Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Inédita de Caetano promove álbum solo em que Lomelino canta Calcanhotto

Com o heterônimo de mãeana, a cantora e compositora baiana Ana Cláudia Lomelino lança seu primeiro álbum solo em 23 de outubro de 2015, em edição da gravadora Joia Moderna. A partir da próxima terça-feira, 6 de outubro, o single Não sei amar - composição inédita de Caetano Veloso, feita para o disco da artista - entra em rotação na web. Em seu disco solo, a vocalista do grupo carioca Tono também canta inédita de Adriana Calcanhotto e grava parceria sua com Domenico Lancellotti, Pérola-poesia, lançada na web em abril de 2014 (clique aqui para ver a letra do tema).

terça-feira, 28 de julho de 2015

Sem fazer drama, Calcanhotto reabre caixa de ódio de Lupicínio em 'Loucura'

Resenha de CD e DVD
Título: Loucura - Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues
Artista: Adriana Calcanhotto
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

Com lucidez, Adriana Calcanhotto entendeu que não cabia fazer drama ao reabrir a caixa de ódio que guarda o cancioneiro do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974), cronista sem meias palavras das dores de amores, expostas em carne viva em obra que teve seu auge produtivo nos anos 1940 e 1950. Loucura - o CD ao vivo e o DVD que perpetuam o show em que a cantora gaúcha interpreta os maiores sucessos da obra de seu ilustre conterrâneo - vai na contramão da dramaticidade dos habituais registros das músicas do compositor de Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952), samba-canção que Calcanhotto já abordara em seu primeiro álbum, o equivocado Enguiço (Sony Music, 1990), e que volta a interpretar neste show (bem) captado pela Samba Filmes na única apresentação feita em Porto Alegre (RS), cidade natal da cantora e do compositor,  no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 4 de dezembro de 2014 - ainda a tempo de festejar o centenário de nascimento de Lupicínio. Vestida a rigor, mas com batom vermelho e maquiagem glitter ao redor dos olhos, Calcanhotto ceva o amargo do cancioneiro de Lupicínio, interiorizando os (res)sentimentos pesados contidos nos versos do autor. O sofrimento está no olhar, na alma e no tom comedido da voz. Mas Calcanhotto não o escancara, ainda que improvise um teatro ao longo da interpretação do samba-canção Volta (Lupicínio Rodrigues,  1957), número de acento blues (dado pelo dobro tocado por Cid Campos) em que a cantora acaricia cadeira vazia - símbolo da ausência do ser amado - até deitar no palco, vencida pela dor. Com economia de gestos e movimentos, a ponto de cantar Homenagem (Lupicínio Rodrigues, 1961) praticamente imóvel na abertura do show, Calcanhotto dá voz sensível a músicas entranhadas em sua memória afetiva. Musicalmente, a banda envolve temas como Ela disse-me assim (Vá embora) (Lupicínio Rodrigues, 1959) em sonoridade que evoca com modernidade o toque dos conjuntos regionais dos anos 1940. Em geral, a maioria dos números feitos com a banda - caso do samba-canção Vingança (Lupicínio Rodrigues, 1951) - abre espaços para intervenções destacadas dos sopros de Jessé Sadoc, músico que se alterna no trompete e no flugelhorn. No meio de Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1950), a banda ganha a adesão do violonista gaúcho Arthur Nestrovski, músico de formação erudita. Com o virtuoso Nestrovski, Calcanhotto faz set de voz e violão em que alinha Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1948), Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues, 1947) e Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948), número em que Nestrovski faz sagaz citação instrumental do choro-canção Carinhoso (Pixinguinha, 1928). A partir da entrada do acordeonista gaúcho Arthur de Faria, em Judiaria (Lupicínuo Rodrigues, 1971), o recital adquire caráter progressivamente sulista que culmina, já no bis, com a transposição da toada gaúcha Cevando o amargo (Lupicínio Rodrigues e Paratini, 1953) para o universo do samba de roda do Recôncavo Baiano, rota seguida pelo toque das cordas do violão do baiano Cezar Mendes, integrante da banda virtuosa que inclui ainda Alberto Continentino no contrabaixo e Dadi em outro violão. Mesmo quando ensaia uns passos de samba em Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, 1938), também no bis, Calcanhotto preserva o ar interiorizado do show. Nos extras, a artista explica em conversa formal com o baterista Domenico Lancellotti - mote do documentário A luz do refletor - a origem e o caráter de sua homenagem a Lupicínio, cujo samba Cenário de Mangueira (Lupicínio Rodrigues e Henrique de Almeida, 1969) é levado na batida eletrônica do funk carioca em número de estúdio alocado nos extras do DVD e reproduzido no CD. É uma saudável loucura estilística que jamais anula o tom reverentemente lúcido da bela abordagem da obra de Lupicínio Rodrigues por Adriana Calcanhotto.

sábado, 11 de julho de 2015

Gravação do show em que Calcanhotto canta Lupicínio sai (também) em DVD

O registro ao vivo do show em que Adriana Calcanhotto aborda a obra do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) vai ser lançado também no formato de DVD (capa à esquerda). Além do show, o DVD exibe o documentário A luz do refletor. Nas lojas neste mês de julho de 2105, em edição da Sony Music, CD e DVD Loucura - Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues trazem a artista gaúcha - vista em foto extraída de sua página oficial no Facebook - na companhia da banda formada por Alberto Continentino (baixo), Cézar Mendes (violão), Dadi Carvalho (violão) e Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn). Filmado em dezembro de 2014, em Porto Alegre (RS), o show tem intervenções de Arthur de Faria (acordeom), Arthur Nestrovski (violão) e Cid Campos (violão). Entre hits amargurados do compositor dos Pampas, Calcanhotto dá voz às raras Cenário de Mangueira (Lupicínio Rodrigues e Henrique de Almeida) - samba gravado em 1969 pelo cantor paulistano Francisco Petrônio (1923 - 2007) com o título de Rancho de Mangueira - e Cevando o amargo (Lupicínio Rodrigues e Paratini, 1953), toada lançada pelo conjunto gaúcho Farroupilha. Eis, na ordem do DVD, as 17 músicas de Lupicínio Rodrigues gravadas por Calcanhotto:

1. Homenagem (Lupicínio Rodrigues, 1961)
2. Ela disse-me assim (Vá embora) (Lupicínio Rodrigues, 1959)
3. Loucura (Lupicínio Rodrigues, 1953)
4. Castigo (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1953)
5. Vingança (Lupicínio Rodrigues,1951)
6. Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1950)
7. Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1948)
8. Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues, 1947)
9. Esses moços (Pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948)
10. Volta (Lupicínio Rodrigues, 1957)
11. Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952)
12. Judiaria (Lupicínio Rodrigues, 1971)
13. Felicidade (Lupicínio Rodrigues, 1947)
14. Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins,1938)
15. Cevando o Amargo (Lupicínio Rodrigues e Paratini, 1953)
16. Hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (Lupicínio Rodrigues, 1953)
Extras:
17. Cenário de Mangueira (Lupicínio Rodrigues e Henrique de Almeida, 1969)
18. A luz do refletor (documentário) - com citações das músicas Eu não sou louco (Lupicínio Rodrigues e Evaldo Rui,

         1950), Um favor (Lupicínio Rodrigues, 1972), Hino do Internacional (Lupicínio Rodrigues) e Quindim de mulher (Meu nome é 
         Alcides) (Lupicínio Rodrigues, 1973)

terça-feira, 30 de junho de 2015

Calcanhotto ceva o amargo da obra de Lupicínio em registro ao vivo de show

Adriana Calcanhotto vai lançar em julho de 2015, em edição da Sony Music, o registro ao vivo do show em que celebrou o centenário do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974), em apresentação feita em Porto Alegre (RS), em dezembro de 2014. O CD Loucura - Adriana Calcanhotto canta Lupicínio Rodrigues (capa à esquerda) alinha basicamente sucessos do compositor - conterrâneo da artista gaúcha - em repertório que surpreende em Cevando o amargo (Lupicínio Rodrigues e Paratini), toada gaúcha lançada em 1953 pelo conjunto vocal Farroupilha com o título de Amargo. Calcanhotto - vista em cena do show na foto maior, extraída de vídeo postado no YouTube - dá voz a sucessos Cadeira vazia (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1950), Castigo (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1953), Ela disse-me assim (Vai embora) (Lupicínio Rodrigues, 1959), Esses moços (pobres moços) (Lupicínio Rodrigues, 1948), Felicidade (Lupicínio Rodrigues, 1947), Homenagem (Lupicínio Rodrigues, 1961), Judiaria (Lupicínio Rodrigues, 1971), Loucura (Lupicínio Rodrigues, 1953), Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues, 1947), Nunca (Lupicínio Rodrigues, 1952), Quem há de dizer (Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves, 1948), Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins,1938), Vingança (Lupicínio Rodrigues,1951) e Volta (Lupicínio Rodrigues, 1957).

sábado, 6 de junho de 2015

'Sambabook' de Ivone Lara é lançado com Adriana, Bethânia, Elba e Vanessa

A IMAGEM DO SOM - Postada na página do projeto Sambabook no Facebook, a foto flagra a cantora e compositora carioca nas gravações realizadas em novembro de 2014 na Grande Sala da Cidade das Artes, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Quarto volume do projeto, o Sambabook de Ivone Lara vai ser lançado neste mês de junho de 2015. Registros inéditos da musicografia da artista - feitos por elenco que inclui Adriana Calcanhotto, Áurea Martins, Beth Carvalho, Carminho, Criolo, Caetano Veloso, Diogo Nogueira, Elba Ramalho, Jongo da Serrinha, Maria Bethânia, Mariene de Castro, Teresa Cristina, Vanessa da Mata e Zeca Pagodinho, entre vários outros nomes - estão perpetuados em gravação ao vivo editada nos formatos de CD, DVD e blu-ray. Áurea Martins, por exemplo, dá voz a Alvorecer (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1974). Bethânia regrava Sonho meu (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1978), samba que lançou em dueto com Gal Costa. Elba Ramalho reanima A sereia Guiomar (Ivone Lara, 1980). Já Vanessa da Mata reaviva Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976) enquanto o Jongo da Serrinha revive Axé de Ianga (Pai maior) (Ivone Lara, 1980). Projeto inclui também discobiografia e livro de partituras com as músicas mais expressivas do cancioneiro solar de Dona Ivone Lara, compositora que desbravou caminhos no mundo do samba.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Roberta Sá ganha inédita de Calcanhotto e regrava Baden com Morelenbaum

Programado para ser lançado no segundo semestre deste ano de 2015, o sexto álbum oficial de Roberta Sá traz no repertório uma música inédita da compositora gaúcha Adriana Calcanhotto. Me erra é o nome da música dada por Calcanhotto para a cantora potiguar radicada no Rio de Janeiro (RJ). No CD, que vai ser lançado em edição do selo MP,B Discos com distribuição da gravadora Som Livre, Roberta regrava o samba Última forma (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1972) com o toque do violoncelo de Jaques Morelenbaum. Outros convidados do disco são o compositor fluminense Martinho da Vila (em Amanhã é sábado, samba que fez para a cantora), o cantor português António Zambujo - que divide com Roberta a interpretação de Covardia (Ataulfo Alves e Mário Lago, 1938), samba tornado um fado em gravação feita em Portugal - e o carioca Xande de Pilares (banjo em Boca em boca, música que abre a parceria de Xande com Roberta, compositora eventual). Produtor do álbum, Rodrigo Campello assina os arranjos e toca violões no disco, gravado com banda que inclui músicos como Alberto Continentino (baixo), Armando Marçal (percussão), Jorge Helder (baixo), Luís Barcelos (bandolim e cavaquinho) e Marcos Suzano (bateria e percussão).

terça-feira, 7 de abril de 2015

Calcanhotto dá voz a um texto de Caio Fernando no disco de Kleiton & Kledir

Com lançamento reprogramado para maio deste ano de 2015 pela gravadora Biscoito Fino, o 12º álbum da dupla gaúcha Kleiton & Kledir, Com todas as letras, tem a participação da cantora e compositora Adriana Calcanhotto - conterrânea dos irmãos Kleiton Ramil e Kledir Ramil - na faixa Lixo e purpurina. A música é parceria póstuma de Kleiton & Kledir com o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948 - 1996). Publicado em 1995, o texto que originou a letra de Lixo e purpurina faz parte dos contos escritos por Caio em Londres, na Inglaterra, em meados dos anos 1970. No CD Com todas as letras, gravado com repertório inédito e autoral, Kleiton & Kledir também abrem parceria com outro escritor do Sul,  (o também músico) Luís Fernando Veríssimo, o autor da letra da música Olho mágico.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Obra de Lupicínio vai reverberar nas vozes de três cantoras ao longo de 2015

Embora o centenário de nascimento de Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) tenha sido festejado em 2014, a obra do compositor gaúcho vai ecoar ao longo deste ano de 2015 nas vozes de - pelo menos - três cantoras do Brasil. Conterrânea de Lupicínio, a gaúcha Adriana Calcanhotto (foto) planeja lançar CD e DVD com gravação ao vivo do show em que abordou o cancioneiro do compositor e que foi apresentado somente em Porto Alegre (RS) em dezembro de 2014. Mês em que Elza Soares também fez, na mesma cidade de Porto Alegre (RS), o registro audiovisual do show em que canta Lupicínio para edição de DVD. Já Gal Costa vai estrear em março deste ano de 2015 Ela disse-me assim - Canções de Lupicínio Rodrigues, show que também será gravado ao vivo para gerar (somente) CD.

sábado, 11 de outubro de 2014

Calcanhotto canta samba inspirado pela felicidade de Marisa em show no Rio

Em 21 de junho de 2011, Adriana Calcanhotto gravou com Arnaldo Antunes, Jorge Mautner e Marisa Monte, no Rio de Janeiro (RJ), o quinto episódio do programa Grêmio Recreativo MTV, série coordenada por Arnaldo. No camarim do Teatro Rival, onde a gravação foi feita, Calcanhotto - que estava meio tristonha - se deixou contagiar pela felicidade de Marisa. O símbolo da alteração do estado emocional de Calcanhotto foi a flor colocada por Marisa em seu figurino. Inspirado na felicidade de sua colega carioca, a cantora e compositora gaúcha fez um samba em homenagem ao episódio, com versos que falam em cravo na lapela e que contam a história de forma cifrada. Intitulado Por onde eu for, o samba nunca foi gravado, mas Calcanhotto o cantou ontem, 10 de outubro de 2014, ao apresentar seu show Olhos de onda no Teatro Rival, cenário da inspiração do samba, mostrado após o relato da história para a plateia lotada do Teatro Rival. O samba é bonito.

domingo, 22 de junho de 2014

'Tudo', álbum que sai em agosto, abre parceria de Bebel com Calcanhotto

Tudo - o quinto álbum de estúdio de Bebel Gilberto - inaugura a parceria da cantora e compositora norte-americana (de criação brasileira) com Adriana Calcanhotto. Bebel assina a música-título Tudo com a artista gaúcha, que já gravou duas parcerias de Bebel com Cazuza (1958 - 1990) e Dé Palmeira, Mais feliz e Mulher sem razão. Tudo, o disco, tem lançamento mundial programado para agosto de 2014 via Sony Music. O repertório é essencialmente inédito, mas inclui regravações de Harvest moon (Neil Young, 1992), Vivo sonhando (Antonio Carlos Jobim, 1963) e Tout est bleu (1993), tema lançado pelo grupo francês âme strong S.A..

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Gal junta novos e antigos em CD que vai ter Calcanhotto, Criolo e Milton

Adriana Calcanhotto vai finalizar esta semana a música inédita que ficou de mandar para Gal Costa. A cantora baiana - em foto de André Schiliró - está começando a gravar em São Paulo (SP) seu primeiro álbum de estúdio após o revigorante Recanto (Universal Music, 2011). Gal alinhava com Marcus Preto o repertório do disco, que integra novos e antigos compositores através de parcerias como as do rapper paulista Criolo com Milton Nascimento e a do cantor e compositor paraense (radicado em SP) Arthur Nogueira com o poeta e letrista Antonio Cícero.

Calcanhotto faz 'Olhos de onda' escapar da sina de soar como 'Público 2'

Resenha de CD e DVD
Título: Olhos de onda
Artista: Adriana Calcanhotto
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Como nada parece ser casual na discografia de Adriana Calcanhotto, é sintomático que a tipologia escolhida para a arte da capa do CD e DVD Olhos de onda remeta à fonte usada para estampar o título Público no CD ao vivo de 2000. As conexões parecem óbvias entre os registros dos dois shows, ambos calcados na voz e no violão (tocado sem virtuosismos) da cantora e compositora gaúcha. Ainda que a foto de Leo Aversa exposta na capa de Olhos de onda flagre Calcanhotto de pé no palco da casa Vivo Rio, provavelmente na volta para o bis, o recital acomoda a cantora no estilo um banquinho & um violão. Como Público. Só que a atual gravação ao vivo - feita em 1º de fevereiro de 2014, como a artista ressalta logo após cantar Inverno (Adriana Calcanhotto e Antonio Cícero, 1994) - mostra Calcanhotto na onda cool que pauta sua discografia pós-Cantada (2001). O mergulho é mais profundo em mar de canções que já parecem outras pelo simples fato de que Calcanhotto já é outra. O que impede Olhos de onda de soar como mero segundo volume de Público. Só que a maré não tem estado para peixe no mercado fonográfico brasileiro. E, sob a ótica empresarial da gravadora Sony Music, Olhos de onda é tentativa de fisgar consumidores ainda dispostos a ouvir os hits colecionados por Calcanhotto nos anos 1990 - melodiosas canções radiofônicas como Esquadros (Adriana Calcanhotto, 1992), Metade (Adriana Calcanhotto, 1994) e Vambora (Adriana Calcanhotto, 1998). Nesse sentido, causa estranheza incômoda o fato de a cantora não ter emplacado um grande hit autoral a partir dos anos 2000. Situação que vai permanecer inalterada pela falta de potencial comercial das três inéditas - E sendo amor (Adriana Calcanhotto), Motivos reais banais (Adriana Calcanhotto sobre poema de Waly Salomão) e Olhos de onda (Adriana Calcanhotto), canção impregnada da atmosfera de Lisboa cujo título alude aos Olhos de ressaca da Capitu saída da imaginação do escritor brasileiro Machado de Assis (1839 - 1908) - alinhadas entre as 20 músicas do CD e DVD. Escaldada, a gravadora aposta suas fichas na (terceira) abordagem de Me dê motivo (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1983), canção propagada por Tim Maia (1942 - 1998) que traz embutida profunda dor de corno, diluída por Calcanhotto no seu tom cool em gravação que vai ser difundida na trilha sonora da nova novela G3R4Ç4O BR4S1L (TV Globo, 2014)Ainda fora de seu trilho autoral, Calcanhotto dá voz a Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006) - obra-prima da cantora inglesa Amy Winehouse (1983 - 2011) - em registro desossado que pode impactar somente quem não conhece a aguda versão voz-e-piano perpetuada pela cantora paulista Cida Moreira no CD A dama indigna (Joia Moderna, 2011). Recital de molde tradicional, idealizado sem a requintada arquitetura cênica que envolveu shows anteriores da artista, Olhos de onda sofre uma única (sagaz) interferência cênica quando os ruídos e chiados de um rádio - manipulado por contra-regra - sujam Maldito rádio (Adriana Calcanhotto, 2012), canção que tinha potencial comercial inexplorado, embora tenha sido incluída em novela da TV Globo (Cheias de charme, 2012). Atenta ao tom do show, a diretora do vídeo, Dora Jobim, ressalta com closes o clima íntimo no qual Olhos de onda se ambienta, num mergulho nas águas (já) densas de Adriana Calcanhotto.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Adriana lança 'Olhos de onda', gravação ao vivo de show de voz e violão

Nas lojas neste mês de maio de 2014 em edição da Sony Music, nos formatos de CD e DVD, Olhos de onda perpetua o show gravado ao vivo por Adriana Calcanhotto em apresentação na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro, em 1º de fevereiro de 2014 - como informa a capa (foto) deste projeto revisionista de voz & violão que, entre sucessos dos anos 1990 e 2000, apresenta as inéditas E sendo amor (Adriana Calcanhotto), Motivos reais banais (Adriana Calcanhotto sobre versos do poeta Waly Salomão) e Olhos de onda (Adriana Calcanhotto). Das 22 músicas alinhadas pela cantora e compositora gaúcha no roteiro do show (clique aqui para ler a resenha da gravação ao vivo), duas - as autorais Cariocas (1994) e Tua (2009), esta nunca registrada em disco por sua compositora - foram tiradas do CD e DVD produzidos pela própria Calcanhotto com Daniel Carvalho. Eis as 20 músicas reunidas pela artista no DVD (e no CD) Olhos de onda:

1. O nome da cidade (Caetano Veloso, 1984)
2. Três (Marina Lima e Antonio Cícero, 2006)
3. Inverno (Adriana Calcanhotto e Antonio Cícero, 1994)
4. Para lá (Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes, 2008)
5. Sem saída (Cid Campos e Augusto de Campos, 2008)
6. Motivos reais banais (Adriana Calcanhotto sobre poema de Waly Salomão)
7. Olhos de onda (Adriana Calcanhotto)
8. Me dê motivo (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1983)
9. Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006)
10. Mais perfumado (Adriana Calcanhotto, 2011)
11. Maldito rádio (Adriana Calcanhotto, 2012)
12. Devolva-me (Lilian Knapp e Renato Barros, 1966)
13. E sendo amor (Adriana Calcanhotto)
14. Esquadros (Adriana Calcanhotto, 1992)
15. Canção de novela (Adriana Calcanhotto, 2010)
16. Depois de ter você (Cantada) (Adriana Calcanhotto, 2001)
17. Vambora (Adriana Calcanhotto, 1998)
18. Seu pensamento (Adriana Calcanhotto e Dé Palmeira, 2008)
19. Metade (Adriana Calcanhotto, 1994)
20. Maresia (Paulo Machado e Antonio Cícero, 1981)

domingo, 27 de abril de 2014

Calcanhotto volta ao Rio com 'Olhos de onda' às vésperas de lançar DVD

Adriana Calcanhotto voltou ao Rio de Janeiro (RJ) com Olhos de onda (2013), seu show de voz & violão, perpetuado em CD e DVD gravados ao vivo em 1º de fevereiro de 2014 em envolvente apresentação no Vivo Rio, casa situada na cidade que acolhe a artista gaúcha deste os anos 1990. Às vésperas da edição do CD e do DVD, postos no mercado fonográfico via Sony Music, o show retornou à cena carioca na noite de ontem, 26 de abril de 2014, em apresentação que lotou a casa Imperator, no Centro Cultural João Nogueira. A pedido do público, a cantora e compositora - em foto de Rodrigo Amaral - encerrou o bis com Fico assim sem você (Abdullah e Cacá Moraes, 2002), sucesso da dupla Claudinho & Buchecha que Calcanhotto tomou para si em 2004 na pele de seu heterônimo infantil Adriana Partimpim. Em contrapartida, a artista suprimiu do roteiro músicas como O nome da cidade (Caetano Veloso, 1984), Tua (Adriana Calcanhotto, 2009) - canção gravada, mas não incluída no DVD, apesar de nunca ter tido um registro fonográfico de sua compositora - e Me dê motivo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1983). A propósito, a releitura desse sucesso de Tim Maia (1942 - 1998) foi escolhida para promover o CD e DVD Olhos de onda, já que a gravação de Calcanhotto vai ser propagada na trilha sonora de Geração Brasil, novela que será exibida pela TV Globo a partir de 5 de maio.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Com Dadi, Calcanhotto expõe matizes do cancioneiro poético de Vinicius

Resenha de show
Título: 100 anos Vinicius de Moraes
Artista: Adriana Calcanhotto (com Dadi Carvalho na foto de Filipe Marques / I Hate Flash)
Local: Teatro Alcione Araújo - Biblioteca Parque Estadual (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 2 de abril de 2014 (sessão das 19h)
Cotação: * * * 1/2

Em 1990, quando ainda dava no Rio de Janeiro (RJ) seus primeiros passos na carreira fonográfica, Adriana Calcanhotto abordou a obra do compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) em show feito no Centro Cultural Banco do Brasil. Na ocasião, a cantora e compositora gaúcha ainda não era a artista refinada que, 24 anos depois, inaugurou o palco do Teatro Alcione Araújo - situado dentro da Biblioteca Parque Estadual - para novamente cantar Vinicius na cidade natal do poeta que dividiu águas na música brasileira nos anos 1950. Programado dentro da agenda do ciclo multimídia 100 anos Vinicius de Moraes, que também inclui exposição e palestras sobre a obra do Poetinha, o show de Calcanhotto evidenciou a evolução da artista. No show, introduzido por vídeos em que personalidades como Antonio Cícero e Arnaldo Antunes recitam versos de Vinicius, Calcanhotto expôs variados matizes e nuances do cancioneiro plural de Vinicius à medida em que apresentou as 13 músicas do curto roteiro, alternando temas da obra infantil do compositor e clássicos da parceria de Vinicius com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) sem deixar de abrir espaço para músicas pouco ouvidas. Blues para Emmett (1971) - música composta por Vinicius com Toquinho em memória do adolescente negro norte-americano Emmett Louis Till (1941-1955), assassinado aos 14 anos na cidade de Money, no Mississipi (EUA), por insinuar galanteio para mulher branca e casada - foi um dos pontos mais altos do show. Neste número, além de tocar seu violão, o músico Dadi Carvalho - convidado a dividir o palco com Calcanhotto - fez alguns vocais. A combinação de seu vocal com o canto de Adriana deu espírito gospel ao blues em registro que se distanciou da gravação original de Toquinho & Vinicius, sustentada por baticum afro-brasileiro. Antes, Calcanhotto caíra com bossa no samba Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963) e, sem soa sentimental, entrara no tom romântico de Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959). Dentro do cancioneiro criado por Vinicius para crianças (e adultos) de todas as idades, O elefantinho (Adriana Partimpim e Vinicius de Moraes, 2013) - parceria póstuma de Partimpim (heterônimo infantil de Adriana) com o poeta, lançada no CD que fez a releitura d'A arca de Noé (Sony Music, 2013) - teve seu passo seguido por intervenções da corneta soprada pelo contra-regra. Já Borboletas (Cid Campos e Vinicius de Moraes, 1929) - voou alto no tom colorido do canto de Calcanhotto. Em números como Um sequestrador, música composta por Francis Hime com Vinicius nos anos 1970 e letrada somente em 2003 (por Adriana) para disco de Francis, a artista confiou o violão somente a cargo de Dadi e se concentrou no canto. Mesmo assim, Um sequestrador deixou no show a impressão de que os versos são mais sedutores do que a melodia. O pioneiro afro-samba Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961) passou longe da África. Faltou pressão também ao canto e ao toque de Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964). Em contrapartida, Calcanhotto cortejou com classe a sempre jovial Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962) e foi sensata ao evitar o melodrama quando deu voz aos versos doloridos de Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961). No bis, Calcanhotto provou que a arquitetura de A casa (Vinicius de Moraes, 1980) continua encantadora e arrematou o show com Tomara (1970), música somente de Vinicius. Enfim, ao reviver Vinicius de Moraes, Adriana Calcanhotto provou o quanto ela já é carioca e tem a bossa exigida para cantar obra cheia de graça em que o balançado é mais do que um poema. Show!!

'Blues para Emmett' é a surpresa do show em que Adriana saúda Vinicius

Em 28 de agosto de 1955, o adolescente negro norte-americano Emmett Louis Till (1941-1955) foi assassinado aos 14 anos na cidade de Money, no Mississipi (EUA), somente por ter piscado para mulher branca. O assassino - o marido racista da tal mulher - foi absolvido pelo tribunal branco, mas o crime impune gerou grande repercussão nos Estados Unidos. No Brasil, Toquinho e Vinicius de Moraes (1913 - 1980) reabriram o caso através da música, compondo Blues para Emmett, música lançada pela dupla no álbum Toquinho & Vinicius (RGE, 1971). Título obscuro da parceria de Toquinho com Vinicius, Blues para Emmett foi a grande boa surpresa do roteiro seguido pela cantora e compositora gaúcha Adriana Calcanhotto - em foto de Filipe Marques / I Hate Flash -  no show que fez ontem, 2 de abril de 2014, no Rio de Janeiro (RJ) dentro da programação do ciclo multimídia 100 anos Vinicius de Moraes, em cartaz na Biblioteca Parque Estadual. Entre temas da obra infantil do compositor e poeta carioca, Calcanhotto deu voz a clássicos da parceria de Vinicius com o compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e relembrou Um sequestrador, música que Francis Hime compôs com Vinicius nos anos 1970 e que somente ganhou letra - encomendada a Adriana - nos anos 2000, sendo lançada por Francis no álbum Brasil lua cheia (Biscoito Fino, 2003). Eis o roteiro seguido por Calcanhotto na primeira das duas sessões do show feito no novo Teatro Alcione Araújo com o seu violão e o do polivalente Dadi Carvalho para saudar Vinicius de Moraes pelo seu centenário de nascimento:

1. O poeta aprendiz (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971)
2. Ela é carioca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1963)
3. Eu sei que vou te amar (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 2009)
4. As borboletas (Cid Campos e Vinicius de Moraes, 2009)
5. O elefantinho (Adriana Partimpim e Vinicius de Moraes, 2013)
6. Um sequestrador (Francis Hime, Vinicius de Moraes e Adriana Calcanhotto, 2003)
7. Insensatez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961)
8. Blues para Emmett (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971)
9. Água de beber (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1961)
10. Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962)
11. Berimbau (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1964)
Bis:
12. A casa (Vinicius de Moraes, 1980)
13. Tomara (Vinicius de Moraes, 1970)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

'Olhos de onda' revolve águas passadas de Calcanhotto com foco de hoje

Resenha de show - Gravação de CD e DVD
Título: Olhos de onda
Artista: Adriana Calcanhotto (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de fevereiro de 2014
Cotação: * * * 1/2

Show idealizado por Adriana Calcanhotto para Portugal, aonde estreou em abril de 2013, Olhos de onda se conecta pelo título a dois grandes álbuns da artista gaúcha, Maritmo (1998) e a Maré (2008), ambos pautados pelas águas, mas de concepções distintas. Contudo, por seu formato de voz & violão, a conexão mais óbvia de Olhos de onda é com Público, o show dessa refinada cantora e compositora que virou disco ao vivo em 2000 e, um ano depois, ganhou registro em DVD. Só que, como já disse o filósofo, ninguém é o mesmo quando pisa as mesmas águas pela segunda vez. A Calcanhotto de Olhos de onda já está banhada pela maré cool que pautou sua obra a partir de Cantada (2002), divisor de águas em discografia que perdeu progressivo apelo popular ao longo dos anos 2000. Olhos de onda revolve águas passadas - Esquadros (Adriana Calcanhotto, 1992), Inverno (Adriana Calcanhotto e Antonio Cícero, 1994), Vambora (Adriana Calcanhotto, 1998) -  enquanto aponta para o futuro através das inéditas autorais E sendo amor, Motivos reais banais - canção composta por Calcanhotto a partir de versos do poeta baiano Waly Salomão (1943 - 2003) - e Olhos de onda. O formato é o mesmo de Público, mas a onda é outra - ainda que o espírito daquela cantora e compositora mais popular dos anos 1990 seja de certa forma reanimado em vários momentos de Olhos de onda. Na gravação ao vivo do recital, feita em 1º de fevereiro de 2014 na estreia do show no Rio de Janeiro (RJ), o público reencontrou uma artista mais acessível, que (se) permitiu até atender pedidos de espectadores no bis, dando boa voz a quatro músicas - Seu pensamento (Adriana Calcanhotto e Dé Palmeira, 2008), Cariocas (Adriana Calcanhotto, 1994), Metade (Adriana Calcanhotto, 1994) e Maresia (Paulo Machado e Antonio Cícero, 1981) - não previstas no roteiro. Sim, a voz - que andou dando preocupantes sinais de cansaço em apresentações recentes da cantora - estava boa, com o viço e a energia dos tempos idos. Alocada na abertura do show, a canção O nome da cidade (Caetano Veloso, 1984) ganhou sentido adicional em gravação feita na cidade que a cantora tomou como sua a partir dos anos 1990. A canção desencavou o fio de meada que abarca muitas músicas gravadas por Calcanhotto na fase pós-Público, fazendo com que a gravação ao vivo de 2014 complemente e expanda o eixo estético do registro do show de 2000. Das três inéditas em disco, Olhos de onda é a que mais chama atenção de imediato, com versos poéticos que evocam Portugal enquanto moldam autorretrato da artista. E sendo amor, numa primeira audição, reiterou a opção da compositora por trilhar caminhos melódicos menos acessíveis, embora paradoxalmente Maldito rádio (Adriana Calcanhotto, 2012) - música de refrão forte com a qual Calcanhotto trava diálogo inteligente com o universo da canção popular brasileira de tom sentimental - tenha se erguido em cena como um dos pontos mais altos da apresentação que encheu a casa Vivo Rio. O número sofre propositais interferências de emissora de rádio sintonizada por um homem que entra no palco. É o único jogo de cena de show que transcorre sedutoramente linear, sem a inventividade cênica de espetáculos anteriores da artista. Maldito rádio está sagazmente posicionada no roteiro ao lado da canção Devolva-me (Lilian Knapp e Renato Barros, 1966), sucesso da dupla Leno & Lilian no reino da Jovem Guarda que Calcanhotto recolocou no topo das paradas brasileiras em 2000. É quando a cantora entra de novo na onda de seu público, em sintonia que já havia sido reforçada, três números antes, quando a artista surpreendeu a plateia ao cantar Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006), a música mais conhecida do repertório da cantora inglesa Amy Winehouse (1983 - 2011). Nesses momentos de clima mais hot, como Me dê motivo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1983), bastam uma voz e um violão às vezes arranhado para o público entrar na onda certa de Adriana Calcanhotto.

Calcanhotto traga sucessos de Amy e Tim no roteiro de 'Olhos de onda'

Parceria de Amy Winehouse (1983 - 2011) com o produtor Mark Ronson que deu título ao aclamado segundo álbum da cantora e compositora inglesa, Back to black (2006) emergiu surpreendentemente no mar de sucessos cantados por Adriana Calcanhotto no roteiro da gravação ao vivo do show Olhos de onda. Feita na noite de 1º de fevereiro de 2014 em apresentação do show de voz & violão na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), a gravação vai dar origem a CD ao vivo e a DVD com registro do espetáculo que estreou em Portugal, em abril de 2013, e passou por algumas capitais brasileiras antes de aportar na cidade que a cantora e compositora gaúcha escolheu para morar nos anos 1990. Aliás, foi por isso que O nome da cidade, música de Caetano Veloso lançada por Maria Bethânia no álbum A beira e o mar (1984), abriu sintomaticamente o roteiro em que Calcanhotto também traga um sucesso da dupla Michael Sullivan & Paulo Massadas - Me dê motivo, canção popularizada em 1983 na voz do cantor carioca Tim Maia (1942 - 1998) - entre inéditas autorais como E sendo amor, Motivos reais banais (música composta sobre versos do poeta baiano Waly Salomão e já cantada em shows pela artista, mas nunca registrada em disco) e a música-título Olhos de onda. Eis o roteiro seguido por Adriana Calcanhotto - em foto de Mauro Ferreira - na gravação ao vivo do show Olhos de onda, no Rio de Janeiro (RJ), em 1º de fevereiro de 2014:

1. O nome da cidade (Caetano Veloso, 1984)
2. Três (Marina Lima e Antonio Cícero, 2006)
3. Inverno (Adriana Calcanhotto e Antonio Cícero, 1994)
4. Para lá (Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes, 2008)
5. Sem saída (Cid Campos e Augusto de Campos, 2008)
6. Motivos reais banais (Adriana Calcanhotto sobre poema de Waly Salomão) - inédita
7. Olhos de onda (Adriana Calcanhotto) - inédita
8. Tua (Adriana Calcanhotto, 2009)
9. Me dê motivo (Michael Sullivan & Paulo Massadas, 1983)
10. Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006)
11. Mais perfumado (Adriana Calcanhotto, 2011)
12. Maldito rádio (Adriana Calcanhotto, 2012)
13. Devolva-me (Lilian Knapp e Renato Barros, 1966)
14. E sendo amor (Adriana Calcanhotto) - inédita
15. Esquadros (Adriana Calcanhotto, 1992)
16. Canção de novela (Adriana Calcanhotto, 2010)
17. Depois de ter você (Cantada) (Adriana Calcanhotto, 2001) /
18. Vambora (Adriana Calcanhotto, 1998)
Bis:
19. Para lá (Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes, 2008) - repetição para o DVD
20. Sem saída (Cid Campos e Augusto de Campos, 2008) - repetição para o DVD
21. Seu pensamento (Adriana Calcanhotto e Dé Palmeira, 2008)
22. Cariocas (Adriana Calcanhotto, 1994)
23. Metade (Adriana Calcanhotto, 1994)
24. Maresia (Paulo Machado e Antonio Cícero, 1981)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Calcanhotto grava ao vivo show 'Olhos de onda' em apresentação no Rio

Show que Adriana Calcanhotto estreou em Portugal, em abril de 2013, Olhos de onda ganha registro ao vivo em sua chegada ao Rio de Janeiro (RJ). A cantora e compositora gaúcha - em foto de Daniel Achedjian - grava o show para edição de DVD e CD ao vivo na apresentação agendada para 1º de fevereiro de 2014, na casa Vivo Rio. Em Olhos de onda, show de caráter retrospectivo, Calcanhotto apresenta a inédita música-título Olhos de onda e dá voz a outras duas músicas que nunca gravou - Tua (canção que deu nome ao álbum lançado por Maria Bethânia em 2009) e Motivos reais banais, parceria com o compositor e poeta baiano Waly Salomão (1943 - 2003), gravada por Mariana de Moraes em seu inédito terceiro CD solo - entre temas autorais como Esquadros (1992), Inverno (com Antonio Cícero, 1994) e Vambora (1998).

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Micróbio do samba de Calcanhotto contamina Simone em 'É melhor ser'

Simone - em foto de Leonardo Aversa - foi contaminada pelo micróbio do samba de Adriana Calcanhotto. Uma das 12 músicas gravadas pela cantora e compositora gaúcha no seu autoral CD O micróbio do samba (2011), Aquele plano para me esquecer ganha registro da Cigarra no álbum É melhor ser, nas lojas até o fim deste mês de outubro de 2013, em edição da gravadora Biscoito Fino. Outra músicas do disco são Os medos - parceria de Joyce Moreno com Rodolfo Stroeter, lançada por Joyce no álbum Just a little bit crazy (2004) - e Só nos resta viver (Ângela Ro Ro), música-título do segundo álbum de Ro Ro, lançado em 1980. Dominado por regravações em seu repertório assinado por mulheres (com alguns parceiros homens), o repertório do 41º disco de Simone inclui uma ou outra inédita, caso do bolero Só se for, parceria de Simone com Zélia Duncan, artista envolvida na concepção da produção assinada oficialmente por Bia Paes Leme com Leandro Braga. Eis as 14 músicas do álbum É melhor ser:

1. A propósito (Simone e Fernanda Montenegro, 2013)
2. Mulher o suficiente (Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, 1995)
3. Aquele plano para me esquecer (Adriana Calcanhotto, 2011)
4. Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979)
5. Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010)
6. Só se for (Simone e Zélia Duncan, 2013)
7. Haicai (Fátima Guedes, 2013)
8. Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978)
9. Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981)
10. Só nos resta viver (Ângela Ro Ro, 1980)
11. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)
12. Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981)
13. Os medos (Joyce Moreno e Rodolfo Stroeter, 2004)
14. A propósito (Simone e Fernanda Montenegro, 2013) - vinheta