicas sejam inéditas na voz da autora e por isso se justifiquem no disco, caso de E agora? (2003), música lançada pela cantora carioca Carol Saboya no álbum Presente (MP,B Discos, 2003), a frustração persiste pelo fato de Fátima ter baú de músicas inéditas à espera de gravação. Algumas dessas inéditas poderiam ocupar o lugar de Cheiro de mato (1980), Condenados (1979) - música que simboliza o espontâneo movimento feminino que sensualizou a partir de 1979 a então masculinizada MPB - e da cortante Faca (1992). Até porque essas músicas já estão belamente gravadas pela autora. Em contrapartida, há regravações que acrescentam dado novo à música. Rearranjada por Bororó, Onze fitas (1979) recai no samba com arranjo vocal - a cargo do grupo carioca Arranco de Varsóvia - que evoca o clima das vozes dispostas em Saudade do Brasil, show de 1980 em que Elis Regina (1945 - 1982) deu voz a Onze fitas, um ano após a música abrir o primeiro álbum de Fátima, lançado no ano anterior via EMI-Odeon. O Arranco figura também numa das quatro reais novidades do repertório, Sempre bate o sol, samba luminoso capaz de dissipar treva. Toada lançada na voz soberana de Maria Bethânia, Flor de ir embora (1990) também está plenamente justificada em Transparente por juntar o canto de Fátima com o de Dori Caymmi, cuja voz parece brotar da terra, ampliando os sentidos dos versos melancólicos da letra. Minha Nossa Senhora (1995) paira acima de tudo e todos em feitio de oração em gravação que consegue a proeza de superar o registro já pungente lançado há 20 anos por Fátima no álbum Grande tempo (Velas, 1995). Grande tempo e Sétima arte (PolyGram, 1985) são dois dos quatro álbuns de Fátima produzidos por Paulo Roberto de Medeiros e Albuquerque (1942 - 1986), o saudoso produtor musical Paulinho Albuquerque, a quem Transparente é dedicado (há inclusive texto escrito por Fátima para o encarte para explicar a importância de Paulinho na obra que elabora desde a década de 1970). De Sétima arte, aliás, Fátima rebobina Criatura (1985), samba-canção que expõe a influência menos aparente de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) na construção da obra da artista  (e não foi por acaso que Fátima cantou Jobim em Outros tons, álbum lançado pela Rob Digital em 2006). A presença de Paulinho está entranhada no disco, nos arranjos - criados dentro de um tempo atemporal, sem conexões com modernidades musicais - e no canto preciso de Fátima. A compositora foi se revelando, aos poucos, uma excelente cantora. Em Transparente, o único deslize de Fátima no quesito é o registro demasiadamente apressado de A vida que a gente leva (2005) que contraria a serenidade da letra e o próprio tom violeiro do arranjo de Bororó. A vida que a gente leva já tinha sido gravada por Fátima em disco ao vivo de 2011 que registrava show feito pela artista com a cantora Alaíde Costa. Só que este CD teve comercialização interrompida ainda na fase inicial de distribuição, por decisão da própria Fátima. O que justifica os registros autorais de A vida que a gente leva e de Ela (2011), outra música presente no roteiro captado para o abortado disco ao vivo. Ela ganha gravação perfeita, na qual Fátima traça com o habitual rigor o perfil da bipolar personagem-título. Real novidade do repertório, a boa música-título Transparente retoma sensualidade que brotara já em Condenados. Já Ética - outra inédita do disco - exemplifica a habilidade da compositora para abordar questões afetivas com densidade melódica e poética. Fátima é da canção, mas também do samba. Iluminado por arranjo do violonista Cláudio Jorge, Lua de cereja fecha o disco com colorido, leveza e os vocais de Dori Caymmi. Enfim, mesmo não sendo o álbum de inéditas que o público de Fátima Guedes esperava com ansiedade, Transparente é mais um grande disco desta artista que conduz a carreira com coerência com os princípios musicais nos quais acredita. Mesmo com baixo teor de (real) novidade no refinado repertório, Transparente é bálsamo para ouvidos diplomados na grande escola da MPB.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Eis a capa de 'Transparente', o primeiro álbum autoral de Fátima desde 1999

Esta é a capa - em estilo clássico - de Transparente, o primeiro álbum autoral de Fátima Guedes desde Muito intensa (Velas, 1999). Gravado neste ano de 2015 entre as cidades de Rio de Janeiro (RJ) e Goiânia (GO), com produção e direção artística feitas pela artista carioca com Bororó, o álbum está sendo lançado no mercado fonográfico brasileiro em edição da Fina Flor. O repertório inclui, entre 14 músicas, quatro composições totalmente inéditas da cantora e compositora carioca. Eis, na ordem do CD,  as 14 músicas gravadas por Fátima Guedes no álbum autoral  Transparente:

1. A vida que a gente leva (Fátima Guedes, 2005)
2. Ética (Fátima Guedes, 2015) - música inédita
3. Condenados (Fátima Guedes, 1979)
4. Sempre bate o sol (Fátima Guedes, 2015) - música inédita - com Arranco
5. Flor de ir embora (Fátima Guedes, 1990) - com Dori Caymmi
6. Criatura (Fátima Guedes, 1985)
7. Faca (Fátima Guedes, 1992)
8. Onze fitas (Fátima Guedes, 1979)
9. Minha Nossa Senhora (Fátima Guedes, 1995)
10. Transparente (Fátima Guedes, 2015) - música inédita
11. Ela (Fátima Guedes, 2011)
12. Cheiro de mato (Fátima Guedes, 1980)
13. E agora? (Fátima Guedes, 2003)
14. Lua de cereja (Fátima Guedes, 2015) - música inédita

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Fátima Guedes registra somente quatro inéditas no CD autoral 'Transparente'

Transparente - primeiro álbum autoral de Fátima Guedes desde Muito intensa (Velas, 1999) - apresenta repertório com baixo teor de músicas inéditas. Gravado entre as cidades de Rio de Janeiro (RJ) e Goiânia (GO), com produção e direção artística capitaneadas pela artista carioca com Bororó, o disco é pautado por regravações de músicas como A vida que a gente leva (2005), Cheiro de mato (1980), Criatura (1985), Condenados (1979), Onze fitas (1979), Faca (1992), Flor-de-ir-embora (1990) - canção ora regravada pela cantora e compositora com a participação de Dori Caymmi - e Minha Nossa Senhora (1995). Embora guarde um baú com música inéditas, Fátima apresenta somente quatro inéditas entre as 14 faixas de Transparente. As reais novidades são Ética, Lua de cereja, Sempre bate o sol - música gravada com o grupo carioca Arranco - e a música-título Transparente. Contudo, E agora? - música lançada pela cantora carioca Carol Saboya no álbum Presente (MP,B Discos, 2003) - é inédita na voz da compositora. E Ela, embora já gravada por Fátima em disco ao vivo assinado com Alaíde Costa, ganha seu primeiro registro oficial com a autora, uma vez que o disco Alaíde Costa e Fátima Guedes ao vivo (Joia Moderna, 2011) foi retirado do mercado fonográfico - por iniciativa de Fátima - quando começava a ser distribuído pela Tratore. Transparente é álbum dedicado por Fátima Guedes - vista em foto extraída do vídeo do making of do disco, postado pela artista em sua página oficial no Facebook - ao diretor e produtor musical  Paulinho Albuquerque (1942 - 2006), cofundador da gravadora Velas.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Álbum autoral de Fátima Guedes inclui música gravada com o grupo Arranco

A IMAGEM DO SOM - Postada por Andrea Dutra em seu perfil no Facebook, a foto flagra a cantora em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) com Fátima Guedes. A imagem foi feita no dia em que o grupo carioca Arranco - do qual Dutra faz parte - gravou sua participação no álbum de músicas autorais que a cantora e compositora carioca vem formatando para mostrar (ainda) neste segundo semestre de 2015.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Fátima insere regravação de 'Condenados' em álbum autoral gravado no Rio

Fátima Guedes grava no Rio de Janeiro Transparente, seu primeiro álbum de músicas inéditas e autorais desde Muito intensa (Velas, 1999). Embora o álbum de 14 faixas contenha músicas nunca registradas em disco pela cantora e compositora carioca (cujo baú guarda inéditas como Caminho do coração, Lua de cereja, Pólen, Simples pensamento, Tantos assuntos e Um anjo), o CD inclui nova abordagem de Condenados, música sensual lançada pela cantora baiana Simone no álbum Pedaços (EMI-Odeon, 1979).  A regravação de Condenados tem arranjo do pianista Itamar Assiere.

sábado, 27 de junho de 2015

Mariene canta Dolores, Fátima Guedes e nova de Flavia no ciclo de 'Lindeza'

Cantora associada ao calor dos ritmos da Bahia, Mariene de Castro experimenta o que caracteriza como "novo ciclo" em Lindeza, show que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 26 de junho de 2015, em apresentação que seduziu o público que encheu o Theatro Net Rio para ver a cantora baiana dar voz a composições - recolhidas tanto em sua memória afetiva como em sua discografia - com formação musical inusitada para Mariene. Com o toque do piano acústico de Rafael Vernet, do baixo acústico de Adalberto Miranda e das percussões de Marco Lobo e Bóka Reis, Mariene cantou músicas como Flor de ir embora (canção de Fátima Guedes lançada por Maria Bethânia em álbum de 1990), Eu quero ir com você - inédita da compositora paraibana Flavia Wenceslau que vai ser lançada em breve por Mariene em gravação já alvo de clipe - e Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957), esta em número de tom camerístico que juntou a cantora somente ao piano de cauda de Vernet. Eis o roteiro seguido em 26 de junho de 2015 por Mariene de Castro - em foto de Rodrigo Goffredo - no palco do Theatro Net Rio, na estreia carioca de Lindeza, show transitório que debutou em Belo Horizonte (MG), em 5 de junho:

1. Sinfonia da paz (Altay Veloso, 1991)
2. Flor de ir embora (Fátima Guedes, 1990)
3. Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977) /
4. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)
5. João Valentão (Dorival Caymmi, 1953)
6. Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)
7. Hora do adeus (Onildo de Almeida e Luiz Queiroga, 1966) /
8. Lamento sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1973) /
9. Dono dos teus olhos (Humberto Teixeira, 1956) /
10. Assum preto (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950)
11. Ponto de Nanã (Roque Ferreira, 2007)
      - com citação de Cordeiro de Nanã (Tincoãs, 1973)

12. Ponto de Oxossi (tema tradicional de domínio público) /
13. Oxossi (Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro, 2004)
14. Solo de Marco Lobo no berimbau
      - com citação de Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)

15. Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964)
      - Número instrumento em dueto de Marco Lobo com Rafael Vernet

16. Por causa de você (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957)
17. Eu quero ir com você (Flavia Wenceslau, 2015) - música inédita
18. Amuleto de sorte (Nelson Rufino, 2012)
19. Ilha de maré (Walmir Lima e Lupa, 1977)
20. Falsa baiana (Geraldo Pereira, 1944)
21. Abre caminho (Roque Ferreira, Jota Velloso e Mariene de Castro, 2004)
Bis:
22. Ijexá (Edil Pacheco, 1982)
23. Embala eu (Albaléria, 1979) /
24. Samba da minha terra (Dorival Caymmi, 1940) /

25. Flor da laranjeira (tema tradicional de domínio público) /
26. Ê baiana (Fabrício da Silva, Baianinho, Ênio Santos Ribeiro e Miguel Pancrácio, 1971) /
27. Marinheiro só (Tema tradicional de domínio público) /
28. Canção da partida (Suíte dos pescadores) (Dorival Caymmi, 1957) /
29. Pontos de caboclo (Tema tradicional de domínio público)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Álbum em que Célia canta inédita de Fátima e Ivan está em fase de mixagem

Intitulado Aquilo que a gente diz, o segundo álbum de Célia na gravadora Nova Estação já está em fase de mixagem, em São Paulo (SP), cidade em que o CD vem sendo formatado desde fevereiro de 2014 pelo produtor Thiago Marques Luiz. O repertório inclui Tanto nó, inédita parceria de Ivan Lins com Fátima Guedes. O álbum vai ser o 14º título da discografia da cantora paulistana, já que Célia finalizou antes um outro CD, gravado simultaneamente com Aquilo que a gente diz. Também editado via Nova Estação, mas sem distribuição comercial, este outro disco - intitulado Só a pessoa sabe o que tem por dentro (2014) - é assinado pela cantora com o ator paulistano Cássio Scapin. Ambos interpretam canções e poemas de  Cássio Junqueira,  que assina a produção do projeto com Thiago Marques Luiz.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Fátima planeja entrar em estúdio em junho, no Rio, para gravar álbum autoral

Fátima Guedes planeja entrar em estúdio em junho deste ano de 2015 para gravar álbum de músicas autorais - o primeiro em 16 anos, já que o último disco de repertório inédito da cantora e compositora carioca, Muito intensa, foi lançado em 1999 pela extinta gravadora Velas. Embora a artista tenha revelado somente uma (Ela) das 14 músicas do repertório do álbum, sabe-se que Fátima tem prontas composições inéditas como Caminho do coração, Lua de cereja, Pólen, Simples pensamento,Tantos assuntos e Um anjo  -  o que não significa que estejam no disco, cujo repertório é mantido em segredo.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Jane dá voz a uma canção de Fátima Guedes em gravação para CD de Navas

A cantora paraense Jane Duboc gravou hoje à tarde no Drum Studio, no Rio de Janeiro (RJ), sua participação no décimo álbum do cantor paulistano Carlos Navas, Crimes de amor, já em fase de finalização. Na gravação realizada na tarde desta sexta-feira, 27 de março de 2015, Jane fez dueto com Navas em canção de Fátima Guedes, Óbvio, lançada na voz da cantora Juliana Martins em disco de 2003. Com som calcado nas cordas de violões e contrabaixos, o CD Crimes de amor tem lançamento previsto para maio, em edição independente que será distribuída pela Tratore. O disco tem 13 músicas.

sábado, 19 de abril de 2014

Baú de inéditas de Fátima guarda canção com Ivan e samba com Moacyr Luz

 Cantores de MPB à procura de repertório devem seguir o exemplo de Simone e contatar Fátima Guedes. Contando atualmente com 23 músicas registradas pela artista carioca em gravações demos, o baú de inéditas da compositora - de quem Simone gravou o sedutor baião Haicai em seu álbum É melhor ser (Biscoito Fino, 2013) - inclui canção composta com Ivan Lins (Tanto nó) e samba feito com Moacyr Luz (Súbita primavera), entre músicas assinadas somente por Fátima Guedes, casos de Caminho do coração, Lua de cereja, Pólen, Simples pensamento, Tantos assuntos e Um anjo. Todas são inéditas - à espera de gravações em vozes alheias e/ou de registros oficiais em necessário álbum autoral desta compositora projetada em 1979. Fátima precisa gravar.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Célia grava novas de Fátima e Joyce em álbum que traduz SP via Gil e Criolo

♪ Célia ganhou músicas inéditas das compositoras Fátima Guedes e Joyce Moreno para incluir no disco que começa a gravar nesta segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014. Produzido por Thiago Marques Luiz para seu recém-aberto selo Nova Estação, o 13º álbum da cantora paulistana - em foto de Jardiel Carvalho - vai moldar retrato contemporâneo da cidade de São Paulo (SP) através de músicas como  Punk da periferia (Gilberto Gil, 1983)  e  Não existe amor em SP (Criolo, 2011).

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Fhernanda canta a paixão doída de Fátima Guedes sem sentimentalismo

Resenha de CD
Título: Passional - As Canções de Fátima Guedes
Artista: Fhernanda Fernandes
Gravadora: Joia Moderna / Lua Music
Cotação: * * * 

De natureza intensa e apaixonada, o cancioneiro de Fátima Guedes exige cuidado dos seus intérpretes para que tal intensidade seja realçada na medida certa, sem exageros. Cantora projetada nos anos 80, Fhernanda Fernandes geralmente acerta o tom ao cantar amores e dores da compositora carioca em Passional, CD recém-lançado pela gravadora Joia Moderna com distribuição da Lua Music. Idealizado pela própria Fhernanda, sob direção musical do violonista Felipe Poli (autor dos arranjos), o disco repõe em circulação músicas que jaziam esquecidas no baú fonográfico de Fátima. A seleção prioriza as canções lançadas pela autora em seus três primeiros álbuns - Fátima Guedes (1979), Fátima Guedes (1980) e Lápis de Cor (1981) - numa época em que as músicas densas da compositora já eram propagadas nacionalmente nas vozes de cantoras como Elis Regina (1945 - 1982) e Simone. São temas como Cara a Máscara (1979), cuja dramaticidade se enquadra bem na moldura de tango criada para o arranjo deste Passional. A música-título - Passional, marco inicial da carreira de Fátima Guedes, gravada em 1979, mas propagada em festivais já pelos idos de 1976 - é aclimatada na atmosfera de um samba-canção. Já Dor Medonha (1980) tem o clima de um fado por conta do bandolim bouzouki de Pedro Braga, cujo toque remete tanto ao choro quanto ao sentimento melancólico de uma guitarra portuguesa. Dona de voz grave, encorpada, Fhernanda dá conta de temas como E Agora? (2003) - a mais recente das 13 composições selecionadas para o disco, lançada por Carol Saboya - e Flor de Ir Embora (1990), uma das mais faixas mais sedutoras de Passional, pela beleza triste de letra e melodia, ouvidas primeiramente na voz de Maria Bethânia. Tanto Que Aprendi de Amor (1980) ensina que o cancioneiro de Fátima Guedes cai bem em arranjos que evocam um ambiente escuro, íntimo e esfumaçado. Não te Amo Mais (1985) se diferencia pela levada suingante do sax de Tino Júnior. Em contrapartida, Fraqueza (1981) evidencia certa linearidade no universo temático da compositora - o que se reflete no ar por vezes cansativo do CD Passional. Imersa nesse universo com paixão, Fhernanda Fernandes saboreia Paladar (1980) somente com o piano de Pedro Santos e sorve Absinto (1983) sem sequer roçar a intensidade da gravação imbatível feita por Alaíde Costa em álbum de 1988. Da mesma forma, Desacostumei de Carinho (1981) parece já ter encontrado as vozes definitivas de Nana Caymmi e da própria autora do tema. Parceria bissexta de Fátima Guedes com Djavan, o samba É Sério (1999) quebra o clima denso do disco com o suingue típico da obra do compositor. Por fim, Celeste (1981) - faixa que une a voz da intérprete à guitarra de Felipe Poli - arremata Passional, mostrando que Fhernanda Fernandes habita o mesmo planeta musical de Fátima Guedes numa já distante galáxia da MPB.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Com Braz em show no Rio, Fátima encara até 'Desafio' de Dori e Pinheiro

No meio da estreia carioca de seu show Casa de Morar, apresentado no Rio de Janeiro (RJ) na noite de 11 de julho de 2012, Renato Braz cantou de improviso Cheiro de Mato, música de Fátima Guedes que deu título ao segundo álbum da compositora carioca. Foi a deixa para o cantor paulista chamar sua convidada ao palco do Teatro Rival. Com o anfitrião ao violão, Fátima Guedes e Renato Braz - vistos em foto de Mauro Ferreira - cantaram Chora Brasileira (parceria da compositora com Djalma Tinoco e Rosane Lessa que batizou o LP lançado por Nana Caymmi em 1985), encararam Desafio (o tema de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro regravado por Braz no seu sétimo álbum, o recém-lançado Casa de Morar) e fizeram desabrochar a sensível Flor de Ir Embora (música de Fátima lançada em 1990 por Maria Bethânia no CD 25 Anos). Flor de Ir Embora foi repetida pelos cantores no bis - com direito a um solo da pianista Thaís Nicodemo - e preparou o terreno para o encerramento do show com Desenredo ((Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro). Compositora que já nasceu pronta e que foi se revelando uma intérprete cada vez afiada, dona de uma voz mais encorpada e mais grave, Fátima Guedes abrilhantou com sua participação o show de seu amigo Renato Braz, presença bissexta em palcos cariocas. Ambos estavam em casa, às voltas com músicas da melhor estirpe.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fhernanda dá voz a 13 músicas de Fátima Guedes no álbum 'Passional'

Disco em que a cantora e compositora carioca Fhernanda Fernandes dá voz a 13 músicas de Fátima Guedes, Passional - As Canções de Fátima Guedes segue para fábrica nesta segunda-feira, 25 de junho de 2012. Idealizado pelo DJ Zé Pedro para sua gravadora Joia Moderna, Passional foi gravado em Niterói (RJ), de fevereiro a junho de 2012, com arranjos e direção musical do violonista Felipe Poli. O disco entrelaça as obras de Fhernanda e Fátima 32 anos depois de ambas terem participado do festival MPB-80. Na competição exibida pela TV Globo em 1980, Fhernanda defendeu Devassa (Wania Andrade e Solange Boeke) - com interpretação que lhe rendeu convite da extinta gravadora RGE para a gravação de compacto e do posterior álbum Fera (1981) - enquanto Fátima apresentou sua composição Mais Uma Boca. A seleção - que inclui a obscura E Agora?, lançada por Carol Saboya no álbum Presente (2003) - prioriza a produção lançada pela compositora entre 1979 e 1981. Eis o repertório de Passional, CD que chega às lojas entre o fim de julho e o início de agosto de 2012, com distribuição da Tratore:

1. Cara a Máscara (Fátima Guedes, 1979)
2. Passional (Fátima Guedes, 1979)
3. Dor Medonha (Fátima Guedes, 1980)
4. E Agora? (Fátima Guedes, 2003)
5. Flor de Ir Embora (Fátima Guedes, 1990)
6. Tanto que Aprendi de Amor (Fátima Guedes, 1980)
7. Não Te Amo Mais (Fátima Guedes, 1985)
8. Fraqueza (Fátima Guedes, 1981)
9. Paladar (Fátima Guedes, 1980)
10. Absinto (Fátima Guedes, 1983)
11. É Sério (Fátima Guedes e Djavan, 1999)
12. Desacostumei de Carinho (Fátima Guedes, 1981)
13. Celeste (Fátima Guedes, 1981)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Fhernanda grava para Joia Moderna CD com músicas de Fátima Guedes

Cantora e compositora carioca projetada na década de 80, Fhernanda Fernandes prepara para a Joia Moderna - gravadora do DJ Zé Pedro, admirador da voz da artista - um CD com músicas de Fátima Guedes. O repertório selecionado para o disco inclui Passional (1979), É Sério (1999) - parceria bissexta de Guedes com Djavan, lançada pela compositora em seu álbum Muito Intensa (Velas, 1999) - e Flor de Ir Embora (1990). O álbum sairá no segundo semestre.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Divergências motivam cancelamento do disco ao vivo de Alaíde e Fátima

Embora já tenha recebido da fábrica as mil cópias da tiragem inicial do CD Alaíde Costa e Fátima Guedes ao Vivo, que perpetuaria show feito pelas cantoras no Teatro Fecap (SP) de 5 a 7 de agosto de 2008, a gravadora Joia Moderna cancelou a edição do disco. As mil cópias serão, inclusive, destruídas. O motivo do abrupto cancelamento foram discordâncias relativas a questões técnicas na faixa Minha Nossa Senhora, música de Fátima Guedes, interpretada por Alaíde Costa. Como por enquanto não se chegou a um entendimento, a decisão foi por não comercializar as mil cópias já fabricadas. Com isso, os admiradores das artistas vão ficar impossibilitados de ouvir o registro ao vivo de show irretocável, cujo roteiro incluía a inédita Ela, tema em que Fátima Guedes discorre em tom teatral sobre as efervescentes mutações da alma feminina. Clique aqui para ler a resenha da bela estreia do show, realizada no efêmero projeto Grandes Encontros do Teatro Rival - no Rio de Janeiro (RJ) - em 17 de julho de 2008.  

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Zé Pedro edita registro ao vivo do show de Alaíde Costa e Fátima Guedes

Em 17 de julho de 2008, Alaíde Costa e Fátima Guedes uniram forças, vozes e repertórios em show que estreou no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ). O show foi gravado pela equipe do Rival na época da estreia e, depois, ganhou outro registro ao vivo em temporada no Teatro Fecap, em São Paulo (SP). É esse registro ao vivo captado no Fecap que vai ser editado em CD, três anos depois da estreia do show, pela gravadora Joia Moderna, aberta pelo DJ Zé Pedro para dar voz a cantoras sem voz na indústria fonográfica que segue o ritmo do momento. Clique aqui para ler em Notas Musicais a resenha da estreia do (irretocável) show das artistas.