Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Com os pés no chão, Teresa canta Candeia no Rio sob a luz da inspiração

Resenha de show
Título: Teresa Cristina canta Candeia
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de novembro de 2013
Cotação: * * * *

Anunciado por Teresa Cristina em 2011, o projeto de dedicar um disco aos sambas do compositor carioca Antonio Candeia Filho (17 de agosto de 1935 - 16 de novembro de 1978) começou a ganhar forma concreta no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 5 de novembro de 2013, com a estreia nacional do show Teresa Cristina canta Candeia.  Parafraseando versos de Nova escola (Candeia, 1977), primeira das 31 músicas do roteiro, foi com o coração e com os pés literalmente no chão do palco do Theatro Net Rio que a cantora e compositora carioca reverenciou seu antepassado musical sob a luz da inspiração e sob a direção musical de Paulo Sete Cordas. Sem inventar moda que poderia tirar o foco da gênese da obra de Candeia, Teresa mostrou as várias faces do repertório deste compositor politizado cujo cancioneiro exalou orgulho negro, denunciou injustiças sociais, celebrou o próprio samba e falou de amor com lirismo, atravessando gerações como um dos mais valiosos tesouros do samba. Em vez de enfileirar sucessos, a cantora se permitiu até ignorar alguns deles - como Amor não é brinquedo (Candeia e Martinho da Vila, 1978), Filosofia do samba (Candeia, 1971) e Pintura sem arte (Candeia, 1978) - para dar voz a pérolas pescadas no baú. Somente os mais fervorosos admiradores de Candeia conheciam, por exemplo, o magoado samba Foi ela (Candeia, 1966), gravado pelo compositor em já raríssimo disco feito como integrante do grupo Os Mensageiros do Samba. Na companhia de oito músicos e de três vocalistas, que em sambas como Luz da inspiração (1975) remeteram ao canto d'As Gatas (grupo feminino bastante recrutado na década de 70 para gravar vocais em discos de samba), Teresa saudou Clara Nunes (1942 - 1983) - cantora mineira que lançou Anjo moreno (Candeia) em disco de 1972 - e celebrou a escola de samba Portela em bloco que aglutinou temas como Vem pra Portela (samba de Candeia e Coringa que somente em 1998 ganhou registro em disco), Samba na tendinha (Candeia, 1971) e Já clareou (Dewett Cardoso, 1975), capazes de animar qualquer quadra ou terreiro. Já a nostalgia contida no samba intitulado justamente Saudade (Candeia e Arthur Poener, 1972) exemplifica o lirismo que pautou boa parte da obra de Candeia em harmonia com uma consciência social que pregava a força da raça além do Carnaval (Dia de graça, Candeia, 1969) ao mesmo tempo em que denunciava crises sócio-econômicas em sambas como O invocado, que, embora seja da lavra de Otto Enrique Trepte, o Casquinha, ganhou a voz engajada de Candeia no antológico álbum Axé! Gente amiga do samba (1978). Teresa harmoniza todas essas faces da obra de Candeia sem sair do seu tom - o que torna o show linear lá pelo meio, quando entram em cena os sambas Sorriso antigo (Candeia e Aldecy, 1970) - mais associado ao cantor paulista Noite Ilustrada (1928 - 2003) do que ao próprio Candeia - e Me alucina (Candeia e Wilson Moreira, 1977). Mais festivas, Vai pro lado de lá (Candeia e Euclenes Rosa, 1971), Lá vai viola (Candeia, 1972) e Peixeiro grã-fino (Candeia e Bretas, 1978) animam a cena e lembram no roteiro o fato de Candeia ter sido partideiro de altíssimo poder de improviso, um batuqueiro capaz de compor afro-sambas como Zé Tambozeiro (Tambor de Angola) - parceria com Candinho, de 1978 - e um jongo vivaz como Sinhá dona da casa (Candeia e Celso Cardoso, 1974), um dos pontos altos do show e veículo para apresentação da banda formada por virtuoses como o cavaquinista João Calado e o percussionista Mestre Trambique. No fim, antes do bis em que Teresa e músicos fizeram O mar serenou (Candeia, 1975) de improviso, Testamento de partideiro (Candeia, 1975) ratificou a certeza de que Teresa Cristina é legítima herdeira do legado de Antonio Candeia Filho, ainda que a cantora já mostre - em shows e discos feitos sob a mesma luz da inspiração que a ilumina na ode a Candeia - que o seu universo musical já extrapola o terreirão do samba.

Teresa é mensageira da paz do samba social de Candeia em show no Rio

Antes de cantar Camafeu, samba que o compositor Martinho da Vila lançou em LP de 1971 e que Antonio Candeia Filho (17 de agosto de 1935 - 16 de novembro de 1978) regravou em 1975 em disco voltado para o samba de roda, Teresa Cristina fez questão de dizer ao seu pai - Seu Lula, presente na plateia do Theatro Net Rio na noite de ontem, 5 de novembro de 2013 - que, sim, sempre gostou da obra de Candeia, um dos pilares do samba. É que - como a cantora carioca acabara de contara ao público que assistiu à estreia nacional do show Teresa Cristina canta Candeia no Rio de Janeiro (RJ) - a artista tomou contato com a obra de Candeia através de seu pai numa época em que, adolescente, fingia que não gostava de ouvir os sambas do compositor carioca, elegendo os hits da disco music como a trilha sonora de seus embalos noturnos da década de 70. Decorridos cerca de 35 anos, Teresa - já com 15 anos de carreira e já reconhecida como uma das vozes do samba - celebra o legado de Candeia em show que dá origem ao seu projeto fonográfico de dedicar um disco, previsto para 204, aos sambas do compositor. "Esperei 15 anos para fazer esse show", contabilizou a cantora já no fim do roteiro em que foi a mensageira da paz do samba social de Candeia, dando voz a raridades da musicografia do compositor - como o magoado samba Foi ela, registrado por Candeia em 1966 no raríssimo disco que gravou com o grupo Os Mensageiros do Samba - e a sucessos como Preciso me encontrar (1976) sob a direção musical de Paulão Sete Cordas, maestro dos oito músicos e das três vocalistas. Eis o (nada óbvio) roteiro seguido pela cantora - em foto de Rodrigo Amaral - em 5 de novembro de 2013 na estreia nacional de Teresa Cristina canta Candeia, excelente show encerrado com improvisação de O mar serenou (Candeia, 1975), sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora que deu sua voz luminosa a vários sambas de Antonio Candeia Filho, um partideiro de alta patente na hierarquia do samba:

1. Nova escola (Candeia, 1977)
2. Luz da inspiração (Candeia, 1975)
3. Anjo moreno (Candeia, 1971)
4. De qualquer maneira (Candeia, 1971)
5. Saudade (Candeia e Arthur Poerner, 1972)
6. Foi ela (Candeia, 1966) /
7. Lenço Branco (Claudemiro José Rodrigues, o Picolino da Portela, 1966)
    - Samba gravado por Candeia no LP do grupo Os Mensageiros do Samba
8. Esta melodia (Bubu da Portela e Jamelão, 1959)
    - Samba gravado por Candeia no LP do grupo Os Mensageiros do Samba
9. Vem pra Portela (Candeia e Coringa, 1998) /
    - Samba gravado pela primeira vez em disco no tributo Candeia - Eterna chama (1998)
10. Samba na tendinha (Candeia, 1971)
11. Já clareou (Dewett Cardoso, 1975)
    - Samba gravado por Candeia no disco Candeia, samba de rosa (1975)
12. Meu trabalho (Alvaiade e Alberto Maia, 1947) /
13. O invocado (Casquinha, 1978) /
      - Samba gravado por Candeia no disco Axé! Gente amiga do samba (1978)
14. Dia a dia (Candeia e Jaime R. F. dos Santos, 1980)
15. Vai pro lado de lá (Candeia e Euclenes Rosa, 1971)
16. Lá vai viola (Candeia, 1972)
17. A paz do coração (Candeia e Casquinha, 1970)
18. Tantos recados (Candeia e Casquinha, 2001)
      - Samba gravado pela primeira vez em disco no álbum Casquinha da Portela (2001)
19. Sorriso antigo (Candeia e Aldecy, 1970)
20. Me alucina (Candeia e Wilson Moreira, 1977)
21. Zé Tambozeiro (Candeia e Vandinho, 1978)
22. Camafeu (Martinho da Vila, 1971)
      - Samba gravado por Candeia no disco Candeia, samba de roda (1975)
23. Sinhá dona da casa (Candeia e Celso Cardoso, 1974)
24. Gamação (Candeia, 1978)
25. Peixeiro grã-fino (Candeia e Bretas, 1978)
26. Ouço uma voz (Candeia e Nelson Amorim, 1978)
27. Vem amenizar (Candeia e Waldir 59, 1978)
28. Testamento de partideiro (Candeia, 1975)
Bis:
29. Preciso me encontrar (Candeia, 1976)
30. Dia de graça (Candeia, 1969)
31. O mar serenou (Candeia, 1975)

Blige celebra o Natal ao lado de Barbra e Jessie J em 'A Mary Christmas'

Recém-lançado nos Estados Unidos pela Verve Records, o primeiro álbum com músicas de Natal gravado por Mary J Blige, A Mary Christmas, junta a cantora norte-americana com nomes como Barbra Streisand (convidada de When you wish upon a star), Jessie J (em Do you hear what I hear?), Marc Anthony (em Noche de paz, versão em espanhol de Silent night gravada para acenar para o mercado latino de língua hispânica) e The Clark Sisters (em The first Noel). No álbum Mary Christmas, Blige dá voz a clássicos natalinos como Have yourself a merry little Christmas sob a firme batuta orquestral do produtor David Foster. O disco chegou às lojas dos EUA através de parceria da Verve com a Matriarch Records e a Interscope Records.

Disco feito por Yoko com produção de Sean sai no Brasil via selo Lab 344

Lançado no exterior em setembro de 2013, o 15º título da carreira fonográfica de Yoko Ono, Take me to the land of hell, ganha edição no Brasil, neste mês de novembro, através do selo Lab 344. Produzido por Yoko Ono com Sean Lennon e Yuka Honda, o disco - sucessor do EP YOKOKIMTHURSTON (2012) - é o primeiro álbum de Yoko desde Between my head and the sky (2009), tendo sido gravado em Nova York (EUA) com colaborações de Lenny Kravitz, Questlove (baterista do grupo The Roots) e de Nels Cline (do grupo Wilco). Yoko assina Take me to the land of hell com a reformada Plastic Ono Band. Bad dancer, There's no goodbye between us, Watching the dawn e Little boy blue, your daddy's gone são músicas do álbum.

Rossi renova sua fé em seus hits dos anos 90 com EP com seis músicas

Padre Marcelo Rossi continua rezando pela cartilha do mercado fonográfico. Desta vez, o religioso cantor adere ao EP - formato revitalizado no Brasil neste ano de 2013 por conta do fenomenal sucesso de vendas do EP Esse cara sou eu (2012), de Roberto Carlos - e apresenta Já deu tudo certo, disco com seis faixas, distribuído pela Sony Music neste mês de novembro. Quatro músicas são inéditas na voz de Rossi - O dom do amor (A mulher adúltera),  O ódio não vence o amor (Crucificação), Hoje livre sou e a música-título Já deu tudo certo - e as outras duas são dois sucessos gravados pelo padre na segunda metade dos anos 90, década em que Rossi fez o milagre da multiplicação de cópias de discos de música católica no mercado fonográfico nacional. Erguei as mãos é hit de seu primeiro álbum, Músicas para louvar ao Senhor (1998), que ultrapassou os 3,3 milhões de cópias e se transformou num dos discos mais vendidos da história do Brasil. Já O vira de Jesus é do disco de 1999, Um presente para Jesus.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Loroza cai bem no suingue da música preta do Brasil no feliz 'Carpe diem'

Resenha de CD
Título: Carpe diem
Artista: Serjão Loroza
Gravadora: Lab 344
Cotação: * * * *

Serjão Loroza cai muito bem no suingue da música preta brasileira em seu segundo álbum solo, Carpe diem, lançado neste mês de novembro de 2013 pelo selo carioca Lab 344. Sucessor de MBP (Música brasileira de pista) (Zambo Discos, 2007), Carpe diem desfaz a má impressão deixada pelo último título da discografia do ator e cantor, Loroza & Us Madureira ao vivo (2010), trabalho de tom desleixado, perceptível até no erro da grafia de algumas músicas. Calcado no balanço blackCarpe diem é disco de ótimo acabamento, garantido pela produção de Plínio Profeta, pelos arranjos de sopros de Marlon Sette - fundamentais para sustentar a levada abrasileirada de músicas como a sedutora Preta dileta (Serjão Loroza e Pedro Luís) - e pela arregimentação de músicos como o guitarrista Davi Moraes e o tecladista Humberto Barros. Assim como Tim Maia (1942 - 1998), dono de obra pioneira cujo balanço funk é evocado com reverência no suingue da música-título Carpe diem (Serjão Loroza e Bruno Migliari), Loroza cai no suingue black com sotaque nacional. Esse abrasileiramento dos códigos da música negra dos Estados Unidos faz com que soe natural em Carpe Diem a convivência de um baladão de espírito soul, como Ainda vou te amar (Serjão Loroza, Mu Chebabi e Jomar Magalhães), com um partido alto cheio de suingue e com humor à moda de Zeca Pagodinho, caso de Se um dia fui pobre (Serjão Loroza, Gabriel Moura e Fabinho D'Lélis). À vontade nesse universo black, a percussão de Marçalzinho e o cavaco de Pretinho da Serrinha acentuam a cadência bonita do samba 17 beijos, parceria de Hyldon - pioneiro soulman nacional - com Céu e Arnaldo Antunes (a primeira música do trio lançada em CD, a funkeada Trato, apareceu em Disco, álbum editado por Arnaldo em outubro). Pena que a letra da canção Basta a gente se olhar (Arlindo Cruz e Dhemma) lambuza Carpe diem com o mel falsificado dos pagodes românticos. O disco fica mais sedutor à medida em que cai mais no suingue, seja o do funk ou o do samba. Música deliciosa de Rodrigo Maranhão, Caia exala felicidade em suas sinuosas quebradas. "A vida é mais leve do que você leva", avisa Loroza, por meio de verso de Mais simples (Gabriel Moura), tema em sintonia com o alto astral do álbum. Coeso em dez faixas que roçam os 41 minutos, Carpe diem manda papo reto em músicas como É nóis (Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Diogo Leite). É disco feliz, à altura do vozeirão grave de Serjão Loroza.

Box com sete singles em vinil da Motown traz raridade de Stevie Wonder

Com lançamento agendado para 18 de novembro de 2013, via Universal Music, a caixa The Motown 7s box - Rare and unreleased vinyl embala sete singles, no formato de vinil, com gravações raras ou inéditas de artistas da lendária gravadora Motown, berço do soul e do r & b nos anos 60 e 70. Uma das preciosidades poderá ser ouvida, pela primeira vez em vinil, no lado B do single 3. Trata-se de Just enough to ease the pain, gravação obscura de Stevie Wonder até então inacessível em formato físico, embora circulasse pela internet. Feita pelo DJ Richard Searling, a seleção inclui registros feitos por nomes como The Four Tops para discos abortados.

* Single 1
This love starved heart of mine (It's killing me) - Marvin Gaye
What more could a boy ask for - The Spinners
* Single 2
Do I love you (Indeed I do) - Frank Wilson
Suspicion - The Originals

* Single 3
Stormy - Diana Ross & The Supremes
Just enough to ease the pain - Stevie Wonder
* Single 4
Clip my wings - The Four Tops
All I do is think about you - Tammi Terrell

* Single 5
It happens every time - Barbara McNair
I can't be hurt anymore - David Ruffin
* Single 6
Forever in my heart - The Temptations
You hit me where It hurt me - Kim Weston

* Single 7
Something's wrong - Chris Clark
My love is your love (Forever) - The Isley Brothers

DVD com filme sobre Beyoncé é duplo e inclui gravação ao vivo de show

Com lançamento nos Estados Unidos agendado para 25 de novembro de 2013 pela Columbia Records, e já com edição no Brasil garantida pela Sony Music para 2013, o DVD duplo Beyoncé - Life is but a dream exibe não somente o filme dirigido por Beyoncé Knowles e apresentado em fevereiro de 2013 no canal HBO dos EUA - com nova edição no DVD para permitir a inclusão da música inédita God made you beautiful - como também o registro ao vivo do show feito pela cantora norte-americana em maio de 2012 no resort-cassino Revel, em New Jersey (EUA).

Ivete lança inédita 'Tempo de alegria' para impulsionar o DVD dos 20 anos

Ivete Sangalo continua indo atrás do trio elétrico. Um mês antes de fazer em Salvador (BA) a gravação ao vivo comemorativa de seus 20 anos de carreira, agendada para 14 de dezembro de 2013 em show na Arena Fonte Nova, a cantora baiana lança boa música inédita, Tempo de alegria (Gigi, Magno Sant'Anna e Filipe Escandurras), gravada em estúdio. Tempo de alegria já acena para o folião do Carnaval de 2014. Com toques eletrônicos no arranjo dançante, Tempo de alegria alude na letra à comunhão da artista com o público nos shows feitos ao longo desses 20 anos. Tempo de alegria é o carro-chefe do DVD e CD ao vivo que Ivete vai lançar em 2014.

Tempo de Alegria
(Gigi, Magno Sant’anna e Filipe Escandurras)


É amor
É tanto amor que eu sinto esse momento
É tão bonito esse mar de mãos
Ver todo mundo assim cantando junto
É maravilhoso

É amor
Felicidade transbordando em mim
Tem tanto tempo nossa união
Chegou o dia que o meu coração
Tá daquele jeito

Dá pra ver, vai ferver
Bateu a sintonia
É tempo de alegria
Tão bom dividir com você

Ôôô, ôôôôôô, ôôô...
Alegria, alegria

Eis a capa do álbum solo de Temporão, produzido por Kassin e Continentino

 Esta é a capa do primeiro álbum solo de Fernando Temporão, De dentro da gaveta da alma da gente, disco produzido por Kassin e por Alberto Continentino. Cantor e compositor carioca revelado como vocalista do grupo de samba Sereno na Madrugada, Temporão desvia a obra autoral para a rota contemporânea de De dentro da gaveta da alma da gente., álbum que vai na contramão do tom passadista de Primeira nota (Biscoito Fino, 2012), disco assinado por Temporão com João Callado. Tal desvio é sinalizado não somente pelo convite a Kassin e a Continentino para pilotar a produção do álbum solo de Temporão, mas também pela abertura de parcerias com nomes ligados a essa cena contemporânea, como Domenico Lancellotti, parceiro de Temporão em Sem cair do céu, uma das três faixas formatadas com arranjos do violonista e maestro carioca Arthur Verocai (as outras duas são O que é bonito e a faixa-título De dentro da gaveta da alma da gente, ambas assinadas apenas por Temporão). O disco solo de Temporão será lançado ainda neste ano de 2013.

Romulo Fróes grava seu quinto álbum solo em São Paulo, via YB Music

Na sequência do lançamento do segundo disco do quarteto Passo Torto, Passo elétrico (2013), o cantor e compositor paulista Romulo Fróes - em foto de Daryan Dornelles - começou a gravar seu quinto álbum solo no estúdio da gravadora YB Music, em São Paulo (SP). O sucessor de Um labirinto em cada pé (YB Music, 2011) vai se chamar Barulho feio. O repertório inclui parcerias inéditas de Fróes com Nuno Ramos, casos de Noite torta e de Não há, mas derruba.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Eis a capa do álbum em que Luiza lança inédita de Ana e canta com Lulu

Com capa que expõe foto de André Nicolau e arte de Thiago Gadelha, o sétimo álbum de Luiza Possi - Sobre o amor e o tempo, quinto disco de estúdio da cantora e compositora carioca - vai ser lançado neste mês de novembro de 2013. Produzido por Dadi Carvalho, parceiro de Arnaldo Antunes na canção 2 perdidos, o disco está sendo promovido pela faixa Tempo em movimento, parceria de Lulu Santos com Nelson Motta, gravada por Luiza com o próprio Lulu. O repertório do CD apresenta música inédita da lavra de Ana Carolina, O mundo era nós dois.

Documentário sobre Novos Baianos é eternizado em DVD via Canal Brasil

Documentário sobre o lendário grupo Novos Baianos, filmado sob a direção de Henrique Dantas e exibido nos cinemas desde 2010, Filhos de João - O admirável mundo Novo Baiano ganha edição em DVD através da Coleção Canal Brasil. O João do título é João Gilberto, cuja forte relação com os Novos Baianos inspirou o grupo a fazer um som repleto de brasilidade pop com instrumentação influenciada pela obra do compositor baiano Assis Valente (1911 - 1958). Além de enfatizar a importância de João na construção do mundo Novo Baiano, o documentário exibe imagens de arquivo de filmes como Caveira my friend (1970), Meteorango Kid, Heroi intergalático (1969) e SuperOutro (1989). Clique aqui para reler a resenha do documentário.

Boa safra autoral do álbum 'The diving board' evoca o auge de Elton John

Resenha de CD
Título: The diving board
Artista: Elton John
Gravadora: Mercury / Universal Music
Cotação: * * * *

Balada melancólica gravada por Elton John somente com seu piano, Oceans away poderia figurar em qualquer álbum lançado pelo cantor e compositor inglês na primeira metade dos anos 70, década do auge artístico e comercial do artista. Pois Oceans away é a canção que abre o inspirado 31º álbum de estúdio de Elton, The diving board, recém-lançado no Brasil pela gravadora Universal Music. Impressiona o vigor da safra do disco produzido por T Bone Burnett, formada por 13 músicas inéditas compostas por Elton e letradas com apuro por seu fiel parceiro Bernie Taupin, além de três interlúdios instrumentais tocados ao piano e intitulados Dream #1, Dream #2 e Dream #3. Ainda que as melodias soem eventualmente déjà vu, músicas como A town called jubilee, Can't stay alone tonight (pop de tom bluesy) e The ballad of blind Tom honram o currículo do compositor, um dos maiores hitmakers da história do universo pop. O piano reina sobre todos os outros instrumentos, e o fraseado do  piano de Oscar Wilde gets out merece menção honrosa, mas The diving board não é disco de voz & piano. Aos 66 anos, Sir Elton John dispensou sua habitual banda, mas recrutou músicos como o baterista Jay Bellerose e o baixista Raphael Saadiq para ajudá-lo a dar forma a canções como My quicksand e Voeyur, faixas que reforçam o caráter vintage de CD que soa antigo na sua atemporalidade. Desde os anos 2000, aliás, Elton vem apresentando discos de inéditas que o conectam ao seu auge artístico e comercial. The diving board - álbum lançado em setembro de 2013 e precedido em junho pela edição do single Home again, bonita balada de espírito melancólico - é mais um destes discos que vem ao mundo para lembrar a maestria do artista. Por mais que flerte com gospel em Take this dirty water e com blues em Mexican vacation (Kids in the candlelight), entre outros ritmos, The diving board é disco centrado no pop centrado à moda de Elton. A beleza de músicas como Candlelit bedroom - canção alocada como faixa-bônus na Deluxe Edition turbinada com registos ao vivo de composições como The new fever waltz - reitera a categoria do compositor e, como o cantor disfarça em estúdio a perda da potência vocal, The diving board se impõe como mais um grande CD de Elton John.

Érika Martins reúne Jeneci, Autoramas, Villa e Nevilton no álbum 'Modinhas'

 Nas lojas neste mês de novembro de 2013, em edição do selo Toca Discos e da Coqueiro Verde Records, o segundo álbum solo de Érika Martins, Modinhas, junta na ficha técnica nomes como Autoramas, Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959) - de quem a artista regrava com Otto Modinha, tema que tem versos do poeta Manuel Bandeira (1886 - 1968) - e Marcelo Jeneci. Na companhia do grupo carioca Autoramas, a cantora baiana dá voz a Dar-te-ei (Marcelo Jeneci, Helder Lopes, José Miguel Wisnik e Verônica Pessoa), música do primeiro álbum de Jeneci, Feito pra acabar (Slap, 2010). Já Fundidos - rock de autoria de Botika, vocalista do grupo carioca Os Outros - é cantado por Érika com o toque do trio paranaense Nevilton. O repertório também inclui a Modinha do compositor carioca Sérgio Bittencourt (1941 - 1979), lançada em 1968 na voz firme do cantor Taiguara (1945 - 1996). Com capa estilosa que expõe Érika em foto de Daryan Dornelles, o CD Modinhas foi gravado no estúdio Toca do Bandido, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com a produção de Felipe Rodarte.

Erasmo lança 'single' digital com gravação inédita de 'Além do horizonte'

Enquanto finaliza com o produtor Kassin o álbum de inéditas Gigante gentil, que vai ser lançado no primeiro semestre de 2014 pela gravadora Coqueiro Verde Records, o cantor e compositor carioca Erasmo Carlos lança single em formato digital com gravação inédita de Além do horizonte (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975). O single está disponível no iTunes a partir de hoje, 4 de novembro de 2103. Lançada em 1975 na voz de Roberto Carlos, a música - última incursão do Rei pelo universo do soul - foi regravada pelo Tremendão para a abertura da novela Além do horizonte, programada para estrear hoje, às 19h, na TV Globo. Produzida por Kassin, a gravação de Além do horizonte vai ser alocada como faixa-bônus no CD Gigante gentil (clique aqui para conhecer detalhes do repertório do 28º álbum de Erasmo).

YouTube Awards expõe força do canal em premiação que coroa Eminem

Canal fundamental para o sucesso de clipes, com força suficiente para dar visibilidade mundial a artistas desconhecidos ou de alcance local (caso do coreano Psy), o YouTube realizou em Nova York (EUA) na noite de ontem, 3 de novembro de 2013, a cerimônia de premiação do primeiro YouTube Music Awards. Apresentada pelos atores e músicos Jason Schwartzman e Reggie Watts, tendo sido transmitida ao vivo pelo canal de vídeos, a cerimônia premiou um veterano que ainda se vale do poder do YouTube para se manter em evidência - caso do rapper norte-americano Eminem, eleito o Artista do Ano - como também jogou luz sobre a dupla de rap Macklemore & Ryan Lewis, agraciada com o troféu de Revelação do YouTube. Já o Vídeo do ano, de acordo com o YouTube Music Awards, foi o de I got a boy, do grupo Girl's Generation. Por mais que a premiação tenha recebido críticas em redes sociais, a simples presença de artistas como Lady Gaga e o próprio Eminem na cerimônia sinaliza que, da forma como está armado atualmente o jogo da indústria da música, o YouTube dá as cartas com muito mais força do que a MTV, desempenhando no presente o papel fundamental que a emissora de TV teve em passado não muito distante. Quem dita as regras do jogo é a internet.

domingo, 3 de novembro de 2013

M.I.A. recupera foco e energia em 'Matangi' com rap 'made in' Bollywood

Resenha de CD
Título: Matangi
Artista: M.I.A.
Gravadora: N.E.E.T. Recordings / Interscope Records
Cotação: * * * *

Foi longa a batalha travada por Maya Arulpragasam, a M.I.A., contra a Interscope Records - com direito a alfinetadas públicas na gravadora norte-americana via Twitter - mas, enfim, o quarto álbum da rapper inglesa, Matangi, está na rede (disponibilizado para audição no Vevo pela própria artista) e nas lojas físicas e virtuais (a partir de segunda-feira, 4 de novembro de 2013). Embora pautado por certa diversidade rítmica com mistura que vai da batida agressiva do politizado rap Bring the noize (Maya Arulpragasam, Benoit Heitz, Dave Taylor, Jean-Baptiste de Laubier e Hugues Rey) à levada de dancehall que conduz Double bubble trouble (Maya Arulpragasam e Martin McKinney), faixa que cai no samba (estilizado), Matangi acerta o foco de M.I.A., disperso no anterior Maya (2010). Vibrante, cheio de energia, o álbum se alinha com os dois primeiros álbuns da artista, Arular (2005) e Kala (2007), como já sinalizaram singles como Bad girls (Maya Arulpragasam. Nate Hills e Marcela Araica), música, aliás, lançada originalmente (em outro registro) na mixtape Vicki Leekx, lançada por M.I.A. ao apagar das luzes de 2010. Em essência, o que se ouve em faixas como a música-título Matangi (Maya Arulpragasam e Dave Taylor), Only 1 U (Maya Arulpragasam e Dave Taylor e Kyle Edwards) e a tribal Warriors (Maya Arulpragasam e Chauncey Hollis) é um rap mixado com sons e ruídos de Bollywood. As referências indianas estão espalhadas por todo o disco, assim como a  influência do jungle. Descendente de refugiados do Sri Lanka, M.I.A.dispara sua artilharia habitualmente pesada sobre a selva das cidades. Mas há também espaço para o respiro mais pop de Exodus (Maya Arulpragasam, Abel Tesfaye, Carlo Montagnese e Martin McKinney), faixa na qual figura o cantor e produtor canadense The Weekend. Com produção capitaneada pela própria M.I.A., Matangi foi formatado com adesões do fiel escudeiro Switch, incluindo no time de colaboradores o hypado norte-americano Hit-Boy, piloto de Boom (Skit) (Maya Arulpragasam e Chauncey Hollis), rap em que M.I.A. tira sarro da polêmica de sua apresentação no Super Bowl em fevereiro de 2012, quando um gesto obsceno feito por ela no número de Madonna tirou do sério a hipócrita sociedade dos EUA. No todo, as batidas são mais poderosas do que as letras, nem sempre à altura das músicas. Mesmo assim, Matangi repõe M.I.A. nos trilhos, seguindo a linha EUA-Inglaterra-Índia em ponto de fervura. Valeu a espera!!

Registro do show 'Carta de amor' em DVD fica no mínimo para dezembro

Maria Bethânia já está na reta final da turnê Carta de amor, mas o registro ao vivo do show - captado em apresentações feitas pela cantora em 13 e 14 de abril de 2013 na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ) - não vai ser lançado antes de dezembro pela gravadora Biscoito Fino. O show vai ser perpetuado em CD e DVD. Detalhe: nas apresentações que em tese encerram a turnê nacional neste mês de novembro de 2013, a intérprete - em foto de Rodrigo Amaral - canta com o pianista mineiro Túlio Mourão, arregimentado para substituir o maestro Wagner Tiso, o diretor musical desse show, que estreou no Rio de Janeiro (RJ) em novembro de 2012.

Com Loroza, Hyldon exalta a festa de Tim Maia no disco 'Romances urbanos'

 Primeiro álbum de inéditas de Hyldon desde Soul brasileiro (DPA, 2008), Romances urbanos está sendo lançado em formato exclusivamente digital pela gravadora Sony Music. Já disponível para compra no iTunes e para audição em plataformas digitais como Deezer, o álbum apresenta músicas como Festa do Síndico, exaltação a Tim Maia (1942 - 1998), feita na companhia de Serjão Loroza. Autoral, o repertório inclui Foi no baile black (parceria de Hyldon com os rappers Dexter e Mano Brown, jogada na internet em novembro de 2012), O novo e o velho amor (parceria do cantor e compositor baiano com Hanna Guerra, gravada por Hyldon em dueto com a cantora Roberta Spindel), Lua nova, Pista perigosa, O tombo, Revanche (parceria de Hyldon e Jorge Ailton, lançada por Leo Maia em 2009 no álbum  Sopro do dragão) e  No fim da estrada tem uma cidade.

Wanda Sá grava com Bena e Monheit primeira etapa do DVD dos 50 anos

Programado para 2014, o DVD comemorativo dos 50 anos de carreira de Wanda Sá tem como eixo o show que vai ser captado ao vivo em apresentação marcada para 19 de novembro de 2013 no Espaço Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ). Contudo, a cantora já registrou alguns takes de estúdio com convidados. Nessa primeira etapa da gravação, Wanda Sá recebeu o filho Bena Lobo (fruto da união da artista paulista com o compositor carioca Edu Lobo) e a cantora norte-americana Jane Monheit - como mostra a foto de Cristina Granato. Dori Caymmi assina os arranjos do DVD, viabilizado por uma parceria da gravadora Biscoito Fino com o Canal Brasil.

MGMT manda pop para o espaço ao se fixar mais em planeta psicodélico

Resenha de CD
Título: MGMT
Artista: MGMT
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 1/2

O pop outrora perfeito do MGMT foi para o espaço. A reunião do duo norte-americano com o produtor Dave Fridmann - piloto do imbatível primeiro álbum de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser - falhou na missão (não assumida, mas certamente ambicionada) de produzir outra obra-prima como Oracular spectacular. Neste álbum de fato espetacular, lançado em 2007 em formato digital e em 2008 em CD, a dupla - formada em 2002 por dois então estudantes universitários de Middletown (Connecticut, EUA) - surpreendeu o universo pop com coquetel de hedonismo e psicodelia temperado com a perfeição pop de gemas como Electric feel, Kids, The youth e Time to pretend (música-título do EP editado em 2005). A vida até parecia uma festa. No entanto, fãs embebidos nessa fina mistura se frustrariam com a edição do segundo álbum do MGMT, Congratulations (2010), disco em que o duo pegou a onda errada com surf rock e temas de tonalidade sombria. MGMT - o esperado terceiro álbum, ora lançado no Brasil pela Sony Music - poderia oferecer a redação, mas se embrenha em trilhas psicodélicas que vão se adensando ao longo das dez músicas do álbum. A segunda metade do CD - com A good sadness, Astro-mancy, I love you to death, Plenty of girls in the sea (tema de aura mais solar) e An orphan of fortune - configura o roteiro de viagem psicodélica de clima espacial e eventualmente soturno. Mistery disease e Your life is a lie fazem escalas no planeta rock, com a diferença de que Your life is a lie é faixa que conecta o MGMT ao pop, mesmo já distante da perfeição inicial, roçada pela sedutora Alien days, destaque da safra autoral. Única composição concebida fora da seara autoral do duo, Introspection - música da obra de Faine Jade, nome artístico de Chuck Laskowski, compositor e guitarrista norte-americano que seguiu a trilha psicodélica do garage rock na década de 60 - se afina com o som da dupla e se revela outro ponto alto de álbum que, apesar de alguns bons momentos, sinaliza que a viagem de Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser pode já não ter volta. Para quem gosta, boa viagem!

sábado, 2 de novembro de 2013

'Love in Portofino', ao vivo de Bocelli, inclui Sandy em clássico de Jobim

Registro ao vivo de show feito pelo cantor italiano Andrea Bocelli na Itália, em 11 de agosto de 2012, Love in Portofino ganha edição no Brasil neste mês de novembro de 2013, via Universal Music, nos formatos de CD e DVD. Para o público do Brasil, a gravação ao vivo do show - cujo roteiro inclui músicas gravadas por Bocelli em seu mais recente álbum de estúdio, Passione (2013) - tem como maior atrativo o dueto do tenor com Sandy em Corcovado / Quiet nights of quiet stars, um dos clássicos mundiais do cancioneiro de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994). Love in Portofino foi lançado nos Estados Unidos em 2013 em edição que une CD e DVD.

'What the...' marca a retomada da discografia de Black Flag após 28 anos

Banda de hardcore formada em 1976 na Califórnia (EUA) e reativada neste ano de 2013 pelo seu guitarrista-fundador Greg Ginn, Black Flag se prepara para lançar em dezembro What the..., seu primeiro álbum em 28 anos. Com controvertida capa, o sucessor de In my head (1985) apresenta a nova formação do grupo, que traz de volta o vocalista Ron Reyes e passa a contar com o baixista Dave Klein e o baterista Gregory Moore. Eis as 22 músicas do CD What the..., que, segundo o iTunes, vai estar disponível apenas a partir de 3 de dezembro de 2013:

1. My heart's pumping

2. Down in the dirt

3. Blood and ashes

4. Now is the time

5. Wallow in despair
6. Slow your ass down
7. It's so absurd

8. Shut up
9. This is hell

10. Go away

11. The bitter end
12. The chase

13. I'm sick
14. It's not my time to go-go

15. Lies

16. Get out of my way

17. Outside

18. No teeth

19. To hell and back

20. Give me all your dough

21. You gotta be joking

22. Off my shoulders

Capa é a (única) novidade na atrasada edição 'deluxe' de álbum de Mars

Em inacreditábel falta de sintonia com os modernos tempos digitais, a gravadora Warner Music lança no Brasil, neste mês de novembro de 2013, a Deluxe edition do segundo álbum do cantor e compositor havaiano Bruno Mars, Unorthodox jukebox. Produzida com exclusividade para ser comercializada nos Estados Unidos através da rede de lojas Target, essa Deluxe edition do sucessor de Doo-wops & hooligans (2010) já está em rotação na internet desde dezembro de 2012, mês em que o álbum Unorthodox jukebox foi lançado em escala mundial. A única novidade dessa atrasada edição brasileira da Deluxe edition é a capa, exclusiva dessa tiragem alardeada pela Warner Music como limitada. Descontada a capa, o conteúdo é rigorosamente o mesmo. Às 10 músicas do álbum original, foram acrescentados remixes de Locked Out Of Heaven (Major Lazer Remix) e Moonshine (The Futuristics Remix), demos do single Gorilla e de Young girls, além de dueto de Mars com a cantora norte-americana Esperanza Spalding em Old & crazy, única música (na época) inédita da Deluxe edition do disco Unorthodox jukebox.

Em ascensão nos EUA, Bugg eletrifica som no segundo CD, 'Shangri La'

Com lançamento programado no Reino Unido para 18 de novembro de 2013, em edição da Mercury Records, o segundo álbum de Jake Bugg, Shangri La, apresenta 12 músicas inéditas da lavra deste cantor e compositor britânico de apenas 19 anos. O jovem artista foi uma das sensações do universo pop em 2012 com a edição de seu excelente álbum de estreia, Jake Bugg, calcado em folk vintage que remeteu ao som de Bob Dylan na década de 60. Produzido por Rick Rubin, Shangri La foi idealizado para inflar a ascendente popularidade de Bugg no mercado dos Estados Unidos - como já sinalizou o eletrificado primeiro single, What doesn't kill you (música assinada por Bugg com o irlandês Aim Archer, seu parceiro mais frequente), lançado em 23 de setembro. Um segundo single, Slumville sunrise, já foi lançado em outubro, dando sequência à promoção de Shangri La, disco que harmoniza faixas elétricas com temas de clima acústico. A song about love, All your reasons, Kitchen table, Pine trees, Simple pleasuresStorm passes away e There's a beast and we all feed it são sete músicas do álbum.

Caixa 'Quatro tons' expõe a (real) dimensão da importância de Odair José

Resenha de CD
Título: Quatro tons de Odair José
Artista: Odair José
Gravadora: Universal Music
Cotação: Assim sou eu... (* * * *), Odair José (* * * * 1/2), Lembranças (* * *) e Odair (* * 1/2)

Ao revelar a luta dos cantores e compositores ditos cafonas contra a censura da década de 70, batalha até então normalmente associada somente a medalhões da MPB como Chico Buarque e Milton Nascimento, o livro Eu não sou cachorro, não (Record, 2002) - escrito pelo jornalista e historiador Paulo César de Araújo - deu início a um processo de reavaliação da obra de Odair José que rendeu o tributo Vou tirar você desse lugar (Trama, 2006) e culminou com a edição de Praça Tiradentes (Saravá Discos, 2012), excelente álbum de inéditas em que Odair se conectou a nomes como Arnaldo Antunes e Chico César sob generosa produção de Zeca Baleiro. Onze anos após a publicação do livro de Araújo, a edição de Quatro Tons de Odair José - caixa que embala reedições de Assim sou eu... (1972), Odair José (1973), Lembranças (1974) e Odair (1975), os quatro primeiros álbuns gravados pelo artista na Polydor (o braço popular da extinta gravadora Philips) - presta valioso serviço à memória fonográfica brasileira por trazer para a era digital discos (inacreditavelmente até então nunca editados em CD) que permitem que a reavaliação da obra do artista seja feita a partir da análise de sua matéria-prima original. Produzida por Alice Soares para a Universal Music com o habitual requinte da série Tons, valorizada pelos colecionadores de discos por reeditar títulos raros com arte gráfica original (com reproduções das letras) e excelente remasterização (de Luigi Hoffer e Carlos Savalla), a caixa Quatro tons de Odair José expõe os momentos mais felizes da obra desse cantor e compositor goiano que obteve grande sucesso popular na primeira metade dos anos 70. Contudo, ao mesmo tempo em que expõem o excelente acabamento instrumental das gravações e o traço peculiar de cancioneiro que tocou de forma direta e corajosa em temas tabus como sexo e religião, sempre falando a língua do povo, as reedições destes quatro álbuns também revelam as limitações e contradições de um artista que, embora seja dono de produção autoral situada bem acima da média da canção popular, por vezes soou repetitivo em seus assuntos e caminhos melódicos. Tanto que ao tentar se renovar com a criação de O filho de José e Maria (1977), espécie de ópera-rock gravada em álbum editado já na RCA por conta de discordância na Philips, Odair viu ruir vendas e o sucesso popular, este nunca mais obtido na proporção alcançada no período áureo da Philips. Como recorda o jornalista Marcus Preto nos elucidativos textos escritos para contextualizar cada álbum na discografia de Odair, o cantor migrou da CBS (gravadora na qual já fazia expressivo sucesso popular) para a Philips porque queria se ver livre da estética da Jovem Guarda que lhe era imposta pelo produtor Rossini Pinto na CBS. Pois aí reside um mérito e uma contradição na discografia de Odair, que passou a ter seus LPs produzidos por Jairo Pires. Por mais que seu primeiro álbum na Philips, Assim sou sou eu... (1972), tenha arranjos requintados criados pelo maestro paranaense Waltel Blanco com bases tocadas pelos ótimos músicos que formariam em 1973 o trio carioca Azymuth, o d.n.a. de canções como Você chegou para me fazer sorrir (Odair José e Jorge Paiva), Três pontinhos mais... (Odair José e Jorge Paiva) e Seria muito bom fazer voltar (Odair José e Jorge Paiva) remetem à gênese pueril da Jovem Guarda. Mas a propalada influência do pop rock também pontua o disco, se fazendo notar sobretudo no arranjo de Vida que não para (Odair José e Silva Santos). De todo modo, o grande sucesso de Assim sou eu... foi Esta noite você vai ter que ser minha (José Pereira Jr. e Pisca). Nesta reedição, o álbum ganha faixa-bônus, Cristo, quem é você?, lançada originalmente no álbum Orações profanas (1972) e incluída na segunda tiragem de Assim sou eu..., LP que atingiria a marca das 200 mil cópias vendidas - número até modesto se confrontado com as alegadas 700 mil cópias vendidas do segundo álbum do cantor na Polydor, Odair José, pico de vendas e de criatividade na discografia do artista. É o disco em que, renovando a temática da canção popular brasileira, o cantor abordou dilemas delicados como o de ser mãe solteira (Deixa essa vergonha de lado, parceria de Odair com Andreia Teixeira) - personificada na letra na figura de uma empregada doméstica, reforçando o elo do artista com as classes populares - e o uso de anticoncepcional, assunto do megahit Uma vida só (Pare de tomar a pílula), canção que - como informa o texto de Marcus Preto - é da lavra solitária de Odair, embora seja oficialmente creditada a Ana Maria, que vem a ser a mulher de Carlos Guarani, então diretor artístico da Rádio Globo, autor da ideia de fazer música sobre a pílula, tema então muito em voga na sociedade. Com o reforço de Hyldon nas guitarras, Odair José é também o álbum de Cadê você? (Odair José), outro sucesso de disco luminoso em que o cantor remói amores perdidos em canções como Revista proibida (Odair José) - faixa que, de quebra, toca na questão da pornografia - e Eu, você e a praça (Odair José), música tristonha como outras tantas de Odair. Aliás, no cancioneiro do compositor, até a felicidade vem revestida de certa melancolia, como explicita o título da sertaneja Alegria triste (Pinga e Evaldo José), faixa de Lembranças, álbum de repertório menos sedutor, pontuado pelo suingue dos arranjos de José Roberto Bertrami, perceptível em especial na arrojada orquestração de Barra pesada (Jean Pierre e Donizette). As letras continuavam simples e diretas na abordagem de amor e sexo, como exemplificam os versos algo machistas de Cotidiano nº 3 (Odair José), canção sobre o desgaste do casamento por conta do desleixo da esposa com seu visual. Por isso mesmo, tais letras eram alvo da censura, que implicou com o título original da canção A primeira noite de um homem (Odair José e Eliane Maria Machado Barbosa), trocado para Noite de desejos. De todo modo, o compositor se revelou menos inspirado em Lembranças. Tanto que o grande sucesso do disco foi A noite mais linda do mundo (A felicidade) (Donizette e Marcelo), música alheia que atravessou gerações. E, se de fato o que existe na vida são momentos felizes como prega essa bela canção, os de Odair José na Polydor estavam chegando ao fim. Álbum arranjado por José Roberto Bertrami com Luiz Cláudio Ramos, Odair (1975) - ao qual se seguiu o LP Histórias e pensamentos (1976), omitido na caixa - reforça a impressão de desgaste sinalizada por Lembranças. Mesmo assim, vale mencionar A viagem (Odair José) - alusão vaga aos efeitos da maconha - e Dê um chega na tristeza (Odair José e Maxine), ode à alegria, sentimento rarefeito em cancioneiro que tem seus méritos. As reedições destes quatro álbuns do artista na ótima caixa Quatro tons de Odair José são fundamentais porque dão a real dimensão da importância do cancioneiro do artista, dono de obra que não deve ser superestimada como se Odair José fosse o genial compositor que o tempo se encarregou de mostrar que ele - afinal - não conseguiu ser ao longo dos anos, mas tampouco subestimada por conta de algumas belas melodias e da habilidade do cantor em se comunicar com as massas de forma original e sincera.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cordeiro traz árias de ópera para universo dance no EP 'Elektronic trilogy'

Ária de Rinaldo (1711), ópera do compositor alemão George Friedrich Händel (1865 - 1759), Or la tromba caiu na pista pela voz de Edson Cordeiro. A releitura dance integra o EP Elektronic trilogy, lançado esta semana no iTunes pelo cantor paulista. Por ora disponível somente em formato digital, o disco também joga na pista a Carmen do compositor francês Georges Bizet (1838 - 1875) - em faixa intitulada Car-Men elektrica - e o tema sacro Stabat mater (1736), de autoria do compositor italiano Giovanni Pergolesi (1710 - 1736). Já à venda!

Frevo de Dori batiza 'Ninho de Vespa', segundo álbum da Spok Orquestra

Com capa de aura psicodélica assinada pelo artista plástico pernambucano Sebba Cavalcanti, o segundo álbum de estúdio da Spok Frevo Orquestra, Ninho de vespa, vai ser lançado neste mês de novembro de 2013. O sucessor de Passo de anjo (2004) - álbum de estúdio que gerou o DVD e o CD ao vivo Passo de anjo ao vivo (2008) -  foi batizado com o nome do frevo Ninho de vespa, composto por Dori Caymmi com Paulo César Pinheiro e lançado por Dori no disco Brazilian serenata (1990). Dori participou da gravação da Spok. Em Ninho de vespa, a orquestra de frevo também faz conexões com o bandolinista Hamilton de Holanda, parceiro e convidado da faixa Tá achando que tá devagar?. Alguns frevos do álbum têm toque jazzístico.

Aos 23, Fiuk tenta se firmar como cantor com segundo CD solo, 'Vira-lata'

Aos 23 anos, recém-completados em 25 de outubro de 2013, Fiuk - uma das caras da nova MTV brasileira - tenta se firmar como cantor e compositor com o lançamento de seu segundo álbum solo, Vira-lata. Com 13 músicas que vão do samba ao rap, passando pelo funk, o disco vai estar nas lojas a partir de 12 de novembro de 2013, em edição da Warner Music. Sozinho ou com parceiros, Fiuk assina oito das 13 músicas. Anunciado em abril com a edição do single Toma toma (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Thiago Moraes), funk pop de tom populista gravado por Fiuk com MC Sapão, Vira-lata está sendo promovido atualmente com balada de cepa romântica, Fora de alcance (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Alexandre Lucas), faixa já alvo de clipe filmado em estradas dos Estados Unidos sob a direção de Bruno Murtinho. Dois anos após o lançamento de seu primeiro disco solo, Sou eu (2011), Fiuk volta ao mercado fonográfico com álbum produzido por Umberto Tavares e Mãozinha. Contudo, Rick Bonadio - produtor associado a grupos de hardcore melódico como CPM 22 e NX Zero - pilotou as faixas Eu não sou normal (Rodriguinho e Thiaguinho), Sou do bem (Fiuk e Rappin' Hood) e Tá na cara (Fiuk e Manu Gavassi), gravadas com as adesões do cantor de pagode Thiaguinho, do rapper Rappin' Hood e da cantora adolescente Manu Gavassi, respectivamente. A participação de Fábio Jr. em Caso sério (Umberto Tavares, Jefferson Junior e Allan Lima) reforça o link do jovem cantor e compositor paulista com seu pai, de quem herdou a imagem de sedutor. Em sintonia com o espírito mundano do título do disco, Vira-lata inclui faixa autoral intitulada Foda-se, palavrão (comumente) utilizado em nomes de músicas por rappers norte-americanos.

'New' reapresenta o bom e velho McCartney com sutil toque de novidade

Resenha de CD
Título: New
Artista: Paul McCartney
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * 1/2

A capa fosforescente do primeiro álbum de inéditas de Paul McCartney em seis anos, New, pode até sinalizar o traço de novidade na discografia do cantor e compositor inglês que o título do álbum também sugere. Contudo, em essência, New reapresenta o bom e velho Beatle. E, claro, não há demérito algum nisso. As novidades na gravação da safra autoral são sutis, como o toque de trip-hop inserido em Appreciate, faixa de arquitetura electro-pop pilotada por Giles Martin, um dos quatro produtores arregimentados por McCartney para dar forma a um disco digno, cheio de energia, como ostenta o vibrante pop rock Save us - produzido por Paul Epworth (o parceiro da cantora inglesa Adele, para quem não liga o nome ao som) - alocado logo na abertura do CD, lançado no Brasil neste mês de novembro de 2013, com distribuição da Universal Music. Aos 71 anos, McCartney consegue repisar sua long road - evocada em faixas como I can't bet e Queenie eye (ambas perfeitamente cabíveis em qualquer disco lançado pelos Beatles após 1966) e também na música-título New, que tem ares de Penny Lane (John Lennon e Paul McCartney, 1967) - sem perder sua jovialidade. Nejamais soa como um disco velho. Soa - isso, sim - como um álbum de Paul McCartney, compositor hábil na criação de baladas e rocks de caráter atemporal. Early days (canção de aura folk e pulsação country), On my way to work (música de leveza pop), Hosanna (tema de arquitetura mais clássica e menos inspirada) e Get out of here (outra canção de aura folk) representam bem a seara das baladas. Já rocks como Everybody out there e Turned out lembram os tempos em que Paul era ainda um garoto, mas um garoto amado por todos que ouviam os Beatles e os Rolling Stones. A fonte da juventude ainda parece jorrar nos falsetes de Alligator, uma das faixas formatadas por Mark Ronson, produtor associado ao estouro da cantora inglesa Amy Winehouse (1983 - 2011). Verdade seja dita: mesmo com Paul cercado por produtores ligados a artistas da atualidade, New jamais entra em rota de colisão com o passado glorioso do Beatle. Ciente de sua eternidade no universo pop, McCartney resistiu à tentação de soar muderno. E é por isso que, mesmo sem ser exatamente novo, New vai ter (eterno) sabor de novidade para seus fãs.

Blog Notas Musicais entra em seu oitavo ano de vida já com domínio próprio

 Com a publicação deste post, de número 12.111, Notas Musicais completa sete anos de vida e entra em seu oitavo ano já com domínio próprio - www.blognotasmusicais.com.br - e com sutis mudanças editoriais. A ideia - a partir desta sexta-feira, 1º de novembro de 2013 - é dar progressivamente tom mais opinativo às notícias postadas diariamente no blog. Não a todas, mas a algumas notícias que mereçam análise imediata para provocar reflexão do leitor sobre o fato noticiado. Já as resenhas de discos e shows vão permanecer no formato habitual - até porque as resenhas são o que tornaram Notas Musicaium dos blogs mais influentes no universo pop brasileiro pelo fato de serem honestas e escritas sem a intenção de massagear egos de artistas, empresários, produtores, assessores de imprensa e integrantes de fãs-clubes. Iniciada em 20 de fevereiro de 2012, a conexão de Notas Musicaicom o Facebook também permanecerá firme -  através da publicação imediata dos links das postagens na página do blog no Facebook - por conta do fenomenal crescimento dessa rede social no Brasil. A conexão com o Facebook tem se mostrado eficaz na ampliação do círculo de leitores de Notas Musicais. Recente publicação no Facebook do link de nota sobre a gravação de DVD de Djavan, para citar somente um exemplo, foi vista por mais de 88 mil pessoas no Facebook por conta dos mais de 150 compartilhamentos do link nessa rede social. Contudo, Notas Musicais entra em seu oitavo ano de vida ciente de que, mais do que a quantidade, o que tornou o blog uma referência para quem lida com a indústria do disco no Brasil é a qualidade de seu público leitor, formado por consumidores de CDs e DVDs em formato físico, artistas, jornalistas musicais, empresários e profissionais da indústria fonográfica. Por isso mesmo, é hora de renovar a gratidão a esse público leitor que tem se mostrado fiel e incansável, acessando o blog diariamente, alertando para erros de digitação e/ou informação e notificando o blogueiro sobre notícias relevantes (sim, é graças a esses atentos leitores que Notas Musicais tem a fama de ser um blog quente). É hora também de dizer obrigado, mais uma vez, aos artistas - sem eles, não haveria a música e os discos, matérias-primas do site - e a Rodrigo Goffredo (fiel colaborador na cobertura fotográfica dos shows, sempre incansável na busca das melhores expressões dos artistas em cena). Enfim, muito obrigado a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram para que Notas Musicaiesteja entrando firme e forte no seu oitavo ano de vida, mesmo com o mundo virtual centrado no Facebook. E que venha um novo ano com (muita) música boa e grandes discos!