Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fafá repisa andanças de 35 anos de carreira em show de piano e boa voz

Resenha de Show
Título: Piano e Voz
Artista: Fafá de Belém (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 27 de janeiro de 2011
Cotação: * * *
Show em cartaz no Teatro Rival (RJ) em 28 de janeiro e em 3, 4 e 5 de fevereiro de 2011

Encorpada com o passar dos anos, a voz continua em forma, pronta para trabalhos que apontem para o futuro. Contudo, Fafá de Belém continua presa ao (seu) passado. Piano e Voz, o show que a cantora reestreou esta semana no Rio de Janeiro (RJ), é baseado no homônimo álbum ao vivo de 2002. Escorada no seu carisma e na excelente forma vocal, a cantora divide a cena com o pianista João Rebouças para desfiar um rosário de hits populares colecionados ao longo de carreira que completa 36 anos em 2011. De início, o roteiro é igual ao do disco - com Foi Assim (Paulo André e Ruy Barata, 1976) e Coração do Agreste (Moacyr  Luz e Aldir Blanc, 1989) - mas, aos poucos, Fafá vai se permitindo cantar outras músicas sem nunca surpreender. O maior rasgo de ousadia do roteiro é apresentar ao público brasileiro dois belos temas da música portuguesa contemporânea. Não Queiras Saber de mim (Rui Veloso) e Ele Passou por mim e Sorriu (do grupo Deolinda) representam sopro de novidade em show em que a intérprete teima em olhar para trás. Não Queiras Saber de mim é canção down que Fafá encara com doses exatas de emoção e melancolia. Já Ele Passou por mim e Sorriu dá mexida nos cânones melancólicos da canção portuguesa de forma espirituosa. Por ser cantora de grande empatia e por dominar bem o palco, Fafá consegue que uma música já tão batida como Andança (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) conquiste de imediato uma plateia que - justiça seja feita - parece preferir o velho ao novo. Em sintonia com seu público, Fafá encadeia músicas de Chico Buarque - Minha História, Sob Medida (em dueto improvisado com Isabella Taviani), Olhos nos Olhos, Gota d'Água (em apropriado tom dramático que passa do ponto à medida que o número avança), Tanto Mar (com o costumeiro discurso sobre a origem politica do tema) - antes de chamar sua filha Mariana Belém ao palco (para encontro que alcança seu melhor momento em Jardins Proibidos) e de cair em seu cancioneiro mais popular, revivendo hits radiofônicos como Memórias (1986) e Meu Disfarce (1988). Sempre seguro ao piano, João Rebouças arma a cama musical para que Fafá dê seu show. A apresentação funciona e o público conservador da artista sai satisfeito do Teatro Rival, mas permanece em cena a incômoda sensação de que (ainda) há um futuro esperando por Fafá de Belém enquanto ela continua abrindo incansáveis vezes a cortina de seu passado.

2 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Encorpada com o passar dos anos, a voz continua em forma, pronta para trabalhos que apontem para o futuro. Contudo, Fafá de Belém continua presa ao (seu) passado. Piano e Voz, o show que a cantora reestreou esta semana no Rio de Janeiro (RJ), é baseado no homônimo álbum ao vivo de 2002. Escorada no seu carisma e na excelente forma vocal, a cantora divide a cena com o pianista João Rebouças para desfiar um rosário de hits populares colecionados ao longo de carreira que completa 36 anos em 2011. De início, o roteiro é igual ao do disco - com Foi Assim (Paulo André e Ruy Barata, 1976) e Coração do Agreste (Moacyr Luz e Aldir Blanc, 1989) - mas, aos poucos, Fafá vai se permitindo cantar outras músicas sem nunca surpreender. O maior rasgo de ousadia do roteiro é apresentar ao público brasileiro dois belos temas da música portuguesa contemporânea. Não Queiras Saber de mim (Rui Veloso) e Ele Passou por mim e Sorriu (do grupo Deolinda) representam sopro de novidade em show em que a intérprete teima em olhar para trás. Não Queiras Saber de mim é canção down que Fafá encara com doses exatas de emoção e melancolia. Já Ele Passou por mim e Sorriu dá mexida nos cânones melancólicos da canção portuguesa de forma espirituosa. Por ser cantora de grande empatia e por dominar bem o palco, Fafá consegue que uma música já tão batida como Andança (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) conquiste de imediato uma plateia que - justiça seja feita - parece preferir o velho ao novo. Em sintonia com seu público, Fafá encadeia músicas de Chico Buarque - Minha História, Sob Medida (em dueto improvisado com Isabella Taviani), Olhos nos Olhos, Gota d'Água (em apropriado tom dramático que passa do ponto à medida que o número avança), Tanto Mar (com o costumeiro discurso sobre a origem politica do tema) - antes de chamar sua filha Mariana Belém ao palco (para encontro que alcança seu melhor momento em Jardins Proibidos) e de cair em seu cancioneiro mais popular, revivendo hits radiofônicos como Memórias (1986) e Meu Disfarce (1988). Sempre seguro ao piano, João Rebouças arma a cama musical para que Fafá dê seu show. A apresentação funciona e o público conservador da artista sai satisfeito do Teatro Rival, mas permanece em cena a incômoda sensação de que (ainda) há um futuro esperando por Fafá de Belém enquanto ela continua abrindo incansáveis vezes a cortina de seu passado.

NaraBelmonte disse...

Por favor, Mauro, comentei (com grande atraso!) no post sobre o novo álbum de Ana Carolina, o N9ve, no seu blog anterior. Gostaria que vc desse uma olhadinha! ;)

abraço!