Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 23 de junho de 2015

Com evocações de Zeca, Mosquito toma partido do melhor samba do quintal

Resenha de álbum
Título: Mosquito
Artista: Mosquito
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

♪ Ok, o bordão ô sorte - usado por Mosquito no título e no refrão de seu samba de maior sucesso, Ô sorte (Mosquito, Tinho Brito e Márcio Claro), propagado na trilha sonora da novela Babilônia (TV Globo, 2015) - soa como uma apropriação do patrimônio musical de Wilson das Neves, propagador desse bordão no mundo do samba. Mas Mosquito - nome artístico do cantor e compositor carioca Pedro Assad Medeiros Torres - chega no terreirão do samba com jeito de bamba precoce, a julgar por seu primeiro álbum, Mosquito, lançado neste mês de junho de 2015 pela gravadora Sony Music dois meses após a edição de EP digital. Até a semelhança física com Zeca Pagodinho em início de carreira - realçada pelo jeito franzino de ambos - ajuda a posicionar Mosquito no quintal carioca. O banjo tatuado nas costas - alardeado logo na primeira linha do texto que apresenta o disco - é figura que também evoca a boa procedência do samba de Mosquito. Fosse 35 mais velho, Mosquito provavelmente teria estado na turma que renovou o samba - na virada dos anos 1970 para a década de 1980 - na quadra do Cacique de Ramos. Basta ouvir um partido alto como Vou ver Juliana (Mosquito e Tinho Brito) para atestar que Mosquito faria bonito numa roda do Cacique. Sintomaticamente, Zeca Pagodinho (descoberto por Beth Carvalho no Cacique) participa do disco - produzido por seu compadre artístico Max Pierre - em samba, Atalho (Cléber Augusto, Djalma Falcão e Jorge Aragão),  lançado há 14 anos pelo grupo Fundo de Quintal no álbum Papo de samba (BMG, 2001). De todo modo, embora tome partido do melhor samba do quintal carioca, se desviando da trilha do pagode pop, Mosquito também faz conexões com nomes surgidos após a era do Cacique do Ramos. Cantor e compositor que sempre se equilibrou entre o samba de boa cepa e o pagode de extrato mais populista, Xande de Pilares dá boas contribuições ao álbum de Mosquito com os sambas O amor mandou dizer (Xande de Pilares e Gilson Bernini) - de cuja gravação figura como convidado - e Cadê a viola, Maria? (Xande de Pilares, Gilson Bernini e Mosquito). Entre sambas dolentes como O destino escolheu (Mosquito) e Só por hoje (Mosquito), o partideiro narra em O dono da favela (Mosquito) a história trágica de menino da comunidade aliciado pelo crime e dá a decisão em Não enche (Caetano Veloso, 1997). Lançado por seu compositor Caetano Veloso com a batida do samba-reggae no álbum Livro (Polygram, 1997), o samba se ajusta bem ao tom pagodeiro do registro de Mosquito. Enfim, Mosquito chega com moral no mundo do samba, reproduzindo até os códigos machistas desse universo nos versos de Papel de bobão (Mosquito). Resta saber se há ainda espaço no mercado fonográfico para um disco que - a despeito de ostentar as percussões de Pretinho da Serrinha, expoente do samba pop - gira em torno de roda tradicional.

DVD e CD (ao vivo) do grupo Melanina Carioca industrializam música de festa

♪ A origem da banda já está explicitada no nome, Melanina Carioca, que exala orgulho negro. Formado por oito vocalistas (David dos Santos, Jefferson Euzébio Meirelles, Jonathan Azevedo, Jonathan Haagensen, Luiz Otávio Fernandes, Marcelo Melo Jr, Roberta Rodrigues e Roberta Santiago), o grupo está lançando, via Deck, o CD e DVD Vivendo de amor ao vivo. Com repertório essencialmente autoral que fecha com o maior sucesso da Melanina Carioca, Deixa se envolver (Jefferson Brasil, Jonathan Azevedo, Micael Borges e Luiz Otávio), o DVD exibe show captado em janeiro deste ano de 2015 em apresentação da banda no evento Burn on Stage, no Guarujá (SP). Em essência, a Melanina Carioca faz e canta uma versão industrializada da música de festa, jogando samba, rap e MPB no mesmo caldeirão pop de mistura rala. Tanto que, entre músicas autorais como Aquela gata (Jefferson Brasil) e Fique comigo (David dos Santos e Jonathan Hagensen), o octeto lembra o que a artista carioca Marina Lima fez num verão passado, tocando Uma noite e 1/2 (Renato Rockett,  1987), sucesso do verão e do álbum Virgem (Polygram,  1987).

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Lenine regrava hit inicial de Claudinho & Buchecha para álbum de Buchecha

♪ A IMAGEM DO SOM - Extraída de vídeo postado no YouTube, a foto mostra Lenine em estúdio do Rio de Janeiro (RJ) com o cantor e compositor fluminense Buchecha. O artista pernambucano regravou o funk melody Conquista (Buchecha, 1996) - um dos maiores sucessos da dupla formada em 1995 por Buchecha com seu amigo Claudinho (1975 - 2002) - em dueto com o MC. A gravação é para o álbum que Buchecha vai lançar no segundo semestre deste ano de 2015, lembrando os 20 anos da formação da dupla Claudinho & Buchecha. Lançada no primeiro álbum de Claudinho & Buchecha, posto nas lojas em 1996, Conquista foi o primeiro hit nacional da dupla de funk melody.

Show-gafieira de Hamilton, 'Baile do Almeidinha' é lançado em CD de estúdio

♪ Show em clima de gafieira comandado pelo bandolinista Hamilton de Holanda com música instrumental, O baile do Almeidinha é sucesso há quase três anos na noite carioca, já tendo tido mais de 40 edições realizadas sob a lona do Circo Voador, no centro do Rio de Janeiro (RJ). Mas somente agora ganha seu primeiro registro fonográfico no formato de CD, gravado e mixado por Daniel Musy no Estúdio Fibra, no Rio de Janeiro (RJ), entre abril e maio deste ano de 2015, sob a supervisão de Hamilton e de Marcos Portinari (cocriador do projeto com Maria Juçá). Lançado neste mês de junho pelo selo Brasilianos, com distribuição da Sonora, o CD Hamilton de Holanda & O baile do Almeidinha tem gracioso projeto gráfico criado por Enio Souza (da Human Design) a partir de ilustrações de Paulo Brabo. O disco alinha somente composições de autoria dos músicos que ajudam Hamilton a comandar o baile. O baixista Guto Wirtti é parceiro de Hamilton nas saudações que abrem e fecham o disco, assinando também, sozinho, Balaio (tema de influência uruguaia) e o bolero à gaúcha À moda antiga. Já o saxofonista Edu Neves é parceiro de Rogério Caetano no Chorinho em Cochabamba e de Dudu Oliveira em Essa fada. Sozinho, Hamilton assina músicas como  Xote do Almeidinha,  Choro no Circo,  Frevo carioca  e o samba  A escola e a bola.

Liminha é o produtor do álbum finalizado, no Brasil, por Moska com Fito Paez

♪ Liminha é quem assina a produção do álbum gravado em 2014, no Brasil, pelo cantor e compositor carioca Moska com o cantor e compositor argentino Fito Paez. Ainda sem título revelado, o disco já está finalizado, à espera de lançamento, previsto pela gravadora Sony Music para o segundo semestre deste ano de 2015. Os artistas - em foto de Debora 70 - gravaram 18 músicas, mas somente 12 entrariam no disco. São 12 músicas inéditas de autoria dos compositores.

Segundo álbum de César Lacerda sai com o selo da gravadora Joia Moderna

♪ O segundo álbum do cantor e compositor mineiro César Lacerda - em foto de Clayton Leite - vai chegar ao mercado fonográfico no segundo semestre de 2015 com o selo da Joia Moderna, a gravadora aberta pelo DJ Zé Pedro em 2011. Já finalizado, o disco se chama Paralelos & infinitos e tem repertório formado por oito músicas inéditas de autoria deste artista radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Falando em Joia Moderna, a gravadora - com a cotação cada vez mais alta no mercado fonográfico -  lançará também o CD que festeja os 40 anos de carreira de Fafá de Belém.

domingo, 21 de junho de 2015

Gui Amabis busca clima solar em seu terceiro álbum solo, 'Ruivo em sangue'

♪ Terceiro álbum da discografia solo do produtor e compositor paulistano Gui Amabis, Ruivo em sangue já está disponível para download gratuito e legalizado no site oficial do artista. O sucessor de Memórias luso / africanas (Independente, 2011) e Trabalhos carnívoros (YB Music, 2012) teve sua concepção norteada pela busca de "paisagens solares, temas oníricos e construções categoricamente cinematográficas" - como caracteriza o texto que apresenta o disco, composto e gravado entre as cidades Lisboa (Portugal) e São Paulo (SP, Brasil) com produção capitaneada pelo próprio Amabis. Os arranjos são assinados pelo artista com Dustan Gallas e Régis Damasceno, parceiros de Amabis em parte das nove músicas que compõem o repertório de Ruivo em sangue. Abestada, Eles eram, Encosto, Mistas verdades, Patrulha desorientada, Gathered mind e Graxa e sal são músicas do álbum, masterizado por Felipe Tichauer, no estúdio Redtraxx, em Miami (EUA).

Zé Manoel emerge como (ótimo) compositor nas águas de 'Canção e silêncio'

Resenha de CD
Título: Canção e silêncio
Artista: Zé Manoel
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * *

♪ Segundo álbum de Zé Manoel, Canção e silêncio tem repertório autoral atravessado pelas águas de mares e rios do vasto Nordeste do Brasil. Ao revolver suas memórias dessas águas, o artista pernambucano - natural de Petrolina (PE) - emerge como um ótimo compositor. Além de compor bem, apresentado obra identificada com os padrões da MPB, Zé Manoel Carvalho é pianista e cantor eficaz. Dentre as 13 músicas autorais do disco, a maioria assinada solitariamente por Zé Manoel, há temas levados somente no piano, como Na noite em que eu nasci (Zé Manoel). Na gênese um baião cinzento de andamento lento, Água doce (Zé Manoel) ganha tratamento de música de câmara no toque do piano do artista. Cabe ressaltar o mérito da produção de Carlos Eduardo Miranda, que deu polimento à música de Zé Manoel com o entendimento de que essa obra muitas vezes pede embalagens de invólucro mais clássico. Kassin também contribuiu positivamente, na medida, com bases adicionais. Tudo para evidenciar a beleza das músicas e letras impressionistas deste artista que lançou há três anos seu primeiro álbum, Zé Manoel (Independente, 2012), sem repercussão na mídia. E o fato é que composições como A maior ambição (Zé Manoel e Juliano Holanda) e a música-título Canção e silêncio (Zé Manoel) valorizam o disco. Zé Manoel apresenta obra de arquitetura original, mas suas referências parecem vir dos anos 1960, da MPB formada no rastro das (r)evoluções estéticas da Bossa Nova, como sinalizam o samba Cada vez que eu digo adeus (Zé Manoel e Paulo Mello), O mar (Zé Manoel e Sergio Napp) e a canção Volta pra casa (Zé Manoel), solada pela cantora Isadora Melo e arranjada por Letieres Leitte, maestro baiano condutor da Orkestra Rumpilezz. É de Letieres o portentoso arranjo orquestral que adensa a caymminiana Sereno mar. Já Estrela nova tem letra de Dulce Quental, a cantora e compositora carioca revelada na geração pop da década de 1980. Enfim, com sutis toques de regionalismo que identificam a origem geográfica do artista, o álbum Canção e silêncio abarca em suas águas tradições da música feita em todo o Brasil no século XX, fazendo emergir a obra relevante (e inesperada) de Zé Manoel.

Bethânia volta ao Rio com show 'Abraçar e agradecer' sem sinal de gravação

♪ Embora estivesse prevista no cronograma da turnê nacional do show Abraçar e agradecer para ser feita em setembro, no Rio de Janeiro (RJ), a gravação ao vivo do espetáculo comemorativo dos 50 anos de carreira de Maria Bethânia pode não ser feita na volta do show ao Rio de Janeiro (RJ) na mesma cidade e casa - Vivo Rio - em que estreou em 10 de janeiro de 2015. A cantora baiana - em foto de Rodrigo Goffredo - vai reapresentar o espetáculo em apresentações agendadas para 11 e 12 de setembro de 2015, no Vivo Rio, mas não há qualquer sinal ou informação no site de venda de ingressos de que tais apresentações serão alvos de gravação ao vivo para a edição de CD e DVD. 

Curto, mas (in)tenso, show 'É' de Duda Brack reproduz perfeição feroz do CD

Resenha de show 
Título: É 
Artista: Duda Brack (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro do Oi Futuro Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 19 de junho de 2015
Cotação: * * * * *

♪ "É que é muito intenso, gente... Tem que ser curto...". O comentário feito por Duda Brack no palco do teatro do Oi Futuro Ipanema, sobre a pequena duração de seu show É, deu a medida exata do que se viu e ouviu na noite de 19 de junho de 2015. Em cerca de uma hora, a cantora gaúcha de 21 anos - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde os 18 - fez uma apresentação (in)tensa, hard, que reproduziu em cena, com perfeição, a ferocidade impetuosa de seu primeiro álbum, É, produzido por Bruno Giorgi. Dividindo o palco com power trio formado por Gabriel Barbosa (na bateria alucinada), Gabriel Ventura (na guitarra furiosa) e Yuri Pimentel (no baixo largo), Duda confirmou no show - programado dentro da quarta edição do projeto Levada - as qualidades evidenciadas no disco que ganhou edição física em CD neste mês de junho de 2015, dois meses após ter sido lançado em formato digital e disponibilizado para download gratuito no site oficial da artista. Duda Brack é uma cantora intensa, visceral, cujas interpretações se afinam com o tom hard roqueiro de sua banda. Colhido entre compositores emergentes ou mesmo submersos na onda de um mercado cada vez mais dilapidado, o repertório de Duda é imperativo, tem atitude, dá a decisão. Todas as oito músicas do álbum É estão evidentemente no roteiro do show. Só que, no show, Duda começou pelo fim do disco, abrindo a apresentação com a récita do texto ouvido após a última música do CD, A casa não cairá (Caio Prado, 2015). Na sequência, a cantora deu então voz - com a alardeada intensidade que se harmoniza com o tom impositivo e assertivo da maioria das músicas -  a composições como a asfixiante Eu sou o ar (César Lacerda, 2015) e Vaza (Tais Feijão, 2014), esta turbinada com loops vocais pré-gravados e, no bis, refeita com a feliz presença da cantora paulistana Ana Cañas, convidada da primeira das duas apresentações do show É no projeto Levada. A presença de Cañas, aliás, surpreendeu positivamente. Ao cantar com Brack a música que deu título ao seu terceiro álbum, Volta (Ana Cañas, 2012), Cañas entrou no espírito noise e distorcido do som furioso da colega, mantendo o clima de É. Em essência, É é show de rock pesado, feito na pressão, como mostraram os tons de Lata de tinta (Paulo Monarco e Elio Camalle, 2015). O repertório de Duda Brack flerta com a MPB, mas é passado pelo filtro do indie rock e, em cena, ganha os tons e movimentos performáticos da artista. Em palco geralmente com pouca luz, Brack se posiciona sem obviedade. A cantora senta no palco para interpretar Dez dias (Dani Black, 2015), por exemplo. Mas essa sentada é feita dentro do espírito desassossegado do show, cujo único número (quase) calmo é Te ver chegar (Paulo Novaes, 2015), música que Brack canta com seu violão e que, intérprete inquieta, impede de soar explicitamente pop. Surpresa do roteiro, Interesse (Pedro Luís e Suely Mesquita, 2004) - música lançada pelo grupo carioca Pedro Luís e a Parede no disco gravado com o cantor Ney Matogrosso e revivida pela cantora com citação distorcida de Caio no suingue (Pedro Luís, 1977) - está em sintonia com o tom imperativo do repertório de Duda Brack. Tom reiterado em Venha (Paulo Monarco e Celso Viáfora, 2015). Enfim, não é todo ano que uma cantora surge em cena já pronta. Além da voz intensa, Duda Brack selecionou repertório de conceito firme, arregimentou trio poderoso (autor dos arranjos) e escolheu um produtor afim com sua atitude -  Bruno Giorgi transita bem nessa atmosfera hard noise -  e, ainda por acima, foi para o palco sem diluir a forte impressão deixada por seu retumbante primeiro álbum. Duda Brack já é!

sábado, 20 de junho de 2015

Duda Brack expande 'É' em show no Rio com Cañas e músicas de Pedro Luís

♪ Sem se desviar em cena da trilha pesada e (in)tensa de seu primeiro álbum, É (Independente, 2015), Duda Brack - cantora gaúcha radicada no Rio de Janeiro (RJ) - vai (um pouco) além do repertório do disco no show de lançamento deste excelente disco que a tem projetado como a maior revelação musical deste ano de 2015. Sim, Duda jamais trai o conceito do CD ao extrapolar seu repertório em cena. Na estreia oficial do show, apresentado dentro da programação da quarta edição do projeto Levada no Teatro do Oi Futuro Ipanema, em 19 de junho de 2015, a intérprete recebeu a cantora paulistana Ana Cañas (vista com Duda na foto de Rodrigo Goffredo), com quem cantou Volta (Ana Cañas, 2012) - música que batizou o terceiro álbum de estúdio de Cañas - dentro do tom hard roqueiro de É. Também fora do repertório de É, Duda cantou música de Pedro Luís com Suely Mesquita, Interesse, lançada há 11 anos no CD que juntou Pedro Luís e a Parede com Ney Matogrosso, Vagabundo (Universal Music, 2004). Ao fim de Interesse, Duda citou Caio no suingue (1997), outra composição de Pedro Luís, com quem tem feito conexões musicais (Duda participa do primeiro DVD solo do artista carioca, Aposto, cantando Véu de filó, música lançada em disco nos 1990 pela extinta banda de forró Farol de Luar). Além das oito músicas do álbum, Duda lembrou no bis Because ousa (João Guarizo e Dani Black, 2012), música que lhe deu certa projeção como intérprete no circuito indie de festivais do Sudeste do Brasil. Tudo com o toque heavy noise do power trio formado por Gabriel Barbosa (bateria), Gabriel Ventura (guitarra) e Yuri Pimentel (baixo). Eis o roteiro seguido em 19 de junho de 2015 por Duda Brack na estreia oficial do belo show É no projeto Levada, no teatro do Oi Futuro Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro (RJ):

♪  Texto
1. Eu sou o ar (César Lacerda, 2015)
2. Vaza (Tais Feijão, 2014)
3. Lata de tinta (Paulo Monarco e Elio Camalle, 2015)
4. Dez dias (Dani Black, 2015)
5. Te ver chegar (Paulo Novaes, 2015)
6. Interesse (Pedro Luis e Suely Mesquita, 2004)
    - com citação de Caio no suingue (Pedro Luís, 1997)

7.Venha (Paulo Monarco e Celso Viáfora, 2015)
8. Volta (Ana Cañas, 2012) - com Ana Cañas
9. A casa não cairá (Caio Prado, 2015)
10. Cadafalso (Carlos Posada, 2015)
Bis:
11. Because ousa (João Guarizo e Duda Black, 2012)
12. Vaza (Tais Feijão, 2014) - com Ana Cañas

Inédita de Caymmi com Assis batiza o disco de Danilo com Lullo e Domenico

♪ Até então inédita em disco, uma bissexta parceria do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008) com o empresário paraibano Assis Chateaubriand (1892 - 1968), Don Don, já pode ser ouvida no portal SoundCloud na voz de Danilo Caymmi. Guardado no baú de inéditas de Dorival com o título de Segura Don Don, o samba dá nome ao disco em que Danilo aborda o cancioneiro de seu pai com a pegada contemporânea do baixista Bruno Di Lullo e do baterista Domenico Lancellotti. Os músicos são os produtores do álbum Don Don - Danilo Caymmi canta Dorival com Bruno Di Lullo e Domenico Lancellotti. Eleito o primeiro single do álbum, muito provavelmente pelo ineditismo da composição, o samba é bom e ostenta aquela simplicidade genial que pauta o cancioneiro de Dorival Caymmi. Feita com músicos como Moreno Veloso, a gravação soa leve e tem arranjo que evoca a influência de  Dori Caymmi  como orquestrador da obra de Dorival.  O disco sairá em julho de 2015.

Arnaldo Antunes grava, no Rio, CD de inéditas que sai no segundo semestre

♪ Arnaldo Antunes entrou em estúdio na última segunda-feira, 15 de junho de 2015, para começar a gravar o 17º CD de sua discografia pós-Titãs. O disco é de músicas inéditas e está sendo gravado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O último álbum de inéditas do cantor e compositor paulistano - em foto de Rafael Cañas - foi lançado há dois anos. A edição do sucessor de Disco (Rosa Celeste / Radar Records, 2013) está prevista para o segundo semestre deste ano de 2015. O álbum é autoral.

Coautor de 'Vagalumes', hit da banda Pollo, Ivo faz álbum com Rafael Ramos

♪ Parceiro de Adriel de Menezes e Luiz Tomim na canção Vagalumes (2012), hit com a banda Pollo, o cantor e compositor paulistano Ivo Mozart assinou contrato com a gravadora Deck. O artista já está em estúdio gravando álbum com produção de Rafael Ramos. Quer um beijo meu? é uma das músicas inéditas do CD, quarto título da discografia de Ivo, que debutou no mercado fonográfico em 2012 com EP com quatro músicas e em 2013 lançou CD com oito músicas via Radar Records. Detalhe: o EP de 2012 teve edição estendida com a adição de quatro faixas. Entre elas, Vagalumes.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Ator e diretor de teatro Bruce Gomlevsky se lança como cantor e compositor

♪ Um dos mais celebrados atores e diretores da cena teatral carioca, Bruce Gomlevsky se lança como cantor e compositor no mercado fonográfico com a edição independente, neste mês de junho de 2015, do álbum autoral Eu me recuso a abandonar meu romantismo. Produzido por Mauro Berman, o disco alinha 12 composições inéditas assinadas solitariamente pelo artista carioca. Que também toca violão no disco. A atriz, Eu queria te pedir desculpas, À sua frieza, Cansei, Eu amo você, Desde aquela noite, Seus olhos azuis e Você é tudo que eu sempre quis figuram no repertório. Gomlevsky - para quem não liga o nome à cena - foi o intérprete que encarnou Renato Russo (1960 - 1996)  em musical de teatro sobre o mentor da banda Legião  Urbana (1982 - 1996).

Lobão busca financiamento coletivo para lançar CD com 14 músicas inéditas

♪ Lobão recorreu à plataforma de financiamento coletivo Kickante para viabilizar a edição de seu primeiro álbum de inéditas em dez anos, O rigor e a misericórdia. O cantor e compositor carioca espera arrecadar R$ 80 mil para bancar a fabricação e a distribuição deste disco gravado de forma totalmente independente e solitária. O próprio Lobão - em foto de Rui Mendes - produz o disco, assina as 14 músicas inéditas - entre elas, há Os últimos farrapos da liberdade, A posse dos impostores, Uma ilha na lua e a composição que dá nome ao álbum - e vai pilotar a mixagem e a masterização do disco. Clique aqui para saber detalhes da campanha de financiamento coletivo do disco O rigor e a misericórdia. A campanha se encerra em 25 de julho de 2015. Já a entrega do CD autografado para quem colaborar com a campanha está prevista para 30 de novembro de 2015.

Incluído em trilha de novela, 'single' em inglês de Leitte já tem prévia na web

♪ Incluído no CD que traz o primeiro volume da trilha sonora da novela I love Paraisópolis, exibida pela TV Globo às 19h, o primeiro single em inglês da cantora fluminense Claudia Leitte, Signs, já circula na web em prévias. Música assinada por um time de produtores e compositores estrangeiros formado por Andrew Frampton, Steve Kipner, Danny O'Donoghue (vocalista da banda irlandesa The Script) e Mark Sheehan, Signs está sendo apontada em sites de notícias como o primeiro single da carreira internacional de Leitte. Mas tal informação não é confirmada nos canais oficiais da artista na web. Muito se especula sobre a estreia da cantora na gravadora norte-americana Roc Nation (de Jay-Z) com disco em inglês. Signs pode ser o sinal desse álbum. Ou somente uma faixa de novela...

EP 'Por onde eu for' conduz Leila Pinheiro a algum lugar (arcaico) do passado

Resenha de EP
Título: Por onde eu for
Artista: Leila Pinheiro 
Gravadora: Tacacá Music
Cotação: * * 1/2
Disco já disponível para audição no portal SoundCloud

♪ Em fevereiro deste ano de 2015, Leila Pinheiro iniciou movimento de garimpo de repertório para gravar um EP, Por onde eu for,  lançado em formato digital e, na sequência quase imediata, em edição física em CD. Há dez anos sem lançar um grande disco à altura de seus méritos como cantora (o último, Nos horizontes do mundo, saiu em 2005 via Biscoito Fino), a cantora e eventual compositora paraense conseguiu músicas inéditas de Adriana Calcanhotto (o samba que dá título ao disco) e Marina Lima (Chega pra mim, parceria da artista carioca com Márcio Tinoco), além de ter reencontrado uma parceria sua com Zélia Duncan, Todas as coisas valem, no acervo do DJ Zé Pedro, a quem recorreu para montar o repertório do disco. Com quatro faixas, completadas com a regravação da balada Você em mim (Guilherme Arantes, 2013), o EP produzido por André Vasconcellos está linkado ao show - também intitulado Por tudo que for - que Leila estreia neste mês de junho de 2015 em turnê que inicia sua rota nacional por São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG). É um show de piano (o de Leila) e teclados (o de Rodrigo Tavares) que vai abordar as quatro músicas do EP, entre outras composições. Pode ser que esse repertório ganhe mais vida em cena. No disco, Por onde eu for conduz Leila a algum lugar já arcaico do passado da música brasileira. Falta frescor às interpretações e, sobretudo, aos arranjos. A música de Marina - composta com inspiração no samba Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) - é prejudicada pelo uso excessivo dos teclados e efeitos de Rodrigo Tavares. O samba típico de Adriana Calcanhotto - composto em 2011 em homenagem a Marisa Monte e gravado por Leila com músicos como Marcos Suzano (percussão), Adriano Trindade (bateria) e André Siqueira (violão) - tem arranjo mais bem estruturado, mas se ressente, no canto de Leila, da ausência da verve espirituosa que somente Calcanhotto sabe imprimir em seus sambas. Gravada com os mesmos músicos do samba de Calcanhotto, a balada apaixonada de Arantes ganha clima de bossa nova que reitera o apuro técnico do canto de Leila. Por fim, a parceria de Leila com Zélia - Todas as coisas valem, gravada com a participação de Zélia e a mesma banda do disco - tem tom abolerado. É uma música bonita que poderia crescer com uma sonoridade mais arejada. Enfim, Por onde eu for chega à web sem cacife para renovar o som, o público e o status de Leila Pinheiro no mercado fonográfico brasileiro.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

EP 'Extra' agrega as seis músicas (até então) exclusivas do DVD de Mart'nália

♪ A gravadora Biscoito Fino está lançando esta semana, somente em edição digital, o EP Extra, de Mart'nália. Disponível nas plataformas digitais desde anteontem, 16 de junho de 2015, o EP Extra apresenta os áudios dos seis fonogramas - Cabide (Ana Carolina, 2005), Ela é a minha cara (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, 2008), Sem compromisso (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, 1954), Deixe a menina (Chico Buarque, 1980), Pé do meu samba (Caetano Veloso, 2002) e Boto meu povo na rua (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho, 2005) - que tinha ficado fora do CD Mart'nália em samba! ao vivo (Biscoito Fino,  2014) e até então eram registros exclusivos do DVD homônimo.

Pires planeja gravação em Miami para retomar carreira internacional em 2016

♪ Alexandre Pires planeja retomar sua carreira internacional no início de 2016. E, por carreira internacional, no caso do cantor e compositor mineiro, entenda-se o mercado de língua hispânica para o qual o artista já gravou quatro álbuns em carreira solo (o último, A un idolo, saiu há oito anos, em 2007, e foi um tributo ao cantor espanhol Julio Iglesias). Para essa retomada, os planos de Pires e da gravadora Sony Music incluem a gravação ao vivo de um show em Miami (EUA), em 2016, para originar CD e DVD. Em tese, o cantor e a companhia fonográfica já estariam articulando a presença de astros do mercado latino-americano - como o guitarrista mexicano Carlos Santana, a artista cubana Gloria Estefan e a cantora colombiana Shakira, entre outros nomes - na gravação. De todo modo, Pires lança álbum em português no Brasil, ainda em 2015, via Sony Music.