Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Sem foco, voz afinada de Andreia Mota se perde em 'Paisagem invisível'

Resenha de CD
Título: Paisagem invisível
Artista: Andreia Mota
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * * 

Na teoria, o primeiro álbum de Andreia Mota, Paisagem invisível, apresenta músicas brasileiras filtradas sob a ótica do jazz. Na prática, quando posto em rotação no CD-player, o disco dessa boa cantora carioca resulta sem um foco definido. Originado de homônimo show de arquitetura teatral, o CD - parcialmente viabilizado por recursos obtidos através de campanha de financiamento coletivo - foi gravado sob a produção de Victor Ribeiro. A abordagem jazzística fica nítida em certas passagens de músicas como Canoa, canoa (Nelson Angelo e Fernando Brant) - gravada por Simone no álbum Face a face (Odeon, 1977) - e Flor voadeira (Renato Frazão, Marcelo Fedrá e Lucas Dain) sem dar a Paisagem invisível o status de disco de jazz. O repertório do álbum está enraizado nas tradições da MPB. Só que a voz afinada da cantora nada acrescenta a músicas como Inútil paisagem (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1963) e Feito nós (Milton Nascimento e Paulo Ricardo, 1987). Pior: atenua a beleza dessas músicas. Se sobra afinação, falta personalidade a Andreia Motta como intérprete neste disco batizado com parceria, Paisagem invisível, de Marcelo Fredá e Thiago Amud. Mesmo a interpretação mais bem resolvida do disco - Guardanapos de papel (Leo Masliah em versão em português de Carlos Sandroni, 1989) - perde no confronto para a gravação original da cantora carioca Clara Sandroni. Standard norte-americano de 1928, Softly, as in a morning sunrise (Sigmund Romberg e Oscar Hammerstein II) ratifica o reduzido poder de sedução deste álbum que embute poesias de Alessandra Gelio - Paisageando e Todo dia eu sonho com uma mulher - em repertório que resulta insosso, por vezes até mesmo chato, como em Dos seus olhos, tema de autoria da cantora. Pode ser que o show funcione no palco com sua moldura teatral. Neste registro de estúdio, a costura fica frouxa e o rigor estilístico da cantora se revela insuficiente para tornar o álbum interessante. Entre música contemporânea do compositor carioca Thiago Amud (Papoula brava) e um choro de 1941 (Boca de siri, parceria de Wilson Baptista com Germano Augusto Coelho), o canto de Andreia Motta parece perdido em Paisagem invisível...

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Na teoria, o primeiro álbum de Andreia Mota, Paisagem invisível, apresenta músicas brasileiras filtradas sob a ótica do jazz. Na prática, quando posto em rotação no CD-player, o disco dessa boa cantora carioca resulta sem um foco definido. Originado de homônimo show de arquitetura teatral, o CD - parcialmente viabilizado por recursos obtidos através de campanha de financiamento coletivo - foi gravado sob a produção de Victor Ribeiro. A abordagem jazzística fica nítida em certas passagens de músicas como Canoa, canoa (Nelson Angelo e Fernando Brant) - gravada por Simone no álbum Face a face (Odeon, 1977) - e Flor voadeira (Renato Frazão, Marcelo Fedrá e Lucas Dain) sem dar a Paisagem invisível o status de disco de jazz. O repertório do álbum está enraizado nas tradições da MPB. Só que a voz afinada da cantora nada acrescenta a músicas como Inútil paisagem (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1963) e Feito nós (Milton Nascimento e Paulo Ricardo, 1987). Pior: atenua a beleza dessas músicas. Se sobra afinação, falta personalidade a Andreia Motta como intérprete neste disco batizado com parceria, Paisagem invisível, de Marcelo Fredá e Thiago Amud. Mesmo a interpretação mais bem resolvida do disco - Guardanapos de papel (Leo Masliah em versão em português de Carlos Sandroni, 1989) - perde no confronto para a gravação original da cantora carioca Clara Sandroni. Standard norte-americano de 1928, Softly, as in a morning sunrise (Sigmund Romberg e Oscar Hammerstein II) ratifica o reduzido poder de sedução deste álbum que embute poesias de Alessandra Gelio - Paisageando e Todo dia eu sonho com uma mulher - em repertório que resulta insosso, por vezes até mesmo chato, como em Dos seus olhos, tema de autoria da cantora. Pode ser que o show funcione no palco com sua moldura teatral. Neste registro de estúdio, a costura fica frouxa e o rigor estilístico da cantora se revela insuficiente para tornar o álbum interessante. Entre música contemporânea do compositor carioca Thiago Amud (Papoula brava) e um choro de 1941 (Boca de siri, parceria de Wilson Baptista com Germano Augusto Coelho), o canto de Andreia Motta parece perdido em Paisagem invisível.

Clayton Moreira disse...

Acho tão cansativa essa mania de jazz dessas cantoras novatas...

Denilson Santos disse...

Não posso opinar, pois não ouvi ainda. Mas comparar com a Clara Sandroni é covardia. Rsrsrs... Ela sempre será superior à maioria dos cantores brasileiros.
Abração
Denilson

Aline Vivas disse...

Reserva-se à crítica aquele que não sabe fazer. Entrega-se a comparações grosseiras de valor quem não entende de arte. Parabéns, Andreia! Respeito muito suas escolhas estéticas e a coragem de criar e produzir seu próprio trabalho. Vamos falar de música! Com embasamento por favor!