Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


domingo, 6 de novembro de 2011

Show 'Chico' põe Buarque em cena no tempo sereno e refinado do artista

Resenha de show
Título: Chico
Artista: Chico Buarque (em foto de divulgação de Eugênio Sávio)
Local: Palácio das Artes (Belo Horizonte, MG)
Data: 5 de novembro de 2011
Cotação: * * * * 1/2
Agenda da turnê nacional do show Chico em 2011 e 2012:
* 5 a 9 de novembro de 2011 - Palácio das Artes (Belo Horizonte, MG)
* 28 e 29 de novembro de 2011 - Teatro Sesi (Porto Alegre, RS)
* 2 de dezembro de 2011 - Teatro Feevale (Novo Hamburgo, RS)
* 15 a 17 de dezembro de 2011 - Teatro Guaíra (Curitiba, PR)
* 5 a 29 de janeiro de 2012 - Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
* 1 a 25 de março de 2012 - HSBC Brasil (São Paulo, SP)

Refletores acesos e tamborins apurados, Chico Buarque está de volta aos palcos - e por consequência ao samba - com a turnê do show Chico, o álbum de inéditas lançado em julho deste ano de 2011. Tal como o disco, o show Chico marcha no tempo maduro e harmonioso do artista. Aos 67 anos, o compositor revolve amores e memórias em roteiro primoroso sem a preocupação de forjar um tom efusivo no encadeamento das dez músicas novas com sucessos que jazem eternos no inconsciente coletivo do Brasil. Reminiscências expostas já na primeira sintomática música do roteiro, Velho Francisco (Chico Buarque, 1987). Em cena, o artista tem a companhia do violão, instrumento tocado em perfeita sintonia com a banda virtuosa regida pelo maestro Luiz Cláudio Ramos. Na sequência do roteiro, De Volta ao Samba (Chico Buarque, 1993) ressurge na cadência suave que dá o tom do show. Nem mesmo a tensão inerente ao versos postos pelo rapper paulista Criolo sobre a melodia de Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - "Afasta de mim a biqueira, pai/ Afasta de mim as biate, pai/ Afasta de mim a coqueine, pai/ Pois na quebrada escorre sangue", citados por Chico no instante surpreendente em que o cantor se afasta de seu já alicerçado universo musical para saudar Criolo com a citação e a apresentação de versos como "Evoé, jovem artista! Palmas pro refrão do rapper paulista" - altera substancialmente a pulsação serena do show. A pegada é outra. Já íntima do universo e do tempo do artista, a banda de feras - João Rebouças (piano e teclados), Wilson das Neves (bateria), Jorge Helder (baixo), Marcelo Bernardes (sax, clarinete e flautas), Chico Batera (percussão), Bia Paes Leme (teclados e vocais) e o regente Luiz Cláúdio Ramos (violão) - reproduz no palco o requinte harmônico que pauta o disco Chico, ambientando as músicas antigas nessa atmosfera refinada. O criativo arranjo de Baioque (Chico Buarque, 1972) salta especialmente aos ouvidos por embutir referências ao universo musical que gerou o rock, culminando com citação de My Mammy (Walter Donaldson, Joe Young e Sam M. Lewis), tema teatral de 1918 que o cantor e ator norte-americano Al Jolson (1886 - 1950) popularizou ao trazê-lo para o universo do blues e do rhythm and blues, duas matérias-primas da formação do rock'n'roll. Além das citações dos versos de Criolo e do sucesso de Jolson, o cantor se permite sair de sua zona de conforto autoral ao encenar com Wilson das Neves o charmoso diálogo musical travado pelos cantores Dick Farney (1921 -1987) e Lúcio Alves (1927 - 1993) em Tereza da Praia (Tom Jobim e Billy Blanco, 1954). Cheio de bossa no dueto original, o samba ganha a ginga malandra de Neves, convidado momentos antes para dividir o microfone com o anfitrião em Sou Eu (Chico Buarque e Ivan Lins), samba que também aborda com verve disputa masculina pelo amor de uma mulher. Cria desse universo masculino, a marcha ternária Rubato (Chico Buarque e Jorge Helder, 2011) põe Chico em movimento bissexto em cena como se canto do palco delimitasse o espaço de cada uma das mulheres do Don Juan barato retratado no tema. Contudo, o roteiro coeso de Chico também faz ressoar a voz feminina do compositor em bloco que - sentado ao centro do palco com seu violão, mas sem dispensar a banda - o cantor lança mão de canções escrita sob sua aguçada ótica feminina. Sucessos que são petardos certeiros no coração do público. O Meu Amor (Chico Buarque, 1977) se encadeia com Terezinha (Chico Buarque, 1977) na ópera amorosa que engalfinha corações malandros e despudorados como o da personagem de Sob Medida (Chico Buarque, 1979). Mesmo que o cantor seja falso no teatro do amor, como avisam sete números antes os versos de Choro Bandido (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983), são tão bonitas as canções que o show alcança um de seus maiores picos de sedução nesse bloco. Mas, não, o cantor não é falso. Está ali no palco verdadeiro, inteiro em suas limitações vocais, para reiterar a grandeza de obra genial que transita por sambas (Injuriado, Chico Buarque, 1998), boleros (Anos Dourados, Tom Jobim e Chico Buarque, 1986), pseudoblues (Essa Pequena, Chico Buarque 2011), valsas (Nina e Se Eu Soubesse, ambas da safra revelada neste ano de 2011) e toadas (Querido Diário, mais redonda no disco Chico do que no show). Diante dessa grandeza se apequena o erro na letra de Sob Medida, único momento em que o cantor se dirigiu ao público que lotou o mineiro Palácio das Artes na noite de 5 de novembro para ver a estreia nacional do show iluminado por Maneco Quinderé com o habitual bom gosto. Se Ana de Amsterdam (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973) perde certa força teatral, Geni e o Zepelin (Chico Buarque, 1977) paira soberana na cena como um dos grandes momentos do show. Que jamais abre espaço no roteiro para demonstrações individuais de virtuosismo dos músicos e, na sequência, enfileira as lembranças desconexas do samba Barafunda (Chico Buarque, 2011) antes de pegar a estrada do sertão nordestino com A Violeira (Tom Jobim e Chico Buarque, 1983). Ao fim, tal caminho vai dar na África ancestral evocada por Sinhá (Chico Buarque e João Bosco, 2011), fecho para o conto do cantor, arremate grandioso de show que, no bis, entrelaça Sonho de um Carnaval (Chico Buarque, 1965) com A Felicidade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1959) antes de sair de cena  na  batida veloz da já previsível Na Carreira (Chico Buarque e Edu Lobo, 1982). No todo, Chico é (mais um) grande show de Chico Buarque. Em cena, o tempo tem feito bem ao artista.

Roteiro de 'Chico' cita verso de Criolo e ecoa voz feminina do compositor

"Afasta de mim a coqueine, pai / Pois na quebrada escorre sangue", suplicou Chico Buarque no compasso do rap ao citar versos escritos por Criolo sobre a melodia de Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973). Embora seja quase uma vinheta no roteiro de Chico, o show que traz o artista de volta aos palcos após cinco anos, em turnê que vai se estender por 2012, Cálice foi a grande surpresa de roteiro por mixar alguns versos censurados em 1973 com trecho da letra humanista de Criolo, rapper paulista que é uma das sensações da música brasileira neste ano de 2011. Além de inserir os versos de Criolo na sua versão atual de Cálice, Chico saúda o rapper com versos ("Valeu, Criolo Doido! Evoé, jovem artista! Palmas pro refrão do rapper paulista") que criou especialmente para este número do show que estreou no Palácio das Artes de Belo Horizonte (MG) na noite de 5 de novembro. Em cena, Chico - visto em foto de divulgação de Eugênio Sávio - também faz ecoar a voz feminina de sua obra autoral. Sentado com seu violão, sob a direção musical do maestro Luiz Cláudio Ramos, o compositor deleita o público ao encadear em bloco canções escritas sob ótica feminina como Teresinha (Chico Buarque, 1977), O Meu Amor (Chico Buarque, 1978), Sob Medida (Chico Buarque, 1979) e Anos Dourados (Chico Buarque e Tom Jobim, 1986), mais associadas às vozes de cantoras como Maria Bethânia e Fafá de Belém (no caso específico de Sob Medida). Disco que inspirou o show, Chico (2011) tem suas dez músicas entrelaçadas com sucessos como Todo o Sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque, 1987) e Baioque (Chico Buarque, 1972 - em um arranjo deslumbrante que cita My Mammy, tema de vaudeville norte-americano de 1918 que Al Jolson tornaria um blues). Eis o roteiro seguido por Chico Buarque na estreia nacional do show Chico:

1. Velho Francisco (Chico Buarque, 1987)
2. De Volta ao Samba (Chico Buarque, 1993)
3. Desalento (Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1970)
4. Injuriado (Chico Buarque, 1998)
5. Querido Diário (Chico Buarque, 2011)
6. Rubato (Jorge Helder e Chico Buarque, 2011)
7. Choro Bandido (Edu Lobo e Chico Buarque, 1985)
8. Essa Pequena (Chico Buarque, 2011)
9. Tipo um Baião (Chico Buarque, 2011)
10. Se Eu Soubesse (Chico Buarque, 2011)
11. Sem Você 2 (Chico Buarque, 2011)
12. Bastidores (Chico Buarque, 1980)
13. Todo o Sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque, 1987)
14. O Meu Amor (Chico Buarque, 1977)
15. Terezinha (Chico Buarque, 1977)
16. Ana de Amsterdam (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973)
17. Anos Dourados (Tom Jobim e Chico Buarque, 1986)
18. Sob Medida (Chico Buarque, 1979)
19. Nina (Chico Buarque, 2011)
20. Valsa Brasileira (Edu Lobo e Chico Buarque, 1988)
21. Geni e o Zepelin (Chico Buarque, 1977)
22. Barafunda (Chico Buarque, 2011)
23. Sou Eu (Chico Buarque e Ivan Lins, 2009) - com Wilson das Neves
24. Tereza da Praia (Tom Jobim e Billy Blanco, 1954) - com Wilson das Neves
25. A Violeira (Tom Jobim e Chico Buarque, 1983)
26. Baioque (Chico Buarque, 1972)
      - com citação de My Mammy (Walter Donaldson, Joe Young e Sam M. Lewis, 1918)
27. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973)
      - com citação de versos escritos pelo rapper paulista Criolo sobre a melodia de Cálice
28. Sinhá (João Bosco e Chico Buarque, 2011)
Bis:
29. Sonho de um Carnaval (Chico Buarque, 1965) /
      A Felicidade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes, 1959)
30. Futuros Amantes (Chico Buarque, 1993)
Bis 2:
31. Na Carreira (Edu Lobo e Chico Buarque, 1982)

Eichbauer emoldura Buarque em 'Chico' com Portinari e Oscar Niemeyer

É de autoria de Hélio Eichbauer o cenário que emoldura Chico Buarque e sua banda no show Chico. Diretor de arte do espetáculo que teve sua estreia nacional no Palácio das Artes de Belo Horizonte (MG), na noite de 5 de novembro de 2011, Eichbauer criou cenário que exibe, em momentos distintos do show, grandes reproduções em tecido de desenho de Oscar Niemeyer (A Mulher Nua) e de duas pinturas de Cândido Portinari (O Bloco Carnavalesco e O Circo), além de escultura móvel de Fita de Möbius, objeto topológico recorrente em estudos matemáticos.

Chico revive em cena com Das Neves disputa pela bela 'Tereza da Praia'

Alvo em 1954 de histórica disputa entre os cantores Dick Farney (1921 -1987) e Lúcio Alves (1927 - 1993), Tereza da Praia - personagem fictícia do samba de Tom Jobim (1927 - 1994) e Billy Blanco (1924 - 2011) - volta a gerar charmosa rivalidade na música brasileira. Desta vez, nas vozes de Chico Buarque e Wilson das Neves, em dueto encenado no show Chico, cuja estreia nacional aconteceu na noite de sábado, 5 de novembro de 2011, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG). Único convidado do show, cuja turnê vai percorrer o Brasil nos próximos meses, Das Neves entra em cena para cantar com o anfitrião Sou Eu, samba de Chico e Ivan Lins - dado em 2009 a Diogo Nogueira - que também aborda disputa masculina na conquista de uma mulher. É na sagaz sequência de Sou Eu que a dupla  - vista em cena na foto de Mauro Ferreira - revive Tereza da Praia, número em que Das Neves - baterista da banda que acompanha Chico no show - encarna malandro típico no universo do samba. Bela surpresa!

Vanessa da Mata passa pelo caminho de Erasmo Carlos em show no Rio

Menos de uma semana após ter participado de show da Orquestra Buena Vista Social Club no Rio de Janeiro (RJ), fazendo dueto com Omara Portuondo no bolero Besame Mucho, Vanessa da Mata dividiu o palco com Erasmo Carlos. Já era madrugada deste domingo, 6 de novembro de 2011, quando a cantora entrou em cena no show feito pelo Tremendão na Fundição Progresso - espaço carioca onde Vanessa apresentou logo na sequência o seu próprio show - para reviver com o compositor Sentado à Beira do Caminho (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), a canção de 1969 que flagrou Erasmo ainda sem rumo após o fim da Jovem Guarda. A foto de Rodrigo Amaral mostra o encontro - inédito - dos dois cantores no show da Fundição Progresso.

sábado, 5 de novembro de 2011

Álbuns de Marisa e Jussara jogam luz sobre a obra autoral de André Carvalho

 Lançados quase simultaneamente, os novos álbuns de Marisa Monte (O que você quer saber de verdade, Phonomotor / EMI Music, 2011) e Jussara Silveira (Ame ou se mande, Joia Moderna, 2011) têm em comum o fato de trazerem nos respectivos repertórios músicas de André Carvalho. Filho de Dadi (baixista atuante na música brasileira desde o início dos anos 1970, década em que se integrou ao som e à filosofia comunitária do grupo Novos Baianos), André Carvalho vem fazendo o próprio nome à margem dos caminhos do pai. É fato que a obra autoral do artista ganhou forte exposição a partir da regravação de Nada tudo por Marisa Monte, mas André Carvalho já vem chamando a atenção das cantoras com a safra de inéditas (algumas compostas com o parceiro Qinho) que gravou no primeiro álbum, Tempo do tanto, lançado sem muita repercussão em 2010 por via independente. Antenada, Maria Gadú saiu na frente ao incluir a melodiosa canção Tudo diferente no primeiro álbum de estúdio, Maria Gadú (Slap), lançado em 2009. Bela, a canção tocou bastante e ajudou a alavancar as vendas do disco de Gadú. Marisa Monte optou por Nada tudo, tema a que deu tratamento pop e ligeiro sotaque sulista. Já Jussara Silveira inseriu Bom no repertório de Ame ou se mande. Parceria de Carvalho com Qinho, Bom é samba que tangencia a roda baiana, filtrado pela estética cool e leve do canto de Jussara. Em qualquer clima, André Carvalho é o cara que tem feito as cabeças das cantoras.

'Liebe' recicla com frescor e vozes as faixas de 'Paradiso', álbum de 1997

Resenha de CD
Título: Liebe Paradiso
Artista: Celso Fonseca e Ronaldo Bastos
Gravadora: Pimba / Dubas Música
Cotação: * * * *

Segundo disco da trilogia que sedimentou a parceria de Celso Fonseca com Ronaldo Bastos, situado entre Sorte (1994) e Juventude / Slow Motion Bossa Nova (2002), Paradiso (1997) teve seu repertório repaginado e reciclado pela dupla com gravações adicionais que geraram um outro álbum, Liebe Paradiso, neste ano de 2011. Sob a batuta do engenheiro carioca Duda Mello, escalado para produzir o disco, foram acrescentados instrumentos e vozes que renovam o repertório original sem desconfigurá-lo. Out of Blue, por exemplo, teve sua suave pulsação alterada pela inserção do vibrafone de Jota Moraes e da percussão minimalista de Armando Marçal. Ela Vai pro Mar ganhou a voz de Luiz Melodia em registro já ouvido na trilha sonora da novela Insensato Coração (2011). O resultado é um disco superior ao original pelos climas, pelas novas interpretações - uma desde já antológica: a de Nana Caymmi em Flor da Noite - e pela harmonia entre o material original e as gravações adicionais. Com direito a duas faixas inteiramente inéditas (uma, O Tempo Não Passou, foi gravada por Adriana Calcanhotto com os barulhinhos bons de Alberto Continentino e Domenico Lancellotti), Liebe Paradiso insere poema recitado por Antonio Cícero (Minos) na faixa que aglutina as músicas Quanto Tempo e Vento Azul. Se Denise Bandeira continua na cadência bonita do samba com as inserções do órgão Hammond de Jorjão Barreto e os loops do tecladista Sacha Amback (postos sobre a voz original de Celso Fonseca), Você Não Sacou ostenta a pegada pop roqueira do titã Paulo Miklos enquanto Polaroides ganha suingue e perde brilho com a voz (já sem o viço e o vigor de outrora) de Sandra de Sá. No todo, Liebe dá belo tratamento ao repertório de alto nível poético e melódico lançado em Paradiso, jogando outros sons e luzes sobre obra que se impôs na música brasileira ao longo dos anos 2000 pela beleza jovial. Vale a pena ouvir de novo.

Registro em DVD da adiada turnê de João Gilberto já permanece incerto

Embora tenha sido oficialmente anunciado que a turnê João Gilberto 80 Anos - Uma Vida Bossa Nova seria gravada para edição de DVD que poderia incluir também takes de estúdio, o fato é que permanece incerto o registro ao vivo dos cinco shows que vão trazer o cantor - visto em foto de Beti Niemeyer - de volta aos palcos brasileiros. A turnê, aliás, acabou de ter seu início adiado pela segunda vez por conta de alegados problemas de saúde. De início prevista para começar em 28 de outubro em Salvador (BA), a turnê tinha tido seu início transferido para São Paulo (SP), para este sábado, 5 de novembro. Contudo, um comunicado oficial anunciou que, devido a uma gripe, João Gilberto adiou os shows. Por ora, a turnê começa pela Bahia, em 9 de dezembro, chegando a São Paulo em 18 de dezembro. Não foram anunciadas as novas datas dos shows de Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS).

Baleiro reedita 'Sinceramente', terceiro e último disco de Sérgio Sampaio

Projeto antigo de Zeca Baleiro, a reedição em CD de Sinceramente - o terceiro e último álbum do cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio (1947 - 1994) - chega enfim ao mercado fonográfico neste mês de novembro de 2011 em tiragem de mil cópias produzida pelo selo de Baleiro, Saravá Discos. Título de cotação bastante alta na bolsa de discos, pela sua raridade, Sinceramente foi gravado e lançado por Sampaio em 1982, quando ele já amarga injusto ostracismo após ter lançado dois álbuns, Eu Quero É Botar meu Bloco na Rua (1973) e Tem que Acontecer (1976), dignos de figurar em qualquer antologia da MPB dos anos 70. Disco produzido pelo próprio Sérgio Sampaio, Sinceramente alinha onze temas autorais compostos solitariamente pelo artista (com exceção de Cabra Cega, parceria com Sérgio Natureza). Em Doce Melodia, o cantor recebe Luiz Melodia, único convidado do álbum. Em Homem de Trinta, música que abre o repertório de Sinceramente, Sampaio faz inventário existencial, alardeando com orgulho o fato de estar levando uma vida sã. Infelizmente, o lançamento independente de Sinceramente não tirou o artista do ostracismo. Luiz Calanca - dono do selo paulista Baratos Afins, fundamental na cena indie dos anos 80 - chegou a custear a gravação de demo de voz e violão de Sampaio, mas o cantor não conseguiria botar novamente um disco na rua. Morreu em 1994 sem conseguir lançar seu sonhado quarto álbum, Cruel, finalizado e lançado em 2006 por Baleiro para seu selo Saravá Discos, por onde, decorridos cinco anos, Sinceramente ganha enfim sua primeira e merecida reedição em CD com a capa original e encarte com as 11 letras.

Maestria autoral de Zé Renato salta aos ouvidos no CD 'Breves Minutos'

Resenha de CD
Título: Breves Minutos
Artista: Zé Renato
Gravadora: MP,B Discos / Universal Music
Cotação: * * * *

Zé Renato é tão bom cantor - de maestria vocal atestada em refinadas abordagens fonográficas dos repertórios de Silvio Caldas (Arranha-Céu, 1993), Zé Kétti (Natural do Rio de Janeiro, 1995) e da Jovem Guarda (É Tempo de Amar, 2008) -  que nem sempre seu talento como compositor é valorizado como deveria. Breves Minutos, 12º disco solo de Zé Renato, chega para reiterar a maestria do compositor, embaçada em álbuns seminais como Pegadas (1988), mas já evidenciada a partir do revigorante Cabô (1999). Sintomaticamente, Breves Minutos é o primeiro álbum de repertório inteiramente autoral gravado por Zé Renato. Desta vez, não há uma releitura sequer para sinalizar a habilidade do intérprete no tratamento de obras alheias. O talento do cantor é totalmente (ex)posto a serviço do compositor. E está inteiro no disco, especialmente perceptível nas vozes que entrelaçam no jazzístico tema Sweet Gil (Zé Renato), evocando o canto do Boca Livre, o grupo vocal que deu projeção a Zé na virada dos anos 70 para os 80. Está lá também na introdução a capella de Vai Tambor (Zé Renato e Juca Filho), folia-de-reis que evoca as tradições musicais mineiras embrenhadas também em Imbora (Zé Renato e Pedro Luís), a toada que o parceiro Pedro Luís gravou com ar mineiro - e a participação de Milton Nascimento - em seu recém-lançado disco solo Tempo de Menino e que surge transmutada em Breves Minutos com toques de baião. O aroma ruralista da toada é impregnado pelo acordeom de Marcos Nimrichter na canção Na Trilha do meu Sonho, outra bela parceria de Zé com Pedro incluída no álbum. Já na safra de inéditas compostas como Joyce -coautora de quatro das 12 músicas do álbum - Zé celebra a Bossa Nova em Desarmonia, cai cool no samba em Tá Legal - com adesões do violão e da guitarra de Toninho Horta - e reverencia o apego do Japão à música brasileira em Um Abraço no Japão com justa citação de Tom Jobim (1927 - 1994), o maestro soberano que pôs o Brasil definitivamente no mapa-múndi musical. Ainda com Joyce, Zé reitera sua identidade melódica - com dose mais rala de inspiração - em De Onde Vem a Saudade?, momento ligeiramente menos sedutor do disco produzido pelo próprio Zé Renato com intervenções de Ricardo Silveira (em Imbora) e de Dé Palmeira (em A Cor do Anel de Isabel, parceria com Lula Queiroga que evoca de longe a arquitetura das cirandas). Abrindo o leque estilístico, Breves Minutos reabre a cortina do passado ao transitar pelo choro mais dolente no tema instrumental Porque Choro (Zé Renato) - música inédita que remete ao tempo pré-Boca Livre em que o artista integrava o grupo de choro Éramos Felizes - e ao evocar o suingue afro do soberano maestro pernambucano Moacir Santos (1926 - 2006) em La Luna (Zé Renato e Ivan Santos), destaque da safra de inéditas pela melodia bela plenamente valorizada pela maestria do cantor. Enfim, Breves Minutos expõe em breves 41 minutos que a produção de Zé Renato - e da própria MPB - continua vigorosa. Basta abrir os ouvidos para apreciá-la sem ranços saudosistas... Belo disco!!!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Shakira lança em 5 de dezembro o registro ao vivo da turnê 'Sale el Sol'

Nas lojas a partir de 5 de dezembro de 2011, em lançamento mundial orquestrado pela gravadora Sony Music, Shakira Live From Paris perpetua o show da turnê Sale El Sol, com a qual a estrela colombiana passou por 42 países - inclusive pelo Brasil - em rota que começou no Canadá em setembro de 2010 e terminou em Porto Rico em outubro de 2011, totalizando 107 apresentações. Editado nos formatos de CD + DVD, DVD e blu-ray, Shakira Live From Paris foi captado em show feito pela cantora no Palais de Bercy, na capital da França, em 13 e 14 de junho de 2011. Eis as 22 músicas eternizadas no DVD e no blu-ray Shakira Live From Paris:

1. Pienso en Ti
2. Why Wait
3. Te Dejo Madrid
4. Si Te Vas
5. Whenever, Wherever
6. Inevitable
7. Nothing Else Matters /
8. Despedida
9. Gypsy
10. La Tortura
11. Ciega Sordomuda
12. Underneath Your Clothes
13. Gordita
14. Sale el Sol
15. Las de la Intuición
16. Loca
17. She Wolf
18. Ojos Así
19. Antes de las Seis
20. Je L'Aime a Mourir
21. Hips Don't Lie
22. Waka Waka (This Time for Africa)

Chega ao Brasil gravação ao vivo que capta Baden na Alemanha em 1970

A Coqueiro Verde Records está lançando no Brasil, em edição dupla que junta CD e DVD, gravação ao vivo que capta o violonista Baden Powell (1937 - 2000) na Alemanha, em 1970. Baden Powell Quartet – Tristeza – Live 1970 perpetua nove números da apresentação feita por Baden na cidade alemã de Säarbrucken, em novembro de 1970, na companhia dos músicos Helio Schiavo (bateria), Ernesto Gonçalves (baixo) e Alfredo Bessa (percussão). Com eventuais intervenções vocais de Dulce Neves, o quarteto liderado por Baden toca Manhã de Carnaval, Tristeza, Samba Triste, Tristeza e Solidão, Ferro de Passar, Garota de Ipanema, Aos Pés da Cruz, Marcha Escocesa e Insônia. A edição chega às lojas neste mês de novembro de 2011.

Disco em que Gal canta Caetano tem lançamento previsto para dezembro

O CD em que Gal Costa canta somente músicas de Caetano Veloso tem lançamento confirmado ainda para este ano de 2011 pela gravadora Universal Music. Salvo algum imprevisto, É Eu ou Segunda - dois títulos especulados que ainda não foram oficializados - vai chegar às lojas na primeira quinzena de dezembro. Caetano - visto com Gal na foto de Victor Affaro feita para a revista Rolling Stone - idealizou e dirigiu a produção pilotada por Moreno Veloso com adesões de Kassin, da BandaCê e do grupo carioca Rabotnik. Madre Deus é uma das músicas do disco.

Dead Fish grava 30 músicas ao vivo no Rio de Janeiro ao festejar 20 anos

Formado em 1991, o grupo capixaba Dead Fish completa 20 anos de vida e celebra a data com a gravação ao vivo do show que o quarteto vai fazer no Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ), em 11 de novembro de 2011. Único remanescente da formação original da banda de Vitória (ES), o cantor Rodrigo Lima vai dar voz a 30 músicas escolhidas pelos fãs do Dead Fish a partir de pré-seleção de 110 temas. O registro ao vivo vai dar origem ao DVD e CD ao vivo Dead Fish - 20 Anos, previstos para 2012. Além do vocalista Rodrigo Lima, o Dead Fish atualmente é formado pelo guitarrista Philippe Fargnoli (no grupo desde 2001), o baterista Marcão Ação (em atividade na banda desde 2001) e o baixista Aly Três Mundos (já desde 1996 no quarteto).

Matisyahu repete músicas e mandamentos judaicos em 'Live at Stubb's 2'

Antes de ser eleito uma das sensações musicais de 2006 por conta de seu álbum Youth, na qual pregava a filosofia judaica com mix pop de reggae, rock e rap, o norte-americano Matthew Paul Miller - mais conhecido por seu nome hebraico, Matisyahu - tinha lançado em 2005 um álbum ao vivo, Live at Stubb's, que pavimentou seu caminho para a fama. Cinco anos depois, em 2010, Matisyahu voltou ao palco do clube situado em Austin (Texas, EUA) para registrar novo show, desta vez feito na companhia do Dub Trio, grupo que conheceu durante a seminal gravação ao vivo de 2005. Lançado nos Estados Unidos em fevereiro deste ano de 2011, Live at Stubb's Vol. II ganha edição brasileira via Coqueiro Verde Records em kit que junta CD e DVD. Judeu ortodoxo, Matisyahu rebobina músicas dos álbuns Youth (2006) e Light (2009) neste registro ao vivo em que também apresenta a inédita Open the Gates com fidelidade aos mandamentos espiritualistas de sua religião. O CD reproduz 10 das 13 músicas reunidas no DVD.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Detonautas lança EP enquanto aguarda a edição do show do Rock in Rio

Enquanto aguarda a edição pela MZA Music de DVD e CD ao vivo com o registro do show que fez no Rock in Rio 2011, o grupo carioca Detonautas Roque Clube lança EP em formato digital com cinco músicas inéditas. Um Cara de Sorte (balada eleita para promover o disco nas rádios), Combate (rock no estilo sujo das bandas de garagem), Sabemos Fingir (rock balada de pegada pop), Conversando com o Espelho (rock turbinado com a gaita bluesy de Jefferson Gonçalves) e Sua Alma Vai Vagar Por Aí (rock de textura punk gravado com o rap do grupo carioca Cone Crew Diretoria) são as faixas do EP. A ideia do Detonautas é continuar liberando repertório inédito na internet para, mais tarde, lançar um álbum com todas as músicas novas.

Com fé no samba, Dorina chega ao DVD com registro de show de 2007

Em 2007, Dorina gravou show que fez na casa Trapiche Gamboa, no Rio de Janeiro (RJ). A gravação ao vivo foi editada no CD Samba de Fé (2008) e - três anos depois - chega ao DVD, enfim posto nas lojas, a tempo de festejar os 15 anos de carreira fonográfica da cantora carioca. No intervalo que separa os lançamentos do CD e DVD Samba de Fé, Dorina gravou e editou um álbum de estúdio, Brasileirice (2010). Com dez sambas a mais do que o CD homônimo, o DVD Samba de Fé exibe números exclusivos como O X do Problema (samba de Noel Rosa, revivido em arranjo econômico de prato, faca e pandeiro), Mãos (em dueto com Almir Guineto, autor do samba), Pagode da Dona Ivone (com Mauro Diniz), Estrela de Madureira, Vivência no Morro, D. Maria do BabadoO Meu Amor (canção composta por Chico Buarque para a Ópera do Malandro, entoada por Dorina em dueto com Ana Costa). Vale destacar a participação de Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008). Numa de suas últimas gravações, Vila cantou com Dorina o samba O Sonho Não Acabou, composto para celebrar Candeia (1935 - 1978). Em número já ouvido no CD, Beth Carvalho revive com Dorina Padroeira (Rachado e Vaguinho), samba lançado pela Madrinha no álbum Beth (1986). O DVD tem apenas áudio 2.0.

Festa pelos 20 anos de 'Nevermind' gera DVD com show inédito de 1991

Simultaneamente com o lançamento da alentada Deluxe Edition comemorativa dos 20 anos de Nevermind (1991), o álbum do Nirvana que é a pedra fundamental do grunge, a Universal Music põe nas lojas do Brasil e do mundo o DVD Nirvana Live at the Paramount. Apresentada pela primeira vez na íntegra, a gravação ao vivo capta o grupo na turnê de Nevermind em show feito em 31 de outubro de 1991 - dia de Halloween - no Paramount Theater, em Seatle (EUA), terra natal da banda de Kurt Cobain (1967 - 1994). Alguns dos 19 números - About a Girl, Polly e Breed, entre eles - já haviam sido lançados em compilações do grupo, mas esses previews não desmerecem a edição completa do registro ao vivo do show, filmado em película de 16mm. O DVD tem áudio DTS 5.1. Nirvana Live at the Paramount sai também em blu-ray.

Grohl garante que não é sua a bateria que lhe é creditada no CD 'Michael'

Lançado em dezembro de 2010,  Michael - álbum póstumo de Michael Jackson (1958 - 2009) - credita a Dave Grohl a bateria da faixa (I Can't Make It) Another Day, na qual figura Lenny Kravitz. Mas o crédito da ficha técnica não procede. Quase um ano após a chegada do CD às lojas, Grohl desmente que a bateria ouvida na faixa seja a gravada por ele. Em entrevista à revista The Red Bulletin, o mentor do grupo Foo Fighters confirma que gravou a bateria da música, a pedido de Kravitz, mas garante que essa gravação não é a utilizada no álbum. Mas Grohl não esclarece porque somente resolveu se manifestar onze meses após a edição do disco.

Jorginho do Império retorna ao disco em 2012 com inédita de Mano Décio

Sambista carioca que esteve em evidência ao longo dos anos 70, Jorginho do Império vai voltar ao mercado fonográfico no início de 2012 com CD ao vivo que vai ser editado pelo selo Discobertas. Na gravação, captada em show feito pelo artista em setembro de 2011, Jorginho revive sucessos como Na Beira do Mar (Gracia do Salgueiro) - o carro-chefe de seu álbum Viagem Encantada (1975) - e apresenta Apoteose ao Rio, inédita de seu pai, Mano Décio da Viola (1909 - 1984), um dos fundadores da tradicional escola de samba carioca Império Serrano.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Gravado no Bestival, quinto álbum ao vivo do The Cure sai em dezembro

Aos 35 anos de vida, o grupo inglês The Cure se prepara para lançar o quinto título ao vivo da carreira. Bestival Live 2011 é o primeiro registro de show da banda de Robert Smith desde Show e Paris, ambos editados em 1993. Gravado na apresentação do Cure no Bestival, festival realizado na Inglaterra desde 2004, o CD duplo Bestival Live 2011 vai estar nas lojas a partir de 5 de dezembro de 2011 com 32 músicas captadas na atual turnê da banda de rock gótico.

CD 1
1. Plainsong
2. Open

3. Fascination Street
4. A Night Like This
5. The End of the World
6. Lovesong
7. Just Like Heaven
8. The Only One
9. The Walk
10. Push
11. Friday I’m In Love
12. Inbetween Days
13. Play for Today
14. A Forest

15. Primary
16. Shake Dog Shake

CD 2
1. The Hungry Ghost
2. One Hundred Years
3. End
4. Disintegration
5. Lullaby
6. The Lovecats
7. The Caterpillar
8. Close to me
9. Hot Hot Hot!!!
10. Let’s Go to Bed
11. Why Can’t I Be You?
12. Boys Don’t Cry
13. Jumping Someone Else’s Train
14. Grinding Halt
15. 10:15 Saturday Night
16. Killing Another

Sexto álbum de Rihanna, 'Talk That Talk' vem com duas capas e edições

Sexto álbum de Rihanna, Talk That Talk chega às lojas a partir de 21 de novembro de 2011 via Def Jam com duas capas e duas edições diferentes - como é padrão na indústria fonográfica americana. Com a capa colorida, a edição standard contabiliza onze músicas. Já a Deluxe Edition de Talk That Talk adiciona três musicas - Red Lipstick, Do Ya Thang e Fool in Love - ao repertório inédito. Eis as respectivas faixas das duas edições de Talk That Talk:

Standard Edition:
1. You Da One
2. Where Have You Been

3. We Found Love - com Calvin Harris
4. Talk That Talk - com Jay-Z

5. Cockiness (Love It)
6. Birthday Cake

7. We All Want Love
8. Drunk on Love

9. Roc me Out
10. Watch n' Learn

11. Farewell Love

Deluxe Edition:
12. Red Lipstick
13. Do Ya Thang

14. Fool in Love

'Horizonte Vertical' se situa no mesmo alto nível dos discos áureos de Lô

Resenha de CD
Título: Horizonte Vertical
Artista: Borges
Convidados: Fernanda Takai, Milton Nascimento e Samuel Rosa
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

Sócio-fundador do Clube da Esquina, Lô Borges continua fiel ao som, à poesia e ao espírito gregário do som que brota nessa área das Geraes. Em Horizonte Vertical, disco independente de gravação viabilizada com o patrocínio do projeto Natura Musical e de distribuição feita pela Sony Music neste mês de novembro de 2011, o cantor e compositor mineiro alinha 12 inéditas criadas em sua maioria a partir do piano. Inspirada, a safra de inéditas recicla a estética do Clube da Esquina com um pé no passado e outro no presente. Música iniciada nos anos 80, Antes do Sol (Lô Borges e Márcio Borges) bem poderia figurar no cancioneiro do lendário álbum duplo de 1972 que alicerçou os cânones e estatutos do clube. Assim como Antes do Sol, Xananã (Lô Borges e Patrícia Maês) é uma das quatro faixas que contam com a voz de Fernanda Takai, amapaense de alma mineira, convidada do disco ao lado de Milton Nascimento e Samuel Rosa. Horizonte Vertical renova o repertório de Lô no tom habitual do compositor. Inclusive pela letra em inglês, cantada por Lô harmoniosamente com Takai, On Venus (Lô Borges e Ronaldo Bastos)  explicita mais uma vez a influência dos Beatles no som dos mineiros do clube, mais até do que a balada O Seu Olhar (Lô Borges e Patrícia Maês), inspirada em John Lennon (1940 - 1980). Há ecos fortes de Beatles também na balada Da Nossa Criação (Lô Borges e Patrícia Maês), cuja letra versa sobre a amizade fraterna que une Lô e Milton, convidado afetivo da faixa. O piano de Lô e os teclados de Barral evocam na faixa os arranjos de Wagner Tiso que emolduraram a obra de Milton na década de 70. Música que abre o disco, De Mais Ninguém (Lô Borges e Ronaldo Bastos) ostenta pegada mais pop, detectada também em Nenhum Segredo (Lô Borges, Samuel Rosa e Patrícia Maês). Além de cantar a música com Lô, Samuel Rosa é o autor da melodia que reitera a afinidade do vocalista e compositor do Skank com a estética do clube. Aliás, a faixa-título de Horizonte Vertical é da lavra de Lô com Samuel e Nando Reis. Também entoada por Lô em dueto com Samuel, Horizonte Vertical é bela canção que já vale o disco por si só e que confirma o vigor da safra inédita e autoral do álbum. Contudo, Mantra Bituca (Lô Borges) - tema que traz a voz e o violão de Milton Nascimento, o Bituca - e Você e Eu (Lô Borges) mostra que Lô precisa de um letrista para manter o nível poético de sua obra. Quem me Chama (Lô Borges e Márcio Borges) - faixa que tem vocalização atonal de Takai - também não se impõe na safra, embora exponha toda a harmonia que envolve os irmãos Borges. Ao fim do disco produzido pelo próprio Lô com Barral, Canção Mais Além (Lô Borges e Patrícia Maês) aglutina crianças no coro, exibe novamente a força do melodista e sedimenta a impressão de que Horizonte Vertical é um dos títulos mais sedutores da discografia de Lô Borges, se situando no mesmo alto nível dos clássicos da coerente obra fonográfica do artista. Quase 40 anos depois, a esquina mineira ainda dá frutos.

Sob direção de Guto, Boaventura registra ao vivo inédita de Diane Warren

Sob direção musical de Guto Graça Mello, o ator e cantor Daniel Boaventura gravou seu primeiro DVD em apresentação do show Songs 4 U feita no Teatro Bradesco, em São Paulo (SP), em 26 de outubro de 2011. Boaventura - visto na gravação ao vivo em foto de Luciano Santos, da TalentMix - incluiu no repertório de standards a inédita Catch my Breath, música composta pela compositora norte-americana Diane Warren, hitmaker conceituada na indústria fonográfica dos Estados Unidos. Programado pela gravadora Sony Music para ser lançado em 2012, o DVD foi filmado sob direção do cineasta José Henrique Fonseca, da Conspiração Filmes.

Alê tempera o som de Jau com pop eletrônico, sem anular o sabor do dendê

Resenha de CD
Título: Aplausos para o Sol
Artista: Jau
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * 1/2

Jauperi Lázaro dos Santos, o Jau, é rei na Bahia. Mas ambiciona estender seu reinado para o Brasil com este álbum produzido por Alê Siqueira. Aplausos para o Sol combina inéditas com sucessos do compositore egresso do grupo Olodum e da Banda Ifá. Solo, Jau busca se dissociar do rótulo de compositor de axé music sem renegar sua origem e o estilo que lhe deu fama em Salvador (BA). Produtor requisitado por cantoras como Ana Carolina e Thaís Gulin, Alê Siqueira pôs tempero pop eletrônico em músicas como Calor Minha Preta sem anular o sabor do dendê já entranhado nestes temas quentes como o sol da Bahia. Com repertório inteiramente autoral, Aplausos para o Sol reitera - para quem se permitir ouvir - que Jau sempre foi (e continua sendo) um dos compositores mais inspirados do terreiro afro-baiano. Basta escutar a bela canção Flores da Favela - ora rebobinada com cordas e sopros arranjados com elegância pelo maestro Lincoln Olivetti - para perceber seu dom para criar melodias, exposto também na humanista Gente, faixa que aglutina músicos como Marcelo Jeneci (no piano elétrico), Dadi (no baixo) e Pedro Baby (nos violões de aço), além de coro infantil. A estelar ficha técnica do CD, aliás, já dá a dica da miscigenação que pautou o tratamento dado à obra autoral de Jau em Aplausos para o Sol. Parceria de Jau com Tenilson del Rey e Paulo Vascon, o samba Se Joga é incrementado com o suingue da timba (tambor da família do tan-tan) tocada pelo percussionista João Parahyba e do cavaco de Mauro Diniz. Já Agô ostenta o piano de Leila Pinheiro, estranho no ninho afro-baiano. Temperado com doses eventuais de latinidade caribenha, o coquetel de samba, axé, pop e balada desce bem. Como dizem versos de Olhos de Leoa (Jau, Tenilson del Rey, Paulo Vascon e Gerson Guimarães), é "Mix na veia / Freak na aldeia / Pra vida continuar". Aplausos para Alê Siqueira e - sobretudo - para Jau, dono da obra.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Jussara Silveira dá show no irretocável e preciso CD 'Ame ou se Mande'

Resenha de CD
Título: Ame ou se Mande
Artista: Jussara Silveira
Gravadora: Joia Moderna / Tratore
Cotação: * * * * *

Sexto disco de Jussara Silveira, Ame ou se Mande é o registro de estúdio do show que a cantora estreou em fevereiro de 2011 dentro da programação do Tabuleiro da Bahia, projeto do Centro Cultural Banco do Brasil. Produzido pelo percussionista Marcelo Costa e o tecladista Sacha Amback para a gravadora Joia Moderna, o CD soa irretocável como o show e reitera as qualidades desta cantora mineira que explicita sua vivência baiana em Ifá (Cezar Mendes e Capinam) -  tema inédito, envolto em  ligeira aura bossa-novista por Costa e Amback - e em Doce Esperança (Roberto Mendes e J. Velloso), tema no qual Costa evoca a força dos tambores afro-baianos. Inspiradas, tais músicas poderiam figurar no repertório de qualquer disco de Maria Bethânia. Mas estão no melhor disco de Jussara e ganham registro preciso na voz límpida desta intérprete dona de canto preciso, urdido sem firulas e excessos, com a combinação exata de técnica e emoção implícita. Jussara é cantora inteligente, de faro apurado para garimpar e depurar repertório. A propósito, Ame ou se Mande alcança pico de sedução quando Jussara lustra joia do trio tribalista formado por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte. Contato Imediato é linda, simples e melodiosa balada que ficou escondida em disco de Arnaldo, o mesmo Qualquer (2006) no qual também jazia esquecida O Que Você Quer Saber de Verdade, música que dá nome ao disco lançado esta semana por Marisa Monte. Os efeitos dos teclados de Sacha Amback salpicam sons espaciais ao longo do criativo arranjo. Tivesse o Brasil ouvindos mais atentos, o País celebraria este disco em que Jussara  aborda com a mesma maestria essa pérola tribalista, um tema serelepe como Marcianita (José Imperatore Marcone e Galvarino Villota Alderete em versão de Fernando César) - sucesso há anos entre o público seleto que assiste aos shows da cantora - e sagrada canção de Caetano Veloso, Madre Deus, composta para a trilha sonora de balé do Grupo Corpo, Onqotô (2005), assinada pelo compositor com José Miguel Wisnik. E por falar em Wisnik, é dele a música de Tenho Dó das Estrelas, posta sobre versos reluzentes de Fernando Pessoa (1888 - 1935). Na voz de Jussara Silveira, o jogo de palavras poliglotas armado por Zeca Baleiro na letra da canção Babylon dá a vitória a essa cantora que vai de A Voz do Coração (Celso Fonseca e Ronaldo Bastos) a Dê um Rolê (Moraes Moreira e Luiz Galvão, eco dos desbundes da Gal Fa-Tal e dos Novos Baianos) em onze faixas sem erros ou deslizes. Entre uma e outra, Jussara registra Bom (André Carvalho e Quinho) - samba cool que o emergente André Carvalho, filho de Dadi, lançou em seu primeiro disco, Tempo do Tanto (2010) -  e se banha na luz solar de O Dia que Passou (Toni Costa e Luiz Ariston), faixa na qual Marcelo Costa e Sacha Amback citam (apropriadamente)  Here Comes the Sun (George Harrison). No todo, Ame ou se Mande se impõe como um dos grandes discos de 2011 pelo perfeita sintonia entre produção, arranjos, repertório, o virtuosismo dos dois músicos e o canto preciso de Jussara Silveira. Isso é o que você precisa saber de verdade...

Marisa filtra a canção popular por sua estética chique em CD leve e feliz

Resenha de CD
Título: O Que Você Quer Saber de Verdade
Artista: Marisa Monte
Gravadora: Phonomotor / EMI Music
Cotação: * * * *

Cantora incensada pelas ousadias estilísticas e movimentos estéticos que moldam cada um de seus discos, Marisa Monte põe o pé no freio - sem perder a pose e a aura hype - em seu oitavo álbum solo, O Que Você Quer Saber de Verdade. Em seu disco de tom mais popular, a artista filtra o pop romântico e a canção dita brega por sua musicalidade chique, moderna e arejada. A embalagem cosmopolita do repertório de O Que Você Quer Saber de Verdade envolve canções inéditas ou recentes em atmosfera de leveza e felicidade que já haviam sido detectadas nos singles Ainda Bem (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) - delícia que vicia por roçar a perfeição pop com referência ao mariachi mexicano - e O Que Você Quer Saber de Verdade (Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes), este em registro zen que dá vida e cor à música, tornando instantaneamente esmaecida a gravação original feita por Arnaldo Antunes em 2006 para seu álbum Qualquer. Cantora-Midas, Marisa tem o dom de transformar em ouro o que, em vozes menos refinadas, soaria como mera bijuteria. Em tempos de discos pautados por conceitos e sonoridades, em que a música em si é posta em segundo plano, a artista carioca apresenta um disco com melodias cantaroláveis e munição certeira para as rádios e a trilha sonora de nossas vidas românticas. Duas músicas em especial - Depois (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte) e O Que se Quer (Rodrigo Amarante e Marisa Monte, em sua primeira parceria) - se destacam no repertório como prováveis sucessos nacionais, daqueles que irmanam todas as classes e tribos numa só voz. Com letra que encara com otimismo o fim de um amor, Depois poderia estar em qualquer disco do Roberto Carlos dos anos 70, assinada por ele ou por qualquer um dos compositores que forneciam repertório para o Rei em sua década mais romântica. Introduzida por bandolim tocado por Dadi, coprodutor do disco, O Que se Quer é pop perfeito que se ambienta em leve clima forrozeiro por conta do acordeom de Waldonys. O dueto de Marisa com Amarante prima por combinação de vozes tão harmoniosa quanto a arquitetura vocal de Amar Alguém (Arnaldo Antunes, Dadi e Marisa Monte), balada que ministra em versos como "Amar alguém só pode fazer bem" a receita de bem-viver recorrente nas letras às vezes pueris de O Que Você Quer Saber de Verdade. Embebido em atmosfera cosmopolita, O Que Você Quer Saber de Verdade atenua a brasilidade detectada em álbuns anteriores de Marisa - a partir de Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão (1994) - pelo envolvimento crescente da cantora com o samba. O traço de brasilidade mais marcante no novo álbum é a pegada forrozeira de Hoje Eu Não Saio, Não (Arnaldo Antunes, Betão, Chico Salém e Marcelo Jeneci), já que a incursão pela obra de Jorge Ben Jor em Descalço no Parque (Jorge Ben Jor) está em sintonia com a atmosfera pop romântica do disco. Bissexta na obra do Zé Pretinho, a melancolia deste tema de 1964 é destilada com elegância pelas cordas tocadas e orquestradas pelo maestro norte-americano Miguel Atwood Ferguson. No mesmo tom elegante, Gustavo Mozzi - integrante do coletivo argentino Café de Los Maestros - repagina e atenua a dramaticidade kitsch do tango Lencinho Querido, versão de Wagner Maugeri Neto para El Pañuelito, tema de Juan Dios Filiberto e Gabino Coria Peñaloza. Contudo, por mais que o universo pop gire ao redor de Marisa Monte em O Que Você Quer Saber de Verdade, a personalidade forte da cantora e compositora se impõe sobre tudo e todos. Tanto que o tempero da cozinha da Nação Zumbi - recorrente em seis das 14 músicas do CD - nem é sentido no coquetel (pop)ular que tangencia o universo sertanejo em Aquela Velha Canção (Carlinhos Brown e Marisa Monte) - outro provável sucesso retumbante do disco - e reitera a inspiração de André Carvalho, autor de Nada Tudo, toada pop que evoca o regionalismo sulista por conta do acordeom de Waldonys. Se a balada Era Óbvio (Marisa Monte e Arnaldo Antunes) resulta no momento menos inspirado do disco pela melodia mais trivial, Verdade, Uma Ilusão (Carlinhos Brown, Marisa Monte e Arnaldo Antunes) ressurge como singela valsa (distante da praia do reggae em que foi jogada por Brown na gravação que fez em 2010 para seu álbum Diminuto) enquanto Seja Feliz (Marisa Monte, Dadi e Arnaldo Antunes) pede remixes com seu baticum pop que pode animar pistas e seu trompete à moda dos mariachis. "Tão curta a vida / Curta a vida", receita com trocadilho Marisa em manual de autoajuda. No fim, Bem Aqui - parceria de Dadi e Arnaldo Antunes, já gravada por Dadi em CD feito para o mercado japonês - reitera o clima zen de O Que Você Quer Saber de Verdade ao esboçar clima etéreo. Enfim, Marisa Monte fez um disco simples (em que pese a arquitetura refinada das canções) e acessível sem perder a pose de diva de sua geração pop. É difícil resistir ao charme dessas memórias, crônicas e declarações de felicidade e amor à vida...

Célia canta lados A e B do Roberto Carlos dos 70 em 'Outros Românticos'

Com lançamento agendado para a segunda quinzena deste mês de novembro de 2011, em edição da Joia Moderna distribuida pela Tratore, o CD Outros Românticos alinha na voz de Célia 10 canções gravadas por Roberto Carlos ao longo dos anos 70, porém criadas por compositores que então eram nomes recorrentes nos discos do Rei na década em que o cantor consolidou sua obra romântica. Algumas foram sucesso na época, casos de Jogo de Damas (1974) e Nosso Amor (1977). Outras - como Uma Palavra Amiga (1970) - jamais tocaram em rádios. Quase todas caíram no esquecimento pelo fato de terem sido ignoradas pelo próprio Roberto ao longo dos anos 80.  Produzido por Thiago Marques Luiz, o CD Outros Românticos tem arranjos divididos entre o pianista Alex Vianna e o violonista Rovilson Pascoal. Eis os lados A e B que formam o belo repertório de Outros Românticos, disco idealizado pelo DJ Zé Pedro:

1. Abandono (Ivor Lancellotti, 1979)
2. Preciso lhe Encontrar (Demétrius, 1970)
3. Nosso Amor (Mauro Motta e Eduardo Ribeiro, 1977)
4. Atitudes (Getúlio Côrtes, 1973)
5. Quero Ver Você de Perto (Benito Di Paula, 1974)
6. Jogo de Damas (Isolda e Milton Carlos, 1974)
7. Sonho Lindo (Maurício Duboc e Carlos Colla, 1973)
8. Uma Palavra Amiga (Getúlio Côrtes, 1970)
9. Vivendo por Viver (Márcio Greyck e Cobel, 1978)
10. Se Eu Partir (Fred Jorge, 1971)

Beth põe seu samba na rua com Cavaquinho, Chico, Fregonesi e Rafael

Primeiro álbum de inéditas de Beth Carvalho desde Brasileira da Gema (1996), Nosso Samba Tá na Rua chega às lojas na segunda quinzena deste mês de novembro de 2011 - em edição do selo Andança distribuída pela EMI Music - com capa que evoca o conceito gregário da capa de Na Fonte (1981), um dos melhores álbuns da artista, lançado há 30 anos. A sambista posa à frente de nomes como Almir Guineto (parceiro de Adalto Magalha e de Daniel Oliveira na faixa Tambor) e Luana Carvalho, filha de Beth, coautora de Arrasta a Sandália. Produzido por Rildo Hora, que não pilotava um disco da cantora desde Coração Feliz (1984), Nosso Samba Tá na Rua avaliza no repertório sambas de autoria de jovens compositores do gênero. Nomes já recorrentes nas fichas técnicas dos discos de Diogo Nogueira, Leandro Fregonesi e Rafael dos Santos assinam Chega e Samba Mestiço (este com a adesão de Ciraninho). Entre inéditas como Colabora (Serginho Meriti), Isso Acontece (Wanderley Monteiro, Jorgito Sápia e Agenor de Oliveira) e Se Vira (Arlindo Cruz e Marquinhos PQD), Beth tira do baú pérola rara da obra de Nelson Cavaquinho (1911 - 1986) com Guilherme de Brito (1922 - 2006) - Palavras Malditas,  lançada em 1957 pelo cantor carioca Ari Cordovil (1923 - 1981) - e regrava Minha História, versão de Chico Buarque para Gesù Bambino (Lucio Dalla e Paola Pallotino), lançada por Chico em disco de 1970. Há ainda tema de Edinho do Samba, Tô Feliz Demais. O CD tem 15 faixas.

Rufino dá 'Amuleto de Sorte' para terceiro disco de Mariene, 'Tabaroinha'

Com produção de Alê Siqueira, Mariene de Castro grava na Bahia seu segundo disco de estúdio, Tabaroinha, o terceiro de obra fonográfica que já contabiliza os CDs Abre Caminho (2004) e Santo de Casa ao Vivo (2010, também editado em DVD). Para compor o repertório do álbum, a cantora baiana ganhou o inédito samba Amuleto de Sorte de seu conterrâneo Nelson Rufino, compositor de músicas como Verdade, sucesso na voz de Zeca Pagodinho. “Esse trabalho tem um olhar singelo e o sentimento de quem sai do interior levando o seu interior, cantando com o seu sotaque. Eu sou a tabaroinha”, conceitua Mariene de Castro. Tabaroinha tem lançamento já programado pela gravadora Universal Music para o primeiro semestre de 2012. 

Blog Notas Musicais entra hoje em seu sexto ano de vida com fé no que virá

♪ Com este post, de número 8.351, Notas Musicais completa cinco anos e entra em seu sexto ano de vida. Contrariando momentaneamente o tom impessoal dos textos, brindo o quinto aniversário do blog com todos os leitores que dão vida a ele e tornam prazeroso o meu exercício cotidiano de alimentar este espaço virtual com cinco posts diários, de domingo a domingo, compromisso que me impus por acreditar que a atualização constante é o motor do sucesso de um blog. Os últimos doze meses foram de extrema importância porque, há exatamente um ano, quando Notas Musicais festejava seu quarto aniversário, o blog ganhou endereço e visual novos. Foi um grande upgrade estético que valorizou as fotos e os textos, expandindo o site. Mas foi também um risco porque, para remodelar o blog sem prejuízo da estética dos posts anteriores, foi preciso criar um novo endereço e esperar que os leitores migrassem para ele e se habituassem a acessar por ele o novo blog. Risco superado, é hora de celebrar esses cinco anos em que Notas Musicais se consolidou progressivamente como referência confiável sobre assuntos e questões fonográficas. Sim, cinco anos! Não vou recorrer ao clichê e dizer que parece que foi ontem que criei o Notas Musicais. Até porque, para mim, parece que foi há muito mais tempo. Talvez porque a lembrança da minha vida antes do blog já seja bem vaga. Sim, é verdade! Já me acostumei tanto ao exercício diário de atualização que já quase nem me lembro de como eu vivia antes de o Notas Musicais existir, de como era a sensação de acordar sem o compromisso de atualizar um blog. Como em todo aniversário, é hora de agradecer primeiramente a Deus - pela vida e pela saúde perfeita que nunca me impediu de cumprir a rotina diária da atualização, prazerosa, mas nem por isso menos árdua - e de estender esse agradecimento aos leitores (sobretudo aos que zelam pela credibilidade do blog e apontam erros de digitação e/ou informação) e aos profissionais da indústria do disco que me enviam os discos (artistas, produtores, empresários, assessores de imprensa). Discos são a matéria-prima do blog, o assunto recorrente de todos os posts, até mesmo das resenhas de shows (resenhados em geral a partir da impressão positiva de um CD novo ou antigo do artista em cena). Enfim, citando a letra daquele bolero do Gonzaguinha (1945 - 1991) que mentalizo na voz de Maria Bethânia, começaria tudo outra vez se preciso fosse. Com fé renovada no que virá, o blog Notas Musicais inicia hoje seu sexto ano de vida. E, sim, vida, vamos nós, mais uma vez, recomeçar!!...