♪ Ator, cantor e compositor capixaba que alcançou fama nacional ao interpretar personagens de destaques nas novelas Império (TV Globo, 2014) e Babilônia (TV Globo, 2015), Chay Suede já arquiteta seu segundo álbum solo. O sucessor do álbum Chay Suede (Universal Music, 2013) tem lançamento previsto para 2016. O disco ainda está fase embrionária de produção. Revelado como cantor dentro do universo pop adolescente do grupo Rebeldes, Chay - em foto de André Schiliró - pretende extrapolar o mundo teen com seu segundo álbum, gravando músicas de tom mais adulto.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
sábado, 24 de outubro de 2015
Adiada, ode do Prêmio da Música Brasileira a Gonzaguinha acontece em 2016
♪ O cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (1945 - 1991), o Gonzaguinha, é o homenageado da 27ª edição do Prêmio da Música Brasileira, programada para 2016. De início, o justo tributo a Gonzaguinha - visto no traço de Elifas Andreato - estava previsto para acontecer na edição deste ano de 2015, dentro dos festejos pelos 70 anos de nascimento do artista. Mas a opção do empresário José Maurício Machline - criador do prêmio - por celebrar em 2015 os 50 anos de carreira da artista baiana Maria Bethânia adiou a ode a Gonzaguinha para 2016.
Dá no Coro segue tons vívidos de grupos vocais nativos em 'Cores do Brasil'
Resenha de CD
Título: Cores do Brasil
Artista: Dá no Coro
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
Título: Cores do Brasil
Artista: Dá no Coro
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
♪ Coletivo carioca formado por 16 vozes, harmonizadas sob a direção de Sérgio Sansão, Dá no Coro segue os tons herdados das tradições dos grupos vocais nacionais como Garganta Profunda em Cores do Brasil, álbum inspirado nas pinturas do artista plástico Paulo Symões, cujos quadros são reproduzidos em dez postais encartados no encarte duplo do CD com as letras e os créditos dos compositores das 10 músicas do disco. Neste segundo álbum, produzido por Sansão, o Dá no Coro dá vozes a essas 10 músicas do cancioneiro brasileiro, assinadas por grandes compositores, com sofisticação. As vozes foram harmonizadas por maestros experientes neste gênero de arranjo - André Protasio, Augusto Ordine, Flávio Mendes, Kodiak Agüero, Paulo Malaguti Pauleira e Zeca Rodrigues - em gravações às quais foram adicionadas percussões, baixo (o de Pedro Sabino) e violão (o de Maurício Teixeira). Base que sustenta a abordagem do afro-samba Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961), a interação das vozes com as percussões é uma das marcas do Dá no Coro, grupo criado em 2004 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Alocada na abertura do disco, a leitura de Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977) já ostenta a vibração típica de grupos vocais. A propósito, a obra épica e mineira do carioca Milton Nascimento favorece tais vocalizações. E não é por acaso que a segunda das dez músicas do disco, Vera Cruz (Milton Nascimento e Márcio Borges, 1968), também é da lavra original de Bituca. Em Vera Cruz, o Dá no Coro acertadamente baixa a voltagem da alegria para realçar - ainda que na superfície da emoção - a tristeza embutida em versos embebidos em pranto e dor. Já Tuaregue nagô (Lenine e Bráulio Tavares, 1993) evoca no canto solo da abertura e no arranjo toda a negritude ancestral e africana que envolve a composição - o próprio Brasil - e também o jongo Vapor da Paraíba (Mestre Fuleiro e Vovó Tereza), tema do repertório do grupo carioca Jongo da Serrinha que o Dá no Coro sustenta com sua forte base percussiva. De arquitetura mais branca, Casa forte (Edu Lobo, 1966) é tema instrumental que o Dá no Coro leva em frenéticos vocalises. Em tempo de maior delicadeza, Lua girou orbita no tom de lirismo popular deste tema do folclore brasileiro recolhido na região de Beira-Rio, na Bahia. Por sua vez, o molho latino da salsa Tanta saudade (Chico Buarque e Djavan, 1983) poderia ter seu delicioso gosto mais realçado no registro do Dá no Coro. O tempero ardido do samba Linha de passe (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1979) soa mais no ponto. No fecho do disco, o grupo reveste Fantasia (Chico Buarque, 1979) de vozes inicialmente femininas de tons quase melancólicos. Mas, à medida que a faixa vai avançando, vozes femininas e masculinas se harmonizam para evidenciar a alegria, a graça, a esperança e o gozo que pautam o tema de Chico Buarque e, em diferentes graus, as dez músicas deste disco vívido. Músicas que dão no coro com as vozes e com as percussões alinhadas pelo Dá no Coro em Cores do Brasil, disco de tons cintilantes.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Julia Bosco faz segundo álbum no Rio com produção pilotada por Donatinho
♪ Já em fase de gravação, no Rio de Janeiro (RJ), o segundo álbum da cantora e compositora carioca Julia Bosco vai ter produção assinada pelo tecladista Donatinho - e não pelo artista capixaba Juliano Rabujah, como planejado inicialmente. O repertório pré-selecionado para o disco - previsto para ser lançado em 2016 - abrangia as músicas Dance com seu inimigo (Julia Bosco e Gustavo Macacko), Déjà vu (Julia Bosco e Juliano Rabujah), Domingo (César Lacerda e Fernando Temporão), Pra gozar (Julia Bosco e Emerson Leal), Quem me passa o coração? (Julia Bosco, Juliana Sinimbú e Marcela Bellas) e Volume (Ana Clara Horta, Gabriel Pondé, João Bernardo e Miguel Jorge). Julia incluiu música da cantora e compositora paraense Dona Onete neste repertório.
MPB-4 grava álbum com 13 músicas inéditas que sai pelo Selo Sesc em 2016
♪ A IMAGEM DO SOM - Postadas na página oficial do grupo MPB-4 no Facebook, as fotos mostram os quatro cantores da atual formação do grupo de origem fluminense em estúdio na gravação do álbum de inéditas que o quarteto vai lançar em 2016 com distribuição do Selo Sesc. Arquitetado pelo MPB-4 desde 2014, o disco está sendo efetivamente gravado neste mês de outubro de 2015. Aquiles (integrante da formação original do cinquentenário grupo), Dalmo Medeiros (recrutado em 2004 para entrar no lugar do dissidente Ruy Faria), Miltinho (outro remanescente da formação original) e Paulo Malaguti (convidado a entrar no grupo após a morte de Magro Waghabi, ocorrida em agosto de 2012) dão vozes no álbum a 13 músicas inéditas de compositores brasileiros. Jornal de ontem - parceria de Joyce Moreno com Sérgio Santos - é uma delas. Outra é parceria de Breno Ruiz com Paulo César Pinheiro. O disco tem arranjos do pianista Gilson Peranzzetta, integrante da banda que embasa o MPB-4 no CD e que também inclui João Cortez (bateria), Lula Galvão (violão) e Zeca Assumpção (baixo). Trata-se do primeiro álbum do MPB-4 sem os arranjos vocais de Magro.
Joelma apresenta sua primeira gravação feita após separação de Chimbinha
♪ A cantora paraense Joelma revelou ontem, 21 de outubro de 2015, na web a primeira gravação que fez após a separação do guitarrista Chimbinha e a consequente diluição da formação original da banda Calypso. Joelma gravou a música Amor de fã, de autoria do compositor Elvis Pires, em dueto com a cantora pernambucana Priscila Senna, vocalista da banda Musa. Embora a gravação seja a primeira feita por Joelma pós-Calypso, o fonograma ainda não marca o início da discografia solo da artista, fazendo parte da obra da Musa, banda criada com inspiração na Calypso. Aliás, Amor de fã vai ser novamente registrada por Joelma em 28 de outubro, na gravação ao vivo do segundo DVD da Musa. A gravação lançada na web adianta o dueto a ser gravado no show da Musa.
Bethânia participa da gravação do samba da Mangueira para CD da folia 2016
♪ A IMAGEM DO SOM - Postada no site Carnavalesco, a foto acima mostra Maria Bethânia em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) ao lado de Ana Basbaum, do produtor musical Jorge Cardoso (de camisa rosa) e de ilustre mangueirense - Álvaro Luís Caetano, o Alvinho, ex-presidente da Estação Primeira e compositor de sambas campeões - na gravação do samba-enredo da escola de samba Mangueira para o disco que vai trazer os sambas-enredos das agremiações do Grupo especial no Carnaval do Rio de Janeiro (RJ) de 2016. O álbum vai ser lançado pela gravadora Gravasamba ainda neste ano de 2015. Na última terça-feira, 16 de outubro de 2015, a intérprete baiana gravou participação no registro do bonito samba Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá (Alemão do Cavaco, Almyr, Cadu, Lacyr D Mangueira, Paulinho Bandolim e Renan Brandão). No disco, a ser distribuído pela Universal Music, a voz da intérprete vai ser ouvida na introdução do samba-enredo.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Cantoras guiam Romulo Fróes em 'Por elas sem elas', álbum de voz e violão
♪ Sexto álbum da discografia solo do cantor e compositor paulistano Romulo Fróes, Por elas sem elas (YB Music) tem lançamento agendado para amanhã, 23 de outubro de 2015, em edição digital (a edição física em CD deve sair até o fim do ano). É disco de voz & violão gravado com inspiração em cantoras como Elza Soares, Juçara Marçal, Mariana Aydar e Nina Becker, entre várias outras. Testando os limites das canções, Romulo dá sua versão de autor para músicas de sua lavra lançadas nas vozes dessas cantoras. Sucessor do álbum Barulho feio (YB Music, 2014) na obra solo do artista, Por elas sem elas inclui no repertório autoral abordagens de Mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2015) - música-título de álbum recém-lançado por Elza, do qual o artista também regrava Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015) - de Queimando a língua (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2014) e Presente de casamento (Thiago França e Romulo Fróes), composições lançadas por Juçara no antológico álbum Encarnado (Independente, 2014). Em Por elas sem elas, Romulo também dá voz e violão a músicas como Nada disso é pra você (Romulo Fróes e Clima, 2009) e Flor vermelha (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2010), composições lançadas nas vozes de Mariana Aydar e Nina Becker, respectivamente. Aydar também foi a primeira voz de Porto (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2011) em gravação do álbum Cavaleiro selvagem aqui te sigo (Universal Music, 2011). Também de 2011, Uma outra qualquer por aí (Romulo Fróes e Clima) deu título ao álbum lançado pela cantora baiana Manuela Rodrigues naquele ano. Já Um amor de morrer (Romulo Fróes e Clima,2014) é música lançada por Natália Matos. Completa o repertório do álbum Cidade baixa (Romulo Fróes e Nuno Ramos, 2009), música já gravada por Juliana Perdigão.
'Songbook' de Sá & Guarabyra sai em CD com 14 gravações originais do duo
♪ Dupla carioca ainda em atividade, formada na primeira metade da década de 1970 pelo carioca Luiz Carlos Pereira de Sá com o baiano Guttemberg Nery Guarabyra Filho, Sá & Guarabyra tem sua obra revista em songbook editado pela gravadora Kuarup nos formatos de CD (foto) e livro. Produzido pela editora Irmãos Vitale, o livro de partituras alinha letras e cifras de 55 músicas do cancioneiro autoral da dupla criada em 1973 - além de fotos e de textos escritos pelos cantores e compositores - e vai ser editado no formato de ebook. Já o CD - cuja capa reproduz a arte gráfica do livro - rebobina gravações originais de 14 sucessos do duo Sá & Guarabyra, a maioria já editada em compilações. Eis, na disposição da coletânea, as 14 músicas do CD Songbook Sá & Guarabyra:
1. Roque Santeiro (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1985)
2. Harmonia (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1986)
3. Verdades e mentiras (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1985)
4. Espanhola (Flávio Venturini e Guttemberg Guarabyra, 1977)
5. Dona (Luiz Carlos Pereira de Sá e Guttemberg Guarabyra, 1982)
6. Estrela Natureza (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
7. Caçador de mim (Sergio Magrão e Luiz Carlos Sá, 1980) - gravada pela dupla em 1982
8. Sobradinho ((Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1977)
9. Cheiro mineiro de flor (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1984)
10. Sete Marias ((Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1979)
11. Capitão da meia-noite (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1984)
12. Quem saberia perder (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
13. Ziriguidum tchan (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
14. Meu lar é onde estão os meus sapatos(Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
2. Harmonia (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1986)
3. Verdades e mentiras (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1985)
4. Espanhola (Flávio Venturini e Guttemberg Guarabyra, 1977)
5. Dona (Luiz Carlos Pereira de Sá e Guttemberg Guarabyra, 1982)
6. Estrela Natureza (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
7. Caçador de mim (Sergio Magrão e Luiz Carlos Sá, 1980) - gravada pela dupla em 1982
8. Sobradinho ((Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1977)
9. Cheiro mineiro de flor (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1984)
10. Sete Marias ((Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1979)
11. Capitão da meia-noite (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1984)
12. Quem saberia perder (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
13. Ziriguidum tchan (Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
14. Meu lar é onde estão os meus sapatos(Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, 1990)
Bonfá e Dado abortam reedição do primeiro álbum da Legião por divergência
♪ Às vésperas de iniciar a primeira turnê nacional da Legião Urbana sem Renato Russo (1960 - 1996), Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá cancelaram a reedição do primeiro álbum da banda brasiliense, Legião Urbana (EMI-Odeon, 1985), produzida pela Universal Music com inéditas faixas-bônus. O motivo do cancelamento foi mais uma divergência de Dado e Bonfá - em foto de Marcos Hermes - com Giuliano Manfredini, filho e herdeiro da obra de Renato Russo. Desta vez, o ponto da discórdia é a autoria da música inédita 1977, cuja gravação (nunca lançada pela Legião) seria incluída na turbinada reedição do álbum. Manfredini alega que a música é de autoria somente de Renato Russo e - como tal - assim ela foi registrada no ECAD após a morte de Renato. Bonfá e Dado sustentam que têm direitos sobre a composição. Para evitar mais um embate judicial, eles optaram por abortar o projeto da reedição do álbum - ansiosamente aguardada pelos fãs da banda.
Pablo canta com Zezé Di Camargo & Luciano no sexto CD solo, 'Desculpe aí!'
♪ Sexto título da discografia solo do cantor baiano Agenor Apolinário dos Santos Neto, conhecido pelo nome artístico de Pablo e autointitulado A voz romântica, o álbum Desculpe aí! está sendo lançado pela gravadora Som Livre nesta segunda quinzena de outubro de 2015. Associado ao ritmo rotulado como arrocha desde que aceitou o convite para ser vocalista da banda baiana Asas Livres, Pablo está em carreira solo desde 2010, tendo alcançado projeção nacional no ano passado com a gravação de Porque homem não chora (Beto Nascimento, Ronivon Alves da Silva e Nauber, 2014), música de seu CD É só dizer que sim (Som Livre, 2014) que popularizou o termo sofrência e a figura do cantor nascido em Candeias (BA) Precedido pelo single Desculpe aí, música de Jonas Dantas lançada nas plataformas digitais em 4 de setembro de 2015, o álbum Desculpe aí - o terceiro trabalho do artista na gravadora Som Livre - alinha 13 músicas formatadas pelo Maestro Clecinho, escalado para produzir o disco sob direção de Josué Eleutério. No CD, Pablo divide a interpretação da música Chora não, bebê (Frank Gomes) com a dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano. Eis, na ordem do CD, as 13 músicas cantadas por Pablo em seu álbum solo Desculpe aí:
2. Displicente (Davi Vianna e Douglas Lacerda)
3. Nível de carência (Magno Sant'anna, Tierry, Mr. Galiza e Flavinho do Kadet)
4. Imprevistos (Fátima Leão)
5. Nossa canção (Mauro Jovani e Emerson Cunha)
6. Chora não, bebê (Frank Gomes) – com Zezé Di Camargo & Luciano
7. Eu amo a mim (Dan Kambaiah e Luciana Santiago)
8. Te namorar (Di Sousa, Bred e Thiago Basso)
9. Tem dó (Eric Pires de Melo e Renato Vieira)
10. Eu mudo (Zé Maria)
11. Verdadeiro amor (Pablo, Detinho e Anderson Câncio)
12. Depois não reclama (Paula Mattos e Adriana)
13. A cena (Paula Mattos)
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Jota Quest bisa parceria com Arnaldo no álbum que vai lançar em novembro
♪ O grupo mineiro Jota Quest refaz sua conexão com o cantor e compositor paulistano Arnaldo Antunes no oitavo álbum de estúdio da banda de pop funk soul. Programado para ser lançado em novembro de 2015, em edição da gravadora Sony Music, o disco abre com música, A vida não tá fácil pra ninguém, que tem letra de Arnaldo. A vida não tá fácil pra ninguém é a segunda parceria do Jota Quest - em foto de Maurício Nahas - com o ex-titã. A primeira, Tanto faz (Rogério Flausino, PJ e Arnaldo Antunes, 2002) foi lançada há 13 anos em gravação feita pelo quinteto para o álbum Discotecagem pop variada (Sony Music, 2002). Além de Arnaldo, o oitavo álbum de inéditas do Jota Quest tem música, Mares do Sul, composta e coproduzida pela banda em parceria com o músico e produtor inglês Stuart Zender, baixista da formação original do grupo britânico Jamiroquai. Gravado no estúdio Minério de Ferro, em Belo Horizonte (MG), e finalizado em Los Angeles (EUA) pelos engenheiros de som Joe Zook (responsável pela mixagem) e Bob Ludwig (requisitado para pilotar a masterização), o álbum reúne 13 músicas inéditas no repertório autoral e tem produção assinada pelo norte-americano Jerry Barnes (Chic), produtor da maioria das faixas do azeitado álbum anterior de estúdio do Jota Quest, Funky funky boom boom (Sony Music, 2013).
Fernanda Abreu posa para as fotos da capa de seu oitavo álbum, 'Amor geral'
♪ A IMAGEM DO SOM - Postadas na página de fã-clube de Fernanda Abreu no Facebook, as duas fotos mostram a cantora e compositora carioca posando para as fotos da capa, da contracapa e do encarte de seu oitavo álbum solo, Amor geral. A direção de arte do disco é de Giovanni Bianco. Gui Paganini foi o fotógrafo escolhido para clicar a artista no Rio de Janeiro (RJ) ontem, 20 de outubro de 2015, para o material gráfico do CD. Amor geral é o primeiro álbum de Fernanda em nove anos. Os últimos títulos da discografia da cantora são o CD e DVD gravados na série MTV ao vivo e lançados em 2006 pela gravadora Universal Music. Amor geral chega ao mercado fonográfico ainda neste ano de 2015 - 25 anos após o lançamento do primeiro álbum solo da artista, Sla radical disco dance club (EMI-Odeon, 1990), álbum pioneiro na discografia da música eletrônica brasileira.
Anitta regrava sucesso de Caetano e Hanoi para abertura de novela da Globo
♪ Não, não foi por acaso que Caetano Veloso rasgou elogio a Anitta no texto em que apresenta o primeiro álbum solo de Ana Cláudia Lomelino (mãeana, lançado esta semana pela gravadora Joia Moderna). Cada vez mais pop e mais distante do pancadão do funk, a cantora e compositora carioca regravou a música Totalmente demais para a abertura da homônima novela que a TV Globo estreia em novembro de 2015. Música composta por Arnaldo Brandão em parceria com Tavinho Paes e Robério Rafael, Totalmente demais foi lançada há 30 anos em gravação feita pelo grupo Brylho para o álbum coletivo Rock in Brazil (RCA, 1985). Mas a composição ficou mais conhecida nas gravações quase simultâneas feitas em 1986 pelo grupo Hanoi Hanoi e por Caetano Veloso, que batizou disco ao vivo de 1986 com o nome da música, revivida em 2006 pela ex-funkeira Perlla em registro feito para o CD Eu só quero ser livre (Deck,2006). Anitta acaba de lançar o álbum Bang!.
Franco, álbum 'Vanusa Santos Flores' exala o cheiro forte das emoções reais
Resenha de CD
Título: Vanusa Santos Flores
Artista: Vanusa
Gravadora: Saravá Discos
Cotação: * * * *
Título: Vanusa Santos Flores
Artista: Vanusa
Gravadora: Saravá Discos
Cotação: * * * *
♪ Precedido pelo titubeante EP Vanusa Santos Flores, lançado em maio de 2014, o primeiro álbum de músicas inéditas da cantora e compositora paulista em 21 anos soa mais inteiro - em todos os sentidos - do que o disco do ano passado. Arquitetado e sonhado por seu produtor, Zeca Baleiro, o álbum Vanusa Santos Flores marca o feliz renascimento da artista. Por mais que essa sentença soe clichê, ela faz sentido. Assim como faz sentido este pulsante e sincero disco que traz a cantora de volta ao mercado fonográfico neste mês de outubro de 2015 depois de período de depressão, motivada por questões pessoais e amplificada pelo fato de a artista ter virado motivo de piadas impiedosas na web em 2009 por conta da propagação de vídeo no qual a cantora se atrapalhava com a letra caudalosa do Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manoel da Silva e José Osório Duque Estrada, 1822 / 1909) em solenidade pública. "Como dói viver / Como demora pra ser / Verdade", conclui Vanusa ao fim dos versos de Traição (Vanusa, 1994), música que lançou em seu último álbum de repertório inédito, Hinos ao amor (Leblon Records, 1994) e que ora reapresenta em arranjo mais apurado, pautado pelas cordas orquestradas por Adriano Magoo. A propósito, Vanusa Santos Flores é disco de produção bem cuidada. Um disco gravado desde 2013 que demorou dois anos para se tornar verdade, entre retomadas e interrupções das gravações. A voz da cantora de 68 anos - é fato - já perdeu parte da potência, do alcance e o rigor estilístico detectados nas interpretações de seus LPs da áurea década de 1970, como sinalizam os registros de músicas como Tapete da sala (Luis Vagner, Antonio Luis e Vanusa, 2014), uma das quatro faixas do álbum adiantadas pelo EP do ano passado. Contudo, há força e há verdade no canto de Vanusa. Parafraseando verso de Compasso (Angela RoRo e Ricardo McCord, 2006), música que abre o disco na pegada roqueira da guitarra de Tuco Marcondes, o sangue da cantora pulsa no compasso quente de Vanusa Santos Flores. "Embora a vida seja um estandarte / Da maldade / Bem ou mal / Eu prefiro a verdade", ressalta Vanusa no delicado dueto com Baleiro na primeira parceria de ambos, Tudo aurora, canção enquadrada em apropriada moldura pop folk e composta por Baleiro a partir de poema lhe entregue por Vanusa. Há verdade - cabe repetir - nas dez gravações do álbum. E há sintonia com a fase mais popular da discografia da artista. A Vanusa que avisa em Mistérios (Zé Geraldo e Mário Marcos, 1981) que vai "cantar no meio do povo e sair para a vida de novo", salvando "esse pouco que ainda resta da minha juventude", evoca aquela cantora de Manhãs de setembro (Vanusa e Mário Campanha, 1973) que queria sair, falar, ensinar o vizinho a cantar após ter se fechado no muro em tardes de tristeza. Música que fecha o álbum, Mistérios foi uma das faixas adiantadas pelo EP de 2014 no qual Vanusa apresentou também Era disso que eu tava falando (Renata Fausti e Mário Marcos) e sua gravação de uma das mais belas baladas de Zé Ramalho, O silêncio dos inocentes, lançada pelo cantor e compositor paraibano no álbum O gosto da criação (BMG, 2002). Embora exista já há 13 anos, a canção soa como inédita na voz da cantora que em 1977 lançou Avohai, um dos clássicos do cancioneiro viajante de Ramalho. A voz de Vanusa em O silêncio dos inocentes parece mais límpida do que no registro do EP (consta que ela refez algumas vozes ao retomar as gravações do álbum neste álbum de 2015). Mas, no fim das contas, a qualidade da voz é o que menos conta neste disco em que Vanusa acerta com exatidão o tom melancólico de Esperando aviões (2003) - uma das canções mais pungentes da lavra do cantor e compositor mineiro Vander Lee - e grava a música mais famosa do repertório do grupo português Madredeus. Haja o que houver (Pedro Ayres Magalhães, 1997) soa como ato de resistência de Vanusa, recado que a cantora parece dar a si mesma. Haja o que houver, ela estará lá, à espera da mão amiga. A de Zeca Baleiro a fez sair para a vida de novo. "Alivia a minha história / O mundo anda em linha reta / Eu ando em linha torta", parece rogar nos versos de Abre aspas (Nô Stopa e Marcelo Bucoff, 2002). Em era de discos fakes, estrategicamente arquitetados para receber elogios da crítica robotizada, Vanusa Santos Flores é CD franco que exala o cheiro forte das emoções reais, mixando dores, solidões, superações e - acima de tudo! - a verdade dessa resistente cantora.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
'Amanhecer' segue a toada de Paula Fernandes sem despertar algo na artista
Resenha de CD
Título: Amanhecer
Artista: Paula Fernandes
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
Título: Amanhecer
Artista: Paula Fernandes
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
♪ Ao contratar a cantora e compositora paraibana Roberta Miranda em meados da década de 1990, a gravadora então denominada PolyGram repaginou o som e o visual da artista - uma das poucas mulheres a abrir caminho no masculino universo sertanejo dos anos 1980 - para transformar Roberta numa espécie de versão brasileira da cantora norte-americana de pop country Shania Twain, então em rápida ascensão nas paradas dos Estados Unidos. Experimentada no álbum Vida (PolyGram, 1997), a estratégia deu errado e diluiu a força de Roberta no mercado sertanejo nativo. Foi preciso esperar dez anos para que a gravadora - atualmente denominada Universal Music - moldasse a sua versão nacional da então já decadente Shania ou de Taylor Swift, cantora norte-americana que soube fazer a transição do mundo country para o universo pop. Cantora e compositora mineira que grava discos desde os anos 1990, Paula Fernandes é essa versão. Aliás, a artista somente conseguiu se firmar na carreira fonográfica a partir do álbum Pássaro de fogo (Universal Music, 2008), disco em que apresentou suas canções confessionais de tom pop no meio de eventuais temas de sotaque ruralista e de algumas músicas mais animadas. Amanhecer - o nono álbum de Paula, disponível no mercado fonográfico desde 16 de outubro de 2015 pela mesma Universal Music - repete a fórmula de Pássaro de fogo, já bisada no anterior álbum de estúdio da artista, Meus encantos (Universal Music, 2012), como o single A paz desse amor (Paula Fernandes) já havia sinalizado. A batida pop country que conduz Pronta pra você (Paula Fernandes e Gustavo Fagundes) - primeira das 12 músicas do disco produzido por Márcio Monteiro - indica já na abertura do álbum que Amanhecer segue novamente a toada pop da cantora mineira (dona de voz bela e grave) sem despertar na artista um desejo de renovação. É fato que canções como Falar de mim (Paula Fernandes e Gustavo Fernandes) acordam a sensação de já terem sido ouvidas antes por quem acompanha a discografia de Paula a partir de Pássaro de fogo. O que pode ter soado como novidade no disco de 2008 já parece mera repetição neste álbum de 2015. O que jamais anula os encantos de Paula como cantora e como compositora. Voltaria ao começo (Paula Fernandes) e, sobretudo, a música-título Amanhecer (Paula Fernandes) são bonitas composições que sobressaem no repertório autoral do CD. Ao trilhar em Pedaço de chão (Paula Fernandes e Victor Chaves) a estrada de terra que a conduz ao sertanejo mais tradicional, Paula prova que seu caminho é pautado por lampejos de inspiração. Gravada com a voz e a viola (de dez cordas) de Almir Sater, artista sul mato-grossense identificado com o universo da música rural brasileira, Pedaço de chão é nostálgica canção melancólica - e sedutora - que se afina com o tom de Jeito de mato (Maurício Santini e Paula Fernandes, 2008), música de Pássaro de fogo gravada por Paula com o mesmo Almir Sater, referência de qualidade no gênero. Ainda dentro do terreno mais fértil da música sertaneja, a artista apresenta em Amanhecer uma moda de viola, Água de bico (Paula Fernandes), cuja letra relaciona clichês sobre a questão ambiental. Cumprindo sua função de fornecer repertório para os shows feitos em rodeios e festas afins, Amanhecer ostenta algumas músicas mais animadas, como Piração (Paula Fernandes) - faixa de clima forrozeiro - e E eu? (Paula Fernandes). De todo modo, são as canções de tonalidade pop em que a cantora discute a relação - caso de Depende da gente (Paula Fernandes) - que dão o tom de Amanhecer, disco em que Paula Fernandes dá voo rasante sobre o céu pop sertanejo, numa altitude mínima que a faz pairar acima do populismo da música de outros artistas do gênero, mas também sem arriscar manobras radicais.
Duo paulistano NU lança seu primeiro álbum com recriação de hit de Britney
♪ Com capa que expõe bela arte criada pelo cineasta e ilustrador Diogo Hayashi a partir de foto de Pedro Hurpia, o primeiro álbum do duo paulistano NU - sigla que designa Naked Universe - chega ao mercado fonográfico em novembro de 2015. O primeiro single do álbum NU, Quem, já entrou ontem, 19 de outubro de 2015, em rotação na web. A música abre o disco e é de autoria de Ligiana Costa, cantora e compositora nascida em São Paulo (SP) e criada em Brasília (DF). Ligiana forma o NU com o compositor, músico e sound designer paulistano Edson Secco. Gravado e mixado no Sonideria Studio, em São Paulo (SP), com produção capitaneada pelo próprio Edson Secco, o álbum alinha 10 músicas gravadas com participações de nomes como Felipe Julian (baixo adicional em Praia Hotel) e Tef Poe (voz em Músicabomba). Embora essencialmente inédito e autoral, o repertório inclui abordagem de Toxic (Christian Karlsson, Pontus Winnberg, Cathy Dennis e Henrik Jonback, 2003), música lançada pela cantora norte-americana Britney Spears há 12 anos no quarto álbum de estúdio, In the zone (Jive Records, 2003). Eis - na ordem do álbum - as 10 faixas de NU:
1) Quem (Ligiana Costa)
2) Kanazawa (Ligiana Costa)
3) Praia Hotel (Ligiana Costa)
4) Governador Valadares (Ligiana Costa)
5) Laniakea (Ligiana Costa e Edson Secco)
6) Toxic (Christian Karlsson, Pontus Winnberg, Cathy Dennis e Henrik Jonback, 2003)
7) Ma bergère est tendre et fidelle (Michel Lambert, 1689)
8) Rooftop (Ligiana Costa e Edson Secco)
9) Lilith (Ligiana Costa, Stephanie Pan e Marcelo Pretto)
10) Músicabomba (Ligiana Costa, Edson Secco, Fabio Camarneiro e Tef Poe)
Selo Discobertas encaixota álbuns lançados por Moreira por pequenos selos
♪ Desde 2011, o selo Discobertas - do pesquisador musical carioca Marcelo Fróes - vem reeditando a discografia do cantor e compositor carioca Moreira da Silva (1902 - 2000) em série de caixas. As duas primeiras caixas - lançadas em 2011 e em 2012 - embalaram os álbuns editados por Kid Morengueira na extinta gravadora Odeon, entre 1958 e 1966. A terceira caixa, de 2013, agregou 47 raras gravações feitas na década de 1950 por Moreira para discos de 78 rotações por minutos. Quarta caixa dedicada pelo selo Discobertas à obra do pioneiro propagador do samba de breque, Sempre um sucesso (1967 - 1979) - posta no mercado fonográfico por Fróes neste mês de outubro de 2015 - dá continuidade à reedição da discografia de Moreira, embalando três álbuns até então obscuros e uma coletânea de gravações avulsas. Os álbuns foram gravados pelo artista em pequenos selos, após sua saída da Odeon na segunda metade da década de 1960. Os dois primeiros, O sucesso continua (1968) e Manchete do dia (1969), foram lançados originalmente pelo selo paulistano Cantagalo, sendo que, no primeiro álbum, Moreira regrava sambas que já havia lançado com sucesso nos anos 1950 e 1960. O terceiro álbum, 70 anos de samba, saiu em 1972 pela gravadora carioca Tropicana. O título se referia às sete décadas de vida festejadas por Moreira naquele ano de 1972. Já a compilação que completa a caixa, Raridades, agrega 17 gravações avulsas da discografia de Moreira, extraídas de projetos carnavalescos, de compactos e de discos de outros artistas nos quais o cantor figurou como convidado. A caixa é precioso item de colecionador.
Coletânea agrega sambistas de várias estirpes e gerações em CD e em DVD
♪ Samba e pagode eram originalmente termos que designavam o mesmo gênero de música. Pagode era samba até a década de 1980. Só que o mercado fonográfico tratou de dar significados distintos às palavras samba e pagode. Sambistas passaram a ser os bambas mais ligados às tradições do gênero. Pagodeiros - a partir da década de 1990 - são os que cantam um samba mais pop, de batida menos percussiva. O que justifica o título da coletânea Top - Samba & pagode - O melhor de todos os tempos, lançada pela gravadora Universal Music neste mês de outubro de 2015 nos formatos de CD e DVD. O CD alinha 12 gravações de nomes como Beth Carvalho, Dilsinho, Diogo Nogueira, Maria Rita, Mariene de Castro, Martinho da Vila, Mumuzinho, Thiaguinho, Xande de Pilares e Zeca Pagodinho. Embora não tenha fotos expostas nas capas do CD e DVD, os grupos Exaltasamba e Sorriso Maroto também figuram na compilação. Já o DVD exibe registros audiovisuais de 13 músicas. A gravação do samba Sem compromisso (Nelson Trigueiro e Geraldo Pereira, 1954) por Zeca Pagodinho entrou somente no DVD. Os conteúdos de CD e DVD são quase idênticos. Além do fonograma de Zeca, presente também nos dois formatos com Gosto que me enrosco (Sinhô, 1928), a única diferença é que, no DVD, Dilsinho canta A vingança (Douglas Lacerda e Munir Trad, 2014) enquanto no CD a voz do cantor é ouvida na música Vem que tem (2014), de autoria de Dilsinho. Para quem não tem o Sambabook Zeca Pagodinho (Musickeria, 2014), a coletânea rebobina a gravação de Alto lá (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha, 2000), feita por Maria Rita para o projeto que celebrou a obra autoral de Zeca Pagodinho no ano passado. Do mesmo sambabook, aliás, a compilação extraiu o registro de Faixa amarela (Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luis Carlos e Beto Gato, 1997) com Martinho da Vila e a (bela) gravação de Lama nas ruas (Almir Guineto e Zeca Pagodinho, 1986), feita por Beth Carvalho no tributo a Zeca.
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Canto 'cool' de Lomelino puxa cordão umbilical no voo solo da nave-mãeana
Resenha de CD
Título: mãeana
Artista: Ana Cláudia Lomelino
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * *
♪ Disco disponível para audição no portal SoundCloud desde 19 de outubro de 2015
Título: mãeana
Artista: Ana Cláudia Lomelino
Gravadora: Joia Moderna
Cotação: * * *
♪ Disco disponível para audição no portal SoundCloud desde 19 de outubro de 2015
♪ Desfavorecido pela estética da música do Tono, o canto cool de Ana Cláudia Lomelino nem sempre se ajustou aos tons expansivos e/ou dramáticos de parte do repertório do grupo carioca do qual é vocalista. Tanto que as músicas mais conhecidas da banda - Não consigo (Rafael Rocha, 2011), Samba do blackberry (Alberto Continentino e Rafael Rocha, 2011) e Como vês (Domenico Lancellotti e Bruno Di Lullo, 2013) - foram propagadas pelas vozes mais encorpadas de Ney Matogrosso (as duas primeiras músicas) e Alice Caymmi. Contudo, a divulgação em abril de 2014 de gravação solo da cantora e compositora baiana - Pérola-poesia (música de Domenico Lancellotti com letra de Domenico e de Lomelino), primeiro sinal do primeiro álbum solo da artista, enfim disponibilizado na noite de hoje, 19 de outubro de 2015, no portal SoundCloud - indicou que, fora do Tono, o canto cool de Lomelino podia fazer mais sentido. Impressão confirmada pela audição do disco Mãeana, produzido por Bem Gil e gravado com alguns dos mais incensados músicos da cena contemporânea carioca (Berna Ceppas, Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Marlon Sette e Pedro Sá, entre outros). Ao longo das 14 músicas deste álbum aberto por Pérola-poesia, o canto cool de Lomelino puxa o cordão umbilical no voo solo da nave-mãeana com repertório que aglutina sons espaciais, nordestinos e cariocas. É um disco que fala de mães, de filhos, de canções que parecem soltas no espaço sideral, no onirismo alado e poético que dá o tom de composições como Sonho de voo (música de Ana Cláudia Lomelino e Bem Gil com letra de Lomelino), turbinada com metais orquestrados por Marlon Sette. Em Romance espacial (música de Bruno Di Lullo com letra de Domenico Lancellotti), o canto de Lomelino parece saltar no abismo, sem rede, entre ruídos e sons sintetizados. Mas a viagem parece ter sido feita com rota bem definida. Há pérolas e poesias nesse repertório que ostenta inéditas fornecidas por nomes de peso como Adriana Calcanhotto (Bem feito, samba haicai típico da compositora gaúcho que harmoniza a levada carioca do cavaquinho de João Paulo Lomelino, irmão de Ana, com o toque nordestino do acordeom de Mestrinho, músico recorrente na ficha técnica do disco) e Caetano Veloso (autor do já divulgado samba-canção Não sei amar, composto sob ótica feminina). Música-título do disco, assinada por Rubinho Jacobina, Mãe Ana é um dos pontos mais altos atingidos pela rota cool da nave-mãeana. O arranjo da faixa ecoa a viagem tropicalista do grupo paulista Os Mutantes e também sons da nação nordestina, já que as flautas de Felipe Pinaud e Zé Carlos Bigorna aludem aos pífanos de Caruaru (PE). Já Meu filho (Paulo Camacho) estica o cordão umbilical, soando como canção maternal, "um segredinho soprado no umbigo". Em Dom (música de João Bernardo e Ana Cláudia Lomelino com letra de Lomelino), a nave-mãeana atinge altitude mais baixa, mas as turbulências não chegam a afetar o voo solo de Lomelino, cujo canto - fruto pequeno enraizado invariavelmente na estética cool - se acomoda facilmente no Colo do mundo (música de Cézar Mendes com letra de Quito Ribeiro), um dos picos de beleza da viagem musical e poética. "No coração / De uma canção / Mora a semente / De outra canção", poetiza Quito Ribeiro nos versos de Colo do mundo. Vontade (André Dahmer) semeia leveza, mesmo sentenciando que "Coração de homem é duro como pétala". A presença de coro masculino na faixa - formado por Bem Gil, Bruno Di Lullo, Daniel Carvalho e Domenico Lancellotti - destila fina ironia em disco que faz pulsar sua veia feminina em Mãe imã (Luana Carvalho), faixa em que a percussão de Domenico Lancellotti e o berimbau de Fábio Lima parecem jogar ao mar referências afro-brasileiras que se afinam com os versos do tema. Já Conchinha (Letícia Novaes) emerge de águas mais escuras, nas ondas dos sintetizadores pilotados por Bem Gil, Berna Ceppas e Bruno Di Lullo e com meteórica intervenção vocal de Letícia Novaes, enquanto Ufolclore (Porto do Conde) (Lôu Caldeira) reforça, sem muita inspiração, o onirismo alado e do além de um disco que repousa plácido, ao término de seus 40 minutos, em Minha cama (Marcelo Callado), pouso final da nave-mãeana. Ao puxar o cordão umbilical neste voo solo de altitudes variadas, Ana Cláudia Lomenino justifica seu canto cool e marca território, esboçando universo musical mais apropriado para sua voz quase etérea. Na rota dessa viagem, há pérolas e há poesias.
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