Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


domingo, 5 de abril de 2015

Joyce grava outro álbum para o Japão com Tutty, Hélio Alves e Stroeter

A IMAGEM DO SOM - Cultuada no exterior, Joyce Moreno grava outro álbum para o mercado japonês neste mês de abril de 2015. Postada pela cantora e compositora carioca em seu perfil no Facebook, a foto acima mostra a artista - da esquerda para a direita - com o produtor japonês Kazuo Yoshida,  o baterista Tutty Moreno,  o pianista Hélio Alves e com o baixista Rodolfo Stroeter.

Dissonâncias poéticas desarmonizam música de Qinho no álbum 'Impar'

Resenha de CD
Título: Ímpar
Artista: Qinho
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 

Cantor, compositor e guitarrista de origem brasiliense e criação carioca, Qinho opta por trilhar caminhos cada vez mais tortos em seu terceiro álbum solo, Ímpar. Sem jamais ter extrapolado o restrito arco de visibilidade da cena indie do Rio de Janeiro (RJ), o artista - projetado como líder da banda VulgoQinho&OsCara, da qual esteve à frente de 2004 à 2009 - investe em disco de tom experimental. Dissonâncias poéticas desarmonizam a música de Qinho, como já sinalizara o single O peso do meu coração (Castello Branco e Tomás Troia). Produzido e gravado pelo próprio Qinho, Ímpar é disco com alta dose de beats eletrônicos, ambientados em atmosfera ora rocker - como em Mundo de Marlboro (Botika e Carolina Bianchi) e em Sweet trouble (Qinho, Rafael Inácio e Rodrigo Cascardo) - ora meio psicodélica, como na balada viajandona Sem errada (Qinho), pico de sedução de disco irregular. Por falar em balada, a melódica canção Pode querer (Qinho e Omar Salomão) é uma cantada que representa instante fugaz de maior harmonia em álbum que parece buscar o caos, a falta de coesão. Inserções entre as 12 faixas de trechos dos livros Clara dos Anjos (Lima Barreto, 1948) e O livro do riso e do esquecimento (Milan Kundera, 1979) - ouvidos na voz de Clara Maria entre ruídos e sons experimentais - corroboram a sensação de que algo está intencionalmente fora da ordem. Na teoria, tudo parece interessante. A questão é que, na prática, o disco soa quase apático. Composições autorais como Multidão de ninguém (Qinho, Omar Salomão e Caio Barreto) e Toda manhã (Qinho e Omar Salomão) soam opacas como o canto do artista. Há músicas, caso de Sabotagem (Qinho, Ericson Pires e Rafael Inácio), em que os versos soam com mais vida própria do que a melodia em si. No fim, tema acústico cantado em francês, La rue (Qinho e Fábio Lima), sedimenta a impressão de que Qinho segue trilha torta em Ímpar - o sucessor do pop O tempo soa (Oi Música / Bolacha Discos, 2012)  - sem destino certo.

Eis a capa do kit de CD + DVD que traz a gravação do show acústico de Luan

Esta é a capa do kit de CD + DVD que traz a gravação ao vivo do show acústico feito pelo cantor sul mato-grossense Luan Santana em 17 de dezembro de 2014 no estúdio Quanta, em São Paulo (SP). Com lançamento programado pela gravadora Som Livre para a segunda quinzena deste mês de abril de 2015, o combo duplo sai em duas edições. A mais simples dá de brinde cinco fotos do astro pop sertanejo. Já a mais luxuosa vem com poster e com livro de fotos (com 32 páginas). CD e DVD saem ainda em edições avulsas. Apesar da tecnologia hi-tech da iluminação, a ideia do projeto acústico - gravado por Joana Mazzucchelli sob a direção artística do próprio Luan - foi abrir mão da pirotecnia para ambientar o repertório (formado por 20 músicas, sendo 10 regravações, oito inéditas e duas inéditas na voz do cantor) em clima retrô. O cenário recria facha de teatro da década de 1950. Já o visual de Luan foi inspirado na imagem de ícones como Elvis Presley (1935 - 1977) e James Dean (1931 - 1955). Com arranjos assinados por Dudu Borges, produtor musical do show, o cantor interpretou parte das músicas com orquestra regida pelo maestro Otávio de Moraes. Mas o tom do repertório, bem atual, contrasta com o clima vintage do visual do projeto. Eis as faixas do CD e do DVD Luan Santana acústico, já a quarta gravação ao vivo da carreira do artista, iniciada de maneira independente em 2007,  há oito anos:

CD:
1. Escreve aí (Luan Santana, Douglas Cezar, Bruno Caliman e Dudu Borges) - inédita
2. Chuva de arroz (Luan Santana e Dudu Borges) 
- inédita
3. Vergonha na cara (Matheus Aleixo) 
- inédita
4. Cantada (Luan Santana, Dudu Borges e Jorge) 
- inédita
5. Um ser só (Nego Joe) - inédita
6. O recado (Dudu Borges, Tierry Coringa, Magno Sant'anna e Filipe Scandurras) 
- inédita
7. Eu não merecia isso (Filipe Scandurras) 
- inédita
8. Café com leite (Luan Santana, Dudu Borges, Filipe Borges e Marco Carvalho) 
- inédita
9. Conto de fadas (Raynner Souza, D'Stefany, Israel e Rodolffo) 
- inédita na voz de Luan Santana
10. A outra (Marlucy Ferreira, Bruno Silva, Thiago e Graciano) 
- inédita na voz de Luan Santana
11. Falando sério (Elizandra Santos)
12. Sufoco (Daniel Damasceno e Dyliel)
13. Meteoro (Sorocaba)
14. Um beijo (Sorocaba)
15. Amar não é pecado (Fred Liel, Gustavo, Marco Aurélio e Márcia Araújo)
16. Você não sabe o que é amor (Sorocaba)
17. Te esperando (Bruno Caliman)
18. Te vivo (Luan Santana e Thiago Servo)
19. Cê topa? (Luan Santana, Douglas Cezar, Caco Nogueira e Dudu Borges)
20. Tudo o que você quiser (Matheus Aleixo e Felipe Oliver)

DVD:
1. Abertura (Dudu Borges)
2. Escreve aí 
(Luan Santana, Douglas Cezar, Bruno Caliman e Dudu Borges) - inédita
3. Um beijo 
(Sorocaba)
4. Chuva de arroz 
(Luan Santana e Dudu Borges) - inédita
5. O recado 
(Dudu Borges, Tierry Coringa, Magno Sant'anna e Filipe Scandurras) - inédita
6. Eu não merecia isso 
(Filipe Scandurras) - inédita
7. Você não sabe o que é amor 
(Sorocaba)
8. Cantada 
(Luan Santana, Dudu Borges e Jorge) - inédita
9. Amar não é pecado 
(Fred Liel, Gustavo, Marco Aurélio e Márcia Araújo)
10. Vergonha na cara 
(Matheus Aleixo) - inédita
11. Cê topa? 
(Luan Santana, Douglas Cezar, Caco Nogueira e Dudu Borges)
12. Café com leite 
(Luan Santana, Dudu Borges, Filipe Borges e Marco Carvalho) - inédita
13. Falando sério 
(Elizandra Santos)
14. Sufoco 
(Daniel Damasceno e Dyliel)
15. Meteoro 
(Sorocaba)
16. A Outra 
(Marlucy Ferreira, Bruno Silva, Thiago e Graciano) - inédita na voz de Luan Santana
17. Um ser só (Nego Joe) 
- inédita
18. Te vivo 
(Luan Santana e Thiago Servo)
19. Conto de fadas 
(Raynner Souza,D'Stefany, Israel e Rodolffo) - inédita na voz de Luan Santana
20. Te esperando 
(Bruno Caliman)
21. Tudo o que você quiser 
(Matheus Aleixo e Felipe Oliver)

sábado, 4 de abril de 2015

Reis e Teixeira fazem ressoar a voz do coração em DVD de som sincero

Resenha de CD e DVD
Título: Amizade sincera II
Artista: Renato Teixeira & Sérgio Reis
Gravadora: Som Livre
Cotação: * * * *

Por mais que haja natural propósito mercadológico na produção de um segundo volume de Amizade sincera, projeto que une os cantores Renato Teixeira e Sérgio Reis, o som soa sincero. Artistas surgidos na década de 1960, Reis e Teixeira já tinham cantado juntos, mas somente em 2010, com a edição do primeiro volume desse grande encontro, cruzaram seus caminhos fonográficos na longa estrada da vida sertaneja. A caminho dos 70 anos, a serem completados em maio deste ano de 2015, Renato Teixeira - compositor de Romaria (1977), música eternizada na voz de Elis Regina (1945 - 1982) - é um dos pilares que vem mantendo de pé a canção ruralista brasileira ao lado de nomes como Almir Sater. Já perto dos 75 anos, a serem festejados em junho, o paulistano Sérgio Reis se fez ouvir em pleno reinado da Jovem Guarda, mas, como outros artistas do movimento pop de 1965, seguiu trilha sertaneja a partir dos anos 1970. Registros do show gravado ao vivo em 10 de junho de 2014 na Quinta da Cantareira, em Mairiporã (SP), em apresentação de caráter aconchegante restrita a convidados dos artistas, o CD e o DVD Amizade sincera II fazem passeio afetivo pelo universo de uma música caipira que tem se conservado imune ao sotaque pop imperante no atual mercado sertanejo. Mas sem fechar os ouvidos para talentos da nova geração. A exposição na abertura do DVD da bela canção Deus e eu no sertão (Victor Chaves, 2004) - sucesso da dupla Victor & Leo solado na voz ainda em forma de Renato Teixeira - mostra ausência de preconceitos na seleção de repertório regido pela fraternidade. Canção de Teixeira, Eu e meu irmão é a faixa que tem aberto os trabalhos promocionais da gravação ao vivo. Não por acaso, a sempre pungente Canção da América (1979), de Milton Nascimento e Fernando Brant, fecha o DVD, com o público seguindo os artistas para a área externa da Quinta da Cantareira. Até esse congraçamento final, Sérgio Reis - que entra em cena tocando seu berrante, quando Teixeira já está no palco - leva sozinho a Folia de rei (Arnaud Rodrigues e Chico Anysio, 1974), achado do repertório caboclo. Mesmo que sua voz já tenha perdido viço, o sentimento está inteiro. É sobretudo com a voz do coração que Renato Teixeira e Sérgio Reis cantam músicas que soam como temas folclóricos - Cuitelinho (motivo de domínio público recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó), Chuá chuá (Ary Pavão e Pedro de Sá Ferreira) e Cálix bento (Tavinho Moura) - e recebem convidados como Toquinho (em três números) e Amado Batista (em dois). Intérprete de melodramas populares, Batista se ambienta bem no universo sertanejo de músicas como Pingo d'água (João Pacífico e Raul Torres) e Viola cabocla (Tonico e Piraci). Toquinho também está à vontade, tocando violão em Cuitelinho e revivendo com a dupla músicas como Na boca da noite (1967), bissexta parceria sua com o compositor paulistano Paulo Vanzolini (1924 - 2013), e reerguendo A casa (Vinicius de Moraes, 1980). Enfim, a música é sincera e a amizade é verdadeira, legitimando esse reencontro sertanejo.

Eis a capa do projeto que lembra em CD e DVD 25 anos sem Raul Seixas

Gravado ao vivo em 19 de agosto de 2014 em apresentação coletiva na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ), o show da última edição do projeto O baú do Raul - idealizado para lembrar os 25 anos da morte do cantor e compositor baiano Raul Seixas (1945-1989) - está sendo lançado em CD (foto) e DVD pela gravadora Som Livre neste segundo trimestre de 2015. O projeto chega ao mercado fonográfico a tempo de festejar os 70 anos de nascimento do Maluco Beleza, a serem completados em junho. O elenco inclui Ana Cañas, Marcelo Jeneci e Nação Zumbi. Eis, na ordem do DVD, as músicas e os respectivos intérpretes de O baú do Raul  25 anos sem Raul Seixas:

1. Você ainda pode sonhar (Lucy in the sky with diamonds) 
    (John Lennon e Paul McCartney, 1967, em versão em português de Raul Seixas, 1968)
    - Jerry Adriani e Os Panteras
2. Sessão das 10 (Raul Seixas, 1971) - Edy Star
3. Rock das Aranhas (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) - Luiz Carlini
4. Aluga-se (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) - Digão (Raimundos)
5. Abre-te Sésamo (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1980) 
    - Philippe Seabra e Clemente (Plebe Rude)
6. Sapato 36 (Raul Seixas e Cláudio Roberto) - Tico Santa Cruz
7. Cowboy fora da lei (Raul Seixas e Cláudio Roberto, 1987)
    - Marcelo Jeneci (com Laura Lavieri)
8. Metrô linha 743 (Raul Seixas, 1984) - BNegão
9. Rock'n'roll (Raul Seixas e Marcelo Nova, 1989) - Marcelo Nova
10. Pai Nosso da terra (Raul Seixas, Nasi e Ricardo Gaspa, 1993)
      - Nasi & Edgard Scandurra
11. Eu nasci há dez mil anos atrás (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1976) - Gabriel Moura
12.  Aos trancos e barrancos (Raul Seixas, 1971) - Zeca Baleiro
13. Se o rádio não toca (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974)
      - Beto Bruno e Marcelo Gross (Cachorro Grande)
14. Quando acabar o maluco sou eu (Raul Seixas, Cláudio Roberto e Lena Coutinho, 1987)
      - Rick Ferreira & Cláudio Roberto
15. Medo da chuva (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) /
      Metamorfose ambulante (Raul Seixas, 1973) - Ana Cañas
16. Loteria de Babilônia (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Baia
17. DDI (Discagem direta interestellar) (Raul Seixas e Kika Seixas, 1994) - ForFun
18. Conserve seu medo (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1978) - Nação Zumbi

Extras:
 S.O.S. (Raul Seixas, 1974) - Baia
 No fundo do quintal da escola (Raul Seixas e Cláudio Roberto) - Tico Santa Cruz
 Sociedade alternativa (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - ForFun
 As minas do Rei Salomão (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1973) - Nasi & Edgard Scandurra
 Século XXI (Raul Seixas e Marcelo Nova, 1989) - Marcelo Nova

Caixa com álbuns de Paulinho nos anos 1970 tem a elegância do artista

Resenha de caixa de CDs
Título: Ruas que sonhei - 68 até 79
Artista: Paulinho da Viola
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * 1/2

A ausência do primeiro álbum solo de Paulinho da Viola na caixa Ruas que sonhei - por questões jurídicas relativas à reprodução da capa  do disco em reedições no formato de CD - jamais tira o mérito da produção feita pela gravadora Universal Music sob curadoria do jornalista Vagner Fernandes. Primeiro, porque a qualidade da remasterização - capitaneada por Ricardo Garcia no Rio de Janeiro (RJ) em 2014 - aprimora o som dos álbuns na comparação com as reedições produzidas em 1997 pela EMI-Music com remasterização nos estúdios Abbey Road, em Londres. Além de límpido, o som atual é mais fiel ao que se ouvia nos LPs originais. Outro fator que legitima a edição da caixa é a elegância das embalagens em digipack que reproduzem integralmente a arte gráfica das capas, contracapas e encartes dos discos. Por fim, há o fato de que 18 anos separam as reedições anteriores das atuais - tempo mais do que suficiente para que novas gerações tenham desenvolvido interesse pela aquisição (em CD) de uma das obras mais fundamentais do universo do samba e do choro. Ruas que sonhei concentra o supra-sumo da produção fonográfica de Paulinho da Viola. São dez álbuns de estúdio lançados via Odeon entre 1970 e 1979 - a década mais produtiva do artista no que diz respeito à gravação de discos. Dos anos 1980 em diante, o cantor e compositor carioca gravaria cada vez menos - a ponto de já estar há 19 anos sem lançar um disco de inéditas (o último, Bebadosamba, saiu em 1996 pela BMG-Ariola). Todos os discos embalados em Ruas que sonhei são de altíssimo nível melódico, poético e instrumental. São discos que revitalizam as tradições do samba e do choro com o toque de modernidade atemporal de um artista que, eventualmente, também trilhou inusitados caminhos jazzísticos, como observado no torto samba-choro Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973), música do álbum Nervos de aço (Odeon, 1973). Mesmo quando transita por ruas mais conhecidas do samba e do choro, Paulinho o faz com elegância ímpar. Há uma nobreza no canto, nos arranjos e na composição dos repertórios desses dez álbuns que resistem bem ao tempo, como se os discos tivessem sido gravados neste ano de 2015. Qual o coração que não se deixa levar diante de Foi um rio que passou em minha vida (1970), álbum de tom mais interiorizado que apresentou pérolas como Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970) e Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970)? Os dois álbuns de 1971 - ambos intitulados Paulinho da Viola - reforçaram a ligação do artista com os compositores e ritmistas da Velha Guarda da Portela, um dos nortes do timoneiro na condução de seu barco. Álbum que pôs Guardei minha viola (Paulinho da Viola, 1972) e No pagode do Vavá (Paulinho da Viola, 1972) nas rodas de samba, A dança da solidão (1972) reiterou a habilidade do cantor e compositor para beber da chama do passado para saciar a sede do presente e avançar. Fiel à ideologia do artista, o Paulinho da Viola de 1975 trouxe para a avenida um samba-enredo Amor à natureza (Paulinho da Viola, 1975) que partiu em defesa da consciência ambiental quando o tema ecologia ainda não estava em pauta. Os gêmeos Memórias cantando e Memórias chorando, lançados em 1976 de forma avulsa, são discos complementares que mostraram que samba e choro andam harmoniosamente amalgamados na obra de Paulinho, intérprete hábil para cantar histórias do cotidiano, algumas até trágicas, sem jamais carregar nos tons ou apelar para o melodrama. Paulinho da Viola (1978) e Zumbido (1979) completam os dez álbuns da caixa, que inclui libreto - com textos de Vagner Fernandes sobre cada disco - e a coletânea Raridades, com 13 gravações avulsas lançadas em período que vai de 1966 - ano de Canção para Maria (Maria, Mariô), música de festival lançada em compacto editado pela gravadora RGE - a 2003, ano em que Paulinho gravou com a cantora carioca Marisa Monte o choro-canção Carinhoso (Pixinguinha e João do Barro, 1917 / 1937). Entre fonogramas que não fazem jus ao status de raridades, como a gravação do samba Pecado Capital (Paulinho da Viola, 1975) para a trilha sonora da novela homônima produzida às pressas pela TV Globo naquele ano de 1975, e outros realmente raros, caso do registro de Filosofia (Paulinho da Viola e Sidney Miller) para o álbum Brasil, do Guarani ao Guaraná (Elenco, 1968), a compilação reitera o requinte que pauta a obra fonográfica de Paulinho e rebobina o lírico tema que batiza a caixa, Ruas que sonhei, música lançada em compacto de 1969 e não no fecho do álbum Foi um rio que passou em minha vida, como afirma erroneamente Fernandes em seu texto, confundindo a edição original do LP de 1970 com a reedição em CD de 1997 (na qual Ruas que sonhei foi alocada como faixa-bônus ao fim do disco). De todo modo, a caixa Ruas que sonhei é mais do que oportuna por repor em catálogo, com a elegância típica do artista, uma discografia essencial para compreensão dos caminhos seguidos pelo samba e pelo choro ao longo da década de 1970.

Livro 'Palavra cantada' retoma discussão sobre letras e canto de música

Com reunião de ensaios que refletem sobre a combinação da palavra poética com música e com a voz, o livro Palavra cantada - Estudos transdisciplinares retoma a discussão sobre as tênues fronteiras entre música e poesia. Recém-editado pela EdUerj (editora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o livro - organizado por Claudia Neiva de Matos, Fernanda Teixeira de Medeiros e Leonardo Davino de Oliveira - estende inclusive a discussão para o ato de cantar, tão importante para a propagação mais eficaz da palavra cantada. Um dos textos mais interessantes, aliás, é o ensaio em que Claudia Neiva de Matos argumenta que o cantor carioca Cyro Monteiro (1913 - 1973) teve - ao longo dos anos 1940 - importância fundamental na difusão e renovação do ato de cantar samba. Em evidência sobretudo no período que vai 1938 a 1954, Cyro - argumenta a autora, com toda razão - se tornou por sua manemolência vocal uma espécie de parceiro dos compositores dos sambas que gravou com maestria, tendo contribuído para dar correta e eficaz visibilidade a temas como Falsa baiana (1944) e Escurinho (1954), dois sambas de autoria do compositor mineiro Geraldo Pereira (1918 - 1955). Compositor paulista responsável pela interação entre canto e fala, proposta pelo Grupo Rumo a partir dos anos 1980, em movimento vanguardista que também abarcou a obra do compositor paulista Itamar Assumpção (1949 -2003), Luiz Tatit assina o ensaio intitulado Reciclagem de falas e musicalização. Já José Miguel Wisnik é o autor de texto que aborda as relações da música brasileira com a obra do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935). Já David Treece disseca e discute as traduções em inglês do cancioneiro de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980), dois compositores brasileiros cuja obra tem alcance universal desde os anos 1960. Ainda que alguns ensaios reverberem certo academicismo na forma dos textos (são 19 ensaios de 20 autores), Palavra cantada é livro muito interessante por abordar antigas questões musicais sob novas perspectivas.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eis a capa de 'Pior cenário possível', o sétimo álbum do quarteto Matanza

Esta é a capa de Pior cenário possível, sétimo álbum do grupo carioca Matanza. A arte da capa é assinada por Donida, compositor e guitarrista do quarteto de hardcore. O disco tem lançamento programado pela Deck para 14 de abril de 2015. O repertório inédito e autoral alinha dez músicas. Além das já divulgadas A sua assinatura e O que está feito, está feito, Pior cenário possível inclui Matadouro 18, A casa em frente ao cemitério, Sob a mira, O pessimista, Chance pro azar, Orgulho e cinismo, Conversa de assassino serial e a música-título Pior cenário possível. Rafael Ramos é o produtor do álbum que sucede Thunder dope (Deck, 2012)  na dark discografia oficial do Matanza.

Estrelas da MPB iluminam a pregação de padre Fábio em belo álbum autoral

Resenha de CD
Título: Deus no esconderijo do verso
Artista: Padre Fábio de Melo
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * *

A reunião de estrelas da MPB - como Alcione, Elba Ramalho, Fagner, Nana Caymmi e Zeca Pagodinho - vai inevitavelmente atrair atenção além do universo católico para o 19º álbum do padre Fábio de Melo. O fato de o disco ter sido formatado pelo exigente produtor José Milton certamente contribuiu para que Deus no esconderijo do verso esteja chegando ao mercado fonográfico via Sony Music com a luz adicional desses cantores quem põem em fé em José Milton. Trata-se de disco de MPB, de repertório majoritariamente autoral. Cantor e compositor, Fábio de Melo assina 10 das 14 composições alinhadas no disco (apenas uma, Desacontecimento, com parceiro, Cristóvão Bastos). O cancioneiro autoral de Fábio é trivial, sem traço de inventividade, mas eficaz em sua simplicidade. O objetivo do padre é obviamente usar a música para fazer pregação cristã e passar sua mensagem de fé. Mas nem por isso Fábio deixa de acertar no tom de suas músicas. Cantada por Fábio com Nana Caymmi na abertura do CD, a música-título Deus no esconderijo do verso é bonita e justifica a presença de uma intérprete da nobreza de Nana. Cantora que tem propagado publicamente  sua fé católica, Elba Ramalho põe sua voz maturada em Oculto e revelado, canção que ganha ar nordestino no toque da sanfona de Adelson Viana. Há também sutil evocação do sertão nordestino em Perfeita contradição, outra ótima amostra da habilidade de Fábio para criar músicas melodiosas que se ajustam ao tom messiânico de seus versos. Raimundo Fagner é o convidado da faixa. Com ótimo acabamento nos arranjos polidos, assinados por maestros como Cristóvão Bastos e Eduardo Souto Neto, o álbum reúne canções que - crenças individuais à parte - soam agradáveis aos ouvidos mais sensíveis, caso de O ausente sempre em mim, de letra verborrágica. Sem falar que, fora da seara autoral, Fábio fez boas escolhas entre repertório já gravado. Uma música como Estrela luminosa (Altay Veloso) - lançada por Alcione em seu pouco ouvido álbum Tempo de Guarnicê (BMG-Ariola, 1996) - merece segunda chance de brilho. Uma das mais belas baladas do cancioneiro de Lenine, composta com Dudu Falcão e lançada em 1999, Paciência se ajusta com perfeição ao espírito zen do álbum. Concluída com citação de Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), O vendedor de sonhos (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1987) também cai bem na voz de Fábio, já que, na interpretação do religioso, o padre pode bem encarnar o caixeiro-cantor que viaja levando boa música e, no caso, também a palavra de Deus (de todo modo, a melhor gravação de O vendedor de sonhos continua sendo a feita por Simone no álbum Sou eu, de 1992). Da obra sagrada de Milton e Brant, Fábio revive outra joia de delicadeza e poesia, Pra eu parar de me doer, canção lançada por Maria Bethânia em 1984. E há também os sambas - três - cantados por Fábio com Alcione (Sobre ganhar e perder), Ninah Jo (Nós num mundo só) e Zeca Pagodinho (Amigo onde Deus é). Enfim, Deus no esconderijo do verso mostra que um álbum religioso pode ser interessante para quem crê no poder da deusa música.

Fiel ao suingue 'Black Rio', Dafé volta ao baile (e ao seu passado) em CD

Resenha de CD
Título: Bem-vindo ao baile
Artista: Carlos Dafé
Gravadora: Atração Fonográfica
Cotação: * * * *

Sétimo álbum do soulman Carlos Dafé, Bem-vindo ao baile tem tido trajetória errática como a carreira deste cantor e compositor carioca batizado José Carlos de Souza. Foi gravado em 2009 com azeitada produção de Felipe Pinaud e Marlon Sette e, embora desde então promovido em shows pelo artista, o disco somente chegou efetivamente ao mercado fonográfico brasileiro em 2014 por gravadora sem grande poder de marketing, Atração fonográfico. Mas o injusto silêncio em torno do disco tem sido quebrado por eventuais resenhas publicadas na mídia impressa neste ano de 2015. Bem-vindo ao baile merece atenção. É álbum à altura do legado deste artista que se alinhou, no início dos anos 1970, com os cantores e músicos que introduziram a soul music norte-americana no Brasil. Dafé passou brevemente pelo seminal grupo Abolição, tocou na banda de Tim Maia (1942 - 1998) - cantor carioca que abriu as portas do sucesso para a geração soul dos anos 1970 - e, entre um feito e outro, debutou no mercado fonográfico em 1972 com a gravação de compacto sem repercussão. O estouro viria somente em 1977, ano em que - no embalo da explosão do movimento Black Rio - Dafé lançou o primeiro dos sete álbuns que gravou num período de 20 anos que vai de 1977 a 1997. Pra que vou recordar o que chorei? (Warner Music, 1977) emplacou em escala nacional a música-título, um sambalada de alma soul que foi parar em trilha de novela (Dona Xepa, TV Globo, 1977). Mas o fato é que, embora tenha lançado um segundo cultuado álbum em 1978, editado também via Warner Music, Dafé nunca mais bisou o sucesso do disco de 1977. Bem-vindo ao baile é oportuna tentativa de reintroduzir Dafé na cena. Tanto que a faixa-título, Bem-vindo ao baile, é intro de 34 segundos em que o compositor e músico carioca Marcelo Yuka saúda Dafé. "Respeito, positividade e atenção. No coração até os gestos: minha influência e de outras gerações. Música com a verdade que é - com vocês: Carlos Dafé", dá as boas-vindas Yuka, que volta ao disco, oito faixas depois, para dizer a fala da regravação de A cruz (Carlos Dafé e Tania Mara, 1977), música do primeiro álbum de Dafé. A propósito, no atual disco, Dafé faz novas conexões com nomes como o maranhense Zeca Baleiro - parceiro e convidado de Sigo só, faixa na qual tudo acaba em samba - sem romper com o repertório do passado. Parceria com o carioca Nelson Motta, Escorpião já tinha revelado sua picada soul no segundo álbum de Dafé, Venha matar saudades (Warner Music, 1978), batizado com o nome de canção soul ora revivida por Dafé em dueto com Toni Garrido (à vontade nesse ambiente soul). Mas muitas músicas vão soar como inéditas, caso de Quando o amor chegar, inspirada balada da lavra de outro soulman carioca, Hyldon, lançada na voz de seu compositor em compacto de 1984 com o título de Novas emoções. Bem-vindo ao baile é disco fiel ao suingue do movimento Black Rio, evocado nos metais que fazem a pulsação da regravação de Da alegria raiou o dia (Carlos Dafé e Dom Mita, 1977), faixa turbinada com a participação de Da Ghama. É um universo musical já amalgamado com o rap, o que justifica a entrada em cena de MC Marechal, convidado de Cantar com o coração (Georgemari Dafé, William Félix, Toninho Lemos e Marechal). E é na cadência de um bonito samba que o artista se autoperfila em Dafé, música do compositor carioca Jorge Aragão. "Faço parte dessa história, eu sei / ... / Eu vim da glória, eu vim da fama / Eu vim matar saudades", anuncia Carlos Dafé, orgulhoso de fazer parte de uma história parcialmente recontada neste azeitado CD que se equilibra entre presente e passado. Bem-vindo (de novo) ao baile, Dafé!

Astros sertanejos gravam DVD para ajudar hospital que combate câncer

Nada menos do que 31 atrações do vasto universo sertanejo - entre cantores e duplas como Chitãozinho & Xororó (foto) - vão unir forças e vozes em dois shows feito em benefício do Hospital do Câncer de Barretos (SP). Agendados para os dias 7 e 8 deste mês de abril de 2015 no Espaço das Américas, em São Paulo (SP), os shows serão gravados ao vivo para dar origem a CD e DVD comemorativos dos 15 anos do projeto Direito de viver. A renda obtida com o DVD reverte para o hospital. Eis em ordem alfabética, por dia, o elenco do projeto sempre feito com artistas sertanejos:

Atrações do show de 7 de abril de 2015:
 Ataíde & Alexandre
 Chitãozinho & Xororó
 Cristiano Araújo
 Edson & Hudson
 Fernando & Sorocaba
 Guilherme & Santiago
 Humberto & Ronaldo
♪ Israel Novaes
♪ Juliano Cézar
♪ Leandro Baldissera
♪ Matheus & Kauan
♪ Munhoz & Mariano
♪ Rionegro & Solimões
♪ Teodoro & Sampaio
♪ Rick Sollo

Atrações do show de 8 de abril de 2015:

♪ Bruninho & Davi
♪ Bruno & Marrone
♪ Carreiro & Capataz
♪ César Menotti & Fabiano
♪ Daniel
♪ Eduardo Costa
♪ Jads & Jadson
♪ João Neto & Frederico
♪ Jorge & Mateus
♪ Leonardo
♪ Lucas Lucco
♪ Marcos & Belutti
♪ Michel Teló
♪ Paula Fernandes
♪ Trio do Brasil
♪ Zé Henrique & Gabriel

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Virtuose do paulista Angra, Kiko Loureiro é novo guitarrista do Megadeth

Guitarrista do Angra, grupo paulistano de heavy metal em atividade desde 1991, o músico e compositor carioca Kiko Loureiro foi anunciado hoje, 2 de abril de 2015, como o novo guitarrista do grupo norte-americano Megadeth. Já havia especulações sobre sua entrada na megabanda, mas somente hoje a notícia foi confirmada oficialmente. A caminho dos 43 anos, a serem completados em junho, Pedro Henrique Loureiro entra na vaga até então aberta com a saída , no ano passado, do guitarrista Chris Broderick, que deixou a banda de thrash metal em 25 de novembro de 2014. Radicado há três anos na Califórnia (EUA), Kiko foi alvo de elogios públicos do líder do Megadeth, Dave Mustaine. "Conheci Kiko há cerca de oito anos durante sessão de fotos para a capa da revista Burrn!. Não tinha ideia de quem ele era, sabia apenas que ele era talentoso e muito querido pela equipe da revista. Desde então, percebi como ele é um guitarrista virtuoso. Estou profundamente inspirado por seu talento. Poucos músicos que passaram pelo Megadeth têm o mesmo feeling e habilidade de Kiko", celebrou Mustaine em comunicado postado no site oficial do Megadeth com a foto acima em que se vê a pose oficial de Kiko (à esquerda) com seu novo patrão.

Questão jurídica relativa à capa exclui álbum inicial da caixa de Paulinho

Produzida com curadoria do jornalista Vagner Fernandes, a caixa Ruas que sonhei - recém-posta nas lojas pela gravadora Universal Music com reedições de 10 álbuns e uma compilação inédita de Paulinho da Viola - exclui um dos 11 álbuns lançados pelo cantor e compositor carioca na extinta gravadora Odeon entre 1968 e 1979. Trata-se do primeiro álbum solo do sambista chorão, Paulinho da Viola (Odeon, 1968). A Universal Music optou por lançar a caixa sem o disco por conta de questão jurídica relativa à reprodução da capa do álbum - capa que tem arte gráfica e foto de autoria de Pedro de Moraes. De todo modo, como a compilação de gravações avulsas intitulada Raridades inclui fonograma de 1968 (existe até um de 1966), o subtítulo 68 até 79 acaba fazendo sentido por se referir aos anos em que o artista consolidou sua genial obra solo na Odeon.

Duo do Tocantins, AnaVitória lança EP com produção e selo de Tiago Iorc

Duo natural de Araguaína, cidade do Tocantins, AnaVitória debuta hoje, 2 de abril de 2015, no mercado fonográfico brasileiro com o lançamento de EP produzido pelo cantor e compositor Tiago Iorc - em parceria com Jeff Pinas - e editado através do recém-aberto selo de Iorc, Forasteiro. Com quatro músicas rotuladas como pop rural (Chamego, Singular, Tententender e Cores), o EP AnaVitória está à venda no iTunes a partir de hoje. Autora de duas das quatro músicas do disco, Chamego e Singular, Ana Caetano é apresentada como a principal compositora do duo (Cores é tema feminino de autoria de Lorena Chaves e Tententender é parceria de Duda Leindecker e Humberto Gessinger lançada por seus compositores no duo Pouca Vogal). Já Vitória Falcão é caracterizada como intérprete de "voz expansiva". O EP AnaVitória pode ser ouvido no YouTube.

Leila tem convite da gravadora Deck para fazer CD produzido por Rafael

Leila Pinheiro tem convite para voltar ao mercado fonográfico neste ano de 2015. Sem lançar disco no Brasil desde 2013, ano em que a gravadora Biscoito Fino editou no mercado nacional o álbum Céu e mar (gravado em 2010 com o violonista Nelson Faria), a cantora paraense - em foto de Márcia Charnizon - tem convite da gravadora Deck para fazer CD produzido por Rafael Ramos.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

No Rio, Criolo e Ivete revivem 'Lamento' de Tim em show cheio de sucessos

Separados, mas também juntos, Ivete Sangalo e Criolo deram vozes a todos os grandes sucessos de Tim Maia (1942 - 1998) entre solos e duetos do roteiro do show Nivea Viva Tim Maia, idealizado para celebrar a obra e o legado do cantor e compositor carioca Sebastião Rodrigues Maia (1942 - 1998). Nenhum grande hit foi esquecido no show orquestrado por Monique Gardenberg sob a direção musical de Daniel Ganjaman. Mas a cantora baiana e o rapper paulistano também tiraram algumas joias raras do baú black do Síndico para apresentar ao público de convidados que viu o show na noite de ontem, 31 de março de 2015, na casa Vivo Rio. Balada melancólica gravada pelo cantor em seu segundo álbum, Tim Maia (Polydor, 1972), Lamento foi uma dessas pérolas mais raras. Cantada por Ivete, o funk Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979) - lançado por Tim no álbum Reencontro (EMI-Odeon, 1979) - foi outra música menos conhecida do repertório de hits. Eis o roteiro de 28 músicas seguido em 31 de março de 2015 por Ivete e Criolo - em foto de Rodrigo Goffredo - na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na estreia nacional do show que, a partir deste mês de abril, vai seguir até junho em turnê cuja rota passa por Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) com apresentações gratuitas, realizadas ao ar livre:

1. Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971) – Ivete Sangalo
2. Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973) – Ivete Sangalo
3. Você (Tim Maia, 1971) – Ivete Sangalo
4. Azul da cor do mar (Tim Maia, 1970) – Ivete Sangalo
5. Primavera (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) – Criolo
6. Chocolate (Tim Maia, 1970) – Criolo
7. Imunização racional (Que beleza) (Tim Maia, 1975) – Ivete Sangalo
8. Bom senso (Tim Maia, 1975) – Ivete Sangalo
9. Réu confesso (Tim Maia, 1973) – Ivete Sangalo
10. Telefone (Nelson Kaê e Beto Correia, 1986) – Ivete Sangalo
11. Não vou ficar (Tim Maia, 1969) – Ivete Sangalo
12. O que me importa (Cury, 1972) – Ivete Sangalo
13. Lamento (Tim Maia, 1972) – Criolo e Ivete Sangalo
14. Sossego (Tim Maia, 1978) / Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) – Criolo e Ivete Sangalo
15. Você e eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) – Criolo e Ivete Sangalo
16. Ela partiu (Tim Maia e Beto Cajueiro, 1975) – Criolo
17. Eu amo você (Genival Cassiano e Silvio Roachel) – Criolo
18. Coroné Antonio Bento (João do Valle e Luiz Wanderley, 1970) – Criolo
19. Canário do reino (Carvalho e Zapatta, 1972) – Criolo /
      A festa de Santo Reis (Márcio Leonardo, 1971) – Ivete Sangalo
20. Leva (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1984) – Ivete Sangalo
21. Me dê motivo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1983) - Criolo
22. Um dia de domingo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1985) – Criolo e Ivete Sangalo
23. Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979) – Ivete Sangalo
24. O descobridor dos sete mares (Michel e Gilson Mendonça, 1983) – Ivete Sangalo
25. Acende o farol (Tim Maia, 1978) – Criolo e Ivete Sangalo
26. Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971) – Criolo e Ivete Sangalo
Bis:
27. Vale tudo (Tim Maia, 1983) – Criolo e Ivete Sangalo
28. Sossego (Tim Maia, 1978) / Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) – Criolo e Ivete Sangalo

Fênix volta ao começo de intérprete em álbum que tem Baleiro, Gil e Nelson

A IMAGEM DO SOM - Após alguns discos de repertório autoral, Fênix retorna às origens de intérprete. Na foto acima, o cantor pernambucano é visto no estúdio RockIt!, no Rio de Janeiro (RJ), pondo a voz nas músicas que selecionou para seu quinto álbum. Com produção dividida entre Jaime Alem e JR Tostoi, o disco se intitula sintomaticamente De volta ao começo. A música-título é a canção de Gonzaguinha (1945 - 1991), lançada pelo cantor e compositor carioca no álbum também intitulado De volta ao começo (EMI-Odeon, 1980). O repertório inclui duas músicas de Gilberto Gil. Uma Cálice (1973) é a emblemática parceria do compositor baiano com o carioca Chico Buarque. A outra é Lingua do P, música lançada pela cantora baiana Gal Costa em 1970. Do seminal Pixinguinha (1897 - 1973), Fênix dá voz a Yaô (1938), parceria do compositor e maestro carioca com o compositor também carioca Gastão Viana (1900 - 1959). Outra música certa no repertório é Minha casa (2000), canção de Zeca Baleiro. Fênix também canta Motriz (Caetano Veloso, 1983) - música lançada na voz de Maria Bethânia - e o samba Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973), entre outros temas.

Samba pede passagem para 'Euforia', o terceiro álbum (oficial) de Pélico

Com capa criada por Filipe Catto (cantor que atua como designer nas horas vagas) a partir de foto de Bob Wolfenson, o terceiro álbum (oficial) da discografia de Pélico, Euforia, vai estar disponível para download gratuito oficial e legalizado, no site do artista, a partir de 7 de abril de 2015. Um samba - Você pensa que me engana, gravado com o cavaquinho de Rodrigo Campos - abre alas no mercado fonográfico para o sucessor de O último dia de um homem sem juízo (Independente, 2008), de Que isso fique entre nós (YB Music, 2011) - e também do renegado primeiro álbum do artista, Melodrama, gravado em 2003 com circulação ínfima. Em 14 faixas, Euforia alinha músicas como Calado, Sozinhar-me, O meu amor mora no Rio, Meu amigo Zé - composta em tributo ao cantor e compositor baiano Tom Zé - e Sobrenatural. O repertório é essencialmente inédito e autoral, mas Repousar - faixa formatada com participação da atriz Letícia Spiller e da cantora Caru Ricardo  -  já foi gravada pelo cantor Toni Ferreira em um álbum de 2013.

Guinga faz álbum com (vozes de) quatro cantoras de nacionalidades distintas

Enquanto se prepara para gravar disco com a cantora portuguesa Maria João na Alemanha, no segundo semestre deste ano de 2015, Guinga tem outro lançamento fonográfico à vista. Trata-se de álbum em que músicas antigas do compositor carioca - em foto de Manfred Pollert - e de outros compositores serão ouvidas nas vozes de quatro cantoras de nacionalidades distintas. A norte-americana Esperanza Spalding, a portuguesa Maria João, a italiana Maria Pia de Vito e a brasileira Mônica Salmaso se revezam nas interpretações das músicas. As três cantoras estrangeiras têm grande intimidade com o jazz.  O álbum vai ser editado no Brasil ainda este ano,  em data ainda incerta.